“I’ll be there for you…” Alguém ainda acredita no Bon Jovi?

por Gustavo Gitti 5 março 2010 58 comentários


Para quem não quer ler ao som de Bon Jovi, deixo outras opções com “I’ll be there”, tem pra todos os gostos: Elvis Presley, Megadeth, Jackson 5, Mariah Carey ou Stunt.

A abundância de letras com essa expressão (“Eu estarei lá”) revela nossa necessidade de acreditar em uma mentira. Cantamos repetidamente em várias melodias para esquecer de que o outro não estará lá para nós.

A lógica ilusória do “Você me deve uma”

Temos várias dinâmicas internas que nos passam despercebidas, mas são a própria lógica pela qual operamos, base para muitos pensamentos e ações. Uma delas se encontra em amigos e parceiros de negócio. Sempre que alguém faz um favor, sua generosidade despretensiosa é trocada por um favor futuro. Deixamos de ser generosos para ser espertos. Podemos não cobrá-lo de imediato, mas a relação se estabelece dentro de uma estrutura viciada, a ponto do outro se adiantar: “Valeu mesmo, cara, fico te devendo essa”.

Ironicamente, tal cobrança muitas vezes é muito mais lúdica do que real. Por ser verbalizada, ela acaba sendo espontaneamente transgredida. A cerveja que pagamos é rapidamente esquecida, o favor entre empresas fica como cortesia, a amizade ou a parceria se aprofunda com base na própria generosidade, que a princípio parecia descartada.

Em um casal, muitas vezes esse filme tem outro desfecho. O altruísmo interesseiro que declaramos sem vergonha a outras pessoas é mascarado por uma suposta generosidade desinteressada. Ajudamos o outro, estamos lá durante as mortes na família, investimos tempo, ouvimos, abraçamos, vamos de um lugar a outro, oferecemos, oferecemos, oferecemos. Temos vergonha de admitir, mas ao fazer tudo isso esperamos, sim, algo em troca. Até mesmo o sacralizado amor materno sofre desse mal.

Seria melhor dizermos logo de cara – ludicamente – “Você me deve uma” do que nos fingirmos de sábios e acabarmos como bebês carentes cobrando o outro por tudo aquilo que nós oferecemos tão bem e ele não.

Sempre que construímos algo sem perceber, ou seja, sempre que entramos num filme sem perceber que é um filme, nos tornamos vítimas fáceis do sofrimento. Cobrar sem saber que está cobrando é como sair de casa e deixar dentro um macaco histérico: ele vai bagunçar tudo. É por isso que construir ludicamente é melhor, mesmo quando parece algo menos amoroso ou sábio. A gente cobra e vê que está cobrando. Levamos o macaco nos ombros e brincamos com ele.

Jogar limpo, sem vergonha de nosso espírito interesseiro, é o melhor caminho para explicitar a verdade e deixá-la brilhando na porta da geladeira, como um lembrete diário. Experimente afirmar em voz alta: “Ei, você me deve muita coisa!”. A frase já sai ridícula, patética, forçada, sem sentido algum. E é essa piada que nos comanda silenciosamente por dentro.

Evitamos falar para não ouvir, evitamos cobrar para não perceber o óbvio: por mais que você tenha feito de tudo para seu parceiro, ele nunca deve nada para você.

O outro não vai estar lá para você

“Whenever you need me, I’ll be there
I’ll be there to protect you, with an unselfish love that respects you
Just call my name and I’ll be there”

Piada ou não, o fato é que nós não resistimos e eventualmente abrimos a boca, esquecemos da pose generosa e, pronto, despejamos nossas expectativas, cobranças e interesses em cima do outro. É como se tivéssemos uma planilha de ROI. Secreta, pra piorar. O outro sequer sabe do que está sendo cobrado!

É bonito de se ver. A gente pode espernear, exigir, cobrar, mas nosso parceiro é livre, anda com os próprios pés, tem uma vida própria. Perceber essa autonomia e liberdade é justamente o que nos enche de tesão ao nos sentirmos desejados pelo outro (que poderia estar com outra pessoa, mas nos escolheu) e também o que nos deprime quando a coisa se inverte, quando seu desejo aponta em outra direção.

“Vamos viajar esse fim de semana?” ou “Pensei em deixar nossos filhos com meu irmão e ficarmos com a casa só para nós”, ela diz. E ele: “Não rola, preciso resolver umas coisas”. Ela pode pensar que ele não mais a deseja, mas o fato é que ele está em outro lugar. Nada demais, ou melhor, o suficiente para um grande incêndio.

Aquela semana que ela mais precisa dele é exatamente a semana em que ele não está focando nela.

Ele olha para sua planilha de grandes feitos e pensa: “Já passei dias no hospital com o tio dela, paguei as últimas quatro viagens inteiras, fui o último a dar presente, ajudei nisso, fiz aquilo, bom, tenho créditos para alguns meses ainda”. E então se dedica mais para seus projetos, esperando alguns meses de compreensão de sua mulher.

Ela olha para sua planilha de ROI e conclui: “Eu fiz muito mais do que ele, eu me dedico muito mais, só Deus sabe o quanto de amor e carinho já investi nessa relação… E agora ele fica distante assim? E ainda quer que eu entenda? Entenda como, me diz?”.

São diversas cenas possíveis. A mulher fica grávida, o sexo diminui e o marido acaba transando com outra. O cara passa por um período de confusão, perde energia e libido, então a mulher reclama para um amigo que termina jogando-a contra parede e fazendo tudo o que o marido está incapaz de fazer. A namorada se deprime, o cara não aguenta mais e fica agressivo no momento em que ela mais precisa de cuidado. Exemplos e mais exemplos diários de homens e mulheres que não estão lá.

O desafio de andar junto

No começo, tudo o que desejamos é andar em direção ao outro. Em suas primeiras noitadas, o casal mal consegue andar na rua. Demoram vários minutos para percorrer o mesmo trecho que anos depois vão cruzar em segundos. Ficam se abraçando, com vontade mesmo de ir um contra o outro. No dia seguinte, não importa por onde o outro andou, mas o quanto ele quer vir em nossa direção e o quanto queremos ir até lá.

A paixão funciona como uma noite de sexo que dura meses (às vezes anos)… até que chega a manhã seguinte.

Ela sai mais cedo porque tem uma reunião decisiva. Ele sai um pouco depois para mais um dia de trabalho. Ela está indecisa em relação ao tema do mestrado. Ele se preparando para uma viagem que vai mudar sua vida. Passa o dia e tudo o que fizeram foi andar, não mais em direção ao outro, mas com seus próprios direcionamentos. No lugar de uma lua romântica em comum, dois horizontes distintos.

O casal, então, descobre esse prazer maior de seguir junto, de avançar como um casal. Eles aprendem a andar de mãos dadas mesmo à distância. Compartilham mapas, mundos, signos, brincadeiras, olhares, pedrinhas no chão. Tudo aquilo que servirá como bússola para não se perderem um do outro na manhã seguinte.

E até que isso dá certo, às vezes por um longo tempo. Quanto mais mapas e mundos, olhares e pedrinhas, melhor. Nada impede, contudo, as névoas e neblinas vindas sei lá de onde. E nem todas as manhãs são precedidas por uma noite de aparelhos GPS piscando no mesmo local, de entrelaçamento, de pé com pé. E tem também o nosso andar caótico pra complicar. Não temos um só horizonte, temos dezoito.

Outra cena bonita de se ver. Quando percebemos o outro se distanciando 2 centímetros, às vezes agimos como pedintes, às vezes gritamos ou baixamos a energia, nos distanciando ainda mais. Só que o outro não achou que estava longe, mas agora vê nosso distanciamento (ou nossa cobrança ou nossos berros) e reage da mesma forma, se afastando. E então comprovamos: ele realmente não quer mais nada conosco!

É assim que um namoro acaba mesmo quando os dois querem continuar. Eles estão no mesmo lugar, mas se veem à distância. Ou acham que estão no mesmo lugar e quase morrem quando pegam o GPS e passam dias dando zoom out até aparecerem os dois pontinhos… Tão logo conseguem se aproximar, se agarram e fazem juras de nunca mais se afastarem.

Mas a manhã seguinte sempre chega. E os dezoito horizontes, o andar cambiante, a bússola desregulada. E a névoa e a neblina. Cheguei a mencionar o ex-namorado?

Como fazer o impossível

wall-e
Cena de Wall-E, que já recomendei aqui

Andar junto é como andar vendado no meio do deserto. Ou nadar de olhos fechados. Nunca sabemos se o outro está mesmo ao nosso lado.

Por medo de ver, neste exato momento, que o outro não está tão perto assim, fechamos bem os olhos e confiamos em nossos instrumentos de medição, como o sonar de um submarino. A incerteza da distância é mais confortável do que a visão da localização exata. É de olhos fechados que ouvimos e dizemos: “I’ll be there”. O outro nunca esteve aqui, nós nunca estivemos lá, por isso sempre conjugamos o verbo no futuro. Nossa presença é promessa.

Um pouco de coragem e abrimos os olhos. Enxergamos, sem tanto desespero, que às vezes o outro se distancia muito. E que, na verdade, às vezes somos nós que nos afastamos. Ora, afinal quem define qual é o percurso do casal? Como pode apenas um se afastar?

De olhos abertos, o outro não parece capaz de nos salvar. Vemos seu andar meio torto. E suas fraquezas. Nós também não parecemos capazes de realmente estar lá pelo outro. Mal estamos lá por nós mesmos!

De olhos abertos, vemos que todos são como nós. Não há ninguém preparado para nos segurar. Ninguém para nos proteger e cuidar verdadeiramente. O fim dessa ilusão nos abre para a experiência da solidão, cuja tristeza tem a mesma medida da alegria em compartilhar a mesma solidão com os outros. O amor aumenta junto com a solidão. Cada um se sente mais presente, menos lá, mais aqui, e portanto mais irremediavelmente separado um do outro. Nascemos e morremos assim. Não daria para amar diferente.

Reconhecer a liberdade do outro (e a nossa) de ir embora a qualquer momento, amplificar e se comunicar com sua solidão, saber que nunca conseguiremos realmente estar lá; isso é estar lá.

“I don’t think anybody can fall in love unless they feel lonely. So I think in love it is the desolateness that inspires the warmth. The more you feel a sense of desolation, the more warmth you feel at the same time. You can’t feel the warmth of the house unless it’s cold outside. The colder it is outside, the cozier it is at home.

When you experience the true sense of aloneness, you discover that the entire cosmos, the universe, is absolutely empty. It doesn’t help you or keep you company. Such utter loneliness becomes companionship.” –Chogyam Trungpa

Blog Widget by LinkWithin

Para transformar nossas relações

Há algum tempo parei de escrever no Não2Não1 e comecei a agir de modo mais coletivo, visando transformações mais efetivas e mais a longo prazo. Para aprofundar nosso desenvolvimento em qualquer âmbito da vida (corpo, mente, relacionamentos, trabalho...), abrimos um espaço que oferece artigos de visão, práticas e treinamentos sugeridos, encontros presenciais e um fórum online com conversas diárias. Você está convidado.



Receba o próximo texto

58 comentários »

  • Mariele

    Ótimo texto Gitti, li com o “coração na mão”.
    Aliás, queria ter lido este post a uns 5 anos atrás… teria evitado muito sofrimento. Realmente é incrível como ás vezes cobramos e/ou prometemos o que não pode ser cumprido, e se tentamos (ah! e eu tentei) o custo pode ser tão alto.

  • Ana Carolina

    Olha, te descobri tem pouco tempo e o que consegui ler, numa escapada e outra do trabalho, me impressionou, pela estrutura, pela veracidade com a qual você trata todos esses assuntos que, como citou, não são meus e nem seus e nem apenas de um, de todos nós. Mas sinceramente, hoje você descreveu o meu atual relacionamento. E não acredito que tenha sido por acaso, vi explicito aqui o que já estava dentro de mim. E chorei. Obrigada por colocar em palavras pensamentos que nem consegui completar. Estou feliz, pois aprendi a certeza da inconstancia e a intensidade do amor, estão andando de mãos dadas por aqui =) tudo de bom!

  • Vanessa Andretto

    Eu ainda fico impressionada com a clareza que vc consegue falar desses assuntos “espinhentos”, Gitti, normalmente me olham como se eu fosse um alien de três cabeças quando menciono algo parecido numa conversa despretenciosa.

    Como a Mariele disse, deveria ter lido esse post há algum tempo.

  • Lara

    Gustavo, você tá mandando muito bem, especialmente nas últimas safras de textos. Tenho a impressão que são ainda melhores para relacionamentos tidos como “estabelecidos”.

    Muitas vezes a gente levanta a bandeira da liberdade num relacionamento mas carregada um caminhão de expectativas no coração, em silêncio, perturbando toda a livre dança dos acontecimentos.

    Eu preciso me aprofundar neste conceito: liberdade.
    As vezes até me coloco numa posição de incredulidade e cansaço frente a minha relação por conta, justamente, desse movimento sim-não, aqui-lá, doação-cobrança.
    Por vezes a gente nem sabe mais o que é autenticamente uma doação/entrega e o que é um escambo disfarçado.
    O pior é quando as partes se contentam com o escambo, né? Quando o amor vira esse joguinho põe e tira é porque os dois estão de mãos atadas e continuam apertando o nó um do outro.

  • Peter

    Gustavo,

    Sabe disso mais do que eu, mas é o apego que temos e a falta do sentimento de presença que deixam os relacionamentos assim.

    São algumas lições que temos que aprender para acabar nos relacionando conosco E também com nossa parceira(o).

    É incrível como os relacionamentos são iguais. E tão simples de serem compreendidos.

    abs

  • Roberto

    Eu estou passando por isso há um ano(fim com a minha ex). O que ajudou muito, mas muito mesmo foi o teu site e o PdH. Com estes sites e este tipo de relacionamento eu estou aprendendo a ser homem como vcs disseram e é verdade NÓS NOS TORNAMOS HOMENS, NÃO NASCEMOS. hehehehehe
    Vou continuar e obrigado pelos textos maravilhosos.

  • Café da tarde - Semana de 05 de março de 2010 | Vivendocidade

    [...] “I’ll be there for you…” Alguém ainda acredita no Bon Jovi? [artigo] [...]

  • Daniela

    Não costumo ler muito artigos de blog, mas todos os que leio aqui eu gosto muito.
    Gostaria de fazer duas considerações. A primeira é que sempre esperamos demais dos outros quando, na maioria das vezes, não podemos esperar nem de nós mesmos. Quero dizer com isso que reclamamos dos outros, mas se passássemos pela mesma coisa, agiríamos da mesma forma. Minha mãe sempre diz uma frase que acho muito certa: “Cada um só dá o que tem.” Se a pessoa tem amor pra dar ou se tem disposição pra se doar, é isso que ela faz.
    A outra coisa que queria comentar é que se soubéssemos nos doar sem esperar nada em troca, tudo seria mais simples. O problema é que isso é muito difícil (sei muito bem como é difícil), mas quando conseguimos, evitamos muitos sofrimentos.
    Bom, é isso… Obrigada pelos textos que ajudam tanto nas reflexões de vida.

  • Helga Maria

    Ah, fala sério, Gitti, que você prefere a girl/boy next door do que esperar o Bon Jovi num futuro distante!? PFf

    hehhhe. Ok.

    Olha.. gostei demais deste texto porque há tempos analiso os relacionamentos meus e dos outros e este texto pos (ainda acentua?) em palavras o que há muito remoí por dentro.

    Sobre o trecho “O outro sequer sabe do que está sendo cobrado!” Quando o outro sabe é que o negocio fica até pior. hehhe

    O difícil é viver o hoje, não planejar a viagem dos sonhos pra daqui a 12 meses (e ir pagando adiantado, comprando aliança e tudo). A não ser que: vai fazendo uma poupança do amor e sempre terá $ pra viver o que se quiser viver. Se o relacionamento acabar ali.. deixa a poupança rendendo até que um dia chegue outro amor que você sinta vontade de usar aquele $. Aí ao invés de esperar 12 meses pra viver algo bacana pode viver no agora. Né? :) Hehehhe

  • MarianaMSDias

    Eita, rapaz! Às vezes vc me deixa louca! Talvez por eu ser mesmo uma romântica do tipo daquelas incorrigíveis, talvez por eu ser uma realista do tipo daquelas maniqueístas!

    Entender eu entendo, entendo tuuuudo isso. Conseguir viver é o que são elas!

    Mas a verdade mesmo é que é preciso encontrar-se só, saber viver a própria vida, para então regozijar-se na companhia agradável de alguém, do “escolhido”. Aquele que vive só, sem medo, sabe compartilhar sua vida sem o desejo incontrolável de controlar a quem se ama (ou seja, a posse). Quem não teme estar só consigo, aproveita a companhia e não teme o famigerado afastamento. E permite ao outro seus caminhos, suas escolhas e seu retorno. Porque, sim, nada é mais verdadeiro do que o retorno daquele que tem a liberdade de ir e vir, de escolher estar junto porque… ah, porque é tão bom estar com você!

    Felizes dos que encontram esse tipo de amor. o amor que liberta, o amor que permite o crescimento, a busca pessoal, que permite a vitória e se alegra nas conquistas do ser amado. O amor que não é egoísta.

    Ah, meu romantismo está em encontrar um amor assim. Meu realismo é saber que… caraca, como é difícil!

    Beijos e boa sorte!

  • Luana Ugalde

    Muito bom este Post!alias tenho gostado mto do que leio por aqui, nem sempre concordo com seus pensamentos, mas eles sempre me fazem ter um “momento de reflexão” sobre como quase sempre somos imaturos quando se trata de relacionamentos e da idealização do “felizes para sempre”.
    Bjoss!!

  • Paula

    “O amor aumenta junto com a solidão”. Essa foi a frase que mais me afetou na sua postagem. No mesmo momento em que a li, me veio uma imagem de uma mulher sentada observando um homem partir; não como se ele estivesse indo embora em definitivo, mas apenas saindo, indo viver o cotidiano dele. O olhar que ela lançava era de empatia, como se, depois de tanta distância entre os dois, ela tivesse visto exatamente o que você falou: “que todos são como nós”.
    Como se em um momento de solidão a empatia aflorasse mais facilmente. E toda essa cena que bateu em mim, lembrou-me, imediatamente, de outro texto seu: “Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros”.
    É como se a solidão nos deixasse mais observadores, mais despertos, mais passíveis de sentir-mo-nos vivos, de ‘vestirmos o corpo dos outros’, de expandir-mo-nos. Uma sensação que preenche, atravessa e que não cabe em nós. Amor.
    Mas, como você disse, “a manhã seguinte sempre chega”. Sim, momentos iluminados como esses que todos nós sentimos alguma vez na vida parecem fugazes, mas podem repercutir em nossas vidas de forma inesperada. Eles são meio que mágicos – fora do tempo e do espaço – e, talvez por isso mesmo, nos ajudam a desenvolver nossas habilidades de ‘fazer o impossível’, de estarmos mais presentes, embora não haja ninguém preparado para nos segurar, como você disse muito bem.

    Gostei bastante das suas sacações. De contrair em uma frase algo tão expansivo, sem perder a afetação e o sentido. =D

  • Mariana

    Como quase todo mundo que comentou aqui, eu também pensei: “ah, se eu tivesse lido isso a algum tempo atrás…” Esse é um comentário recorrente nos textos desse blog! Mas logo em seguida me ocorreu (pela primeira vez) que se eu lesse isso a algum tempo atrás, simplesmente não faria sentido. Eu ia entender a mensagem geral, mas não poria em prática no meu próximo relacionamento. Algumas coisas a gente só aprende depois que vivencia, só entendemos o sentido real de algo quando dói em nós.
    No meu último relacionamento foi assim, eu cobrava muitas coisas e até hoje penso: “poxa, eu fiz tanto por nós pra no final levar um pé na bunda”. Muitas vezes tento me culpar ou culpar a ele pelo fim de tudo. Mas a verdade é que não existem culpados. Ninguém pode ser culpado por tentar ser feliz, ou por dizer o que sente. Não deu certo porque não éramos maduros em algum aspecto, só isso. Não dá pra se culpar ou culpar o outro pela inexperiência. Não dá pra esperar certos comportamentos pra situações que você nunca viveu. No próximo relacionamento, vamos acertar em aspectos que erramos no anterior, mas vamos errar em outros também.

    Acho q é isso.

    Beijos

  • Gustavo Gitti (autor)

    Lara,

    Com certeza, o texto é mais para casais com alguma bagagem, mas acredito que casais recém-nascidos também podem se identificar com algumas dinâmicas descritas.

    Eu também preciso me aprofundar, mas não no conceito, e sim na ação: LIBERDADE. ;-)

    Sobre o que você disse, o que eu mais acho complicado é quando os dois não se ajudam na relação. Quando em vez de superarem os problemas juntos, eles ficam um apontando problema no outro. Ora, o problema nunca é do outro, é sempre um processo de relação. Tudo o que vemos como característica do outro é um processo de relação que estamos construindo. Se apontamos “Ele é chato” para um colega de trabalho apenas admitimos que criamos uma relação de chatice. Por isso, em geral, quando chamamos alguém de “chato”, a chance de essa pessoa também nos enxergar assim é MUITO grande. ;-) São processos de relação, não características essenciais do outro.

    Então, aí vejo muito disso: o casal não se ajuda. A mulher não facilita, o homem não joga junto. Eles constroem medos paralelos, inseguranças escondidas, não ditos que ficam desviando significações sem que o outro tenha acesso a esses desvios. Não há uma verdadeira comunicação. É como se fosse alguma espécie de disputa. Rolam processos sutis de vingança também, de ambas as partes. O Calligaris sempre aponta isso: culpamos o outro por nossa infelicidade e por nossa impotência. Sem o outro, seríamos iguais, mas o outro nos ajuda a tirar o peso da consciência. “Se não fosse ela, eu estaria comendo várias, mais feliz, trabalhando mais”. Ou “Se não fosse ele, eu não estaria me sentindo mal amada agora, estaria sorrindo”.

    É bem triste quando uma relação começa a cair nisso.

    Beijo, Lara!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Peter, você linkou “lições” mas ficou vazio o link. Se puder passar o link de novo em forma de texto puro, agradeço.

    E, sim, é tudo a mesma história. ;-) Somos todos iguaiszinhos.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Daniela,

    Concordo, oferecer sem esperar retorno. Perfeito.

    Há práticas específicas para cultivar essa generosidade, bondade amorosa, compaixão, equanimidade, alegria… Sempre de modo impessoal, amplo, não autocentrado.

    Quando acabamos um relacionamento no qual sofremos e fazemos sofrer, o que fazemos para mudar? Já pensou nisso? Em geral, não fazemos nada, apenas anotamos os erros e rezamos para que o próximo seja melhor. Em momento algum, olhamos para nossa própria mente e tentamos erradicar as aflições e confusões que geraram os problemas. Pelo contrário, outra pessoa chega e nos vê com brilho no olho, ignora nossas confusões (que nem surgem no começo, aliás) e nós nos sentimos curados: “Ah, agora vai! O problema era meu ex, agora sim!”.

    Por isso há práticas específicas, muitas delas feitas durante a meditação formal, para transformar nossa ação no mundo, aumentando a presença, liberdade e lucidez em nossos movimentos e relações.

    Abração.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Mariana,

    Você tá em todas, hein? Impressionante.

    Sim, é na prática é que o bicho pega.

    Mas vou te confessar: ultimamente tenho desistido de tentar “fazer funcionar” ou tentar “acertar” ou “agir com liberdade” ou “ser um casal foda”. Tem muito orgulho e expectativa por trás dessa motivação. Baixei tudo, reduzi. Uma coisa que um professor de Taketina, o alemão Henning, sempre me dizia: “Do less”. Fazer menos. Não ficar tentando, apenas parar e fazer menos.

    Exigir menos de si mesmo, exigir menos do outro, fazer menos esforço. Desse modo parece que tudo dá mais, floresce mais, naturalmente. O outro oferece MUITO mais quando não é cobrado.

    E quando o erro vem, quando a confusão vem, não vemos como se fosse um problema. Não vemos como se estivéssemos fazendo algo errado. Não pensamos “Putz, eu não sou um casal Não2Não1″ hahahah… Apenas lidamos com cada coisa, como vem.

    Se eu não consigo manter algumas visões amplas, se não tenho estabilidade, se eu caio todo dia nos equívocos que sempre descrevo aqui, como esperar algo diferente do outro?

    Quando dá merda, é bonito de ver. Somos absolutamente frágeis, nos debatemos, não sabemos direito como fazer o outro feliz e não sabemos como ser feliz. É realmente algo engraçado pra se contemplar antes de tentar resolver.

    Enfim, fazer menos ajuda. E não cansa. ;-)

    Beijo e boa sorte para todos nós.

  • Mariana

    É, tô em todas…rs
    Agora que recebo os textos por e-mail, cê tá ferrado! Vai sempre ver meus pitacos por aqui… por mais sem noção que sejam.
    Quanto ao “acertar”, acho que se referia também (e principalmente) a esperar menos do outro e a não cobrar, o que tem muito a ver com isso que vc disse aí em cima.
    Talvez mais difícil que não cobrar do outro seja não cobrar de si mesmo, e não tentar não ser o “casal Não2Não1″. Será que não cobrar de si é o primeiro passo pra não cobrar do outro? Boa coisa pra pensar antes de dormir hj…
    Tá sendo muito legal ler você! A cada post percebo que todos nós somos iguaizinhos mesmo…
    Beijo!

  • Juninho

    Eh Gitti a galera ta escrevendo mto bem, quase que tão bem qto vc! Gostei mto da metáfora da poupança do amor da Helga Maria e a Mariana mandou mto bem qdo disse que é “…preciso encontra-se só,saber viver a própria vida para então regozijar-se na companhia agradavel de alguem…” Penso que a sacada é essa, é ter um olhar contemplativo sobre a sua própia vida, aproveitar as experiências que ela nos traz, agradecer pela as pessoas com quem cruzamos nessa nossa louca viagem. É saber estar e saber deixar ir. No fim é tudo lucro. E não adianta gritar, correr, chorar, se deseperar. Como escreveu Mario Quintana: “Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo…”.
    Boa Noite!

  • carol pin up

    Gustavo,
    ótimo texto. Acho que aprendi que quanto menos a gente joga o peso para o outro, menor é a queda. Sustentar o peso de nossos próprios corpos, sempre.O que não quer dizer não doar, não dividir com o outro. Andar junto requer acima de tudo desprendimento e generosidade. Ou seja, ao mesmo tempo entrega e desprendimento.. e voltamos a dança de salão.. rs

    segue um trecho de algo que escrevi sobre medo de piruetas triplas. tem a ver com seu texto de hj.
    E andemos na direção do outro sem perder nossa bússola!
    parabéns novamente,

    Carol Pin Up

    “Quero ousar mais. Piruetas triplas num abismo onde não se vê chão. Pode ser que alguém esteja lá para me conduzir num novo passo. Pode ser que eu volte sozinha flutuando. Aprendi, me jogando, que o céu passou a ser o limite. A dança passou a ter o delicioso peso do algodão”

  • Mariane

    Incrível seu texto, mais legal ainda é ver como ele se encaixa na vida de cada um que comentou aqui, ele serve para todos, em algum momento da vida a gente precisava tomar este chacoalhão, o meu também acho que foi tarde.
    Já cobrei sim e quando desisti de cobrar perguntei finalmente o porque não havia sido correspondida e para minha surpresa ouvi: “pensei que estaria com vc pra sempre.”
    Você tem talento para escrever um livro de auto-ajuda, hahaha, odeio…mas acho que o seu eu compraria, seu texto é denso e seu leitor tem de ser inteligente. rsrsrs

  • Cristina

    Gustavo,
    Parabéns pelo texto, faz pensar, refletir e ensina muito mais que qualquer livro de auto-ajuda com as fórmulas prontas, no estilo: faça isso ou aquilo, ou deseje tudo que quiser e acontecerá, e sabemos na prática que não é bem assim.
    Acabei de ler o livro Amor Além da Vida, do Richard Matheson, o mesmo que originou o filme, e como no filme, para que o marido consiga ajudar a mulher a se salvar, precisa olhar na mesma direção que ela, e não apenas para ela.
    É muito difícil entender o outro quando tudo o que sentimos e vivemos vem da nossa própria percepção das coisas. Mais difícil ainda é deixar um pouco de lado nosso ponto de vista.
    Haja Budismo para tanto desapego!
    Abraços a todos.

  • Letícia

    Fã incondicional q sou da banda, cantei milhões de vezes essa música prometendo pra sabe-se-lá-quem que eu “estaria lá”… Na verdade eu cantava querendo mesmo que alguém “estivesse lá” PARA MIM!
    Ai como é doce esse egoísmo humano…

  • Zombie

    Bicho, eu li isso num dia tipicamente trash.
    O que mais me dava raiva, é que eu SABIA do que estava me afetando, eu enxergava boa parte dos meus condicionamentos, mas não conseguia agir sobre eles, eu estava apenas reagindo.

    Isso me dava mais raiva. E virou um circulo vicioso. Tenso.

    Até que eu li isso, e lembrou-me da minha autonomia. E estou de volta nos eixos de novo. E agora to nessa.

    Generoso, oferecendo alegria e meios hábeis de felicidade, ao mundo.

    E VAMO QUE VAMO! :D

    E eu curto bon jovi pra caramba! kkkkkk
    Da próxima vez, use “always” como exemplo de como a impermanência é implacável e muda tudo :D

  • Gustavo Gitti (autor)

    Zombie,

    Eu ouvia Bon Jovi quando comecei a descobrir o mundo da música (junto com Gun’s, o black album do Metallica, Pantera e o “Nevermind” do Nirvana), época sem internet e tal.

    Ouvia MUITO “Bed of Roses” (http://www.youtube.com/watch?v=NvR60Wg9R7Q), “Dry Country” (http://www.youtube.com/watch?v=9Ja1aHnj7Wk) e “Blaze of Glory” (que deixei como trilha enquanto escrevia o post, aliás).

    “Bed of Roses” tem um dos começos mais lindos que já vi. Época boa do Bon Jovi.

    Sobre o que você falou, saiba que escrevi com um pouco da frustração e com a surpresa de não poder esperar compreensão e cuidado do outro. Simplesmente não dá pra achar que você pode contar com sua mulher pro que der e vier.

    Um bom comentário que faço ao meu próprio texto é: OK, Gustavo, mas, ainda que isso seja verdade, não temos como fugir de alguma espécie de promessa que vem de nosso bom posicionamento em relação aos outros (não só em relacionamentos a dois).

    A gente diz “Você pode contar comigo, estou aqui, te amo”, não tem jeito. E isso é maravilhoso. Ainda que não seja possível manter isso 100%, temos de ter coragem de dizer isso. E mais: temos de ter coragem de ouvir isso.

    Coragem de ouvir, pois sabemos que não é bem verdade. Coragem de falar, pois é uma mentira sem nunca deixar de ser verdade.

    Não estar lá para o outro, ironicamente, é um modo de ajudá-lo também. Pois todos precisam adquirir autonomia, todos precisam superar a carência e essa necessidade de cuidado, de ter alguém sempre dizendo “Você pode contar comigo, eu te amo”, como uma mãe sempre de braços abertos.

    Não ser essa mãe às vezes é MUITO benéfico pro outro. Faz ele crescer, melhora a própria relação.

    É claro que os extremos são perigosos. Não adianta nada dizer “Não posso te ajudar, se vira, adquira autonomia”. Isso não funciona. É tudo muito sutil, não tem regras, modelos.

    Às vezes é bom estar 100% lá, de braços abertos ao outro. Às vezes ele verdadeiramente precisa disso, não é apenas carência. E às vezes é bom não estar, às vezes é isso que o outro precisa verdadeiramente, sem que ele saiba. ;-)

    Além disso, o outro erra a dose conosco também. Então é preciso não culpá-lo por isso. E não nos culparmos quando erramos a dose também, algo que acontece DIRETO comigo.

    Abração!

  • MarianaMSDias

    Gitti,

    “Tem muito orgulho e expectativa por trás dessa motivação”. É, essa foi foda!

    Na verdade é muito disso mesmo. Praticamente se tira o foco do que é realmente importante, de nós, do outro como ele realmente é, para se buscar um estereótipo (nesse caso o casal não2não1, rsss) que preencha aquela série de pré requisitos e que sirva de exemplo. E assim, acabamos por esvaziar a relação em si.

    Entendi seu conceito do ‘do less’. Como que baixando as expectativas, esvaziando-se das exigências pessoais e do outro, pudessemos, também, finalmente, olharmos nus, como realmente somos, e aceitarmos o outro, exatamente o que ele é. E enfrentar cada novo desafio assim, como se não soubessemos as respostas que, no fundo, não sabemos mesmo.

    Na minha vida, nos meus fracassos, tropeços, desilusões, ou como possamos chamar os caminhos que escolhemos deixar, acho que o que realmente comecei a aprender, e que acredito ser o que há de mais importante em um relacionamento, é a como levar uma discussão.

    Por isso ri quando vc escreveu “quando dá merda, é bonito de ver”. Na verdade é, é bonito de ver! É bonito de ver aquela confusão, e é mais bonito ainda de ver quando os protagonistas sabem manter-se na confusão e não atacar uns aos outros, sabendo que não é o outro o motivo da confusão, mas o relacionar-se! Encarar com maturidade diferenças sem culpar o outro pela frustração, pela confusão, pelo desencontro… Pq, afinal, quem de nós precisa, realmente, estar certo? Antes, precisamos saber rir do ridículo de nós e encarar confusão como a coisa simples que ela é: um terceiro membro do relacionamento!

    Ninguém sabe amar melhor do que um casal que sabe brigar!

    Beijos e, sim, muito boa sorte a todos nós! Porque é preciso muita sorte pra cuidar daquela italianinha braba!

  • lila carvalho

    “Reconhecer a liberdade do outro (e a nossa) de ir embora a qualquer momento, amplificar e se comunicar com sua solidão, saber que nunca conseguiremos realmente estar lá; isso é estar lá.”

    Isso me lembra um certo texto que você escreveu muito tempo atrás, onde você dizia que a melhor maneira de sermos a pessoal perfeita para o outro é nunca se convencendo de que se é essa pessoa.

    É louvável, mas o altruísmo só traz frustrações para a pessoa que o pratica excessivamente. Como mulher, me sinto no prejuízo da crença social de que as mulheres servem a seus respectivos “alguma coisa”, e a crença social de que mandar no outro é a melhor maneira de se impor me soa ridícula!

    Parabéns novamente pelos seus textos!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Pois é, Mariana, pois é…

    Falando nisso, precisamos marcar um papo. Vou falar com ela.

    Beijo.

  • Gabriela

    Isto foi perfeito: “Outra cena bonita de se ver. Quando percebemos o outro se distanciando 2 centímetros, às vezes agimos como pedintes, às vezes gritamos ou baixamos a energia, nos distanciando ainda mais. Só que o outro não achou que estava longe, mas agora vê nosso distanciamento (ou nossa cobrança ou nossos berros) e reage da mesma forma, se afastando. E então comprovamos: ele realmente não quer mais nada conosco!” Nossa, quantas vezes já senti isso acontecer…

    Mas enfim, concordo com o texto. Principalmente com relação à solidão. No último ano que morei fora, me senti muito sozinha e falava para minha irmã que era bom, eu precisava saber lidar com a solidão. Depois vi que eu não precisava saber, pois estar só é inevitável.

  • Victor Lee

    Gitti: belo texto com diversas referências e pontos abertos, que fazem a gente refletir. Muito legal!

    A primeira coisa que pensei é como o comportamento “bonzinho” é em muitos casos mal interpretado. Aquele sujeito arroz, sempre passivo, meloso, compreensivo e fofo muitas vezes tem uma agenda escondida.

    Quer ganhar rapport ao ser inofensivo e legal. É uma manipulação que ele aprendeu desde pequeno para ser aceito. O tal “I will be there for you”, nesse caso, não passa mais de um “Please, be there for me” cifrado ao reverso.

    O segundo comentário é algo bastante pessoal. Eu sou um cara muito ocupado e tenho um propósito muito claro e definido. O que eu noto em relacionamentos gerais que tive é a dificuldade nesse “caminhar junto”, pois acho que é uma raridade encontrar mulheres atraentes que também tenham o tal propósito sólido.

    O que tenho feito é flexibilizar as estratégias de busca e execução de meus objetivos de modo a incluir a mulher junto, o que não é muito fácil. Quem sabe a gente consegue trocar idéia sobre isso semana que vem em SP…

    Por fim, o terceiro comentário: eu acho Bon Jovi do caralho! “Always” é o favorito quando vou pro karaokê!

  • Peter

    Gustavo,

    Vai o link do Lições (http://www.pagobem.com/2009/06/licoes.html):

    Nostalgia é palavra de ordem. Principalmente quando se está apaixonado.

    A maneira como aquele alguém que antes você mal conhecia toma conta de sua vida é incompreensível.

    E a nostalgia? Simples. Ela entra quando passamos o dia lembrando os bons momentos em que o casal passou junto. Lembrando como foi/é a conquista. Lembrando como foi/é o amor. Lembrando as infinitas sensações experimentadas em cada minuto que se passou/passa abraçado.

    Amor é invasão.

    Um invade a alma do outro. Sem pedir licença, vai ocupando cada espaço, preenchendo vazios, iluminando a escuridão que existe em cada um de nós. Uma invasão que faz bem.

    Bonito é perceber como o que antes era “eu” vira “nós”. O “eu” passa a pensar em como irá surpreender e agradar o “outro”, inconscientemente trazendo benefícios para o “nós”.

    Mas quais são as lições que tiramos?

    Todas as que queremos.

    Aprendemos sem perceber.

    Criar sempre uma bela expectativa: de como o outro estará vestido quando nos encontrarmos, de qual será o olhar quando abrir a porta para nós, de como será o beijo após um reencontro, como será que atenderá o telefone…

    E sempre ser surpreendido. Por mais que eu crie uma expectativa formidável, sou sempre surpreendido.

    Ela estará mais linda do que consigo imaginar. O olhar será sempre mais brilhante e penetrante. O beijo será sempre mais apaixonante. O “oi” será sempre mais carinhoso.

    Com isso vamos aprendendo… a sermos surpreendidos. Quando somos surpreendidos aprendemos a surpreender.

    Quando somos surpreendidos conhecemos outro detalhe, antes desconhecido, e que agora reforça todo o sentimento.

    Paixão é invasão e surpresa. E lembranças.

    Ser surpreendido com um e-mail no trabalho, uma foto, uma mensagem, uma ligação, uma música… e aprender com tudo isso.

    Relacionamento é invasão e surpresa. São lembranças. É construção.

    Sempre com a nostalgia. Os dias passam, os momentos que viram lembranças vão aumentando, as surpresas vão construindo, e somos a cada novo dia uma nova pessoa. Com novas sensações, novas aspirações, novas idéias e novas surpresas.

    Sempre com novas lições. Prontos para ensinar e aprender. Prontos para ficarmos apaixonados novamente.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Grande Victor!

    Certamente vamos conversar sobre isso semana que vem.

    Sobre seu segundo comentário: concordo, também vejo muitas mulheres sem tanto direcionamento. Para muitas, a prioridade n. 1 na vida é o amor, o casamento, o relacionamento. David Deida sacou isso e descreveu muito bem. Mas acho que podemos ajudá-las nisso, a mudar essa prioridade n. 1 para direções mais amplas e com foco mais nítido, evitando frustrações do tipo “Amei, investi grande parte da minha vida no casamento e não fui amada como queria”. Algo bem comum num mundo cheio de homens confusos e hesitantes.

    Podemos ajudá-las assim como elas nos ajudam a quebrar esse foco nosso de “business” (projetos, grandes sonhos, direcionamento preciso) ao nos lembrar da importância das relações, do corpo, da abertura, do amor. Nossa mãe faz isso quando liga avisando do aniversário da nossa tia ou cobrando “Você ligou pro seu avô essa semana? Ele sente sua falta!”. Nossa mulher faz isso quando caímos na cama tarde depois de muita ação cerebral e ela começa esfregando os pés até se aninhar completamente em nós.

    Na verdade, as mulheres fazem isso apenas APARECENDO na nossa frente. ;-)

    Abração!

  • Wall

    Não tem como fugir de dizer e/ou ouvir “I’ll be there for you”. é engraçado, por mais que saibamos que não temos direito de cobrar o outro, mesmo assim, nos sentimos em dívida… E se é para cobrar algo, prefiro me cobrar, ao invés de cobrar o outro. Ele não tem obrigação nenhuma de saber do que eu preciso naquele exato momento (embora se ele realmente me conheça, saberá). E na maioria das vezes não é preciso cobrar, pois a nossa postura corporal nos entrega, e muito. Quantas vezes ficamos p* da vida com algo que outro fez, sabemos que não podemos falar nada, e mesmo assim ele percebe e pergunta: “O que foi?” A resposta? “Nada”, mas a minha expressão corporal me denuncia.

    Racionalmente, eu entendi tudo isso, mas o meu emocional entra em conflito cada vez que vê a lógica do que tu dizes, porque não é isso que eu (e a maioria de nós) vivenciamos. Conforme fui lendo o texto, pensei em tudo e nada, pois ambos entraram em conflito. O sentimento é algo muito poderoso. Eu só consigo ser racional depois que o momento passa. Não sei se há como racionalizar os nossos sentimentos. Aliás Gustavo, te pergunto: há como? Porque se tem, eu preciso urgentemente aprender. Se tem algo que odeio, é me arrepender, mesmo sabendo que eu cresço a cada erro, acredito que o arrependimento é o sentimento mais difícil de lidar…

    Parabéns, e obrigada pela oportunidade que tu dá a todos nós de lermos verdadeiras preciosidades.

    Beijos

  • Cris

    Mantenho um relacionamento aberto. Somos namorados e acreditamos que a única coisa que nos “prende”, é a liberdade. Vivo constantemente com a ameaça. Ele também. Ultimamente o receio da perda tem doido mais do que de costume, então, sempre venho aqui dar uma lida nos seus post…bastante elucidativos. Hoje está doendo, por isso estou aqui…rsrsrs.
    Nunca li nada seu falando de poligamia, relacionamento aberto ou poliamor, tem algum?
    Abraços.

  • Perséfone Hades

    É isso aí!
    Mas como é difícil entender…
    E como nos é difícil mudar nossos padrões!

    … “When you experience the true sense of aloneness, you discover that the entire cosmos, the universe, is absolutely empty. It doesn’t help you or keep you company. Such utter loneliness becomes companionship.” –Chogyam Trungpa
    E o zen-budismo sempre acaba com a razão!!!!!!

    Tive a liberdade de colocar um link para este site no meu blog, pois mais pessoas devem lê-lo, você escreve bem e com clareza, além de fazer as pessoas pensarem. Muito bom!

    Abraços
    Perséfone

  • Gustavo Gitti (autor)

    Cris,

    Conta um pouco como é sua relação. Meu gmail é gustavodrums

    Eu quero escrever sobre isso, mas não sobre o MODELO relacionamento, mas sim sobre abertura, Enfim, seu relato ajudaria.

    Abraço.

  • Deco Pina

    Olá Gustavo!

    Excelente texto, completíssimo, denso e calculista.

    Eu acredito em tudo isso que você fala, mas não consigo imaginar um relacionamento com esse ‘desprendimento’. Se fosse pra ser ‘desprendido’, não seria relacionamento amoroso. Amoroso pq eu creio que todo ser humano tem a necessidade de buscar um desafio, seja ele o de satisfazer uma pessoa, de sentir a admiração e o amor dessa pessoa. Esse tipo de liberdade pregada é válida, eu acho que todo relacionamento deve ter. O que eu acho impossível é livrar a mente dessa preocupação com o nosso ser amado. A preocupação em saber se a pessoa está bem, está se sentindo bem no relacionamento, buscar melhorar e consequentemente agradar, para se tornar realizado interiormente (ser agradado). Eu vivo num relacionamento que atualmente está à distância (ela está morando na europa, por causa de intercâmbio) e eu venho sofrendo muito em sentir que ela está levando a vida dela enquanto eu estou aqui. Eu sofro desse mau que você disse ai, estou muito preso à ela. Não consigo enxergar uma maneira mais clara de me desprender dela, e fazer esse sentimento parar por aí. Acho que como você falou, eu entrei no filme e estou sofrendo muito. Não sei como fazer pra sair desse filme, me desprender. Entendi o seu texto, mas por em prática é difícil. Tudo o que faço é esperando algo em troca. Ela também sofre muito, pois espera muito de mim. Ou seja, somos um casal ‘preso’. Isso é muito ruim, e gostaria de saber de você como realmente por a mão na massa, colocando em prática esses ensinamentos. Tenho medo de me desprender dela e acabar perdendo tudo o que construímos ao longo do tempo. Tenho medo de desgostar dela ou ela desgostar de mim, mas isso pode acontecer à qualquer momento (eu sei). Bom, é difícil de por em prática mesmo, mas se você conseguir me explicar claramente como fazer pra por de fato em prática esse desprendimento eu vou ficar grato!

    Um Abraço!

  • Cris

    Olá Deco!
    Li seu comentário e ouso respondê-lo.
    Todos estamos cansados de saber que o romântico senso comum afirma que quem ama sente ciúme. Por outro lado, dificilmente alguém discorda da tirania desse sentimento e que ele destrói tudo o que pode haver de puro em uma relação. Porém, comumente ouvimos: “ele é mais forte do que eu, não consigo controlá-lo”.
    O que, normalmente pensamos é: “A quantidade de você que também me pertencerá – tempo, corpo, atenção, etc – será a necessária para que eu tenha os meus vazios preenchidos até transbordar de você e não sentir ameaça alguma de perder o que é meu. Ou seja, a minha paz interior e segurança dependerão única e exclusivamente de você, através de sua concordância com me permitir ser sócio-proprietário – e único – de tudo que EU precisar de você.”
    O amor, que normalmente acreditamos, está mergulhado nesse sentimento de posse e ciúmes. Falamos de uma metade que nos completa.
    Pra mim, não é possível sermos apresentados ao sentimento de amor verdadeiro por alguém, se essa pessoa não nos reconhece como seres livres, simplesmente porque não sou a metade de uma laranja, sou uma laranja inteirinha!!!
    Então Deco, reconheça em vc e sua mulher, a liberdade. Entenda que não é a distância que ameaça vocês, mesmo que ela estivesse aqui, ou você lá, os “riscos” continuariam. A ameaça é uma constante, uma vez que o desejo por outras pessoas, não é um fator geográfico. Você e ela têm total ingerência sobre isso. Deixe-a livre para voltar. Não existe sensação mais gostosa do que perceber que o outro está livre para escolher quem ele(a) quiser e ele(a) voltou pra você.
    Então meu amigo…relaxe, acredite em tudo que construíram e confie no amor!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Deco,

    O fato de ser difícil não significa que é impossível. E, sim, as relações são uma mistura de liberdade e condicionamentos, de virtudes e problemas, então seguimos com tudo misturado.

    Pra separar isso e deixar nítido o que é liberdade e o que é prisão, observe sua própria mente. Veja quando você sofre e veja quando surge energia, alegria, brilho no olho. Observe essas oscilações.

    Se você entender a importância da meditação e se fizer sentido pra você, encontre um professor qualificado e um centro de prática. Desse modo, poderá entrar em um treinamento mais formal pra cultivar estabilidade. Sem isso, é muito difícil mudar só sendo levado pelos ventos da vida.

    Aliás, eu vejo pessoas sofrendo com o término e depois começando uma nova relação. Nesse meio termo, elas não fazem NADA pra mudar a própria mente. Então como é que elas esperam que a nova relação seja diferente? Milagre?

    Na Cabana PdH, discutimos diariamente as aplicações práticas disso. Há relatos e sugestões específica de práticas (temos mais de 40 atualmente), fora textos meus que não estão aqui nem no PapodeHomem. Os relatos dos caras são impressionantes. Todos aprendem muito, a coisa toda fica nítida pois você passa a acompanhar várias histórias, não só a sua. Você será bem-vindo quando reabrirmos.

    Abraço!

  • Mariana

    Cris: “A quantidade de você que também me pertencerá – tempo, corpo, atenção, etc – será a necessária para que eu tenha os meus vazios preenchidos até transbordar de você e não sentir ameaça alguma de perder o que é meu. Ou seja, a minha paz interior e segurança dependerão única e exclusivamente de você, através de sua concordância com me permitir ser sócio-proprietário – e único – de tudo que EU precisar de você.”

    Fantástico! É assim mesmo que pensamos quando estamos numa relação. E quando não estamos vemos o quanto isso é patético, e que não dá pra entrar numa nova relação desta forma…

    Acredito muito que a meditação ajude a não pensar assim e a perceber e lidar bem com o fato de que somos “uma laranja inteirinha!”. Confesso que não sou praticante por pura falta de vergonha na cara. Já olhei os dias e horários pra iniciantes num centro de prática desde o ano passado e não fui…semana q vem eu vou, semana q vem!!!
    Deco, vai tb. Depois a gente volta aqui e diz se deu certo! rs

    Bjos e boa sorte a todos nós!

  • Cris.

    Mandei o e-mail pra vc, não sei se recebeu.
    Abraços.

  • Deco Pina

    É gente, eu acho que o melhor mesmo é olhar pra dentro de si pra poder tentar sair dessa agonia. Fechar os olhos e tentar se desprender da situação. Sabe o que tem acontecido? Quando penso no nosso relacionamento e dá aquele frio na barriga, eu me lembro do verso de uma música de maná, “Lábios Compartidos”. Tem uma parte que diz assim: “te vas a otro cielo mas regressas como los colibris”. Como vocês falaram ai, não tem sentimento melhor do que você se desprender de algo e deixá-lo livre e ai então ver que ele voltou pra os seus braços por livre e espontâne vontade (e não pressão). Acho que vai demorar um tempo até atingir um estágio mais elevado do espírito, para poder mastigar, engolir e digerir esse conto com tranquilidade, sem indigestão. Ainda dá uns frios na barriga, umas palpitações quando eu espero por algo que não acontece, mas eu tô naquela queda de braço comigo mesmo. Tô quase um Charles Atlas! rss! Mas assim, vou buscar um pouco mais a meditação, o silêncio e a reflexão. Eu sempre dei muito valor a isso e sei que é essêncial nesse momento da minha vida. AGORA, mais do que nunca eu acho que consegui ver uma luz no fim do túnel escuro, vou ligar meu ‘BIO-GPS’ e seguir a luz pra tentar me desprender do meu próprio egoísmo. Muito obrigado Gustavo, Cris e Mariana pelas respostas. Acho que consegui absorver um pouco de cada coisa e aos poucos vou construindo minha escada pra evolução! (bonito isso, rsss!)

    Grande abraço e vamos manter contato por aqui, ok?

  • Telma

    Acho q o seu namoro está indo pro buraco, nao?

  • Calvin

    muito bom!

  • Robson

    Eu acho que a coisa se resume em amar por amar, mas não no sentido desdenhoso do negócio mas amar por amar por ser mais simples!sem grandes expectativas, mas nada disso no sentido resignado, é estar lá sim! mas por você! nunca pelo outro, é como esperar por ela na chuva mas não se importar que ela esteja seca! e ser confiante no que sente!as vezes em um relacionamento um entra no trem e o outro fica na estação e esse trem parte levando planos e sonhos mas mesmo assim você esteve lá!

  • Martinha

    Apesar de concordar que somos seres espirituais passando por experiências materiais, quando li os comentários entrei no meu feminino e senti com clareza a necessidade latente de proteção, justamente por ser mãe, ter seres tão pequenos que dependem de mim, e eu não poder ir quando quiser, nem poder dizer pro meu filho: se vira negão que eu vou cuidar da minha vida! O espiritual é livre, mas nosssa experiêcia material não muito. Agente sempre fica na tensão entre o bom ( a alma livre) e o correto ( o corpo moral)(leia a alma imoral de newton bonder). Tenho necessidade sim de alguem que faça a sua parte me ajudando a criar os pimpolhos. Tem cobrança nisso e muito. Quando este não é o caso, (filhos) a cobrança está lá porque a necessidade já está geneticamente programada. Ou eu tenho alguém que estará lá quando a coisa pegar (ter filhos pra alimentar), ou estarei em maus lençois, e acredito que nisso repousa toda cobrança. No homem, talvez, saber que os pimpolhos que ele sustenta são dele mesmo ! Claro que a cobrança só piora tudo, claro que ser livre dá a segurança que faz o outro estar do seu lado, mas é bom saber bem de onde vem a tal cobrança né !

  • Gustavo Gitti (autor)

    hahaha Entendo a relação que você fez, mas não foi o caso dessa vez. ;-)

    Mas eu sempre vou pro buraco. Gosto dessa prática.

  • Maicon

    Bah que texto. Desolador e verdadeiro.

  • Paco

    Gustavo, sou seu fã e leio sempre que possível seus posts.

    Meu comentário segue o mesmo do Wall.
    Gostaria que se possivel, abortasse o que ele disse.

    Abraço e Obrigado.

  • Paco

    Bom, relendo e refletindo mais acho que sua resposta seria alguma prática de meditação. ( O que eu ja comecei a fazer)

    Se for essa, por favor, desconsidere meu pedido. hehe

    Abraço!

  • Paulo

    Bom Dia!

    Gustavo,

    Sobre a Cabana. Como fico sabendo quando for reabrir?
    Faz um tempão que me cadastrei e nunca recebi email sobre abertura!

    Att.

  • Ralfie

    Antes de começar a degustar esse texto, fui logo dando play, porque “I’ll be there for you” e eu, temos uma longa história juntos… Pra mim, é quase que aquelas promessas que fazemos ao início de cada ano, sabe? Tipo, “nesse ano, eu farei isso, isso e isso… Deixarei essas coisas de lado…” Aquelas promessas que geralmente não são cumpridas e mesmo assim, a cada ano que se renova, a gente diz: “Não, agora é sério. Esse ano farei isso…”, num ciclo sem fim!
    De forma muito particular, suas palavras foram como um tapa! Como se eu tivesse te contado uma história sobre como “ele” nunca está presente quando eu preciso, enquanto eu tô lá o tempo inteiro! Em outras palavras, eu sou egoísta, sempre fui egoísta, mas ninguém nunca tinha me dito isso antes – quer dizer, já ouvi isso algumas vezes, mas sempre tive a desculpa de que “EU ESTAVA LÁ, como posso ser egoísta?”… rsrsrs
    Acho que reconhecer o que o outro faz, acaba sendo mais difícil porque a tendência é acharmos que fizemos mais… A expectativa que depositamos nas outras pessoas, parece-me que é superior a que temos para conosco. Entende? Como minha mãe, por exemplo, em uma vez que discutimos ela me tacou nas ventas que sempre que precisei dela, ela estava lá, ao meu lado, me segurando pra eu não cair…. e quando ela precisou, eu fui indiferente! Faze-la entender que não fui indiferente, eu estava com ela, do modo que ela me permetia e do modo como achei válido estar, foi um grande problema! E fazendo essa analogia, senti um pouco de vergonha ao lembrar de algumas brigas com meu namorado onde eu cobrava o mesmo que minha mãe e ele tentava explicar o mesmo que eu… mas claro, no dos outros é refresco e eu não entendi tão fácilmente, isso é, tenho problemas em admitir que de fato eu não entendi o point of view dele! rsrsrs

    Outra coisa que gostei muito, foi a cronologia (se é que posso chamar assim). É bem assim mesmo, no início corremos de encontro ao outro, num determinado tempo, percebemos que devemos correr juntos… e bom, no fim, percebe-se que estamos andando sozinhos!
    Mais uma vez, falo de forma muito pessoal. há algum tempo, estive andando sozinhos – e em certas “manhãs” ainda acontece, quer dizer, em suas palavras, estive no mesmo lugar mas quando olhei no GPS, bum! Estavamos distantes! Por hora, o que salvou foi o reconhecimento de que era reparar erros e seguir, primeiro próximos para enfim conseguirmos andar juntos (mesmo a distancia) de novo! Tem funcionado… As vezes até corremos em direção ao outro… mas a manhã sempre chega… felizmente, como estamos de olhos abertos, ainda é hora de recomeçar! E ai, tudo começa outra vez… até o dia em que não funcionar mais! hahahaha

    De qualquer maneira, “I’ll be there for you” (Bon Jovi), ainda assim, tem seus encantos, vai?!?!

  • daniel

    parei de ler quando chegou em acreditar em uma mentira.

  • Iris

    Descobri seu blog por acaso e achei genial. Achei esse vídeo também por acaso e acho que é uma linda ilustração para muitos de seus textos: http://vimeo.com/14803194

  • Rebeca

    Só queria saber quando a gente realmente percebe que o amor acabou.Eu sei que tem todas essas coisas de distanciamento e tal, porem é difícil reconhecer que a relação terminou sem nenhum motivo aparente. No meu caso, eu ainda sinto carinho, admiração, atração mas eu sinto que falta alguma coisa, será que é amor ? Eu sinceramente não sei …

  • Rebeca

    Ahh, e parabens pelo post Gustavo. Você sempre consegue me fazer pensar depois de ler seus textos, e depois do que escrevi acima, só posso terminar dizendo que é sempre bom saber que existe alguém que estará lá por você.

    Parabens !

  • hazaktuz@hotmail.com

    É muito difícil não cobrar do outro.
    Atualmente estou em um relacionamento em que eu sinto a necessidade de cobrar dela a atenção que deposito, mas descobri uma nova “terapia” que tem me ajudado muito a lidar com isso e tenho obtido resultados progressivos fazendo com que eu me desprenda cada vez mais desse “vício” em ser um ser humano incompleto que busca amparo total na atenção do outro, prática que só gera dor.

    Minha terapia particular consiste em escrever tudo aquilo que eu quero dizer a ela quando me aborreço, escrevo tudo e guardo, mas NÃO MOSTRO PRA ELA, deixo salvo, bem escondido e dessa forma eu me esvazio sem atingir nossa relação. Percebo que o resultado disso é o gradual desprendimento que tenho nela e assim posso aproveitar os momentos que temos juntos de uma forma mais leve, sem pressões.

    Dessa forma eu me resguardo da dor.

  • Thamar

    Gitti, maravilhoso isso!
    Tantos buracos pelo chão…temos que estar de olhos abertos (a tal lucidez) e aprender a se movimentar nesta nova geometria sem usar de estratégias e ferramentas para cobri-los.