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Oferecer (para homens)

por Gustavo Gitti 21 May 2006 2 comentários



Escrevo isso para os homens, pois as mulheres o fazem naturalmente através de seus corpos, de seu brilho expansivo natural.

Quando você for para o trabalho, para a faculdade, para uma balada, não vá com uma postura de buscar algo, conseguir algo, sugar algo do local ou das pessoas. Vá para oferecer, vá para gentilmente entregar às pessoas as qualidades de sua simples presença. Ofereça qualquer coisa. Um olhar profundo já é muito hoje em dia. Vá para os lugares e apenas treine olhar tudo com um olhar de abismo. Muitas pessoas precisam só disso: serem olhadas, contempladas suave e lentamente, reconhecidas em sua manifestação mais sutil, tocadas de alguma forma e conectadas com um outro que as transcende e reacende o mistério que as faz viver.

No momento em que se coloca em uma posição mendicante, você adentra um mundo de carência, sente-se incapaz de oferecer algo aos outros e termina com um olhar que suga e enfraquece a energia de qualquer um ao seu redor. Ao final do dia, você continuará insatisfeito e certamente terá construído relações patológicas com os seres, baseadas em sua carência.

Por outro lado, se adotar uma postura expansiva e radicalmente aberta, oferecendo sua existência ao deleite dos outros, você age reconhecendo que não tem nada a perder. Não há medo nem hesitação em seu olhar. Sem esperar ou exigir nada dos outros, você age desimpedidamente, em uma dança sutil em meio às situações. Qualquer solidez ou bloqueio é atravessada por sua leveza e transparência. Qualquer obstrução é liberada pela presença da sua espontaneidade. Você apenas sorri e faz todos sorrirem, ou ainda: você cria o espaço para que todos possam sorrir.

Seu olhar sequer vem de seus olhos. É não-local, surge em qualquer olho, surge do espaço entre os seres, dos rizomas que os transpassam. Você age sem estratégias e cria um raro ambiente no qual cada pessoa se sente livre para igualmente abandonar suas estratégias e apenas ser. Isso é um alívio para qualquer um.

Quando nos apresentamos como mendigos, quando pedimos por algo, tudo nos é insuficiente, ralo, pouco. No fundo, estamos fechados e por isso acabamos não vendo o que há, sem perceber os tesouros de cada lugar, de cada ser, de cada evento. É o coração contraído que suplica, que pede, que suga. Quando vamos sem nada pedir, estamos abertos. Tudo nos arrebata. Tudo já é demais e nos enriquece imediatamente. A qualidade viva das coisas faz nossa visão transbordar de luminosidade.

Ao final do dia, brotará em você uma alegria sem causas, não condicionada. Não há frustração ou insatisfação. Você apenas deu o seu melhor e sente-se em paz. Não interessa se alguém notou, se recebeu elogios ou se você foi completamente ignorado. Você ofereceu toda a sua profundidade. Não há presente maior que um homem possa dar.

Perdi meu tempo.Você tem 12 anos?Tá frio hj, né?Quando sai o livro?Deu uma vontade de fumar... (2 votos | gostou do post?)
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2 comentários »

  • André disse:

    Olá, Gustavo!

    Creio que vc tenha escrito esse artigo há mais de um ano, mas eu o li só agora! E caiu como uma luva…
    Minhas emoções obviamente não são estáticas e estão flutuando para o lado de uma postura mendicante, que vc muito bem explicou, por sinal.
    Suas palavras sobre uma atitude mais generosa foram como “um tapa na minha cara”, no único bom sentido que essa frase pode assumir.
    Nesta noite, não posso deixar de lhe oferecer o meu muito obrigado…

    Um forte abraço,

    André

  • Khandinho disse:

    “Olhar de abismo” Seria um olhar imparcial, sem preconceitos ou estereotipos. (meu ponto de vista)
    Ótimo texto.

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