Tensão sexual no casamento
“Ele suspira que não é nada, reclama do amargo das azeitonas e não fala nada e nada. O jantar segue mudo. Você se perguntando se morreu e feliz com as aproximações do garçom, chances de estabelecer diálogo. Pede quatro sucos. Quando volta do banheiro, pensa o quanto a vida é silenciosa e triste. Ele paga a conta em silêncio. Você quase quer perguntar se ele está bravo, mas não é louca o suficiente para fazer isso e fica quieta até chegar em casa.” –Cilana
Minha amiga (offline, vida real) Cilana escreveu esse post e me chamou pelo Gtalk: “Escrevi sobre casamento, leia lá”. Eu li e não vi nada sobre casamento ou tensão sexual. O que eu vi no avesso das palavras é aquela espécie de amor que o Robin Williams descreve em Gênio Indomável: “My wife used to fart when she was nervous”. Depois da descrição completa, de como ele amava cada detalhe nela, você a imagina como sendo a mulher mais linda que já existiu…
Um amor que não só aceita, mas se relaciona ludicamente com todas as barreiras do outro, que olha além daquilo que o outro manifesta no momento. Isso parece fácil, não? No entanto, muitas relações terminam justamente por não vermos nada além do instante atual de nosso parceiro: “Ele está assim há alguns meses e eu não agüento mais”.
Sem mais bla bla bla, fique com o post da Cilana: “A tal da TS: a culpa é toda nossa“.
Créditos da imagem: Norm Christiansen, Primitive Erection (2003).
P.S.: O Não2Não1 saiu em uma matéria sobre blogs na última edição da revista Metropolis (está na seção de comportamento, leia online) e eu apareci no programa Metrópolis da TV Cultura (em breve no arquivo on-line). Cool, uh?
P.S. 2: Esse é o segundo post consecutivo no qual eu começo com um título e acabo falando sobre outra coisa. Para quem não gostou, lembre-se que isso é uma metáfora do que acontece em toda relação. Certa vez eu peguei o email de uma garota para enviar um trabalho de faculdade e então passei 5 anos namorando com ela. ;-)





Curti o PS2.
Quanto ao post da Cilana, é perfeito.
Não sei quem disse: “O silencio é um texto fácil de ser lido errado”.
Mas sei que estes dois “esquisitos” são lindamente humanos.
Cilana, você lê o silencio dele, não como uma sabia que conhece o seu esquisitão. Você encara, sem subterfúgios, a angustia que o silencio dele causa em você. Você suporta a solidão, consegue dar a ele o tempo que ele precisa….bela mestra, obrigada!
Pois é.. eu fui lá na “Cilana” ler o post.. muito bem escrito e cheio de sensibilidade. E fiquei feliz ao perceber que ela supera todo mal estar para dar a ele o tempo que precisa pra si mesmo.
No BDSM, nós, escravas e/ou submissas, estamos focadas o tempo todo nas necessidades do Dono. Não falo de relações idealizadas, é assim no real do 24/7: dedicação 24h por dia, sete dias semana. Nosso objetivo é saber o DONO feliz, nos realizamos com isso. E não é, de maneira alguma uma utopia, claro que fazendo algo pelo prazer dELE estamos fazendo também pelo nosso prazer.
Vou deixar aqui, para ilustrar, um trecho de um texto que escrevi sobre o assunto:
“….Dar os últimos retoques no jantar, e esperá-lo, coração batendo forte, pulsando mais a cada minuto que me aproxima do seu retornar. E, ali, subserviente e nua, de joelhos, sorriso doce nos lábios, olhos baixos, brilhantes de emoção, recebê-lo e me dar.
Descalçar seus sapatos, beijar e massagear seus pés, tirar suas roupas, banhá-lo com minha língua, refrescá-lo. Depois lavar seu corpo, cuidar dos seus cabelos, vesti-lo com sua roupa íntima preferida, e ficar ouvindo atenta ao que ELE tem para me contar. Aquietar-me e fazer do meu silêncio o bálsamo para sua leitura, pois sei, que ELE gosta de ler durante o jantar.
Esperar que ELE queira meus carinhos e cobri-lo com todos que tenho para dar. Ser criativa, me insinuar. Buscar em seu olhar se me quer mais atrevida, ou mais submissa… se mais delicada, ou mais mundana. Satisfazer todos os seus desejos, dos mais ternos aos mais perversos….”
Enfim, por aí vai. É delicioso servir. Faz com que me sinta realizada e plena como mulher.
Doces besos
Amar Yasmine do AQUILIS
Amar,
A experiência mais próxima desta doação radical a que você se refere vivi como filha e não como mulher.
Tirei meu pai do CTI, após um AVC fulminante para que ele morresse ao meu lado e acabei tendo que cuidar dele, um ser que havia se tornado extremamente frágil (para você ter idéia, ele conseguia movimentar só a perna direita) durante quase 4 anos.
Uma de minhas irmãs e uma enfermeira que, na verdade, foi treinada por mim, estiveram ao meu lado o tempo todo.
Realmente, (sei que alguns não vão acreditar) foram 4 anos fantásticos durante os quais praticamente me tornei uma monja reclusa que saia para trabalhar e voltava correndo para casa com o intuito de colocar dieta na sonda naso gástrica, dar banho, trocar fralda, contar piada sacana…
Após a morte de nosso pai, minha irmã se mudou para outro estado. Veja este e-mail que mandei ano passado, com uma coletânea de piadas recheadas de sacanagem de cunho sexual, para ela, minha irmã, rir bastante:
Mana, você se lembra das noites em que a gente substituía o famigerado Neozine do Juquinha por uma boa sessão de gargalhadas?
Ele ria como um bebê, com o corpo inteiro, e, muitas vezes, engasgou, ficando roxinho. Nossa mãe gritava da cozinha:
-Parem com isto! Vocês vão acabar matando o seu pai.
A verdade, porém, é que ele acabava caindo num sono tão profundo e restaurador que remédio nenhum seria capaz de proporcionar.
Então,nós trocávamos as fraldas de quem havia trocado as nossas e ficávamos, como duas mães babonas, olhando pro nosso menino de 85 anos, nos sentindo aliviadas por não precisarmos preocupar com a educação dele.
Como educadoras seríamos um desastre, já que somos super protetoras e nos enternecemos com as rebeldias infantis. Imagine a perdição que seria uma criança criada por duas (dose dupla!!!) mães capazes de recriar o mundo inteiro só pro “filhinho” não se frustrar.
Graças a Deus, toda nossa missão como mãe se resumia a zelar para que o nosso rebento (gostou?) fosse feliz.
Assim, ele se tornou cheio de vontades e meio sacaninha.
No entanto, como ele era incapaz de qualquer dissimulação, mostrando sempre com crueza e pureza o que sentia e queria, acho que podemos dizer que demos conta do recado.
Como você está vendo, hoje estou nostálgica! Por isto resolvi homenageá-la com estas piadas.
Descobri que sou feliz quando assumo desafios, como este, que me proporcionam auto conhecimento e aprimoramento pessoal.
Como a vida tem me fornecido desafios aos borbotões, não preciso de homem para ser feliz e, desta forma, não consigo sequer me imaginar, fazendo o que você descreve.
Em se tratando de homens, só me vejo dando na medida em que recebo.
Agora, te confesso uma coisa, precisar é uma coisa, querer é outra…precisar eu não preciso, mas bem que eu quero unzinho pra me dar muiiiiiiiiiiiito prazer.
Como não estou podendo deixar de reconhecer que você parece se sentir amada como mulher, enquanto que eu, a rigor, conto, fundamentalmente, com o meu amor próprio e com admirações vacilantes da parte dos homens (sou pródiga em assustá-los), não somente estou grata por você ter compartilhado sua experiência, como vou considerar, seriamente, alguns aspectos dela.
Um beijo carinhoso
Doce menina Eterna Aprendiz!
*sorrindo*
Que maravihoso relato. Que imensa capacidade de amar! Feliz do homem que merecer receber todo este amor. Dizer mais o que? Nada.
Doces besos.
Também adorei o pê esse. :*)
O tema mto me interessa, pena que o blog só está aceitando convidados.
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