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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Experimentos para se sentir vivo</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 10:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de Taketina, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau &#8230;</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="peloarrepiado" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/peloarrepiado.jpg" alt="" width="589" height="250" /></p>
<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de <a href="http://taketina.com" target="_blank">Taketina</a>, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau e espiralava ao redor do surdo. Ou durante o dia, do nada. Aprendi como falar isso em inglês: <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goose_bumps" target="_blank">goose bumps</a></em>.)</p>
<p>O arrepio é uma das maiores evidências de que há algo vivo em nós. Quando perguntamos &#8220;Como você está?&#8221;, a pessoa pode até pensar nos fatos da vida, mas <a href="http://papodehomem.com.br/uma-mente-distraida-e-uma-mente-infeliz/" target="_blank">acontecimentos e situações não tem nada a ver com felicidade ou sofrimento</a>. O que vai definir a resposta positiva é o calor no peito, o brilho nos olhos, a respiração profunda, o sorriso silencioso, a <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">experiência de energia fluindo</a>, prazer, leveza, horizonte aberto, presença lúdica, espaço para ação, lucidez e criação de sentido. A resposta negativa virá com respiração ansiosa, confusão, contração, incapacidade de atribuir sentidos, seriedade, olhos opacos, peso, dor, fechamento, poucas opções de reação, energia interrompida, oscilante ou dispersa.</p>
<p>É por isso que nesse texto vou colocar no centro aquilo que consideramos mais periférico. Trocar efeito e causa. Inverter a visão que atribui nossa felicidade ou sofrimento a determinados acontecimentos que supostamente diminuem ou aumentam nossa experiência de bem-estar. Se nossa oscilação emocional é sempre tratada como objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia? Em vez de deixar o bem-estar no final da frase, vamos colocá-lo logo de cara como sujeito: é a eletricidade que define se surge felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência.</p>
<p>Em vez de olhar para as mil situações, cenários e configurações da vida, vamos respirar e sentir como nosso pulmão muda. É com o pulmão que sofremos e é com o pulmão que podemos ter alguma chance de encontrar liberdade e felicidade nas relações.</p>
<h1>O sequestro de nossa eletricidade</h1>
<p>A dinâmica é sabida. O bandido captura a pessoa, joga dentro de um cubículo e diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro desse quarto. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado sequestro, então vai respirar, sentir, pensar como alguém sequestrado. Tudo bem?&#8221;. Ele não diz bem isso, mas é isso o que ele diz.</p>
<p>Todos os jogos, histórias, mundos, realidades, filmes que construímos em nossa vida são sequestros sutis. Ao colocar o anel, o recém-marido diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro dessa relação. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado casamento, então vai respirar, sentir, pensar como alguém casado. Tudo bem?&#8221;. A chefe, o professor, a amiga, o sócio&#8230; todos com a mesma fala.</p>
<p>Uma vez dentro de alguns mundos, incorporando algumas identidades, o brilho no olho, o sorriso aberto, a respiração profunda, o calor no peito passam a surgir sob condições. A eletricidade natural agora é a eletricidade de um personagem específico.</p>
<p>É como se transplantássemos nosso coração em um bonequinho 2D que vive na tela do videogame. Diante da possibilidade de controlá-lo e principalmente de usá-lo para controlar seu mundo, deixamos que ele nos controle. Enquanto os movimentos desses pixels nos alegram, tudo ok. O problema começa quando o mundo se desintegra, o bonequinho morre ou apenas perdemos o nível de controle esperado.</p>
<p>Nosso coração sabia bater sozinho, mas passou tempo demais sendo comandado por um coração virtual. Sabíamos respirar, mas passamos tempo demais respirando em função de nossa namorada. Tínhamos eletricidade, mas a vinculamos à identidade de marido. Agora, para ativar a energia, precisamos mover o marido. E quando a relação acaba? Ao tentar reconquistar a esposa, tudo o que ele deseja é voltar a ser marido.</p>
<h1>Sofrimentos virtuais</h1>
<p>Assim que começamos a respirar mal, comer e dormir pouco (ou demais!), assim que perdemos eletricidade e brilho no olho, sentimos uma necessidade urgente de consertar o jogo, ressuscitar o personagem, remontar o mundo. A última coisa em nossa lista de prioridades é resgatar a capacidade de respirar, voltar a sentir nossa eletricidade natural, deixar o olho brilhar sem depender de nenhuma visão especial, desentortar o corpo, liberar a mente das condições que a asfixiaram – ironicamente, como já escrevi, é essa <a href="http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/" target="_blank">a melhor saída para qualquer sofrimento</a>.</p>
<p>Quanto mais dor, mais colocamos nosso foco no personagem, mais tentamos controlar. O casamento que começou como uma brincadeira, uma fantasia, um faz-de-conta, virou realidade sólida, séria, inescapável. A identidade que começou como encenação virou nossa essência. É assim que o sofrimento virtual de um personagem vira dor no peito, falta de ar, vontade de se matar. A confusão se torna cada vez mais real a ponto de transbordar para outros corpos e mentes ao nosso redor.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1341" title="velacopo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/velacopo.jpg" alt="" align="left" />Tudo acontece como se tivéssemos uma vela queimando dentro de um copo em nossa mão. Sem perceber os limites do copo, com foco excessivo no fogo, sem espaço para nos mover, ficamos com o dedo muito próximo, queimando, doendo. Alucinamos: a casa inteira está pegando fogo! Saímos correndo, nos debatemos, deixamos cair o copo&#8230; e aí sim a casa inteira pega fogo.</p>
<p>Em pouco tempo a alucinação vira realidade, basta um pouco de insistência, hábito, compulsão em acreditar na concretude das coisas como elas nos aparecem. Os sofrimentos se tornam reais na exata medida em que não desconfiamos de sua virtualidade.</p>
<h1>A base das inteligências</h1>
<p>Ora, o aparente sequestro não tem nada de negativo. Na verdade, não é sequer um aprisionamento. Só podemos respirar, sentir, pensar como namorado, pai, irmão, filho, sócio, amigo, chefe, aluno e professor, durante um só dia, porque nossa mente e nosso corpo são livres para operar dentro de universos diferentes.</p>
<p>Ao contrário do que muitos dizem, a melhor definição etimológica da palavra inteligência não é &#8220;escolher entre&#8221;, mas &#8220;ler dentro&#8221;. Quando chamamos alguém de inteligente, estamos apontando para sua capacidade de entrar em um mundo, se movimentar com alguma coerência (seja respondendo a estímulos ou criando sentidos) e operar sob condições. Exatamente como faz um jogador de futebol, de <em>Super Mario</em>, de peça de teatro, de casamento, de empresa&#8230;</p>
<p>Você está em um show de rock. Depois vai para um jogo de poker. Depois transa com uma garota na bancada do escritório. A mesma mente, o mesmo corpo, operando sob diferentes condições, mundos, horizontes de sentido, lógicas, coerências, estímulos, possibilidades de ação. No show de rock, sequer surge a ideia de um <em>flush</em>. No poker, não faz sentido ficar pulando e balançando a cabeça. No sexo, o objetivo não é bem aumentar o <em>pot</em> e ganhar (ok, às vezes é).</p>
<p>Mente e corpo transitam entre diferentes mundos assim como transitam entre diferentes identidades assim como transitam entre diferentes estímulos sensoriais, emoções, pensamentos, micro fenômenos internos. Ver é operar com olhos e inteligência da visão em um mundo visual. Quando nossa mente opera com ouvido, lidamos com sons. Quando opera com conceitos, pensamos. Quando opera com ciúme, surge um horizonte de novos números no celular, emails e passados alternativos. Quando opera como <em>Super Mario</em>, aparecem canos de teletransporte, flores de fogo e a motivação de salvar uma princesa.</p>
<p>A base de todas as infinitas inteligências é pura e simplesmente a capacidade de ser inteligente. Nossa mente parece ter essa sabedoria natural de entrar, iluminar, conhecer, abrir espaço, dar sentido, se mover. Quando fazemos isso à luz de velas em um barzinho de jazz com uma morena de cabelo cacheado, dizem que estamos seduzindo. Quando nossa mente opera suada algum tempo depois, dizem que estamos transando. Quando nossa mente opera sob o domínio da raiva, dizem que estamos brigando. Em todos os momentos, estamos com a mesma mente, usufruindo de sua infinita plasticidade, de sua natureza livre, de sua habilidade cognoscente que detecta, se agarra, se identifica e age com padrões, caminhos, linguagens&#8230;</p>
<p>É por isso que brilho no olho, calor no peito e eletricidade têm sempre a mesma qualidade, não importa em quais mundos ou com quais identidades e inteligências estamos operando. Na verdade, o brilho no olho é igualzinho em todas as pessoas.</p>
<p>Ao reconhecer o mesmo tesão de estar vivo em qualquer pessoa feliz e o mesmo pulmão desesperado em qualquer pessoa aflita, começamos a nos relacionar de modo impessoal com a eletricidade natural: ela não é nossa, ela não é de ninguém, não está dentro ou fora de nós. Com essa dúvida, podemos explorar os limbos entre os vários mundos e identidades.</p>
<p>Quando paramos e cortamos boa parte dos estímulos mais comuns que nos entretêm e movem nossa energia, o que sobra? Quando ficamos sozinhos, sem relação alguma para nos definir, quem nós somos?</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>
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		<title>Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 03:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>
M.C. Escher, &#8220;Bond of Union&#8221; (1956)</p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (&#8220;Dar-se conta&#8221; e &#8220;Ver&#8221;) em sua série de exercícios práticos de empatia, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha &#8220;Estenda a mão&#8221;, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos meus &#8230;</p>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img title="bond-of-union-escher" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/01/bond-of-union-escher.jpg" alt="bond-of-union-escher" width="588" height="300" /><br />
<em>M.C. Escher, <a href="http://www.worldofescher.com/gallery/BondOfUnionLg.html" target="_blank">&#8220;Bond of Union&#8221;</a> (1956)</em></p>
<p>Ao ver os primeiros posts do Alex Castro (<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/12/03/empatia/" target="_blank">&#8220;Dar-se conta&#8221;</a> e <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2010/01/04/ver_aula_de_empatia_em_sete_licoes_2/" target="_blank">&#8220;Ver&#8221;</a>) em sua série de <strong>exercícios práticos de empatia</strong>, lembrei de um texto que escrevi em setembro para a campanha <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao" target="_blank">&#8220;Estenda a mão&#8221;</a>, da ABTO, divulgando o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos (27/9). Como ele também é um dos meus &#8220;Experimentos para se sentir vivo&#8221; (<a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">leia o primeiro sobre energia autônoma usando um iPod</a>), resolvi publicá-lo aqui também, pois foi &#8220;doado&#8221; originalmente para o blog da querida <a href="http://colunas.multishow.globo.com/renatasimoes/2009/09/27/doar/" target="_blank">Renata Simões</a> (Multishow).</p>
<p>Ver alguém falando de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia" target="_blank">empatia</a> é algo raro, especialmente se for para mostrar como <strong>a capacidade empática pode ser treinada</strong>, assim como um músculo. Para quem não sabe, o instituto <a href="http://www.mindandlife.org/" target="_blank">Mind &amp; Life</a>, criado por Francisco Varela e Sua Santidade o Dalai Lama, sempre aborda esse tema de modo interdisciplinar. A empatia é explorada por biólogos, psicólogos, meditantes&#8230; Eis a descrição do <a href="http://www.mindandlife.org/ceb.program.html" target="_blank">programa de um de seus cursos</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Empathy Skills Training &#8211; Empathy training will be designed to teach subjects three different aspects of empathic awareness: 1) sensitivity to another&#8217;s affect; 2) sensitivity to one&#8217;s own affect; and 3) development of compassion for oneself and others.&#8221;</p></blockquote>
<p>Recomendo também dois longos textos do <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/" target="_blank">Evan Thompson</a> (um gênio que fala de ciências cognitivas, budismo e filosofia com os pés nas costas): <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/Empathy.pdf" target="_blank">&#8220;Empathy and consciousness&#8221;</a> e <a href="http://individual.utoronto.ca/evant/DeWaalThompson.pdf" target="_blank">&#8220;Primates, monks and the mind: The case of empathy&#8221;</a>.</p>
<p>Enfim, deixo abaixo o texto original que fiz para estimular a doação de órgãos. O experimento em si está no meio. Complementei o texto com um trecho da palestra <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=ED94A84B4C000E6C" target="_blank">&#8220;A visão de Buda em meio ao mundo&#8221;</a>, do Lama Padma Samten, que filmei semana passada. ;-) Enjoy.</p>
<h1>Doação de órgãos e experimento de percepção empática</h1>
<blockquote><p>“O outro é você mesmo em um mundo diferente.”<br />
–Lama Padma Samten</p></blockquote>
<p>Os ensinamentos budistas e mais recentemente as <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cognitive_science" target="_blank">ciências cognitivas</a> questionam a existência de uma identidade sólida, um <em>self</em> central único, a alma essencial que acreditamos ser.</p>
<p>Francisco Varela (biólogo, no genial <em>A Mente Incorporada</em>), Marvin Minsky (especialista em inteligência artificial), Daniel Dennett (filósofo), Eleanor Rosch (psicóloga), Sua Santidade o Dalai Lama (meditante profissional)… Todos aplicam a frase do sociólogo Zygmunt Bauman ao corpo humano: “A cabine do piloto está vazia”.</p>
<p><strong>Nós temos a sensação de estar localizados dentro da cabeça</strong>, logo atrás de nossos olhos. É dessa perspectiva que andamos no mundo. É isso o que queremos dizer com a palavra “eu”. No entanto, quem estuda a mente e o cérebro (biólogos, neurocientistas, matemáticos, psicólogos, meditantes) rapidamente percebe que o “eu” é difícil de ser encontrado.</p>
<p>Não estou nas sinapses disparadas em meu cérebro, não estou no meu coração (que aliás pode ser trocado sem que eu perca minha identidade), não estou nos meus membros, não sou meus pensamentos, emoções ou memórias (que mudam e até podem ser apagadas sem que eu me perca)… Não estou em lugar algum!</p>
<p>Percepção assombrosa: ainda que eu não esteja em lugar algum, eu nitidamente estou aqui! Embora eu não saiba o que sou, eu tenho certeza que sou.</p>
<p>Os mestres zen aproveitam tal paradoxo para se divertir com seus alunos. Diante de uma carreta, perguntam: “As rodas são a carreta?”. Todos respondem que não. “Os assentos são a carreta?”. Claro que não. E eles seguem apontando para todas as outras partes. No entanto, se tiramos as rodas e os assentos, a carreta ainda existe? Não, óbvio. <strong>A carreta não é nenhuma de suas partes e, ao mesmo tempo, não é nada sem elas.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/GAqN5-3TsI0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GAqN5-3TsI0&amp;feature=PlayList&amp;p=ED94A84B4C000E6C&amp;index=1" target="_blank">Lama Padma Samten</a> fala sobre esse exemplo da carreta (a partir de 3:35)</em></p>
<p>Assim parece funcionar o corpo humano. A lembrança da noite de ontem não se reduz a uma sequência de sinapses, assim como o amor não é apenas uma combinação de explosões químicas. Ainda assim, não é possível pensar sem neurônios ou sentir sem ser percorrido por hormônios e outras substâncias. Não nos relacionamentos com cérebros e pulmões, mas com outras vidas, mentes, histórias, sonhos, desejos. No entanto, retire cérebros e pulmões, o que sobra? Nada.</p>
<p>Quando isso acontecer comigo, quando meus órgãos não mais estiverem sustentando essa vida por trás dos olhos, sonho ou amor algum, quero que meu coração seja usado para fazer fluir outro sangue, outra vida. Quero que sonhos outros sejam continuados. Outro olho por trás de minha córnea, outro toque em minha pele, outro jeito de puxar oxigênio pra dentro dos meus pulmões.</p>
<p>Mas muitas pessoas talvez impeçam isso, no meu caso e em outros. Para meus familiares e todos aqueles que se opõem à doação de órgãos, <strong>sugiro um experimento de percepção:</strong></p>
<p><strong>1. </strong>Você pode fazer na rua, mas o ideal é que seja em um local com bastante gente parada: livraria, vagão de metrô e restaurante são ótimas opções.</p>
<p><strong>2. </strong>Comece com uma pessoa mais distante, para não levantar suspeitas. Contemple cada gesto dela com atenção, observe, se demore, realmente olhe o outro sem julgamento algum, como se estivesse admirando um leão ou um pássaro.</p>
<p><strong>3. </strong>Olhe ao redor dela e imagine o que ela está vendo de sua perspectiva. Se ela está olhando para um livro cujas páginas estão ocultas a você, imagine o conteúdo dessas páginas. Se ela está olhando por uma janela, imagine o que ela vê a partir de sua perspectiva. Se ela olha para o chão, esqueça a sua própria visão de uma pessoa lá longe olhando o chão – em vez disso, construa em sua mente o que ela está vendo.</p>
<p><strong>4. </strong>Depois de brincar com a visão, prossiga com a audição (imagine que ela está ouvindo), gustação (se ela estiver comendo, imagine o gosto daquilo) e olfato (imagine o que ela está cheirando).</p>
<p><strong>5. </strong>Agora a parte mais interessante: o tato e a sensação de ser outro corpo. Se ela estiver com fones de ouvido, lembre como é ter um fone no ouvido e deixe a sensação crescer, ficar nítida. Se ela estiver com uma blusa pesada, imagine esse peso. Se a pessoa estiver com muito gel no cabelo, lembre como é ter gel no cabelo e sinta o molhado. Se ela estiver com menos roupa no frio, imagine-se vestindo o mesmo que ela. Se ela for bem mais velha, tiver cabelo mais longo e estiver de óculos e brincos, imagine-se mais velho, com cabelos longos, óculos tocando o nariz, brincos pesando na orelha.</p>
<p><strong>6. </strong>Torne-se a outra pessoa, veja o mundo que ela vê, encarne seus gestos, suas memórias, sua respiração… Vista o corpo dela e simule seu universo. Tudo isso usando a imaginação, claro, sem se mover, apenas brincando com sua mente.</p>
<p><strong>7.</strong> Escolha outra pessoa e repita o experimento.</p>
<p>Eu já fiz isso diversas vezes no metrô e às vezes faço rapidamente com mendigos deitados na calçada. Depois de um tempo, você percebe que todo o processo que ocorre com você (se sentir alguém por trás dos olhos, ter pensamentos, ver um mundo aparentemente sólido ao redor, possuir manias e trejeitos, piscar, salivar, sorrir) também acontece igualzinho com todas as outras pessoas.</p>
<p>Você se assusta com o fato de que passou a vida inteira olhando o mundo a partir de sua perspectiva! Parece óbvio, mas não é uma percepção que sustentamos no cotidiano enquanto nos relacionamos com os outros.</p>
<p>E então você olha para seu passado e observa que a sua própria perspectiva também mudou. De fato, nada se manteve – certezas e células, sonhos e cortes de cabelo, tudo se transformou desde que você era bebê. Com o tempo a gente acaba virando outro para si mesmo, como se o passado fosse um filme cujo personagem principal é outra pessoa.</p>
<p>A única coisa permanente que continuou é esse brilho nos olhos, essa sensação de estar <strong>desperto com um mundo colorido em alta resolução</strong> ao redor, essa capacidade de desejar, sonhar, ter prazer e dor.</p>
<p>A única coisa que continua na sua vida é exatamente aquilo que todos os outros seres compartilham.</p>
<p>Trejeitos, identidades e memórias mudam, seja comparando você criança e você idoso, seja comparando você e um nigeriano. Mas o brilho nos olhos é apenas um, que se estende de pessoa em pessoa.</p>
<p>A sensação de estar vivo, amar e fazer alguém feliz, ela é única em todos os corpos do mundo. Ou seja, aquilo que temos de melhor (não nossos hábitos, crenças, opiniões, mas nossa lucidez) é justamente o que não se perde com nossa morte.</p>
<p>Quando sua vida parecer acabar, <a href="http://www.abto.org.br/estendaamao/" target="_blank">apenas estenda a mão e siga.</a></p>
<h1>Você já fez algo assim?</h1>
<p>Se você costuma praticar algo parecido, deixe um comentário contando seu &#8220;procedimento&#8221;, o que já sentiu, quais insights surgiram, como sua capacidade empática se desenvolveu&#8230;</p>
<p>Se nunca fez nada assim e experimentar, relate aqui depois.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px;">http://www.mindandlife.org/ceb.program.html</div>
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		<title>Projeto LoveCode001: descubra quem está apaixonado por você!</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/projeto-lovecode001-na-campus-party-descubra-quem-esta-apaixonado-por-voce/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 10:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Meios hábeis]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[conquista]]></category>
		<category><![CDATA[jogos]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[sedução]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Se você está agora acampada na #cparty com um bilhete no colo ou em cima da mesa, se perguntando &#8220;Como assim? Quem está apaixonado(a) por mim?&#8221;, continue lendo. Ou se está em qualquer lugar do mundo segurando um papelzinho estranho com um código rabiscado e a instrução &#8220;Busque LoveCode001 no Google&#8221;, você chegou a seu destino. Está participando do Projeto &#8230;</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-384" title="lovecode001" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/01/lovecode001_nao2nao1.jpg" alt="lovecode001" /></p>
<p>Se você está agora acampada na <a href="http://www.campus-party.com.br/" target="_blank">#cparty</a> com um bilhete no colo ou em cima da mesa, se perguntando <strong>&#8220;Como assim? Quem está apaixonado(a) por mim?&#8221;</strong>, continue lendo. Ou se está em qualquer lugar do mundo segurando um papelzinho estranho com um código rabiscado e a instrução &#8220;Busque <em>LoveCode001</em> no Google&#8221;, você chegou a seu destino. Está participando do <strong>Projeto LoveCode001</strong>, que começou no primeiro dia do Campus Party 2009, dia 19 de janeiro, em São Paulo, e continua até hoje em qualquer lugar por aí&#8230;</p>
<p>Parabéns, você acaba de ser flechada(o).</p>
<h1>Se você recebeu um LoveCode&#8230;</h1>
<p>Isto significa que há uma pessoa ao seu redor que está querendo passar uma noite com você, não consegue parar de olhar para você, está maluco por você, se apaixonando ou completamente apaixonada por você. Ou que ela apenas quer conversar e brincar de vida, nada demais, nada romântico ou erotizado. Esta pessoa em algum momento leu este blog que vos fala, gostou da idéia, pegou um papel e arranjou algum jeito para que você lesse e chegasse até aqui. Antes, porém, <strong>esta pessoa deixou um comentário abaixo indicando o seu <em>LoveCode</em></strong>. Ah, junto com o código acho que tem uma declaração, um xaveco, um poema roubado, um hai-kai inventado por impulso ou apenas palavras desesperadas.</p>
<p>Desça a página ou apenas procure (Ctrl+F ou Ctrl+L) pelo seu código, este no papel que é algo assim: &#8220;LoveCode@menina-dos-olhos&#8221;. Leia o comentário, veja o que ele(a) escreveu para você. Se gostar, <strong>deixe outro comentário assinando com o mesmo código </strong>no lugar do seu nome. Assim ele(a) saberá que você leu. Você pode provocá-lo, criticá-lo, desafiá-lo. Pode brincar, mentir ou&#8230; ignorar. Mas é falta de educação ignorar quando falam com você, não?</p>
<p>Deixe um comentário, nem que seja o mais simples &#8220;Eu li&#8221;. Ou, se estiver viva, com brilho nos olhos, continue a brincadeira aqui ou presencialmente, caso você faça alguma idéia de quem seja. Para receber outra mensagem dele e seguir conversando pelos comentários (revelar o email perde o encanto), ative a opção “Desejo receber outros comentários desse post em meu email”. Até a hora do encontro, <strong>o que une vocês é o código</strong>, o <em>LoveCode</em>.</p>
<p>Agora é com você. <a href="http://nao2nao1.com.br/meios-habeis-do-amor/" target="_blank">Como eu já disse</a>, o amor não é um jogo, mas ele <a href="http://nao2nao1.com.br/meio-habil-03-o-jogo-do-encontro/" target="_blank">ele se dá por jogos</a>.</p>
<h1>Se você está apaixonado(a) e quer deixar um LoveCode&#8230;</h1>
<p>Aqui a criatividade transcende a minha idéia. O único limite é a sua mente. Para facilitar, listo as ações necessárias e sugiro algumas possíveis:</p>
<p><strong>1. </strong>Deixe um comentário contendo <strong>sua declaração de amor e um código</strong> personalizado com letras ou números após &#8220;LoveCode&#8221;. Exemplos: &#8220;lovecode/dear#stranger&#8221;, &#8220;lovecode/você/é/deliciosa&#8221;, &#8220;lovecode-vc-parece-minha-senha-de-banco_eu-nunca-esqueço&#8221; e por aí vai. <strong>Este será o LoveCode do casal pelo qual vai ocorrer toda a comunicação até o encontro. </strong>Lembrando que já deixei um bilhete com o lovecode/linda por aí (este email da imagem acima).</p>
<p><strong>2. </strong>Que tipo de declaração? Vejamos: uma descrição detalhada de um momento em que você a observou hoje, um hai-kai improvisado, o link para um vídeo ou para uma música, um poema seu ou emprestado, uma mensagem criptografada cujo segredo para compreender está com uma amiga dela (ou dele), um local e um horário para um encontro&#8230; Vale brincar com amigas e amigos também ou aproveitar para finalmente avançar em cima daquela sua &#8220;melhor amiga&#8221; ou do seu &#8220;amigo confidente&#8221;.</p>
<p><strong>3. </strong>Agora, a parte mais divertida: <strong>pegue um papelzinho</strong>, algo rasgado, improvisado mesmo, e escreva as duas instruções para ela(e) encontrar sua declaração: a pessoa deve buscar no Yahoo! pelo termo &#8220;LoveCode001&#8243; e saber o <em>LoveCode</em> personalizado de vocês (<strong>para o Google use <em>LoveCode002</em></strong> pois este blog não está como primeiro resultado, não sei por quê) . Eis algumas idéias:</p>
<blockquote><p>&#8220;Alguém está apaixonado por você. Para descobrir, busque no Google por &#8220;LoveCode002&#8243; (assim, tudo junto). Depois de entender, use o nosso código: lovecode-069&#8243;</p>
<p>&#8220;Se eu enlouqueci a ponto de participar de um projeto bizarro, a culpa é toda sua. Para entender, escreva &#8220;lovecode001&#8243; no Yahoo!. Ah, depois de chegar ao seu destino, você vai precisar do meu código: lovecode-pq-vc-me-deixa-assim?&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu escrevi uma longa carta, mas você não entenderia. Para realmente saber, busque no Yahoo! por &#8220;lovecode001&#8243; (tudo junto) e entre no 1º resultado. Depois você vai precisar disso: &#8220;lovecode+CXT+eu+te+amo+Z8V&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>4. </strong>Deixe o bilhete embaixo do teclado dela ou colado na tela do monitor. Se não estiver no Campus Party, as possibilidades são incontáveis: esconda dentro da bolsa, deixe do lado da escova de dente (para casados), entregue para a mais deliciosa do metrô, passe um bilhete um a um na sala da faculdade (para o primeiro, dê a entender que você recebeu de outra pessoa: &#8220;Não sei quem mandou, só sei que é para a Maíra ali&#8221;)&#8230; <em>Use your imagination</em>.</p>
<p><strong>5. </strong>Ao deixar seu comentário com código e declaração (itens 1 e 2), não se esqueça de <strong>ativar a opção &#8220;Desejo receber outros comentários desse post em meu email&#8221;</strong>, que fica abaixo do campo de texto. Desse modo, assim que ela(e) responder você vai saber o que ela escreveu e como reagiu.</p>
<p><strong>6. </strong>Eu me enganei: agora sim é a melhor parte. Ela(e) leu, certo? Se vocês namoram, ela já te ligou. Mas se ela(e) gostou e não sabe quem você é&#8230; Vai ficar aí parado? Hoje à noite, durante a festa da Campus Party, fique na frente dela e comece a escrever &#8220;LoveCode&#8221; no ar. Ela não vai entender nada. Aí você vira e fica na mesma posição que ela, de modo que ela consiga ler seus rabiscos no ar. Fique mudo, seja bem palhaço e aja como se estivesse fazendo mímica.</p>
<p>Ou, a qualquer momento, apareça segurando várias folhas A4 juntas, uma a uma mostrando cada caracter do código. Para a menina desconhecida do metrô, é preciso escrever algo com o qual ela possa encontrar você. Para as mulheres, bom, minhas sugestões não são nada perto do que vocês sabem bem fazer usando apenas olhos e boca.</p>
<h1>Se algo aconteceu para além da Internet&#8230;</h1>
<p>A gente se esbarra, se ama e se junta por causas tão bobas, não é? Um dia que você ficou estudando até mais tarde, uma conversa inusitada, um olhar e, meses depois, um monte de gente recebe um convite de casamento. Então por que não se juntar por um código? Por que não construir a coisa menos racional e matemática do mundo a partir de uma senha com alguns caracteres?</p>
<p>Se algo aconteceu, se houve uma noitada de beijo, sexo ou apenas uma boa conversa, <strong>por favor compartilhe a história abaixo.</strong> Eu prometo não chamá-los de loucos se vocês prometerem ignorar minha inveja.</p>
<h1>Agora é com você!</h1>
<p>Recebeu um <em>LoveCode</em>? Procure abaixo a declaração e deixe sua resposta.</p>
<p>Quer deixar um <em>LoveCode</em>? Comente aqui e entregue o bilhete.</p>
<p>Não está apaixonado(a) por ninguém? Dê uma de cupido e una dois amigos: deixe um comentário aqui como se fosse ela ou ele, entre o bilhete para o outro e só observe. Há mil possibilidades de brincar com isso, dependendo do contexto e da relação deles.</p>
<p>Só gostou da idéia? Não comente dizendo isso. <strong>Eu vou apagar comentários sem um lovecode personalizado</strong> pois aqui é o espaço para quem participa do projeto, que, aliás, não tem nenhuma restrição: não custa nada e vale para mulheres e homens (solteiros ou casados) em qualquer lugar do mundo. Então tome vergonha na cara e comece a jogar com a vida. Quem sabe ela não brinca de volta?</p>
<p><em>P.S.: Estarei o tempo todo na Campus Party trabalhando no estande (e na Arena) pelo SESC São Paulo em parceria com a TV Cultura. Se for de Sampa, apareça por lá.</em></p>
<p><em>* Achou confuso? O trabalho de fazer é parte da declaração e o de buscar é que dá o mistério da coisa. Receber tudo em um bilhete é muito fácil. Dedico esta idéia e tudo o que surgir disso a <a href="http://nao2nao1.com.br/serie-mulheres-que-me-dao-tesao-1-miranda-july/" target="_blank">Miranda July</a>, artista que me levou a chamar projetos assim de &#8220;mirandas&#8221;.</em></p>
<p><em>** No comentário, não esqueça de ativar a opção para receber em seu email. Se você tiver cadastro no Gravatar (que faz aparecer sua foto) e não quiser aparecer, basta preencher o formulário com outro email que não o cadastrado no Gravatar.</em></p>
<p>*** Leia matérias sobre o projeto: <strong><a href="http://blog.estadao.com.br/blog/cparty/?title=encontre_o_seu_amor_na_campus_party&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1" target="_blank">Estadão</a></strong>, <strong><a href="http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/21/e210122991.asp" target="_blank">Jornal do Brasil</a>, <a href="http://geek.com.br/blogs/832697655/posts/9000-correio-elegante-nerd-na-campus-party" target="_blank">Geek</a>,</strong> <strong><a href="http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3462829-EI12933,00-Cupido+eletronico+ajuda+campuseiros+a+paquerar.html" target="_blank">Terra</a> e </strong><a href="http://br.tecnologia.yahoo.com/article/21012009/7/tecnologia-correio-elegante-eletronico-incentiva-paquera.html" target="_blank"><strong>Yahoo! </strong><br />
</a></p>
<p><em>**** O Projeto LoveCode001 incentiva o uso da camisinha. Spread the word, spread the love. ;-)</em></p>
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		<title>Fuerza Bruta: visceral, umbilical e urgente</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 14:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Minhas roupas estão no varal. Meu corpo está molhado e pretendo escrever enquanto ele ainda está assim. No meu último post, falei dos cinco sentidos. Pois não há continuação melhor (a parte 2 que espere) do que relatar uma noite de Fuerza Bruta (em cartaz até dia 26 de outubro), espetáculo sensorial que faz jus ao seu nome. Tudo é &#8230;</p>
No related posts.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-315" title="fuerza_bruta" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/10/fuerza_bruta.jpg" alt="Fuerza Bruta" /></p>
<p><!--adsensestart-->Minhas roupas estão no varal. Meu corpo está molhado e pretendo escrever enquanto ele ainda está assim. No meu <a href="http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-beleza-ou-breve-ensaio-sobre-a-estetica-nos-relacionamentos-parte-1/" target="_blank">último post</a>, falei dos cinco sentidos. Pois não há continuação melhor (a parte 2 que espere) do que relatar uma noite de <strong><em><a href="http://www.fuerzabrutabrasil.com.br" target="_blank">Fuerza Bruta</a></em></strong> (em cartaz até dia 26 de outubro), espetáculo sensorial que faz jus ao seu nome. Tudo é bruto: os rostos, as roupas, as músicas, os cortes, as luzes.</p>
<p>A música, o tempo todo, faz parte do show. Não é plano de fundo ou trilha. É personagem. Conduz cada momento e nos leva a participar. Dá vontade de correr junto com o cara ou mergulhar junto com as mulheres numa das cenas mais lindas que já cruzaram meus olhos.</p>
<p>A história passa por toda uma vida. Começa morrendo, termina também. O homem e sua urgência de ser vivo, de viver tudo. A necessidade que temos em conciliar tudo que acontece ao mesmo tempo. Tentativa desesperada de acompanhar, aproveitar, fruir, como se precisássemos de cada acontecimento para ter a certeza de que estamos&#8230; vivos.</p>
<p>Acompanhado, sozinho, correndo, dormindo. Sempre fatigado, sempre correndo atrás do que ele não sabe o que é, mas pretende alcançar. Ou você sabe por que trabalha 8 horas diárias? Passam estranhos, passam amigos, passam mulheres. Ele tem sonhos, ele tem trabalho e ele corre. A cada momento um obstáculo: portas, escadas, caixas. Tudo deve ser transposto, e logo. Ele está preso o tempo todo a uma corda. Um fio condutor, um fio repressor, um cordão umbilical. Algo que o prende a realidade, oferece segurança mas restringe seus movimentos.</p>
<p>Os relacionamentos. De um lado a mulher, do outro o cara. Entre eles, uma barreira fina, algum tipo de plástico. Eles tentam se tocar, se agarrar, um grita pelo outro, se esforçam, mas não conseguem. Esforço, energia dispendida, tentativa de fazer funcionar, o famoso &#8220;dar certo&#8221;. Stress. Tensão para uma união impossível.</p>
<p>Depois das mulheres, um cara. Horas dançando, horas parado. Aparecem amigos, eles chamam gente da platéia, como se fossem pessoas passageiras, aquelas que participam em alguma momento da nossa história e depois se vão. Dança. Agora todos nós dançamos sob a chuva, nos molhamos e celebramos nossas dores e delícias. Esquecemos do frio lá fora e só deixamos a água cair sobre nós enquanto pulamos no nada, em busca de sermos amados.</p>
<p>Lembrança. A parte mais bonita da noite: do teto, desce uma superfície transparente com uma menina em cima. E água. Útero. Gestação. A mulher em sua essência. Quente, molhada, sexy. Sereia. Depois entram outras mulheres e a superfície baixa até conseguirmos tocá-la. Conhecimento pela sensação. Elas olham para a gente com curiosidade e a gente olha de volta, tenta tocar de volta, entender o que está acontecendo. Queremos agarrar as coisas, o outro, mas nunca conseguimos.</p>
<p>Meu cabelo já está seco. Tudo é sempre tão breve. E intenso. Cada fenômeno é intenso por si só, sem que precisemos fazê-lo assim. Basta saber olhar ou andar. A vida é como <em>Fuerza Bruta</em>: para existir, exige nossos seis sentidos. Mas só. O espetáculo se faz naturalmente, uma vez que estamos prestando atenção.</p>
<p><em>* No Budismo, a mente é considerada um sentido adicional. Nada a ver com intuição, apenas mais um sentido convencional.</em></p>
<p><em>** Acesse o <a href="http://www.fuerzabrutabrasil.com.br/" target="_blank">site oficial do espetáculo</a> e <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=fuerza+bruta" target="_blank">assista a alguma cenas no YouTube</a>. Vá. Fuerza Bruta é, digamos assim, necessário.</em></p>
<p><em>*** Coloquei o post na categoria &#8220;<a href="http://nao2nao1.com.br/category/experimentos-para-se-sentir-vivo/" target="_blank">Experimentos para se sentir vivo&#8221;</a>. Sim, porque eu ainda acho que um dos modos de cultivar relações criativas é ativar todos os cinco sentidos. Ser visceral. Não esperar. E </em><em>Fuerza Bruta nos deixa assim, com </em><em>um certo gosto de urgência nos lábios.</em></p>
<p>No related posts.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Experimentos para se sentir vivo (1) &#8211; iPod e energia autônoma</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 10:37:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Músicas]]></category>
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		<category><![CDATA[prisões]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>A maioria dos casais que entram em crises graves, não importam os conteúdos, manifesta uma espécie de sonolência ou apatia. Antes de qualquer outro problema, a relação se empalidece, os corpos se anestesiam. Antes de qualquer desentendimento grave, a preguiça avança sobre a generosidade. Talvez a falta de energia seja o princípio de todas as rupturas, assim como as conexões &#8230;</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-276" title="Fone de ouvido" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/08/earphone2.jpg" alt="" /><!--adsensestart--></p>
<p>A maioria dos casais que entram em crises graves, não importam os conteúdos, manifesta uma espécie de <strong>sonolência</strong> ou apatia. Antes de qualquer outro problema, a relação se empalidece, os corpos se anestesiam. Antes de qualquer desentendimento grave, a preguiça avança sobre a generosidade. Talvez a falta de energia seja o princípio de todas as rupturas, assim como as conexões se iniciam pela abundante movimentação de energia (aparentemente causada pelo outro) e por aquela disposição que sempre nos surpreende.</p>
<p>Com base em tal hipótese, abro a série <strong>&#8220;Experimentos para se sentir vivo&#8221;</strong>, pela qual pretendo sugerir práticas que nos livrem do entorpecimento e nos despertem para a alegria de se relacionar com o outro. Começo com uma prática para testar o quanto somos movidos por configurações externas e o quanto (ou não) somos responsáveis por toda a circulação de energia em nós. Com ela, talvez seja possível avançar na <a href="http://nao2nao1.com.br/a-dor-que-geramos-no-meio-do-prazer/" target="_blank">reflexão que iniciei aqui sobre a possibilidade de uma paixão autônoma</a> como saída para o insatisfatório padrão atual. Ou seja, se é verdade que podemos mover nossa própria energia, é possível construirmos uma paixão sem que o outro seja o responsável pela circulação de nosso sangue. O que descrevo abaixo é uma das práticas que venho fazendo antes de escrever o texto <strong>&#8220;Para além da química: é possível construir uma paixão?&#8221;</strong>.</p>
<p>A primeira vez foi espontânea. No início do ano, ainda me sentindo atropelado pelo fim de uma relação de 5 anos, voltei a usar um velho MP3 player que ignorei por meses. Fui de metrô fazer exame admissional e saí ouvindo mais do que os sons da cidade. Do nada, comecei a perceber que eu mudava o olhar, a postura e a energia de acordo com cada música. Estava com o peito aberto, olhos<em> wide open</em>, em contato com os outros, com o mundo. Diferentes histórias passando ao meu redor, melodias e letras correndo dentro, vários ânimos se alternando.</p>
<p>Assim que entrava <a href="http://br.youtube.com/watch?v=wpxuMNfyzXw" target="_blank">&#8220;Nude&#8221;</a> ou <a href="http://br.youtube.com/watch?v=8OS1U8LjjZw" target="_blank">&#8220;Reckoner&#8221;</a> (Radiohead, álbum <em>In Rainbows</em>), meu corpo se enrijecia, os olhos perdiam o foco, nenhum pensamento se sustentava, a boca se abria, quase babando, como se eu fosse um louco paralisado. Peito vazio, ar frio, pés ausentes. Vontade de <strong>vomitar seco</strong>. A música não só me arrastava internamente como também configurava o universo inteiro ao meu redor: falta de sentido, pessoas caóticas, &#8220;Por que existem exames admissionais?&#8221;, &#8220;Será que este médico vai perguntar se quero morrer (essa é a única pergunta que poderia avaliar minha sanidade)&#8221;, &#8220;Como essa rua é triste!&#8221;, &#8220;Onde mesmo está o céu?&#8221;. Eu havia me esquecido que Radiohead remove o céu acima de nós.</p>
<p>A playlist seguia e Jonny Lang soltava os acordes poderosos de <a href="http://www.imeem.com/people/-sU9vV/music/zt-nKahN/jonny_lang_still_rainin/" target="_blank">&#8220;Still Raining&#8221;</a> (álbum <em>Wander this World</em>). Meu peito se enchia de calor, as mãos seguravam baquetas imaginárias, o bumbo me devolvia os pés, o chimbal movia meus olhos, as viradas da caixa (antes do refrão) balançavam minha cabeça. Minha boca pronunciava alguma coisa entre os sons da bateria e a letra da música. Havia uma certa revolta, mas agora com muita energia. O que era depressão em Radiohead virava excitação na voz de Lang. As pessoas voltavam a ter radiância nos olhos, exames admissionais até que tinham algum sentido, a rua me impelia a percorrê-la. O céu, para minha surpresa, estava lá.</p>
<p>Mariana Aydar cantava o samba que me lembrava dos passos da gafieira. <a href="http://br.youtube.com/watch?v=L9L3s5g7Jmc" target="_blank">&#8220;Na Gangora&#8221;</a> ativava um olhar malicioso e fazia surgir mulheres gostosas à minha frente. O tamborim e as porradas nos pratos de &#8220;Menino das Laranjas&#8221; impediam qualquer tristeza. Meu pescoço se soltava enquanto percebia que eu havia passado o dia inteiro com os ombros tensionados. Com o corpo relaxado, o sorriso era natural. Sorriso que não era meu, mas da música, da própria Mariana.</p>
<p>Com Norah Jones, vinha repouso e paz – eu podia sentir o gosto do vinho. Com Tom Petty, virava moleque e tirava sarro de mim mesmo. Com Bach, eu enxergava as equações matemáticas e os algoritmos que estavam por trás do universo. Tori Amos me amansava ao mostrar o tamanho da dor de cada pessoa sentada no metrô, o quanto cada uma ali já chorou e desaguaria se ouvisse o que eu estava ouvindo. A <a href="http://br.youtube.com/watch?v=gKlGKFX-mQA" target="_blank">salsa senegalesa de Toure Kunda</a> transformava o mundo em uma festa: todos estavam prestes a levantar e dançar, ou melhor, seus pés já se moviam com o piano. <strong>Para cada música, um olho específico, uma postura corporal, um mundo construído.</strong></p>
<p>Já quase em casa, pensei: &#8220;Se essa música me traz a energia da alegria e seu mundo correspondente, então eu tenho como acessar tudo isso diretamente de algum modo que agora me parece impossível&#8221;. O mesmo para a angústia de outra música, sensação de deslumbramento contemplativo de outra, malícia e energia sexual de outra (tinha uns sambas que me deixam no ponto!), raiva e medo, carência, orgulho e assim por diante. Corpo, pensamento, ânimos, visões e relações: somos essa plasticidade pronta para se alternar entre infinitas configurações. Temos tudo aqui, completamente disponível, só que não nos damos conta. Somos dependentes de elementos externos. Precisamos que algo ative aquilo que não conseguimos trazer à vida por nós mesmos.</p>
<p>Continuei: &#8220;Quando me relaciono com uma outra pessoa, acontece precisamente a mesma coisa. Ela ativa certos mundos que poderiam ser incorporados de modo autônomo&#8221;. Porque não conseguimos despertar algumas energias em nós, desenvolvemos apegos e fixações: <strong>&#8220;Sem ele, não consigo sentir isso&#8221;</strong>. É como se precisássemos ouvir Radiohead para sentir angústia ou Aerosmith para cultivar alegria. E de fato fazemos isso o tempo todo, afinal quem nunca colocou música para expandir e potencializar aquilo que estava sentindo ou querendo sentir?</p>
<p>Na maioria do tempo, entretanto, não nos comportamos como o menino maluco batucando no metrô e entrando em depressão minutos depois, ao sabor das músicas. <strong>Ignoramos grande parte dos estímulos que não se adequam a nossos estados internos.</strong> Se a música é depressiva e estamos bem, a música perde, ela não nos fisga. Se o som é alegre e estamos mal, a música não tem chance alguma. Somos, portanto, mais reféns de nossos impulsos e ânimos do que de elementos externos.</p>
<p>Porém, quando a música se encaixa com nosso estado interno, aí sim! Temos certas predisposições para algumas energias e mundos correspondentes, que são fortalecidos quando encontramos a música certa, o cheiro, a temperatura, o poema, ou a pessoa certa para eles. Os ânimos precisam de suportes corporais também, já que é muito difícil sentir raiva em postura de lótus ou estabilizar a mente em postura fetal, enrolado na cama. Ou seja, quando desejamos sentir tristeza, nós não só colocamos músicas tristes para tocar como também nos deitamos tortos no sofá. Infelizmente, o mesmo se dá com sensações e emoções positivas: buscamos suportes, já que não nos achamos capazes de sentir tudo de modo autônomo.</p>
<p><strong>Para nossa sorte, existem as crises. </strong>São elas que nos salvam desse processo infindável de deitar no sofá para chorar e chamar a ex-namorada para gozar.<strong> </strong>Vivemos no esforço de estabilizar algum estado interno prazeroso e chamamos de &#8220;crise&#8221; aqueles momentos em que não conseguimos. O que é uma crise senão a impossibilidade de estabilizar qualquer estado mental? Caos total, surto de TPM, alternância de pensamentos contraditórios, ânimos extremos e oscilantes. Ao contrário do que pensamos, é nesse momento que estamos mais livres. Quando estamos estáveis e confortáveis no prazer, ainda que exista um sorriso aberto, estamos completamente presos (toda fixação é uma delícia!).</p>
<p>A crise é um excelente momento para colocarmos uma série de músicas bem diferentes em sequência, vivenciarmos cada uma delas no limite e observarmos como nossa mente funciona. Por não conseguirmos parar, as músicas guiam nossa respiração mais facilmente. Enquanto rodopiamos, estamos mais abertos do que quando nos fixamos em algum ponto. Por isso, penso que a loucura esconde uma espécie de docilidade que raramente manifestamos quando estamos estáveis. A crise é o movimento desenfreado no espaço livre, no lugar mesmo onde em breve vamos dançar. Podemos então aproveitar o caos que já existe em vez de nos apressarmos para algum tipo de estabilização.</p>
<p>Treinar uma outra relação com as músicas de um iPod é muito mais fácil do que praticar liberdade com alguém. Mesmo assim, nossa mente cria um observador e termina por investigar a dinâmica entre prisão e liberdade nas relações amorosas. A alternância das faixas rapidamente revela nossa capacidade de posicionar mente e corpo em qualquer ponto, gerando mundos, identidades e histórias, algo que fazemos o tempo todo (sozinhos ou acompanhados), sem perceber.</p>
<p>O experimento que venho praticando talvez explicite também a <strong>impessoalidade das emoções</strong> (&#8220;a raiva que sinto não é minha, o sorriso é da Mariana Aydar, tudo passa por mim, eu sou o espaço no qual escorre minha vida&#8221;), a <strong>insubstancialidade dos mundos</strong> (&#8220;há minutos eu queria me matar e agora estou pensando em como abordar essa garota linda, como isso é possível?&#8221;) e <strong>nossa liberdade</strong> de nos colocarmos onde quisermos. Se vou ali, o mundo fica cinza e quero me esconder. Se me movo mais um pouco, vejo cores e quero abraçar qualquer um. Já venho fazendo isso, involuntariamente, por décadas&#8230; Que tal se agora eu começar a conduzir esses movimentos?</p>
<p>Por que esperar o iPod estacionar em <em>In Rainbows</em>, se posso mover minha mente livremente para regiões de desespero? Por que esperar algo dos outros, se posso cultivar alegria e energia estáveis e autônomas? Por que ser vítima das incontáveis playlists que se desdobram ao meu redor? E se, em vez disso, eu experimentar fazer um som?</p>
<p>Para seguir a prática depois de retirar os fones do ouvido, vou procurar por uma tradição contemplativa cuja instrução principal não seja &#8220;faça o bem, evite o mal&#8221; e sim <strong>&#8220;dirija a própria mente&#8221;</strong>. Será que existe?</p>
<p><em>* Dedico esta prática a todos os casais que passam por dificuldades e estão, neste exato momento, anestesiados, preguiçosos e sonolentos.</em></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Se você, homem ou mulher, quiser enriquecer o próximo texto sobre o assunto &#8220;paixão autônoma&#8221;, por favor <a href="http://nao2nao1.com.br/contato/" target="_blank">envie seu relato</a>, caso já tenha conseguido se apaixonar por alguém que nunca o tenha fisgado (alguém pelo qual você não sentia atração alguma). Isto é, se alterou seu olhar e ofereceu paixão ao outro, em vez de ter sido vítima da química ou daquela conexão que parece vir de vidas passadas.</em></p>
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