Sobre homens indecisos (parte 1)
Dentre todas as reclamações que já ouvi das mulheres, a mais freqüente aponta para nossa indecisão – em todos os estágios da relação, da conquista à separação. Antes do primeiro beijo, ele demora a captar os sinais femininos e não age em sincronia com os desejos dela: “Ele não toma a iniciativa!”. Depois de alguns meses, quando surge a possibilidade do namoro, ela diz: “Ele não fode nem sai de cima, eu quero um cara que me queira também!”. Já quase no fim, quando as brigas levam a um estado insuportável: “Ele não sabe o quer, eu desisto!”.
Parece que isso é coisa do passado, não? Hoje os homens já vão direto ao sexo no primeiro encontro, sabem o que querem, são explícitos em relação a seus desejos e interesses, possuem um direcionamento claro na vida e um pulso firme para tomar decisões. Coragem é nosso nome do meio, destemor, nosso apelido. Eu realmente queria que isso fosse verdade! Enquanto a relação é superficial (um casinho ali, sexo eventual, nada demais), tudo corre bem. Mas quando o relacionamento se aprofunda, as fraquezas se revelam e nos tornamos tolos, patéticos, inseguros.
Para homens indecisos, como eu e você, em qualquer fase da relação, descrevo aqui três cenários e saídas óbvias que por algum motivo não percebemos.
Cenário 1:
Vocês estão quase se separando, brigas incessantes, relação quase morta. Ela quer discutir e apontar seus erros, um a um. Você só quer chegar em casa cansado do trabalho, assistir algo engraçado na TV e dormir. Quer um tempo para colocar a cabeça no lugar, sair com os amigos, beber, se divertir – tudo, menos se debruçar sobre os estilhaços da relação. Quando se encontram, começam a conversar e tentam chegar num acordo. Procuram por alguma conclusão discursiva que permita a continuação da relação.
Não é a primeira vez que isso acontece. Já passaram antes pela mesma situação e fizeram concessões e promessas. Pouco tempo depois, ora um cobrava e o outro sentia-se testado, ora um desistia e o outro explodia em raiva, decepção e desânimo.
Saída:
Por que será que conversar não resolve? Simples: a complicação não está no nível cognitivo-analítico-conceitual-discursivo. Se procurar aí não vai achar nada. É como tentar acabar com a eletricidade tentando apagar todas as lâmpadas do mundo. Aliás, você se lembra de ter tido alguma longa conversa com ela planejando o início do namoro? Acordos, concessões, promessas? Pois bem, essa crise é um renascimento que nada difere do começo de tudo.
Se ela está com ciúmes, não adianta provar com todas as argumentações e exemplos possíveis que você nunca a traiu. Se ela sente-se sozinha, não adianta invocar seu histórico de viagens, noites românticas, jantares, passeios e todas as vezes que você foi presente nos momentos importantes e também nos mínimos detalhes da vida dela. Se ela reclama que você está trabalhando demais, não adianta imprimir seu extrato bancário ou mostrar as premiações que recebeu.
Esqueça todas essas abordagens. Mulheres não são homens! Com seus amigos, um problema é resolvido em poucos minutos com o mínimo de recursos de lógica. Coloca-se o dilema na mesa e logo os dois se levantam com tudo acertado. Já as mulheres não querem resolver problemas, elas querem expressar sentimentos. Elas não querem concluir, elas querem continuar conversando… Diz a piada que se um homem chegasse para um grupo de mulheres em discussão sobre um problema e apresentasse claramente uma simples e rápida solução, elas continuariam a reunião por mais algumas horas! A graça toda está no diálogo, no toque, na rede de sensações e emoções compartilhadas. É claro que as mulheres tomam decisões e se utilizam muito bem da energia masculina, mas aqui estou me referindo à essência do feminino.
Com isso em mente, tire o foco da fala e concentre-se no meio do peito dela. Abrace-a, diga com os dedos que a ama, deixe que ela se sinta totalmente amada, relaxada, aberta, e só depois inicie a conversa. Na grande maioria dos casos, não haverá mais o que discutir. E então você pode fazer o que realmente interessa – get down to business, if you know what I mean.
Agora, se você não mais quer ficar com ela, tome logo uma decisão (pelo bem de ambos) e termine com tudo.
Continua… Em breve, mais dois cenários e saídas.






adorei a analogia com a eletricidade e as lâmpadas do mundo. como d costume, vc vai sempre ao ponto, na medida certa, puxando todos os véus. é uma delícia encontrar coisas aqui tão boas, lúcidas e leves. faz um bem danado!
abraços, myla
Gustavo,
meu nome é Beth Klein e sou jornalista de Curitiba-Pr. Acabei de assinar contrato com o portal http://www.pop.com.br para fazer a revista feminina que vai se chamar Meia Fina e Batom e deverá estar no ar em outubro de 2007.
Gostei muito do seu jeito de escrever a abordar assuntos sobre relacionamentos, de uma forma tão inteligente.
Gostaria de propor uma parceria, postando seu blog em nossa página que começa com mais de 500 mil acessos mês.
Por favor, entre em contato conosco.
Grata,
Beth Klein
bethklein@terra.com.br
041.9968.0803
Sei que esse artigo é mais antigo, mas eu não o tinha lido ainda, gostei!!
Só discordo de numa coisa, mulheres quando querem encerrar uma relação encerram, aí não tem mais toda essa conversa que vc disse, tudo isso é para o momento em que elas ainda querem investir…
Beijos!!
Oi J@ade!
Sem dúvidas! Mulher é foda nisso. Expert. Mas há um período anterior (antes da desistência) no qual elas fazem birra e testam para ver se o cara muda, se declara, enfim. Então na vejo discordância alguma…
Abração!
Pois é minino!! Eu concordei com tudo, nesse período anterior então, a gente dá murro em ponta de faca esperando que as coisas sejam como gente quer… mas no momento da decisão, quando a gente desiste, não tem santo que faça a gente voltar atrás…
Beijos!!
8)
Estou realmente tentada a mostrar isso pro meu namorado. hihihih
Nossa, adorei o texto.
Estou indo em busca da parte 2… 3… 4…
Bjs!
Não tive tempo para explorar tudo. Mas a priori gostei muito. bjs
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