Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo
Eu gosto mesmo é de escrever sobre o antes e o depois. O durante eu deixo pra aprender e viver.
Quem se enrola todo no “antes”, quem não consegue ficar muito no “durante” ou quem sofre no “depois” às vezes me escreve pedindo conselhos. Minha última missão secreta foi ajudar o casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert. Deu certo, eles superaram os problemas e até gravaram uma de suas noites (vocês viram no YouTube?). O vídeo completo pode ser visto no site www.vivaoprazeradois.com.br
Eu já gravei algumas noites também e não entendo como eles conseguiram ficar tanto tempo sorrindo e se empurrando… Minha calça jeans é bem menos resistente à massagem com K-Y do que essa aí do Rodrigo. ;-)
Parando com a brincadeira, vou compartilhar agora com vocês algumas visões sobre o “Antes”. Serão 4 textos e vocês poderão fazer perguntas no widget aí do lado. Eu explico mais no fim desse post. Além disso, no PapodeHomem você encontrará textos sobre o “Durante” e, no Manual do Cafajeste, sobre o “Depois”.
Que “antes” é esse?
Quando pensamos em “antes” e não associamos de imediato a preliminares (que faz parte do “durante”, certo?), surgem cenas de jantares, massagens e tudo aquilo que as revistas de comportamento nos ensinam. No entanto, o que vem antes do “antes”? Quais momentos e dinâmicas que não apenas levam diretamente ao sexo, mas que o intensificam a longo prazo?
Mais ainda, o “antes” é muito vinculado a solteiros, paixões, conquistas e começos. Para casais com um relacionamento longo, o “antes” vem ilustrado com pimentas ou como um resgate da paixão inicial, num discurso para quase-solteiros que ignora a riqueza e as especificidades de uma longa relação. É por isso que vou falar para esses casais – sabendo que os solteiros saberão muito bem aproveitar as ideias. ;-)
O olhar que eleva
Muito se fala da troca de olhares sedutores, mas ela é natural se houver uma outra troca de olhares mais constante na relação.
Imagine um gerente que tenha sido vítima de fofocas malignas chegando para coordenar sua equipe. Sem autoridade, diminuído, ele se sente completamente impotente, perdido, incapaz de agir. Eis uma caricatura do que acontece quase diariamente com muitos casais.
Lembro de uma vez ouvir um cara falando todo empolgado da faculdade que estava voltando a fazer. Sua noiva o interrompia minuto a minuto para dizer que aquilo não fazia sentido e (em tom de brincadeira) que seria brochante namorar um calouro. Tais afirmações, de pouco em pouco, terminam por minar a potência do homem e, do outro lado, a vitalidade feminina.
Se a mulher não admirar e não sentir a potência de seu parceiro, ela nunca vai ajoelhar e coordenar cabeça, mãos, lábios e língua para nossa diversão. Se o homem não apreciar e não estimular as qualidades de sua mulher, ele nunca vai realmente sentir vontade de pegá-la no colo e dizer, com a boca cheia, “Eu te amo”.
A tensão que sustenta o sexo
Na música, quando desejamos aumentar a sensação da cabeça do tempo (o “1″), em vez de colocar todos os instrumentos com força nesse ponto, jogamos a intensidade para o contratempo (o “2″). Se você atentar para o surdo do samba, ficará nítido que o “Bum” maior acontece no contratempo. É por causa desse contraste, dessa tensão entre tempo e contratempo que a música fica gostosa. A ênfase no “2″ só valoriza e traz mais à tona o “1″.
Na dança de salão, é a tensão entre as mãos que possibilita a condução. Se a dama não faz um pouco de força contra a mão do parceiro, quando o cavalheiro tenta levá-la para um passo, apenas sua mão se desloca. Se há tensão, o corpo feminino inteiro se move ao mínimo gesto da mão masculina.
Quando um homem não é facilmente fisgado, quando treina a arte da imobilidade, ele propõe uma tensão diante do movimento feminino. Ele não fica no mesmo local, não avança na mesma direção que ela, então ambos se polarizam e magnetizam. É como um strip tease: se ele não aguenta a ansiedade logo nos primeiros minutos e se move, o strip tease acaba; se ele relaxa imóvel, ela começa a dançar e provocar cada vez mais.
Em geral, o homem que propõe pouca tensão em sua relação é justamente o homem que acumula muita tensão interna. É por isso que o orgasmo é visto como uma necessidade e é por isso que ejaculação precoce é mais comum do que imaginamos. Se conseguimos relaxar nessa tensão relacional, se nos opomos de maneira complementar (feminino e masculino como tempo e contratempo), a energia do casal aumenta junto com as possibilidades de brincadeira – na cama e na vida.
A conta afrodisíaca
Afrodisíaco mesmo é pagar a conta. O prato é o de menos.
Pagar a conta (e mil outras coisas, como não ejacular) cria a sensação de débito, não de cobrança. O processo é sutil e pode ocorrer mesmo quando ela paga a conta. Em vez de usarem esse jogo como manipulação, explicitem-no, falem disso entre si, brinquem com esses processos todos pois eles não perdem a força depois de revelados, só ganham mais ludicidade. Solteiros parecem fazer isso (usar a lógica bancária para contabilizar e comparar orgasmos, por exemplo) mais do que casados, infelizmente.
Ela insiste em pagar; ele não aceita a grana de modo algum. Ela espera um avanço dele para rolar sexo; ele diz que o jantar foi sensacional, deixa um chocolate na mão dela e se vai porque precisa trabalhar. Aí ele respira e sente a alegria de ter feito isso, algo muito melhor do que a ansiedade de esperar algo em troca. Ele passa o dia seguinte com esse espírito e depois a encontra ainda com mais presença, energia vital, olhar penetrante.
Com esse movimento sem autocentramento, ele cria uma pergunta dentro dela, um “Como assim?”. E então ela começar a se movimentar, a fazer a energia circular, a imaginar, sonhar, falar, dançar ao seu redor. Como está em débito, ela age.
Podemos experimentar aumentar a sensação de débito ao limite, não deixar que elas paguem. Sem receber, apenas respiramos. E elas dançam mais e mais. Se recebemos, o desnível desaparece e a água repousa. Se há desnível, alguém sempre corre atrás, há rio, movimento, dança. A água nunca para. E então o pagamento vem e uma hora aceitamos. Por que será que criaram a expressão “pagar boquete”?
Meditação como preliminar
Não, não me refiro a Osho, sexo tântrico, DeRose, ioga a dois, nada disso. É claro que melhorar o sexo não é o objetivo da meditação, mas é um efeito inegável.
Menos diálogos internos, mais abertura ao exterior. Menos confusão, mais direcionamento. Menos dispersão, mais energia. Mais compaixão, mais generosidade. Mais sabedoria, menos limitações, regras, crenças e visões estreitas. Junte um corpo com energia a uma mente generosa numa relação livre e me diga o resultado.
Jogos e brincadeiras
Depois de algum tempo, a energia do sexo fica obstruída pela forma, estrutura, logística. É como se ficássemos muito tempo tocando a mesma música: uma hora perdemos o sentido das letras e a vivacidade de cada nota. Como não conseguimos movimentar a energia diretamente (sem forma alguma), focamos na forma e não percebemos quando a energia some.
Um meio hábil poderosíssimo nesse caso é a brincadeira. Explorar outras formas e ver o que acontece, apenas isso. Pode ser algo simples como o jogo dos 11 minutos. Ele fica imóvel por 11 minutos enquanto ela se diverte como quiser, depois ela fica imóvel… Um celular, um gel de massagem e pronto. Eu gosto do K-Y 2 em 1 porque consigo fingir que estou massageando enquanto preparo outra coisa.

Você consegue ser mais ousado que eles, né?
Pode ser fazer um pornô caseiro (ou tirar fotos contra o espelho do banheiro). Apenas apertar “Rec” e o sexo já muda. Pode ser qualquer meio hábil que eu já sugeri aqui. Ou dizer que vai trabalhar e, se ela quiser atenção, que saiba verdadeiramente desconcentrá-lo. Pode ser qualquer coisa que insira um elemento lúdico, pois o sexo não é senão uma das brincadeiras primordiais.
Deixe suas perguntas para o próximo texto…
O próximo texto falará de dicas de sedução para casais. Como sempre, não esperem uma abordagem convencional e já desconfiem da palavra “dicas”.
Pelo widget abaixo, deixe suas perguntas sobre conquista e sedução em geral (aceito de solteiros também). Pretendo contemplar muitas das questões levantadas nesse texto.
Além das perguntas para o próximo, o espaço fica aberto (como sempre) nos comentários para suas visões e experiências sobre o post que vos fala. Peço apenas que não comentem com perguntas. Usem o widget acima para isso.





[...] This post was mentioned on Twitter by ?? Paula Theotonio, Gustavo Gitti. Gustavo Gitti said: Novo post no Não2Não1: "Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo" http://bit.ly/9tIwFq [...]
Sensacional… a parte:
Mais compaixão, mais generosidade. Mais sabedoria, menos limitações, regras, crenças e visões estreitas. Junte um corpo com energia a uma mente generosa numa relação livre e me diga o resultado.
Eu me identifico muito!!!
Abraços!
É exatamente assim… exatamente!!
“Quando um homem não é facilmente fisgado, quando treina a arte da imobilidade, ele propõe uma tensão diante do movimento feminino. Ele não fica no mesmo local, não avança na mesma direção que ela, então ambos se polarizam e magnetizam. É como um strip tease: se ele não aguenta a ansiedade logo nos primeiros minutos e se move, o strip tease acaba; se ele relaxa imóvel, ela começa a dançar e provocar cada vez mais”.
Muito bom o blog!Já um um tempo tenho acompanhado…
Parabéns Gustavo!!
Amei o post.
Sutil, sem deixar de ser impactante.
:-)
lindíssimo.
Um beijo!
Sobre olhares…
Há uns bons anos fomos eu e a minha namorada da época numa doceria. Por coincidência, nos sentamos numa mesma mesa em que eu havia estado com uma namorada anterior.
O lugar me fez lembrar de um episódio ocorrido naquela exata mesa. A outra menina havia me dado uma bronca após eu disparar uma pergunta retórica: “você não gosta de mim, não é?”. Ela ficara indignadíssima e havia tomado a pergunta como uma desconfiança de seus sentimentos por mim.
Com o retorno da cena em minha cabeça, encaixei a mesma pergunta para a nova namorada: “Você não gosta mesmo de mim, não é?” No entanto, a reação foi bem diferente.
Ela abaixou ligeiramente a cabeça, olhou-me dentro dos olhos, abriu um sorriso delicado e enquanto balançava a cabeça numa negativa irônica respondeu: “nem um pouco!”
Aquele olhar me derrubou completamente. Fiquei mudo. Definitivamente, eu estava sendo amado. Eu havia acabado de receber uma das maiores declarações de amor; um poderoso e infalsificável olhar.
Gustavo,
é incrível mesmo como o sexo começa antes do antes… Tantas coisas me levam – ou não – pra cama, que acho que o sexo está, portanto, acontecendo à todo momento.
“Se a mulher não admirar e não sentir a potência de seu parceiro, ela nunca vai ajoelhar e coordenar cabeça, mãos, lábios e língua para nossa diversão. ”
Quando meu namorado bebe, perde completamente o encanto pra mim. Não estou falando de 2 cervejas, mas de muitas cervejas. Eu não consigo mais olhar pra ele com admiração, com desejo. Faz 3 dias da última vez que ele bebeu várias cervejas e é come se ele ainda continuasse bêbado pela casa. E aquela imagem de um rosto ébrio me causa desconforto, me repele. Ele realmente muda (fisicamente tambémm) qdo está alcoolizado e isso mina o meu tesão e a vontade de trocar energia em qualquer nível.
…Junte um corpo com energia a uma mente generosa numa relação livre e me diga o resultado…
Escandaloso de bom!
Valeu Gustavo!
Excelente texto Gitti.
Serviu pra mim, principalmente na questão de criar o débito.
Estou saindo com um menina, que nas primeiras vezes rachamos a conta como bons amigos. Nas ultimas vezes passei a bancar a situação nem sei bem o pq, mais intuitivamente. E realmente percebi que ela começou a retribuir de outras formas…rs
Não que esse seja o único motivo, mais sensação de débito em alguns momentos ficou claríssima.
E a cabana como andas? Pensando em voltar pra compartilhar algumas experiências novas e aprender.
Abraços cara!
Fabio,
É bem legal ver como tudo começa e termina no olhar. E tem um outro lance também: o brilho. Não sei como isso muda, mas muda e nós percebemos nitidamente quando um olho brilha e quando não brilha.
Aliás, quer descobrir se ela quer comida japonesa ou mexicana? Descreva ambas as noites possíveis rapidamente e apenas olhe para os olhos dela… Eu faço isso às vezes, quando não sou egoísta e vou onde quero. ;-)
Elias Jr
Não tem problema dar uma de sacana e fazer coisas esperando recompensa DESDE que você perceba isso rolando, observe e se divirta, curioso com esse processo, mesmo quando tudo dá errado, sofremos, nos frustramos.
O problema é ser vítima desse processo, não entender o que nos move, ficar de olhos fechados, sendo movido, às vezes pra lados positivos e às vezes pra infernos. Se você se perceber construindo essas experiências, ótimo, mesmo que seja fazer massagem no pé dela domingo de manhã apenas esperando um boquete a seguir. ;-)
Mas, enfim, essa dinâmico do crédito/débito existe, sim, e é uma delícia brincar com isso. É um joguinho que todas adoram, mesmo logo nos primeiros contatos.
A Cabana está uma beleza. Fizemos nosso primeiro encontro nacional esse mês. Rolou até workshop meu de polirritmia.
Abraço!
Myself Girl,
Além de cerveja em excesso realmente fazer o pau cair ou ficar meia bomba (não tem jeito), isso se reflete no comportamento, como disse. Mas acho que o principal fator brochante é mais sutil: é o fato de que o homem é FISGADO.
As mulheres, por algum traço de compaixão ou por um processo puramente evolucionário (Darwin, não Freud, explica), não admiram homens que são facilmente fisgados e movidos. É como se vocês fossem o movimento, então precisassem de um contraste, de algo imóvel, igual vemos da dança de salão ou durante um belo boquete.
Bebidas, grana, fama, situações desconfortáveis… Sempre que algo move seu homem, isso se torna um pouco brochante. Do mesmo modo, sempre que seu homem conduz e se mantém estável, isso é recebido como algo atraente. É o cara que está no palco cantando e conduzindo mentes e corações, é o cara que escreve bem, é o cara que cozinha, constrói, pensa, cria… Enfim, que MOVE em vez de ser movido.
É como se vocês olhassem o cara movendo algo (os dedos num piano, que seja) e imediatamente pensassem: “Como seria se ele me movesse?”.
Por outro lado, vocês tem um aspecto de poder bastante interessante, também refletido num boquete. É a pergunta inversa: “OK, safadinho, você dificilmente é fisgado, mas EU tenho esse poder. Como seria se eu o movesse?”.
Acho que a sedução feminina é tão ativa quanto a masculina por isso mesmo. Há todo um aspecto de ação, mesmo quando vocês escolhem ficar quietinhas, só sendo conduzidas.
Enfim, sobre a cerveja, proponho um experimento: quando ele pedir a primeira, você avisa que está sem calcinha e que ele vai ter trabalho, mas que será bem recompensado ao fim. Eu duvido que ele vai perder tempo bebendo.
Se mesmo assim a coisa continuar, vá até o fim, supere sua aversão, encene, vá pra cima, deixe que ele broche e veja a merda que ele mesmo está construindo. Melhor do que reclamar é deixar que ele nade na própria merda, aí você deixa ele lá, confiando sempre na capacidade dele de mudar, se transformar, do nada, sem avisos, sem muito planejamento.
Abração.
Uauuu, amei o texto! Tem mto homem que devia ler, vou mandar para alguns já… rs!!!
E amei essas dicas que vc deu no último comentário… Vou fazer exatamente isso!!!
Ah Gustavo… achei essa coisa do “débito” muito deprimente.
A vida é um negócio? Ou pior… um jogo?
OU será que eu não captei corretamente a mensagem?
:S
O “antes” é tudo. Melhor: o antes é… sempre.
É o flerte constante, variando entre um torpedozinho sacana no meio da reunião com o chefe, flores inesperadas, um seqüestro no meio do expediente para um rápido encontro. Mas para isso temos que parar de tratar o parceiro como se ele fosse “nosso”. Essa mania de posse mata esses momentos de espontaneidade que são vitais para o relacionamento saudável.
A gente tem sim que admirar o outro, é fundamental. Mas a gente só admira quem é verdadeiro. Então se a gente esmaga a espontaneidade, corta a individualidade do outro, não há ninguém para admirar. Você se apaixona por alguém e…”mata” e essência desse alguém. Não faz sentido.
A coisa do “homem saber conduzir” que o Gustavo falou em outros textos é a chave. Às vezes dá uma pena sincera (no bom sentido) desses homens que estão tão perdidos…
É complicada a situação deles. Não querem ser machões trogloditas (porque isso é ruim), então vão para o outro extremo (que é tão ruim quanto), que é o cara banana, sem personalidade, que aceita docemente os “nãos” da mulher (aqueles “nãos” que querem dizer “- Sim, peloamordedeus, tome uma atitude, me salve!). Os homens tem intenção de acertar, porém, a confusão é geral.
Mas o único caminho é ser verdadeiro com você mesmo. Isso exige coragem. Realmente, se o que você quer é convidá-la para uma noite daquelas, convide! Mostre seu entusiasmo, a sua vontade. Isso é seduzir, propor o seu desejo como bem disse o Gustavo. Assim, é sem dúvida garantido o sucesso da noite, a admiração por você(e ainda fica o “débito” para a próxima ;)).
É tudo uma grande brincadeira de adultos. Só temos que nos livrar das nossas amarras.
Abs
Cuca;)
Oi Catia,
Eu já recebi comentários do tipo, pois falo direto em dinâmicas de jogo, brincadeira e uso lúdico de todos os processos que nos cercam.
Pelo que percebo, há uma visão pseudo-humanista que invalida qualquer tentativa de brincadeira, como se tudo fosse sério, como se não pudéssemos nunca brincar com relações de poder ou encenar de modo consciente.
Na verdade, esse processo de “cobrar o outro” (“eu faço isso, então espero retorno”) ocorre O TEMPO TODO, mesmo no tal amor “incondicional” de mãe. Você pode fingir que ele não ocorre ou explicitá-lo e construi-lo ludicamente. Se você o traz à tona e brinca com ele, algo muito louco acontece: você deixa de ser MOVIDO por esse processo.
Eu faço isso direto com minha namorada e então percebo o quanto é patético esperar alguma recompensa do outro (seja sexual ou não). A cada vez que isso acontece ludicamente, eu me sinto mais leve e, de fato, cobro muito menos, no fim da contas. Então o fato de jogarmos com isso é bastante liberador.
Se não jogamos, é muito provável que esse processo esteja nos movendo por trás e que não consigamos sequer admiti-lo. Vejo muitas pessoas extremamente bondosas gerarem um enorme amargor depois de anos de suposta ação desinteressada. Chega um ponto em que a pessoa diz: “Eu desisto! Só eu faço coisas boas! E vocês? Nada? Ninguém se transforma, ninguém dá valor”. Isso pode acontecer com a líder de uma ONG ou com um marido, tanto faz.
Melhor admitir que há um nível oculto de “negócio”, de interesse autocentrado. Melhor trazê-lo à tona, iluminá-lo, contemplá-lo, observá-lo com curiosidade, pegar com as mãos, ver como é patético. E então usá-lo, encená-lo, exagerá-lo, brincar com isso e então ser livre disso, não levar nada disso a sério, saber que na verdade não há débito e crédito em lugar algum.
Tal percepção nos dá a liberdade (e a vontade) de construir e brincar de débito/crédito, igual sugeri no post. Se não há fantasma, eu me sinto muito mais à vontade em vestir uma fantasia de fantasma. Se eu tivesse medo de fantasmas, seria complicado vestir a fantasia e me tornar um por alguns momentos.
O que você acha? Qual sua experiência com relacionamentos nesse âmbito, Catia?
Sem dúvidas: a tensão, a conta, o olhar que eleva e jogos e brincadeiras têm que fazer parte do ANTES.
Achei legal vc ter colocado a própria vida como ANTES e não só massagens e essas coisas que as revistas femininas cansam de nos dizer…
Aliás, esse KY é AQUELE KY? Existe KY dois em um, pra fazer massagem? Não sabia!!! Achei que fosse só para outra coisa…
Sim, Laura, minha ideia foi fugir das clássicas “preliminares”. Nos outros textos vou me distanciar ainda mais do sexo. ;-)
Sobre o K-Y, sim, é esse mesmo. Eu usava K-Y e barra de massagem, mas confesso que ultimamente simplifiquei. E eu acho ele melhor lubrificante do que o normal e do que a versão Warming, que é mais densa e não serve pra massagem.
Esse 2 em 1 esquenta também e funciona pra tudo. Minha namorada e eu recomendamos… hahahah
Mais um post muito bom Gitti.
“É bem legal ver como tudo começa e termina no olhar. E tem um outro lance também: o brilho. Não sei como isso muda, mas muda e nós percebemos nitidamente quando um olho brilha e quando não brilha.”
Sensacional
=]
Abraz.
Andrey,
Estou preparando um texto apenas sobre brilho no olho. Pra mim, isso é a chave pra muita coisa.
Abraço!
Ahh, Gustavo…
Vc não tem um clone? rsrs
Sério… adorei o post…
Essa questão do lúdico, da boca de dizer não e olhar dizer SIM, é maravilhosa…
Para se dizer “eu te amo”, ou “eu te quero”…é tão simples…
e sinceramente, eu gosto de descartar palavras em certos momentos..é instigante e traz benefícios para ambos..
Parabéns pelo blog, Gitti…
ps:”quero um namorado igual a vc” rsrsrs…brincadeira
Gustavo Gitti,
Há 4 (quatro) dias, tive o seguinte diálogo com um rapaz:
ELE:
Aliás, eu não lembro de ter contado aqui que sou mais as morenas…(Ê detetive…) mas cada caso é um caso. Ontem mesmo conheci uma loira de olhos claros… aiai…
EU:
Passemos a um assunto mais agradável……pra voce……..os “aiai…” emitidos por Vossa Senhoria ( rsrsrs ) ao destacar os olhos claros da moça loira me indicaram um “certo” ponto fraco.
Diante disso, pensei em lhe sugerir ouvir a seguinte música:
Todo azul do mar – Flavio Venturini
pra voce se inspirar e, quem sabe dessa vez, os papos comecem a funcionar….rsrs
ELE:
@Sandra só clássico hein, rsrs.
E a cor dos olhos é irrelevante, o que me aproxima ou não é o brilho deles. sério mesmo.
e esse papo do violão é gozação de um amigo meu…
———————————————————————-
Diante do “toque” que vc deu sobre o brilho do olhar, resolvi compartilhar essa “coincidência”.
Aguardo seu texto sobre brilho no olho.
Abraço.
[...] de tensão. Quem ejacula rapidamente e não tem problemas fisiológicos normalmente não sabe como relaxar em meio a uma tensão, não sabe o que fazer com tanta energia, não tem meios de sustentá-la e agir a partir dela, [...]
Poizeh Gitti,
Acho que a grande graça da coisa… o grande climax… que liga realmente as pessoas, é esse tal de brilho no olho.
Entende-lo e saber reconhece-lo é algo mt importante e prazeroso.
Sem falar que é o q as vezes salva ou condena um casal
Abraço
(espero o post)
hauahauahaua, vi esse vídeo da fernanda lima e do marido dela na net… parecia que era caseiro e tinha vazado na net!! hahaha, bem que eu achei estranho…
muito bom vc ter dito que pagar a conta é afrodisíaco!!!! vou avisar meu namorado urgentemente!!!! hahaha.
bjs!!!
nossa, incrível como tdo entre mim e meu namorado mudou depois que descobri vc, tuas “dicas” e textos.
mais incrível ainda é perceber q no fundo a gente sabe de mta coisa q vc fala, mas não sabe bem externar isso.
agora, eu e meu namorado estamos quase nos casando e adorei esse post pq tenho mto medo de “cair na rotina” e mais do q nunca vejo como isso só depende da nossa vontade e disposição para q tdo continue fervendo!!!!!
adoro vc e o blog de paixão!!!!
valeu mesmo
Paula,
Essa coisa de “cair na rotina” é invenção das revistas e da TV.
A rotina é um TESÃO. Não um tesão quando a “apimentamos”. Não. É um tesão nela mesma, por ser rotina, por ser tédio, por ser igual.
O sofrimento dos casais não vem da rotina, mas de sua incapacidade de CAIR na rotina. Eles evitam o tédio, evitam a sensação de prisão, evitam lidar com o fato de que a vida NÃO é uma constante paixão, aventura, lua de mel, cheia de momentos prazerosos. Porque evitam isso, eles esperam outra coisa que não o presente, que não aquilo que surge. Eles não se deixam cair na rotina, eles se contraem todos e então acabam se odiando, como se um fosse o impedimento do outro à felicidade.
A rotina é um tesão porque ela não é tesão algum. Se um casal souber ficar junto sem tesão, ora, imagine que tesão eles não vão sentir nos momentos de tesão? ;-)
Se um casal não consegue ficar junto sem tesão, nenhum tesão será suficiente.
Beijo.
Mais uma vez você conseguiu escrever sobre coisas que muitas vezes nem paramos pra pensar.
E como a maioria aqui, aguardo o post sobre o brilho nos olhos.
Não tem nada mais gostoso que olhar de repente pra alguém que se gosta, ficar em silêncio e só admiriar esse brilho de carinho, paixão e desejo.
Beijos
“Menos diálogos internos, mais abertura ao exterior. Menos confusão, mais direcionamento. Menos dispersão, mais energia. Mais compaixão, mais generosidade. Mais sabedoria, menos limitações, regras, crenças e visões estreitas. Junte um corpo com energia a uma mente generosa numa relação livre e me diga o resultado.”
Nada excita mais uma mulher do que um homem que se foca NELA. Nada. Podem ter acontecido muitas coisas durante o dia, eles podem até ter discutido, mas eu te digo, se o homem consegue se desprender dos acontecimento ao seu redor, se consegue ignorar até mesmo a ira de sua mulher e focar apenas NELA, não há o que seja capaz de fazê-la resistir.
O que conquista, o que impulsiona, o que movimenta e enleva é justamente esse preenchimento que a mulher tanto alega prescindir, mas que na verdade é tudo o que espera!
E é engraçado como há homens que, mesmo sem amor, são capazes de fazer uma mulher se sentir assim, no sexo. Você sabe que não é amada, você sabe que não sairão dalí namorando, mas você sente o preenchimento e a importância que tem como MULHER.
Essa é a mais poderosa arma que o homem tem: foco.
Excelente, Mariana. Me deixou sem comentários. ;-)
Acho que a coisa da divida também pode ser explorada sob outros aspectos, como gentilezas inesperadas, um olhar furtivo naquele momento menos provavel, criar no outro uma dívida de carinho e atenção que muito sutilmente você criou e a “paga” ( que sempre vem) é deliciosamente recompensadora!
Acho maravilhoso criar esse desnivel citado no texto, mas de uma forma muito sutil, com olhares e carinhos, é quase como uma forma de induzir que ela faça o mesmo sem perceber! é deixar nela aquele sentimento que ela não fez nada! mas sem parecer carente ou coisa assim!
Aquela velha conversa de conduzir sem parecer! a parte de pagar a conta é importante mas acho que sem esses outros detalhes ela fica vazia! é preciso seduzir quase hipnoticamente com palavras também e atitudes que a primeira vista podem passar desapercebidas mas que basta ela pensar no encontro para ver o que foi feito!
Tem funcionado comigo! depois que descobri que o “menos é mais” e que ser sutil e preciso é fundamental! minha relação com as mulheres mudou! pode ser que você ache meu texto subjetivo demais e pouco prático, mas com um pouco de sensibilidade funciona! e como!
Eu gostei..
E Gostei..
Quando olhamos o fato e conseguimos torná-lo em ato as coisas ficam mais gostosas. É como o amor, quando agimos ele é verdadeiro, quando só acontece, parece que é uma mentira!!
Quanto ao tão falado brilho nos olhos… fazem uns poucos meses que fico com um cara muito legal, mas do qual desvio o olhar; e é até engraçado, porque tento dizer pra ele com emails, mensagens, mas jamais deixo que veja em meus olhos…
Da última vez que estivemos juntos, dançávamos, e ele me trazia pra junto do corpo dele, eu resistia, e ele dizia: como vc é boba; acho que sou mesmo… não consigo estar do lado dele, depois fico tentando preencher minha ausência com palavras.
(apenas reflexões instigadas pelo teu texto)
MarianaMSDias
Voce acertou na MOSCA !!!!
AAAAAHHHHHH se os Homens soubessem disso…..
Tem problema não. Estão sabendo agora.
Homens, leiam, releiam, decorem, sei lá. Dêem qualquer jeito pra INTERNALIZAR o que foi dito pela Mariana. As suas atuais/futuras companheiras/rolo/ficante/namorada/esposa NUNCA MAIS esquecerão de voces.
Muito obrigada, Mariana, por suas sábias palavras !
Abraço.
Você falou sobre masculino e feminino como tempo e contratempo. Não há como não ser, né? Mas se eles não estão compassados, e o contratempo não dá ritmo ao tempo (ou o contratempo não permite que o que acontece no tempo seja admirado), não dá. A música descordena, se perde o tempo dos pés na dança de salão, e o que acontece no contratempo se perde!
Como na dança, na música, o ritmo de um relacionamento pode mudar se cada um do casal acompanhar o outro. Estiver aberto e interessado em faz isso. Coisa mais linda do mundo duas pessoas tocando jazz… jazz aquele improvisado, que você escuta, sente, observa pra tocar junto. Que duas pessoas querem mais que tudo que o resultado dos dois juntos transborde de beleza além do que cada um pode ser sozinho.
Os melhores antes – que na maioria das vezes foram os melhores durante também – sempre foram com pessoas que faziam algo parecido com o que vc descreveu no texto. Eram os caras que seguiam suas vidas, que dormiam a noite inteira do meu lado e iam embora sem me deixar ter certeza de que voltariam. Não por me deixar insegura mas por serem tão seguros eles mesmos, tão completos e de sempre deixarem a sensação de que não me deviam nada. Mas que sempre estavam inteiros quando estavam comigo. E, no fundo, que quem estava em débito era eu.
Eles não enroscavam nas minhas confusões. Mantinham a mente aberta, não desestabilizavam e nem tomavam para si os meus diálogos internos. E, consequentemente, eu me interessava mais.
Belo texto. E MarianaMSdias, totalmente concordo que o foco é a mais poderosa arma. O foco deles em nós e o nosso foco também em nós! ;) De forma diferente, mas ainda assim, no espelho!
[...] de falar sobre a relação entre pagar a conta e sexo oral e comentar o vídeo da Fernanda Lima com o marido, continuo com nossa série sobre o [...]
Essa história de medo da rotina é fogo…
Li uma história uma vez (não consigo mais achar esse texto) que o narrador lembrava com muitas saudades da esposa falecida e dizia que muitas vezes ele se separou dela e muitas outras ela se separou dele, mas que o outro nunca soube nem quando nem quantas foram.
Na minha vida isso é uma ENORME verdade. Nem todo dia estamos bem, nem todo dia estamos a fim da mesma coisa que a outra pessoa. Muitas vezes vc quer simplesmente jogar o outro pela janela… rs
E acho que o grande “lance” dos relacionamentos longos é exatamente isso… Não esperar que todo dia seja uma lua-de-mel em Paris da novela das oito, mas encarar como normal a “desvontade”. Mas a maioria acha que qualquer detalhezinho é um indício para um término imediato e uma busca incessante pelo relacionamento “perfeito” que nunca cai na tal da rotina, que não tem dias ruins e não acorda com remela nos olhos… Meu pai que o diga…
Bjs,
Carol
[...] de falar do “antes do antes” e da sedução impessoal sem estratégias, vamos agora explorar como nossa imaginação pode moldar [...]
Pessoal,
Já está no ar mais um texto da série sobre o “Antes” do sexo:
http://nao2nao1.com.br/uma-mulher-e-suas-areas-intocadas/
[...] conversamos sobre contas afrodisíacas, “dicas infalíveis” de sedução e posições sexuais internas. Agora o tema é [...]
Eu ADORO os seus textos!
Nossa, muito bons mesmo..
Sou leitora assídua já.
;)
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