Meios hábeis do amor (2) – Siga-a
Vou descrever essa ação para os homens, mas nada impede que uma mulher o faça também. É um meio hábil sem custo financeiro, com efeito sutil e delicioso de se fazer. Recomendado para casais, mas nada lhe impede de tentar com aquela sua paixão. Se você for um psicopata, pare de ler agora, ok?
Pense em alguma rota que ela faz a pé: de casa para a academia, do trabalho para o metrô, etc. Se ela não tiver carro, melhor ainda! Espere-a de tocaia no local escolhido. Deixe “aquelas” músicas rolando no seu MP3 player. Por mais que deseje ser visto por ela ou surpreendê-la, não responda a tais impulsos. Procure segui-la deixando a mínima distância possível em trechos retos e diminuindo um pouco o passo em curvas e antes dos semáforos (corra assim que ela atravessar, antes que ele feche!).
Se conseguir, em algum momento, aproxime-se até sentir seu perfume. Experimente sussurrar declarações, cantar aquela música, olhar fundo, sentindo o prazer de saber que ela nem imagina que você está ali, tão perto. Teste seus sentimentos por ela. Sinta o que ela faz brotar em você, as energias femininas circulando no seu corpo, deixe tudo invadir seu olhar, transbordar para a rua. Respire-a de longe. Essa forma de toque sutil trará densidade e profundidade para seu contato físico com ela.
Olhe para ela como se ela fosse qualquer mulher, uma estranha andando solta na rua, e então dê nascimento a ela como sua amante — mais uma vez, mais uma vez, como você sempre soube fazer bem, mas só pra garantir: mais uma vez. No mesmo movimento, dê nascimento a você mesmo como amante, como o homem que a fará feliz, aquele que oferecerá mundos de deleite, espaços para ela se desdobrar, um olhar para o qual ela vai brilhar.
A prática de seguir faz o amor crescer junto com a liberdade, pois você está andando sozinho e pode mudar de direção a qualquer momento. No entanto, por algum mistério (desses que fazem bebês surgirem do sexo), você prossegue na trilha da amada, considerando todas as infinitas possibilidades. Você vê outras ruas, outros locais, outras pessoas, mas algo o faz segui-la — e esse algo começa a ficar mais nítido para você.
A cada passo, você escolhe amá-la e descobre que é assim que deve ser todos os dias. Mantendo mil possibilidades em mente, você sabe que ela não é sua única opção e sente que pode amar outra mulher com o mesmo vigor. Você age deliberadamente e faz seu caminho ser expressão da liberdade. Seu amor não depende dela, e justamente por isso você pode direcioná-lo totalmente a ela. Se você não escolher amá-la, você vai acabar apenas convivendo com ela, tolerando suas negatividades, sem incluir nada disso no espaço do amor. A simples ação de segui-la é um treinamento da constante afirmação do amor livre.
Seguir é também uma prática de contemplação, algo raro hoje em dia nos relacionamentos. Prática de ver o outro além dele mesmo, com um olhar que o atravessa. O foco do olhar é tão extremo que termina por desfocar — movimento que revela muitas coisas. “O que eu amo quando a amo?”; “Quem eu beijo quando beijo sua boca?”; “O que nela é ela e o que nela é o além dela?”. Treine amar o além dela mais do que ela mesma. Amar é desfocar, fazer o outro tornar-se o além-de-si.
Se ela parar para tomar um café, pare do outro lado da rua. Continue a contemplação. Respire e deixe-se surpreender pela surrealidade da situação. Aprenda a ser presente sem necessariamente direcioná-la, sem obstruir os rodopios femininos. Porém, quando o fizer pela segunda ou terceira vez, experimente abordá-la por trás com um abraço (ainda que isso possa assustá-la) ou andar mais rápido que ela, ultrapassando-a e tocando levemente em suas mãos para ela sentir que você estava o tempo todo ali atrás, cuidando dela. Surge então uma proximidade que nenhum contato corporal conseguiria atingir. Você está perto dela, sempre.
Você pode também contar para ela que a seguiu algumas vezes. Pergunte: “Aquele café da esquina é bom mesmo?”. Ou: “O que você vê de tão especial naquela loja?”. Ela vai sorrir ao saber que naqueles momentos você estava lá. Mais do que tudo, ela saberá que sua presença não fez exigência alguma. Você estava lá e não recebeu sequer um olhar em troca. Você se tornou puro oferecimento – isto é, puro amor.

“Se você não escolher amá-la, você vai acabar apenas convivendo com ela, tolerando suas negatividades, sem incluir nada disso no espaço do amor. A simples ação de segui-la é um treinamento da constante afirmação do amor livre.” – Você disse tudo, dispensa quaisquer comentários ou complementos.
E a citação do meu último post é uma música chamada “Prato de Flores”.
Beijo,
L.
caraca… isso parece coisa de maníaco! rs…
mas vou experimentar o dia que eu conseguir uma namorada que more perto =p
Não parace… É coisa de maníaco…
nah.. parando pra pensar, depende muito da forma como é feito. Talvez até seja uma coisa boa mesmo… who knows? rs…
Só funciona quando o cara é o amor da vida da moça. E se assim for, que coisa mais linda!!!
Parabéns pela poesia. Você está mesmo muito apaixonado.
=)
Vou deixar este blog como página principal do computador do meu marido, sem querer!
Parabéns pelos posts!
Socorro! Se me contar que tem o costume de me seguir acabou sua chance. Que invasão!!!
Maneiro se a mulher for polícia a assim que ela perceber que está sedo seguida saca a sua arma e bang/bang no “romantico”…
[...] é uma versão mais elaborada de uma prática que descrevi em detalhes no meu blog. Fazê-la sem a devida contextualização (explicada no post original) resultará em algo [...]
[...] o que me limitou um pouco. Comecei sugerindo a criação de um blog secreto, arrisquei relatar o dia em que segui uma mulher, falei sobre o jogo do encontro e sobre presentear estranhos. Depois passei um bom tempo colocando [...]
Não é coisa de maníaco, é coisa de quem sabe amar ^^
ENgraçado que antes mesmo de ler estes textos daqui, fazia tempo que não passava por esse lugar, eu pensava, sei lá por qual motivo, que ele precisava me observar mais… de longe… estava me sentindo muito colada à ele e que isso poderia estar fazendo com que ele não me percebesse como mulher… não como mulher, não sei explicar direito… mas como alguémq ue possa ser admirada, sabe? Com receio de ele passar a me ver como uma mulher comum, sem graça e passar a ver graça nas outras… iria achar muito bom se isso acontecsse, pena que ele parece não ter tempo para pensar nessas coisas… não por não ter tempo, mas por não querer ter…
Abraços.
caraca.. parece coisa de JACK……
mulheres e seu jeito estranho de fica com tensão.
Engracado como tem homens ignorantes que acham que sao bons amantes e na verdade nao prestam atencao nos desejos de suas mulheres, deixando-as completamente solitarias, mesmo morando no mesmo teto.
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