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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Melhores cantadas do cinema</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>As melhores cantadas do cinema (3): A Verdade Nua e Crua &#124; The Ugly Truth</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 18:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes e vídeos]]></category>
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<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme A Verdade Nua e Crua (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série &#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221; com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano Caos Calmo).</p>
<p>Como sempre, não há spoiler algum, já que não falo nada da&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="size-full wp-image-516" title="the_ugly_truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/the_ugly_truth.jpg" alt="The Ugly Truth" width="588" height="250" /></p>
<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>A Verdade Nua e Crua</em></a> (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série <a href="http://nao2nao1.com.br/category/cantadas-cinema/" target="_blank">&#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221;</a> com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-2-caos-calmo/" target="_blank"><em>Caos Calmo</em></a>).</p>
<p>Como sempre, não há <em>spoiler</em> algum, já que não falo nada da história. Leia à vontade.</p>
<h1>O filme: comédia romântica dos novos tempos</h1>
<p>Com direção de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0525659/" target="_blank">Robert Luketic</a> (conhecido por <em>Legally Blonde</em>), <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>The Ugly Truth</em></a> monta um casal com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001337/" target="_blank">Katherine Heigl</a> (da série <em>Grey&#8217;s Anatomy</em>) e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0124930/" target="_blank">Gerard Butler</a> (o Gerry de <em>P.S. I Love You</em>, sobre o qual já escrevi aqui em <a href="http://nao2nao1.com.br/ps-i-love-you/" target="_blank">uma carta para minha ex-namorada</a>), mais conhecido pelas mulheres como <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RiRaEWrxafI" target="_blank">&#8220;Ê lá em casa&#8230;&#8221;</a></strong>.</p>
<p>Comparado com os casais das primeiras comédias românticas (<em>When Harry Met Sally&#8230;</em> ou <em>Sleepless in Seattle</em>), Katherine Heigl é muito mais solta (pra não dizer &#8220;mulher&#8221;) do que a Meg Ryan, e Gerard Butler bem mais firme (pra não dizer &#8220;homem&#8221;) do que Billy Crystal e Tom Hanks juntos vezes 100 ao quadrado.</p>
<p>Se a mulher das comédias românticas está cada vez menos meiguinha e santa, o homem ideal definitivamente abandonou o posto de <em>nice guy</em> e encarnou o canalha, o garanhão, o cafajeste – aquele homem que você hesita em apresentar para suas amigas e para sua mãe. No lugar da pele lisinha e asséptica (veja o cara que é rejeitado no triângulo amoroso do filme), barba e um toque de assimetria.</p>
<p>Em vez de &#8220;Eu me sinto tão próxima de você&#8221;, o amor atualmente começa com <strong>&#8220;Eu tenho medo de você&#8221;</strong>.</p>
<p>As comédias românticas não só espelham a dinâmica social como contribuem para sua formação. É por isso que é interessante observar os novos filmes do tipo que estão aparecendo. Ao mesmo tempo que mostram para qual homem está apontando o desejo feminino, eles instruem o olhar das garotas na plateia: &#8220;É esse o homem que você deve procurar&#8221;.</p>
<p>E sinceramente acho que <strong>o novo canalha das telas é ainda muito sensível, indeciso e bonzinho&#8230;</strong> Alguns relatos que vejo na <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana PdH</a> mostram que podemos ser bem piores, sacanas e implacáveis ao resgatar o melhor dos dois mundos. O cara chama sua mulher de longe, disfarçado de Tom Hanks (com um joguinho por SMS, por exemplo); assim que ela se aproxima, ele a pega com força e olhos de fúria. Às vezes isso vem de um moleque fraquinho de 17 anos, mas não importa: se há direcionamento, precisão e profundidade, ela sente um toque firme que a preenche e conduz.</p>
<p>O cinema será bem sucedido em sua doutrinação? Eu teria pena das mulheres: não é fácil lidar com um homem que quer te foder inteira, que não aceita mediocridade, que vai querer ver você cada vez mais mulher, mais feliz, linda, solta, mais inteligente e ousada.</p>
<p>Um homem que se diverte quando você surta, não acredita em suas decisões precipitadas e que ao mesmo tempo a estimula para direções positivas, oferecendo direcionamento e estabilidade para a relação. Um homem que não só ama você, mas faz a promessa de amar ainda mais as outras mulheres que você vai se tornar.</p>
<h1>A cantada: mandar a real</h1>
<p><img title="the ugly truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/theuglytruth2.jpg" alt="theuglytruth2" width="200" height="296" align="left" />Pouco antes de começar a namorar, eu tive algumas relações que poderiam facilmente ter virado um namoro, não fosse minha completa falta de tempo.</p>
<p>Durante uma ligação em que uma garota me cobrava &#8220;Por que você não quer namorar comigo?&#8221;, eu abandonei o jogo da sedução e as noites de diversão garantida que poderíamos ter juntos depois. Parei, puxei ar e detalhei precisamente os fatos: &#8220;Eu estou trabalhando com isso, com aquilo, estou construindo isso, aquilo está dando certo, estou gerando tais benefícios e não tenho tempo algum para você&#8221;.</p>
<p>Ela tinha certeza que eu estava apaixonado pois ficava 100% com ela nos momentos em que estávamos juntos. E então falei: <strong>&#8220;Não, não estou apaixonado, apenas realmente estava com você quando estava com você&#8221;.</strong></p>
<p>Ou seja, eu mandei a real. O resultado? Ela rodopiou entre pedidos carentes, frases agressivas e onomatopeias de mágoa atravessadas por uma lucidez crescente que ficou estável dias depois, quando nos encontramos novamente, sem problema algum, afinal não havia mesmo problema algum.</p>
<p>Se eu não tivesse falado a verdade, é bem provável que a relação tivesse sido interrompida naquele ponto: &#8220;Você me enganou, adeus&#8221;.</p>
<p>Falar a verdade que ninguém quer ouvir, eis o que Mike (Gerard Butler) faz o tempo todo no filme. Para um casal de apresentadores, por exemplo, ele diz que a mulher castrou seu marido (criticou, reprimiu, diminuiu) e agora reclama que ele não é mais homem no sexo. Falar a verdade interrompe nossa tentativa de enganar os outros e, principalmente, de nos enganar. Falhamos, somos descobertos e então começamos a agir a partir de onde estamos. É como um tapa que acorda nossos sentidos. Não é por acaso que o tesão imediatamente voltou ao casal atacado.</p>
<p>Em seu momento <a href="http://papodehomem.com.br/category/colunas/dr-love/" target="_blank">Dr. Love</a>, ele dá uma de especialista neodarwinista e lembra que <strong>os macacos bonobos usam o sexo para acabar com uma discussão.</strong> &#8220;Uma de minhas técnicas preferidas&#8221;, finaliza.</p>
<p>Enquanto isso, Abby (Katherine Heigl) fica horrorizada com cada ideia pervertida de Mike, que discorda de seus pensamentos certinhos. Mulheres são fascinadas por homens que não dão a mínima para o que elas pensam deles. Tal ação evidencia direcionamento e autonomia, ou seja, o cara segue com ou sem ela. E, vocês bem sabem, <a href="http://nao2nao1.com.br/os-moteis-invisiveis-de-sao-paulo-ou-como-fazer-amor-com-estranhos-parte-2/" target="_blank">liberdade dá tesão</a>. É um processo explicado pelo funcionamento do desejo feminino, que cresce à medida que tenta capturar nosso desejo – falo mais sobre isso no artigo &#8220;A dinâmica do desejo feminino&#8221;, na Cabana PdH.</p>
<p>Em um dos diálogos do filme, ela pergunta: &#8220;You&#8217;re really that confident?&#8221; (&#8221;Você é mesmo tão seguro e confiante assim?&#8221; ou &#8220;Você se acha mesmo, né?&#8221;). O que ela não diz é o seguinte: &#8220;Pergunto porque eu adoro isso!&#8221;.</p>
<p><strong>Nada irrita (e atrai) tanto uma mulher como um homem cheio de certezas</strong> que se acha o dono da verdade. Por um lado, ele pode ser orgulhoso, um completo imbecil autocentrado. Por outro, ele é o cara seguro que sabe onde está indo e diz aquilo que ela paga para ser verdade: &#8220;Vou te comer como nenhum outro homem&#8221;. Para além das possíveis patologias de orgulho e autocentramento, o que elas exigem (ou deveriam exigir) de um homem não é ser o dono da verdade, mas ser preciso (livre de hesitações),  autêntico (livre de manipulações) e com direcionamento (livre de estagnação ou confusão).</p>
<p>Falar a verdade para uma mulher implica em reconhecer a inteligência dela em compreender qualquer coisa, a liberdade dela em reagir como quiser e sua transparência em se comunicar diretamente com você, sem roupagens, sem defesas. Ao mandar a real, confiamos no outro e elevamos a relação.</p>
<p>Pergunte a um marido que trai sua esposa e morre de medo de ela descobrir: &#8220;Por que você não conta?&#8221;. Provavelmente ouvirá: &#8220;Ah, porque ela ficaria louca e acabaria com tudo&#8221;. Ou seja, <strong>ele não confia na liberdade dela em fazer diferente</strong>, não oferece a opção de agir com base na realidade. Ele a subjuga, inferioriza, tira sua autonomia.</p>
<p>Ou olhe para um homem certinho. Sendo romântico, falando o que ela quer ouvir, é bem possível que ele a agrade por um tempo. Porém, se ele estiver mentindo para si mesmo, ela eventualmente se sentirá enganada e a frustração final será bem maior do que a momentânea que ela enfrentaria ao ouvir uma fala nem tão romântica, mas verdadeira.</p>
<h1>O sexismo presente no filme</h1>
<p>Muitas das verdades do filme não são exatamente verdades. Veja as seguintes falas de Mike:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nunca fale de seus problemas. Os homens não escutam e nem se importam. Quando eles perguntam &#8216;Como você está?&#8217; é só um código para &#8216;deixa eu meter meu pau na sua bunda&#8217;.&#8221;</p>
<p>&#8220;Precisamos deixar seu cabelo mais longo. Homens gostam de algo pra agarrar além da sua bunda.&#8221;</p></blockquote>
<p>É bastante machista a imagem que vincula homem ao sexo (corpo, prazer, instinto) e mulher ao amor (alma, santidade, razão). Ao fazer isso, tiramos da mulher a liberdade de expressar seu desejo. Sinceramente, tenho certeza que <strong>a mulher gosta e aproveita mais o sexo do que o homem</strong>. Certeza.</p>
<p>Além de machismo, é pura ilusão, afinal atualmente é muito comum ouvirmos as mulheres reclamando de homens chorões que só falam de seus problemas ou de caras que não puxam seus cabelos, batem na cara e trepam de verdade.</p>
<p>Quando é pra ter prazer, ser instintiva e passional, a mulher se sai bem melhor do que o homem. É por isso que eu gostaria de ver, na próxima comédia romântica, um casal invertido: o cara certinho diante de uma mulher ousada.</p>
<p>Além disso, repare nesta e em qualquer outra comédia romântica: a mocinha espera a declaração do galã para então se declarar também. &#8220;Eu amo aquele que me ama&#8221;, ou melhor, &#8220;Para eu te desejar, basta você me desejar&#8221;, <a href="http://nao2nao1.com.br/amor-e-coisa-que-nao-se-recebe/" target="_blank">postura que já critiquei aqui.</a></p>
<h1>Assista ao trailer</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Ainda que a cantada invisível seja &#8220;mandar a real&#8221;, o grande momento em que ele vira homem e a faz mulher é outro. Uma cena que cria magnetismo e muda toda relação entre eles, algo que já recomendei aos homens várias vezes no Não2Não1 (prática regular da Cabana PdH).</em></p>
<p><em>Assista ao filme e venha aqui comentar qual é.</em></p>


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		<title>As melhores cantadas do cinema (2) &#8211; Caos Calmo</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 07:57:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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<p>Construa relações positivas em todas as direções. Ela vai querer ser uma delas, com certeza.</p>
<p>Continuo com o percurso que iniciei quando assisti ao filme Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, Kar Wai Wong, EUA, 2007). Como expliquei anteriormente, a idéia é buscar xavecos que não parecem xavecos, apresentar cantadas que não se restringem a um discurso ou uma ação específica.&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-393" title="caos_calmo_header" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/01/caos_calmo_header.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Construa relações positivas em todas as direções. Ela vai querer ser uma delas, com certeza.</em></p>
<p>Continuo com o percurso que iniciei quando assisti ao filme <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-1-um-beijo-roubado/" target="_blank"><em>Um Beijo Roubado</em> (<em>My Blueberry Nights</em>, Kar Wai Wong, EUA, 2007)</a>. Como expliquei anteriormente, a idéia é buscar <strong>xavecos que não parecem xavecos</strong>, apresentar cantadas que não se restringem a um discurso ou uma ação específica. Ou seja, falar das <em>melhores</em> cantadas e xavecos do cinema.</p>
<p>Quando um xaveco é ouvido como xaveco, ele perde totalmente sua força. É como um pensamento que, em vez de nos dominar e nos levar a emoções, sensações e outros pensamentos, é simplesmente reconhecido como tal: um pensamento. Cantada que se oculta, é isso que envolve uma mulher. <a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Prov%C3%A9rbios_latinos" target="_blank">&#8220;<em>Ars est celare artem</em>&#8220;</a> (&#8221;a arte esconde a arte&#8221;), já ensinavam os primeiros <em>latin lovers</em>. Não é por acaso que os melhores momentos de uma música e de um filme acontecem quando esquecemos que estamos diante de uma produção artística.</p>
<h1>O filme: uma praça, uma vida, um mundo</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-391 alignleft" style="float: left;" title="caos_calmo_250" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/01/caos_calmo_250.jpg" alt="Caos Calmo" width="250" height="354" /><em>Leia tranquilo: o texto não tem spoilers pois é impossível estragar a experiência que esse filme oferece. Da trilha sonora, escolhi &#8220;<a href="http://br.youtube.com/watch?v=4xnVn4lDyWA" target="_blank">L&#8217;amore trasparente&#8221; (Ivano Fossati)</a>.</em></p>
<p><a href="http://www.imdb.com/title/tt0929412/" target="_blank"><strong><em>Caos Calmo</em></strong></a> (Antonio Luigi Grimaldi, Itália/Inglaterra, 2008, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=mU82J3nWRjM" target="_blank">trailer no YouTube</a>) é um dos mais belos filmes que já vi na vida. Após os créditos, fiquei com uma agitação simultânea a uma languidez contemplativa. Caos&#8230; calmo.</p>
<p>O roteiro toma como base o livro homônimo de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sandro_Veronesi" target="_blank">Sandro Veronesi</a>, a direção é de Antonello Grimaldi, e o elenco traz <a href="http://www.imdb.com/name/nm0604335/" target="_blank">Nanni Moretti</a> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt0208990/" target="_blank"><em>O Quarto do Filho</em></a>) e as belas <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000420/" target="_blank">Valeria Golino</a> e <a href="http://images.google.com.br/images?q=Kasia+Smutniak" target="_blank">Kasia Smutniak</a> (que dá corpo a Jolanda, o alvo da cantada aqui descrita). O enredo é simples: após a morte da mulher, o empresário Pietro Paladini (vivido por Nanni Moretti) decide passar seus dias na praça em frente a uma escola infantil e faz sua vida acontecer em um banco de madeira de onde pode ver a filha.</p>
<h1>A cantada: conquiste a praça, a vida e o mundo antes</h1>
<p>Curiosamente, os protagonistas de <em>Um Beijo Roubado</em> e <em>Caos Calmo</em> se assemelham pela <strong>imobilidade</strong>. Se o primeiro esperou a personagem de Norah Jones voltar até sua loja, o segundo não sai da praça em frente à escola da filha. No momento em que qualquer um se fecharia em luto dentro de casa, Pietro sai para um local público por excelência; quando todos desejariam chorar e contar o drama da perda, ele ouve as dores alheias; se o bom senso ensina que o viúvo precisa de apoio, o empresário age como um louco ao apoiar seus amigos e familiares. Ele fica e deixa o caos girar ao redor: os familiares vem e vão, colegas do trabalho pedem conselhos, a mãe da amiga tenta seduzi-lo, a irmã de sua ex-mulher bate o carro, todas as coisas rodopiam dentro e fora da praça.</p>
<p>Aqui também se aplica a dinâmica que abordei no primeiro texto. A estabilidade masculina, o olhar de Shiva, é o convite perfeito para a provocação feminina, <strong>o <em>strip-tease</em> de Shakti</strong>. Pode anotar: o homem é desequilibrado pelo movimento feminino, enquanto a mulher é desestabilizada pelo olhar masculino. Se quiser envolver uma mulher, pare e fique. Se quiser conquistar um homem, seja uma coelhinha serelepe. Não é de se estranhar que um homem muito solto, que se mexe demais, seja visto como homossexual (veja <a href="http://br.youtube.com/watch?v=i6N0sNMKFO4" target="_blank">os primeiros segundos dessa apresentação</a>, uma das músicas do filme, que explicita a feminilidade de Rufus Wainwright, músico gay).</p>
<p>É outra, contudo, a grande cantada de Pietro em <em>Caos Calmo</em>. Nenhum momento a circunscreve, nenhuma fala a define, não há gestos para evidenciá-la. Inicialmente, o empresário toca a sua própria vida, dispensa distrações e mergulha na beleza do cotidiano. Troca o estresse de um escritório pelo vinho de um bom restaurante, reuniões com empresários por conversas com mulheres fofoqueiras, luto depressivo por contação de histórias infantis.</p>
<p>Com isso, ele não só descansa e ganha tempo para si como arranja tempo para os outros. Ele fica <em>disponível</em>. <strong>Eis o charme de um homem sentado em um banco de praça.</strong> Quando a irmã da ex-mulher bate o carro e começa a chorar, ele está lá para abraçá-la e fazê-la sorrir. Quando o menino passa querendo brincar, ele está lá para empolgá-lo. A filha treina ginástica olímpica, ele observa da arquibancada.</p>
<p>Com disponibilidade e olhar contemplativo, Pietro logo descobre a rotina de várias pessoas ao seu redor. O jornaleiro, o dono do restaurante, a menina linda que leva o cachorro para passear, as amigas da filha e seus pais&#8230; Porque ele pára e senta, seus colegas de trabalho (que vêm para consolá-lo) terminam por contar seus problemas, desabafar e pedir conselhos. Ele se torna o banco dos outros (e todos nós queremos bancos). Ao ouvir problemas, ele enxerga soluções e se insere na vida de cada um de modo a beneficiá-los. Sem sair da praça, recebe uma proposta de emprego irrecusável. Não é de se surpreender. O mundo inteiro se abre diante de um homem que oferece suas habilidades e pergunta em todas as direções: &#8220;Olá, em que posso ajudar?&#8221;.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-392 alignleft" style="float: left;" title="cantada_caos_calmo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/01/cantada_caos_calmo.jpg" alt="" width="250" height="250" /><strong>Antes de abraçar Jolanda, Pietro já estava abraçando o mundo</strong> – algo que ela mesmo percebeu quando lembrou de todos os abraços que observou de longe. Antes de amá-la, ele já amava a todos. Antes de penetrá-la, ele já estava atravessando e enriquecendo muitas vidas dentro e fora da praça.</p>
<p>Ora, toda mulher sabe que será tratada do mesmíssimo jeito que seu parceiro trata qualquer outra pessoa. Já que a natureza do feminino é o movimento, ela observa como ele lida com tudo o que se move: como chama e agradece o garçom, como sorri (ou não) para quem passa ao redor, como resolve problemas, como brinca com um cachorro, como olha para uma borboleta&#8230;</p>
<p>Se ele se irrita facilmente, ela sabe que terá problemas nos dias de TPM. Se ele se apaixona por tudo e todos, ela deseja ser alvo de sua paixão. Se ele sabe dançar, ela fantasia sobre como será o sexo. Se ele toma o vinho com tesão, ela quer provocar o mesmo. Se ele não come brócolis ou não gosta de sashimi, ela desconfia que seu mimo o impedirá de se deliciar com outras coisas também. Se ele oferece suas habilidades ao mundo, ela naturalmente entra na fila para recebê-las e usufrui-las também. &#8220;Se ele faz tanta gente feliz, ele me fará feliz&#8221;.<!--adsensestart--></p>
<p>Sem sequer saber o nome dela, sem nenhuma conversa, <strong>Pietro conquista a mulher mais bonita do local apenas por direcionar a sua própria  vida e se relacionar positivamente com os outros</strong>. Em vez de tentar seduzi-la diretamente, ele manifesta uma motivação mais ampla. Ele não quer apenas sua própria felicidade ou tampouco fazê-la feliz. Ele quer a felicidade de todos.</p>
<p>Nessa praça construída por Pietro, qualquer mulher não só já está abraçada como deseja abraçar de volta, participar desse desejo, ser olhada de modo elevado e se relacionar com outros assim também.</p>
<p>Portanto, meu amigo, se quiser pegar mulher, apenas se preocupe em sentar no banco e cuidar da vida da praça. Em vez de correr atrás de gaúchas ou goianas, em vez de se perguntar <a href="http://nao2nao1.com.br/oferecer-para-homens/" target="_blank">o que o mundo tem a lhe oferecer</a>, brinque com cachorros, <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-homens-que-as-fazem-rir/" target="_blank">faça a mulher mais próxima sorrir</a>, vá todo santo domingo abrir a sala de meditação e <a href="http://nao2nao1.com.br/meditacao-um-guia-para-homens-ceticos-como-voce-e-eu/">ficar 40 minutos sentado contra a parede</a>, leia histórias infantis para seu sobrinho, limpe sua rua, tire o lixo, <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/">distribua bombons no metrô</a>, alinhe sua coluna, ajude seus amigos, <a href="http://nao2nao1.com.br/closer-o-jogo-dos-7-erros-para-homens/">lave a louça</a> no fim do churrasco familiar, respire árvores e construa o mundo no qual deseja se deitar com sua mulher.</p>


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		<title>As melhores cantadas do cinema (1) &#8211; Um Beijo Roubado</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Apr 2008 05:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores cantadas do cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Post com trilha sonora: &#8220;The Story&#8221;, Norah Jones</p>
<p>Estou criando mais uma série aqui no Não2Não1 para comentar as principais cantadas e xavecos do cinema. Fui motivado por um post de uma amiga (&#8220;Lições de flerte&#8221;) e pelos vários vídeos do Fabiano Rampazzo produzidos pelo site iTodas. Esse cara (autor do Manual do Xavequeiro) me parece um verdadeiro pateta, diga-se de&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img title="Um Beijo Roubado - My Blueberry Nights" src="http://nao2nao1.com.br/img/norah_jones_jude_law.jpg" alt="Um Beijo Roubado - My Blueberry Nights" width="588" height="154" /></em></p>
<p><em>Post com trilha sonora: <a title="The Story - Norah Jones" href="http://youtube.com/watch?v=NU2wn9L0DXc" target="_blank">&#8220;The Story&#8221;, Norah Jones</a></em></p>
<p>Estou criando mais uma série aqui no <em>Não2Não1</em> para comentar as principais cantadas e xavecos do cinema. Fui motivado por um post de uma amiga (<a href="http://transmutando.blogspot.com/2008/02/lies-de-flerte-parte-1.html" target="_blank">&#8220;Lições de flerte&#8221;</a>) e pelos vários <a href="http://www.youtube.com/user/primooito" target="_blank">vídeos do Fabiano Rampazzo</a> produzidos pelo site<a href="http://itodas.uol.com.br/" target="_blank"> iTodas</a>. Esse cara (autor do <a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=1496019&amp;franq=254430" target="_blank"><em>Manual do Xavequeiro</em></a>) me parece um verdadeiro pateta, diga-se de passagem. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SAkvXajlzMw" target="_blank">Veja o que ele fala</a> sobre o xaveco inicial do filme <em>Antes do Amanhecer</em>. Ao se dirigir às mulheres, termina de modo profundo: &#8220;Você se permite?&#8221;. Sorte dele que o vídeo teve apenas 148 visualizações em mais de um mês.</p>
<p>Fico um pouco irritado com essa <strong>supervalorização da sedução e conquista</strong>. Ao mesmo tempo, eu me divirto com ebooks desse tipo, por exemplo: <a href="http://www.persuasao.com.br/conquistar-mulheres.pdf" target="_blank">&#8220;Como conquistar mulheres&#8221;</a>, do site <a href="http://www.persuasao.com.br/" target="_blank">www.persuasao.com.br</a>. Conquistar é fácil&#8230; é a parte mais simples de um relacionamento. O desafio é o que fazer quando se esgotam os tipos de beijos, os restaurantes de comida internacional e as posições sexuais do <em>KamaSutra</em>. O que fazer no oitavo encontro, no quinto ano ou na terceira década? Ainda assim, todas as boas coisas da vida começam em algum ponto, então nada mais natural do que falar em sedução.</p>
<p>Vejo, no entanto, a sedução como um processo de construção de uma história, não como uma evolução do modelo caçador/presa. É claro que uma história pode durar apenas uma noite, com muito desejo, instinto e fúria, mas sedução sem história ou sonho construído não tem graça alguma. O que de bom temos a oferecer ao outro senão um filme, um sonho, um mito?</p>
<p>Nesse contexto, minha idéia de &#8220;cantada&#8221; ou &#8220;xaveco&#8221; foge um pouco da visão convencional. Sinto que <strong>uma boa cantada não é tanto uma série de frases ou ações quanto uma postura </strong>que possibilita o envolvimento e a entrega de ambos. Isso ficará claro logo de cara com esse post, que não fala da ousadia de roubar um beijo, por exemplo.</p>
<p>Para abrir a série, escolhi o último filme que vi. Estreiou na última sexta e está em cartaz em vários cinemas. Meu texto não tem <em>spoilers</em>, então pode ler tranqüilo.</p>
<h1>O filme</h1>
<p><img class="alignleft" style="float: left;" title="Norah Jones - Jude Law" src="http://nao2nao1.com.br/img/blueberry_nights_beijo_roubado.jpg" alt="Norah Jones - Jude Law" width="250" height="339" /></p>
<p><strong><em>Um Beijo Roubado</em></strong> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt0765120/" target="_blank"><em>My Blueberry Nights</em></a>, Kar Wai Wong, EUA, 2007) traz a cantora Norah Jones, Natalie Portman, Jude Law e Rachel Weisz para encenar uma história bastante simples, escrita e dirigida por Kar Wai Wong (de <em>2046</em> e <em>Amor à Flor da Pele)</em>. Na trilha sonora (que já baixei), além de Norah, temos a gostosa Cat Power (que também aparece no filme), Ry Cooder (que assina a trilha), Cassandra Wilson, Amos Lee e Gustavo Santaolalla, entre outros nomes menores.</p>
<p>Kar Wai Wong é fascinado pelo amor. Ele nos pergunta: &#8220;Amor, o que é isso? Como ele se dá? Como ele vive e como o vivemos?&#8221;. Sem respostas, é o percurso que interessa. A viagem de Norah, aberta à vida, pelas histórias dos outros, me lembrou das vezes em que participei e convivi perto de amores de amigos, suas alegrias e confusões. Olhava cuidadosamente para eles e descobria minha própria energia, minha vontade de fazer diferente ou igual. Neles, eu via um amor (e também uma confusão) que é impessoal, usufruído por todos, sem dono.</p>
<p>A falta de pretensão do filme é a medida de sua calma; seu andamento, um ensinamento a qualquer amante. Todo aspirante a homem deveria assistir a filmes assim, desses que parecem que não vão a lugar algum, sabe? &#8220;Não tenha pressa, respire tudo e todos, <strong>saiba que o próximo momento não será nem um pouco diferente desse agora</strong>&#8220;, sussurra cada cena.</p>
<h1>A cantada</h1>
<p>O xaveco supremo de <em>Um Beijo Roubado</em> é simples, sem falas, sem esforço. Jude Law faz apenas uma coisa com Norah Jones: <strong>ele fica</strong>. Não vai atrás dela, não viaja, não reage, não larga seu trabalho. Além de ligações desesperadas, ele não se move. Poucos homens sabem da existência dessa cantada invertida. A cantada imóvel.<!--adsensestart--></p>
<p>É comum olharmos para os movimentos femininos e tentarmos enlaçar a mulher desejada, partir para cima, interrompê-la de alguma forma. É claro que render e desarmar uma mulher é também uma delícia, mas muitos confundem rendição com controle. Não é fácil sorrir para as andanças de uma mulher e deixar preparada a torta de <em>blueberry</em>. <strong>Falta <a href="http://www.youtube.com/watch?v=sXmWAOIWg3w" target="_blank">um pouco de paciência</a> às relações contemporâneas</strong>. Paciência que pode ser uma surpresa desafiadora às mulheres pelo fato de elas não entenderem como um homem pode dizer: &#8220;Linda, pode ir, apaixone-se e desapaixone-se por mim e por outros, viaje, sinta os sabores do mundo, bata cabeça, venha e se vá&#8221;. O mistério contido nessa postura talvez deixe uma mulher ainda mais atraída e envolvida. Talvez ela se sinta totalmente acolhida, em casa, dentro desse olhar.</p>
<p>Um homem que não dá chiliques, que não surta, torna-se uma base, um suporte para o ziguezague feminino. Ele eventualmente ouvirá de uma mulher o que Norah diz no filme: &#8220;Sempre tive a sensação de que posso lhe dizer qualquer coisa&#8221;. Tradução: &#8220;Com você, sinto que posso fazer qualquer coisa&#8221;. Ou, em uma tradução mais ampla, &#8220;Sua postura me faz acreditar que nada nesse mundo lhe é estranho, que você está preparado e aberto para qualquer fenômeno que possa surgir, em mim ou ao meu redor. <strong>Você me dá segurança ao atravessar qualquer confusão com um sorriso malicioso nos olhos<em>. </em></strong>Seus olhos, sua cama, sua vida, ah&#8230; Eu quero me deitar e me esfregar em você&#8221;.</p>
<p>A passagem do tempo não gera ansiedade. Ele fica além do tempo. Sua espera não é passiva. Ficar é uma forma de ação, um jeito de amar à distância, de respirar o ritmo do mundo. Ele, como um homem que dança, sabe que o começo às vezes só acontece no meio ou no fim. <strong>Ao amar o tempo da vida, sem saber, ele faz amor com a própria história dela</strong>, com seus percursos, idas e voltas. Isso porque é o tempo que nos move. Engana-se quem pensa que se move no tempo. Como ensinava o mestre zen Dogen, &#8220;a primavera passa sem nada fora de si mesma&#8221;.</p>
<p>Amar, se identificar, <strong>se tornar o tempo</strong>. Eis a forma mais elevada de condução. E toda história de amor é uma descrição de uma condução e uma entrega. Sempre. Jude Law, mesmo à distância, orienta e conduz Norah. Afinal, não basta ser um Jude Law, tem de saber conduzir. Caso contrário, você lembra <a href="http://nao2nao1.com.br/closer-o-jogo-dos-7-erros-para-homens/" target="_blank">o que aconteceu com ele em <em>Closer</em></a>, não? ;-)</p>
<p>Se a cantada funciona, se ela volta ou se vai para sempre, isso não importa. Assista ao filme e descubra&#8230;</p>
<h1>Trailer</h1>
<p>Além do trailer, deixo abaixo um trechinho da letra de Otis Redding, <a href="http://youtube.com/watch?v=3UlQVhMAbwg" target="_blank">&#8220;Try A Little Tenderness&#8221; (ouça aqui)</a>, uma das faixas dessa excelente trilha que roda sem parar na minha playlist.</p>
<blockquote><p>&#8220;but while she there waiting<br />
try just a little bit of tenderness<br />
[...]<br />
all you got to do is know how to love her<br />
you&#8217;ve got to<br />
hold her<br />
squeeze her<br />
never leave her<br />
now get to her<br />
got got got to try a little tenderness<br />
yeah yeah&#8221;</p></blockquote>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gFwDOWMaH6I&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/gFwDOWMaH6I&amp;hl=en" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p><em><strong>P.S: </strong>Já decidi quem vai ganhar o livro da Maitê. Vou fazer um post com os melhores relatos e aí revelo a sortuda.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>Vocês, mulheres, se interessariam em ler sobre cantadas femininas também? Posso fazer uma lista híbrida, que tal?</em></p>
<p><em><strong>Update:</strong> <a href="http://www.avidasecreta.com/beijo-voces/" target="_blank">A B. me avisou que hoje é dia internacional do beijo. </a>Que coisa louca&#8230; Publiquei o post sem saber! </em></p>


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		<title>P.S. I Love You (ou como fazer amor após a separação)</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 02:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se meu amor liberou você de tudo, está na hora desse mesmo amor...


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img title="PS I Love You" src="http://nao2nao1.com.br/img/ps_i_love_you_1.jpg" alt="PS I Love You" width="588" height="254" /></p>
<p>&#8220;Linda, domingo à noite fui no cinema ver esse filme, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0431308/" target="_blank"><em>P.S. I Love You</em></a> (trailer <a href="http://psiloveyoumovie.warnerbros.com/" target="_blank">aqui</a>). Não esperava muito, só queria um tempo a mais para digerir tudo antes de voltar para casa. Sabe, a meditação da manhã foi tranqüila, bastante gente, muita piada depois. À tarde é que a dor fisgou. Só eu e mais uma amiga corajosa ficamos para a meditação, ou melhor: só eu e a parede, 2h30 de parede, minha vida inteira, dentro e fora, subindo, descendo, arranhando.</p>
<p>Ainda estava com aquela nitidez absurda, que fica depois de uma boa parede, quando entrei no cinema e começou a briga na primeira cena. Como qualquer outra, sem propósito, sem conteúdo, só energia sendo liberada de um modo indizível até se aprumar esse jeito com lábios, peles e gritos.</p>
<p>Igual a nossa, dentro daquela relação maluca, lembra? Você me pegou confessando saudade ao telefone, entrou monstruosa no quarto, nem a briga seria uma opção, já estava pegando suas coisas para fugir&#8230; e a fechadura da porta caiu. Eu tranquei, começamos a brigar, a porta abriu, eu bati, caiu de novo. Na terceira, soltei um ensaio de sorriso, você não aguentou. E encontramos o jeitinho certo de falar o indizível.</p>
<p>O filme tem bom elenco, mas é caricato. Não deixa nada por trás, fala tudo, exagera um pouco, mostra demais. Só que fala bem, mostra bem, com verdade. Uma hora a mãe dela (feita pela grande Kathy Bates) ensina a la Rilke: &#8220;Thing to remember is if we&#8217;re all alone, then we&#8217;re all together in that too&#8221; (o importante é lembrar que, se somos todos solitários, então estamos juntos nessa, ou seja, é precisamente isso o que nos une). Amor de solidões, o mais belo de todos.</p>
<p>Em outro momento, um cara pergunta: &#8220;What do women want?&#8221; (a famosa <strong>&#8220;O que as mulheres querem?&#8221;</strong>). Ela diz que vai revelar, chega no pé do ouvido e sussurra: &#8220;We have no idea what we want&#8221;. Todo homem tem de ouvir ou sacar isso algum dia: &#8220;Nós não temos nenhuma noção do que queremos&#8221;.</p>
<p>O velório do cara se parece muito com o que eu desejo e já descrevi. Foi uma delícia ver essa cena. Chorei e ri, na mesma proporção. Vou lhe entregar esse meu documento em breve. Assim você saberá o que fazer quando eu morrer.</p>
<p><img class="alignleft" style="float: left;" title="PS I Love You" src="http://nao2nao1.com.br/img/ps_i_love_you_2.jpg" alt="PS I Love You" width="250" height="155" />Minha identificação não foi só com o velório. A morte, o amor, essa carta – eis nossa condição em comum. Pois todo ex-namorado é Gerry Kennedy, morto, falecido, em cinzas. Meu corpo respira, eu sei, mas esse que lhe escreve está morto.</p>
<p>Ora, se nos amamos no início e no meio, o que mais nos resta no fim? Se nosso amor começou já como amor uma semana depois de nos conhecermos, se virou amor de mil jeitos nesses mais de 5 anos, o que mais faríamos no fim? Todo ex é Gerry Kennedy porque tem de aprender a liberar o outro, entregá-lo ao mundo, dar espaço, se retirar, let go. E só com amor conseguimos essa façanha, o mesmo que esteve presente desde o começo.</p>
<p>No meio de nossa relação, se eu soubesse de minha morte e fosse onisciente e todo-poderoso, eu procuraria o melhor dos parceiros para você. Agora, já morto, sem poder ou onisciência, só me resta confiar – na vida e em você – que surgirá alguém ou que existirá amor e brilho em você mesmo quando ninguém estiver ao seu redor.</p>
<p>Se meu amor liberou você de tudo, está na hora desse amor liberar você de mim mesmo. Depois, só o céu será nosso ponto de contato.</p>
<p>Eu luto com meu apego, sim. É só quando me canso, só quando desisto, que ouço uma outra voz, um outro eu que lhe diz:  &#8220;Go now, and don&#8217;t look back&#8221;.</p>
<p>Você é isso que sempre amei: constante aprendizado, desdobramento de um brilho, um <em>desbrilhamento</em>. De agora em diante, sem precisar de nenhum espelho masculino, de ninguém para confirmar sua beleza, procure você mesma seu brilho mais profundo, que sempre esteve contigo, e pergunte ao horizonte: &#8220;Qual homem consegue penetrar esse brilho e me inundar de mim mesma?&#8221;.</p>
<p>No fim, é isso o que importa. Que haja amor. As histórias pessoais não importam, os personagens também não. Seja com quem for, se houver amor, eu estarei feliz.</p>
<p>Para você, morri. Sem dúvidas. A boa notícia é que você não é nem nunca foi você. Posso ter sido obrigado a me distanciar de você, porém ainda consigo sentir o cheiro de <a title="Shakti" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shakti" target="_blank">Shakti</a>, sua natureza feminina, seu movimento, suas ondulações. Se hoje parei de beijá-la, continuo acariciando e respirando você em cada face feminina que surge ao meu corpo. Em cada vento, música, dança, sol, mulher, cena, gesto que se aproxima.</p>
<p>Esse amor não começou em nós e não vai acabar com nosso fim. Esse é <strong>o amor que não cessa</strong>. Vasto, insondável, ele segue. Meio sacana, meio teimoso, vive em mim e em você. É insaciável, porque sempre satisfeito.</p>
<p>Se me resta um desejo, aqui vai: que você não viva outro amor que não esse, o amor que não cessa. Se seguir essa única instrução com todos os seus futuros parceiros, serei eu na sua cama todas as noites, serei eu dentro de você, respirando você. Para essa mágica funcionar, minha linda, não quero que se lembre sequer de meu rosto. Por favor, apenas olhe e se entregue para o William que estiver à sua frente. Exatamente como se apresentar, com outra voz, outro corpo, outras idéias, outra história para lhe oferecer, ele será seu eterno amante.</p>
<p>Ah, para seguir uma tradição que vai de Shiva a Gerry, uma última coisa:</p>
<p><img title="PS I Love You" src="http://nao2nao1.com.br/img/ps_i_love_you_3.jpg" alt="PS I Love You" /></p>
<p><span>P.S.: Eu te amo&#8221;</span></p>


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