Entrevista com Fernanda – Série “Mulheres por elas mesmas” (7)

por Gustavo Gitti 2 março 2008 15 comentários

Picasso - Girl Quais os meandros do feminino? Como é ser fêmea na espécie humana? O que é mesmo uma mulher? ;-)

A sétima entrevistada da série “Mulheres por elas mesmas” (leia outras entrevistas) gosta de mulheres e se propôs a compartilhar seus insights sobre os universos masculino e feminino.

Homens, prestem bem atenção: alguns trechos são verdadeiras aulas sobre os movimentos do feminino.

Mulheres, digam se concordam com essas passagens (eu assino embaixo):

“A plenitude da mulher está na indefinição.”

“O inteligível não mitiga a sede feminina.”

“Sinto como se os homens nunca alcançassem o meio-termo: são dedicados ao extremo ou são relapsos demais.”

Se quiser participar ou indicar alguém (homem, mulher ou casal), entre em contato comigo.

Perfil

Nome: Fernanda
Idade: 22 anos
Cidade: Araraquara – SP
Contato: Gmail

Entrevista

1. Qual é a personagem (cinema, literatura, música, pintura…) que mais retrata e expressa o feminino para você? E qual a mulher (famosa ou não) que mais encarna a essência feminina?

Julie Delpy - Before Sunset - Antes do Por-do-solSelecionar uma personagem delimitaria o feminino – pelos traços mais salientes nela – e, conscientemente, isto me atordoaria. Creio que a plenitude da mulher está nesta indefinição, no impenetrável espírito que se amplia constantemente, bastando apenas uma nova tendência da moda ou uma TPM para que ela aja diferente do previsível.

Ousarei pela mistura: Vera Drake e sua inocência (filme O Segredo de Vera Drake, a mulher se humilhando frente ao final de um relacionamento na música de Elis Regina, “Atrás da porta”); Celine, dona de uma leveza espiritual em Antes do Amanhecer e, posteriormente, dona de incômodo amoroso em Antes do Pôr-do-Sol (filmes de Linklater); Úrsula com uma magnífica força em Cem Anos de Solidão do Garcia Márquez; as mulheres de Edward Hopper indiferentes ao mundo… Enfim, poderia enumerar milhares de figuras, absorvendo o toque interessante de cada uma e, nem assim, delinearia o feminino.

E, da mesma forma, não colocaria tanta responsabilidade em uma só mulher que conheço pelo que vejo, pelo que ouço, pelo que converso ou pelo o que acredito entender dela. Questiono-me: seriam verdades o que enxergo? Até que ponto meu julgamento é correto, apesar de válido para construir minha identidade?

Sou fascinada por Elis Regina, suas interpretações e posicionamentos em entrevistas criam vontades em mim. Sinto que ela não era mais do mesmo, ao passo que se deixava sempre invadir pela insegurança, camuflava-se na voz. Em contraponto, tem Frida Kahlo, magnânima em sua arte, doloridamente forte… Patrícia Galvão, Simone de Beauvoir, minha mãe, minha avó paterna, eu, você… Todos carregamos a essência feminina, seja ela perceptível ou não, consagrada ou não.

*Nota do entrevistador: sou completamente apaixonado pela Julie Delpy (foto). Alguém aí tem o celular dela? 

2. Que homem conseguiu entender a alma das mulheres?

Nenhum homem e, aproveitando o espaço, afirmo: nenhuma mulher. Ainda que me enxergue com uma sensibilidade exacerbada, principalmente, no tocante a meu corpo e minha alma, não me compreendo e confesso adorar isto.

Harmonia demasiada me incomodaria, sentiria-me sem ritmo, sobrevivendo apenas. Digo: além de me alimentar, eu gosto de comer – cada um interprete como quiser. Alcançar o alheio é dificílimo, quiçá impossível, não que identificações não aconteçam. O inteligível não mitiga a sede feminina. Preto e branco só no cinema e na foto. Queremos muitas cores para manipulá-las conforme nosso humor.

Tudo bem, minha filosofia é de boteco.

3. Quais equívocos você vê frequentemente em suas amigas ou em mulheres em geral? Onde elas erram e como poderiam acertar?

O “complexo do espelho” é o maior equívoco feminino. Depois que a mulher pára de se observar no espelho, ainda raciocina como se tudo permanecesse refletindo. A vida se torna densa quando nos projetamos no outro. O interessante é que ele se mostre despretensiosamente ou que permita o tato.

Engendrar unilateralmente uma história belíssima de amor é uma assinatura para o sofrimento futuro. O nosso famoso sexto sentido deve se atentar para isto: estou enxergando meu parceiro com as verdadeiras cores dele? Estou conjeturando um namoro depois da primeira ficada baseado em… se ele nem pegou meu telefone?

Para acertar não há uma fórmula, exatamente pela singularidade de cada relacionamento, mas eu acho necessário viver um dia de cada vez.

4. Quais confusões você observa em seus amigos ou parceiros? Onde eles erram e como poderiam acertar?

Não sei, mas meu conhecimento sobre o sexo masculino é limitado. Prefiro não pecar pelo senso comum ao falar besteiras. Diria apenas que percebo, algumas vezes, os homens pecando pelo excesso. Sinto como se nunca alcançassem o meio-termo: são dedicados ao extremo ou são relapsos demais. Parecem que possuem uma esperteza natural ao lidar com questões básicas do cotidiano que eu, por exemplo, dramatizaria exacerbadamente antes de entendê-las, ao passo que não usam este dom para compreender o diferente no ser da mulher (o contrário também é válido: a sagacidade feminina, tantas vezes, fica coberta por uma camada de egocêntrico orgulho).

Recordei imediatamente uma ocasião em que estava com um grande amigo passeando pela cidade de madrugada. Discutíamos a mulher confusa com quem me “relacionava”. De repente, senti vontade de deixar um bilhete no carro dela. Paramos no parque em frente ao prédio onde ela morava e, como de costume, seu carro estava estacionado no seu quarteirão.

Ficamos no carro, ouvindo Elis por longos minutos e depois de cogitar mil maneiras abordá-la, eu desisti: “Ai, não quero mais, vamos!”. Ele me olhou com desprezo, pegou o papel da minha mão, escreveu umas palavras, colocou no pára-brisa do carro dela, voltou e simplesmente disse: “Agora, sim, vamos!”. Os sexos opostos são complementares para manutenção da vida.

5. Amor eterno e casamento; amor líquido e morar junto; ou paixão intensa e solteirice sem fim? Com um homem machão e rico; sensível e inteligente; ou profundo e cortante?

Para vida, um amor eterno e casamento com uma mulher sensível e inteligente. Sou cansada dessa liquidação de sentimentos.

Enumero o meu “gosto” por relacionamento fixo e verdadeiro por adorar: a densidade construída em noites longas de conversas sinceras; o enxergar-me no outro pela cumplicidade de uma simples palavra; o sentir-me abraçada por “uma” voz do telefone, em momentos distantes; o saber que tenho horário combinado pra não deixá-la esperando; a cama “menor”, embora confortável, antes de dormir; o pensar no jantar que ela gostaria que eu fizesse na comemoração dos anos de namoro; o alugar de um filme que ela achou que seria bom quando leu uma crítica… Enfim, tantos motivos.

Sem falar que amaria dizer: “sou muito feliz casada há 14 anos”. Parece besteira, mas é quase um sonho.

6. Qual a sua arte? No que você é realmente boa? Se pudesse oferecer algo ao homem de seus sonhos, qual seria seu presente?

Deveria ganhar pra viver. O Estado banca tanta merda que direcionar uma parte dos impostos pra mim não faria diferença. Este mau-humor constante é fruto do refletir. Artisticamente, escrevo. Creio que nem a morte roubaria tanto minha vida quanto a privação de escrever, é uma necessidade física.

Quanto à segunda pergunta, se eu pudesse presentear a mulher dos meus sonhos, eu me ofertaria, consciente de que minha vontade e meu esforço a fariam feliz. Bastante utópico, mas já é um belo começo.

7. O que faz você gozar? Fale sobre posições, fantasias, pegadas, jeitos, toques e andamentos.

Seria hipócrita anulando a beleza física. Sou também corpo e, apesar de não me crer ninfomaníaca, adoro o prazer sexual. Quanto a posições, fantasias, toques, eu penso que é uma conquista do casal, o sexo é como um diamante bruto que necessita ser lapidado pra ter valor. Para o andamento razoável do mais simples relacionamento, as pessoas precisam de lealdade, fidelidade, cumplicidade, dignidade… Complicado, mas não impossível.

Como estou solteira-enrolada-disponível, existe um grande problema que estraga o andamento até de uma putaria: mulher que fala errado – “eu tô meia confusa”, “isso é pra mim comer?”, “a gente estávamos pensando em…” – quando não desencadeia uma sintonia intelectual, eu me retiro fácil. Por isso, estou esperando que “nos encontremos” de novo.

8. Quais os pequenos detalhes que te fazem mulher? Seus braceletes, sua poesia, seu jeito de se sentar na sala do cinema… o quê?

Definitivamente, as roupas, os sapatos e os acessórios que uso não transmitem feminilidade. Meu corpo magro de andar prepotente e distraído muito menos. No entanto, quando converso, apesar de minha entonação sempre sarcástica (dependendo do interlocutor que a julga “grosseira”), enxergo uma perfeita mulher se pronunciando, convicta do que fala e delicada no gesticular.

9. Qual é a grande história da sua vida? Para além de fatos brutos, em qual enredo mitológico você vive? Você é Cinderela, La Loba, Tara, Lilith, quem? Qual seu mito?

A grande história da minha vida é a minha vida. Levando em consideração que eu tenho 22 anos, são quase nove mil dias de história… ainda não conheço um livro com tantas páginas. Espero encontrar ainda um mito no qual eu me encaixe, senão terei de fazer um para assinar meu nome. Sou quase arrogante.

10. Descreva o momento de maior abertura, felicidade e transcendência que você já viveu.

Não consigo estabelecer algo tão grandioso de toda minha vida. Do ano passado: Com o término de um namoro doentio, a primeira vez que fui pra um boteco com os amigos, eu senti um bem-estar tamanho por aquela “liberdade” que chorei compulsivamente de felicidade.

E, acho que a transcendência mais presente agora, pelo momento saudosista, foi quando ela subiu no palco, tomou o violão da mão do cantor e se pôs a cantar uma bossa interpretada por Elis, seguida de sambas do Noel Rosa. Foi indescritível, mesmo porque o sossego e a forma como ela encara a vida me faziam crer que seu gosto musical tendesse pro reggae. Eu, de verdade, a odiei muito de tão pasma que eu fiquei.

11. Escreva aqui a pergunta que gostaria de receber e trate de respondê-la! Pode ser algo que sempre desejou que um homem lhe perguntasse ou apenas algo que você queira dizer.

Vou dizer. Sou esta incoerência apaixonada pela vida. Nas respostas, provavelmente, terão conflitos de pensamentos, mas, de coração, que eu não me preocupo com eles. Se consertasse as imperfeições do texto estaria alterando as insanidades da minha mente, soaria falso. A minha estranheza não me incomoda.

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Para transformar nossas relações

Há algum tempo parei de escrever no Não2Não1 e comecei a agir de modo mais coletivo, visando transformações mais efetivas e mais a longo prazo. Para aprofundar nosso desenvolvimento em qualquer âmbito da vida (corpo, mente, relacionamentos, trabalho...), abrimos um espaço que oferece artigos de visão, práticas e treinamentos sugeridos, encontros presenciais e um fórum online com conversas diárias. Você está convidado.



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15 comentários »

  • Eterna aprendiz

    Caros Fernanda e Gitti,

    Entendo as relações humanas, fundamentalmente, da seguinte forma: o que damos é o que acaba voltando para nós.
    No entanto, para que enxerguemos isto precisamos desenvolver olhos que vejam além dos nossos apegos e aversões.
    Pois, na maioria das vezes, o que retorna a nós não tem a aparência que esperávamos e nos parece bastante diferente do que planejamos.
    Se estamos insitindo com o que não nos é devido, também, precisamos aprender a mudar nossa rota.
    No caso da entrevista da Sarah, vi uma mulher muito feminina e amorosa querendo dar a contribuição que só ela poderia dar para o embelezamento das relações homem / mulher. Gostei demais da Sarah!
    No seu caso, vejo uma jovem mulher que busca uma certa síntese com coragem e autenticidade. Também, gostei demais de você!
    Não li as outras entrevistas, mas acho que ambas, você e Sarah, foram acima de tudo, generosas. Pois quando nos expomos com coragem, não camuflando a nossa vulnerabilidade, corremos riscos assustadores: não ser aceita, ser discriminada, ser julgada, ser manipulada, ficar fragilizada…
    Porém, todos percebemos, com clareza, que este é o caminho pedregoso para que se viabilizem trocas que realmente permitam-nos algum crescimento.
    Gitti pediu para opinarmos sobre três das suas colocações:
    1- “A plenitude da mulher está na indefinição.”
    Da forma colocada na entrevista, concordo plenamente.
    No entanto, como o oposto de sabias colocações, também, são sabias colocações. Acredito que a busca de poucas definições (atenção eu disse poucas, se forem muitas não se prestarão ao propósito) funcionam como as estrelas que na imensidão azul do céu podem nos apontar a direção. Percebe?
    2- “O inteligível não mitiga a sede feminina.”
    Perfeito!
    3- “Sinto como se os homens nunca alcançassem o meio-termo: são dedicados ao extremo ou são relapsos demais.”
    Acho que você apreendeu, a grosso modo, a tendência da maioria. No entanto, algumas de nós conseguem de forma muito interessante dar uma equilibrada nestas predisposições masculinas.
    Como sou, assumidamente, uma songa (palavra que adotei, após ler o encantador Manoel de Barros) quando o assunto é homem, peço ajuda para as Sarah que estão nos lendo.
    beijos.

  • Adriana

    “O nosso famoso sexto sentido deve se atentar para isto: estou enxergando meu parceiro com as verdadeiras cores dele?”
    Eu acrescentaria, num estágio posterior da relação: Estamos atentos a perigosos afastamentos que podem estar prestes a se transformar em abismos intransponíveis?
    A letra de Nando Reis destaca muito bem isso:

    A gente não percebe o amor
    Que se perde aos poucos sem virar carinho
    Guardar lá dentro o amor não impede
    Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
    Tornar o amor real é expulsá-lo de você
    Pra que ele possa ser de alguém

    Essas entrevistas são sempre um belo exercício de comunhão na diversidade.
    Um grande abraço.

  • Thaíse

    “A plenitude da mulher está na indefinição.” >> creio que isso está muito relacionado à necessidade da conquista permanente. Não vejo a coisa com esse romance. Talvez eu afirmasse que a plenitude da mulher está no fato de ser um mistério para si mesma – mudando o vetor, muda o conceito. =]
    No livro “Vergonha dos Pés”, da fernanda Young, tem um trecho em que a personagem diz (algo como) que amadurecer, para a mulher, é quando os mistérios deixam de estar fora de nós…

    “O inteligível não mitiga a sede feminina.” Pelo contrário…

    “Sinto como se os homens nunca alcançassem o meio-termo: são dedicados ao extremo ou são relapsos demais.” Me parece que os relacionamentos tendem ao extremo, mesmo os mais delicados. É justamente aí que reside aquele buraquinho que buscamos ir tapando, com paciência, respeito, conhecimento, passo-a-passo.

    Adorei o texto da Fernanda, a forma como ela foi pintando seus nove mil dias.

  • myla

    sua entrevista foi a q mais gostei aqui até o momento – dá pra sentir o tom sincero ao fundo, reverberando em tudo.

    e vc, com apenas 22, desbanca muita mulher trintona e quarentona por aí – é sincera e mostrou uma maturidade bem além dos teus nove mil anos d vida.

    shooowdbola, Fernanda. :0)

  • Fernanda

    Eterna aprendiz,

    primeiro agradeço o comentário
    Eu discordo da sua afirmação inicial: “o que damos é o que acaba voltando para nós”.
    Penso que se fosse assim, a singularidade das pessoas seria anulada, quando é ela que pesa em qualquer relacionamento e nos rumos dele – daí sim, tendemos a fazer para o outro o que ele fez para nós. Por isso, saliento, somente depois de conhecer minimamente a pessoa.
    No princípio de um namoro/amizade/casamento, se bastasse que eu oferecesse meu respeito para ser correspondida, teria meus olhos tapados pela confiança ingênua (acho que muitas vezes sofremos pela esperança depositada e não recebida pelo outro, então para mim é utópico pensa que recebo o que dou). Na prática, o toque individual, até por experiências anteriores, nos deixa bastante insensíveis na crença de uma “troca mútua”.
    Gostaria, sim, que fosse da maneira como você refletiu, ainda mais por eu botar uma fé no ser humano, mas infelizmente, somos um vírus incubado.

    um beijo,
    até breve.

  • Fernanda

    Adriana,

    conheço a música e acho ela que se encaixa perfeitamente para a continuação do que falei.
    Estarmos atentos é difícil, mas acredito que o problema esteja em estarmos preparados. Por mais que estejamos esperando um golpe e pensamos ter métodos para nos defender, se a pessoa for esperta o bastante, acaba penetrando na nossa defesa, então, não há parede que a segure.
    Para alcançar o equilíbrio, basta sinceridade – acredito na verdade acima de qualquer mentira para me proteger.

    um beijo,
    obrigada.

  • Eterna Aprendiz

    Olá Fernanda,

    Da forma contextualiza por você, concordo com a sua discordância! Quando afirmei que o que damos é o que acaba voltando para nós, não deixei claro, mas estava em sintonia com um contexto mais abrangente, como o descrito por Walt Whitman:

    Às vezes com a pessoa a quem amo
    Fico cheio de raiva
    Por medo de estar só eu dando amor
    Sem ser retribuído;
    Agora eu penso que não pode haver amor
    Sem retribuição, que a paga é certa
    De uma forma ou de outra.
    (Amei certa pessoa ardentemente
    e meu amor não foi correspondido,
    mas foi daí que tirei estes cantos.)

    Obrigada pelo feed-back!

  • srta. rosa

    Nossa, fiquei babando com as respostas. As noites longas de conversa que definem, o sexo conquistado pela intimidade. Pareceu muita mulher pros seus poucos 22 anos. Tiro o chapéu. :*)

  • Thaíse

    Quando falei em “indefinição”, referia-me a minha incapacidade em falar do feminino com poucas citações; acho grandioso demais este universo para explicá-lo com “pouco”, independente do lugar onde o mistério esteja. O ser humano é convulsivo.
    Creio que a necessidade de conquista permanente a qual se refiriu é algo inerente a todos; talvez para seus olhos mais saliente no sexo feminino?

    Apesar de ter refletido novamente a “sede” feminina, continuo afirmando: queremos explicações. Mesmo com a ansiedade doce da indefinição de um relacionamento que se estende por meses, queremos uma postura do alheio – mesmo que ela seja contrária ao nosso desejo.

    Concordo que os relacionamentos amorosos tendem ao extremo e, por isso, é algo tão denso e rápido atualmente. Vejo poucos relacionamentos durarem por longa data.
    Acho que a fugacidade da vida cotidiana implaca direta até no amor – sinto que poucos percebem a tristeza disto. No fundo, esquecemos que há uma infinidade de dias para conhecer o outro e ter experiências deliciosas; daí a necessidade do conquistar diário do qual você falou.
    Quantas pessoas estão dispostas a isto hoje?
    Em apenas um dia, eu seria perfeita pra namorar/casar, mas em um mês.. só quem se relacionou comigo e com meus defeitos sabe o quão complicado é. As baladas são valorizadas por isso.

    Até mais,
    beijo.

  • Fernanda

    myla,

    primeiro agradeço verdadeiramente suas palavras.

    Eu sempre peco pela sinceradidade, talvez um pouco de minha imaturidade venha deste caráter efusivo – que me torna incoerente. E como ser incoerente quando há outros no jogo? Dolorido.
    Já sofri bastante com a minha boca, tive que aprender a lidar com a diferença, entender que os outros não reagirão de acordo com a minha vontade (e como é difícil para uma filha única mimada). Acho que minhas maiores frustrações e dores vieram daí; quando saí de casa, a outra cidade não era tão bonitinha quanto a desenhada pelos meus pais. Era eu e eu conquistando um espaço na mente do outro e me lapidando a minha sensibilidade para não machucar ninguém.
    Cinco anos depois, eu percebo que, pelo menos, sei usar as palavras.

    Um beijo doce.

  • Fernanda

    srta. rosa,

    obrigada pelo elogio. Eu sempre quis amadurecer rápido, mas sem pular fases.
    Observá-la, conhecê-la, conquistá-la, apronfundar-me nela. Não consigo ser diferente e, talvez, nem queira.

    Gosto das personagens de “Esperando Godot” (Samuel Beckett), Vladimir e Estragon. Há muitas semelhanças entre nós.

  • Fabiana Rached

    Amiga linda,

    vc sempre me surpreende! Fiquei emocionada com a entrevista; conforme eu lia, fui ouvindo sua voz!
    um super beijo, bebê!

    Fabi.

  • 30 & Alguns » Blog Archive » Meu Google Reader (21/02 - 08/03) - Parte II

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  • marlo

    Fernanda:

    Parabéns pela coragem inerente a tua juventude.

    Deves ser bonita, pois és segura de si.

    Gosto dessa tua alegria juvenil, e do teu desejo de encontrar as respostas já tão cedo.

    Talvez eu possa te indicar uma direção, não sei se é a certa, mas vamos lá.

    O teu desejo basal seguramente é o de ser amada, elogiada, ouvida e certamente desejada sexualmente.

    Desejas aquele friozinho na barriga, o sentimento de cair no precipício. ( toda mulher quer ser arrebatada pelo SEU Homem que segundo a grande Rita Lee deve ser Rico, bonito, fiel e tarado. )

    Observo que a a maioria das mulheres antes de virarem Lobas, desejam o ter o seu Provedor, a sua Segurança , o seu Ninho.

    As mulheres querem ser possuídas, mas sempre relutam a se entregarem, desejam o sexo, mas rejeitam o sêmem. Eis aí, a maior ambigüidade feminina. – Se queres ser feliz, entregue-se seu homem, e queira o sêmem dele dentro de você.

    Noto que num relacionamento as mulheres perdoam quase tudo de seus maridos, só não perdoam o fracasso econômico do seu marido/companheiro.

    Vejo que toda mulher quer ser Mãe, quer ter um filho mamando no peito. (certamente o instinto materno é muito mais forte que o sexual nas mulheres).

    Passado o desejo da maternidade, vem a fase da Loba.
    Pois primeiro é o desejo pelo provedor pela segurança, depois toda mulher quer ser desejada, precisa do comedor, do sedutor, do pecado, do cafajeste, do sem-vergonha, do mulherengo. ( Toda mulher , ainda que tenha sido fiel a vida toda, seguramente já desejou se entregar ao cafajeste ) é do instinto feminino. – Veja o grande Nelson Rodrigues -

    Fernanda, cuidado com a revolta pelos milênios de subjugação aos Homens.
    Não desconte no seu marido o sofrimento da sua mãe/ vó / bisavó …

    Se seu namorado for bom de cama ( não pode ter pau pequeno/fino, ejaculação precoce, mau hálito ) invista nele, se dedique a ele, construa a sua vida junta com a dele, certamente terás mais chance de ser feliz, pois a Solidão é uma merda, e a solidão feminina é desesperante.

    Amor com amor se paga, e normalmente:
    a) colhemos aquilo que semeamos.
    b) As coisas valem aquilo que pagamos por elas.
    c) Só damos valor aquilo que perdemos.

    Abraços.

    M:. ( 43 anos )

  • Tweets that mention Entrevista com Fernanda – Série “Mulheres por elas mesmas” (7) | Não Dois, Não Um: Um blog sobre relacionamentos lúcidos -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Eduardo Niehues. Eduardo Niehues said: Uma entrevista muito esclarecedora, mulheres falando sobre o que é ser mulher entre outras coisas: http://tinyurl.com/ygocu2g RECOMENDO! [...]

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