Seja você a pessoa certa

por Gustavo Gitti 1 October 2008 60 comentários

Entre dois possíveis parceiros, não escolha o que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquele que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.

Casamento

“O sucesso do casamento é muito mais do que encontrar a pessoa certa; é uma questão de ser a pessoa certa.” –B. R. Bricker

O elemento mais comum no imaginário amoroso das pessoas do séc. XXI é, talvez, o da “pessoa certa” ou “the one”. Estou cansado de ouvir frases assim: “Ainda não encontrei a pessoa certa” ou “Será ele o cara certo para mim?”. A “pessoa certa” para quem, para o quê? Para o grande “eu”, foco de nossas atenções. Para a importantíssima “minha felicidade”, claro.

A pessoa certa é aquela cujos atributos se acoplam perfeitamente com todos os nossos desejos, hábitos, vícios e peculiaridades. Se sou carente, quero um superprotetor traumatizado (traído da última vez que ficou ausente). Se gosto de vinho, adoraria um homem que seja quase um sommelier. Se sou fascinado por peitos, uma mulher tábua não me serviria.

Tal lógica seria perfeita em um mundo intocado pela impermanência. O problema é que nossas preferências, hábitos e desejos mudam a todo instante. Já tivemos nossas fases gastronômica, carente, acadêmica, cultural, caseira… E assim fomos trocando de parceiros. A situação a que chegamos hoje é simples de resumir: além das relações líquidas, as que tentam ser duradouras dificilmente escapam de situações de traição, adultério e muita, muita dor.

O que aconteceria se invertêssemos essa lógica? Se, em vez de procurarmos pela pessoa certa, tratássemos de ser a pessoa certa? A seguir, vou rascunhar algumas possibilidades nessa outra direção. No entanto, só saberemos se pularmos, mergulharmos e incorporarmos essa outra lógica com nossos poros, retinas, veias. Quem pular nesse abismo, depois passe aqui e nos conte como foi.

A lógica do oferecer

Uma boa metáfora para contrastar as duas abordagens: se estiver em dúvida entre duas pessoas, não escolha a mais engraçada, mas a que ri de suas piadas. Ou seja, não escolha a que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquela que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.

Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple seu próprio corpo e faça surgir beleza dele. Em vez de ficar esperando por alguém inteligente, apenas distribua sua inteligência para qualquer um. Seja a pessoa certa, sem esperar resultados ou retribuições de qualquer tipo.

Se você é mulher, não busque olhares. Irradie aquilo que você não precisa de espelhos para ter a existência confirmada. Se é homem, não pense que o amor é aquilo que você recebe. Seu amor é aquilo que você oferece. Isso ninguém tira, isso você leva junto para onde for.

Estava há pouco conversando com um amigo em conflito. Ele deseja vir trabalhar em São Paulo, mas tem uma namorada há 5 anos em sua cidade. Em um dos momentos, disse: “Posso ir a São Paulo, fazer sucesso profissionalmente e nunca encontrar um amor”. Ora, o amor ele trará junto, nunca será encontrado, só direcionado para outra. Se ele cultivar esse amor, é possível que consiga reconquistar a namorada atual quando voltar à cidade natal anos depois. Se ele voltar esperando receber amor, dificilmente conseguirá conquistá-la novamente.

Reconhecendo a impermanência (sem fugir ou ignorá-la), podemos amar com liberdade. Renunciamos a realização de nossos impulsos neuróticos, largamos os ganchos e oferecemos nossas habilidades para o deleite de nosso parceiro. Na verdade, é isso que sempre desejamos, sem saber como realizar.

Após um fim de namoro dolorido, nossa felicidade não surge quando descobrimos que podemos ser amados novamente. Sentimos a vida pulsar apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa. É a capacidade para o amor que nos alegra. Nossa felicidade não vem do outro tanto quanto vem de nossa própria potência inata de amar e produzir felicidade em todas as direções.

O amor livre como um antídoto ao adultério

Algumas pessoas que já me ouviram falar em “desvincular o amor do amado”, ao propor algo que às vezes chamo de amor livre, reagem com um desconforto e defendem a fidelidade monogâmica – como se “amor livre” significasse poligamia ou justificasse o adultério. Pelo contrário, uma pessoa só trai porque se sente incapaz de reconstruir o amor, curar a relação, sentir-se viva novamente diante do outro e, assim, fazê-lo renascer diferente.

Na verdade, o amor é livre de fixações, livre de personagens, livre até mesmo dos parceiros que os manifestam. Se depender dos condicionamentos que o trazem à tona, ele terminará quando o casal afundar. Mas o amor oferecido não cessa, não é mesmo? Ele é amplo, vasto, todo abrangente. O amor recebido, este sim cessa.

Qual não é nossa surpresa quando percebemos que, logo após o fim, seguimos com a potência de trazer felicidade ao outro? O amor não cessa pois ele é essa abertura ao outro, essa capacidade de oferecer, oferecer, oferecer. Se podemos sempre oferecer, é sinal que sempre temos amor, mesmo quando parece que ele nos foi arrancado de dentro do peito.

Mostro abaixo, ao mesmo tempo que deixo um desafio a homens e mulheres nesse fim de ano, como o amor livre favorece a fidelidade (não o contrário) e diminui o impulso à traição.

Recado para os homens

Faça-me um favor. Descubra logo que você pode conquistar e amar qualquer uma. Seja você rico ou pobre, feio ou bonito, você tem tudo o que é necessário para fazer qualquer mulher feliz. Basta liberar seu amor, sem fixações, hesitações ou dúvidas. Enquanto não perceber que seu amor é livre, você continuará testando-o com várias. Enquanto sentir seu amor acabar, você terá de dormir com outras garotas para resgatar sua potência vital.

Uma vez solto, canalize tudo em apenas uma mulher (a menos que você realmente consiga fazer duas felizes sem causar complicações, o que hoje duvido ser possível em nossa sociedade). Depois, tome cuidado para não confundir foco com fixação. Seu amor nunca será dela para que sempre seja dela, momento a momento, em um processo incessante de escolha e liberdade.

Assim que você vincular seu amor a ela, ele parecerá surgir de fora e você o sentirá como vindo dela para você. É nesse momento que você pára de oferecer, ou seja, pára de amar. Quando a relação acabar, você terá a certeza de que ela levou seu coração, apagou o Sol e deixou a sala vazia, sem amor algum. É esse o outro lado da “pessoa certa”.

Sugestão para as mulheres

De uma vez por todas, sinta-se inteira como sendo o amor que você busca nos olhares e espelhos do mundo. Você já é aquilo que espera ouvir de um homem. Você já está na ilha paradisíaca de seus sonhos, abraçada e acariciada com declarações de amor. No momento em que você sente que precisa de amor, a carência inunda seu corpo até o ponto em que você precisará de outro olhar para voltar a ser bela.

Para você também: seu amor nunca será dele para que seja sempre dele. Enquanto você transpirar amor por todo lado, terá o que oferecer e portanto poderá ser totalmente dele. No instante, porém, que você precisar dele para respirar, você não mais conseguirá oferecer e terá de exigir o amor dele.

Você se lembra dos momentos em que mais foi feliz e aberta? Na maioria deles, havia um outro em cena? Sem querer, vinculamos todas essas sensações a uma ou outra pessoa. Se elas deixarem de proporcionar essas sensações, você será obrigada a buscar um outro que resgate todas as alegrias e toda a beleza que você já vivenciou. Um outro homem que veja beleza em você e movimente tudo aquilo que você desconfia da existência mas não sabe bem como encontrar.

Durante essa busca por amor, você fará muitos homens sofrer. O primeiro vai olhar e revelar beleza. O segundo revelará ainda mais. O terceiro a levará para locais que os dois primeiros nunca sequer vislumbraram. O quarto finalmente a fará mulher. O quinto ensinará todos os prazeres do sexo. O sexto… Até quando? Quando chegará o “The One”? Sinta agora seu corpo, inspire sua beleza, deite-se sobre a certeza de que você já é mulher. Totalmente, inteiramente, deliciosamente mulher. Como a face feminina do amor, ofereça-se ao mundo de corpo e alma. E se ainda quiser causar dor nos homens, produza um outro tipo de dor, if you know what I mean… ;-)

É esse meu desejo para todos os casais. Homens e mulheres completos, um oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu (como ensina Contardo Calligaris). Amor necessário é horrível. Amor bom é igual arte: inútil, completamente descartável… e belo.

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60 comentários »

  • Seja você a pessoa certa | Não Dois, Não Um: Um blog sobre relacionamentos lúcidos disse:

    [...] Texto de fim de ano para o portal NossaVia. Ficou como rascunho por mais de um ano aqui no Não dois, não um, hoje saiu meio vomitado. ;-) Link direto: “Seja você a pessoa certa” [...]

  • Gustavo via Rec6 disse:

    Seja você a pessoa certa…

    Entre dois possíveis parceiros, não escolha o que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquele que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer….

  • Rosemar Prota disse:

    Muito bons seus textos Gustavo. Valeu!

  • Diego disse:

    Ótimo texto Gustavo! Mais um daqueles que eu vou ter que imprimir e guardar na pasta N2N1, para poder ler com mais calma para absorver tudo :).

    “Sentimos a vida pulsar apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa”

    Eu não teria dito melhor!

    Abração e bom fim de ano para você!

  • Max Reinert disse:

    Rapaz!!!
    Estou tentando…juro que estou tentando…
    Mas dá uma canseira……………….

  • myla disse:

    éhhh Gitti: e vamu um aprendendo com o outro; ser é ser-com.
    esse est coesse! ; )

  • N. disse:

    Nossa Gustavo!!! Mais um post maravilhoso que vc nos presenteia. Sempre encontro em seus textos a indicação de novos caminhos reflexivos que me tiram de encruzilhadas. Aquela idéia que vem no dia e hora certos. Mais do que um convite pra sermos pessoas inteiras, me parece que vc nos propõe um descentramento. É só qdo estou/sou um ser “completo” que consigo me doar dessa forma livre e despretenciosa.
    Mais uma vez, adorei a leitura! E tendo ela sido feita nessa tarde de natal, teve um sabor prá lá de especial.
    Bjs,
    Rumo a 2008 em busca de me tornar a pessoa certa! rs

  • Alê disse:

    Adorei essa inversão, esse desafio. Vou experimentar e depois te conto. Só de ler me sinto mais livre e só de pensar nessa possibilidade de partir de mim, mais amorosa.

    “oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu”

    Parabéns Gu

    bjs

    Alê

  • Ciro disse:

    Boa Gu!

    Excelente texto!

    Um grande abraço!

  • Tonobohn disse:

    Isso aí Gustavo! Excelente.

    Temos o costume de pensar no parceiro como “a outra metade” da nossa vida, da relação. Eu nunca gostei de pensar assim. Prefiro ver como dois inteiros, que podem muito bem existir e serem felizes sozinhos e estão juntos apenas parar oferecer, como você disse, aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu.

    Grande abraço!

  • douglas disse:

    assobios, palmas e etc…. muito bom….sem mais

  • Analú disse:

    Gú, esse texto teu fala de tudo aquilo em que acredito:

    - quando a gente se ama, o amor do outro vem naturalmente;

    - quando a gente não tenta prender, a pessoa fica, prazerosamente;

    - quando a gente não precisa, tudo o que vem é lucro, e é muito bom!;

    - o amor muda quem ama, e não quem é amado;

    - quando a gente dá, o universo devolve.

    Mais uma vez, acertou em cheio!

    Quero aproveitar pra te agradecer por todas as boas dicas que você me deu durante o ano, principalmente sua sugestão para que eu fizesse um blog! Ele já me deu, em tão pouco tempo de trabalho, algumas alegrias inesquecíveis!
    Espero que você entre em 2008 com o mesmo enorme carisma que teve em 2007, e que seja muito feliz, profissional e pessoalmente!

    Beijão!

    Analú

  • Leila disse:

    Olá, interessante sua proposta.
    Quando estava lendo ficou martelando na minha mente a palavra “foco”. Acredito que para ser a pessoa certa, precisamos manter o foco em nós mesmos. Sobre a Liberdade do Amor, concordo, mesmo porque esta é a Liberdade mais cara. Um forte abraço,

  • Gustavo Gitti disse:

    Oi Leila, entendo sua posição, mas eu diria o contrário: para ser a pessoa certa o foco é no outro, nas necessidades e nas possibilidades do outro. O que faz o outro brilhar, se abrir, amar?

  • seja você a pessoa certa « the brand new days of mine disse:

    [...] 5, janeiro 2008 no final do ano passado, um amigo meu falou que eu devia mesmo ler esse texto, por conta de algumas coisas que andavam acontecendo aqui na minha vida. na hora confesso que não [...]

  • Leila disse:

    Oi Gustavo, mas no que as necessidades do outro me ajudaram a ser a pessoa certa? Talvez só se estas possibilidades me auxiliem a crescer junto..é isso que quer dizer?

  • Gustavo Gitti disse:

    Leila, as necessidades e desejos do outro são os critérios que decidem se o que você tem a oferecer pode fazê-lo feliz. Veja o que eu escrevi:

    “Entre dois possíveis parceiros, não escolha o que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquele que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.”

    Abs!

  • karen disse:

    Q alma vc tem Gustavo!

  • Vanessa disse:

    Oi Gustavo… amo tudo q vc escreve!! Parabéns!!
    Bjs da priminha

  • Maressa disse:

    aaaaaaaaaaaaaaai, que textos mais perfeitos por aqui!!!

    aprendi mt coisa…e vou refletir ainda mais com as coisas que escreves…adorei, mesmo!

    bjs.. ;)

  • Raquel Camargo disse:

    Fantástico o post. Achei que seria mais dicas de auto-ajuda, que eu tenho tanta antipatia, mas nao, me surpreendi, vc disse coisas coerentes durante todo o texto. E nao pareceu impraticável, como costuma ser as palavras sobre esse assunto!
    Muito bom, parabens

  • Izabel disse:

    Gustavo,
    Adorei o texto, mas, é difícil observar e descobrir essas tais necessidades do outro para completá-lo, eu mesma costumo não demonstrar as minhas próprias necessidades, talvez por medo, autoproteção, sei lá, será que é por isso que não completo ninguém e não consigo deixar ninguém me completar? rsrs, tô rindo más é sério, não consigo encontrar a pessoa certa, mas vou continuar lendo o seu blog para não desanimar, pois quando leio vejo até uma luzinha no final do túnel.
    beijos

  • fabiola ribeiro disse:

    caraca que lindo vc esta de parabéns
    amei seu lindo texto!!!!!!

  • KJ disse:

    Li em algum lugar que ‘vc não deve esperar encontrar alguém, para depois fazer sua vida e todas as coisas que deseja. E sim, fazer tudo que deseja agora e ser o melhor e mais completo ser humano, para aí sim, encontrar a pessoa especial da sua vida’ … resumindo é mais ou menos isto q li …

    Mas este seu post … ahhh, é perfeito! =)
    bjos

  • Samantha Azevedo disse:

    “I don’t want to be your other half I believe that 1 and 1 make 2″, Alanis explica!

  • Mari disse:

    Eu aprendi uma coisa, ainda não consigo praticá-la, mas eu aprendi que devemos buscar alguém que nos complete, e nào alguém que vá preencher algum vazio em nós…

    Concordo com esse texto, acredito que devemos “a pessoa certa” para que venham outras pessoas e nos completem… que sejam algo “além” para nossas vidas, e não “o que estava faltando…”

    Beijos …
    Mari

  • Maria Thereza disse:

    vim agradecer pelo texto, porque ele surgiu numa hora em que eu precisava muito. o mais engraçado é que o texto pelo visto é antigo, mas você foi postar ele aqui justo hoje.

    bom, muito obrigada!

  • Luan Madson disse:

    Genial…,
    isso sim é enxergar além do horizonte.

  • Divergente disse:

    Desculpa Gustavo,

    mas este texto me deixou realmente confuso…

    Eu acredito que a minha felicidade produza felicidade na pessoa que esteja comigo e vice-versa. A coisa é bidirecional na minha concepção.
    Quando eu conheço uma pessoa interessante eu procuro mostrar quem eu sou para que ela veja se eu sou a pessoa certa e ao mesmo tempo eu também a avalio.

    “Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple seu próprio corpo e faça surgir beleza dele.”

    Isso é auto-estima um excelente afrodizíaco…

    “Seu amor nunca será dela para que sempre seja dela”
    isso me parece viver artificialmente, muito denso assunto para uns 10 posts.

    Pouco contraditório, “seu amor nunca será dela” “Assim que você vincular o seu amor a ela” essa é a sequência ou o que devemos evitar?

    Por favor, me explique. Acho que estou a anos-luz de entender isso por sí própio…

    Forte abraço!

  • Ka disse:

    Excelente o texto, muito profundo e verdadeiro.
    Amar assim precisa ter também coragem, deixo uma questão para o pessoal se quiser responder ou pensar…quem tem?
    Hoje vejo muitos relacionamentos que mal começam e pluft terminam, não há sequencia ou não há intenção de amor, só de curiosidade ou uma ficação básica.
    Estou meio como a Izabel…aberta para esse tipo de amor, mas ….donde esta tu amor?
    besos

  • Carolina Vianna disse:

    Divergente, o negócio é que a gente ama porque ama, o amor não é uma conseqüencia, ele não é uma reação ao que a pessoa é. Ele é o que é, é amor, por isso está e não está vinculado.

    Ficou mais confuso?

  • Carolina Vianna disse:

    Ka, é aí que tá, o amor vive dentro de você. Você não precisa encontrar ninguém especial pra começar a amar! Até pq ninguém é especial assim!

    Hoje acordei meio Paulo Coelho, mas tem fundamento, eu juro! hehe o/

  • Carolina Vianna disse:

    Ninguém é especial no sentido de príncipe! ^^

  • Edu Starling disse:

    Um dos textos mais completos e bem escritos que ja li sobre o assunto. Parabéns, Gustavo!

    Em tempo: como as pessoas complicam suas vidas, quando a felicidade está nas coisas mais simples!

  • Divergente disse:

    Carolina, “acho que entendo o que você quis me dizer, mas existem outras coisas”… minha dúvida não é sobre o que é o amor, mas sim todos os processos envolvidos no seu desenvolvimento.

    Bjão!

  • Ana Maia disse:

    “Você já é aquilo que espera ouvir de um homem.”

    Pela primeira vez me sinto assim.. será que permanecerá e ultrapassará até minha próxima paixão?!

    Hum… esse amor que atravessa e distribui tem que ser de pele.. algo que sai das entranhas… inconsciente.. não?! Será que se não for assim ele não fica muito mecânico?!

    Me sinto burra por oferecer tanto com tanta naturalidade.. e não consigo impedir isso pra não me sentir tão tão tão burra.
    Mas esse sentimento só vem quando realmente percebo que estou vazia.
    Abstraio. E novamente sou o quem sou… sem maldades, sendo ‘aquilo que espero ouvir de um homem’..

    Brisas e suspiros..

  • Divergente disse:

    Ahhhhhhh, como isso é engraçado…
    Por que algumas vezes sustentamos aquela coisa “o amor me pegou” ou “fui atingido pela flexa do cúpido” essa é o tipo de visão ingênua da coisa. Não quero dizer que li isso por aqui, só queria comentar msm.
    O amor é uma criação nossa, sendo assim podemos dar a ela a roupagem que quisermos.

    Ana Maia, não entendi por que você se sente burra!!!
    Uma das coisas que eu mais admiro nas pessoas é a naturalidade, o por que você se encontar na abstração?

    Bjão

  • Fernanda disse:

    Perfeito!

    Parabéns!

  • Rhode disse:

    É como saber agradar sendo você mesma. E estar feliz não somente por estar com a pessoa e sim, estar feliz por fazê-la feliz. Então vira um círculo vicioso (?) de boas energias que sempre se renova… eu fico feliz por você estar feliz e você fica feliz por me fazer feliz também… e diante de personagens redondos que somos, as mudanças do tempo só tomam cores mais novas e vibrantes, e não desbotam como quando em rotinas egoístas de alguns relacionamentos que vemos hoje em dia.

  • Jazz disse:

    @MARI

    vc ~definitivamente não é a única por aqui que conhece bem a teoria e não consegue praticar… definitivamente.

  • Ana Maia disse:

    Divergente,

    Me sinto burra porque muitos gostam de aproveitar… aquela historinha de dar uma mão e a pessoa querer um braço.
    Tudo que eu faço é por pura doação. Faço porque quero, porque tenho vontade.. aprendi a não pedir e nem querer nada em troca.
    Então, numa suposição, eu me esforçando pra ser [ou sendo naturalmente] a pessoa certa, sem procurar no outro características da perfeição, recebe uma leva agradecimentos pelos atos doados com certo prazer, do seguinte tipo: “Cara, como vc pode ser tão linda? tipo por dentro e por fora, tá? mas depois nos falamos, tenho que sair!” ou “Inteligente, linda e gostosa.. tá sozinha por quê?!”.. ou ainda “O que faz uma mulher como vc na internet em pelo sábado!”…. stand by!
    Nâo vou pra apartamentos ver filmes.. e nem aceito convites pra ir ao cinema. Eu só quero rir de uma piada idiota!
    Só posso me sentir tão burra de estar tão pronta..
    Ao mesmo tempo me sinto a pessoa mais capaz em resolver problemas alheios! Modéstia a parte, sou boa nisso! rs..

    Abstraio pra não viver numa ‘escravidão’ de sentimentos não tão bons!
    Prefiro continuar nessa maré de gostosa, inteligente, linda, que ainda sabe resolver problemas alheios, porque meu ego invadiu o espaço do meu id, e está sorrindo!

    ….Porque hoje, eu seduzo uma árvore!

  • Mariucha disse:

    Ótimo texto! Você faz os relacionamentos parecerem tão fáceis e bonitos. Sempre que leio teus posts é como se eu sentisse um sopro de novas inspirações, fico renovada… E o melhor, começo a acreditar que temos a chave para mudar tudo, não apenas o relacionamento, mas a própria vida. E temos, não é verdade?
    Aguardo o livro…
    Abraços

  • Ray disse:

    Ana Maia,

    Adorei teu comentário:”Só posso me sentir tão burra de estar tão pronta.”
    Hahahahhahahahaha

    Tenho algo assim tb dentro de mim.

    “….Porque hoje, eu seduzo uma árvore!”

    Muito engraçado, amiga!
    O importante é não perder o bom humor.
    Beijão, querida!

  • Edu Starling disse:

    Ana Maia,

    Gostei muito de tudo que vc escreveu! É um ótimo ‘complemento’ ao post do Gustavo. E o estilo lembra uma xará sua que conheci que tinha uma cabeça acima da média (vai ver é influencia do nome :D)

  • Divergente disse:

    Ana Maia,

    selecionei esta prá você… (baseada em fatos reais)

    Conversa de casados:
    * Querido, o que você prefere? Uma mulher bonita ou uma mulher
    inteligente?
    * Nem uma, nem outra. Você sabe que eu só gosto de você.

    divirta-se!

  • Eterna Aprendiz disse:

    Olá amigos,

    Forte abraço para todos! Aproveitando as palavras do Divergente: “O amor é uma criação nossa, sendo assim podemos dar a ela a roupagem que quisermos.”
    Gostaria de oferecer-lhes uma visão de como conduzir a vida (relacionamentos, profissão, artes, hobby… a vida mesmo) de forma amorosa que eu acho MARAVILHOSA:

    “Se alguém renuncia ao amor e à coragem,
    renuncia à prudência e à reserva de força,
    renuncia a seguir depois e corre à frente,
    Esta perdido!

    Porque o amor é vitorioso no ataque
    e invulnerável na defesa,
    O céu arma com amor
    aqueles que não quer ver destruídos.”

  • Ka disse:

    Carol Viana….sim querida concordo contigo sem utopias, príncipes não existem.
    Mas amor é troca. É a sua expressão, o seu melhor para o outro reconhecendo que ele é humano com qualidades e defeitos.
    Mas hoje o que percebo, ouço, observo é que as pessoas de uma forma geral querem amar mas também não deixam isso acontecer. Por isso comentei da questão da falta de sequência, da rapidez de começar e acabar. Tenho contato com muitas pessoas ( inclusive da dança que nosso amigo Gitti comenta em outro post) e o que vejo em 99% é um eterno troca troca, amor mesmo raro, acho até que existe pessoas que quando percebem que o relacionamento encorpa…pula fora, sinceramente não sei se é consequência da pós modernidade.
    Eu acredito no amor “ainda”.
    bjka e foi otimo trocar figurinhas contigo

  • Ana Maia disse:

    Ray… obrigada! Dificilmente eu perco o bom humor!! rs..

    Edu Starling.. aposto que essa é uma história muito interessante!

    Divergente.. rs.. eu jamais faria essa pergunta! Mas gosto desse ‘cara’.. ;)

    beijos..

  • Ana Maia disse:

    E sabe.. agora pouco pensando em tudo isso, lembre de Celine e Jesse em “Antes do Por-do-Sol”. Já assistiram esse filme? Eu não me canso.
    Tem um cena que ela surta dentro do carro, e diz que seus relacionamentos amorosos são desastrosos, que prefere ficar sozinha, e que alguns deles voltam [casados] pra dizer o quanto ela foi importante por ensinar o que é o amor e a amar e respeitar as mulheres.

    Ela não fala, mas tenho quase certeza que se sentiu burra…. por ter podido ao menos te-los considerado a pessoa certa…

    Pra quem quiser: http://www.youtube.com/watch?v=9jxtiRjNc1o

    ……….a espera do ‘Jesse’.. beijos.

  • Daniel disse:

    @Ana Maia,

    Continue sendo apaixonante assim!

  • Sharziiita disse:

    simplesmente de maisss… pq nao encontrei esse site antes?!

  • Andrea disse:

    Sim, a lucidez ainda existe. E está na internet! Isso é sensacional. rss
    Estava fazendo uma pesquisa sobre meditação e encontrei sua página. Curiosamente, estava lendo os comentários sobre a traição em uma das colunas do site papo de homem e escrevi algo que vai de encontro ao trecho “amor livre como antídoto…”
    Minha filosofia é aquela do cotidiano, desenhada por tropeços e tombos, dores e amores. Nada certo, tudo sendo experimentado. Por isso, ainda mais divertido encontrar quem compartilhe das mesmas lentes para observar nosso palco diário. Me sinto menos alienígena. Obrigada e, por favor, não pare.

    Resposta sobre traição no site papo de homem:
    “Acho essa conversa toda muito louca. A traição é produto dessa loucura costurada na maneira que decidimos levar a vida.

    Acredito ser possível permanecer com a mesma pessoa durante anos - desde que essa relação tenha troca e produza algo útil, diferente de mais seres humanos no mundo - mas, vamos encarar os fatos: a merda toda é fazer isso sem saber qual é a motivação.

    Ser fiel porque aos olhos sociais externos e internos - aqueles enraigados dentro de ti, que talvez vc nem saiba existir - isso está culturalmente registrado favorece a traição e, pior, a culpa depois da ação.

    Nós somos estúpidos, é incrível.
    Vivenciamos relacionamentos estranhos, onde olhamos mas não enxergamos ao outro pq não somos capazes de ter uma visão clara sobre nós mesmos. Aí vc acredita que a fidelidade é a prova de que vc é uma ótima pessoa, insubstituivel, e precisa que o outro alimente tudo o que VC precisa nutrir. Impossível não rir da nossa idiotice. Humano, demasiado humano…

    Por isso, até vc decidir ser fiel a si mesmo, aproveite para entender e conhecer o que é um relacionamento aberto.

    Mas, por favor, aquele decente, do tipo: Sexo é encontro. Se vou fazer com um ou com dez, que exista pelos menos empatia. Assim, se o telefone não tocar no dia seguinte ninguém vai achar o fim do mundo - em especial nós mulheres, cuja dificuldade pra fazer sexo sem compromisso chega a ser bizarra.

    Isso evita comportamentos alienígenas - que nós nos acostumamos - do tipo: iniciar uma relação onde um monitora a agenda, celular ou vida do outro, além de precisar dizer onde está e precisar saber onde o outro está.

    Tudo isso, sem permitir que o sexo vire alimento para alguma insatisfação mascarada. Essa é a arte por trás do relacionamento aberto. A idéia é entender que não és propiedade de ninguém, que a vida pode ser uma delícia mesmo sem um companheiro e que a chegada de alguém só acrescenta.

    Seria bom estar com alguém e entender que esse alguém pode estar com quem ele bem entender. Se não vai fazer isso, a motivação é uma só: ele é fiel às proprias escolhas. Todo mundo sobreviveria e os psiquiatras estariam ferrados. Mas, o simples iria imperar.”

  • Talitha disse:

    Mto bom para refletirmos…nao somente refletirmos, mas sim por em prática!!!! rsss

  • Gustavo Gitti disse:

    Oi Divergente,

    >>“Seu amor nunca será dela para que sempre seja dela” - isso me parece viver artificialmente, muito denso assunto para uns 10 posts.

    Pouco contraditório, “seu amor nunca será dela” “Assim que você vincular o seu amor a ela” essa é a sequência ou o que devemos evitar?

    Por favor, me explique. Acho que estou a anos-luz de entender isso por sí própio… <<

    Sim, pois no momento em que você se fixa nela (se seu amor for só dela), a conexão vira apego e você passa a exigir algo dela em vez de apenas oferecer. Se seu amor não estiver fixado, aí poderá ser totalmente amor pra ela.

    Isso acontece também quando o cara, depois de anos juntos, se acomoda e abandona sua capacidade de seduzir QUALQUER mulher. O que acontece? Ele deixa de seduzir a SUA mulher.

    É irônico, mas muitas vezes o cara acaba tendo de seduzir outras para redescobrir a sua capacidade de seduzir a mulher que está ao seu lado. Enfim, se sempre mantivermos um coração amplo, poderemos amar quem está a nossa frente. Se só focarmos em quem está à nossa frente, não conseguiremos amar.

    Abração!!!

  • Ana Carolina disse:

    “Enfim, se sempre mantivermos um coração amplo, poderemos amar quem está a nossa frente. Se só focarmos em quem está à nossa frente, não conseguiremos amar.”

    É, e então ficamos naquela “dúvida”!
    Acabei de descobrir que foco, e me distancio cada vez mais!
    Mas ainda duvido. =/

  • Vanessa disse:

    Olá…/
    Muito bom este texto…deu para refletir bastante em situações vivenciadas atualmente!!!
    :-)

  • Samantha disse:

    Mais um texto SENSACIONAL!!!! É isso aí,o que nós somos e temos levamos a qualquer lugar, enquanto que se dependermos do amor do outro teremos que arrastar a pessoa grudada em nós vida afora,o que, obviamente,é impossível….

  • Josy disse:

    Este ultimo comentario do Gustavo me lembra o filme “Dança comigo?” com Richard Gere…

    Ele se interessa por outra mulher e reaprende a seduzir para tentar conquistá-la, é qdo ele redescobre o prazer de seduzir a própria esposa…

    … dançando. Uma das melhores artes para sedução.
    E eu digo dançar mesmo, e não fazer movimentos epiléticos e pornográficos sem sentindo.

    Dançar… dançar de verdade é expressar sutilmente com o corpo o que os seus olhos já dizem.

    Primeiro comentário que deixo.
    Há dois dias devorando seu blog.

    Vc, Gustavo, é a esperança de ainda haver Homens na Terra. Obrigada.

  • simone sales disse:

    O que eu entendi é algo que estou passando estou carente tendo um homem dentro de casa depois da primeira e ultima separação por ciume doentio meu,resolvemos voltar depois de 20 dias,ele disse que me ama quer viver comigo,mais ele não tem o mesmo carinho e dedicação que antes,é raro dizer que me ama e fico esperando carinho dele e demosntração de amor,eu entendi desse texto que eu tenho que amar e não me importar com o que ele diz sentir e nem esperar que ele me mostre o que sente,pois ele não diz…Mais isso me machuca se alguem puder me ajudar,antes da briga ele me dizia o que sentia,agora eu digo e não recebo de volta,por isso ao invéz de esperar acho que devo esquecer e me amar e esperar que ele sinta falta…To chorando não sei o que fazerrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

  • lorena a. disse:

    Não é a primeira vez que leio este post. Apesar de amar todos o que você escreve Gustavo, esse pra mim é especial, pois me transmite uma imensa claridade a respeito do que se diz ser amor. Posso sentir-me exatamente a pessoa certa, mesmo não estando num relacionamento propriamente dito. Depois que entendi, assimilei e realmente vivi o amor de verdade, aquele proveniente do exímio desapego, percebi que Niezstche tinha razão quando disse que amamos o ato de amar e não necessariamente o ser amado. O que percebo é que sim, já vivi muito dessas realções interdependentes de doação de amor do outro, onde quando que você deseja não acontece, você se frustra e a cada vez que isso vêm vamos deixando uma parte de nós mesmo ir embora junto com tudo isso.
    Hoje, caminho em direção a desfazer todas as minhas convenções em relação a relacionamento homem mulher. Primeiro por saber da proximidade e os abismos que existem esses dois mundos, e ir muito além disso. Adoro ser mulher, e por isso admiro os homens. não desejo ser como eles, pois busco a completude, aquilo que posso extrair de um relacionamento a dois. Não somente as alegrias, mas toda e qualquer vacuidade dentro dessa infinita impermanência chamada de nós…

    beijões!

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