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	<title>Não Dois, Não Um: um blog sobre relacionamentos lúcidos</title>
	
	<link>http://nao2nao1.com.br</link>
	<description>Ensaios sobre relacionamentos amorosos. Sexo e filosofia, paixão e espiritualidade. Para homens e mulheres.</description>
	<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 11:38:26 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
			<image><link>http://nao2nao1.com.br/</link><url>http://www.nao2nao1.com.br/img/selo_nao2nao1.gif</url><title>Não dois, não um</title></image><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/nao2nao1" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId>620007</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://www.feedburner.com</feedburner:feedburnerHostname><feedburner:feedFlare href="http://add.my.yahoo.com/rss?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://us.i1.yimg.com/us.yimg.com/i/us/my/addtomyyahoo4.gif">Subscribe with My Yahoo!</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.newsgator.com/ngs/subscriber/subext.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://www.newsgator.com/images/ngsub1.gif">Subscribe with NewsGator</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://feeds.my.aol.com/add.jsp?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://o.aolcdn.com/favorites.my.aol.com/webmaster/ffclient/webroot/locale/en-US/images/myAOLButtonSmall.gif">Subscribe with My AOL</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.rojo.com/add-subscription?resource=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://blog.rojo.com/RojoWideRed.gif">Subscribe with Rojo</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.bloglines.com/sub/http://feeds.feedburner.com/nao2nao1" src="http://www.bloglines.com/images/sub_modern11.gif">Subscribe with Bloglines</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.netvibes.com/subscribe.php?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://www.netvibes.com/img/add2netvibes.gif">Subscribe with Netvibes</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://fusion.google.com/add?feedurl=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://buttons.googlesyndication.com/fusion/add.gif">Subscribe with Google</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.pageflakes.com/subscribe.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2Fnao2nao1" src="http://www.pageflakes.com/ImageFile.ashx?instanceId=Static_4&amp;fileName=ATP_blu_91x17.gif">Subscribe with Pageflakes</feedburner:feedFlare><feedburner:browserFriendly>Assine o blog "Não 2, Não 1" e acompanhe-o em seu leitor de RSS. Obrigado!</feedburner:browserFriendly><item>
		<title>Quem disse que o suor masculino afasta as mulheres?</title>
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		<comments>http://nao2nao1.com.br/quem-disse-que-o-suor-masculino-afasta-as-mulheres-para-homens/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 15:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Capa]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Eu já tinha visto na TV aquele comercial no qual um cara solta jatos de água pelas axilas (aliás, a cena final, na praia, é engraçadíssima!), mas só hoje descobri a campanha online da nova linha de desodorantes AXE Seco. Além de uma suposta loja, há também um site de uma organização ficcional chamada &#8220;S.E.C.O.S anônimos&#8221; (Sociedade de Esclarecimento e Controle sobre o Odor e Suor Anônimo), no qual encontramos&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-319" title="suor" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/10/suor.jpg" alt="" /></p>
<p>Eu já tinha visto na TV aquele comercial no qual <a href="http://www.youtube.com/watch?v=IumBApnm0D0" target="_blank">um cara solta jatos de água pelas axilas</a> (aliás, a cena final, na praia, é engraçadíssima!), mas só hoje descobri a <a href="http://www.drytimeshop.cc/" target="_blank">campanha online da nova linha de desodorantes AXE Seco</a>. Além de uma suposta loja, há também um site de uma organização ficcional chamada &#8220;S.E.C.O.S anônimos&#8221; (Sociedade de Esclarecimento e Controle sobre o Odor e Suor Anônimo), no qual encontramos alguns depoimentos de <a href="http://www.visionando.axe.com.br/2008/10/16/secos-annimos-2.html" target="_blank">&#8220;ex-transpirantes&#8221;</a> e de <a href="http://secosanonimos.org/" target="_blank">casais livres do suor masculino</a>.</p>
<p>Tudo muito engraçado, ok. No entanto, fiquei surpreso com a seguinte frase: <strong>&#8220;Suor afasta as mulheres e você sabe bem disso&#8221;</strong>. Não, AXE, eu não sei disso. Pelo contrário, eu sei bem que o suor sempre foi um fator positivo de sedução. Suor <em>bem</em> suado (depois de dançar junto, por exemplo) libera feromônios, aumenta a conexão e nos descontrai, liberando a rigidez asséptica a qual usualmente nos submetemos.</p>
<h3>Suar junto <em>antes</em> ajuda a suar junto <em>depois</em></h3>
<p>O suor contém androstenidiona (<em>androstadienone</em>, em inglês), uma substância também encontrada na saliva e no sêmen. Veja bem: <strong>na saliva e no sêmen</strong>. Infelizmente, as regras sociais nos impedem de sair por aí trocando saliva e disparando nosso sêmen em qualquer garota linda que aparecer na nossa frente. Mas nada nos impede de trocar suor: &#8220;Ei, dança comigo?&#8221;. Suar junto é um test drive para o amor. Beijo e sexo, saliva e sêmen, seguem naturalmente.</p>
<p>Além disso, <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL4655-5603,00.html" target="_blank">o suor libera feromônios que aumentam a atração feminina</a> e a probabilidade do sexo acontecer. Depois de uma noite a seco, é mais difícil levá-la para cama. Sabemos disso quando o líquido em questão é o álcool, não é? Pois bem, isso vale para o suor também.</p>
<p>Para descobrir por que alguns homens suados a deixavam louca, a cientista Claire         Wyart conduziu um estudo na Universidade da Califórnia em Berkeley e o publicou no<em> Journal of Neuroscience</em> sob o título <a href="http://claire.wyart.googlepages.com/wyart_2007.pdf" target="_blank">&#8220;Smelling a Single Component of Male Sweat Alters Levels of Cortisol in Women&#8221;</a>. As conclusões que importam são: <strong>o suor é afrodisíaco</strong> e seu mero contato com as narinas de uma mulher pode causar mudanças em seu estado hormonal. Nas palavras da cientista em seu artigo, &#8220;smelling androstadienone maintained better mood, higher sexual arousal, and increased physiological arousal&#8221; (cheirar androstenidiona manteve um humor melhor, mais excitação sexual e crescente excitação fisiológica). Ou seja, suor dá tesão.<a href="http://www.ferormonio.com.br/artigos/feromonio-no-suor-do-homem-influi-na-saude-feminina.html" target="_blank"><br />
</a></p>
<h3>O suor masculino faz bem à saúde feminina</h3>
<p>Se o homem sua, é sinal de seu corpo está sendo trabalhado, ainda que seja por nervosismo antes do sexo. E, sem que a mulher faça nada, seu corpo também muda, sua saúde melhora. A segunda conclusão do estudo da Dra. Claire         Wyart foi &#8220;smelling androstadienone maintained elevated cortisol&#8221; (cheirar androstenidiona manteve elevado o nível de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cortisol" target="_blank">cortisol</a>). Ela diz que não sabe se o suor melhorou o humor das mulheres, que afetou o nível de cortisol, ou se ele afetou diretamente o cortisol, que por sua vez melhorou o humor.</p>
<h3>O suor revela o verdadeiro sabor do outro</h3>
<p>Nossa cultura preza por perfumes e fragrâncias, nos transformando em meros transmissores de odores sintetizados, com códigos de barra, produzidos em lote. Descobrir o real cheiro do outro, atrás de perfumes e cremes, apenas durante o sexo é muito pouco! Pelo suor, sabemos de antemão o gosto da boca do outro, seu verdadeiro cheiro, seu sabor. Pelo suor, vemos o que no outro é só dele.</p>
<p>Aqueles cremes da <em>Victoria&#8217;s Secret</em> são deliciosos&#8230; Eu sei de longe quando uma mulher o passou. Algumas tomam minha pergunta &#8220;Você está com morango e champagne da Victoria&#8217;s Secret, não está?&#8221; quase como uma invasão ao momento em que ela estava nua se lambuzando. ;-) No entanto, cremes assim são iguais em qualquer mulher. Nosso cheiro autêntico é como nosso rosto ou nosso DNA: só tem um no mundo.</p>
<h3>O suor é transgressor</h3>
<p>Eu adoro beijar, cheirar, tocar e lamber mulheres suadas. Às vezes, depois do trabalho a mulher quer tomar um banho antes de começar a brincadeira. Eis um ótimo momento para desrespeitá-la. É como dizer: &#8220;Venha como você é, sem enfeites, sem tentar parecer melhor&#8221;. Melhor do que falar ou pensar isso, é fazer isso com o corpo. Nem sempre os odores encontrados são os melhores do mundo, mas qualquer homem digno está preocupado em proporcionar prazer, além de qualquer postura mimada que só sabe buscar conforto.</p>
<p>Depois do sexo, ficamos ensopados, mas entregues. Rompemos com as leis e bons costumes. Ignoramos a exatidão da ciência que produziu antitranspirantes, <strong>violamos a cultura da higiene</strong>, não tememos as secreções, rompemos com qualquer assepsia. Aceitar o suor é dizer &#8220;Sim&#8221; a tudo o que vem do corpo – o primeiro passo para um sexo irrestrito, sem limites.</p>
<p>Para quem costumar dizer que sente nojo, deixo um pouco de Caio Fernando de Abreu (negritos meus):</p>
<blockquote><p>&#8220;Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente <strong>a palavra nojo não tem mais sentido</strong>. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a <strong>coragem de ser bicho</strong>. Se amor for a coragem da própria <strong>merda</strong>.&#8221;</p></blockquote>
<h3>Para suar bem&#8230;</h3>
<p>Não basta suar de qualquer jeito, caso contrário vamos continuar exalando odores que não são nossos, que são industrializados, distorcidos, doentes. Para suar bem, tome muita água, mantenha uma alimentação saudável, pratique alguma atividade física, passe pouco perfume e ejacule poucas vezes (considero mais do que duas vezes por semana algo excessivo, que nos tira a energia), mesmo que faça sexo quase diariamente.</p>
<p>Para a conquista, porém, o essencial <strong>é suar junto com o outro</strong>. É o que diferencia uma hora de futebol e uma hora de salsa. Misturar os cheiros e sabores nos conecta em um nível impossível de se chegar com a mente. Nosso exterior se abre e leva nosso interior. Transparência de almas é também ausência de separação entre cheiros: quando não sabemos onde nosso corpo acaba e o do outro começa, quando nossos perfumes são não dois, não um.</p>
<p>A seco é melhor? Não. As coisas mais prazerosas não se fazem a seco, mas com água, saliva, suor, álcool, gelo e KY. Antitranspirante? Não. Transpire, meu caro, transpire. As mulheres agradecem.</p>
<p><a href="http://www.desafiolg.com.br/participe.aspx" target="_blank"><img class="alignleft" style="float: left;" src="http://www.interney.net/blogs/media/blogs/lnk-ian/lg_notebook_header.jpg" alt="" width="131" height="96" /></a><em>P.S.: <strong>Quer ganhar um notebook LG? </strong>Meu amigo <a href="http://www.interney.net/blogs/enloucrescendo/2008/11/16/promocao_lg_notebook/" target="_blank">Ian Black</a> precisa da sua ajuda. Para isso, basta acessar o site <strong><a title="Desafio LG" href="http://www.desafiolg.com.br/participe.aspx" target="_blank">Desafio LG</a></strong>, bolar uma frase legal e votar no blog dele (www.enloucrescendo.com). Com isso você também poderá ganhar um notebook! </em></p>

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		<item>
		<title>Espontaneidade primordial: diante de tudo, só nos resta gargalhar</title>
		<link>http://feeds.feedburner.com/~r/nao2nao1/~3/450679461/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/espontaneidade-primordial-diante-de-tudo-so-nos-resta-gargalhar-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 09:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>

		<category><![CDATA[dança]]></category>

		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>&#8220;Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar&#8221;
–Longchenpa, mestre budista do séc. XIV</p>
<p>Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: &#8220;Ele tem de ser espontâneo&#8221;. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-322" title="bebe_rindo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/11/bebe_rindo.jpg" alt="" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Já que todos os fenômenos<br />
são apenas espectros,<br />
perfeitos sendo apenas o que de fato são,<br />
sem qualquer inclinação para bem ou mal,<br />
aceitação ou rejeição,<br />
podemos realmente gargalhar&#8221;<br />
–<strong><a title="Longchenpa, Budismo" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Longchenpa" target="_blank">Longchenpa</a></strong>, mestre budista do séc. XIV</p></blockquote>
<p>Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: &#8220;Ele tem de ser espontâneo&#8221;. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os mestres são unânimes: &#8220;Espontaneidade&#8221;.</p>
<p>Veja o vídeo abaixo. Será que ficaremos assim quando descobrirmos espacialidade, luminosidade e ludicidade em qualquer fenômeno?</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cXXm696UbKY&amp;rel=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/cXXm696UbKY&amp;rel=1" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p>Espontaneidade, quando em vida adulta, é sinal de algum grave problema – não ter filtro social, por exemplo, e sair andando nu pela rua – ou de muita sabedoria. Aliás, no Budismo, o tipo mais sofisticado de ação sábia e compassiva tem um nome: <em>crazy wisdom</em> (<strong>louca sabedoria</strong>). Em tibetano, a expressão é <em>yeshe chölwa</em>, sendo que <em>yeshe</em> significa sabedoria e <em>chölwa</em> seria algo como insano, &#8220;<em>gone wild</em>&#8221; em inglês ou, mais especificamente, sem ponto de referência.</p>
<p>A idéia de viver sem ponto de referência pode significar se mover sem referência alguma. Neste caso, recomenda-se medicamentos e terapia, claro. A mesma idéia também pode significar, por outro lado, viver com a capacidade de transitar entre incontáveis referências, sem fixação por nenhuma delas. A liberdade é a condição de possibilidade da autêntica espontaneidade. <a href="http://www.shambhala.org/teachers/chogyam-trungpa.php" target="_blank">Chögyam Trungpa Rinpoche</a>, mestre de <a href="http://www.shambhala.org/teachers/pema/" target="_blank">Pema Chödrön</a> (atualmente mais conhecida que ele aqui no Brasil), foi o grande propagador dessa abordagem.</p>
<p>Não precisamos de muito esforço para experimentar vislumbres disso. Depois de pouco tempo de <strong>meditação</strong>, nossa percepção sensorial fica bem mais aguçada. Estou falando de cores, cheiros e texturas, afinal não me interesso por nada extra-sensorial. Cada fenômeno surge de modo mais nítido, límpido. As coisas ficam vivas e coloridas, como se fosse a primeira vez.  De fato, todas as coisas surgem dessa espontaneidade primordial a todo momento. Somos nós que embaçamos e descolorimos tudo com nossos monólogos internos e padrões de reação condicionada.</p>
<p>A <strong>arte zen</strong> é um dos mais claros exemplos de como a espontaneidade pode ser cultivada pelo abandono de nossas identidades e certezas. Todas trabalham com isso à sua maneira: arranjo floral, cerimônia do chá, teatro, pintura, técnicas marciais, caligrafia, poesia. Quem nunca se comoveu com as três simples frases de um haikai? <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Matsuo_Basho" target="_blank">Matsuo Bashô</a> foi o grande mestre nessa arte. Seu haikai mais famoso é (em uma de suas infinitas traduções):</p>
<p><em>Olha o velho lago –<br />
Após o salto da rã<br />
O barulho da água.</em></p>
<p>É possível encontrar várias histórias que descrevem em detalhes como um tapa na cara ou um gotejar do telhado fazem surgir a iluminação derradeira em um meditante. Naquele simples momento, toda a estrutura do real é instantaneamente desvelada e o resultado disso é uma enorme gargalhada. É como se nosso casamento de 20 anos fosse precisamente igual a um carro que passa buzinando na rua enquanto meditamos. O som surge do nada, vive por um tempo e logo cessa. Quando realmente estamos abertos, isso é um milagre! Todos os fenômenos são iguais à cena descrita por Bashô: tchibum, zapt, ploft.</p>
<p><!--adsensestart-->Um outro grande exemplo de homem espontâneo é <strong>Alberto Caeiro</strong>, o mais famoso heterônimo de Fernando Pessoa. Sua poesia é uma celebração da presença lúdica no mundo, aberta ao frescor dos eventos, à &#8220;eterna novidade do mundo&#8221;. Ser espontâneo é justamente isso: ser &#8220;nascido a cada momento&#8221;, como ensina Caeiro.</p>
<p>Deixamos cair conceitos e estratégias, deixamos de tentar controlar, ser alguém ou atingir algo. Abrimo-nos ao mundo, sem armas, sem defesas. Desse modo, como não há estratégias por trás, quando surgir uma ação, ela brotará da mesma base que dá luz a cada átomo do universo. As mulheres estão certas: uma noite de amor que não nascer disso, bem, não vale a pena nem começar.</p>
<p>Podemos olhar agora para toda a nossa vida. Acontecimentos, pessoas, histórias, momentos. Por toda parte, <strong>não há nada que seja diferente do papel cortado pelo bebê no vídeo</strong>. Só que, em vez de gargalhada, surge medo, dor, ansiedade. Ao mesmo tempo, o simples fato de sorrirmos junto com o bebê acima já prova que possuímos essa mesma espontaneidade primordial dentro de nós. Nascemos dela e, sem saber, somos por ela alimentados a cada segundo.</p>
<p>Uma das primeiras descobertas de quem começa a meditar é a de que os fenômenos não são tecidos de modo causal – um levando ao outro, um em cima do outro. Eles pulam diretamente de uma base ampla e livre, um a um, como se fossem (e são) autônomos. Se assim não fosse, a ação livre seria impossível: depois de uma traição, como não sentir raiva e impulso de vingança? Encontrar e surgir a todo instante desse espaço básico, sem agir a partir de coerências passadas, é o nosso desafio para vermos papéis cortados em todas as direções.</p>
<p>Dinheiro, emprego, problemas, crises e amores. É tudo <em>nonsense</em>, é tudo sonho, mistério e diversão. Já é hora, pois, de pegarmos a vida com as mãos e brincarmos sem esconder as gargalhadas.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<ul>
<li><a href="http://nao2nao1.com.br/liberdade-profundidade-e-presenca-para-homens-parte-3/" target="_blank">Liberdade, profundidade e presença - Parte 3 (para homens)</a></li>
<li><a href="http://nao2nao1.com.br/meditacao-um-guia-para-homens-ceticos-como-voce-e-eu/" target="_blank">Meditação: um guia para homens céticos como você e eu </a></li>
</ul>
<p><em>* Dedicado ao <a href="http://www.flickr.com/photos/gustavodrums/1594173230/" target="_blank">meu irmão</a>.</em></p>

<p><a href="http://feeds.feedburner.com/~a/nao2nao1?a=J5tbqc"><img src="http://feeds.feedburner.com/~a/nao2nao1?i=J5tbqc" border="0"></img></a></p><div class="feedflare">
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		<item>
		<title>Meu corpo sobre a beleza (ou breve ensaio sobre a estética nos relacionamentos) - Parte 2</title>
		<link>http://feeds.feedburner.com/~r/nao2nao1/~3/434673724/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-beleza-ou-breve-ensaio-sobre-a-estetica-nos-relacionamentos-parte-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 12:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>

		<category><![CDATA[Filosofia com corpo]]></category>

		<category><![CDATA[corpo]]></category>

		<category><![CDATA[dor]]></category>

		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>

		<category><![CDATA[generosidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=311</guid>
		<description><![CDATA[<p>Continuação da primeira parte, na qual critiquei a supremacia da visão na estética dos relacionamentos.</p>
<p>E se, em vez de pensar ou teorizar, deitássemos nosso corpo sobre a beleza e os cinco sentidos? Além de reflexão ou idéia, como seria esse toque? Melhor do que uma abordagem intelectual, que tal uma encoxada na estética dos relacionamentos?</p>
<p></p>
O mito da beleza interior
<p>“O mais profundo é a pele”
–Paul Valéry</p>
<p>Na adolescência, me orgulhava&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuação da <a href="http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-beleza-ou-breve-ensaio-sobre-a-estetica-nos-relacionamentos-parte-1/" target="_blank">primeira parte</a>, na qual critiquei a supremacia da visão na estética dos relacionamentos.</p>
<p><em>E se, em vez de pensar ou teorizar, <a href="http://nao2nao1.com.br/category/filosofia-com-corpo/" target="_blank">deitássemos nosso corpo</a> sobre a beleza e os cinco sentidos? Além de reflexão ou idéia, como seria esse toque? Melhor do que uma abordagem intelectual, que tal uma encoxada na estética dos relacionamentos?</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-312" title="olhos_fechados2" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/10/olhos_fechados2.jpg" alt="Olhos fechados" /></p>
<h1>O mito da beleza interior</h1>
<blockquote><p>“O mais profundo é a pele”<br />
–Paul Valéry</p></blockquote>
<p>Na adolescência, me orgulhava por dissociar beleza interna e beleza externa. Eu pensava que poderia ter nascido com qualquer rosto, que minha mente era uma coisa separada e que estava acoplada ao meu corpo por puro acaso. Eu mal prestava atenção à minha corporalidade e, por efeito, olhava os outros como <em>tendo</em> um corpo, não como <em>sendo</em> um corpo. Eu não me sentia um corpo e por isso buscava abstrações e sentimentos etéreos nos outros. &#8220;Beleza interior&#8221; era um tema recorrente, principalmente nas minhas tentativas de conquista. Nada melhor do que valorizar a beleza interior diante de uma menina absurdamente linda, não é mesmo?<!--adsensestart--></p>
<p>Depois de muito tempo, paralelamente ao meu retorno ao corpo por meio da polirritmia, um insight veio à tona: <strong>beleza é sempre exterior</strong>. Não, eu não poderia ter outra face, outra voz ou outro jeito de andar. À medida que mudo, minha voz muda, meus traços se alteram, meus trejeitos manifestam minha mente. Experimente olhar para qualquer pessoa e perguntar: &#8220;Ela poderia ter outra voz que não essa? Outra cara que não essa?&#8221;. Quanto mais conhecemos alguém, mais respondemos com um objetivo &#8220;Não&#8221;.</p>
<p>Ainda que a beleza provenha de qualidades subjetivas, tal interior não só é exterior a nós como se exterioza no corpo do outro em gestos, palavras, faces e olhares. Dada uma certa configuração cognitiva e emocional (um mundo interior), não é qualquer corpo que vai surgir. É como se não houvesse sequer uma união entre corpo e mente, como se de fato nunca tivesse existido separação alguma. Um só ser que se expressa e com o qual nos relacionamos em diferentes linguagens: sons da voz, redes de pensamentos, fluxos emocionais, toques da pele, luminescências da imagem. Corpo e mente não são duas substâncias e tampouco uma. Não dois, não um.</p>
<p>Eis a razão para a completa integração dos cinco sentidos, como se eles fossem um só órgão perceptivo que usasse várias membranas para captar diferentes camadas de estímulos e vibrações: ouvido para som, olhos para luz e assim por diante. O filósofo Maurice Merleau-Ponty, que estudou detalhadamente o fênomeno da percepção, afirmou: &#8220;Nenhuma experiência humana se limita a um dos cinco sentidos. Os sentidos se decifram uns aos outros&#8221;.</p>
<p>Em nosso cotidiano, não vemos o corpo com atenção. Ignoramos a corporeidade e ultrapassamos a pele, o que é fácil. Bundas perfeitas, ombros delineados, costas que atestam virilidade, bocas que nos provocam&#8230; Cada parte do corpo é vista tal qual um objeto inerte, como se a alma estivesse em outro lugar. Mais ainda, cada parte do corpo nos leva para fora, para nosso desejo ou para a investigação da mente ali escondida: &#8220;Quem é ele?&#8221;. Justamente devido a esse equívoco, perdemos acesso ao próprio corpo e ganhamos apenas superfícies artificiais em nosso campo sensorial. Não haverá diferença entre a bunda da revista e aquela da mulher na nossa frente enquanto buscarmos pela alma em outro lugar, enquanto pensarmos que o espírito está escondido.</p>
<p><strong>Ficar no nível da pele é que é raro. </strong>Não precisar tirar os olhos das pernas para ver a alma. Lembrar, a cada instante, que uma pessoa não tem um corpo, <em>é</em> um corpo; que a mente não fica dentro da cabeça, mas na barriga, no pescoço, mãos e tornozelos. Saber que todos estamos nus, completamente acessíveis o tempo todo. Criar relações com os poros, sem precisar ir para outro lugar. Ver a face do outro como necessária, não contingente (&#8221;não poderia ser de outro modo&#8221;), faz com que comecemos a amá-la, assim como ficamos felizes quando percebemos que nosso passado não poderia ter sido diferente, caso contrário não seríamos o que somos – experiência que Nietzsche chamou de <a href="http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-o-arrependimento/" target="_blank"><em>amor fati</em></a>.</p>
<p>Aquele que é considerado &#8220;feio&#8221; muitas vezes toma como refúgio a noção de beleza interior sem saber que ela é uma armadilha que consolida e toma como natural sua suposta falta de beleza. Ora, nada falta ao cego pois é de sua natureza não ter olhos! O feio assim nos parece porque estamos procurando algo que não é dele, como se tentássemos, sem sucesso, projetar nossos desejos de beleza em seu rosto, quando deveríamos apenas olhar e receber o que ele tem a oferecer.</p>
<p>As conexões humanas acontecem de acordo com nossos condicionamentos: alguns seres causam aversão em uns e apego em outros. Aquele que nos parece horroroso é desejado por outra pessoa. Um homem aborígene não é nojento em si mesmo pois se o fosse não seria procurado por uma mulher de sua comunidade para uma noite de sexo.</p>
<p>Sem a noção de beleza interior, a natural beleza de todas as aparências é revelada. A profunda alma do mundo está na superfície: tudo é luminoso, nítido, vivo.</p>
<h1>A estética como cura da anestesia</h1>
<blockquote><p>&#8220;Nothing can cure the soul but the senses&#8221;<br />
–Oscar Wilde</p></blockquote>
<p>Em uma palestra sobre a percepção estética e sobre como nos relacionamos com as obras de arte, o crítico e professor Jorge Coli falou sobre <strong><em>écfrase</em></strong>, a atitude de &#8220;deixar a obra de arte falar&#8221;, enxergá-la e descrevê-la como ela surge, sem significações adicionais, opiniões ou o clássico &#8220;gosto / não gosto&#8221;. Segundo ele, com essa prática, a obra nos revela muito mais do que poderíamos suspeitar a princípio, e transborda significados muito mais profundos do que aqueles que rapidamente nela projetaríamos. Em vez de entrar para nossa coleção de objetos, encaixotada em nosso espaço interior, a obra de arte <em>abre</em> nosso corpo, expande nosso mundo.</p>
<p>Cada vez que Jorge Coli pronunciava &#8220;obra de arte&#8221;, eu ouvia &#8220;pessoa&#8221; (confesso que a palavra exata era &#8220;mulher&#8221;) e imaginava como seria uma relação de écfrase mútua. Na verdade, isso é bastante simples. Por generosidade, chegamos ao outro e dizemos: &#8220;Não vou sair daqui nas próximas horas, me mostre seu melhor&#8221;. Porque essa frase nunca de fato sai em palavras, ela não tem a pressão que aparenta carregar. Qualquer pessoa adora quando tem espaço para se mostrar, para exercitar suas qualidades, jogar seu charme, ter sua beleza admirada. O outro quer ser usufruído, quer se oferecer inteiro.</p>
<p>O que deixa bonita e irresistível cada parte do corpo do outro não são apenas seus próprios traços ou seu entorno, mas <strong>o modo como ela se oferece a nós</strong>. A boca, bonita nela mesma, fica ainda mais bonita se vista em relação ao queixo, nariz, bochechas, pescoço e os fios de cabelo que invadem os lábios; e totalmente bela quando pede por nosso toque, se abre e chama nossa própria boca.</p>
<p>Para liberar a beleza do outro, não basta saber olhar, ouvir, cheirar, tocar ou lamber. É preciso abrir espaço e convidá-lo a se oferecer a nós. Você se lembra da felicidade e do prazer que sentiu quando enfim conseguiu soltar suas qualidades diante de alguém? Ora, quer presente melhor do que deixar seu parceiro sentir o mesmo? Muito melhor do que oferecer é possibilitar o espaço para que o outro ofereça. Eis a generosidade insuperável: deixar que o outro seja generoso. Desse modo, ainda que ambos recebam, o foco, a energia e a felicidade estão em <a href="http://nao2nao1.com.br/oferecer-para-homens/" target="_blank">oferecer</a>.</p>
<p>Na verdade, o que acontece por trás da generosidade é um processo de abertura e descentramento. Quando o foco está em receber, ironicamente nosso corpo se fecha e continuamos insatisfeitos – nunca conseguimos receber o suficiente. Onde não há generosidade, brota carência. No corpo que se fecha, as experiências dos cinco sentidos se empalidecem. Anestesiados, somos capazes até de matar pois quando não sentimos aumentamos o contato com o outro até o machucarmos. Por não vivenciarmos dor em nosso corpo, causamos dor aos outros.</p>
<p>O sintoma mais comum de um casal em crise é a <strong>anestesia mútua</strong>. Cada parceiro se torna incapaz de realmente se abrir e sentir o outro. Além disso, fica quase impossível olhar o outro em traços puros, sem que cada gesto ou olhar nos remeta a incontáveis lembranças e sensações aflitivas. A ausência de écfrase é inseparável do esquecimento da generosidade: perdemos a disposição em dar crédito, dar tempo, dar espaço, dar respeito, dar nascimento ao outro. Na falta de generosidade, nenhuma beleza é possível. Aquele ser bonito que nos atraía se transforma em um monstro que agora nos causa nojo e aversão.</p>
<p>Sem que precisemos analisar e reconfigurar o conteúdo da crise, sem resolver os vários problemas que causaram a apatia, podemos atacar diretamente a anestesia. Em vez de pensar ou conversar (como pode existir diálogo sem abertura?), usamos o corpo. Anestesia é falta de estesia. Simples assim. No entanto, o que sentiria um corpo doente se lhe retirassem os anestésicos? O maior impedimento à abertura é o fato de que ela inicialmente será uma <strong>abertura à dor</strong>. Fruir uma obra de arte é fácil, mas ninguém quer ter uma sensação estética da dor. Por isso, à medida que a crise piora, aumentamos a dose de morfina, sem saber que estamos nos distanciando ainda mais da solução.</p>
<p>Sofrer, contudo, não libera o sofrimento. Vamos sentir nossa própria dor apenas para que possamos sentir a dor do outro. De fato, elas são uma e mesma coisa. Ao focar em como liberar a dor do outro, já estamos operando com generosidade. Já estamos abertos e alegres pelas pequenas alegrias que causamos. Com esse espaço, ele novamente solta suas qualidades, seu charme. Não é por acaso que o outro volta a ficar bonito e a nos atrair. Generosidade dá tesão&#8230; Ignoramos as demandas de nosso autocentramento e simplesmente nos abrimos. Caso contrário, vamos perder muito tempo pedindo e buscando por aquilo que nossa contração nos faz desejar. Muito mais fácil se conseguirmos dissolver o autocentramento, raiz de nossos problemas.</p>
<p>E então, durante a crise, sem respeitar regras e coerências, empurramos o outro para baixo do chuveiro. Em meio a brigas constantes, desânimo e intolerância, nenhum dos dois toparia tomar banho juntos, assim, do nada. Mas nosso corpo, por mais que relute, deseja o toque. Com a água correndo, deixamos que a mão, não a mente, faça o trabalho. E confiamos na sabedoria natural do outro corpo para expor sua dor. De novo, o mesmo processo: ele vai soltar o que tiver e nós abraçamos o que vier. Até que a dor cesse e ele siga oferecendo sua arte, que é o que sabemos fazer melhor.</p>

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		<title>Declarações de amor: 10 sugestões para você surpreendê-la(o)</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 10:08:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Meios hábeis]]></category>

		<category><![CDATA[Para homens]]></category>

		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>

		<category><![CDATA[amor]]></category>

		<category><![CDATA[paixão]]></category>

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Jantar em silêncio, love-audiotour pela cidade, dança de salão às escondidas, pedido de casamento no meio da Av. Paulista… Saiba tudo o que a Maria Claire nunca contou para você!</p>
<p>O que faz um bom presente ou uma boa declaração é uma mistura de personalização (quanto mais único, melhor), poesia (tem de significar algo além de si mesmo) e inserção na vida da pessoa amada (realização de um desejo antigo, por&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/tomazela/62020994/"><img class="alignnone size-full wp-image-316" title="Avenida Paulista" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/10/avenida_paulista.jpg" alt="" /></a><br />
<em>Jantar em silêncio, love-audiotour pela cidade, dança de salão às escondidas, pedido de casamento no meio da Av. Paulista… Saiba tudo o que a Maria Claire nunca contou para você!</em><!--adsensestart--></p>
<p>O que faz um bom presente ou uma boa declaração é uma mistura de personalização (quanto mais único, melhor), poesia (tem de significar algo além de si mesmo) e inserção na vida da pessoa amada (realização de um desejo antigo, por exemplo). Além disso, se a declaração levar algum tempo e fizer com que você se transforme no processo, aí sim o outro transbordará de felicidade.</p>
<p>Listo abaixo algumas sugestões que contemplam um ou mais desses quatro itens: <strong>personalização, poesia, inserção e transformação</strong>. Algumas já fiz, outras ainda não. As sugestões se adequam a homens e mulheres. Para facilitar, porém, direcionei minha linguagem ao público masculino.</p>
<p>Deixem suas sugestões nos comentários para enriquecer essa lista!</p>
<h3>1. Jantar em silêncio</h3>
<p>Conduza-a por um jantar em silêncio repleto de respirações, olhares e toques. Não faça em casa: o ideal é que seja em público, em um restaurante mesmo. Leve um bloco de notas para que vocês se divirtam com bilhetinhos entre si. Ficará ainda mais gostoso se vocês não pronunciarem nenhum som e usarem bilhetinhos até mesmo com o garçom. Não tenham medo do (inevitável) ridículo. E leve a brincadeira a sério, caso contrário a vergonha dela será maior do que a diversão. Ah, <a href="http://nao2nao1.com.br/meio-habil-03-o-jogo-do-encontro/" target="_blank">você pode ousar até mesmo no simples ato de marcar o encontro&#8230;</a></p>
<h3>2. Audiotour pela cidade</h3>
<p>Fiquei fascinado com <a href="http://mostrasesc.wordpress.com/2007/11/28/ganhe-as-ruas-gregorio/" target="_blank">esse projeto da Mostra SESC de Artes de 2007</a>. Um percurso de uma hora no qual as pessoas são guiadas por um MP3 Player e caminham por vários locais da cidade em busca da resolução de um mistério policial. Por que não fazer isso com sua mulher?</p>
<p>Escolha um local, vá até lá para se certificar, volte, abra o Google Maps e use o <a href="http://audacity.sourceforge.net/" target="_blank">Audacity</a> para gravar as orientações. Você pode deixar algum presente escondido debaixo do banco de uma igreja, fazer o percurso acabar em um restaurante com você dentro, em um motel ou em uma loja na qual todas as atendentes já estão avisadas: &#8220;Olha, eu deixo pago e ela compra o que ela quiser dentro desse valor, pode ser?&#8221;.</p>
<h3>3. Blog secreto</h3>
<p>Use os serviços gratuitos do <a href="http://wordpress.com/" target="_blank">Wordpress</a> ou do <a href="http://www.blogger.com/" target="_blank">Blogger</a> para criar um blog privado (em ambos, há a opção de não deixá-lo público) e comece a escrever com bastante freqüência sobre sua relação com ela. Relate sensações, percepções e pensamentos que não contou na hora. Descreva em detalhes a noite passada. Escreva para você mesmo, para ela, para o mundo. Alterne discursos com a idéia de que ela acessará o blog depois de algum tempo – é isso que difere essa sugestão de <a title="Crie um blog para ela" href="http://nao2nao1.com.br/meio-habil-01-crie-um-blog-para-elae/" target="_blank">uma outra mais simples</a> que descrevi há algum tempo.</p>
<p>A declaração pode durar um mês ou um ano, você decide. Já imaginou um presente assim de 10 anos? É claro que você corre o risco de levar um pé na bunda antes de revelar o blog&#8230; Ainda assim, você terá treinado um amor desprendido de expectativas, que se declara sem sequer precisar que o outro nos ouça.</p>
<h3>4. Dança de salão às escondidas</h3>
<p>Essa é simples: sem que ela saiba, matricule-se em um curso de dança de salão. Diga que seu chefe inventou reuniões semanais ou simule qualquer situação do tipo. Para acelerar seu aprendizado, escolha apenas um ritmo. Salsa e gafieira são ótimas pedidas. Tango já será mais complicado se sua mulher não tiver experiência alguma. Depois de uns 6 meses, vá com ela a um lugar que toca o que você já sabe e convide-a para dançar.</p>
<p>Atenção: <em>essa sugestão não é recomendada para mulheres!</em> É muito provável que o homem sinta-se constransgido por não conseguir acompanhar e ainda por cima fique nervoso ao saber que sua mulher ficou esse tempo todo dançando com outros. Parece machista, mas é muito mais fácil uma mulher inexperiente ser conduzida por um bom cavalheiro do que um homem iniciante dançar com uma dama treinada.</p>
<h3>5. Os dias da semana</h3>
<p>Um presente para cada dia da semana. Na segunda, ela desfrutará de um, na terça de outro, e assim por diante. Quinta-feira pode ser um livro de poesia, sexta-feira uma calcinha quase transparente, sábado um sabonete de menta&#8230; O presente é menos importante do que a idéia de acompanhá-la em seu cotidiano, expandindo sua presença na vida de sua parceira.</p>
<h3>6. Transformação</h3>
<p>Pare de fumar, coma menos, faça musculação, abandone a raiva ou o orgulho, medite, aprenda alguma coisa, desaprenda várias outras&#8230; Transforme-se para ela, deixe que sua vida se torne um presente a ser lentamente degustado por sua mulher. Porque presente bom não se dá, se oferece.</p>
<p>Para conseguir tais transformações, use toda aquela energia e potência que surgia bem no início da relação, quando você queria sexo e fazia de tudo para levá-la para a cama, lembra? Você passava dias inteiros planejando noites inesquecíveis, se vestia bem, comprava presentes, dirigia por horas seguidas, abria portas, perguntava &#8220;Está frio demais aqui dentro?&#8221;, e tudo aquilo que um homem presente e atento faz. A potência que deseja sexo é a mesma que deseja amar. E amar é isso: agir a favor da felicidade do outro.</p>
<h3>7. Agenda</h3>
<p>Compre uma agenda e a preencha inteira, dia após dia, com anotações, declarações, lembranças (&#8221;Nesse dia, há dois anos, nós fizemos&#8230;&#8221;), coisas que você quer fazer com ela em tal dia, conduções (&#8221;Ouça agora essa música&#8230;&#8221;), loucuras, propostas e insights. No início de janeiro, entregue e peça que ela use como uma agenda convencional e também como uma forma de dialogar com seus escritos.</p>
<h3>8. Album erótico</h3>
<p>O processo, não o resultado, é a melhor parte dessa declaração. É gostoso pedir as poses, olhar, fotografar, beijar, deixar a câmera cair, editar, imprimir, montar, entregar&#8230; Tire fotos de ângulos improváveis, use o Photoshop e faça surgir uma mulher que nem você conhece. A nudez é opcional. Você pode mostrar para ela enquanto edita ou somente ao final. Você pode pedir para que ela faça poses ou pode fazer tudo em absoluto segredo (enquanto ela dorme, por exemplo).</p>
<h3>9. Mestre-cuca</h3>
<p>Assim como o curso de dança de salão proporciona uma noite de giros e pernadas, um curso de culinária pode promover alguns jantares deliciosos. Escolha o tipo e se matricule: tailandesa, japonesa, árabe, francesa&#8230; Tudo em segredo para a grande surpresa, claro.</p>
<h3>10. Outra luz na Avenida Paulista</h3>
<p>É uma pena que não consegui fazer essa declaração! Preparei tudo, escrevi, planejei&#8230; Mas sabe quando a temperatura muda abruptamente? No dia escolhido, a logística não permitiu; no seguinte, já não havia mais espaço. Com declarações, o momento é talvez o mais importante de todos os fatores. Uma mesma ação pode causar prazer ou desconforto, dependendo da temperatura da relação.</p>
<p>A idéia é usar um vasto espaço público significativo para o casal e fazer dele um ambiente imersivo para o amor. Escreva um texto e divida-o em vários cartazes (poucas palavras por cartaz e reticências). Vá ao local no fim da tarde. Leve algum tipo de cola ou fita adesiva. Planeje um percurso e saia colando cartazes em locais protegidos e estratégicos. Marque de encontrá-la em algum lugar perto do início do percurso (após o pôr-do-Sol), invente algum programa que justifique uma caminhada e conduza-a pelos cartazes usando uma lanterna. Peça a ela silêncio e vá lentamente focando cada um dos cartazes. No fim, você pode deixar as últimas palavras por baixo da sua camiseta (e apontar a lanterna para si próprio) ou simplesmente apontar para o céu – depende do texto, dos caminhos do seu amor por ela.</p>
<p>Eu escolheria a Avenida Paulista e deixaria também alguns cartazes perdidos em arbustos ou dentro de alguns locais (prateleiras ou bancos na livraria Cultura, por exemplo). Seria sábado à noite, com muito movimento e vida ao redor. Como perdi minha chance, ofereço a idéia para que outros possam fazê-lo. O que importa não é quem faz, o que importa é a abertura impessoal que brota disso.</p>
<p>Para quem quiser <strong>pedir em casamento</strong>, há um outro fim para essa declaração. Converse com umas 20 pessoas (estranhos, se tiver coragem e dinheiro, ou amigos) e peça para que elas fiquem no final do percurso com cartazes em mãos, todos com a mesma pergunta: &#8220;Quer casar comigo?&#8221;. Eles serão a sua voz, uma expansão de seu corpo. Após a caminhada com o texto preparatório, você chega com sua mulher e dá um sinal: todos se agrupam de repente e mostram os cartazes. Serão 20 &#8220;Quer casar comigo?&#8221; direcionados a ela! Aí basta se ajoelhar, tirar a aliança do bolso e&#8230;</p>

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