Home » Destaques, Ensaios, Filosofia com corpo, Sexo

Por uma vida encarnada: breve crítica aos relacionamentos sem corpo

por Gustavo Gitti 19 May 2008 32 comentários



Angelina Jolie - Boca

“Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.”
Manoel de Barros, em O Livro sobre o Nada

A primeira parte desse texto serve apenas para contextualizar as duas seguintes. Os apressados pragmáticos podem seguir diretamente ao que interessa.

A mente é o corpo pensando

Nos últimos tempos, estou sentindo aversão a discursos românticos, interpretações filosóficas, teorias sobre relacionamentos e tudo aquilo que se adiciona ao fato cru do simples viver. Textos maravilhosos não me movem, meus posts antigos soam artificiais, livros não passam de jogos semânticos estéreis. Quero distância de sentimentalismos, bla-bla-blás, explicações de qualquer tipo. Caminho pelo outro lado da poesia: às vezes uma árvore é apenas uma árvore. Novamente, o gênio Manoel Barros:

Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.

Toda boa crítica mira, antes de tudo, o passado daquele que a desfere. Sempre que encontrar alguém dilacerando uma certa idéia, tenha certeza de que ele já foi um forte defensor da mesmíssima visão atacada. Ou, pior, ele inconscientemente ainda a mantém e a reprime por meio do discurso público sobre quem gostaria de ser (na esperança de que exaltar o ideal desvie os olhares do real). Ora, a crítica se faz completa e detalhada justamente por isso: ninguém melhor para falar do pecado do que o próprio pecador. Desconfiem, portanto, desse texto. Eu pertenço ao segundo tipo de críticos. ;-)

Durante toda a minha vida, vivi mais o mito que o fato, mais a poesia do dia seguinte e menos o tesão do momento. Só recentemente peguei gosto pelos gingados do corpo… E então descobri o toque como o mais sofisticado dos conselhos, a conexão espiritual que vem do cheiro, a racionalidade pós-kantiana do instinto. Somos muito mais animais do que pensamos ser. Daí meu interesse em escrever sobre como meu corpo se move sobre a inveja, arrependimento ou sobre a própria mente, em vez de descrever meus pensamentos e filosofias sobre tais questões.

Tal inversão ganhou reconhecimento mundial somente nas últimas décadas – ainda que seja a continuidade natural do pensamento de Espinosa, Nietzsche e Merleau-Ponty – com o trabalho do biólogo Francisco Varela e seus parceiros (dos quais destaco Evan Thompson). Livros como Knowing Bodies, Moving Minds (”Corpos que conhecem, mentes que se movem”), Philosophy in the Flesh (”Filosofia na carne”) e A Mente Incorporada sustentam, a começar pelos títulos, as idéias de que a mente é uma ação corporal, a cognição se dá pelo corpo e o conhecimento humano só faz sentido se for incorporado.

E não só na filosofia ou na ciência. Se procurarmos pelo estado mental mais elevado, descobriremos que até mesmo o auge da prática espiritual não tem nada a ver com almas ou espíritos. No Budismo Vajrayana, o fenômeno da liberação de todos os condicionamentos é conhecido como corpo de arco-íris (jalü ou rainbow body). Todos os elementos impermanentes são dissolvidos na base última e atravessados pela luz que não é senão sua própria substância. Isso não é raro; isso é muito raro! Nos poucos casos ocorridos (eu sou cético, só acreditarei com mais evidências), diz-se que o meditante pede para ser deixado a sós em um casebre e dias depois as pessoas ao redor são surpreendidas por uma explosão luminosa dentro do local, que solta fachos de luz por todas as frestas. Ao abrir a porta, encontram apenas roupas, dentes e cabelos.

Ainda que saibam que o treinamento espiritual começa e termina no corpo, alguns espiritualistas new age insistem em ignorar sua importância. Inscrevem-se para workshops e ficam horas sentados vendo slides sobre samadhi, animais de poder e psicologia transpessoal. As apostilas e certificados infelizmente não impedem que o organismo continue engordando e se arrastando rumo a uma suposta iluminação além do corpo. Não é por acaso que uma das práticas que mais fazem sucesso atualmente é chamada de “experiência fora do corpo” (out-of-body experience, OBE ou projeção/viagem astral), que nada mais é do que uma interpretação espiritualóide para um fenômeno bastante natural do próprio corpo: o sonho lúcido.

Da sensação mais grosseira ao sentimento mais etéreo e transcendental, absolutamente tudo se passa e se expressa no corpo. Não há como escapar disso. Ou melhor, é justamente por ignorarmos a corporeidade que sub-vivemos, que não conseguimos avançar na própria racionalidade ou na espiritualidade – vista, como uma miragem, em uma alma além do corpo. Espiritualidade desencarnada, filosofia desincorporada, pensamento sem tesão, palavra sem carne… Eis alguns nomes para a doença que, quando contraída a dois, degenera grande parte dos relacionamentos amorosos.

Relacionamentos sem corpo

O que na filosofia ganha efeitos meramente acadêmicos, nos relacionamentos pode resultar em muito sofrimento ou várias brochadas (i.e., o que poderia mas não acontece). Pior que amor não vivido é aquele mal vivido.

Ele passa a noite toda hesitando em dançar. Ela percebe seu desconforto e pára de insistir. No dia seguinte, ele envia um email carinhoso descrevendo seus sentimentos por ela. Um texto que reencena poeticamente o melhor beijo da noite e, ao fazê-lo, tira o foco do fato cru: ele não conseguiu expressar todo esse amor durante a noite.

Ele lê Vinícius e Whitman para ela ao telefone. Seu desejo vira flores, jantares e SMS de madrugada. Ela se envolve e se entrega, até que enfim tira a roupa. O menino poeta agora não mais tem palavras em mãos. Ele tem as próprias mãos. Com pé, boca e pele, qual poema sai? Frustrado, descobre que não sabe bem como conduzir o quadril dela do mesmo modo que movia seus pensamentos à distância.

Uma relação pode até começar com uma metáfora, mas o amor não se vive como metáfora. Uma história a dois se inicia quando ambos compartilham sonhos, quando a aventura mitológica de um encontra espaço no caminho poético do outro. Porém, enquanto o prelúdio amoroso é conotativo (”Você é como uma…”; “Quando digo isso, quero dizer…”; “Esse CD simboliza aquela noite…”), a vida da relação é denotativa: “Quando eu beijo você, isso significa que eu beijo você”. Durante a conquista, podemos penetrar o outro com palavras. Isto porque o ato de sedução é uma espécie de promessa de relacionamento. No meio do namoro, entretanto, para penetrar o outro é preciso realmente penetrar o outro. Só o corpo é capaz da verdadeira poesia: dizer aquilo que de fato se quer dizer.

Entre o macrorelacionamento do mito e o microrelacionamento do detalhe, mais importa o segundo, a expressão, a explosão viva do que adormecia no potencial dos arquétipos. Seu amor por ela não está no sonho que vocês constróem há anos, na conversa após a briga ou na história que você conta a si mesmo. Seu amor por ela inexiste na memória. Ele está sempre naquilo que você faz agora, só aparece quando exercido e praticado. Amor é ação. Presença.

Energia sem nome, força sem rosto. Vida crua, livre de discursos, adornos, memórias ou associações. Vontade avassaladora, direta, anterior às metáforas e significações. Fato vivido, que dispensa emails posteriores. Prosa deitada, sem poesia.

Quando não nos relacionamos com o corpo, deixamos desejos perdidos em sublimações desencarnadas. Gastamos energia, nos esforçamos e ainda assim deixamos de viver tudo o que podemos. Afinal, declamar poema nunca engravidou ninguém. Além de não viver, abrimos espaço para a dor. O que é brigar senão perder o contato com os próprios pés? Observe um casal em discussão e veja como ambos parecem pairar sobre suas cabeças, um tentando voar mais que o outro. Atente para si mesmo durante uma briga e sinta como você perde completamente o contato com o próprio corpo. Eis o outro lado do romantismo desincorporado.

Para uma relação encarnada

Não aceite sentimento algum (seu ou do outro) que não seja uma sensação corporal. Desconfie de visões espirituais que não surjam acompanhadas de percepções sensoriais. Ignore pensamentos que não impliquem em posturas e posições do corpo. Abandone conversas em que ninguém esteja dançando. Evite compensações e substituições para seus desejos amorosos – seu impulso de invadi-la, desrespeitá-la, penetrá-la de todos os modos; sua vontade de ser perscrutada, rendida, atravessada.

Por meio de práticas corporais (ioga, tai chi, kung fu, esportes, meditação, artes), aprofunde sua relação com o corpo. Sinta não apenas seu corpo, mas a corporeidade dos outros. Toque o corpo do mundo. Aprenda novos movimentos, gestos, olhares. Jeitos de pegar e conduzir; modos de se soltar e se entregar. Experimente segurar um pouco mais forte. Entorte, desentorte, se demore mais.

Use seus dedos para dançar com a mão dela. Esfregue seus pés nele. Faça massagem de perna com perna, braço no braço. Delicie-se com o colo, aquele universo imenso que existe entre o pescoço e os seios dela.

Use todas as emoções negativas como meios hábeis para abrir e amar o outro. Se ela o deixou nervoso por não ter conversado com seus amigos bêbados e fumantes, não discuta, não apele para a mente. Respire sua raiva e deixe que ela mova seu corpo em direção ao dela. Pressione o peito dela contra o seu, mostre que você a ama, que ela pode se soltar nas mais desconfortáveis situações porque você está ali, presente, com ela. Leve para cama sua decepção com o mundo, seu fracasso. Engula e transforme seu dia inteiro na fúria mansa que vai entrar no corpo dela. Use sua vida para amplificar o amor que você esfregará naquelas curvas.

Se ele se distraiu, errou e decepcionou você e sua família, não inicie uma luta de argumentos, não use a mente. Coloque sua raiva nas mãos e bata nele. Dê um tapa na cara, tire-o dessa sonolência, libere seu torpor. Use seu corpo para ativar o corpo dele. Deixe-o vivo. Esfregue-se até que ele abra os olhos, peça desculpas e saiba o que fazer, até que ele retome seu direcionamento. Vá para a cama com suas dúvidas e contrações. Deixe que ele a veja assim, cheia de você mesmo, e sinta uma vontade irresistível de percorrê-la inteira.

Uma história de amor talvez seja a tentativa – sempre fracassada – de viver com o corpo aquilo que certa vez fantasiou a alma. Mas não precisa ser assim. Aquilo que o próprio corpo fantasia parece bem mais rico. E possível.

O que não sei lhe fazer com o corpo, guardo em minha mente. O que não sei tocar, lamber ou deslizar, penso. Com isso, ora vou disparar bla-bla-blás românticos, ora vou brigar em argumentos infindáveis. Mas e se eu conseguir falar com os lábios? E se lhe pedir para me escutar apenas com sua boca?

Perdi meu tempo.Você tem 12 anos?Tá frio hj, né?Quando sai o livro?Deu uma vontade de fumar... (6 votos | gostou do post?)
Loading ... Loading ...


32 comentários »

  • Deborah disse:

    Gitti, essa sua reflexão tem muito a ver com algumas coisas que eu venho pensando. Saí de um relacionamento feito quase só de palavras, e agora parti para outro, carregado de corporalidade.

    É impressionante como os sentimentos parecem mais intensos, como a paixão parece mais avassaladora, quando a gente se comunica com o corpo, quando cada toque e cada gesto adquirem um significado.

    Manuel Bandeira já falava lindamente disso em “A Arte de Amar”:

    “Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
    A alma é que estraga o amor.
    Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
    Não noutra alma.
    Só em Deus — ou fora do mundo.
    As almas são incomunicáveis.

    Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

    Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

    Eu hoje penso isso: a comunicação entre as almas começa pela comunicação entre os corpos, e se os corpos não se entendem, não há transcendência que possa fazer as almas se comunicarem.

  • Nati disse:

    Gitti,

    Adorei seu texto. Simples, extremamente proveitoso.
    Antes não tinha esta percepção à respeito do corpo, e desde que comecei a ler seus textos, passei a, tentar pelo menos, perceber o que acontece com ele durante meus sentimentos, meu, dia, meus momentos.
    É bem bacana. Não tão simples, mas extremamente proveitoso.

    Lindo lindo texto!

    Beijo

  • fabiana disse:

    depois do fim de uma relação, comecei a meditar e saí da terapia. esse novo exercício me deu mais um caminho para o amor: deixei a verborragia de lado (ou quase) e sinto meu corpo muito mais perto dos meus sentimentos. aliás parando pra pensar, o que levamos das relações não é somente o físico, o real? - é tudo que experimentamos com o corpo para expressarmos nosso amor, não é mesmo? - eu pelo menos, mal me lembro dos bate-bocas e discussões; mas ficou nítido os carinhos, os passeios, os silêncios profundos na hora do jantar…

  • Mulher Solteira disse:

    Seu post varreu todas as palavras da minha mente.

    A única coisa que me ocorreu vagamente foi “caralho, sou cada vez mais fã desse cara”.

  • Bruno disse:

    auhauahau preciso ler umas 3 vezes pra entender certinho =/ (19) anos
    aah sobre seus texto, quando vc demora pra postar coisa nova, eu releio sempre eles ;D
    é sempre difícil de entender com apenas uma leitura. Mas adoro eles !

  • Thiago disse:

    sem palavras. novamente destruiu alguns conceitos e mostrou que eram errados.

  • Fernanda disse:

    Como podemos chamar para dançar e nem mesmo sair do lugar, não é mesmo, Gitti? E quando uma pedra é só uma pedra…
    Tantas questões que acabam não sendo questões quando paramos de somente nos comportar nas situações e agimos.
    Vivi este blá-blá-blá e acabei me culpando por pensar que eu tivesse montado este castelo de areia sozinha, mas como sabemos, as palavras desarmam as pessoas e daí falar passa a ser crueldade.
    um beijo e parabéns por este incrível texto. Toquemo-nos!

  • kelly disse:

    Gustavo,
    Quando me perguntou qual o texto que mais gostei, não soube responder. Bom, até o momento, esse com certeza - pelo menos pra mim, que não te conheço, te tornou mais ‘real’. É muito bom sacudir a poeira, coisa que me parece que você e a Alessandra resolveram fazer na mesma época.
    Me identifiquei muito mais com esse post do que com os outros, o que não torna os antigos artificiais. Na verdade, acrescenta e complementa. Ao contrário da Fernanda, eu vivi muito menos o blá-blá-blá, então encontro em alguns dos seus posts antigos, no sentimentalismo, e etcs o que me falta…

  • Giseli disse:

    Cara, você manda realmente muito bem, e suas idéias vão bem de encontro ao que eu venho vivendo. Já tive muitos um tesão intelectual, mas nada se compara às conversas sem palavras e ao contato físico repleto de amor, e de tudo o mais. Por isso, sou contra discutir o relacionamento, permanentemente. Vou passar aqui, sempre. beijos

  • Rafael Galvão disse:

    “Quando eu beijo você, isso significa que eu beijo você”.

    parabens por essa frase e principalmente pelo texto inteiro,muito bom msm

  • kamikaze disse:

    Pow Gustavo,
    como consegue escrever dessa forma?
    Como o Thiago disse: “novamente destruiu alguns conceitos…”

  • Girassol disse:

    Que alívio ler isso! O prelúdio ser conotativo e a relação denotativa é uma colocação genial!
    É isso. As vezes uma árvore é só uma árvore e isso não é cruel, é verdadeiro e bonito também. Crença estranha essa, romântica, que nos alimentaram que o real e cru é feio, é frio, é ruim. Que a espiritualidade deve ser algo tão “elevado” que ignora o corpo. E depois não sabemos pq sofremos tanto há séculos, com tanta repressão. Penso que a palavra-chave seja sempre integração, senão pendemos entre as faces de uma mesma moeda…

    Vou te confessar uma coisa, essa percepção de corpo veio bem mais forte pra mim depois que peguei gosto pela dança em dupla (e vc tem mérito nisso meu caro). Não tem como escapar de si mesmo nem do outro. E se você não foge, a percepção fica encarnada, de verdade.

    E chega de blá-bla-bla

    P.S: Continuo indicando o filme Dolls.

  • iara disse:

    rapaz!
    texto profundo e brilhante!
    o que me tocou mais foi a primeira parte em relação a crítica…sabemos criticar muito bem exatamente aquilo que conhecemos em nós mesmos,o pior de nós e que tentamos superar todos os dias…
    mas principalmente por me explicar a minha frustação por não exercer o romantismo na forma de palavras e gestos medidos, calculados, tipo filme sessão da tarde!
    porque em mim amar está na pele e nos pequenos gestos do dia a dia, na coisas mais comezinhas, no abrir mão sem pesar e sem cobranças, e na carne …literalmente…na pele onde o sinto entrar na minha mente e coração..aí sim sei ser romântica!

    bjs

  • Ana disse:

    Adorei!
    Tenho pensado muito nestas questões e achei perfeito a forma como vc relacionou as formas de relacionamento. Acho que a palavra é intenção. O toque é ação. Com o toque é impossível mentir.

    Falei nisso em muitos posts, mas, reconheço, sem a clareza que li nas suas palavras. Tenho apenas intuições, indicações e muitas dificuldades.

    Meu corpo viraria SOL:
    http://roccana2.blogspot.com/2008/04/sol.html

  • Srta. Rosa disse:

    Apesar da malcriação de vocês em me deixarem de fora da Cabana, você tirou o meu fôlego com esse texto, hehe, adorei.

    Bezzos, querido!

  • Daniel disse:

    Não gostei de nenhum dos seus textos, até agora…
    Torne o que escreveu sua religião, e verá como é bom viver, mesmo sem a pretensão de ser para sempre.
    Abraços!

  • Thiago disse:

    Pensei melhor, refleti e… não concordo com tudo.

    Acho errado o conceito de ter aversão a palavras, textos românticos, etc..

    Vc deve namorar (não sei, mas suponho que sim).. Portanto não precisa mais dizer palavras bonitas pra reconquistar sua dama a cada dia, pode fazer isto com o corpo…

    Mas não podemos chegar numa estranha e dançar com ela, simplesmente.. Aliás, muitas pessoas nem encontram suas pretendentes em festa, não há essa opção..

    As únicas opções são: as palavras.

    Quando disse:
    Ele lê Vinícius e Whitman para ela ao telefone. Seu desejo vira flores, jantares e SMS de madrugada. Ela se envolve e se entrega, até que enfim tira a roupa. O menino poeta agora não mais tem palavras em mãos.

    Talvez ele não chegasse tão longe se não fossem as palavras que ele disse a ela.. a verdade é que palavras também conquistam. Aliás, elas fazem o papel preliminar, o resto é com o corpo.

    Se o corpo não corresponde à altura, é outro problema.

    Abraço!

  • Gustavo Gitti disse:

    Thiago, eu não sei do que você discordou. E, mesmo se eu tivesse negado 100% as palavras (o que não fiz, leia trecho abaixo no qual antecipo essa crítica), cada texto enfatiza um ponto dos relacionamentos. Ele não é final, ele apenas aponta algo. Ora aponto o corpo, ora a metáfora. Ambos são importantes, mas pendemos por esses extremos, então é bom enfatizar um (quase ignorando o outro) num blog como esse.

    O trecho que mencionei (que acaba com qualquer discordância sua, pelo que você mesmo escreveu) é:

    < >

  • Gustavo Gitti disse:

    O trecho:

    “Uma relação pode até começar com uma metáfora, mas o amor não se vive como metáfora. Uma história a dois se inicia quando ambos compartilham sonhos, quando a aventura mitológica de um encontra espaço no caminho poético do outro. Porém, enquanto o prelúdio amoroso é conotativo (”Você é como uma…”; “Quando digo isso, quero dizer…”; “Esse CD simboliza aquela noite…”), a vida da relação é denotativa: “Quando eu beijo você, isso significa que eu beijo você”. Durante a conquista, podemos penetrar o outro com palavras. Isto porque o ato de sedução é uma espécie de promessa de relacionamento. No meio do namoro, entretanto, para penetrar o outro é preciso realmente penetrar o outro. Só o corpo é capaz da verdadeira poesia: dizer aquilo que de fato se quer dizer.”

  • maria do carmo moherdaui disse:

    faz sentido.Mas…existem outras formas de sem amar, gosto variedades; vc não?

  • Thiago disse:

    É.. entendi, enfatizou o corpo neste texto.

    ‘Durante a conquista, podemos penetrar o outro com palavras. Isto porque o ato de sedução é uma espécie de promessa de relacionamento.’

    não havia prestado atenção nisso.

    você correto, again! :)

  • Busilis disse:

    Mto interessante. Mas o mais interessante foi que tudo isso foi dito com palavras, e não com o corpo…e foi entendido pela mente, e não com o corpo. Acho que o texto, mto bem escrito, investiga um pouco da frustração que costuma ocorrer nos relacionamentos, mais baseados em sonhos quiméricos do que em fatos reais e vividos. Mas será que a “culpa” é das palavras e da mente? Será que a inserção do corpo soluciona todos os problemas? Penso que não, não dois, não um. Mas claro, criticar um texto crítico não é lá mto simples. Mas gostei, embora ainda ache que uma boa dose de poesia e romance não fariam mal a ninguém…

  • Gabriela Galvão disse:

    Aih no joguinho d sedução, o cara diz q eu vendi a minha alma a ele e q ele qq dia vem buscá-la (foi ambpiguo, ñ deu p/ entender se buscar a mim ou à minh’alma). E eu: “Eu sou uma desalmada, mas se estiver falando da carne…” Am… Cansei d um monte d coisa. Mas d beijos, cafunés, olhares demorados, fungadas no cangote, esfrega-esfrega, …, meu caro… Nani!!!

    ; ) (Mais coicidências, mais a falar, mas parar por aqui.)

  • Flavio disse:

    Entrei nesse site por acaso procurando dicas para se ministar uma boa palestra motivacional e olha so’…li algo que me fez pensar e concordar…
    Essa parte de que o ato da seducao e’ uma promessa de relacionamento….e’ realmente interessante e se todos pensarem…verdadeira; afinal….quem nao tenta seduzir com palavras pra tentar o que realmente vai em mente?

  • Gustavo Gitti disse:

    Flavio, sobre a promessa, leia isso:

    http://nao2nao1.com.br/o-amor-e-filme/

  • Como deixar ousada até a mais santinha - Parte II — A Revista Papo de Homem - Lifestyle Magazine disse:

    [...] soltos. Para liberar o feminino, delicie-se com ele. Desfrute, deguste, sorva, abunde-se, frua, devore uma mulher. Ela é inesgotável: quanto mais você sugá-la e movimentá-la, mais ela terá a [...]

  • maria flor disse:

    Não sei o que dizer. Apenas tenho a certeza de que toda essa filosofia está muito além de mim. Sempre digo que sou corpo, mente alma e coração, mas eu minto. Sou mais mente do que as outras partes. Posso fazer um pedido: por onde começo?

    beijocas!

    Flor

  • Gustavo Gitti disse:

    Maria Flor, comece deixando de ler meu blog sábado à noite. Já é um ÓTIMO começo isso.

    Eu to saindo pra uma festa que chama ODARA (http://br.youtube.com/watch?v=CTeggOmZE2A). Se for de sampa, tá convidada! Pra infos, procura por “odara” “salvador dali” no google. Bjo.

  • maria flor disse:

    Obrigada Gustavo! Pelo conselho e pelo convite. Considerando que estou muito distante de São Paulo, o que faço por aqui? Acho que também não devo ler o seu blog num domingo à tarde…

    beijocas!

  • Franklin disse:

    Vi um post seu no pdh gostei, e acabei aqui..
    acabei de terminar um relacionamento ontem, e nunca me identifiquei tanto com um post..

    Parabens.

  • Juliana disse:

    Um comentário sobre o final: engraçado o homem deve engolir a raiva e atacar a mulher (no bom sentido),enquanto a mulher pode dar uma tapa na cara dele(aliás nascemos com esse direito!).
    Não estou querendo dizer que mulher deve apanhar, só gostaria de comentar como é interessante a força da educação que recebemos.
    Enfim.. fora esse comentário fica o elogio para o texto e para o autor também.

  • Gustavo Gitti disse:

    Juliana, concordo! Tanto que, em outros textos, falo sobre bater na cara da mulher. Tem todo um contexto, mas enfim: acho isso uma coisa que todo homem deveria fazer pelo menos uma vez na vida.

Deixe seu comentário!

Esse site usa o sistema Gravatar. Para que sua foto apareça, basta se cadastrar.