Dicas rápidas para qualquer relação (16-21)

por Gustavo Gitti 23 November 2007 14 comentários

16. Se quiser atravessar as paredes dos outros, dissolva as suas. É uma lógica nonsense, eu sei: as paredes só existem em primeira pessoa. Perscrute e desconstrua um a um todos os seus vícios, hábitos e crenças, até que cada ação brote direto da liberdade básica que é nosso solo comum. Nossos condicionamentos não são nossos. A raiva que surge aqui é a mesma que move sua mão aí. Estamos todos expostos e nus o tempo todo.

17. Quando tudo dá errado, nossa reação corporal mais imediata é uma expiração: “Bfff… Que merda!”. Faça ao contrário, quando puder. Inspire a dor, entre nela e olhe tudo detalhadamente. Faça a dor circular dentro de seu corpo e mantenha os olhos bem abertos. Se reagimos e nos fechamos, as saídas se tornam ainda mais invisíveis. O lance é ficar aberto, sempre. Ah, faça isso também com a dor do outro.

18. Para efetivamente ajudar alguém, não dê nada. Abra espaço para que o outro ofereça algo a você. Diante de um mendigo, dar comida pode ser bom, claro. Imagine, porém, pedir para que ele conte uma história e ensine algo para você. Seus olhos vão brilhar, ele se sentirá valorizado com sua experiência legitimada, apreciada. Ele sentirá a alegria de fazer alguém sorrir, de tocar alguém. Ora, nós mesmos não adoramos quando nossa experiência é valorizada e somos convidados a ensinar? Ofereça essa oportunidade a todos que encontrar. “Ah, mais isso não funciona, ele continuará miserável”: talvez isso seja verdade, mas reconhecer nossas próprias habilidades não é o primeiro passo para conseguir um trabalho remunerado?

19. Trabalhe e use suas habilidades dentro de um sonho coletivo. Se sua motivação for restrita ou se o projeto beneficiar apenas você ou pouquíssimos seres, em breve sua energia se esgotará.

20. Viva com certezas. Deixe o “talvez” apenas para uso poético. Caso contrário, nunca conseguirá expô-las para debate ou esmagá-las com a vida. Não há nada mais tedioso do que alguém em cima do muro! Se escondemos nossas certezas, é possível passar anos sem mudar. Perda de tempo. Afirme com vigor sempre, mesmo que seja para concluir com uma dúvida, uma incerteza, uma pergunta. Pelo caminho do teste empírico de todas as certezas, chegaremos à liberdade sem certezas, ao movimento livre em todas as direções.

21. Aprenda a mostrar as cartas e bater com a mão na mesa: “Let’s get real!”. Relações medíocres só se sustentam enquanto seguramos as cartas somente por uma justificativa estúpida: o outro também está segurando. Estamos todos buscando a mesma coisa. Ele deseja o que você deseja. Você quer justamente o que ele quer. Abra logo as cartas para que o verdadeiro jogo comece.

Continua…

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Para transformar nossas relações

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14 comentários »

  • João

    Gustavo, aprendo muito com você. Noto em muitas pessoas que elas tem dificuldade de se abrir, porém tomo a iniciativa de ser aberto e permitir que elas falem sobre elas mesmas. Suas idéias convergem com as do livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie.
    Aprendi que não preciso falar sobre os meus problemas e minhas dores, eu permito aprender com as experiências que me contam conforme você cita nesse post.

    É isso aí, abraços

  • myla

    a frase (q li, dentre um mundaréu d coisas) mais bonita do mês:

    deixe o “talvez” apenas p o uso poético.

  • vanessa

    Cara, não entendi se é filosofia mascarada de auto-ajuda ou o contrário.
    Falando dos últimos posts…

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi, Vanessa! Tudo bem contigo?

    Então, eu não consigo nem fazer filosofia (parei o curso no meio, sou um frustrado) e nem auto-ajuda (já tentei dar palestras para empresários mas não dei me bem, frustrado de novo).

    Por isso criei esse blog meio tosco, lilás demais, texto demais, imagem demais, fru fru demais. E às vezes solto esses posts meio ridículos, como se eu realmente soubesse de algo.

    Ah, tentei ser poeta também, mas parei nos meus primeiros poemas.

    Minha habilidade é o fracasso. Serve?

    Abração

    Gu

  • Alê

    Se é filosofia ou auto-ajuda, who cares???
    É humano.
    Tão humano que bateu do lado de cá, numa bela ressonância.
    Depois leia meu último post, de forma mais visceral ele converge pras águas de cá.

    bjs Gu!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Alê, acho que importa, sim. Gostei do comment da Vanessa.

    Fora o Gustavo que escreve esse post, todo o resto de mim concorda com ela.

    No começo (antes do blog transconhecimento), eu escrevi só para mim, só aquilo que eu mesmo gostaria de ler. O problema é que ficava sempre um texto longo que tinha “pré-requisitos”. Ah, você não conhece o conceito de imanência em Espinosa? Então foda-se!

    Depois conheci Rubem Alves (que hoje descarto) e depois Contardo Calligaris. Aí pensei: “Por que não escrever para os outros, os vários outros?”. Desde então vario… Mas até hoje os que gosto mesmo de escrever não passam por essas dicas new age, não.

    Nesse blog, por incrível que pareça, o post que mais fala sobre mim não é sobre relacionamentos lúcidos ou amor transcendental. É esse aqui:

    http://nao2nao1.com.br/um-fracasso/

    Abração para vocês!

  • Alê

    Não desgostei do comment, é ótimo para localizar que realmente não sabemos de nada.
    Mas por outro lado, rótulos… hmmmm…
    Escrever pra si mesmo, escrever para os outros, escrever pra ninguém, acho tudo válido quando humano, feito com a alma. Não a ponto de dar o foda-se mas a verdade é que chega aonde há ressonância…
    Enfim essa é minha vivência com blog e no final das contas, eu tb não sei de nada, foi pura espontaneidade…

    bjs

    P.S: Dicas new age? Who cares???? rs

  • Luide

    Eu fico aqui colecionado seus textos, alguns eu até imprimo, e sempre aguardando os novos. Depois que eu li sobre o seu dia-a-dia eu fiquei admirado e me perguntei: Comé que esse cara ainda acha tempo para escrever e compartilhar com a gente. É o cara mesmo. Sou um grande preguiçoso, e isso me deu ânimo.

  • Sawabona « Me and my secret life

    […] aproveitem e dêem uma passadinha no Não 2 Não 1, o Gustavo Gitti continua com as suas dicas rápidas paa qualquer relação. Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de sawabona, é um cumprimento usado no sul da […]

  • Marcelo Bueno

    Muito bom, Gustavo. Descobri seus textos no outro dia conversando com a B e gostei muito de algumas coisas, como o dia do presente. Sobre o item 17, você já leu sobre o tonglen? É exatamente por aí mesmo.

    []’s

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Marcelo! A B. me falou do seu blog também.

    Tonglen começa com essa prática de inspirar mas vai muito além. Para praticar, você precisa receber orientações precisas de um professor qualificado. Caso contrário, inevitavelmente fará besteira.

    Com esse movimento new age, é muito fácil misturarmos tonglen com asanas com xamanismo e nos acharmos “espirituais”.

    Ler é uma coisa, praticar é outra. Eu não pratico tonglen pois não sou do vajrayana e nunca recebi uma instrução formal. Você já?

    Para quem não sabe o que é, leia algum livro da Pema Chödrön. On-line tem esse texto dela no Dharmanet (aliás, é sempre bom ver no dharmanet que é um site confiável, dentro várias merdas pseudo-budistas por aí):

    http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/chodron6.htm

    Abração!!!

  • Sah

    “Abra as cartas!” A melhor dica, para qq relação.
    Jogos, na verdade, nunca foram o meu forte.

    E sobre ‘essa polêmica’ que pairou por aki… às vezes, a melhor filosofia é mesmo a do ‘foda-se’! rsrs..

    Um gde abraço!

  • Edy Carlos

    Estou gostando muito e acho que quando mais aprendemos mais saberemos viver e fazer outros viverem.
    Edy

  • Sawabona. A Vida Secreta.

    […] aproveitem e dêem uma passadinha no Não 2 Não 1, o Gustavo Gitti continua com as suas dicas rápidas para qualquer relação. Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de sawabona, é um cumprimento usado no sul da […]