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Sobre homens que sabem dançar: entrevista com Gustavo Gitti

por Gustavo Gitti 26 September 2008 33 comentários



Homens que dançam

Fui convidado para uma entrevista no blog do Isaías Camanducaia, autêntico cafajeste, que, preocupado com a felicidade de homens e mulheres, viu na dança de salão uma das chaves para aumentar a qualidade e intensidade das relações amorosas. A introdução é genial. Cito um trecho:

Há uma corrente (certo viés de homossexualidade recalcada) segundo a qual “homem que é homem não dança”. Bobagem. Quem não dança segura criança e, bom, homem que é homem segura criança? Eu não. Espero que você também não, leitor. Você, macho como eu, enlaça a mulher e sai pelo salão mostrando a que veio. Deixa os “machões” fazendo as tais piadinhas entre si (eles sempre ficam juntinhos, já reparou?), paradões, enquanto você e outros igualmente espertos faturam a mulherada. E, pode apostar, nas vezes em que ele está com alguma mulher, a garota do cara – isso é sério! – não pára de pensar em você.

Na entrevista, falo sobre minha pouca experiência, comento a ausência (quase completa) de homossexuais no mundo da dança a dois, relato a sensação masculina de impotência quando não sabemos dançar, indico locais em São Paulo e trato de relacionamentos, claro.

Ao fim, Isaías cita um depoimento de uma garota que dança há um ano. Cito dois trechos:

“É uma delícia dançar com um homem que te conduza tão bem a ponto de você ter a sensação de que está flutuando enquanto faz algum giro. É bom sentir a firmeza de uma mão em suas costas te mostrando o que você deve fazer naquele momento. É bom, sim, se entregar durante uma música, se deixar levar, se permitir ser levada. O contato físico na dança é respeitoso, faz bem, deixa a mulher mais feminina e o homem mais masculino.”

“É consenso geral na academia de dança onde faço aulas: homem esperto aprende a dançar. Porque a partir daí ele vai aprender muitas coisas, não só a dançar. E vai viver muitas coisas, não só dentro da dança.”

Enfim, esse foi meu jeito de contribuir para que não mais faltem cavalheiros nas aulas de danças de salão (algo comum) e homens que dançam nas festas e na vida. A experiência dos membros da Cabana do Dr. Love (vários deles já começaram a fazer aulas e a sair) comprova: dançar a dois (não rebolar ou fazer moonwalk) é coisa de macho e as mulheres gostam, sim.

Leia a entrevista e o depoimento na íntegra:

DICAS PARA MACHOS ESCLARECIDOS: APRENDAM A DANÇAR!

P.S.: Minha resposta #7 é dedicada ao autor do blog Manual do Cafajeste, aprendiz do grande Isaías (este sim cafajeste por excelência). Conheci o cara recentemente e não tenho dúvidas de que em breve ele estará dançando com todas por aí.

Perdi meu tempo.Você tem 12 anos?Tá frio hj, né?Quando sai o livro?Deu uma vontade de fumar... (2 votos | gostou do post?)
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33 comentários »

  • Carol disse:

    Olá Gustavo…show de bola!!!
    Estava na hora de dizer a esses pseudo-homens como agir de verdade.
    Mulher adora homem que dança sim…e digo mais, nunca ouvi uma chama los de viado ou coisas do tipo.
    Como sempre vc fazendo a coisa certa na hora certa.
    Bela resposta
    bjos

  • Cássia disse:

    É muito, mas muito bacana homem que sabe dançar. Mas é difícil convencer alguns “machões” de que mulher adora isso e que seria demais ele também aprender. Eu ainda não consegui convencer, mas um dia consigo.

    Beijos.

  • Cássia disse:

    Ah, estou lendo a sua entrevista e li o comentário que você ouvia: “Vai para o balé hoje?” Só para constar: eu faço balé clássico, onde estudo há alguns rapazes fazendo aula e… nenhum deles é homossexual. Sei que é beeeem mais fácil encontrá-los no balé do que na dança de salão, mas isso também está mudando.

    Beijos.

  • Srta. Rosa disse:

    Homem que SABE dançar, você quer dizer. Porque rebolar ouvindo YMCA ou dobrar o joelho dar uma abaixadinha ir descendo gostoso balançando a bundinha é coisa de biba. Period.

    Há uma singela diferença, visse?

    Bezzos, querido, espero que você seja da primeira espécie. Rs.

  • João disse:

    Gitti seu pilantrão! Adorei esse texto porra, fez bem pro meu ego.

    abraços

  • Ka disse:

    Gustavo muito bom o texto como sempre, mas o melhor é divulgar e incentivar os machões a bailarem. Porque falta muito homem na dança de salão, no tango um pouco menos. E dançar não tem nada a ver com opção sexual, isso é puro misticismo.
    Que é um desafio? É! Mas só mais um! Os ganhos são indiscutíveis.
    Quem dança sabe disso, o quanto reflete em nossas relações a dois e também coletivas. É divertido e prazeiroso sempre.
    E falando como mulher que dança, é um diferencial e tanto. Um homem que conduz bem consegue tirar da dama o melhor dela…(projetem isso rapazes!!). A conquista se torna ainda muito mais interessante, sensual, inovadora, e com temperos variados desde um forró até um tango.
    Eu levanto a bandeira: MACHÕES DANCEM!!
    bjka

  • ... disse:

    Ainda me pergunto….qual será o seu defeito?

    Bonito, inteligente (pelo visto bom de papo) e ainda sabe dançar…aiai

    Casa comigo??

  • Jazz disse:

    @…

    nem queira saber… tente falar com ele e descubra.

    @Gitti

    Tens poder com as palavras. Elas mexem com quem recebe a mensagem, seja positiva ou negativamente. Então parabéns (não vou citar aqui o que senti quando li a entrevista, pois já comentei em outro lugar).

    Literatura é arte… em todos os lugares há gente PATÉTICA, como vc diz. Não te considero um. És um escritor, sim. E serei uma que vou comprar o livro quando lançares.

    Por trás de tanta palavra, por trás de tanto escudo, sei que tem alguém aí que é normal, com virtudes e defeitos. E não vou deixar de te ler, só porque você quer ;)

    - posso deixar de comentar, se você pedir com carinho ;) -

    Beijo, bobão.
    PS: here comes the sweet november

  • Eterna Aprendiz disse:

    hahahahaha…Jazz,
    Gitti se expõe para se conhecer em profundidade. Você é sensível e romantica. Ambos são belos, pelo menos aos meus olhos, que se delicia com a diversidade.
    Continue falando o que quiser, apenas não espere nada deste menino…
    Deixe-o ser, como ele quiser, pois ele sabe instigar.
    abraço

  • Xana disse:

    sabe que eu já percebi que ele prefere as críticas?
    os elogios parecem chatos…
    pode ser impressão…

  • Jazz disse:

    @eterna aprediz

    a decepção sempre vai além quando gira em torno de expectativas e não fui eu quem falou isso…

    @gitti

    isso aqui é teu?
    http://www.lulu.com/content/186626

  • Bel disse:

    Ta com fãs, hein seu Gustavo!!

    rs

    Vai ver foi a dança…

  • Deh disse:

    adorei a novelinha que você eo Cafa encenaram essa semana!rs
    Quanto a dançar, tem que saber o que dançar…rs
    Mas enfim, nada mais sedutor do que um parceiro envolvente de tango, salsa e até forró…

    beijos

  • Eterna Aprendiz disse:

    entranhas, aparecerá como liberdade.
    Olá xana,

    Pois eu penso que ele gosta de instigar e ser instigado, não se importando se o que mexerá com ele seja elogios ou criticas.
    Tem um pouco daquela estória de “Narciso acha feio o que não é espelho.”. Mas, tem muitos outros elementos: o menino é complexo!
    Também tenho a impressão que o que estamos fazendo o diverte…
    No entanto, é só impressão…
    Da minha parte, como, emocionalmente, consigo ser mais sem vergonha do que ele (o que não caracteriza uma superioridade, pois tenho idade para ser mãe dele) aprendi a gostar dele e a não gostar (de vez em quando) sem complicações. Muito parecido com estas conversas de fluir, liberdade, profundidade…que ele ama.
    Parabéns pela amplitude, profundidade e complexidade menino e um abraço para todas as fãs.

  • Eterna Aprendiz disse:

    Este “entranhas, aparecerá como liberdade”, não faz parte do que eu queria comentar.
    novos abraços

  • Gustavo Gitti disse:

    Eterna Aprendiz,

    Sua impressões estão corretas!

    Eu me divirto aqui, e muito. Não só lendo os comentários, mas escrevendo também. Esse personagem aqui é gostoso.

    E adoro provocar e ser provocado. O que rolou com o “cafa” essa semana foi isso: jogo, provocação. Eu dei muita risada, espero que ele também.

    Quando queremos o bem do outro (eu realmente acho que ele seria mais cafajeste se soubesse dançar), com essa motivação, qualquer jogo é benéfico, mesmo quando parece haver algum ataque.

    Nesses jogos, “perde” quem acha que o outro não está sorrindo também. E, de fato, recebi vários comentários assim: “Ei, ridículo essa briguinha entre vocês dois, cresçam!”. E respondi: “Que briga?”. ;-)

    Abração pra ti.

  • Daniel disse:

    Hoje decidi escrever algo aqui. Afinal, ‘depois’ não existe.

    Os textos nos três blogs estavam focados num assunto e eu me interessei mais em outro aspecto da dança de salão. Sim, sou estranho. Gosto de olhar pra paisagem enquanto o ‘pau quebra’ na cena principal.

    Ela não me chamou muito à atenção. É algo já estabelecido pra mim. Concordo em muito com o Gitti. Dançar a dois é sim coisa de homem, machão ou cafajeste.

    Agora, como contribuir para que um cafajeste resistente a dançar possa se deliciar colado no corpo de outra pessoa numa pista de dança? Sinceramente, acho que num contexto de disputa ou jogo, mesmo que divertido pra uma das partes, a resistência tende é a aumentar. Eu apostaria muito mais na paixão do cafajeste. Aposto no encontro. Esse tal cafajeste se apaixonando por uma verdadeira dama/gostosa que vai levá-lo à pista de dança sem ele nem perceber. Sedução é isso, como que desviar a outra pessoa do caminho que ela está acostumada, sem ela nem perceber. Só pra reforçar: aposto no encontro. Ele gosta de mulher? Coloco minhas fichas nisso: apaixonado, uma grande mulher vai conseguir conduzi-lo à dança. E ele pode adorar isso, aprender a sambar a dois na gafieira ou até a salsa.

    Sim, se ele abrisse mão de seu preconceito e lucidamente escolhesse fazer uma aula experimental talvez aproveitaria muito mais. Mas, nem sempre fazemos escolhas. E menos ainda fazemos as escolhas que outras pessoas acham ser melhor pra nós.

    Abrindo mão de preconceitos, convido a olhar para algumas das questões de fundo desta cena. Coisa de homem? Coisa de mulher? Dançar a dois tem a ver com orientação sexual?

    Estes textos, incluindo a entrevista, são ótimos para o objetivo de demonstrar a homens heterossexuais, que dançar não necessariamente diminui a nossa hombridade ou virilididade. Pode fazer exatamente o contrário! Mas, como incluir mais humanos nesta conversa?
    Algumas mulheres já estão bem contempladas. Incluir todas as opções seria impossível. Ninguém conseguiria. Vou só dizer algumas coisas aqui que acho que ajudaria a incluir outras pessoas. Mesmo que boa parte das pessoas discorde do que eu diga, acredito que a maioria vai concordar com a possibilidade de inclusão.

    Num baile ou academia de dança de salão, por exemplo, as pessoas costumam dizer qual sua orientação sexual? Homens que conduzem são necessariamente heterossexuais? Se o cara ‘pega’ mulher com a dança, isso faz dele um garanhão? Isso ‘prova’ a masculidade/heterossexualidade dele?

    Pois eu arrisco dizer que tinha mais homossexuais nos bailes e aulas de dança de salão que eu participei do que os que pude apontar. Homens e mulheres. E arrisco mais ainda em dizer que nos que outras pessoas foram também.

    Ontem me disseram que homem não deveria saber o nome de determinada cor, que quem sabe nome de cor é mulher. Pois eu digo que entendo bem porque as pessoas querem que alguns papéis continuem sendo separados por sexo/gênero mas, vou continuar não aceitando isso. E aceito menos ainda que isso tem a ver com orientação sexual.

    Acredito sim que poderemos amar bem mais e melhor convivendo com mais formas de amar, com mais identidades de gênero e esperando menos papéis fixados por gênero. Veja que não estou falando de tolerar ou respeitar. Estou falando de conviver, compartilhar espaços.

    Há uma corrente (talvez certo viés de recalcaque) segundo a qual “homem que é homem gosta de mulher”. Bobagem. Orientação sexual é uma coisa. Identidade de gênero é outra. O cara pode ter várias ou todas características que o senso comum determina para homens e gostar de…. homens. O equivalente pode ocorrer com mulheres. Isso não as faz menos mulheres e nem, a eles, menos homens.

    Enquanto dissermos que dança de salão é coisa pra heteros, que homossexuais não iriam gostar, estaremos contribuindo mais para a guetificação. Digo isso porque eles/as não gostam apenas de dançar separados, não gostam só de boate, raves. Gostam também de dançar a dois. Com pessoas do mesmo sexo e de sexos diferentes. Dançar a dois é sim coisa de homem, machão ou cafajeste - mas, não só!

    Torço e faço minha parte pra que o mundo seja um lugar em que possamos dançar juntos. (Enquanto isso, entendo bem porque existem lugares onde homossexuais se sentem melhor a ponto de terem de fazer dança de salão separados - como nos vídeos que envio nos links do comentário abaixo, que será liberado logo após moderação).

    Enfim, tomara que com esse post e a entrevista, apareçam mais homens mesmo nas academias e salões. Em todas aulas e bailes que fui (desde há uns 4 anos atrás) tenho visto muitas mulheres tendo que conduzir outras damas nas danças (elas até conduzem bem!). E sim: não sei nada ainda de dança de salão! Quem quer dançar comigo mesmo assim?

    Agora não quero deixar de comentar que a melhor parte da entrevista é mesmo a resposta da pergunta 7, que mais é um convite para que entrevistado discorra sobre o assunto que uma pergunta. As dicas, mais uma vez -rsrs-, são perfeitas e demonstram a lucidez e profundidade de quem conhece mesmo de dança que estamos acostumados no ñ2ñ1.

    Beijos e abraços!

    ps: a foto deste post no ñ2ñ1 é perfeita!

  • Daniel disse:

    Só alguns exemplos da EuroGames (The European Gay & Lesbian Championships), organizados pela European Gay & Lesbian Sport Federation (EGLSF), onde as danças de salão constituem uma das modalidades. E não são fechados a homossexuais.

    Competição feminina

    Cha Cha
    http://www.youtube.com/watch?v=8UhDfieUo6g

    Jive
    http://www.youtube.com/watch?v=WX2jxhqWS6M

    Paso Doble
    http://www.youtube.com/watch?v=VfCf8OQLB_I

    Competição masculina

    Cha Cha
    http://www.youtube.com/watch?v=JTeYHXkL_N8

    Jive
    http://www.youtube.com/watch?v=HesgzJJ1XYk

    Mix (Samba, Paso Doble e Rumba)
    http://www.youtube.com/watch?v=tNW6GYp7RXc

  • Eterna Aprendiz disse:

    Gitti,

    Apesar da sua juventude, você consegue ser muito amplo e profundo, ao mesmo tempo.
    Claro que isto é uma benção! Acontece que não existe benção que não traga em si a possibilidade de uma maldição.
    O receio que tenho, em relação a você, é que neste jogo da vida, você acabe se perdendo de você mesmo.
    Como eu também costumo compartilhar com meus amigos, por e-mail, as micro-histórias que vivo, permita-me te repassar uma delas:

    Olá pessoal,

    Este encontro aconteceu no final de Maio. Poucos dias antes d’eu sair de férias.
    Estava sentada num dos bancos da Praça da Liberdade, sozinha, entregue a uma sensação de inadequação. Sentia-me forasteira na minha própria cidade.
    Desta forma, meu coração estava dolorido quando ele se aproximou:
    - Dona, sou negro mas não sou ladrão, nem assaltante. Sou negro mas a senhora não precisa ter medo de mim. Não vou agredir a senhora…preciso de seis reais para voltar para casa…
    Interrompi-o, ávida por voltar a mim mesma:
    - Qual o seu nome?
    - Alberto.
    - Alberto, não estou com medo e, além disto, não vou te dar nem um centavo. Estou achando odioso o que você esta fazendo com você…por que tanto auto preconceito?
    -Como assim? A sociedade nos escorraça… nos diz o tempo todo que não passamos de um monte de merda e a senhora acha fácil dar lição de moral?
    Com esforço, desapeguei-me de mim e, pela primeira vez, dei uma olhadela naquele homem de fisionomia entristecida que se vestia com a simplicidade e a limpeza dos que vem do interior.
    - Por que esta deixando que pisem na sua alma? Se a sociedade não consegue ver a sua beleza, o azar é dela… ela que se dane…
    - Qual o nome da senhora? (Foi a vez dele me interromper.)
    - Áurea.
    - Não precisa dizer mais nada, Dona Áurea! Já me lembrei de quem eu sou…obrigado.
    Observei que o meu coração havia se acalmado. Ele também precisa relembrar que a maior sacanagem é a gente se perder d’a gente mesmo.

    Áurea

    Em tempo 1:
    A exposição sincera e corajosa ao que é real, como você bem sabe, é uma excelente ferramenta de aprendizagem.
    Quando eu disse que sou mais sem vergonha do que você, estava me referindo ao fato d´eu, dificilmente, negar a minha vulnerabilidade. No entanto, esta tem sido uma lição que tento aprender a séculos, talvez milênios…(rsrsrs)
    Desta forma, meu nome é Áurea, mas como te acesso para aprender, manterei meu pseudônimo: Eterna aprendiz.

    Em tempo 2:
    Daniel, depois te lerei com a devida atenção.
    Um abraço para você

  • Gustavo Gitti disse:

    “O receio que tenho, em relação a você, é que neste jogo da vida, você acabe se perdendo de você mesmo.”

    Então pode começar a se preocupar porque meu OBJETIVO é justamente esse: me perder de mim mesmo. ;-)

    Quer coisa mais chata do que viver sendo eu mesmo?

    Mas não se preocupe. Eu estou sendo bem cuidado. Tenho a sorte de ter pessoas maravilhosas ao meu redor, em todas as direções.

    Abração.

  • Eterna Aprendiz disse:

    Ok! Meu receio acaba de se pulverizar (rsrsrs…)
    Lembrei-me de Fernado Pessoa que disse mais ou menos assim:
    “Ninguém jamais se perdeu, tudo é verdade e caminho”
    abração

  • Eterna Aprendiz disse:

    Voltei! Agora disponho de maior tempo…

    Gitti,

    ”Quer coisa mais chata do que viver sendo eu mesmo?” Concordo, desde que você esteja se referindo a um eu aprisionado a condicionamentos do passado.
    No entanto, acredito que se nos referirmos à nossa verdadeira essência a pergunta adequada seria: Quer maior liberdade do que viver sendo eu mesmo ?
    Volto a vaca fria porque como acho que você é Budista, (confere?) fiquei curiosa me perguntando como os Budistas vêem esta questão.
    Quando estiver disposto, me esclareça. Ok?

    Daniel,
    Concordo em gênero, numero e grau, com você.

  • Gustavo Gitti disse:

    Eterna,

    Não sou budista, só tento praticar, e só às vezes, muito raramente.

    Quanto à “verdadeira essência”, isso é uma crença. Até Hume já sabia disso e ele não meditava.

    Não há “eu mesmo” em lugar algum, só um conjunto de hábitos, preferências, tendências, identificações, gostos e condicionamentos, que vão da cor do cabelo às fantasias sexuais. Elas se alteram ao sabor do vento, não nenhum “eu” por trás disso.

    A liberdade é justamente isso: não haver “eu” por trás de nada, ou seja, nenhuma tendência original, apenas abertura. Sem vacuidade (essa ausência de essência ou pré-definição), a liberdade não é possível, só um tolo livre-arbítrio que seria como dizer que democracia é escolher entre o candidato A e o candidato B.

    Abraço pra ti.

  • Eterna Aprendiz disse:

    Gitti,

    Um bom aprendiz sempre reconhece quando alguém disponibiliza seu conhecimento com generosidade. Estou muito grata a você.

  • Jazz disse:

    you got it

  • Adriana disse:

    Daniel,
    parece bem “coisa de homem” convidar para dançar sem saber dançar. Não saber guiar e ainda assim propor a dança pode significar consentir, eventualmente, em ser guiado também. Não ter medo de dizer “não sei” ou “adoraria aprender” é abrir espaço para o outro.

    Gitti,
    uma das queixas mais freqüentes de casais em relacionamentos longos é sentir-se invisível diante do parceiro. A dança parece ter um poder regenerador neste aspecto: fazer com que um preste atenção no outro, e não por cobrança nem dever, mas por diversão e prazer, porque a energia simplesmente flui.
    Dançar é ficar tenso muitas vezes por não saber qual o movimento seguinte e, em outros, relaxar exatamente por saber qual será. Essa dinâmica entre tensão/relaxamento é o que não permite acomodação ou descuido, senão corre-se o risco de deixar o parceiro seguindo sozinho. E não é essa a dinâmica de toda relação?
    A possibilidade de aprender novos ritmos é também mudar os scripts: sou eu ali em um lugar novo, tentando aprender o que ainda não sei se vou conseguir, mas sentindo-me aberto, em uma postura que surpreende tanto a mim quanto a você.
    A dança nos mostra, sobretudo, o prazer de seguir acompanhado. Conseguir sozinho (seja lá o que for) é muito bom, mas conseguir junto pode ser muito mais saboroso – e, sem sombra de dúvida, muito mais instigante!
    Quem sabe estas lições aparentemente banais da dança não eram justamente o que faltava para reacender um determinado relacionamento?

  • Divergente disse:

    Dançar é biológico, porém desaprendemos a medida que “evoluímos”.

    Quer coisa mais maravilhosa que o toque o sincronismo perfeito e a sintonia fina entre os corpos?

    Eu não sei dançar…

  • Xana disse:

    quem dança tem uma espécie de cumplicidade/vínculo/ou algo assim que é impossível explicar.
    é algo do tipo das pessoas que vão ao cinema sozinhas…
    só quem faz, entende :)

  • Débora Rangel disse:

    Já que você citou o manual do cafajeste, lembro que comentei no penúltimo post dele (salvo engano), e agora comento no seu, que gosto sim de homens que sabem dançar e que gostam de dançar, daquele jeitinho de homem, um pouco durinho, sem rebolar muito, é charmoso e sensual.

    Inclusive, acho uma pena meu marido não gostar de dançar, apesar de saber (já dançamos algumas vezes na época de namoro), principalmente eu que adoro dançar, não teria par melhor do que ele. Sendo assim, a dança tornou-se um hobby não muito habitual, o que lamento.

    Agora vou ler a entrevista que tenho certeza está sensacional.

  • João A. disse:

    Xana, não entendi.

    Eu vejo na dança uma forma de me oferecer e presentear a dama a oportunidade da dança e me divertir. Simplesmente isso.

  • João disse:

    Cara.. excelente entrevista. Meus meses passados tem sido de muitas mudanças e reflexões e seus textos apenas tem a acrescentar no meu desenvolvimento como pessoa.
    Taí um cara que eu tiro o chapéu e me faz ampliar a mente.
    Parabéns pelo blog.

  • Candanguinha disse:

    Noooossa, me identifiquei totalmente com o depoimento da garota!!!
    Quando dançamos é nitida a percepção de que o feminino e o masculino se expressam naquele momento, sem nenhum “ruído” na comunicação…e a sensação é maravilhosa (aaah, nós, os humanos!!!) hehehe. Você acaba trazendo isso para o seu dia-a-dia também. É como se sentisse à vontade para ser mais feminina no jeito de andar, de falar, e até de agir com os mocinhos presentes na sua vida.

    Gustavo: recebi o link do texto “Seja você a pessoa certa” de uma amiga hoje pela manhã…não conhecia o Blog!Adooorei!!!Serei leitora assídua…

    Beijos

  • Márcia disse:

    Olá, Gustavo!!

    Vira e mexe eu dou uma olhada no seu site, porque adoro o que vc escreve! Já enviei vários posts seus aos meus amigos, e este, em especial, vou encaminhar duas vezes até! hehehe

    Por coincidência, enviei um email parecido com este post para os meus amigos homens, insistindo que eles deveriam aprender a dançar também (faço aulas de dança de salão desde maio e virei bolsista/assistente). Se tiver curiosidade, aqui vai o link do texto: “Por que os homens devem aprender a dançar…”, mas claro que era pra ser mais de palhaçada…
    http://www.supertextos.com/texto/Por_que_os_homens_devem_aprender_a_dançar…/7425

    Parabéns pelo sucesso! Abraços!

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