Dicas rápidas para qualquer relação (1-8)

por Gustavo Gitti 24 May 2007 6 comentários

1. Evite pensar demais enquanto o outro fala. Nosso diálogo interior nos ensurdece. Ao contrário do que pensamos, não se nasce sabendo ouvir. O treinamento para falar é infinitamente mais fácil do que a aprendizagem da escuta.

2. Sabe aquele amigão que por algum motivo leva uma vida distante da sua? Em vez de enviar um email com o clássico “mande notícias”, escreva você mesmo as novidades da sua vida e compartilhe seus insights com ele. Ele se sentirá muito mais confortável em “mandar notícias”.

3. Quando os outros colocarem você contra a parede com críticas diretas ou indiretas, junte-se a eles. É muito desgastante tentar se defender, se justificar ou apelar para o revide, enquanto ajudar na acusação contra você mesmo pode até se tornar algo engraçado. Sem contar que, ao usar a lógica do ataque (que sabe ver furos em qualquer defesa), você aprenderá muito sobre suas próprias fixações.

4. Sempre que conseguir, trate você mesmo como um outro, nunca como você mesmo. Isto chama-se leveza.

5. Crie vínculos com as qualidades positivas de cada pessoa. Em vez de focar no que ela tem de ruim e estabelecer relações com suas negatividades (usando provocação, raiva, inveja, aversão, fala inútil, indiferença), tente se conectar com o que ela possui de melhor, por meio de relações virtuosas. Promova o outro, eleve o outro com seu olhar. Celebre o outro com sua presença, rindo, brincando, se confessando, ouvindo, cantando com ele.

6. Não leve tanto o outro a sério e, principalmente, não se leve tanto a sério.

7. Essa é difícil, mas quando acertamos a mão sabemos na hora que não há comunicação mais deliciosa: não fale para o outro, fale de dentro do outro. Deixe que sua voz saia de dentro do corpo do outro, deixe que suas idéias não sejam sequer suas, que sua fala seja a dele. Um bom conselho sempre vem daí. É o outro falando pra si mesmo por meio de você.

8. Participe da vida dos outros em um nível no qual você possa aprender com seus erros e acertos. Afinal, hoje em dia aprendemos tanto ou até mais com as vidas dos outros do que com a nossa própria. Se dependêssemos só dos nossos erros, demoraríamos muito para nos desenvolver. Isso porque perdemos um longo tempo cometendo um só erro! Dez anos e um só aprendizado é muito pouco, não?

Continua…

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Para transformar nossas relações

Há algum tempo parei de escrever no Não2Não1 e comecei a agir de modo mais coletivo, visando transformações mais efetivas e mais a longo prazo. Para aprofundar nosso desenvolvimento em qualquer âmbito da vida (corpo, mente, relacionamentos, trabalho...), abrimos um espaço que oferece artigos de visão, práticas e treinamentos sugeridos, encontros presenciais e um fórum online com conversas diárias. Você está convidado.



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6 comentários »

  • _Maga

    Estou adorando as dicas!!!!

    Só um comentário: o que você descreve na 7 pode ser chamado de empatia.

    Um abraço

  • Gustavo Gitti (autor)

    Isso, empatia. Tem estudos recentes nas ciências cognitivas sobre empatia. São muito interessantes!

    Exemplos (do Evan Thompson, cara que invejo):

    http://www.srhe.ucsb.edu/lectures/text/thompsonText.html

    http://www.imprint.co.uk/pdf/Thompson.pdf

    Abração!

  • Plinio Marcos Moreira da Rocha

    Quanto ao item 1, especificamente sobre “Nosso diálogo interior nos ensurdece”, trocaria a referência de diálogo interior, por teimosia interior, pois, não é raro nos encontrarmos “negando” o outro, antes que seu raciocínio tenha sido completamente colocado, com propriedade ou não, portanto, abdicarmos de toda e qualquer idéia própria e essencial para que possamos “Escutar” o outro, é muito difícil, mas não impossível.

    Quanto ao item 2., temos o hábito de cobrar dos outros, principalmente daqueles com os quais temos maior afinidade, a postura que não possuímos, portanto, estar atento ao próprio desejo, na identificação do desejo alheio é um bom caminho para efetivamente “tocar” corações.

    Quanto ao item 3., poderíamos dizer que, a avaliação da qualidade e intenções da crítica é básico para determinar sua postura, uma vez que, existindo má fé, necessário se faz, reverter tal situação, até com o confronto direto, contudo, quando estas críticas forem “Construtivas” domine-se, em respeito a você e aos outros, pois, da devida atenção poderá resultar a própria conscientização daquilo que não queres enxergar, por única e pura necessidade de se preservar quanto a sua imperfeição, não acredito que possamos ser melhores a partir de observação própria, portanto, não desperdice a oportunidade de ser ajudado neste processo enriquecedor.

    Quanto ao item 4., nos remete a Gentileza de SER Humano, pois, quando conseguimos abdicar de nossas defesas e benevolências com o nosso Eu mais egoísta, transbordamos em AMOR, aquele conhecido, e aquele que também é desconhecido, onde o “Contacto” com o outro transcende, desde que o outro também esteja perceptivo e seja perceptivo ao esforço da “Doação”, pois, tratar o outro como a ti mesmo é total entrega, sem a necessária contra partida de total, mas pelo menos significativa reciprocidade, uma vez que qualquer relacionamento deve ser uma “via de mão dupla”.
    Quanto ao item 5.,só consigo imaginar tamanho desprendimento, quando, movidos por um sentimento maior de pura afinidade, somos capazes até de “Criar” qualidades no outro, de forma consciente, e as vezes inconsciente, contudo, quando este sentimento é o oposto, somos capazes até de “Criar” defeitos no outro, muito embora, tenhamos que cuidar para evitarmos cair na armadilha de “Triste de nós, quando na consciência de nosso inconsciente, enxergamos no outro, inconscientemente, nossos próprios erros e defeitos”.

    Quanto ao item 6., vejo neste item um dos maiores desafios, pois, vivemos uma intrincada e complexa camuflagem, que acabamos nos perdendo, em procurar decifrar o outro em seus “reais” sentimentos, portanto, em um contexto de um relacionamento superficial, dificilmente seremos capazes de não sermos sérios, enquanto que naqueles relacionamentos profundos somente o equilíbrio da relação definirá o quanto sérios devemos ou não ser.

    Quanto ao item 7., “Acertar a mão” aqui é TUDO, pois, não existindo este precioso equilíbrio, “A panela pode desandar” e o descontrole imperar, portanto, ao menor sinal deste desequilíbrio, abdique do “risco”, uma vez que, ao tentarmos falar pelo outro, podemos nos “julgar” como se o “outro” fôssemos, muito embora, este julgamento não passe sempre de “mera tentativa”, porem, com o próprio peso da nossa consciência.

    Quanto ao item 8., escrevi um artigo sobre a obra prima de documentário “ESTAMIRA”, onde coloco “Quando, através do convívio, nos é dado a oportunidade de participar da intimidade (de forma intensa ou não) de alguém, temos o privilégio de poder partilhar de suas esperanças, suas angústias e suas alegrias.
    Sempre que isto ocorrer, aproveite da melhor maneira, permitindo que ela também partilhe os seus momentos, pois, a partir desta troca nascerá um laço afetivo de respeito e admiração mútuo que a ambos enriquecerá.
    Mesmo que este privilégio não nos seja dado, permita-se perceber a origem daquele que, não sendo você, pode ter ultrapassado barreiras e dificuldades superiores à sua, tendo como consequência uma dificuldade maior em se doar como pessoa e/ou amigo, portanto, de sua atenção pode depender a descoberta mútua, onde o privilégio antes inexistente, aflorará.”

  • Gustavo Gitti (autor)

    Plínio, obrigado por sua dedicação ao comentar meu post. Você poderia me passar o link de seu artigo sobre Estamira?

    Abraço!

  • Ana Cândida

    Gustavo, parabéns cara!!
    Seus posts são fantásticos!!
    Sucesso!

    Abraço!

  • Plinio Marcos Moreira da Rocha

    Prezado Gustavo,
    Me desculpe, pela demasiada demora…

    Estamira – Poesia de Sentimentos que alia Miséria, Dignidade e Respeito, – http://www.via6.com/topico.php?cid=12067&tid=118991 .

    Abraços,
    Plinio Marcos