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Entrevista com Lunna - Série “Mulheres por elas mesmas” (3)

por Gustavo Gitti 13 November 2007 12 comentários



Picasso - Girl Como elas podem ser tão deliciosas e tão monstruosas? Em vez de tentar entender as mulheres, como se relacionar habilmente com as energias femininas?

A terceira entrevistada da série “Mulheres por elas mesmas” (leia a primeira com B. e a segunda com Myla Fonseca) é uma advogada que me conquistou logo no primeiro email:

“Gosto muito de tudo que vc escreve, embora entenda sobre uma ótica mais simplista de quem pouco entende da linguagem filosófica. Sou objetiva e poderia responder suas propostas de perguntas, aliás: toma aí elas respondidas! Se achar que deve usar, use-as, se não, obrigada pela chance de respondê-las.”

Não tem nada mais bonito que uma atitude dessa! Sem convite, sem checagens, enviou tudo logo no primeiro contato, livre de expectativas. Mas não foi só isso… A Lunna quer usar esse espaço para atrair seu Ladies Man exclusivo! A entrevista foi um convite para aquele homem que tiver a coragem de lhe enviar um email. Vejam:

“Vamos colocar um endereço de contato na entrevista? Lá vai: miralalunna [arroba] hotmail.com. Se um Don Juan aparecer eu te mando o convite de casamento!”

De todas as entrevistas, essa foi uma das que mais me ensinaram. Aberta e cheia de desejos por mais e mais vida, Lunna esbanjou generosidade em cada pergunta. Sem perceber, disse ser Gaia, deusa da Terra, fertilidade (pergunta 9).

Se quiser participar ou conhecer alguém interessante (homem, mulher ou casal), entre em contato comigo para receber orientações. O anonimato é possível.

Perfil

Nome: Lunna
Idade: 27
Cidade: Brasília - DF
Email para homens decentes e bons partidos: miralalunna [arroba] hotmail.com

Entrevista

1. Qual é a personagem (cinema, literatura, música, pintura…) que mais retrata e expressa o feminino para você? E qual a mulher (famosa ou não) que mais encarna a essência feminina?

Ivete SangaloO personagem é a Aurélia Camargo de Senhora (José de Alencar), pela sua natureza submissa e vingativa ao mesmo tempo. E a mulher é a cantora Ivete Sangalo com sua radiante alegria feminina que traz em si a tranqüilidade e a alegria de ser o que é, sem restrições e pudores.

2. Que homem conseguiu entender a alma das mulheres?

Não acho que se possa “entender a alma das mulheres”. Cada uma tem sua alma, sua natureza e consciência. Pode-se entender a energia feminina apenas e isso, sinceramente, acredito que todos os homens que realmente tentam conseguem, assim como tem mulheres que parecem querer negar/esquecer esta força.

3. Quais equívocos você vê frequentemente em suas amigas ou em mulheres em geral? Onde elas erram e como poderiam acertar?

Vejo muita negação em mim e nas minhas amigas. Vejo a briga eterna de adaptar a realidade ao que se deseja e não a força do contrário. Somos uma geração de mulheres mimadas e mal criadas. Queremos provar que podemos tudo, mas, se vier de mão beijada em uma pequena caixa de veludo, muito melhor. Nos convencemos que aquele é o amor de nossas vidas e brigamos pelo outro de forma a aprisioná-lo e retirar toda sua naturalidade. Afinal nos apaixonamos pelo homem ou pela imagem masculina projetada?

Para acertar, poderíamos simplesmente desistir, abrir mão, praticar o desapego e a idéia de que nada é nosso, nada é eterno, nem as pessoas e nem as circunstâncias. Não falo em fugir diante de uma discordância qualquer, mas falo em parar de bater o pezinho como menina mimada que teve a boneca quebrada e perceber que aquela relação se é que existiu não existe mais. Achar o equilíbrio entre estas duas atitudes é o que é difícil – ainda não encontrei o meu.

4. Quais confusões você observa em seus amigos ou parceiros? Onde eles erram e como poderiam acertar?

Falta de auto-conhecimento. Meus ex-namorados, meus amigos e meus irmãos não sabem o que querem! Não sabem o que podem oferecer e onde tem de recuar. Não há relação satisfatória se você não sabe o que te satisfaz. Plagiando Sêneca: “Não há bons ventos se você não sabe onde quer ir”.

Vejo ainda um egoísmo imenso em muitos homens que, mesmo sem saber o que querem especificamente, desejam apenas serem servidos, se excitam com aquela encantadora novidade aos seus pés e depois cansam ao verem que não serão tratados como sultões 24 horas. Estes homens poderiam olhar para dentro. Descobrir o que desejam para si e esclarecer isso à parceira. Nada contra os que nada querem dar, mas é preciso saber se o outro concorda em não receber.

5. Amor eterno e casamento; amor líquido e morar junto; ou paixão intensa e solteirice sem fim? Com um homem machão e rico; sensível e inteligente; ou profundo e cortante?

Amor eterno, ao menos tentado. O casamento para quem acredita ser necessário proclamar a Deus/justiça/sociedade/família esta tentativa. Tudo muda, mas nada deveria mudar o desejo de se dar, servir eternamente.

6. Qual a sua arte? No que você é realmente boa? Se pudesse oferecer algo ao homem de seus sonhos, qual seria seu presente?

Sou toda detalhes. Sou boa em perceber pequenas sutilezas nos gostos de cada um e explorar isso. Se pudesse oferecer um presente para meu amado, ofereceria um jantar preparado por mim, com acurada escolha de pratos, texturas, música, cheiros e ambiente. Eu pessoalmente cuidaria de cada filigrana para presentear os sentidos daquele que escolhi.

7. O que faz você gozar? Fale sobre posições, fantasias, pegadas, jeitos, toques e andamentos.

Gosto de conexão. Explorar os sentidos: Olho no olho (ainda que por alguns instantes), ver meu corpo ser submetido, tato: mão aberta, espalmando, apertando, cabelos puxados de leve, seios explorados, braços contidos sob uma leve pressão; audição: risos, palavras sussurradas, palavrão, declaração de amor, elogios, gemido, respiração ofegante; paladar: boca, muitos beijos, algumas mordidas, lambidas, pele suada, sexo oral; olfato: meu cheiro misturado ao dele, perfume de homem (não perfume comprado, aquele da pele masculina).

8. Quais os pequenos detalhes que te fazem mulher? Seus braceletes, sua poesia, seu jeito de se sentar na sala do cinema… o quê?

O olhar, o sorriso, a fragilidade. Lábios carnudos, olhos amendoados, pele amorenada, cabelos longos e facilidade para se deixar seduzir.

9. Qual é a grande história da sua vida? Para além de fatos brutos, em qual enredo mitológico você vive? Você é Cinderela, La Loba, Tara, Lilith, quem? Qual seu mito?

GaiaNão sei quem são todas essas. Sou a Terra, aquela que serve, de onde se retira a seiva, sou fecundidade. Minha estória é essa: sempre desejei encontrar aquele que me tome para si e diga “Minha mulher, sou teu homem”. Infelizmente ainda não tive este presente, a possibilidade de ser chão para alguém e de ser protegida e semeada com enormes doses de carinho e veneração.

10. Descreva o momento de maior abertura, felicidade e transcendência que você já viveu.

Não sei eleger um momento. Quando me apaixono vivo muitos desse, mas sinto muita alegria na contemplação do fluxo da vida. Gosto de me ver sentada em um lugar em que nunca estive antes, rodeada de pessoas que nunca vi antes, comendo o que nunca comi… Gosto de me ver caminhando.

11. Escreva aqui a pergunta que gostaria de receber e trate de respondê-la! Pode ser algo que sempre desejou que um homem lhe perguntasse ou apenas algo que você queira dizer.

“Lunna, eu quero sua força na minha vida, você pode me ajudar a ser merecedor disso?”
Se um homem reconhecesse e aceitasse minha necessidade de amar desta forma… meu amigo, este seria meu momento de transcendência da pergunta anterior!

Perdi meu tempo.Você tem 12 anos?Tá frio hj, né?Quando sai o livro?Deu uma vontade de fumar... (Gostou do texto?)
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12 comentários »

  • B - Me and My Secret Life disse:

    Interessante… Luna parece viver em uma balança (daquele tipo que representa o signo de libra, sabe?). Mulher e menina, submissa e forte, instinto e razão. Apesar de ter passado todo o texto evidenciando sua fragilidade e submissão, ficou claro, claríssimo, que é uma mulher forte e sabe o que quer. Tem uma meta e alcançará seu objetivo. Boa sorte! (Dizem que sorte é uma união de preparação e oportunidade, que venham as oportunidades, preparada está!)

  • myla disse:

    PQP, Lunna.

    quero ficar sua amiga! coração assim é coisa rara. acabei d te conhecer mas já senti um puta orgulho em te ler aqui. :0)))

    me fez remexer em tanto e relembrou-me, d principal, q “essa vida é d cabeça-pra-baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas”. j guimarães rosa

  • renata disse:

    Oi Gustavo. Recebeu meu email com as respostas da entrevista? As entrevistas estao ótimas, cheias de opiniões interessantíssimas. Por isso mesmo acredito que as entrevistas devem estar bombando! bjos

  • Lu Carvalho disse:

    Caraca, arrebentou… Lunna vc mandou muito bem, fiquei sua fã, a resposta da pergunta 9 matou a pau.
    Gustavo, parabéns as entrevistas estão cada vez melhores.

    Bjs

  • Lunna disse:

    Gustavo - Obrigada, obrigada e obrigada, vindo de vc cada elogio é mais que um presente;
    B. - Gostei muito do seu comentário. Sim, esta sou eu : menina e mulher. Sua visão ao meu respeito foi exata… Só não estou certa quanto a preparação. Tenho muito a aprender com mulheres de verdade como vc ! ;-))
    Myla - Uma nova amizade é muitissimo bem vinda. Fique a vontade para usar meu e-mail de contato.
    Renata e Lu - Obrigada pelo elogio. O mérito todo é do Gustavo que soube elaborar perguntas maravilhosas !

  • Gastón disse:

    É Lunna, arrebatadora entrevista. Hoje virei teu leitor e fã. Gostei muito. Beijo.

  • Luiz disse:

    A entrevista da Lunna me tocou profundamente. Primeiro, pela constatação de alguns óbvios femininos, que ela define como energia e que nós homens, infinitos imaturos nesta questão, ainda temos que compreender melhor. O caminho é longo, mas vamos aos poucos tirando as pedras do caminho.

    Segundo, por profunda admiração pela arte de se expressar da entrevistada e mais adiante, por uma enorme saudade e vontade de rever meu segundo “e último” amor. Não uso o adjetivo “verdadeiro”, porque se é amor, ele só pode ser. Me vi e me senti preso no seu universo. querida autora! Também na sua morenisse. Eis que você só pode ser morena, dengosa, faceira e cheirosa!

    Mas também por sentir que Lunna, talvez se expresse com uma honestidade curtida em uma afinidade recente consigo mesma, que talvez tenha mudado através de suas experiências, assim como mudamos todos através do tempo e do vento que nos toca o corpo, a mente e a alma. Este é o sentido de evoluir e de ser apenas, coração!

    Relações tão intensas e promissoras, como ela descreve e pretende, não podem acontecer em períodos conturbados da vida. Afinal, somos cúmplices, homens e mulheres, na formação de um universo de compreensão entre os sexos. Se forçarmos muito essa barra, corremos o risco de conduzi-la de forma a não avançar para o que nós homens, no fundo no fundo também queremos e precisamos para atingir nosso nirvana: “o chão que Lunna promete.”

    E porque não dizer, colo? Nos momentos de decisões, de conquistas e derrotas, de aflições, de diferenças, sejam elas de credo, convicções políticas ou de opiniões… apenas, colo. Sem julgamentos um ao outro, sem imposições e proselitismos, sem comentários sobre o óbvio masculino ou feminino e nossas próprias impertinências. Isso apenas fere, como finca no coração de quem também só quer amar!

    Não sei se vou conseguir reconquistar tamanho universo algum dia, mas sei que ele é possível com alguém como a Lunna. Isso, se tudo que ela oferece for verdadeiro e recíproco e se ela souber encarar um violão a dois como carinho e conseguir esperar que seu compositor termine as músicas e os poemas que fez em sua homenagem, mas também aqueles que fez em homenagem ao mundo que todo artista precisa pintar, contar e tocar.

    Quem sabe até uma geléia de frutas caseiras no café da manhã para acompanhar a borrasca do vinho que iremos tomar. Sem necessidade de precisar a hora ou a forma de concluir o pacto criado pela lei ou por religiões, mas apenas o desejo de voltar e voltar para este colo, quantas vezes ele se permitir; para o simples pacto de felicidade entre um homem e uma mulher. Ahhh Lunna, por que será que você não é minha?

    Acredito que estamos sempre indo de encontro com aquilo ou aqueles que buscamos. Sua palavras me deixaram ainda com mais vontade de ir além, para algum dia conhecer “a minha mulher. “

  • Gustavo Gitti disse:

    Mas que beleza! Uma declaração de amor pública… Meus parabéns, Luiz!

    Já enviou um email para ela? Será que moram na mesma cidade?

    Se der casamento, aguardo o convite. ;-)

  • Lunna disse:

    Gastón - Que bom que gostou ! Gente, este cara é dono de um dos blogs mais divertidos e bem escritos que tive contato. Não deixem de visitar o link no respectivo comentário.
    Gustavo - Luiz e eu moramos na mesma cidade sim. Ele é uma pessoa muito querida para mim além de (acabo de saber) ser um escritor maravilhoso que esta para publicar seu próprio blog.
    Luiz - Obrigada. Ainda estou assustada…

  • Alê disse:

    Adorei essa entrevista.
    Estou impressionada com o Marco e com a Lunna, me identifiquei super com os dois!
    Os itens 4,6, 7 e principalmente o 9, uau! Compartilho em gênero, número e grau!
    Parabéns!

    bjs

  • Lunna disse:

    Obrigada pelo elogio Alê. Tb me identifiquei com o Marco.
    bjs

  • Sarah K disse:

    Gostei demais das respostas 3 e 4, me identifiquei bastante.
    E a Lunna parece ser uma pessoa super conectada com seus desejos, uma mulher atenta ao outro e a si mesma.
    Parabéns!
    ;-)

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