Feast of Love: homens buscam liberdade, mulheres querem amor

por Gustavo Gitti 11 outubro 2007 15 comentários

Feast of Love

“There is a story about the Greek Gods. They were bored so they invented human beings, but they were still bored so they invented love, then they weren’t bored any longer. So they decided to try love for themselves. And finally, they invented laughter, so they could stand it.” (trecho do filme)

No Papo de Homem, estava vendo um vídeo de Dan Osman escalando em 265 segundos (e sem cordas!) uma montanha que normalmente leva 4 horas até o topo. Lembrei de David Deida dizendo que homens são loucos por esportes, carros, guerra, filosofia, dinheiro, sexo e cerveja, porque essencialmente buscam por liberdade. Esse é Dan Osman. Uma vida normal com uma mulher e um filho não foram suficientes. Ele precisava transcender a morte, atingir a liberação, ir além de si mesmo.

Nas palavras geniais de Deida:

“Men prefer nothing to something. To them, zoning out in the ‘nothing’ of TV is often more refreshing than emotional conversation and sharing. Women prefer something to nothing. They prefer a shelf full of trinkets – dried flowers, collectibles, photos, seashells – to one that is empty. They want to be filled by sexual love more than emptied of desire.”

Precisa comentar? ;-)

Se o homem não consegue um caminho vivido no limite, enfrentando a morte e superando seus obstáculos, então sua ânsia por liberdade acaba se satisfazendo com jogos de futebol e vídeos do Dan Osman. Já que ele não consegue, então que sejam outros os heróis. Se a mulher não consegue se preencher com amor e inundar sua vida de poesia, só lhe restam novelas, fofocas e restos de sorvete de chocolate.

Um homem pode estar com seu casamento quase acabado, mas estará bem se estiver se desenvolvendo rumo a níveis mais profundos de liberdade. Por outro lado, um ser feminino (não me refiro a toda e qualquer mulher, claro), ainda que atinja sucesso profissional, ficará incompleta sem amor percorrendo suas relações, vindo de onde for: amizades, família, homens, natureza, artes.

Temos, cada um de nós, ambas as essências feminina e masculina. Ora buscamos por liberdade, ora desejamos amor. Eu, por exemplo, passei o ano passado inteiro focando apenas meus relacionamentos. Meu trabalho e meus projetos pessoais ficaram todos em último plano, com 10% de minha dedicação e energia. Agora em 2007, sofri e fiz muita gente sofrer por inverter o processo. Deixei família, amigos e namorada de lado, investi no trabalho, em projetos. Mesmo com esses dois aspectos, o que predomina em mim é o masculino. Minha vida não tem sentido sem meditação, escrita, música e a realização de sonhos elevados em forma de projetos (meus e dos outros com os quais colaboro). Uma semana com amigos, família e namorada? Ou uma semana fazendo um site para um centro de meditação que abrange o Brasil todo e traz benefício constante a incontáveis pessoas? Amor ou liberdade?

Alguns homens vêem liberdade em dinheiro. Outros na ciência. Algumas mulheres só enxergam o amor que vem de um outro, cegas para tudo aquilo que elas podem gerar em si. Sublimam em comédias românticas, se revoltam nas fofocas do cotidiano, investem nos homens que as maltratam. Outras encontram prazer e completude no amor que vem de dentro: tecem, alisam, dobram, fotografam, pintam, dançam.

Para mulheres de novela e homens de futebol, para meninas de poesia e homens de meditação, estreou nos EUA há alguns dias o filme Feast of Love (Banquete do Amor), com Morgan Freeman, Greg Kinnear e a maravilhosa Radha Mitchell (para citar só três de meus favoritos em um extenso elenco). É baseado no livro homônimo de Charles Baxter. Eu ainda não vi e é bem possível que seja péssimo. O trailer, porém, me cativou e aqui estou. Para quem, como eu, gosta de ver o amor em mil histórias para saber melhor encontrá-lo ao seu lado, essa parece ser mais uma chance, no modelo de Simplesmente Amor (Love Actually).

Para mim, a busca pelo amor não se distingue da busca por liberação. O blog Não Dois, Não Um surge da seguinte ousadia: e se a liberdade pudesse ser praticada bem naquilo (e sem largar o) que mais nos prende? E se pudéssemos ser livres em meio a paixões, amores, apegos e desejos?

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15 comentários »

  • Renata

    Oi Gustavo. Muito lindo o seu blog. Sobre o post acho que vivemos num eterno conflito, pois o ser humano está sempre em busca de alguma coisa. É difícil ficarmos plenamente satisfeitos senão impossível. Enfim, meu lado homem gosta de cerveja, de butecos, de comida gordurosa e meu lado mulher adora gastar dinheiro. Ser livre no meu entender é fazer coisas que se gosta e estar feliz. A felicidade é o caminho para fazermos coisas maravilhosas como nossos blogs.

  • Tonobohn

    Olá Gustavo,

    Eis um assunto polêmico. O disso é, para ambas as partes, entender essa natureza. Não há nada de errado o homem querer liberdade, nem a mulher querer paixão. São só características diferentes.

    Mas elas ainda preferem dizer que “homem não presta” hehehe

    Abraço!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi, Renata! A mulherzinha aqui adora comédias românticas… ;-)

    Gabriel, o assunto é polêmico porque tem muita gente que odeia abordagens assim: “mulher é assim, homem é assado”. Mas é apontando diferenças que enriquecemos. O discurso da igualdade tem de ir até seu extremo oposto para ser fértil.

    Não só elas odeiam nossa busca por liberdade, como nós odíamos o quanto elas insistem em contar uma história em mil detalhes em vez de ir direto ao ponto.

    Mas muitas vezes elas nos odeiam quando agimos como elas. Experimente ser indeciso, pra você ver. Ela nos odeiam quando incorporamos nossa mulher no momento em que elas querem um HOMEM.

    Essas dinâmicas são todas uma delícia de viver, mesmo quando dói e machuca.

    Abração!!!

  • celine

    Oláá..
    me chamo Celine sim..
    E prazer! Agora você conhece uma!rsrs..
    Olha..eu adoooooro os filmes BEFORE SUNSET e BEFORE SUNRISE…
    amo amo amo

    :D :D :D
    Obrigada pela visita retribuida.

    Tô adorando seus textos.
    Beijos

  • Urban

    Gustavo,
    vc tem alma feminina, visto seus textos cheios de sensibilidade.
    Excelente seu texto, sua reflexão.
    Me sinto bem feminina no tocante à necessidade de ter um par de me sentir preenchida desta forma … Estar me realcionando faz sentir a vida mais completa. Detesto novelas, fofocas de salão, ir em shopping, afazeres domésticos e coisas do gênero, nisto me sinto muito masculina, rs.
    Enfim … de cada um, um pouco em mim.

    ;-)
    xêro!

  • Luide

    Véi, isso de liberdade e amor, esse filme com o título de Banquete…, e ainda essa de “There is a story about Greek Gods”… acabou evocando, aos meus olhos, a imagem de Platão, “o divino”.

    O que é o amor platônico? Aiaiai, segundo um professor que tive, o amor platônico é o amor fantasiado, ou não correspondido, ou romantizado apenas em imaginação, ou que paira no plano das idéias sem jamais se encarnar, embora possa manifestar-se, sutilmente, em suspiros fundos e olhares vagos.

    Quando ele falou isso (ele falou isso?!), suspirei fundo e, provavelmente, meu olhar tornou-se vago ao me sentir entre as ruínas do Partenon. Quem naquele instante me observasse, não hesitaria no diagnóstico: “É o amor platônico, pobrezinho!”

    Entretanto, segundo um outro professor, o amor platônico é a expressão da liberdade, é a nostalgia do eterno, é o “caminho alógico para o absoluto”. Do amor ao belo nas formas físicas subo ao amor ao belo nas virtudes da alma. E deste subo ao amor à Beleza em si. Inspirei-me:

    Se naquele instante alguém me perguntasse; “é possível unir amor e liberdade?”, eu talvez responderia: “É possível separá-los?”.

    Concordo com você, Gustavo: “a busca pelo amor não se distingue da busca por liberação”.

  • Gustavo Gitti (autor)

    “Entretanto, segundo um outro professor, o amor platônico é a expressão da liberdade, é a nostalgia do eterno, é o “caminho alógico para o absoluto”. Do amor ao belo nas formas físicas subo ao amor ao belo nas virtudes da alma. E deste subo ao amor à Beleza em si.”

    Eu tenho essa visão, sim. Mas também concordo com os neodarwinistas quando resumem tudo ao sexo, ao biológico. ;-)

  • Luide

    “Mas também concordo com os neodarwinistas quando resumem tudo ao sexo, ao biológico.” ;-)

    Eu também!!! Eu também!!! É como dizia o velho e bom Cumpadre Washington do grupo É o Tchan: “Eu gostchu muitchu”.

    Antigamente, o lema do Super-Homem, “para o alto e avante”, tinha para mim um interpretação neoplatônica apenas, algo de ascese, afinal, ele não é o super homem?!

    Mas, hoje, eu percebo que esse lema pode ter, perfeitamente, uma interpretação neodarwinista, restrita ao sexo (Stricto sexu?), “para o alto e avante”, afinal ele não é o super homem?!

    ;-)

  • Guilherme Nascimento Valadares

    Detalhe que acabei de pegar: o Dan Osman escala o paredão em 5 minutos, não em 108. Dá um replay no vídeo, Gitti. Alucinante.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Eu li 108 segundos no seu post e escrevi 108 minutos. Corrigido, agora! São 265 segundos ou 4m25s.

    Valeu!

  • Cíntia

    Sabe, estava lendo seu último post e acabei esbarrando no título deste aqui, que me chamou muito a atençao, porque na verdade eu nao vejo a idéia de amor afastada da de liberdade. Obviamente, cada um de nós tem sua própria idéia do que deve ser o amor,particularmente eu nao posso entender como amor qualquer coisa que nao preserve a liberdade, inclusive a liberdade de às vezes precisar estar só, a liberdade de nao dividir todas as decisoes. Isso me parece conseqüência de confiança, respeito admiraçao.
    Mas ainda tá tao cheio esse mundo de gente que acha que amor é prender um outro por uma situaçao, um papel, um compromisso externo. Pra mim, é a falta de liberdade que mata o amor, quando nao temos mais espaço para existir por nós mesmos.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Cintia, eu vejo amor e liberdade como duas faces da mesma coisa também.

    O que o texto mostra é que os homens amam buscando essa liberação e as mulheres ansiando com plenitude. David Deida diz isso: homens buscam amor pelo esvaziamento e total liberação, o mesmo amor que nas mulheres preenche, inunda, completa.

    Ambos são liberdade e amor, por dois lados diferentes. Um vazio (de modo positivo) e outro pleno.

    Abração!

  • Feast of Love: “O fim já está desde sempre no princípio” | Não Dois, Não Um: Um blog sobre relacionamentos lúcidos

    [...] levantei a bola desse filme (Feast of Love | O Banquete do Amor) há um tempo e hoje finalmente assisti (veja o [...]

  • Vivi

    Eu sempre vejo os homens como tendo mais poder de escolha numa relação, exatamente pelo fato de serem mais desapegados e tal… e de certa forma as mulheres são meio subjugadas por carregarem uma bagagem emocional tão pesada (lê-se “amor”) q as acompanhe aonde quer q vão, com quem quer q estejam, e aquelas q são 100% alma feminina sofrem ainda mais, vc não acha?

  • Um homem falando de amor e liberdade « No escuro e vendo…

    [...] http://nao2nao1.com.br/feast-of-love-homens-buscam-liberdade-mulheres-querem-amor/  novembro 10, 2010  julianna Categorias: cotidiano, sábias sapiências da vida pós moderna [...]

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