Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim

por Gustavo Gitti 8 March 2010 56 comentários

A princípio era uma entrevista curta para a revista Uma, depois saiu no UOL Comportamento e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: “Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu”.

Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.

Sugestão de trilha sonora:

“All the world just stopped now
So you say you don’t wanna stay together any more […]
All the world is danglin’ danglin’ danglin’ for me darlin’
You don’t know the power that you have with that tear in your hand”
Tori Amos

Homens e mulheres encaram o divórcio de maneiras diferentes. Por quê?

É dolorido para ambos, mas eu vejo uma certa desenvoltura nas mulheres pelo fato de que a energia delas rapidamente brota novamente em outra direção, geralmente ao lado de um novo homem. Talvez seja mais fácil para elas pois a postura feminina é a de ser envolvida, conquistada, conduzida. E isso pode acontecer na semana seguinte ao divórcio.

Ao mesmo tempo, vejo muitos homens incapazes de se relacionar com outras, passando um longo tempo apegados à ex-mulher, impotentes, sem conseguir criar novas relações duradouras. Mesmo com sexo casual, muitos permanecem infelizes até conseguirem avançar, amar e realmente penetrar outra mulher.

É comum a pessoa sentir como um luto o fim de um relacionamento?

Sem dúvidas. O fim de um relacionamento é uma morte assim como o começo deu nascimento a uma identidade (“o namorado” ou “a esposa”), com todo um modo de ser, uma linguagem, um olhar, um mundo inteiro que foi co-construído sob o olhar do outro. Com o fim, esse mundo desmorona. Não é por acaso que nos falta ar, emagrecemos e fica difícil encontrar energia para sair da cama. Essa energia estava vinculada a uma identidade que não mais existe, daí a necessidade de um renascimento, que às vezes leva tempo.

"Então, to achando que ela levou coisas demais quando foi embora"

Nosso parceiro funciona como uma fonte de luz. Quando a relação acaba, a sensação é de perder nossa substancialidade. Viramos uma pessoa sem sombra.

O importante é perceber que sofremos não porque o outro não mais nos ama, nos traiu ou abandonou, mas porque nos sentimos incapazes de amar e nos relacionar com outra pessoa. Assim que essa capacidade retorna, o sofrimento se esvai.

A explicação para isso é simples: não somos apegados a pessoas ou relações, mas a experiências positivas nas quais nossa energia flui. O cara pode passar anos sofrendo pela ex-mulher, mas tudo se dissolve quando uma outra mulher vem e faz a coisa toda andar de novo. Ele não estava querendo a mulher de volta, ele queria a sua ereção de volta: o brilho no olho, a rotina do casamento, a companhia, o tesão de viver, a experiência, o mundo, o pacote completo.

Quando nosso parceiro vai embora e saímos correndo, nós não estamos mirando o outro, não queremos resgatar seu amor. Não é bem isso que desejamos voltar a possuir. Nós saímos correndo atrás de nossa identidade decepada, dos sonhos interrompidos, do prazer obstruído, da nossa própria sombra que o outro projetava, da nossa pele, do que surgia em nós quando o outro estava por perto. Saímos correndo atrás de nós mesmos!

Quais conselhos que você daria para uma pessoa que acaba de terminar um relacionamento longo?

Um dos melhores caminhos é focar em estabelecer uma vida rica de experiências positivas. Quando meu último relacionamento terminou (5 anos, 3 como casados), procurei passar um tempo sozinho e alinhar meu direcionamento na vida. Aprendi dança de salão, meditei mais regularmente, me envolvi com projetos mais amplos, comecei um site para ajudar outros em seus relacionamentos…

Outro lance fundamental é ativar o corpo. Correr, malhar, tocar algum instrumento musical, aprender alguma arte marcial, tai chi, ioga, esportes de qualquer tipo. A abordagem cerebral pouco adianta. É no corpo que a vida acontece.

A chave para superar a sensação de abandono é descobrir quais são suas habilidades e oferecê-las ao mundo, beneficiando e movimentando o máximo possível de pessoas em direções positivas.

Se a pessoa se envolver com outros por carência, ela continuará se sentindo carente, mesmo depois de passar 30 noites com parceiros diferentes. Se ela começar a se mover com liberdade e autonomia, se começar a oferecer experiências aos outros, uma noite é suficiente para deixá-la feliz ao ver felicidade nos olhos do outro. É esse o tipo de felicidade que nos satisfaz: a que causamos nos outros, não a que recebemos.

Como saber se o casamento ou namoro está indo para o fim?

Antes das brigas e desentendimentos, ou antes mesmo de acabar a criatividade do casal em viver coisas novas e avançar na relação, ocorre uma apatia. É esse o primeiro sinal: ausência de energia, disposição e brilho nos olhos, tudo aquilo que mais estava presente no começo, no estouro da paixão.

Em geral, é um processo que ocorre com ambos, que se olham de modo opaco. Assim eles ficam mais feios um ao outro e menos generosos. Ele se dão menos crédito, não mais se elogiam ou se estimulam a crescer, não mais se contemplam à distância com admiração.

Conflitos vários, falta de sexo, beijos e sonhos ausentes são só consequência. Sintomas que aparecem bem depois da apatia inicial.

Costumamos achar que o amor morre quando paramos de receber, mas ele já está morto bem antes, quando paramos de oferecer. Tanto é que, para decidir se voltamos ou não, naquelas infindáveis conversas cheias de exigências, achamos que a relação só pode continuar se o outro fizer certas coisas, se recebermos certas coisas, então o acordo se dá assim: “Eu quero receber isso, ok? O que você precisa receber de volta?”.

Quando começamos a culpar o outro pelo nosso próprio sofrimento, pronto, eis o alerta vermelho. Daí para o fim é um pulo.

O antídoto para a apatia não é “manter o fogo”, prolongar a paixão inicial, “apimentar a relação”. Focar no próprio relacionamento, usar a criatividade, explorar fantasias, viajar junto; tudo isso funciona, claro, mas não dá para manter tal frescor por muito tempo. O antídoto para apatia em um casal encontra-se na vida dele e na vida dela, não tanto no próprio casal. Está mais no “Eu” e menos no “Nós”.

Se ele se movimenta de modo positivo, se tem brilho nos olhos, se enriquece a vida dos outros, se anda no mundo com uma visão ampla. Se ela está sempre em desenvolvimento, cada vez mais inteligente, radiante e livre, se dança pelo mundo, se também tem brilho nos olhos e sentido na vida. É isso o que livra o casal da apatia: a energia que eles movimentam por si só, sem o apoio do outro. É essa a energia que eles trazem para a relação, que se multiplica quando vira “Nós”.

P.S.: Se você busca um texto sobre o Dia Internacional da Mulher, aqui está: “A mulher e seus desconhecedores”. E se você busca algo sobre budismo e ciência, aqui está meu post sobre o instituto Mind & Life.

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Para transformar nossas relações

Há algum tempo parei de escrever no Não2Não1 e comecei a agir de modo mais coletivo, visando transformações mais efetivas e mais a longo prazo. Para aprofundar nosso desenvolvimento em qualquer âmbito da vida (corpo, mente, relacionamentos, trabalho...), abrimos um espaço que oferece artigos de visão, práticas e treinamentos sugeridos, encontros presenciais e um fórum online com conversas diárias. Você está convidado.



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56 comentários »

  • Carolina Vianna

    Porra, ainda nem li! Mas só pra dizer que sempre me marro nas sugestões de trilha! o/

  • Juliana

    Passar pelo fim de um relacionamento não é fácil pra quem é “deixado”, nem pra quem “deixa”.
    Estou passando por esta experiência e posso dizer que estamos levando da melhor forma possível.
    O amor que eu sentia por ele antes, transformou-se em carinho extremo e torcida pra que ele encontre alguém tão disposto a se jogar de cabeça quanto ele.

    Não sei se existe melhor forma de separar-se de alguém, mas enquanto há dignidade na relação, enquanto os dois se respeitam e as discussões não terminam nos absurdos das agressões -físicas e verbais-, a chance de que os dois se liberem sem ressentimentos é maior. Daí em diante, estar aberto à novas experiências individuais ou não, é questão tempo.

    Gustavo, parabéns pela entrevista tão bacana numa revista tão superficial (minha opinião).

  • Katy

    Eu terminei um relacionamento longo há quase um mês….e percebi que o meu grande erro foi ter deixado a minha vida de lado, para viver apenas como casal…agora que terminou, que estou sozinha, percebo como é importante redescobrir o que eu gosto de fazer e investir nisso…

    Aprendi a lição: minha felicidade não deve estar em outra pessoa ou situação (amorosa / financeira, etc…) e sim naquilo que sou, no que faço aos outros….
    Nem sempre é fácil viver assim, mas com certeza é o melhor caminho.
    Porque aí o outro não carrega a responsabilidade de nos fazer feliz…nós já somos felizes e queremos compartilhar essa felicidade com ele….

    Ah, e sobre fazer coisas diferentes juntos, “manter o fogo”….são coisas que fazem bem, mas não seguram um relacionamento….é preciso bem mais do que isso…

    Enfim, aprendi todas essas coisas que você citou aí, vivendo….o que de certa forma foi dolorido, mas valeu a pena…tem coisas que só aprendemos assim, né?

    Beijo grande.

  • MarianaMSDias

    Só pra não perder o costume… rsss

    O que eu percebo do meu lado é que mais mulheres são capazes de se conduzirem sós, de refazerem seus mundos independente de um novo companheiro. Talvez porque elas ainda se conhecem mais capazes de cuidarem sós de seus lares. Vejo os homens muito mais apáticos quando se separam. Ou simplesmente ‘atirados’ em uma vida desregrada, não na (re)construção de suas identidades.

    Sem dúvida que o ‘fracasso’ se abate sobre ambos. Afora tudo o que vc abordou, lembro-me claramente da sensação de ‘eu falhei’. Falhei da construção e manutenção desta família, falhei em amar e ser amada, falhei perante a minha própria família, para a qual, inevitavelmente, retornamos, ainda que não retornemos à casa dos pais…

    De meu lado, vinha uma vontade muito grande de me reencontrar. O casamento havia me afastado de certas essências. Sim, erro meu. Mas eu sabia o caminho que precisava tomar de volta à mim. Acho que isso as mulheres têm mais forte que os homens. Aquele instinto de sobrevivência de si mesmas.Talvez por uma questão histórica de se refazer em situações de aprisionamento a que a mulher sempre esteve mais sujeita que o homem, o fato é que as mulheres tem uma forca interior para se tornarem felizes por si só, que os homens parecem carecer. Conheço muito mais mulheres sós, e felizes, do que homens na mesma situação.

    Acho que, embora a mulher tenha essa ‘postura de ser envolvida, conquistada, conduzida’, é ela quem, na verdade, conduz muito mais a vida do homem. Essa aspecto familiar, acolhedor e reconfortante que a mulher tem por natureza, falta visceralmente aos homens. Enquanto a casa de uma mulher só, terá sempre aquela aura de lar, a do homem, em sua maioria, sempre se parecerá com um quarto de hotel.

    Por isso acho que é mais fácil à mulher se reconstruir só. Ela engloba em si uma instituição familiar quase que completa. Ela sabe que é capaz de gerar, de nutrir, de acalentar, por si só. O homem teme, mais do que a mulher, aquilo que lhe falta. Enquanto a mulher parte ao encontro de si e de se refazer, o homem aguarda a (próxima) mulher que dará o ‘start’ na construção da identidade perdida.

    Guardadas todas as exceções, obviamente!

    Beijos.

  • Alexandre Melo

    Gustavo,

    Parabéns por mais um texto ótimo!

    Quando terminei um relacionamento que vivi por 4 anos, fiquei mais de 6 meses parado, sem mover a energia, apenas “curtindo” a tristeza.

    Assim que comecei a me movimentar, ajudando na reforma da casa dos meus pais e da minha irmã recém-casada, começando a caminhar/correr, tudo voltou a fluir: um novo emprego apareceu, o desempenho no curso técnico que faço aumentou consideravelmente, sendo procurado até pelos professores para bater um papo.

    Se antes era uma pessoa que todos queriam se afastar, hoje vejo todos se aproximando, já que consigo hoje oferecer meu melhor a todos, sem distinção. Como olhar nos olhos, chamar pelo nome, fazer-se presente a todos, faz a diferença, pois cada vez menos fazemos isso e cada vez mais as pessoas sentem falta, carentes de uma companhia verdadeiramente presente.

    Hoje sinto-me capaz de amar novamente, e sei que poderei oferecer muito mais do que já ofereci em relacionamentos anteriores, pois não há mais a busca por uma retribuição, a mendigagem por carinho, sentimentos, promessas. Como diz a belíssima música “Mantra” do Nando Reis: “Quando não se tem mais nada, não se perde nada, pode ser o que se for, livre do temor…”. Hoje me vejo livre da expectativa, da ansiedade. Não espero nada de ninguém, apenas faço minha parte e, como não há expectativa, qualquer fato que ocorrer, supera a mesma, fazendo com que os dias sejam cada vez mais agradáveis.

    Parabéns pelo seu trabalho, aqui, no PdH e nos outros meios que sempre está presente. Além de buscar ser um homem melhor, saiba que você está fazendo com que outros homens também sigam o mesmo caminho, dando forças para que eles também busquem essa transformação num HOMEM de verdade.

    Grande abraço!

  • Carolina Souza

    Muito bom o texto.

    O engraçado é que eu tenho uma percepção diferente sobre a relação da separação para homens e mulheres. Sempre noto que inicialmente a mulher demonstra uma capacidade maior de dar passos na direção de uma “nova vida” ou do resgate de sua vida “pré-relacionamento”. Parece que ela tem uma grande capacidade de regeneração…

    Mas noto tb que a partir do momento que o homem “supera” aquela tristeza inicial aquilo tudo fica armazenado no passado, devidamente guardado na pastinha do “já foi”. Minhas amigas, pelo contrário, apesar de se envolverem mais rapidamente em outro relacionamento, de mudarem de hábitos mais facilmente, parece que ficam “remoendo” o ex. O ex nunca vira “página virada”.

    Uma delas, por exemplo, separou há quase 20 anos, tem um relacionamento estável há cerca de 14 e cada vez que o ex vai até a casa dela (eles tem filhos) para resolver qualquer coisa, ela manda o atual namorado ir “dar uma volta” e fica visivelmente incomodada. Nas formaturas das filhas não levou o namorado porque o ex ía (detalhe: com a namorada atual).

    Já estive envolvida com esse tipo de “gente (quase) bem resolvida”. Em uma, a menina havia terminado com o cara uns dois anos antes de nos conhecermos. Foi só começarmos a namorar para ela reaparecer, mandar recado, visitar a ex-sogra, essas coisas. Sabe aquela coisa de “mulherzinha” de poder dizer que não está com ele porque ELA não quer?

    É chato pacas, mas tem um monte de gente que eu conheço que não consegue ‘desapegar’ depois da separação.

    Abrs!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Mariana,

    Concordo TOTALMENTE. Nessa primeira resposta, eu vi apenas a questão sob a perspectiva de outros relacionamentos, não do processo subjetivo, do modo como a pessoa lida com isso depois.

    Também acho que a mulher sabe CUIDAR (de si e de tudo) mais do que os homens. Num sentido, elas são muito mais independentes do que os homens.

    O Alex Castro tem um texto que conta uma outra história. Na minha opinião, ela corre em paralelo com a sua versão. Acontece tudo isso. ;-)

    Veja o que acha:

    http://www.interney.net/blogs/lll/2009/10/22/machismo_e_economia/

    Beijo!

  • Wall

    Fazia dias que eu andava me questionando a respeito dessas coisas. Tenho andado me sentindo improdutiva, inútil, não havia nada novo em mim, e nem no meu namorado. Caímos em uma rotina, na apatia já mencionada que agora consigo ver. Curiosamente, as coisas começaram a mudr quando me envolvi em um trabalho voluntário, dos pés à cabeça, que hoje coordeno. Convidei ele também, porque aquilo começou a fazer um enorme bem dentro de mim. À princípio, ele foi porque eu pedi, mas depois, ele voltou lá por conta própria. A admiração, o carinho e felicidade de vê-lo novamente bem, me contagiou, do mesmo modo que eu o contagiei.

    Quando li seu post, entendi o que até agora havia feito de errado. Andava tão focada em viver o “nós”, que esqueci de mim. Esse projeto é a primeira coisa que faço em anos por minha própria vontade. O mais engraçado é que eu era assim, bem mais envolvida com os outros. Deixei de sê-lo porque várias vezes ele me disse: “tu te envolve demais. Sai disso.” Hoje vejo que não me envolver é como me cortar: eu vivo envolvida. Se eu não me envolver, não tem sentido nem de começar, e não é só nos relacionamentos a que me refiro.

    Parabéns mais uma vez Gitti. Admiro muito a tua clareza de te expressar. Tu colocas em palavras aquilo que procuro na minha alma. Tens uma fã incondicional em mim.

    Beijos

  • Gustavo Gitti (autor)

    Wall, relato exemplar. Fiquei muito feliz em saber dessa sua história.

    Beijo!

  • Cintia

    Incrível … com trilha sonora perfeita !!

  • M

    Completei em Fevereiro desse ano 1 ano de divórcio de um relacionamento que durou 13 anos. Tenho 32 só para constar. Namoramos, casamos, tivemos um filho e acredito que muito do que foi dito aqui aconteceu conosco. Principalmente a falta do brilho no olhar e lendo outros textos as falta de sermos diferentes um com o outro sempre. Conquistar sempre uma nova pessoa a cada dia, achei sensacional esse termo.
    Comentei no outro texto que hj estou tendo um caso com minha ex mulher, embora ainda ache estranho não termos uma situação definida, não somos namorados, nem estamos voltando, nem somos casados e isso me assusta. Mas para chegar onde cheguei hoje, passei pela fase de me cuidar, entrei para a academia, sai, conheci pessoas, assuntos novos e hoje vejo o quanto isso foi importante para mim e que todas essas atitudes me fizeram enxergar que sou um individuo único e o quanto é importante não perdermos nossa individualidade mesmo dentro de um relacionamento longo. Dificil, mas necessário.
    Parabens mais uma vez pelos textos!
    Abraços

  • Thaís

    Gustavo,

    Pela primeira vez (e pra deleite seu, acho!), serei obrigada a discordar de seu texto. Achei algumas passagens equivocadas e gostaria de discuti-las.

    “(..)vejo uma certa desenvoltura nas mulheres pelo fato de que a energia delas rapidamente brota novamente em outra direção, geralmente ao lado de um novo homem”.

    Se assim fosse, várias mulheres não seriam tão obcecadas pelos maridos, namorados, amantes, etc. Uma mulher que sofre violência doméstica, por exemplo, rapidamente se separaria. Mas pra não tornar o assunto tão pesado, falarei de mim mesma. Nunca tive tamanha desenvoltura. Tive um relacionamento que durou longos 5 anos e meio. Era meu amor adolescente e tb minha doença. A coisa era toda tão intensa que demorei 4 anos só pra superar a separação. Imagina! Quase 10 anos pra superar uma relação? Nesse meio tempo tive sim outros namorados, mas pra mim nada era como antes. Nem viagens, nem passeios, nem cinemas, nem sexo. Nada! Procurava nos outros sempre o espectro do primeiro. E óbvio: não encontrava nunca. Todos tentaram, a sua maneira, fazer com que eu me apaixonasse. Mas era impossível! Eu não queria momentos apenas, eu queria momentos ao lado do meu primeiro amor. Isso me lembra outra afirmação sua que quero contestar:

    “(…)não somos apegados a pessoas ou relações, mas a experiências positivas nas quais nossa energia flui. O cara pode passar anos sofrendo pela ex-mulher, mas tudo se dissolve quando uma outra mulher vem e faz a coisa toda andar de novo. Ele não estava querendo a mulher de volta, ele queria a sua ereção de volta(…)”

    Quando superei a pessoa, quando me coloquei novamente ativa (voltei a dançar, me engajar, fazer amigos, etc), quando me abri para tudo, foi então que me apaixonei de novo. Só que a vida tem um talento ímpar para rir da nossa cara, né? Então, me apaixonei por um cara que não conseguia esquecer a ex-namorada. Ficamos juntos por alguns meses (bem naquele limbo em que vc não sabe se namora ou se tem um relacionamento casual) quando ele me contou que se mudaria para Londres (detalhe: qd meu primeiro namoro terminou, ele tb se mudou pra Londres) para reconstruir sua vida ao lado da ex. Preciso dizer que o castigo foi pequeno? rs Como se não bastasse, recentemente a história iria se repetir com a última pessoa que conheci (novamente outro cara que não consegue esquecer a ex), mas consegui identificar o padrão rapidamente e pulei fora antes que me machucasse. Viver como vinil arranhado é a última coisa que desejo!

    E onde quero chegar com todo esse testemunho? Tanto mulheres quanto homens são apegados sim à pessoa e não somente às experiências positivas que vivemos com elas. Tive ótimas experiências com essas duas últimas pessoas com quem me envolvi. Mas é como se música não tivesse a mesma textura qd não estamos ao lado de nosso escolhido. Pra mim foi bom, pois estou completamente aberta pro que a vida tem me oferecido. Mas pra eles, deve ser a mesma sensação que eu tinha no passado. Aquela coisa ilusória que nada faz o menor sentido sem o “the one”, sabe?

    Pra ambos, eu simplesmente desejo que consigam superar o passado e a pessoa, assim como eu consegui. Desejo para todos a cena do término entre Alice e Dan em Closer, na qual ela simplesmente, do nada, percebe que não o ama mais. “I don’t love you anymore” “Since when?” “Now” (http://www.youtube.com/watch?v=Vv57gssfuBU) E é simples assim, como num passe de mágica!

    Desejo inclusive que todos nós saibamos, algum dia, substituir a ilusão do “the one” pela promessa do “there’s plenty more fish in the sea”. E realmente há possibilidades infinitas na vida! Basta estarmos atentos e de peito aberto. E enquanto nada acontece, sejamos nós a pessoa certa. Não é isso o que vc ensina neste blog?

    Outra coisa que gostaria que soubesse. Já sou sua leitora há 2 anos e nunca disse o quanto seu blog contribui para tudo o que acabei de contar. Gostaria de compartilhar isso, pois acho que vai gostar de saber, né?

    Mas voltando à crítica do texto… É claro que quando falamos em relacionamentos de uma maneira geral, é praticamente impossível fugir da generalização. Mas acho que é preciso saber que somos todos únicos, todos meio perdidos tentando ajudar uns aos outros (lots of lost souls swimming in a fishbowl). E é quando menos se espera, quanto menos se calcula, quanto menos se sabe, é que a coisa toda gira em nosso favor.

    Um beijão pra ti, querido!

    Thaís

  • fabiana

    gustavo, bem pertinente.

    a experiência do término, da rejeição e de re-achar meu lugar no mundo sempre foi muito dolorida.
    exatamente como você falou, me apego muito aos bons momentos, lembranças.
    no entanto, comecei a perceber que esses bons momentos foram MEUS.
    e por isso, posso reproduzi-los novamente com um pouco de criatividade e amigos ao redor.
    decidi ir contra a mente preguiçosa que adora padrões (tanto os de prazer quanto os de dor) –
    igual quando há uma criança birrenta e começamos a assoviar uma canção e ela rapidamente pára de chorar? – tipo assim.
    inventei risadas no meio das lágrimas. dança no meio dos soluços da madrugada. macarronada na falta de apetite e muita meditação e afeto dos que me amam desse jeitinho que sou.

    só é importante ressaltar que cada pessoa tem seu tempo particular de luto.
    o que para mim demora um ano, para meu ex parceiro demora um mês. isso também é dureza.
    mas aprendi a ler meu tempo em mim mesma e não ter como referência a vida do ex. (que por sinal está agora comendo uma por noite…).

    mas, como escrevi lá no meu blog, o amor é o trabalho de todo dia. e isso é ótimo! beijo grande

    http://popfabi.blogspot.com/2010/03/trabalho-amor-e-ate-flor.html

  • Ju

    Ahnnnnn… quer dizer que o post sobre “homens que permanecem fixados nas ex” saiu…
    Bueno.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Thais,

    Muito bom seu comentário.

    Só continuo discordando disso:

    “Tanto mulheres quanto homens são apegados sim à pessoa e não somente às experiências positivas que vivemos com elas.”

    Em um sentido aparente e relativo, sim, somos. Mas a verdadeira fonte desse apego NÃO É A PESSOA, mas as identidades e experiências internas que ela faz surgir em nós. Somos apegados ao modo em que ela movimenta a energia em nós. Às vezes outros movimentam também, vivemos coisas boas, mas o apego segue porque não vivemos igual, não somos movimentados em certos pontos que o outro mexia.

    É muito comum ver gente fantasiando com o ex durante os momentos de crise. E isso piora quando o ex é presente e a volta é uma possibilidade bem próxima, sem tantos impedimentos.

    Todo esse processo é condicionado e pode ser transformado, liberado, justamente porque o apego não é à pessoa, e sim à experiência. Esse apego é liberado quando nos descobrimos autônomos, livres, potentes para movimentarmos essa mesma energia em outra relação. Se não temos isso claro, pensamos sempre no outro como o único possível capaz de fazer isso. E então fantasiamos: “É ele! É com ele que serei feliz”. Tsc, tsc…

    Beijo e obrigado sempre por ler e compartilhar suas histórias.

  • Thaís

    Gustavo,

    Como sempre, vc coloca todos pra pensar, né? Agora, no contexto, faz TODO sentido quando vc diz que somos apegados ao modo com que a pessoa movimenta a energia em nós. É claro como água!

    Mudando de assunto… Depois de meses enrolando e inventando mil desculpas, finalmente fui ao CEBB aprender a meditar. Fui tão bem recebida que certamente voltarei.

    Beijo!

  • Serena

    Desde que terminei uma longa relação fui construindo intuitivamente uma porção “respostas” do porque as coisas tinham terminado e o que poderia fazer diferente numa próxima relação. Suas palavras verbalizaram esse meu processo de aprendizado.

    É preciso focar na sua própria energia para então emanar o brilho que cativará quem quer que seja. Faço esse mantra enquanto estou solteira para não me esquecer disso numa próxima relação, já que na paixão tendemos a ficar um pouco estúpidos e perdermos um pouco (as vezes muito) de nós.

    No fim da minha relação, naquele momento de desespero, começamos a fazer lista do que o OUTRO precisaria mudar, chegando a coisas estapafúrdias, como o desejo dele que eu dormisse menos… em nenhum momento reconhecemos o que cada um poderia fazer pela relação.

    Naquele momento a apatia já tinha tomado conta não só de nós como casal, mas de mim como pessoa. Eu não estava mais feia somente para ele, eu estava menos admirável para mim mesma. Somente depois da relação terminada percebi como estava opaca.

    Superar o termino não foi difícil, foi tão bom ter domínio sobre a minha paz de espírito, que o resto foi conseqüência. Me libertar daquela espera diária por um dia bom foi extremamente aliviante.

    Não tenho nenhuma mágoa dessa relação, foi ótima por um tempo e me despertou para como é importante manter sua essência integra e que todo o esforço de manter uma relação esperando, pedindo, explicando, almejando algo do outro é inversamente proporcional ao que você pode conquistar como mulher.

  • Separação: por que são sempre elas que tomam a iniciativa? | Papo de Homem – Lifestyle Magazine

    […] contextualizo abaixo.Por que muitas relações acabam, sendo que ambos não querem terminar?Dei uma entrevista para o UOL sobre separação e percebi que é um tema recorrente nos relatos da Cabana PdH. Então pensei em explorar um pouco […]

  • Franco

    Hoje, recebi a sua matéria Papo de Homem | Separação: por que são sempre elas que tomam a iniciativa?, e simplismente achei o maximo..,
    como estou no serviço e aqui a internet tem limites, resolvi reponder suas perguntas por aqui.

    1. Em seu histórico de relacionamentos, quem mais tomou a iniciativa da separação?
    – Sempre fui a “Ice Girl” (e inclusive apelidade de fria e calculista) dos meus 3 relacionamentos.
    E lendo sua materia cheguei a conclusão de que, “uma historia que se repete, item 5” resume o que passei nos 3 casos.
    é uma busca desvairada em querer alguem no seu ritmo, as vezes por egoismo, de querer alguém “perfeito” assim como nos achamos mas ao mesmo tempo imperfeito o suficiente para ambos serem opostamente perfeitos, por isso, por falar e não ouvir resposta alí, na lata, sempre tomei minhas decisões.

    2. Lembrando de relações passadas e acompanhando histórias de casais próximos, você diria que há muitos casos de términos que aconteceram por pura falta de habilidade em lidar com os problemas, sendo que ambos queriam continuar?
    – Com certeza… e isso é um dos itens que eu faço questão de jogar abertamente com o meu atual, se nos queremos temos que lidar e resolver nossos problemas, logico que existem as “fisgada no coração” (mais relacionadas ao passado dele, que assim como o seu durou belos 5 anos com outra pessoa) mas aprendemos a deixar arder, só assim cicatriza (Pelo menos era isso que mamãe dizia quando vinha limpar meu joelho ralado com o álcool zulu na mão rs)
    Fui madrinha de uma amiga que para todos formava o “casal maravilha”, e em menos de 6 meses se separaram. foi um choque mas conversando com ela depois, escutei o classico “ele chegava falava do dia dele e iamos dormir”
    tem horas que um simples escutar é tão empolgante e tão prazeroso para quem fala… não custa nada, ninguém perderá a orelha.
    mas era algo de tentar, se dar mais, não esperar receber a mesma quntidade ou a mesma qualidade. mas se jogar mais, conversar sobre o que imcomoda e porque.. comunicação é a chave de um bom relacionamento… nossos avós / bisavós que o digam…

  • Obrigadoo pelo texto, ajudou a entender o q eu sinto neste momento!

  • Lyne

    Olá,gustavo! Vou confessar,cai no seu blog por causa do tédio.Desisti de ler o que você escreve faz tempo. Vez outra tem algo bom,mas acho sua escrita muito prolixa,cheia de analogias e metáforas em excesso. Você precisa aprender a ser mais simples. Prolixa e com metáforas em excesso pra mim só Clarice Lispector,e só. Não,não sou burra,só acredito que você complica um pouco pra falar bonito e não fala. Alem desse seu lado zen demais,que enfim,não combina comigo.

    Depois de bater,eu aliso porque dessa vez você merece. Estou feliz,terminei um texto seu.Muito bom do inicio ao fim! Capaz de preder o leitor. Objetivo! Você fala diversas verdades sobre os relacionamentos que todos sabemos mais nunca atentamos para por em prática.

    Parabens! Continue assim. Abraços!

  • Pedro

    Gustavo, Perfeito seu texto.
    Estou começando a ler seu blog agora e estou admirando e MUITO tudo o que você escreve. Muitos fundamentos que você se baseia em relação aos seus entendimentos eu já havia lido algo semelhante de outra pessoa, o filósofo OSHO. Essa independencia emocional que você cita nos seus textos são incriveis. Gostaria e muito de alcançar isso. Acredito que só conseguiremos na arte da “Prática”.

    Um abração.

    Pedro

  • Malu Machado

    Tá Gustavo, concordo contudo. Aliás, o nome do seu blog já fala bem isto. Mas em uma coisa vou discordar de ti. Mulheres recuperam mais rapidamente, mas geralmente ficam sozinhas por mais tempo. Homens logo encontram novas histórias para viver. E não estou falando só de sexo casual.

    Escrevendo vem à minha mente cenas do filme O Divã, que tem sacadas interessantes sobre culpas e defeitos: “sinto como se tivesse emprestado meu vestido Armani para uma amiga e visto que nela ficou bem melhor”.

    Como diz um amigo meu, algumas relações podem ser nocivas. Mas, separadas, as pessoas se tornam bem melhores e felizes.

  • Mariana

    Texto ótimo, trilha sonora perfeita e comentários fabulosos!
    E eu, tô em todas. :p

  • Amanda Amorim

    Gostei muito do texto e da trilha.

    Faz um ano que eu me separei. Depois de 10 anos, juntos é meio estranho, pq você não sabe direitinho quem é você sem o outro… Para mim foi muito difícil no começo, porque eu era muito apaixonada pela pessoa e tínhamos muitos planos como empresa e outros projetos juntos. Separar tudo isso, mais apartamento, cachorro, enfim td que requer uma separação esgota! E infelizmente eu não percebi essa apatia que vc cita aqui, mas avaliando hoje, vejo que existia sim uma apatia e a gente dá uma forçada nas coisas porque quer FAZER dar certo. Enfim, o mais difícil para mim, foi que um dia depois da gente tomar café da manhã juntos ele saiu para trabalhar e não voltou nunca mais. Me enviou um e-mail pedindo a separação e esse processo não entrou muito bem na minha cabeça! Eu não digeri, entende?

    Mas ok, o mundo não pára, e a vida continua p/ todos…E a mulher tem sim esse lado de focar a energia para outros lados. É quase como um renascimento de tudo junto. Ao menos isso aconteceu comigo. Confesso que o luto existe e ainda estou nele, mas ouvi uma frase muito boa, é preciso enterrar o defunto, sempre, para tocar as coisas adiante, se não fica um fantasma nos próximos relacionamentos. E é isso, cada um tem que enterrar o seu defunto e abrir espaço para o novo, que virá a acontecer com muito mais potencial! Ao menos é o que espero e acredito.

    Puxa, falei bastante hoje! rs…

  • Mario de Souza

    Gostei da entrevista.Você ressaltou muito uma visão que eu também tenho: como somos seres egoístas, o relacionamento ocorre dentro nós.

    Quando você diz em descobrir suas habilidades e oferecê-las ao mundo seria algo no sentido de melhorar o mundo e deixá-lo mais feliz pois assim você também fica mais feliz? Estou perguntando porque fiquei com a sensação de que você queria dizer algo ainda maior.

    O final, quando você diz para não escorar a felicidade no outro ou na relação efêmera foi brilhante,explorou muito além do “manter o fogo” e “apimentar a relação”.

    Valeu por disponibilizar a entrevista Gustavo!

  • Elenir

    Olá, bom dia,entrei nesse blog por acaso buscando resposta para algumas coisas que acontece comigo, estou aqui a horas, a cada texto e comentários de pessoas relatando seus ponto de vista sobre vários assuntos e situações, nunca um blog chamou-me tanta atenção,acabei me envolvendo cada vez mais com cada texto e depoimentos de pessoas… encantada com tudo que o autor do blog escreve, palavras sábias e de grande importância para aquelas que buscam respostas das quais elas mesmo buscam para si mesmo; e até me ajudaram a Reflectir sobre acontecimentos em minha vida…Parabéns ao autor do blog, terei muito prazer em estar sempre por aqui…um grande abraços a todos que participam do blog…agora vou dormir e pensar em algumas coisas que li aqui….

  • Inteirax

    Gustavo, apesar de ter lido todos os seus artigos, ainda não sei o que fazer qdo o cara (ex namorado) não está mais nem aí, só que a gente ainda se preocupa de alguém dizer à ele que nos viu com alguém e tal.

    Nesse caso o problema é com a gente mesma, né!? Como proceder???

    Beijos!!!

  • Eterna Aprendiz

    “…como é importante manter sua essência integra e que todo o esforço de manter uma relação esperando, pedindo, explicando, almejando algo do outro é inversamente proporcional ao que você pode conquistar como mulher.”
    Simplesmente, maravilhoso este comentário! Valeu demais Serena. Obrigada!
    Depois vou voltar para ler o resto.
    beijos

  • Gustavo Gitti (autor)

    Inteirax,

    Trate seu ex como um homem que pode lidar muito bem com qualquer situação, não como uma criança que precisa de proteção, que não saberia lidar com o fato de que você está dando pra outros.

  • Rose

    Oi, lendo sua entrevista percebi que meu relacioanmento está no fim ( depois de quase 10 anos!!!), só não estava percebendo os sinais…Agora é ver se tomo coragem e tome uma decisão feliz…Ah, lendo ouvindo a trilha sonora,foi tudo de bom!!!Beijos…

  • Danile

    Eu vivi uma separação num momento da vida que ainda acreditava em contos de fadas, já que para mim ele era um príncipe encantada.
    Vivi em casamento aparentemente lindo e invejável, mas descobri que meu príncipe era na verdade um sapo e decidi me separa, há 3 anos atrás, e acredite ainda não me recuperei.
    Sinto muita magoa desta pessoa, afinal de contas ele tirou de mim o sonho de um casamento, não confio nas pessoas, em especial nos homens, foquei-me to trabalho e nos estudos.
    Recuperei-me fisicamente e psicologicamente, mas emocionalmente não;

    Por fim quero parabenizar ao Gustavo pelo Blog.
    Parabéns

  • beatriz

    Gitti,

    as mulheres não tem mais facilidade em encontrar alguém, o que ocorre é que, em geral, elas percebem e se incomodam mais com a não satisfação na relação e resolvem falar sobre isso e tomar uma posição. As únicas mulheres que não o fazem são aquelas completamente apaixonadas pelo homem com quem estão, um sentimento doentio que não permite que elas liberem aquilo que as está matando. O mesmo pode ser dito de alguns homens com esse sentimento doentio.

    No geral, quando os dois não se sentem bem, é a mulher que toma a iniciativa, pois, no geral novamente, é ela que não quer “trair” e prefere tentar achar alguém ‘na moral’, sem ter que enganar ninguém. Já o homem, em geral novamente, fica com aquela “casa e seus móveis” e, na rua e no particular ou nem tanto assim, vai se achando com alguém. Acho que o homem só toma a inciativa se ele se apaixonar por alguém, mas mesmo assim, isso é raro.

    Isso é o que me parece.

    Mas, definitivamente, não é fácil para a mulher encontrar um outro homem, isso deve ser alguma lenda urbana.

    Abraços.

  • PV Masculino

    Bem, sobre o término de um relacionamento longo e sério só posso dar minha visão como homem, que acredito seja muito diferente da de uma mulher.

    Se não ocorrer nenhum fato extraordinário, como uma das partes se apaixonar por uma terceira pessoa ou a descoberta de uma traição, o início do fim sempre será um ponto nebuloso, que nunca saberemos ao certo quando ocorreu.

    Quando um homem está num relacionamento estável ele sabe, conscientemente, que está fazendo uma troca. Todas as mulheres e liberdade que a vida de solteiro pode proporcionar, versus o prazer e a satisfação de viver aquela relação.

    E posso afirmar, é difícil manter a balança pendendo para o lado do comprometimento à relação. E a grande causa disso, no fundo, são as ilusões que nós homens carregamos conosco.

    Muitas vezes nos julgamos presos num relacionamento e colocamos a culpa nele por nossas frustrações. Pensamos que deveríamos estar fazendo mil coisas, seduzindo mil mulheres, conquistando o mundo, e não indo ao shopping no fim de semana e ficar na porta da loja de sapatos esperando nossa companheira experimentar sapatos. Mesmo tendo noção de que quando estávamos sozinhos não tenhamos feito nada disso.

    É aí que reside, pelo lado masculino, a arapuca que pode sabotar quaisquer casais, caso nós homens não saibamos administrar e conduzir esses devaneios, tentando ter uma vida plena dentro do próprio relacionamento, o que só pode ser alcançada por meio do respeito a nossa liberdade e individualidade.

    É isso aí!

  • Sandra

    Realmente a apatia na relação é um problema, mas tentar mudar a rotina e fazer algo diferente, agradar cm algo sensual por exemplo..as pessoas com o tempo esquecem de seduzir seu parceiro, a vida a dois é uma eterna conquista…Muito bom o blog!!!

  • Beto

    É Sandra, isso que você disse é uma verdade. Amo ainda minha ex mas não queria mais agradá-la. Não sentia prazer mais. Me sinto como gustavo disse: incapaz de amar denovo e estou procurando uma alegria interior.
    O que me fez terminar foram as dúvidas se o que estou construindo p/ nós dois ela merece também. Existe um grande erro meu de ter esperado alguma coisa da parte dela mas nem o apoio tava rolando.
    Era só reclamação, não sobrava tempo p/ me escutar, p/ conversar, p/ sexo… Tudo estava ruim na vida dela e tinha que escutar todo dia isso, passar a mão na cabeça, agradá-la… E eu fico onde? E minha companheira está onde? No trabalho, na rua, no bar? Então não preciso dela
    Estou quase que sem atração por outras mulheres depois que terminei.
    É uma repulsão imensa se o papo sugerir qualquer tipo de sentimento.
    Acho que isso explica porque fazemos sexo casual. É muito difícil querer ter intimidade com alguém. Isso p/ não falar em família, amigos…

  • Mr. M

    Sabe quando alguém faz algo de tão bom ou fala algo sobre sua vida tão certeiro, que sua única reação é “Vai se fu… rapaz !!”.
    Pois então ! Minha irregularidade no site é tão sincronizada, que só venho aqui quando eu realmente preciso de um conselho de alguém confiável.
    E no post principal, o primeiro, SEMPRE tem, de uma maneira estranha, EXATAMENTE o que preciso ouvir.

    Obrigado Guilherme.
    Você com certeza vai pro céu, salvou mais uma alma velha e cansada.

  • maria

    estou casada a nove anos c meu companheiro e tenho 2 filhos c ele,uma de 6 e um de7,este e meu segundo relacionamento,no inicio sofri muito c agressões fisicamente e verbalmente e outras coisas tb que me magoou muito e acabei perdendo o interesse por ele. hoje conheci uma outra pessoa c diferença de doze anos de idade,eu tenho 39 e ele trem 27 e ja faz quase 2anos que estamos vivendo esta relaçao,so que estou apaixonada por ele e nao sei oque fazer. penso em me separar mas nao consigo tenho medo de falar.

  • Camila

    Então, eu estou passando novamente por uma situação assim. Separação. Mas não é minha.. é de meus pais… e é muito triste acompanhar de fora sem poder interferir, na verdade temo que se me intrometer no meio deles posso piorar a situação e não gostaria de acabar com o que resta de respeito entre eles.
    Como tenho acompanhado de muito perto e com olhar externo sobre relação pude perceber que neste caso é meu pai quem está sofrendo mais, porém por um certo orgulho ele evita demonstrar, embora seja totalmente perceptível. Ja minha mãe parece estar encontrando a liberdade que não tinha quando se sentia casada (são separados mas ainda vivem na mesma casa). A solteirisse fez com que ela voltasse a sonhar. O desgaste do casamento e toda a vida que ela deixou de buscar por colocar sempre em primeiro lugar a família e não ela mesma.

  • Katty

    Olá Gustavo. Descobri seu blog pelo Papo de Homem e estou gostando muito do que leio. Você dá opiniões sempre equilibradas e sinceras, que nos leva sempre a boas reflexões.

    Com relação a essa questão de términos e divórcios, vivi um relacionamento por dois anos e que já terminou há seis, mas devido a alguns “encontros e desencontros”, não consigo finalizar essa fase em minha vida. Ele já está vivendo outro relacionamento há um tempo e eu, mesmo tentando ter um mais saudável, não consigo esquecê-lo. Mas, como a vida se encarrega de colocar a gente sempre pra evoluir, sinto que já está na hora de acabar de me agarrar a essa relação que já não existe mais e seguir em frente. Está sendo difícil, pois me sinto culpada por muitas situações, mas sei que foi melhor assim, que não teríamos futuro, pois temos valores completamente diferentes.
    Estou há oito meses sozinha, está ruim, mas vou ter que ficar assim o tempo necessário para resolver tudo o que me prende a ele. Se não for assim, sinto que vou ficar pulando de um relacionamento a outro, só pra não encarar minhas inseguranças, carência e arrependimentos, toda essa bagunça que restou, de frente. Não quero mais pensar no que aconteceu ou deixou de acontecer, vou agir.
    Obrigada pelas dicas!!!Um abraço e felicidades!:)

  • Jerri Dias

    Me identifico muito com seus textos e mais uma vez quero te dar os parabéns por manter esse blog excepcional. Sempre bom saber que não estamos sozinhos. Abraço.

  • Eduardo

    Olha Gustavo
    Bacana o texto e é verdade mesmo, quem decide sair sente menos do que quem fica. É trabalhoso e difícil, talvez a coisa mais difícil de se fazer. Afora isso, um mar de boas elmbranças. E é uma morte. Nascemos sozinhos, disso sabemos. E os medos que nos acompanham serão sempre nossos. bom, mas o texto que escreveste ajuda.

  • Toni

    Gustavo,
    Texto perfeito e muito melhor com os comentários!
    Estou separado a alguns dias (de novo), depois de um mês de conversa ela se foi para a casa da irmã.
    Um relacionamento de 14 anos jogado no ralo por imaturidade de ambas as partes. Essa é nossa segunda separação, a primeira foi dolorida, a terapia me ajudou muito, mas chegou num ponto que estagnou.
    Na verdade gostaria de desabafar tudo aqui para servir de experiência aos leitores, mas tomaria todo o espaço de comentários!
    Já pensei em fazer um blog, mas o desanimo é tanto que nem para isso me dou ao luxo.
    Parabéns ao autor e ao leitores que compartilham suas experiências.

    Abraços!

  • Toni

    Uma dica a todos que querem salvar o relacionamento:
    Conhecimento, coragem e determinação as mesmas coisas usadas na conquista do parceiro!
    Livro: Paixões Tóxicas de Bernardo Stamateas
    Ele descreve vários tipos de relacionamento, inclusive o como era o meu, pena que quando li o livro era tarde demais!
    Abraços!

  • Rosa Amélia

    Bom, só faço uma ressalva para o texto. Penso que os homens mergulham muito mais rápido em outra relação. Na maioria das vezes, eles já saem de uma relação com o pé em outra. A mulher não, ela busca direcionar suas energias para ações mais amplas, para a profissão, por exemplo.
    Gostei muito das ideias do texto. Bem coerentes.
    Abraço…

  • mary

    impressionante cada comentário tem algo a ver comigo imagine como é meu histórico? o q faço? qualquer opinião eu aceito. obrigada, fkm com Deus bjosssss a tds vcs

  • Zé Nascimento

    Só li esse texto hoje. Me identifiquei com boa parte do que li aqui. Meu relacionamento de 9 anos acabou em 2008 e tenho sentido uma dificuldade imensa pra (man)ter relacionamentos. Os que eu tive depois da separação não duraram mais que 3 meses, pois sempre encontro na parceira algo que me desagrada a ponto de não querer mais nada com ela. Lendo os primeiros parágrafos percebo que talvez eu ainda esteja apegado à minha ex mulher de alguma forma.
    Tenho mantido um blog (http://autoajudasentimental.wordpress.com) em que conto minha experiência na superação do divórcio. Ainda tenho umas recaídas, mesmo depois de um pouco mais de 2 anos de separação. Realmente um sinal de que minha história não ficou totalmente resolvida. O que tem me ajudado a desviar o foco no passado é justamente o que você sugere: buscar experiências positivas, desenvolver habilidades. Isso realmente ajuda bastante!
    Outra coisa que tenho procurado fazer é ajudar pessoas que estejam passando por essa situação. Escrevo o blog também para que outras pessoas que estejam passando pela mesma situação possam ler e se ajudar. Não que eu seja o dono da verdade, mas acredito que compartilhando minha experiência posso realmente fazer com que outras pessoas sofram menos.
    Gostei bastante do artigo. Parabéns por este blog e pelo Papo de Homem! :-)

  • MASSARRA

    O que sei é que cada um experimenta o processo de modo diferente. Não me parece haver um padrão. Fui casado por muitos anos. Nos separamos. A dor foi muito grande, quase insuportável. A recuperação foi acontecendo aos poucos, com ajuda de uma analista muito experiente, dos meus filhos e amigos. Continuei trabalhando, viajando profissionalmente e dando aulas. Com dificuldade, às vezes muito grande, fui superando a dor e buscando o autoconhecimento. Conhecí mulheres fantásticas, vivendo vidas produtivas e esperançosas por relações gratificantes. Hoje, já livre da dor, muito mais forte e encontrado, tenho apenas uma certeza: é preciso olhar para frente e seguir. O tempo não volta, a vida está no aqui e agora. Não “douro a pílula”: o sofrimento foi muito grande e e não gostaria de voltar a sentí-lo. Sugiro aos que têm uma relação que cuidem bem dela; se de fato há razão para estarem juntos, lembrem que a felicidade do casal depende da felicidade de cada um individualmente. Alegre-se com a felicidade de seu amor, procure ser feliz com você mesmo, e juntem-se para celebrar a vida.

  • Ler teu texto e os comentários,me trouxe a clareza necessária para entender o que estamos vivendo. Estamos em um momento de crise no casamento,bastante séria,mas estamos determinados a lutar e salvar,essa relação,que vale muito apena ser vivida. Não pelos 3 filhos que temos,mas por nós dois,pelo que fomos e ainda podemos ser e viver.Foi uma leitura muito esclarecedoura,diria didática,agora percebo uma luz no fim do túnel,muito obrigada.

  • Joseane

    Ler teu texto,foi um aprendizado para o momento que estamos vivendo,e enriquecido pelos comentários,sei que podemos virar esse jogo e ainda ganhar o campeonato,obigada.

  • Amanda

    tenho uma frase do Jota Quest q uso como ‘mantra’ até rs..

    “hoje mais do que nunca somos 2, a nossa liberdade é o que nos prende…”

    acho q se os relacionamentos trouxessem mais esse pensamento para atos as relações seriam mais saudaveis, em todos os sentidos.

  • Alegria canina e relacionamentos « OMagnataFrugal

    […] mais com vontade de estar com a pessoa e quando estava era aquela coisa totalmente apática (veja aqui um texto foda que fala de como essa apatia num relaiconamento é o princípio do fim) e […]

  • Anderson Reis

    Oi Gustavo.

    Já te acompanhava desde o Papo de Homem e agora descobri seu blog. Muito bom por sinal, meus parabéns.

    Estou neste exato momento passando por uma separação difícil com minha companheira. Eu ainda a amo e ela pediu para separar.
    Casa, carro, gatos, coisas que você cosntruiu e ver ruir é muito difícil e doloroso. Nunca havia sentido isto antes e confesso que estou um pouco perdido.

    Porém as descrições que você citou são exatamente as que aconteceram. Vejo que não sou o único, senão mais um que a partir de agora, vai enxergar a vida de uma forma diferente. Tentar se reerguer.

    Entendo que esta separação de certa forma me renderá muita experiencia e conhecimento, e assim me fará uma pessoa mais feliz. Tanto eu quanto a ela.

    Um forte abraço.

  • maria rita

    Depois de 34 anos casados e sendo explorada, economicamente psicologicamente e quase todos ente.. agradeci muito a deus quando descobri pela internet que ele pedira divorcio litigioso. Sofri só um pouquinho… em menos de l5 dias estava inteira, melhorei pele, cabelo, intestino, víceras, excesso de gordura, triclicerídeos, glicemia e tudo mais…Tudo vale a pena se a alma não for pequena!!!

  • vanusa

    acabei de me separar, e ele já está com outra estou desesperada e me sentindo perdida e esses depoimentos tem me ajudado bastante, muito bom.