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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Séries</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 10:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de Taketina, aconteceu algumas vezes enquanto tocava&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="peloarrepiado" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/peloarrepiado.jpg" alt="" width="589" height="250" /></p>
<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de <a href="http://taketina.com" target="_blank">Taketina</a>, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau e espiralava ao redor do surdo. Ou durante o dia, do nada. Aprendi como falar isso em inglês: <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goose_bumps" target="_blank">goose bumps</a></em>.)</p>
<p>O arrepio é uma das maiores evidências de que há algo vivo em nós. Quando perguntamos &#8220;Como você está?&#8221;, a pessoa pode até pensar nos fatos da vida, mas <a href="http://papodehomem.com.br/uma-mente-distraida-e-uma-mente-infeliz/" target="_blank">acontecimentos e situações não tem nada a ver com felicidade ou sofrimento</a>. O que vai definir a resposta positiva é o calor no peito, o brilho nos olhos, a respiração profunda, o sorriso silencioso, a <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">experiência de energia fluindo</a>, prazer, leveza, horizonte aberto, presença lúdica, espaço para ação, lucidez e criação de sentido. A resposta negativa virá com respiração ansiosa, confusão, contração, incapacidade de atribuir sentidos, seriedade, olhos opacos, peso, dor, fechamento, poucas opções de reação, energia interrompida, oscilante ou dispersa.</p>
<p>É por isso que nesse texto vou colocar no centro aquilo que consideramos mais periférico. Trocar efeito e causa. Inverter a visão que atribui nossa felicidade ou sofrimento a determinados acontecimentos que supostamente diminuem ou aumentam nossa experiência de bem-estar. Se nossa oscilação emocional é sempre tratada como objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia? Em vez de deixar o bem-estar no final da frase, vamos colocá-lo logo de cara como sujeito: é a eletricidade que define se surge felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência.</p>
<p>Em vez de olhar para as mil situações, cenários e configurações da vida, vamos respirar e sentir como nosso pulmão muda. É com o pulmão que sofremos e é com o pulmão que podemos ter alguma chance de encontrar liberdade e felicidade nas relações.</p>
<h1>O sequestro de nossa eletricidade</h1>
<p>A dinâmica é sabida. O bandido captura a pessoa, joga dentro de um cubículo e diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro desse quarto. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado sequestro, então vai respirar, sentir, pensar como alguém sequestrado. Tudo bem?&#8221;. Ele não diz bem isso, mas é isso o que ele diz.</p>
<p>Todos os jogos, histórias, mundos, realidades, filmes que construímos em nossa vida são sequestros sutis. Ao colocar o anel, o recém-marido diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro dessa relação. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado casamento, então vai respirar, sentir, pensar como alguém casado. Tudo bem?&#8221;. A chefe, o professor, a amiga, o sócio&#8230; todos com a mesma fala.</p>
<p>Uma vez dentro de alguns mundos, incorporando algumas identidades, o brilho no olho, o sorriso aberto, a respiração profunda, o calor no peito passam a surgir sob condições. A eletricidade natural agora é a eletricidade de um personagem específico.</p>
<p>É como se transplantássemos nosso coração em um bonequinho 2D que vive na tela do videogame. Diante da possibilidade de controlá-lo e principalmente de usá-lo para controlar seu mundo, deixamos que ele nos controle. Enquanto os movimentos desses pixels nos alegram, tudo ok. O problema começa quando o mundo se desintegra, o bonequinho morre ou apenas perdemos o nível de controle esperado.</p>
<p>Nosso coração sabia bater sozinho, mas passou tempo demais sendo comandado por um coração virtual. Sabíamos respirar, mas passamos tempo demais respirando em função de nossa namorada. Tínhamos eletricidade, mas a vinculamos à identidade de marido. Agora, para ativar a energia, precisamos mover o marido. E quando a relação acaba? Ao tentar reconquistar a esposa, tudo o que ele deseja é voltar a ser marido.</p>
<h1>Sofrimentos virtuais</h1>
<p>Assim que começamos a respirar mal, comer e dormir pouco (ou demais!), assim que perdemos eletricidade e brilho no olho, sentimos uma necessidade urgente de consertar o jogo, ressuscitar o personagem, remontar o mundo. A última coisa em nossa lista de prioridades é resgatar a capacidade de respirar, voltar a sentir nossa eletricidade natural, deixar o olho brilhar sem depender de nenhuma visão especial, desentortar o corpo, liberar a mente das condições que a asfixiaram – ironicamente, como já escrevi, é essa <a href="http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/" target="_blank">a melhor saída para qualquer sofrimento</a>.</p>
<p>Quanto mais dor, mais colocamos nosso foco no personagem, mais tentamos controlar. O casamento que começou como uma brincadeira, uma fantasia, um faz-de-conta, virou realidade sólida, séria, inescapável. A identidade que começou como encenação virou nossa essência. É assim que o sofrimento virtual de um personagem vira dor no peito, falta de ar, vontade de se matar. A confusão se torna cada vez mais real a ponto de transbordar para outros corpos e mentes ao nosso redor.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1341" title="velacopo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/velacopo.jpg" alt="" align="left" />Tudo acontece como se tivéssemos uma vela queimando dentro de um copo em nossa mão. Sem perceber os limites do copo, com foco excessivo no fogo, sem espaço para nos mover, ficamos com o dedo muito próximo, queimando, doendo. Alucinamos: a casa inteira está pegando fogo! Saímos correndo, nos debatemos, deixamos cair o copo&#8230; e aí sim a casa inteira pega fogo.</p>
<p>Em pouco tempo a alucinação vira realidade, basta um pouco de insistência, hábito, compulsão em acreditar na concretude das coisas como elas nos aparecem. Os sofrimentos se tornam reais na exata medida em que não desconfiamos de sua virtualidade.</p>
<h1>A base das inteligências</h1>
<p>Ora, o aparente sequestro não tem nada de negativo. Na verdade, não é sequer um aprisionamento. Só podemos respirar, sentir, pensar como namorado, pai, irmão, filho, sócio, amigo, chefe, aluno e professor, durante um só dia, porque nossa mente e nosso corpo são livres para operar dentro de universos diferentes.</p>
<p>Ao contrário do que muitos dizem, a melhor definição etimológica da palavra inteligência não é &#8220;escolher entre&#8221;, mas &#8220;ler dentro&#8221;. Quando chamamos alguém de inteligente, estamos apontando para sua capacidade de entrar em um mundo, se movimentar com alguma coerência (seja respondendo a estímulos ou criando sentidos) e operar sob condições. Exatamente como faz um jogador de futebol, de <em>Super Mario</em>, de peça de teatro, de casamento, de empresa&#8230;</p>
<p>Você está em um show de rock. Depois vai para um jogo de poker. Depois transa com uma garota na bancada do escritório. A mesma mente, o mesmo corpo, operando sob diferentes condições, mundos, horizontes de sentido, lógicas, coerências, estímulos, possibilidades de ação. No show de rock, sequer surge a ideia de um <em>flush</em>. No poker, não faz sentido ficar pulando e balançando a cabeça. No sexo, o objetivo não é bem aumentar o <em>pot</em> e ganhar (ok, às vezes é).</p>
<p>Mente e corpo transitam entre diferentes mundos assim como transitam entre diferentes identidades assim como transitam entre diferentes estímulos sensoriais, emoções, pensamentos, micro fenômenos internos. Ver é operar com olhos e inteligência da visão em um mundo visual. Quando nossa mente opera com ouvido, lidamos com sons. Quando opera com conceitos, pensamos. Quando opera com ciúme, surge um horizonte de novos números no celular, emails e passados alternativos. Quando opera como <em>Super Mario</em>, aparecem canos de teletransporte, flores de fogo e a motivação de salvar uma princesa.</p>
<p>A base de todas as infinitas inteligências é pura e simplesmente a capacidade de ser inteligente. Nossa mente parece ter essa sabedoria natural de entrar, iluminar, conhecer, abrir espaço, dar sentido, se mover. Quando fazemos isso à luz de velas em um barzinho de jazz com uma morena de cabelo cacheado, dizem que estamos seduzindo. Quando nossa mente opera suada algum tempo depois, dizem que estamos transando. Quando nossa mente opera sob o domínio da raiva, dizem que estamos brigando. Em todos os momentos, estamos com a mesma mente, usufruindo de sua infinita plasticidade, de sua natureza livre, de sua habilidade cognoscente que detecta, se agarra, se identifica e age com padrões, caminhos, linguagens&#8230;</p>
<p>É por isso que brilho no olho, calor no peito e eletricidade têm sempre a mesma qualidade, não importa em quais mundos ou com quais identidades e inteligências estamos operando. Na verdade, o brilho no olho é igualzinho em todas as pessoas.</p>
<p>Ao reconhecer o mesmo tesão de estar vivo em qualquer pessoa feliz e o mesmo pulmão desesperado em qualquer pessoa aflita, começamos a nos relacionar de modo impessoal com a eletricidade natural: ela não é nossa, ela não é de ninguém, não está dentro ou fora de nós. Com essa dúvida, podemos explorar os limbos entre os vários mundos e identidades.</p>
<p>Quando paramos e cortamos boa parte dos estímulos mais comuns que nos entretêm e movem nossa energia, o que sobra? Quando ficamos sozinhos, sem relação alguma para nos definir, quem nós somos?</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>


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		<title>Como trair sua mulher&#8230; com ela mesma</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 17:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>
Será que a traição é o segredo para um casamento saudável?</p>
<p>Às vezes acontece sem querer, como na história real que relatei aqui em 2007: &#8220;Como ser o amante de sua própria esposa&#8221;. Mas meu interesse é experimentar tal inversão de modo consciente e lúdico.</p>
<p>Anteontem eu estava num chat rápido com minha namorada, convencendo-a a vir pra cá,&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="trair" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/02/trair.jpg" alt="trair" width="588" height="300" /><em><br />
Será que a traição é o segredo para um casamento saudável?</em></p>
<p>Às vezes acontece sem querer, como na história real que relatei aqui em 2007: <a href="http://nao2nao1.com.br/como-ser-o-amante-de-sua-propria-esposa/" target="_blank">&#8220;Como ser o amante de sua própria esposa&#8221;</a>. Mas meu interesse é experimentar tal inversão de modo consciente e lúdico.</p>
<p>Anteontem eu estava num chat rápido com minha namorada, convencendo-a a vir pra cá, em <strong>postura de solteiro xavecador profissional</strong>, quando me dei conta das inúmeras vezes que trato minha namorada como se ela não fosse minha namorada.</p>
<p>Logo compartilhei via Twitter:</p>
<p><a href="http://twitter.com/gustavogitti/status/8604077610" target="_blank"><img title="acredite-twitter" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/02/acredite-twitter.gif" alt="acredite-twitter" width="400" height="186" /></a></p>
<p>Pra minha surpresa, algumas pessoas responderam sem entender. Rafael (<a href="http://twitter.com/herrwingnux/statuses/8604680029" target="_blank">@herrwingnux</a>) perguntou &#8220;Como???&#8221; e Beatriz (<a href="http://twitter.com/biatoso/statuses/8604190641" target="_blank">@biatoso</a>) disse: &#8220;Será? Explica como!&#8221;. Já a Claudia (<a href="http://twitter.com/clau_arantes/statuses/8604424678" target="_blank">@clau_arantes</a>) sacou e pediu que eu ensinasse o passo-a-passo para homens. Vamos ver&#8230; Abaixo minha tentativa.<!--adsensestart--></p>
<h1>Sedução: a diferença entre amantes e maridos</h1>
<p>Vamos começar comparando 2 conversas. A primeira entre duas pessoas que mal começaram a se explorar e a segunda entre um casal que namora há tempos. Em ambos, a intenção do cara é sexo irrestrito (novidade!).</p>
<blockquote><p><strong>Ele: </strong>Seguinte, vou passar aí e vamos aproveitar a única noite que presta no Rey Castro.<br />
<strong>Ela: </strong>Não, hoje não vim preparada pra sair, to cansada, suja, imprestável&#8230; Amanhã?<br />
<strong>Ele: </strong>Amanhã a banda é outra. Suja? Você acha que eu quero perfume? Eu quero você.<br />
<strong>Ela: </strong>Hum&#8230; Continua&#8230;<br />
<strong>Ele: </strong>Continuo, sim, mas dentro do carro assim que você entrar. Aliás, já cheguei, tempos modernos, to teclando do cel. Desce!<br />
<strong>Ela: </strong>hahaha&#8230; Ok, te espero.</p></blockquote>
<p>Seis linhas bem objetivas e temos mais um casal feliz no mundo. Eles são casados com terceiros, mas isso é o de menos em nossa análise. ;-) Vamos ao segundo casal:</p>
<blockquote><p><strong>Ele: </strong>Hoje é quarta, tem aquela banda de salsa no Rey Castro. Vamos?<br />
<strong>Ela: </strong>Não, hoje não vim preparada pra sair, to cansada, suja, imprestável&#8230; Amanhã?<br />
<strong>Ele: </strong>Amanhã a banda é outra. Mas tudo bem, a gente vai semana que vem. Amanhã a gente vê um filme, então.</p></blockquote>
<p>O problema é que ele não queria sair com ela amanhã. Seu corpo estava bombando hoje, seu desejo, sua potência, o brilho no olho. Muito a oferecer. A salsa, não o cinema. Hoje! Não amanhã, porra! <strong>Tem dias que surge uma potência que precisa ser oferecida</strong>, como se fosse um presente que vem junto com uma bomba relógio. Um vigor que que não pode acabar em masturbação, que vem junto com uma vontade de atravessar nossa mulher, tirá-la do chão, fazê-la sorrir com cada uma das células até relaxar completamente com os cílios roçando em nosso peito. E ainda dizem que homem não vincula sexo a amor&#8230; Aham.</p>
<p>Dizem também que homens pensam com a cabeça de baixo. Mentira. <strong>Se homens ouvissem mais o próprio pau</strong>, eles não aceitariam &#8220;Não&#8221;, eles não cederiam ao cansaço – que era o verdadeiro interlocutor no lugar da mulher. O pau é preciso, insistente (como um sedutor profissional), imóvel, impetuoso, paciente: quando quer algo, faz de tudo pra conseguir, continua, continua, continua, até chegar em seu objetivo. Seus donos poderiam ser assim, não?</p>
<p>A mulher queria a salsa (ela reclamava silenciosamente por eles sempre terem adiado essa noite), mas o cansaço estava maior. Era preciso um homem para ajudar a quebrá-lo e injetar ânimo em suas veias. Um homem para abri-la às possibilidades da noite que ela mesma sempre quis.</p>
<p>Seu namorado muitas vezes não é esse homem. Ele a respeita, ele sabe como ela fica quando está cansada, ele aceita, tem a certeza de que a relação vai continuar, semana que vem eles vão, tem o cinema amanhã, <strong>é só chegar e beijar</strong>, ela é sua namorada quase noiva, a data do casamento só depende daquele padre, ele já comprou o anel, sexo garantido, vão assinar papéis, é sua mulher, sempre disponível, só ligar. Não sabe mais o significado de urgência. Ele não é seu amante.</p>
<p>Por isso às vezes penso que toda namorada eventualmente deveria se fazer de difícil, caso contrário o cara vai acabar exercitando suas habilidades de sedutor com outras. Ou pior: vai perdê-las.</p>
<p>O tesão masculino não é exatamente o sexo, mas a sensação de romper, ultrapassar, superar barreiras, limites, obstáculos, desafios. Hímen, manha feminina, mistérios do universo, oscilação das ações, confusões da mente, segredos do empreendedorismo, recordes dos esportes&#8230; É isso o que nos move. <strong>Quer conquistar um homem? Deixe um problema na mão dele.</strong> É assim que empresas conseguem ter homens ao redor por mais de 8 horas diárias, é assim que mulheres conseguem um pai para seus filhos.</p>
<h1>Envolvimento: sobre como congelamos nossos parceiros</h1>
<p>Na <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana PdH</a>, às vezes me assusto com o modo de que alguns caras falam de suas parceiras. Se o tema é relações paralelas, traição, ciúme, ele afirma com toda a certeza do mundo: <strong>&#8220;Ela nunca aceitaria isso, sofreria, acabaria com tudo&#8221;</strong>. Se o tema é sexo, mais certezas: &#8220;Ah, não, isso já tentei mil vezes, ela não gosta. Fazer o quê?&#8221;.</p>
<p>Minhas respostas são sempre variações da seguinte pergunta um tanto cruel: &#8220;Imagine outro cara com ela. Você tem certeza absoluta de que ela agiria do mesmo modo?&#8221;. Sempre desconfio de caras que dizem conhecer suas mulheres.</p>
<p>O envolvimento usual entre duas pessoas parece causar uma crescente solidificação de identidades. Quanto mais eles se conhecem, mais excluem outras possibilidades. Fecham espaço para surpresas e ainda tem a coragem de reclamar disso ao fim: &#8220;Não dava mais, acabei. Era tudo muito previsível, ele parou de me surpreender&#8230;&#8221;. A amiga deveria responder: &#8220;Mas é claro! Você mesmo impedia o cara de te surpreender&#8221;.</p>
<p>Num certo sentido, <strong>somos todos um pouco mães de nossos parceiros:</strong></p>
<blockquote><p>–Filho, por que você tá comendo esse mousse da sua tia? Você não odeia qualquer coisa com maracujá?<br />
–Odiava, mãe, odiava. Mudei desde que sai daqui.<br />
–Tá bom, mas come esse pavê que eu fiz pra você.<br />
–Não gosto de pavê.<br />
–Mas você adora pavê, filho! Lembro de como raspava a tigela&#8230; Toma, já coloquei pra você.</p></blockquote>
<p>Desenvolvemos um padrão de relacionamento com o outro, começamos a surgir de um jeito, começamos a vê-lo de um jeito e, quando menos percebemos, nunca mais desconfiamos de que talvez o outro seja muito mais do que aparece para nós, de que outros o ativem de outro modo, de que ele encarne outros personagens com outras risadas, outras piadas, outros olhares, outros gestos. Às vezes vamos com a namorada visitar um primo das antigas e então nos surpreendemos com ela falando e olhando diferente diante dele. É como se fosse <strong>uma mulher que nunca havíamos encontrado!</strong></p>
<p>O amante naturalmente possui essa sabedoria que muitas vezes falta ao galã principal. Ele sabe que a mulher tem uma outra relação, de que tem uma vida própria na qual provavelmente incorpora várias identidades. Ele mantém um desconhecimento saudável, uma espécie de ceticismo generoso. Ao ser perguntado sobre a amante, diz: &#8220;Não sei como ela agiria&#8221;.</p>
<p>Pensando bem, até mesmo os amantes sofrem da síndrome de crença mórbida do marido. Eles também congelam&#8230; Contudo, pela consistência de minha argumentação, vamos supor que estamos falando do arquétipo do amante, que tal? ;-)</p>
<p>O ponto é: <strong>sua namorada não é sua namorada</strong>, sua esposa não é sua esposa. Muito antes de ser sua namorada, ela foi namorada de outros, com os quais agia diferente, pensava diferente, sorria diferente, trepava diferente. Muito antes de ser namorada, ela é filha. Antes de ser filha, é mulher. É aluna, professora, jogadora de basquete, mestre em psicologia. Ou dentista, praticante de ioga, vocalista.</p>
<p>Ela é a liberdade de ser várias, cada uma com configurações corporais, expressões, movimentos, pensamentos específicos. Ela se conjuga sempre no plural. É um hardware sempre expansível com um software atualizado minuto a minuto (que as leitoras me perdoem, mas tem muito cara de TI que lê esse blog). É cambiante, é o vir-a-ser que já está em outro lugar no instante posterior ao nosso dedo apontado.</p>
<p>Ainda que aja com certos padrões, sua verdadeira natureza escapa de qualquer previsão. Impossível abraçá-la ou percorrê-la completamente. Ela é chuva, fogo, raio. Igual a você.</p>
<h1>Consumação: como comer 20 mulheres de uma vez</h1>
<p>Para cada mulher em nossa mulher, para cada identidade que não é a namorada ou a esposa, podemos gerar <strong>um amante específico</strong>. Podemos envolvê-la sem que ela abandone uma identidade para virar &#8220;a nossa namorada <em>as we know it</em>&#8220;.</p>
<p>Podemos ir até seu trabalho e seduzir a identidade que brota dentro do escritório. <strong>Conquistar a menininha que surge quando a família está ao redor.</strong> A mulher poderosa quando desce do palco depois de um show ou de uma palestra. A garota putinha que sai pra dançar quando está irritada com você. A velha desanimada e reclamona quando encontra a casa suja. A serelepe de cabelo preso do grupo de amigas da faculdade. A doutoranda aplicada lendo Foucault no sofá. A mãe, a massagista, a designer, a blogueira, a garota da academia, faxineira, a meditante, a turista&#8230; Podemos comer todas elas.</p>
<p>Ao fazer isso, ao despertar o constante Don Juan amante <em>lover boy</em> em nós, seguimos treinando nossa habilidade na arte da sedução. Ou melhor, nossa potência de atravessar, penetrar, abraçar, amar, dissolver, redirecionar, romper e transcender caras fechadas, mundos consolidados, ambientes sérios.</p>
<p>Olhamos para nossa mulher e vemos várias. E vemos também que muitas nos são invisíveis. Então abrimos mais os olhos. Quando chega uma delas, a funcionária cansada, lembramos que ela não é aquilo e logo miramos outra com nossos olhos, <strong>falamos com a outra como se ela estivesse atrás ou dentro da  mulher</strong> que está à sua frente. Abrimos espaço para que outras surjam. E do nada sai a salseira, a dançarina, a party girl. E ela não está cansada, afinal não saiu de casa o dia todo!</p>
<p>Em vez de respeitar o cansaço, você diz sem dizer: &#8220;Foda-se o que você viveu hoje, eu quero te fazer esquecer, eu quero você comigo hoje&#8221;. Às vezes o cansaço dela se desfaz no primeiro segundo do beijo. Basta explicitar nosso desejo, ativar outras mulheres, trair nossa mulher cansada com a mulher pronta pra sair, fazer com ela tudo o que fantasiamos diariamente e facilmente faríamos com outras.</p>
<p>Ao usar sua mulher, ao olhá-la como sua amante, algo incrível acontece: você passa a ser o amante também. Ela ganha espaço para fazer aquilo que não vislumbrava ser possível com você, aquilo que nem mesmo ela conseguia imaginar sozinha. Ela vai usá-lo, vai trair sua identidade careta com o bad boy, vai pedir coisas que você mesmo nunca imaginaria ser viável, que nunca teria coragem de propor. Pode acreditar: as mulheres são muito mais loucas do que pensamos.</p>
<p>A mulher olha para o namorado e pensa:<strong> &#8220;É, eu trairia meu namorado facilmente com esse cara aí</strong>. Faria isso, depois pediria isso e acabaríamos assim&#8230;&#8221;.</p>
<p>O cara pega sua mulher com fúria e, sem culpa alguma, consuma o adultério fazendo tudo o que sempre quis fazer com uma amante.</p>
<p>Pois é, num mundo com <strong>casamentos infectados com traições</strong>, às vezes a cura para a doença vem do próprio veneno.</p>
<p><em>P.S.: Apesar de falar sobre a traição com um toque negativo na última frase, minha visão sobre relações paralelas é outra. Estou preparando um texto especificamente sobre isso: &#8220;O espectro do amor: para além de fidelidade e traição&#8221;.</em></p>
<p><em>P.S. realmente importante: Há exatamente 365 dias, 6 de fevereiro de 2009, eu conheci uma morena de cabelos cacheados e comecei o namoro sem que ela soubesse. Hoje meu presente de aniversário para ela é simples. Além de continuar sendo seu namorado, espero ser cada vez mais seu amante também. Talvez mais até. Uma legião de caras insaciáveis, será que ela dá conta?</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 03:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>
M.C. Escher, &#8220;Bond of Union&#8221; (1956)</p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (&#8220;Dar-se conta&#8221; e &#8220;Ver&#8221;) em sua série de exercícios práticos de empatia, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha &#8220;Estenda a mão&#8221;, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-eletricidade-natural-de-estar-vivo-parte-1/' rel='bookmark' title='A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)'>A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/' rel='bookmark' title='Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo'>Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img title="bond-of-union-escher" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/01/bond-of-union-escher.jpg" alt="bond-of-union-escher" width="588" height="300" /><br />
<em>M.C. Escher, <a href="http://www.worldofescher.com/gallery/BondOfUnionLg.html" target="_blank">&#8220;Bond of Union&#8221;</a> (1956)</em></p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/12/03/empatia/" target="_blank">&#8220;Dar-se conta&#8221;</a> e <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2010/01/04/ver_aula_de_empatia_em_sete_licoes_2/" target="_blank">&#8220;Ver&#8221;</a>) em sua série de <strong>exercícios práticos de empatia</strong>, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao" target="_blank">&#8220;Estenda a mão&#8221;</a>, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos meus &#8220;Experimentos para se sentir vivo&#8221; (<a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">leia o primeiro sobre energia autônoma usando um iPod</a>), resolvi publicá-lo aqui também, pois foi &#8220;doado&#8221; originalmente para o blog da querida <a href="http://colunas.multishow.globo.com/renatasimoes/2009/09/27/doar/" target="_blank">Renata Simões</a> (Multishow).</p>
<p>Ver alguém falando de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia" target="_blank">empatia</a> é algo raro, especialmente se for para mostrar como <strong>a capacidade empática pode ser treinada</strong>, assim como um músculo. Para quem não sabe, o instituto <a href="http://www.mindandlife.org/" target="_blank">Mind &amp; Life</a>, criado por Francisco Varela e Sua Santidade o Dalai Lama, sempre aborda esse tema de modo interdisciplinar. A empatia é explorada por biólogos, psicólogos, meditantes&#8230; Eis a descrição do <a href="http://www.mindandlife.org/ceb.program.html" target="_blank">programa de um de seus cursos</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Empathy Skills Training &#8211; Empathy training will be designed to teach subjects three different aspects of empathic awareness: 1) sensitivity to another&#8217;s affect; 2) sensitivity to one&#8217;s own affect; and 3) development of compassion for oneself and others.&#8221;</p></blockquote>
<p>Recomendo também dois longos textos do <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/" target="_blank">Evan Thompson</a> (um gênio que fala de ciências cognitivas, budismo e filosofia com os pés nas costas): <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/Empathy.pdf" target="_blank">&#8220;Empathy and consciousness&#8221;</a> e <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/DeWaalThompson.pdf" target="_blank">&#8220;Primates, monks and the mind: The case of empathy&#8221;</a>.</p>
<p>Enfim, deixo abaixo o texto original que fiz para estimular a doação de órgãos. O experimento em si está no meio. Complementei o texto com um trecho da palestra <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=ED94A84B4C000E6C" target="_blank">&#8220;A visão de Buda em meio ao mundo&#8221;</a>, do Lama Padma Samten, que filmei semana passada. ;-) Enjoy.</p>
<h1>Doação de órgãos e experimento de percepção empática</h1>
<blockquote><p>“O outro é você mesmo em um mundo diferente.”<br />
–Lama Padma Samten</p></blockquote>
<p>Os ensinamentos budistas e mais recentemente as <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cognitive_science" target="_blank">ciências cognitivas</a> questionam a existência de uma identidade sólida, um <em>self</em> central único, a alma essencial que acreditamos ser.</p>
<p>Francisco Varela (biólogo, no genial <em>A Mente Incorporada</em>), Marvin Minsky (especialista em inteligência artificial), Daniel Dennett (filósofo), Eleanor Rosch (psicóloga), Sua Santidade o Dalai Lama (meditante profissional)… Todos aplicam a frase do sociólogo Zygmunt Bauman ao corpo humano: “A cabine do piloto está vazia”.</p>
<p><strong>Nós temos a sensação de estar localizados dentro da cabeça</strong>, logo atrás de nossos olhos. É dessa perspectiva que andamos no mundo. É isso o que queremos dizer com a palavra “eu”. No entanto, quem estuda a mente e o cérebro (biólogos, neurocientistas, matemáticos, psicólogos, meditantes) rapidamente percebe que o “eu” é difícil de ser encontrado.</p>
<p>Não estou nas sinapses disparadas em meu cérebro, não estou no meu coração (que aliás pode ser trocado sem que eu perca minha identidade), não estou nos meus membros, não sou meus pensamentos, emoções ou memórias (que mudam e até podem ser apagadas sem que eu me perca)… Não estou em lugar algum!</p>
<p>Percepção assombrosa: ainda que eu não esteja em lugar algum, eu nitidamente estou aqui! Embora eu não saiba o que sou, eu tenho certeza que sou.</p>
<p>Os mestres zen aproveitam tal paradoxo para se divertir com seus alunos. Diante de uma carreta, perguntam: “As rodas são a carreta?”. Todos respondem que não. “Os assentos são a carreta?”. Claro que não. E eles seguem apontando para todas as outras partes. No entanto, se tiramos as rodas e os assentos, a carreta ainda existe? Não, óbvio. <strong>A carreta não é nenhuma de suas partes e, ao mesmo tempo, não é nada sem elas.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GAqN5-3TsI0&amp;feature=PlayList&amp;p=ED94A84B4C000E6C&amp;index=1" target="_blank">Lama Padma Samten</a> fala sobre esse exemplo da carreta (a partir de 3:35)</em></p>
<p>Assim parece funcionar o corpo humano. A lembrança da noite de ontem não se reduz a uma sequência de sinapses, assim como o amor não é apenas uma combinação de explosões químicas. Ainda assim, não é possível pensar sem neurônios ou sentir sem ser percorrido por hormônios e outras substâncias. Não nos relacionamentos com cérebros e pulmões, mas com outras vidas, mentes, histórias, sonhos, desejos. No entanto, retire cérebros e pulmões, o que sobra? Nada.</p>
<p>Quando isso acontecer comigo, quando meus órgãos não mais estiverem sustentando essa vida por trás dos olhos, sonho ou amor algum, quero que meu coração seja usado para fazer fluir outro sangue, outra vida. Quero que sonhos outros sejam continuados. Outro olho por trás de minha córnea, outro toque em minha pele, outro jeito de puxar oxigênio pra dentro dos meus pulmões.</p>
<p>Mas muitas pessoas talvez impeçam isso, no meu caso e em outros. Para meus familiares e todos aqueles que se opõem à doação de órgãos, <strong>sugiro um experimento de percepção:</strong></p>
<p><strong>1. </strong>Você pode fazer na rua, mas o ideal é que seja em um local com bastante gente parada: livraria, vagão de metrô e restaurante são ótimas opções.</p>
<p><strong>2. </strong>Comece com uma pessoa mais distante, para não levantar suspeitas. Contemple cada gesto dela com atenção, observe, se demore, realmente olhe o outro sem julgamento algum, como se estivesse admirando um leão ou um pássaro.</p>
<p><strong>3. </strong>Olhe ao redor dela e imagine o que ela está vendo de sua perspectiva. Se ela está olhando para um livro cujas páginas estão ocultas a você, imagine o conteúdo dessas páginas. Se ela está olhando por uma janela, imagine o que ela vê a partir de sua perspectiva. Se ela olha para o chão, esqueça a sua própria visão de uma pessoa lá longe olhando o chão – em vez disso, construa em sua mente o que ela está vendo.</p>
<p><strong>4. </strong>Depois de brincar com a visão, prossiga com a audição (imagine que ela está ouvindo), gustação (se ela estiver comendo, imagine o gosto daquilo) e olfato (imagine o que ela está cheirando).</p>
<p><strong>5. </strong>Agora a parte mais interessante: o tato e a sensação de ser outro corpo. Se ela estiver com fones de ouvido, lembre como é ter um fone no ouvido e deixe a sensação crescer, ficar nítida. Se ela estiver com uma blusa pesada, imagine esse peso. Se a pessoa estiver com muito gel no cabelo, lembre como é ter gel no cabelo e sinta o molhado. Se ela estiver com menos roupa no frio, imagine-se vestindo o mesmo que ela. Se ela for bem mais velha, tiver cabelo mais longo e estiver de óculos e brincos, imagine-se mais velho, com cabelos longos, óculos tocando o nariz, brincos pesando na orelha.</p>
<p><strong>6. </strong>Torne-se a outra pessoa, veja o mundo que ela vê, encarne seus gestos, suas memórias, sua respiração… Vista o corpo dela e simule seu universo. Tudo isso usando a imaginação, claro, sem se mover, apenas brincando com sua mente.</p>
<p><strong>7.</strong> Escolha outra pessoa e repita o experimento.</p>
<p>Eu já fiz isso diversas vezes no metrô e às vezes faço rapidamente com mendigos deitados na calçada. Depois de um tempo, você percebe que todo o processo que ocorre com você (se sentir alguém por trás dos olhos, ter pensamentos, ver um mundo aparentemente sólido ao redor, possuir manias e trejeitos, piscar, salivar, sorrir) também acontece igualzinho com todas as outras pessoas.</p>
<p>Você se assusta com o fato de que passou a vida inteira olhando o mundo a partir de sua perspectiva! Parece óbvio, mas não é uma percepção que sustentamos no cotidiano enquanto nos relacionamos com os outros.</p>
<p>E então você olha para seu passado e observa que a sua própria perspectiva também mudou. De fato, nada se manteve – certezas e células, sonhos e cortes de cabelo, tudo se transformou desde que você era bebê. Com o tempo a gente acaba virando outro para si mesmo, como se o passado fosse um filme cujo personagem principal é outra pessoa.</p>
<p>A única coisa permanente que continuou é esse brilho nos olhos, essa sensação de estar <strong>desperto com um mundo colorido em alta resolução</strong> ao redor, essa capacidade de desejar, sonhar, ter prazer e dor.</p>
<p>A única coisa que continua na sua vida é exatamente aquilo que todos os outros seres compartilham.</p>
<p>Trejeitos, identidades e memórias mudam, seja comparando você criança e você idoso, seja comparando você e um nigeriano. Mas o brilho nos olhos é apenas um, que se estende de pessoa em pessoa.</p>
<p>A sensação de estar vivo, amar e fazer alguém feliz, ela é única em todos os corpos do mundo. Ou seja, aquilo que temos de melhor (não nossos hábitos, crenças, opiniões, mas nossa lucidez) é justamente o que não se perde com nossa morte.</p>
<p>Quando sua vida parecer acabar, <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao/" target="_blank">apenas estenda a mão e siga.</a></p>
<h1>Você já fez algo assim?</h1>
<p>Se você costuma praticar algo parecido, deixe um comentário contando seu &#8220;procedimento&#8221;, o que já sentiu, quais insights surgiram, como sua capacidade empática se desenvolveu&#8230;</p>
<p>Se nunca fez nada assim e experimentar, relate aqui depois.</p>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Dicas para você fazer amor usando posts, twitts e torpedos (Não2Não1 no Agora SP)</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/dicas-para-voce-fazer-amor-usando-posts-twitts-e-torpedos-nao2nao1-no-agora-sp/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 03:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meios hábeis]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conquista]]></category>
		<category><![CDATA[jogos]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Mariana Poli, repórter do jornal Agora São Paulo, do grupo Folha, me enviou um email pedindo ideias para uma matéria sobre &#8220;paquera eletrônica&#8221; para a capa da Revista da Hora, que sai aos domingos.</p>
<p>De cara, indiquei o texto &#8220;Como conquistar a mulher dos seus sonhos via SMS&#8221; (que fiz para o Papo de Homem) e falei do projeto LoveCode.&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="revista-da-hora" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/revista-da-hora.jpg" alt="revista-da-hora" width="220" height="380" align="left" />Mariana Poli, repórter do <strong>jornal <a href="http://www.agora.uol.com.br/show/revistadahora/" target="_blank"><em>Agora São Paulo</em></a></strong>, do grupo Folha, me enviou um email pedindo ideias para uma matéria sobre &#8220;paquera eletrônica&#8221; para a capa da <em>Revista da Hora</em>, que sai aos domingos.</p>
<p>De cara, indiquei o texto <a href="http://papodehomem.com.br/conquiste-a-mulher-dos-seus-sonhos-via-sms/" target="_blank">&#8220;Como conquistar a mulher dos seus sonhos via SMS&#8221;</a> (que fiz para o Papo de Homem) e falei do projeto <a href="http://nao2nao1.com.br/projeto-lovecode001-na-campus-party-descubra-quem-esta-apaixonado-por-voce/">LoveCode</a>.</p>
<p>Lembrei da história da <a href="http://www.interney.net/blogs/chiqueirochique/" target="_blank">Marina Santa Helena</a> e do <a href="http://ianblack.com.br/" target="_blank">Ian Black</a>, que se conheceram pelo Orkut, e do Junior WM (<a href="http://papodehomem.com.br/dr-drinks-ensina-o-sidecar-e-a-tecnica-do-sour/" target="_blank">o Dr. Drinks do PdH</a>), que pediu sua mulher em casamento via Twitter. Eles também foram entrevistados e saíram na revista.</p>
<p>Depois, ao telefone, conversei com ela explicando que <strong>tecnologia não é só Facebook e Twitter</strong>: usando apenas um telefone é possível fazer muita coisa. Contei a história da <a href="http://nao2nao1.com.br/meios-habeis-do-amor-5-a-ligacao-silenciosa-de-shiva/" target="_blank">ligação silenciosa</a>, ela adorou e acabou focando nisso ao entrevistar a Isabella.</p>
<p>A sessão de fotos foi estranha. A gente se sentiu bastante desconfortável, parecendo uns bobos, mas nada melhor pra tirar a seriedade da vida do que pagar um belo mico e passar vergonha.</p>
<p>Além do box sobre o casal, saiu uma página com dicas para envolver o parceiro usando novos meios digitais, um resumo do texto que enviei para ela e do clássico post do Ian Black: <a href="http://www.interney.net/blogs/enloucrescendo/2009/09/11/xaveco_arte_receita_para_um_encontro_a_d_1/" target="_blank">&#8220;Xaveco Arte &#8211; Receita para um encontro à distância&#8221;</a>.</p>
<p>A identidade da matéria é bem <em>teen</em>, mas é isso aí: o que importa é espalhar o amor pelo mundo. ;-)</p>
<p>Compartilho aqui o texto que enviei e não foi publicado na íntegra.</p>
<h1>Emails, ligações, posts, twitts, torpedos&#8230;</h1>
<p>O amor é bicho esperto, camaleão. Usa de tudo para poder se expandir, como um rizoma, por baixo, por cima, por dentro.<!--adsensestart--></p>
<p>Sendo assim, é possível usar as várias tecnologias disponíveis (do mais simples celular a um complexo sistema na web) para enriquecer a relação, envolver o outro, tocá-lo de outra maneira. Surpreender, brincar, jogar com o parceiro.</p>
<p>Podemos explorar as linguagens da tecnologia como um artista. SMS, email, telefone, video-chat… Cada forma de relação oferece vantagens e limites. Um bom homem sabe usar a tecnologia para envolver sua mulher, dançar à distância, conduzi-la de um lado a outro. A técnica pouco importa.</p>
<p>Eis algumas ideias para solteiros ou casados:</p>
<h3>Envie emails como se fosse outra pessoa</h3>
<p>Brinque com diferentes perspectivas usando um simples email. Convide-a para uma noite de salsa por meio de seu assistente cubano, mude a assinatura, escreva de outro jeito, diga para ela confirmar a presença com ele, não com você. Eu mesmo já troquei diversos emails com minha namorada assinando como &#8220;Sarah, assistente do Sr. Gitti para assuntos amorosos&#8221;. Além da diversão, as identidades imaginárias abrem um espaço de liberdade para que o outro fale coisas que normalmente não falaria.</p>
<h3>Ligação com viagem no tempo</h3>
<p>Tecnologia antiga, mas eficaz. Às vezes costumo ligar como se estivesse em outro tempo e a ligação fosse gravada. Falo sem parar, ignoro quando ela tenta interromper e aproveito para brincar muito. Ligo no dia seguinte como se estivesse na manhã anterior: &#8220;Oi, a gente vai se ver hoje à noite, estou inseguro, queria muito te agarrar, não sei se você quer&#8221;. Ela ri, claro, afinal a noite de sexo já aconteceu.</p>
<h3>Crie um blog secreto para ela</h3>
<p>Ideia explicada em detalhes no segundo texto da série <a href="http://nao2nao1.com.br/meios-habeis-do-amor/" target="_blank">&#8220;Meios hábeis do amor&#8221;</a>.</p>
<h3>Jantar misterioso via SMS</h3>
<p>Em vez de marcar um encontro do modo convencional, não informe logo de cara data, horário e local. Para a data, envie uma pergunta por SMS. Para ela descobrir o horário, proponha um desafio ou tarefa. E enfim diga a ela para ir a um local perto do restaurante, alguma livraria (a Fnac da Av. Paulista, por exemplo, se você for levá-la ao The View, que fica em frente). Diga para ela confiar em você (sempre por SMS) e no último minuto vá até ela e leve-a até o restaurante.</p>
<h3>Declaração pública pelo Twitter</h3>
<p>Você não precisa seguir o exemplo daqueles que já usaram o Twitter para pedir em casamento. Basta escrever para sua parceira elogiando ou descrevendo sua paixão publicamente. Mulher adora isso. Tenho um amigo que sempre escreve algo do tipo: &#8220;Sou casado com a mulher mais linda do mundo&#8221;. Outra opção é fazer uma série de mensagens sobre sua relação. Eu, por exemplo, fiz a série <a href="http://nao2nao1.com.br/namorar-e-uma-releitura-no-twitter-da-famosa-serie-amar-e/" target="_blank">&#8220;Namorar é&#8230;&#8221;</a> com várias cenas da vida a dois.</p>
<h3>Audiotour pela cidade</h3>
<p>Fiquei fascinado com esse projeto da Mostra SESC de Artes de 2007. Um percurso de uma hora no qual as pessoas são guiadas por um MP3 Player e caminham por vários locais da cidade em busca da resolução de um mistério policial. Por que não fazer isso com sua mulher? Faça você mesmo o percurso gravando as orientações e coordenadas em áudio. Depois anexe o MP3 a um email para ela indicando o local de partida para ela dar play e sair andando com fones de ouvido. Você pode deixar algum presente escondido debaixo do banco de uma igreja, fazer o percurso acabar em um restaurante com você dentro ou em uma loja na qual todas as atendentes já estão avisadas: “Olha, eu deixo pago e ela compra o que ela quiser dentro desse valor, pode ser?”.</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Na Cabana PdH, estamos reunindo todas as brincadeiras desse tipo já realizadas pelos participantes (são muitas, sempre me surpreendo com a criatividade dos caras). Vai virar um PDF e, depois de mais ideias e relatos, quem sabe um livro?</em></p>


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		<title>As melhores cantadas do cinema (3): A Verdade Nua e Crua &#124; The Ugly Truth</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 18:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes e vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores cantadas do cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[sedução]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme A Verdade Nua e Crua (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série &#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221; com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano Caos Calmo).</p>
<p>Como sempre, não há spoiler algum, já que não falo&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="size-full wp-image-516" title="the_ugly_truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/the_ugly_truth.jpg" alt="The Ugly Truth" width="588" height="250" /></p>
<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>A Verdade Nua e Crua</em></a> (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série <a href="http://nao2nao1.com.br/category/cantadas-cinema/" target="_blank">&#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221;</a> com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-2-caos-calmo/" target="_blank"><em>Caos Calmo</em></a>).</p>
<p>Como sempre, não há <em>spoiler</em> algum, já que não falo nada da história. Leia à vontade.</p>
<h1>O filme: comédia romântica dos novos tempos</h1>
<p>Com direção de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0525659/" target="_blank">Robert Luketic</a> (conhecido por <em>Legally Blonde</em>), <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>The Ugly Truth</em></a> monta um casal com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001337/" target="_blank">Katherine Heigl</a> (da série <em>Grey&#8217;s Anatomy</em>) e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0124930/" target="_blank">Gerard Butler</a> (o Gerry de <em>P.S. I Love You</em>, sobre o qual já escrevi aqui em <a href="http://nao2nao1.com.br/ps-i-love-you/" target="_blank">uma carta para minha ex-namorada</a>), mais conhecido pelas mulheres como <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RiRaEWrxafI" target="_blank">&#8220;Ê lá em casa&#8230;&#8221;</a></strong>.</p>
<p>Comparado com os casais das primeiras comédias românticas (<em>When Harry Met Sally&#8230;</em> ou <em>Sleepless in Seattle</em>), Katherine Heigl é muito mais solta (pra não dizer &#8220;mulher&#8221;) do que a Meg Ryan, e Gerard Butler bem mais firme (pra não dizer &#8220;homem&#8221;) do que Billy Crystal e Tom Hanks juntos vezes 100 ao quadrado.</p>
<p>Se a mulher das comédias românticas está cada vez menos meiguinha e santa, o homem ideal definitivamente abandonou o posto de <em>nice guy</em> e encarnou o canalha, o garanhão, o cafajeste – aquele homem que você hesita em apresentar para suas amigas e para sua mãe. No lugar da pele lisinha e asséptica (veja o cara que é rejeitado no triângulo amoroso do filme), barba e um toque de assimetria.</p>
<p>Em vez de &#8220;Eu me sinto tão próxima de você&#8221;, o amor atualmente começa com <strong>&#8220;Eu tenho medo de você&#8221;</strong>.</p>
<p>As comédias românticas não só espelham a dinâmica social como contribuem para sua formação. É por isso que é interessante observar os novos filmes do tipo que estão aparecendo. Ao mesmo tempo que mostram para qual homem está apontando o desejo feminino, eles instruem o olhar das garotas na plateia: &#8220;É esse o homem que você deve procurar&#8221;.</p>
<p>E sinceramente acho que <strong>o novo canalha das telas é ainda muito sensível, indeciso e bonzinho&#8230;</strong> Alguns relatos que vejo na <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana PdH</a> mostram que podemos ser bem piores, sacanas e implacáveis ao resgatar o melhor dos dois mundos. O cara chama sua mulher de longe, disfarçado de Tom Hanks (com um joguinho por SMS, por exemplo); assim que ela se aproxima, ele a pega com força e olhos de fúria. Às vezes isso vem de um moleque fraquinho de 17 anos, mas não importa: se há direcionamento, precisão e profundidade, ela sente um toque firme que a preenche e conduz.</p>
<p>O cinema será bem sucedido em sua doutrinação? Eu teria pena das mulheres: não é fácil lidar com um homem que quer te foder inteira, que não aceita mediocridade, que vai querer ver você cada vez mais mulher, mais feliz, linda, solta, mais inteligente e ousada.</p>
<p>Um homem que se diverte quando você surta, não acredita em suas decisões precipitadas e que ao mesmo tempo a estimula para direções positivas, oferecendo direcionamento e estabilidade para a relação. Um homem que não só ama você, mas faz a promessa de amar ainda mais as outras mulheres que você vai se tornar.</p>
<h1>A cantada: mandar a real</h1>
<p><img title="the ugly truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/theuglytruth2.jpg" alt="theuglytruth2" width="200" height="296" align="left" />Pouco antes de começar a namorar, eu tive algumas relações que poderiam facilmente ter virado um namoro, não fosse minha completa falta de tempo.</p>
<p>Durante uma ligação em que uma garota me cobrava &#8220;Por que você não quer namorar comigo?&#8221;, eu abandonei o jogo da sedução e as noites de diversão garantida que poderíamos ter juntos depois. Parei, puxei ar e detalhei precisamente os fatos: &#8220;Eu estou trabalhando com isso, com aquilo, estou construindo isso, aquilo está dando certo, estou gerando tais benefícios e não tenho tempo algum para você&#8221;.</p>
<p>Ela tinha certeza que eu estava apaixonado pois ficava 100% com ela nos momentos em que estávamos juntos. E então falei: <strong>&#8220;Não, não estou apaixonado, apenas realmente estava com você quando estava com você&#8221;.</strong></p>
<p>Ou seja, eu mandei a real. O resultado? Ela rodopiou entre pedidos carentes, frases agressivas e onomatopeias de mágoa atravessadas por uma lucidez crescente que ficou estável dias depois, quando nos encontramos novamente, sem problema algum, afinal não havia mesmo problema algum.</p>
<p>Se eu não tivesse falado a verdade, é bem provável que a relação tivesse sido interrompida naquele ponto: &#8220;Você me enganou, adeus&#8221;.</p>
<p>Falar a verdade que ninguém quer ouvir, eis o que Mike (Gerard Butler) faz o tempo todo no filme. Para um casal de apresentadores, por exemplo, ele diz que a mulher castrou seu marido (criticou, reprimiu, diminuiu) e agora reclama que ele não é mais homem no sexo. Falar a verdade interrompe nossa tentativa de enganar os outros e, principalmente, de nos enganar. Falhamos, somos descobertos e então começamos a agir a partir de onde estamos. É como um tapa que acorda nossos sentidos. Não é por acaso que o tesão imediatamente voltou ao casal atacado.</p>
<p>Em seu momento <a href="http://papodehomem.com.br/category/colunas/dr-love/" target="_blank">Dr. Love</a>, ele dá uma de especialista neodarwinista e lembra que <strong>os macacos bonobos usam o sexo para acabar com uma discussão.</strong> &#8220;Uma de minhas técnicas preferidas&#8221;, finaliza.</p>
<p>Enquanto isso, Abby (Katherine Heigl) fica horrorizada com cada ideia pervertida de Mike, que discorda de seus pensamentos certinhos. Mulheres são fascinadas por homens que não dão a mínima para o que elas pensam deles. Tal ação evidencia direcionamento e autonomia, ou seja, o cara segue com ou sem ela. E, vocês bem sabem, <a href="http://nao2nao1.com.br/os-moteis-invisiveis-de-sao-paulo-ou-como-fazer-amor-com-estranhos-parte-2/" target="_blank">liberdade dá tesão</a>. É um processo explicado pelo funcionamento do desejo feminino, que cresce à medida que tenta capturar nosso desejo – falo mais sobre isso no artigo &#8220;A dinâmica do desejo feminino&#8221;, na Cabana PdH.</p>
<p>Em um dos diálogos do filme, ela pergunta: &#8220;You&#8217;re really that confident?&#8221; (&#8220;Você é mesmo tão seguro e confiante assim?&#8221; ou &#8220;Você se acha mesmo, né?&#8221;). O que ela não diz é o seguinte: &#8220;Pergunto porque eu adoro isso!&#8221;.</p>
<p><strong>Nada irrita (e atrai) tanto uma mulher como um homem cheio de certezas</strong> que se acha o dono da verdade. Por um lado, ele pode ser orgulhoso, um completo imbecil autocentrado. Por outro, ele é o cara seguro que sabe onde está indo e diz aquilo que ela paga para ser verdade: &#8220;Vou te comer como nenhum outro homem&#8221;. Para além das possíveis patologias de orgulho e autocentramento, o que elas exigem (ou deveriam exigir) de um homem não é ser o dono da verdade, mas ser preciso (livre de hesitações),  autêntico (livre de manipulações) e com direcionamento (livre de estagnação ou confusão).</p>
<p>Falar a verdade para uma mulher implica em reconhecer a inteligência dela em compreender qualquer coisa, a liberdade dela em reagir como quiser e sua transparência em se comunicar diretamente com você, sem roupagens, sem defesas. Ao mandar a real, confiamos no outro e elevamos a relação.</p>
<p>Pergunte a um marido que trai sua esposa e morre de medo de ela descobrir: &#8220;Por que você não conta?&#8221;. Provavelmente ouvirá: &#8220;Ah, porque ela ficaria louca e acabaria com tudo&#8221;. Ou seja, <strong>ele não confia na liberdade dela em fazer diferente</strong>, não oferece a opção de agir com base na realidade. Ele a subjuga, inferioriza, tira sua autonomia.</p>
<p>Ou olhe para um homem certinho. Sendo romântico, falando o que ela quer ouvir, é bem possível que ele a agrade por um tempo. Porém, se ele estiver mentindo para si mesmo, ela eventualmente se sentirá enganada e a frustração final será bem maior do que a momentânea que ela enfrentaria ao ouvir uma fala nem tão romântica, mas verdadeira.</p>
<h1>O sexismo presente no filme</h1>
<p>Muitas das verdades do filme não são exatamente verdades. Veja as seguintes falas de Mike:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nunca fale de seus problemas. Os homens não escutam e nem se importam. Quando eles perguntam &#8216;Como você está?&#8217; é só um código para &#8216;deixa eu meter meu pau na sua bunda&#8217;.&#8221;</p>
<p>&#8220;Precisamos deixar seu cabelo mais longo. Homens gostam de algo pra agarrar além da sua bunda.&#8221;</p></blockquote>
<p>É bastante machista a imagem que vincula homem ao sexo (corpo, prazer, instinto) e mulher ao amor (alma, santidade, razão). Ao fazer isso, tiramos da mulher a liberdade de expressar seu desejo. Sinceramente, tenho certeza que <strong>a mulher gosta e aproveita mais o sexo do que o homem</strong>. Certeza.</p>
<p>Além de machismo, é pura ilusão, afinal atualmente é muito comum ouvirmos as mulheres reclamando de homens chorões que só falam de seus problemas ou de caras que não puxam seus cabelos, batem na cara e trepam de verdade.</p>
<p>Quando é pra ter prazer, ser instintiva e passional, a mulher se sai bem melhor do que o homem. É por isso que eu gostaria de ver, na próxima comédia romântica, um casal invertido: o cara certinho diante de uma mulher ousada.</p>
<p>Além disso, repare nesta e em qualquer outra comédia romântica: a mocinha espera a declaração do galã para então se declarar também. &#8220;Eu amo aquele que me ama&#8221;, ou melhor, &#8220;Para eu te desejar, basta você me desejar&#8221;, <a href="http://nao2nao1.com.br/amor-e-coisa-que-nao-se-recebe/" target="_blank">postura que já critiquei aqui.</a></p>
<h1>Assista ao trailer</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Ainda que a cantada invisível seja &#8220;mandar a real&#8221;, o grande momento em que ele vira homem e a faz mulher é outro. Uma cena que cria magnetismo e muda toda relação entre eles, algo que já recomendei aos homens várias vezes no Não2Não1 (prática regular da Cabana PdH).</em></p>
<p><em>Assista ao filme e venha aqui comentar qual é.</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Validation (Kurt Kuenne &#124; 2007): o curta que eu queria ter feito</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/validation-kurt-kuenne-2007-o-curta-que-eu-queria-ter-feito/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 17:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Meios hábeis]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Eu passei um bom tempo sem tolerância a romantismo. Qualquer postura feliz demais, sorridente demais, qualquer pessoa &#8220;alto astral&#8221; já ativava o radar new age aqui do menino pseudo-existencialista. Existe, porém, outro tipo de alegria que não vem dessa postura &#8220;O Segredo&#8221;, cujo mantra não é &#8220;Pense positivo&#8221; e que ignora totalmente &#8220;As 7 leis espirituais do sucesso&#8221;.</p>
<p>Essa&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-502" title="validation" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/validation.jpg" alt="validation" width="588" height="250" /></p>
<p>Eu passei um bom tempo <a href="http://nao2nao1.com.br/por-uma-vida-encarnada-breve-critica-aos-relacionamentos-sem-corpo/" target="_blank">sem tolerância a romantismo</a>. Qualquer postura feliz demais, sorridente demais, qualquer pessoa &#8220;alto astral&#8221; já ativava o radar <em>new age</em> aqui do menino pseudo-existencialista. Existe, porém, outro tipo de alegria que não vem dessa postura &#8220;O Segredo&#8221;, cujo mantra não é &#8220;Pense positivo&#8221; e que ignora totalmente &#8220;As 7 leis espirituais do sucesso&#8221;.</p>
<p>Essa outra alegria vem de <a href="http://nao2nao1.com.br/nosso-belo-e-despido-coracao-chogyam-trungpa/" target="_blank">uma espécie de tristeza</a>, uma vontade de compartilhar não-sei-o-quê com o outro, uma certeza de que ele também tem esse mesmo coração. Às vezes ela pode ser romantizada, virar musical estilo Disney, mas por pura brincadeira – sua base é outra.</p>
<p>Escrevi um pouco sobre isso no <a href="http://nao2nao1.com.br/espontaneidade-primordial-diante-de-tudo-so-nos-resta-gargalhar-2/" target="_blank">texto sobre espontaneidade</a> e em outro que finalizei com o <a href="http://nao2nao1.com.br/casal-sorriso-levar-a-serio-relacionamentos/" target="_blank">vídeo das gargalhadas no metrô</a>. Sorrir – <strong>verdadeiramente sorrir, solto, aberto, olhando nos olhos do outro</strong> – foi algo que comecei a aprender apenas há uns 4 anos, curiosamente junto com a criação do Não2Não1.</p>
<p>Com o curta de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0473936/" target="_blank">Kurt Kuenne</a>, em vez de analisar o conteúdo (daria pra soltar mil comentários) como fiz com <a href="http://nao2nao1.com.br/o-amor-e-filme/" target="_blank"><em>J’Attendrai Le Suivant</em></a>, decidi apenas listar os eventos anteriores ao link do YouTube que me chegou hoje por email:</p>
<p>• Ontem rolou tarde de meditação no CEBB. Como sempre, eu esperei que ninguém fosse, assim poderia dormir um pouco mais depois do almoço, meditar quase nada e voltar logo pra casa. Chegaram duas pessoas, brotou motivação e ficamos sentados em silêncio contra a parede até às 17h.</p>
<p><img title="nha-benta" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/nha-benta.jpg" alt="nha-benta" width="200" height="255" align="left" />• Saí especialmente feliz, brilho nos olhos, peito <em>wide open</em>. Lembrei que tinha comprado<strong> uma caixa de Nhá Benta</strong> (com 5 de sabores diferentes) e pensei em distribuir no metrô. No caminho, encontro uma mulher nitidamente desesperada que tinha acabado de trancar o carro com a chave e a bolsa dentro. &#8220;Posso usar seu celular?&#8221;. Ela ligou para o filho ir resgatá-la e depois começou a falar sem parar comigo (&#8220;Vim só comprar uma lente, uma só lente, devia ter parado no estacionamento do Shopping&#8230;&#8221;). Tenho certeza que a Nhá Benta que ela pegou não ajudou em nada, mas eu vi o sorriso no meio daquele rosto suado e surpreso.</p>
<p>• No metrô, de novo a mesma história: &#8220;Mas por quê?&#8221;. <strong>Vender tudo bem, mas dar exige uma explicação.</strong> Ser autocentrado OK, ser generoso não. Toda generosidade esconde um interesse egoísta por trás, não é verdade? Pois respondi: &#8220;Você pega, amanhã eu escrevo no meu blog, um monte de gente lê e me acha o máximo. É isso. Ganho muito mais do que gastei com essa caixa!&#8221;. Mentira. Eu respondi: &#8220;Se eu estivesse pedindo dinheiro em troca, você não perguntaria isso, não é mesmo?&#8221;. E falei como sempre para buscar por &#8220;bombons no metrô&#8221; no Google, assim aumento as visitas por aqui, não é uma ótima estratégia?</p>
<p>• Enquanto eu mais tentava convencer as pessoas do que distribuía (afinal eram só 4 Nhá Bentas para um vagão inteiro), uma criança me seguia com os olhos sem entender nada.</p>
<p>• Uma senhora bem velhinha me ouviu falar com um casal e resolveu pegar uma: &#8220;Vou ajudar o menino&#8221;. Antes de sair do metrô, quando eu já estava sentado, ela disse: &#8220;Deus te abençoe&#8221;. ;-)</p>
<p>• Fui pro show do Brad Mehldau no SESC Santana. Na volta, uma menina pediu para andar ao meu lado até o metrô (o caminho é escuro e deserto). Enquanto ela contava sua vida, pensei em outros modos de estabelecer relações com estranhos. Dar bombons, atravessar a rua de mãos dadas, pedir uma história ou um sonho, beijar no escuro da festa&#8230; <strong>O que mais é possível de se fazer segundos depois de encontrar alguém pela primeira vez?</strong></p>
<p>• Hoje meu ex-chefe, grande amigo, me envia um link dizendo que achou o vídeo a minha cara. Com receio de ser algo no estilo &#8220;PowerPoint motivacional&#8221;, abro e me deparo com uma obra-prima, da trilha (composta pelo próprio diretor que é músico) à atuação, da fotografia ao roteiro. O estilo caricatural, exagerado, romantizado, quase surreal, próprio de uma fábula, é perfeito para evidenciar muito o que venho dizendo por aqui e tentando incorporar em minha própria vida.</p>
<p><strong>Assistam comigo</strong> (se não souber inglês, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=d84kPT5YMFA" target="_blank">aqui está a versão legendada</a>):</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="588" height="472" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Cbk980jV7Ao&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="588" height="472" src="http://www.youtube.com/v/Cbk980jV7Ao&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Cbk980jV7Ao" target="_blank"><em>Validation</em> (Kurt Kuenne | 2007)</a></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Para os aprendizes de Don Juan que desejam conquistar uma ou mais mulheres, acho que o filme explicita ainda mais a abordagem que explorei no <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-2-caos-calmo/" target="_blank">texto sobre o filme Caos Calmo</a>. Em vez de focar na mulher, construa relações positivas (lúdicas, profundas, transparentes) em todas as direções. Ela eventualmente vai querer participar da brincadeira, não se preocupe.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>E aí? Alguém mais vai fazer o lance da Nhá Benta no metrô ou nas ruas? Comente aqui se fizer.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 3: </strong>O próximo post será sobre outro curta do cara. Aproveito para recomendar um terceiro, esse longa, que todos dizem ser genial (já estou baixando): <a href="http://dearzachary.com" target="_blank">Dear Zachary</a>.</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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