<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Não Dois, Não Um &#187; Relacionamento conosco mesmos</title>
	<atom:link href="http://nao2nao1.com.br/category/relacionamento-conosco-mesmo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://nao2nao1.com.br</link>
	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 17 Jun 2011 05:10:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
		<item>
		<title>A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/a-eletricidade-natural-de-estar-vivo-parte-1/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/a-eletricidade-natural-de-estar-vivo-parte-1/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 May 2011 10:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Experimentos para se sentir vivo]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>
		<category><![CDATA[sorriso]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=1329</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de Taketina, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau &#8230;</p>
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/' rel='bookmark' title='Experimentos para se sentir vivo (1) &#8211; iPod e energia autônoma'>Experimentos para se sentir vivo (1) &#8211; iPod e energia autônoma</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-verdadeira-impotencia-sexual-masculina/' rel='bookmark' title='A verdadeira impotência sexual masculina'>A verdadeira impotência sexual masculina</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/experimento-para-se-sentir-vivo-2-vestindo-o-corpo-dos-outros/' rel='bookmark' title='Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros'>Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="peloarrepiado" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/peloarrepiado.jpg" alt="" width="589" height="250" /></p>
<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de <a href="http://taketina.com" target="_blank">Taketina</a>, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau e espiralava ao redor do surdo. Ou durante o dia, do nada. Aprendi como falar isso em inglês: <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goose_bumps" target="_blank">goose bumps</a></em>.)</p>
<p>O arrepio é uma das maiores evidências de que há algo vivo em nós. Quando perguntamos &#8220;Como você está?&#8221;, a pessoa pode até pensar nos fatos da vida, mas <a href="http://papodehomem.com.br/uma-mente-distraida-e-uma-mente-infeliz/" target="_blank">acontecimentos e situações não tem nada a ver com felicidade ou sofrimento</a>. O que vai definir a resposta positiva é o calor no peito, o brilho nos olhos, a respiração profunda, o sorriso silencioso, a <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">experiência de energia fluindo</a>, prazer, leveza, horizonte aberto, presença lúdica, espaço para ação, lucidez e criação de sentido. A resposta negativa virá com respiração ansiosa, confusão, contração, incapacidade de atribuir sentidos, seriedade, olhos opacos, peso, dor, fechamento, poucas opções de reação, energia interrompida, oscilante ou dispersa.</p>
<p>É por isso que nesse texto vou colocar no centro aquilo que consideramos mais periférico. Trocar efeito e causa. Inverter a visão que atribui nossa felicidade ou sofrimento a determinados acontecimentos que supostamente diminuem ou aumentam nossa experiência de bem-estar. Se nossa oscilação emocional é sempre tratada como objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia? Em vez de deixar o bem-estar no final da frase, vamos colocá-lo logo de cara como sujeito: é a eletricidade que define se surge felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência.</p>
<p>Em vez de olhar para as mil situações, cenários e configurações da vida, vamos respirar e sentir como nosso pulmão muda. É com o pulmão que sofremos e é com o pulmão que podemos ter alguma chance de encontrar liberdade e felicidade nas relações.</p>
<h1>O sequestro de nossa eletricidade</h1>
<p>A dinâmica é sabida. O bandido captura a pessoa, joga dentro de um cubículo e diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro desse quarto. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado sequestro, então vai respirar, sentir, pensar como alguém sequestrado. Tudo bem?&#8221;. Ele não diz bem isso, mas é isso o que ele diz.</p>
<p>Todos os jogos, histórias, mundos, realidades, filmes que construímos em nossa vida são sequestros sutis. Ao colocar o anel, o recém-marido diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro dessa relação. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado casamento, então vai respirar, sentir, pensar como alguém casado. Tudo bem?&#8221;. A chefe, o professor, a amiga, o sócio&#8230; todos com a mesma fala.</p>
<p>Uma vez dentro de alguns mundos, incorporando algumas identidades, o brilho no olho, o sorriso aberto, a respiração profunda, o calor no peito passam a surgir sob condições. A eletricidade natural agora é a eletricidade de um personagem específico.</p>
<p>É como se transplantássemos nosso coração em um bonequinho 2D que vive na tela do videogame. Diante da possibilidade de controlá-lo e principalmente de usá-lo para controlar seu mundo, deixamos que ele nos controle. Enquanto os movimentos desses pixels nos alegram, tudo ok. O problema começa quando o mundo se desintegra, o bonequinho morre ou apenas perdemos o nível de controle esperado.</p>
<p>Nosso coração sabia bater sozinho, mas passou tempo demais sendo comandado por um coração virtual. Sabíamos respirar, mas passamos tempo demais respirando em função de nossa namorada. Tínhamos eletricidade, mas a vinculamos à identidade de marido. Agora, para ativar a energia, precisamos mover o marido. E quando a relação acaba? Ao tentar reconquistar a esposa, tudo o que ele deseja é voltar a ser marido.</p>
<h1>Sofrimentos virtuais</h1>
<p>Assim que começamos a respirar mal, comer e dormir pouco (ou demais!), assim que perdemos eletricidade e brilho no olho, sentimos uma necessidade urgente de consertar o jogo, ressuscitar o personagem, remontar o mundo. A última coisa em nossa lista de prioridades é resgatar a capacidade de respirar, voltar a sentir nossa eletricidade natural, deixar o olho brilhar sem depender de nenhuma visão especial, desentortar o corpo, liberar a mente das condições que a asfixiaram – ironicamente, como já escrevi, é essa <a href="http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/" target="_blank">a melhor saída para qualquer sofrimento</a>.</p>
<p>Quanto mais dor, mais colocamos nosso foco no personagem, mais tentamos controlar. O casamento que começou como uma brincadeira, uma fantasia, um faz-de-conta, virou realidade sólida, séria, inescapável. A identidade que começou como encenação virou nossa essência. É assim que o sofrimento virtual de um personagem vira dor no peito, falta de ar, vontade de se matar. A confusão se torna cada vez mais real a ponto de transbordar para outros corpos e mentes ao nosso redor.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1341" title="velacopo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/velacopo.jpg" alt="" align="left" />Tudo acontece como se tivéssemos uma vela queimando dentro de um copo em nossa mão. Sem perceber os limites do copo, com foco excessivo no fogo, sem espaço para nos mover, ficamos com o dedo muito próximo, queimando, doendo. Alucinamos: a casa inteira está pegando fogo! Saímos correndo, nos debatemos, deixamos cair o copo&#8230; e aí sim a casa inteira pega fogo.</p>
<p>Em pouco tempo a alucinação vira realidade, basta um pouco de insistência, hábito, compulsão em acreditar na concretude das coisas como elas nos aparecem. Os sofrimentos se tornam reais na exata medida em que não desconfiamos de sua virtualidade.</p>
<h1>A base das inteligências</h1>
<p>Ora, o aparente sequestro não tem nada de negativo. Na verdade, não é sequer um aprisionamento. Só podemos respirar, sentir, pensar como namorado, pai, irmão, filho, sócio, amigo, chefe, aluno e professor, durante um só dia, porque nossa mente e nosso corpo são livres para operar dentro de universos diferentes.</p>
<p>Ao contrário do que muitos dizem, a melhor definição etimológica da palavra inteligência não é &#8220;escolher entre&#8221;, mas &#8220;ler dentro&#8221;. Quando chamamos alguém de inteligente, estamos apontando para sua capacidade de entrar em um mundo, se movimentar com alguma coerência (seja respondendo a estímulos ou criando sentidos) e operar sob condições. Exatamente como faz um jogador de futebol, de <em>Super Mario</em>, de peça de teatro, de casamento, de empresa&#8230;</p>
<p>Você está em um show de rock. Depois vai para um jogo de poker. Depois transa com uma garota na bancada do escritório. A mesma mente, o mesmo corpo, operando sob diferentes condições, mundos, horizontes de sentido, lógicas, coerências, estímulos, possibilidades de ação. No show de rock, sequer surge a ideia de um <em>flush</em>. No poker, não faz sentido ficar pulando e balançando a cabeça. No sexo, o objetivo não é bem aumentar o <em>pot</em> e ganhar (ok, às vezes é).</p>
<p>Mente e corpo transitam entre diferentes mundos assim como transitam entre diferentes identidades assim como transitam entre diferentes estímulos sensoriais, emoções, pensamentos, micro fenômenos internos. Ver é operar com olhos e inteligência da visão em um mundo visual. Quando nossa mente opera com ouvido, lidamos com sons. Quando opera com conceitos, pensamos. Quando opera com ciúme, surge um horizonte de novos números no celular, emails e passados alternativos. Quando opera como <em>Super Mario</em>, aparecem canos de teletransporte, flores de fogo e a motivação de salvar uma princesa.</p>
<p>A base de todas as infinitas inteligências é pura e simplesmente a capacidade de ser inteligente. Nossa mente parece ter essa sabedoria natural de entrar, iluminar, conhecer, abrir espaço, dar sentido, se mover. Quando fazemos isso à luz de velas em um barzinho de jazz com uma morena de cabelo cacheado, dizem que estamos seduzindo. Quando nossa mente opera suada algum tempo depois, dizem que estamos transando. Quando nossa mente opera sob o domínio da raiva, dizem que estamos brigando. Em todos os momentos, estamos com a mesma mente, usufruindo de sua infinita plasticidade, de sua natureza livre, de sua habilidade cognoscente que detecta, se agarra, se identifica e age com padrões, caminhos, linguagens&#8230;</p>
<p>É por isso que brilho no olho, calor no peito e eletricidade têm sempre a mesma qualidade, não importa em quais mundos ou com quais identidades e inteligências estamos operando. Na verdade, o brilho no olho é igualzinho em todas as pessoas.</p>
<p>Ao reconhecer o mesmo tesão de estar vivo em qualquer pessoa feliz e o mesmo pulmão desesperado em qualquer pessoa aflita, começamos a nos relacionar de modo impessoal com a eletricidade natural: ela não é nossa, ela não é de ninguém, não está dentro ou fora de nós. Com essa dúvida, podemos explorar os limbos entre os vários mundos e identidades.</p>
<p>Quando paramos e cortamos boa parte dos estímulos mais comuns que nos entretêm e movem nossa energia, o que sobra? Quando ficamos sozinhos, sem relação alguma para nos definir, quem nós somos?</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/' rel='bookmark' title='Experimentos para se sentir vivo (1) &#8211; iPod e energia autônoma'>Experimentos para se sentir vivo (1) &#8211; iPod e energia autônoma</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-verdadeira-impotencia-sexual-masculina/' rel='bookmark' title='A verdadeira impotência sexual masculina'>A verdadeira impotência sexual masculina</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/experimento-para-se-sentir-vivo-2-vestindo-o-corpo-dos-outros/' rel='bookmark' title='Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros'>Experimento para se sentir vivo (2): vestindo o corpo dos outros</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/a-eletricidade-natural-de-estar-vivo-parte-1/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>30</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 10:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[O melhor do Não2Não1]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Perguntas]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[brigas]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[prisões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=444</guid>
		<description><![CDATA[Um só problema, uma só saída
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/conversar-discutir-e-melhorar-a-comunicacao-e-realmente-o-segredo-de-um-bom-relacionamento/' rel='bookmark' title='Conversar, discutir e melhorar a comunicação é realmente o segredo de um bom relacionamento?'>Conversar, discutir e melhorar a comunicação é realmente o segredo de um bom relacionamento?</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/vacuidade-e-impermanencia-nas-relacoes/' rel='bookmark' title='Vacuidade e impermanência nas relações'>Vacuidade e impermanência nas relações</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-446" title="Sem foco, você sente náusea só de olhar para seus problemas. Avança seguindo as direções da sua aflição até perceber que as placas não levam a lugar algum. Era melhor ter limpado os olhos antes de ter andado tanto!" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/sem-saida.jpg" alt="Sem foco, você sente náusea só de olhar para seus problemas. Avança seguindo as direções da sua aflição até perceber que as placas não levam a lugar algum. Era melhor ter limpado os olhos antes de ter andado tanto!" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Gustavo, sei que você não se coloca como conselheiro, mas me senti à vontade para contar o que vem acontecendo comigo. Sou casada, tenho dois filhos, mas atualmente perdi totalmente o tesão pelo meu marido e sinto que ele não me deseja mais. <strong>Conheci outro homem que me olha de um jeito&#8230;</strong> Estou completamente apaixonada e excitada. Sei que basta um sinal meu para transarmos igual loucos. Estou confusa. O que faço?&#8221;</p>
<p>&#8220;Gustavo, vou ser direto: <strong>minha mulher deu pra outro cara</strong>, me contou, se arrependeu, estou confuso, sei que ela é a mulher da minha vida, mas não consigo mais confiar nela. Sinto-me obrigado a terminar, mas estou sofrendo muito.&#8221;</p>
<p>&#8220;Gitti, estava bastante feliz com um menino que conheci ano passado. A gente se dá muito bem, só que ultimamente <strong>estou cada vez mais insatisfeita</strong> pois ele não assume o namoro. Sua postura &#8220;não fode nem sai de cima&#8221;, pura indecisão imatura, nos afasta cada vez mais. Penso em não aceitar isso e terminar, ou você acha que devo esperar mais um pouco? Estou aflita!&#8221;</p></blockquote>
<p>Eis algumas citações inventadas com base nos longos emails que recebo. Não são bem invenções: apenas cortei todo o bla-bla-blá e o excesso de reticências e pontos de interrogação de 3 deles.</p>
<h1>A origem da resposta padrão</h1>
<p>Eu não acredito em manuais de auto-ajuda, respostas definitivas, verdades últimas. Não há critério absoluto para apontar qual é o melhor caminho. Se você sabe que alguém está indo de ônibus de São Paulo para Natal e tenta ser generoso oferecendo uma passagem de avião, nada impede que o avião caia e faça de sua ação um desastre nada compassivo. Se a mulher trai o marido, quem pode afirmar que isso é ruim para o casamento ao ver a relação deles melhorar?</p>
<p>Aos primeiros pedidos de conselho que recebi, respondi indicando passagens de avião e rejeitando traição. Ou seja, adentrava a situação, visualizava uma saída e sugeria um caminho que poderia ser benéfico. Como não sou psicólogo, xamã, guru, padre ou lama, deixava claro que estava respondendo como um amigo qualquer. Ainda assim, fiz o voto de não emitir opiniões pessoais correndo o risco de piorar ainda mais o problema. A cada novo email, olhava com mais cuidado e tentava visualizar um caminho cada vez mais amplo de modo que não envolvesse nenhuma preferência pessoal.</p>
<p><strong>Se não há caminho melhor que outro, o que responder para alguém que pede por algum direcionamento? </strong>Ora, a própria percepção de que não há saída – de que pode surgir dor e insatisfação em qualquer posição – é feita de uma perspectiva transcendental, de um olhar que pode ser mantido em qualquer caminho, e que revela igualmente que pode surgir felicidade e liberdade em qualquer posição!</p>
<p>As respostas progressivamente se transformaram de &#8220;Faça dança de salão&#8221; ou &#8220;Exija direcionamento e estabilidade de seu homem, não aceite sua mediocridade&#8221; para algo assim: &#8220;Você pode sofrer e ficar insatisfeito com ou sem sua namorada, assim como pode ser feliz e livre com ou sem sua namorada. O ponto não é continuar ou terminar, mas ser livre e construir relações positivas em todas as direções&#8221;.</p>
<p>Tal postura evoluiu até que há uns dois meses escrevi uma mensagem para uma mulher e no dia seguinte a encaminhei para outra e depois para um homem e depois para uma menina&#8230; Só alterava o nome e uma frase ou outra. Não sei bem se fiz isso com a motivação de não perder tempo ou se queria de fato trazer algum benefício. ;-)</p>
<p>De qualquer modo, escrevi com toda a sinceridade, como se a pessoa fosse meu filho ou uma grande amiga. Escrevi aquilo que eu mesmo gostaria de ler quando imerso em situações complicadas e doloridas.</p>
<p>A cada email idêntico que enviava, me questionava sobre a universalidade de nossa dor: quanto mais específico e particular o problema, mais ele se aproxima das aflições de nosso vizinho, de nosso colega de trabalho, de nossos pais, netos, ex-namorados, primos de segundo grau, de estranhos na rua, franceses, japoneses&#8230; Como ensinava Guimarães Rosa, o mais particular não é senão o mais universal: &#8220;O sertão é do tamanho do mundo&#8221;.</p>
<h1>Qual é o nosso verdadeiro problema?</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-447 alignleft" style="float: left;" title="Visão embaçada: nenhum caminho é a saída. Apenas o sinal STOP não está proibido. Parar é a única saída." src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/pare-sem-saida.jpg" alt="Visão embaçada: nenhum caminho é a saída. Apenas o sinal STOP não está proibido. Parar é a única saída." width="250" height="245" /><a href="http://www.cebb.org.br/lamasamten/agenda" target="_blank">Lama Padma Samten</a> conta que recebe emails gigantes ou escuta alunos falarem por quase uma hora. História detalhada, problema justificado. O discurso dá solidez e um caráter de ineditismo e singularidade ao problema. É como se disséssemos: &#8220;Lama, o senhor dá instruções que valem para todos, menos para mim&#8221;.</p>
<p>Ainda que nossa mente saiba do absurdo de tais crenças, nosso coração e nossos pulmões afirmam com toda a ingenuidade: <strong>&#8220;Isso nunca aconteceu antes com ninguém, essa história toda é inédita, eu não sei e ninguém saberia o que fazer, por isso dói tanto!&#8221;</strong>.</p>
<p>Durante uma confusão, ao enviarmos um email pedindo conselhos, o que mais desejamos é reconfigurar a situação. O homem traído deseja, antes de tudo, que possa voltar ao passado e desfazer o evento, ou, pensando mais realisticamente, que sua mulher se arrependa e corte o envolvimento com o outro, ou que ele mesmo deixe de amá-la. Queremos uma resposta para a pergunta que fizemos e assim nunca percebemos que o problema se esconde na própria pergunta!</p>
<p>A esposa insatisfeita não sabe se trai ou não o marido, a mulher aflita pergunta como voltar com o marido e a garota que se sente carente arruma um parceiro atrás do outro&#8230; Elas todas enviam emails perguntando o que fazer, buscam alterar as situações ao redor, e sequer desconfiam de seus verdadeiros problemas: insatisfação, aflição, carência. Ora, elas não estão sofrendo porque desejam trair, querem voltar ou fazem sexo sem parar&#8230; Elas estão sofrendo porque estão oprimidas pela carência, se movem por insatisfação e estão afogadas em emoções perturbadoras.</p>
<p>Achamos que nosso problema é o namorado que foi embora, a mulher que traiu, o parceiro indeciso, a falta de sexo, a comunicação confusa,  a ausência de diversão, grana ou tesão. Mas não é. Nosso problema é a insatisfação gerada por colocarmos nossa felicidade, nossa alegria, nossa energia, nossa respiração, nossa vida em cima de bases instáveis como um namorado, uma mulher, um apartamento, um emprego, uma conta bancária, uma identidade, um pensamento, uma religião&#8230;</p>
<p>Diante de um longo email ou depois de um discurso todo enrolado no qual a pessoa se esforça para explicar sua situação (<strong>&#8220;Vou dar os detalhes para o senhor entender bem por que estou sofrendo&#8221;</strong>), um mestre de meditação, que obviamente já sabe por que a pessoa está sofrendo antes mesmo de ela começar a falar, enxuga e reduz a complicação com uma simples pergunta: &#8220;Como está sua mente? O que você está sentindo? O que está sofrendo?&#8221;. A pessoa tenta explicar <em>por que </em>e <em>como </em>está sofrendo. Então o mestre pergunta novamente: &#8220;O que você está sentindo?&#8221;.</p>
<p>Ela não entende qual a relevância disso, afinal tem uma situação a resolver. Por um instante acha que o mestre não entendeu o problema, mas enfim responde: &#8220;Estou sentindo raiva&#8221; ou &#8220;Estou ansiosa&#8221; ou &#8220;Estou deprimida&#8221;. E então o mestre sorri: &#8220;Ótimo, então descobrimos o problema! Pratique meditação com a motivação de se liberar da raiva e também com o desejo de que nenhuma outra pessoa seja arrastada por isso&#8221;. Ou &#8220;Temos bastante trabalho a fazer aqui na comunidade, eu soube que você é médico, então comece amanhã a atender as pessoas que não podem pagar. Isso vai curar sua depressão&#8221;. Para a ansiedade, além da meditação, talvez ele ensine alguma arte como thangka ou sumi-ê.</p>
<p>Curiosamente, o mestre ignorou toda a situação, não falou como agir com o ex-marido, o que falar para a namorada, o que fazer, qual direção seguir. Se o aluno seguir a instrução, transformar sua mente e se liberar da aflição, o sofrimento pode não desaparecer por completo, mas ele não exigirá uma decisão. O desconforto será visto como tal em vez de agir por trás impelindo mil ações precipitadas. Restará uma situação a ser vivida como qualquer outra, seja o fim ou a reconstrução de uma relação, a mudança ou a permanência no trabalho, na cidade ou no casamento.</p>
<p>Sem um mestre desses, fazemos tudo ao contrário. Assim que surge a insatisfação, a raiva, a carência, a ansiedade ou qualquer forma de perturbação, sentimos um desconforto, uma necessidade de se mover, mudar, tomar uma decisão. <strong>Em nenhum momento desconfiamos que estamos sendo comandados pela aflição. </strong>Pelo contrário, ela vira nosso líder, mestre, guru, nossa intuição mais sábia: &#8220;Estou sofrendo muito, acho que é o momento de acabar com ela!&#8221;.</p>
<p>Nós sofremos porque vivemos sob a ilusão de que alguns caminhos são mais seguros do que outros, que uma identidade é melhor que outra, que a estabilidade pode ser encontrada em alguns pontos e não em outros, que seremos felizes com algumas pessoas e não com outras. Sem perceber, passamos a vida inteira buscando tais posições, identidades, locais e pessoas. O fim da história nós já sabemos e teimamos em ignorar: todos morrem antes de conseguir encontrar o Santo Graal.</p>
<p>Tomando essa ilusão como referencial, sempre que surge algum sofrimento, interpretamos a situação como um alerta: <strong>&#8220;O príncipe não é ele, o paraíso não é aqui, o Santo Graal deve estar em outro lugar!&#8221;</strong>. Desconforto, insatisfação, vontade de se mover, decisões calculadas, consulta com o psicólogo, longo email para o Contardo Calligaris, para o amigo sábio, para o lama ou para o moleque do blog lilás.</p>
<p>Enfim, depois de acertarmos o diagnóstico, é fácil entender a resposta padrão. Vou imaginar uma mulher, mas funciona bem com um interlocutor masculino (basta mudar pouca coisa).</p>
<p>Simples e curta, aqui vai&#8230;</p>
<h1>A resposta padrão para qualquer problema de relacionamento</h1>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-445" style="float: left;" title="O curinga é a carta que vale como qualquer uma, a resposta para qualquer pergunta, a saída para qualquer problema" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/joker-card.jpg" alt="O curinga é a carta que vale como qualquer uma, a resposta para qualquer pergunta, a saída para qualquer problema" width="250" height="380" /></p>
<p>&#8220;Oi, Nome-da-pessoa-confusa,</p>
<p>Situação linda essa, não? Olha, vou ser sincero, mas talvez não seja a resposta que você esteja esperando.</p>
<p>Pode ser que você trepe com ele insanamente, se libere e melhore sua relação com seu marido, descobrindo modos de ter prazer. Ou pode ser que você e se envolva e construa uma nova relação, dando fim ao seu casamento.</p>
<p>Ir ou ficar, ter outro homem ou não, ambos geram aflições. <strong>A saída não é ir ou ficar mas superar as aflições</strong> (ansiedade, carência, medo, raiva, inveja, orgulho etc). Como a gente não entende isso, melhor ir <strong>e</strong> ficar para se foder de todo jeito e então sacar que o caminho é outro.</p>
<p>Se você não se relacionar com outros homens, vai ficar sempre com algo intocado dentro de você e algo não vivido esperando lá fora. Mesmo se esquecer esse cara, surgirão outros. O processo será o mesmo. Same old song.</p>
<p>Se você der pra ele, vai deixar coisas que não quer deixar, vai fazer esforço em uma direção e depois vai se arrepender – assim como se arrependerá se não viver a paixão.</p>
<p>Se tentar ir por disciplina e repressão, vai se segurar o resto da vida, com um certo amargor. Por outro lado, se você se soltar totalmente, vai fazer outros sofrer e gerar constante tensão interna.</p>
<p>Essa constante insatisfação é nosso grande problema. Quando você perceber isso 100% com mente e corpo, quando entender que não temos saída alguma tentando acertar dentro desse processo cíclico, indico um site e 5 livros:</p>
<p><a href="http://www.cebb.org.br" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-448 alignleft" style="float: left;" title="CEBB" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cebb.gif" alt="" width="75" height="87" /></a><a href="http://www.cebb.org.br" target="_blank"><strong>Centro de Estudos Budistas Bodisatva</strong></a><br />
Centros de meditação sob orientação do Lama Padma Samten: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador, Florianópolis, Joinville, Campinas, Niterói, Curitiba&#8230; Procure o centro mais próximo e experimente sentar em silêncio.</p>
<p><a title="Meditando a vida - Livro" href="http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=370808811&amp;loja=4455&amp;link=VerProduto&amp;Produto=110577" target="_blank"><img title="Meditando a vida" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/meditando-a-vida-padma-samten.gif" alt="Lama Padma Samten" width="75" height="110" /></a> <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1949187/alegria+de+viver:+descobrindo+o+segredo+da+felicidade,+a/?franq=254430" target="_blank"><img src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/alegriadeviver.jpg" border="0" alt="A Alegria de Viver" width="75" height="110" /></a> <a title="Fazer da Mente uma Aliada - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1062828/fazer+da+mente+uma+aliada/?franq=254430" target="_blank"><img title="Fazer da Mente uma Aliada" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/fazer-mente-aliada.jpg" alt="Sakyong Mipham Rinpoche" width="75" height="110" /></a> <a title="Quando Tudo se Desfaz - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/86033/quando+tudo+se+desfaz:+orientacao+para+tempos+dificies/?franq=254430" target="_blank"><img title="Quando Tudo se Desfaz" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/quando-tudo-se-desfaz-pema-chodron.jpg" alt="Pema Chodron" width="75" height="110" /></a> <a title="Lugares que nos assustam - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/190151/lugares+que+nos+assustam,+os/?franq=254430" target="_blank"><img title="Lugares que nos assustam" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/luagres-nos-assustam-pema-chodron.gif" alt="Pema Chodron" width="75" height="110" /></a></p>
<p>Desejo que você supere isso tudo direto na raiz, que é a mesma para todos nós: você, seu marido, os dois caras, eu, minha namorada&#8230;</p>
<p><strong>Sem as aflições, tanto faz com quem esteja. </strong>Solteira, casada, divorciada, com um, com dois, com três, sem ninguém, só com amigas, sozinha, não importa. Sem as aflições, não há um caminho melhor que o outro. Você será feliz e fará outros felizes em qualquer condição.</p>
<p>Enfim, o que eu desejo é que você seja feliz e possa ter a habilidade de fazer os outros felizes, seja seu marido, amante, ex-marido, ex-mulher, filho, filha, prima, primo, ficante, casinho, amigo, chefe, prostituta, avó, uma desconhecida ou o mendigo que você ignorou hoje pela manhã.</p>
<p>Um abraço,</p>
<p>Nome-da-pessoa-que-se-acha-o-conselheiro-amoroso-guru-dos-relacionamentos&#8221;</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Coloquei um link para esse texto na página de contato do site. De agora em diante, só aceito emails puxando conversa ou com qualquer outro propósito que não pedir conselho. O que eu tinha para oferecer está aí em cima. Espero que todos nós possamos cultivar estabilidade, leveza e liberdade para ajudar todos ao nosso redor a fazer o mesmo.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>Indiquei o CEBB porque é onde pratico e os 5 livros porque já li e são de pessoas que praticaram meditação e investigaram processos cognitivos e emocionais por mais de 30 anos dentro de um método estruturado. É claro que há outros centros e outros livros que focam no treinamento de uma mente livre. Enriqueça a lista nos comentários.<br />
</em></p>
<p><em><strong>P.S. 3: </strong>Se você usar o email padrão com algum conhecido, deixe um comentário mostrando se alterou muita coisa ou se ficou praticamente igual. Assim podemos destilar a resposta e torná-la mais abrangente. ;-)<br />
</em></p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/conversar-discutir-e-melhorar-a-comunicacao-e-realmente-o-segredo-de-um-bom-relacionamento/' rel='bookmark' title='Conversar, discutir e melhorar a comunicação é realmente o segredo de um bom relacionamento?'>Conversar, discutir e melhorar a comunicação é realmente o segredo de um bom relacionamento?</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/vacuidade-e-impermanencia-nas-relacoes/' rel='bookmark' title='Vacuidade e impermanência nas relações'>Vacuidade e impermanência nas relações</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>173</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 15:54:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[brigas]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[prisões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=354</guid>
		<description><![CDATA[Confissões de homens e mulheres sobre sexo e amor
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-arte-de-pisar-em-nuvens/' rel='bookmark' title='A arte de pisar em nuvens'>A arte de pisar em nuvens</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-365" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/12/boca_dela2.jpg" alt="" /></p>
<p>Para complementar o texto <a href="http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/" target="_blank">&#8220;Tudo aquilo que você não queria <strong>ouvir</strong> sobre relacionamentos&#8221;</a>, pensei em parar de falar e começar a ouvir os diferentes discursos presentes nas relações atuais. Ao ver o resultado feminino, me assustei e pensei em mudar o título do post para &#8221;Nonsense nos relacionamentos (ou como as mulheres são loucas)&#8221;. As falas masculinas, no entanto, me fizeram considerar outra opção: &#8220;Da imbecilidade (ou como os homens podem ser fracos e confusos)&#8221;.</p>
<p>Mantive &#8220;Tudo aquilo que você não queria <strong>falar</strong> sobre relacionamentos&#8221; pois, de fato, poucos tem coragem de admitir algumas dessas coisas. Todas as falas são invenções minhas, claro, mas podem também ser suas ou do serzinho aí do lado. Cuidado. ;-)</p>
<h1>Tudo aquilo que ELA não queria falar</h1>
<p><em>Para ouvir durante a leitura: </em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=V1LegWs8xdc" target="_blank"><em>&#8220;My Skin&#8221; (Natalie Merchant)</em></a><em>, um verdadeiro pedido feminino, em letra e melodia (não clique, apenas passe o mouse, deixe tocar e mova a janela para cima).</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-366" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/12/boca_dela3.jpg" alt="" /></p>
<p>&#8220;Eu te amo e você é o homem da minha  vida. É com você que quero casar, ter filhos e envelhecer, mas no momento não posso ficar com você. Agora estou apaixonada por outro. Eu sei que isso não faz sentido algum, mas é o que sinto. Não faz sentido, <em>é sentido</em>, sabe assim?&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu <strong>traí você por vingança</strong>. Porque eu lembro do quanto eu chorei quando você não quis visitar minha família no interior, do quanto eu queria ter dançado com você aquele dia, do quanto eu sou apaixonada por você, seu imbecil! Por todas as vezes que você me trocou pelo maldito computador, por cada uma das noites em que me senti sozinha&#8230; Não, você não sabe o que é ter um namorado e ainda assim se sentir sozinha. Traí porque eu lembro das várias vezes em que você não foi homem – foi um menino, um bebê ou apenas um babaca. <strong>Eu fiz com outro tudo aquilo que você não fez comigo.</strong> E não só sexo, mas andar no parque, ler poesia ou apenas rir junto. Quanto tempo você ficou sem me olhar com desejo, me diz?&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu abandonei você antes que você pudesse me abandonar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu finjo que não ligo, mas eu adoro quando você fala dos seus sonhos. Posso ser durona e independente, mas me derreto toda vez que você sorri para mim. Quando eu digo que não quero, é porque você pediu ou sugeriu <strong>em vez de pegar na minha mão e me levar</strong>. Sou muito mais flexível do que você pode imaginar, querido. O limite de nossas loucuras não está em mim, mas na sua própria mente. E às vezes eu quero carinho. Não sexo, não conversa, não massagem, não filme, não chocolate, só carinho. Tendo carinho, nada impede de eu querer sexo, conversa, massagem e chocolate no minuto seguinte&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Desculpe-me, mas você precisa aprender a meter. Você não me come direito. Abrir a porta do carro, ok. Pagar o jantar, ok. Ser carinhoso, divertido e cuidadoso, ok. Mas na cama eu não quero só carinho e cuidado. Eu quero ser puxada, jogada, levantada. Eu quero sentir sua força. Eu quero ser rendida, calada. Eu quero que você bata em mim. OK?&#8221;</p>
<p>&#8220;Você tem mau hálito. Pronto, falei!&#8221;</p>
<h1>Tudo aquilo que ELE não queria falar</h1>
<p><em>Enquanto lê, ouça </em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GXVpjjpwNss" target="_blank"><em>&#8220;Rise&#8221; (Eddie Vedder)</em></a><em>, redenção masculina em voz e violão.</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-363" title="Boca dele" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/12/boca_dele.jpg" alt="" /></p>
<p>&#8220;Fiquei 2 anos namorando sua bunda. Incapaz de amor ou cuidado, eu mal ligava para suas histórias, não estava nem aí para sua vida. Seu corpo, entretanto, era uma delícia. Valeu a pena ter ouvido tanta besteira e aguentado tanta encheção de saco!&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu quero você, mas <strong>me afasto</strong> por medo, preguiça ou confusão. Pra ser sincero, não sei bem o motivo. Se soubesse, não me afastaria! Nesses momentos, tudo o que eu menos quero é ver você se fechando e se distanciando também. Se eu estiver longe, não pense que é porque eu não desejo mais você. Se eu estiver emburrado, o pior que você pode fazer é se emburrar também. Venha sorridente, ignore minha densidade, me faça uma longa massagem, ative meu corpo. Minha seriedade é apatia do corpo. Minha confusão e falta de olhar desejante vem da anestesia. Não é que você esteja feia, sou eu que estou cego, morto, sonolento! Se quiser uma mudança instantânea, não me cobre, não reclame, não chore sozinha no banho. Isso só piora tudo e me deixa ainda mais impotente. Apenas seja viva, dance na minha frente. Confie em mim: eu não sou esse menino medroso. Acredite nisso e chame o homem em mim.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu não entendo como você não percebe&#8230; Eu sou gay.&#8221;<!--adsensestart--></p>
<p>&#8220;Desculpe-me, mas você precisa aprender a dar. Veja, quando eu falo em sexo irrestrito, eu quero dizer sexo irrestrito. Se eu fiz minha parte sendo homem a noite toda, agora é hora de você se soltar completamente. Não fazer isso, não gostar daquilo&#8230; Isso é falta de educação, eu diria.&#8221;</p>
<p>&#8220;Em nossos encontros, eu fiz tudo certo, não é verdade? Dom Juan do início ao fim. Porém, é o seguinte: <strong>a minha gentileza não era para você</strong>. Eu apenas queria provar para mim mesmo que eu era capaz de seduzir e envolver uma mulher do seu tipo. Testei algumas técnicas de conquista que descobri em livros, agi com você igual tinha agido na noite anterior com outra garota, fiquei feliz com minha perfomance, anotei meus erros. Não foi só você que eu levei àquele restaurante. Eu fui gentil, sim, mas com o meu querido ego.&#8221;</p>
<p>&#8220;Você é adorável, mas se comporta como um moleque. <strong>Vou explicar como um homem funciona:</strong> eu adoro tudo aquilo que eu não faço a mínima idéia de como ser, ou seja: mulher. Adoro tudo aquilo que eu nunca saberia usar, explico: salto alto, vestido e bracelete. Fico louco vendo alguns gestos que nem com treinamento eu poderia imitar, exemplo: aquela posição sem nome que algumas fazem curvando um pouco a cabeça e passando a mão nos cabelos. Se você age como eu, não há chance alguma de me excitar assim. Sério que você não usa bracelete?&#8221;</p>
<p><em>* Quer falar também? Deixe um comentário.</em></p>
<p><em>** Já respondeu à pesquisa com os leitores do Não2Não1? <a href="http://nao2nao1.com.br/pesquisa-com-as-mulheres-do-nao2nao1/" target="_blank">Para mulheres</a> e <a href="http://nao2nao1.com.br/pesquisa-com-os-leitores-do-nao2nao1/" target="_blank">para homens</a>. Obrigado!</em></p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-arte-de-pisar-em-nuvens/' rel='bookmark' title='A arte de pisar em nuvens'>A arte de pisar em nuvens</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>145</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 15:53:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[brigas]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[prisões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=326</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
Não basta concordar com ela
<p>Ela já passou dos 30 e agora quer morar junto e casar com você. Você, divorciado, não vê tanta coisa boa nessas duas experiências. Depois de uma longa conversa, concorda: &#8220;Você está certíssima, deveríamos morar juntos, vou começar a me planejar para isso&#8221;. Pois saiba que, quando uma mulher reclama, ela não quer concordância ou &#8230;</p>
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/' rel='bookmark' title='Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso'>Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-327" title="Relacionamentos amorosos: tudo aquilo que você não queria ouvir" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/11/tudooquevcnaoqueriaouvir_re.jpg" alt="" /></p>
<h1>Não basta concordar com ela</h1>
<p>Ela já passou dos 30 e agora quer morar junto e casar com você. Você, divorciado, não vê tanta coisa boa nessas duas experiências. Depois de uma longa conversa, concorda: &#8220;Você está certíssima, deveríamos morar juntos, vou começar a me planejar para isso&#8221;. Pois saiba que, quando uma mulher reclama, ela não quer concordância ou justificativa, ela não quer vencer a discussão ou estar certa (desejos todos masculinos). Ela quer provocá-lo e incitá-lo a agir. Ela não quer palavras, ela quer ação.</p>
<h1>Você não tem coragem de viver seus desejos</h1>
<p>Agora sua namorada dorme no quarto. E você, na sala, se acaba com filmes pornôs na internet. Seu site preferido tem incontáveis vídeos que mostram mulheres deliciosas dormindo e sendo abusadas de todos os jeitos, por todos os lados, sem acordar em nenhum momento, como se estivessem mortas. É esse seu tesão do momento, fantasia insuperável. Sua namorada de carne e osso, linda, lá no quarto. E você imaginando comer a garota com calcinha de pixels que dorme à sua frente. Você goza em um guardanapo, joga o papel no lixo da cozinha e vai se deitar ao lado dela. Boa noite.</p>
<h1>Ele não virou um monstro</h1>
<p>Não, no fim da relação, ele não virou um monstro e sim, você o conhecia o tempo todo. Não me venha com essa de &#8220;Eu passei 6 anos com ele e só agora vejo o monstro que ele sempre foi&#8221;. Ele fez mil coisas boas e no momento de maior confusão e fraqueza, quando ele mais precisava de você, você só sabia falar: &#8220;Eu preciso tanto de alguém que me deseje de verdade!&#8221;.</p>
<p>No começo, você focou as qualidades positivas, encheu-o de elogios e assim o fez príncipe. No fim, você focou as qualidades negativas e, claro, ele surgiu como um imbecil nojento. Ele não mudou, ele apenas tem um guerreiro e um fracote dentro de si, prontos para brotar a qualquer momento. Com sua generosidade ou carência, você, sem saber, o construiu o tempo todo.</p>
<p>Se ele agora parece chato, isso é falha sua: a chatice é o modo pelo qual vocês estão se relacionando, ela não é dele. Provavelmente ele também deve estar reclamando: &#8220;É ela quem é chata&#8221;. Todas as qualidades, negativas e positivas, não são dele e tampouco suas. Elas surgem no espaço entre seus corpos. Elas surgem no espaço que vocês são.</p>
<h1>Ninguém esquece ninguém</h1>
<p>Se você diz que já o esqueceu e que nunca mas voltaria com ele, isso significa que você não o superou. A necessidade de mantê-lo esquecido apenas revela o enorme significado impregnado em sua imagem. Se admite que não o esqueceu e considera a possibilidade de algum dia voltar com ele tanto quanto a de se envolver com qualquer outro, talvez você já o tenha superado, ou seja, retomado a liberdade que não descarta nenhum percurso de vida.</p>
<h1>Você não é a pessoa que mais pode fazê-lo feliz</h1>
<p>Ele poderia ser mais feliz com outra. Você também: poderia ser mais preenchida, viver mais experiências, ser mais amada por outro. Por não querer (e não conseguir nem imaginar) que ele seja mais feliz com outra, você dá o exemplo: não admite que você também poderia ser mais feliz com outro. Ao se achar suficiente, seu comodismo a torna menos capaz de amá-lo. Ironicamente, acreditar que você é a pessoa que mais pode fazê-lo feliz só diminui a verdade de tal afirmação.</p>
<p>Por outro lado, imaginar uma possível outra parceira para ele é o primeiro passo para incorporar tais qualidades e de fato <em>se tornar</em> essa parceira. E imaginar outro possível parceiro para você é o primeiro passo para descobrir como você quer ser possuída e dar as dicas necessárias para que seu parceiro atual saiba o que fazer.</p>
<h1>Não há inimigos</h1>
<p>Parece que há pessoas boas e parece que há pessoas más. Parece que há um centro de negatividade em algumas, parece que elas são mesmo malignas, de fato, assim, por dentro. Parece que elas não querem o mesmo que você. Parece que elas jogam em outro time.</p>
<p>Ao ver inimigos ao redor, os outros surgem como inimigos. Como se um mendigo falasse: &#8220;Você está pensando que vou te roubar, né? Então é isso: passa a bolsa&#8221;. Nossa percepção funciona como uma profecia que se autorealiza (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Self-fulfilling_prophecy" target="_blank"><em>self-fulfilling prophecy</em></a>). Vemos aquilo que esperamos ver. Por isso ficamos agressivos e defensivos, acreditando que a agressividade vem dos outros.</p>
<p>Todos os seres buscam prazer e felicidade e se esforçam para evitar sofrimento e dor. Qualquer um deseja a habilidade de trazer felicidade a todos ao redor. Estamos todos no mesmo time. Não há inimigos em lugar algum. Pode não parecer, mas todos querem a sua felicidade, todos querem fazer bem para você, mesmo quando o fazem sofrer, quando humilham, batem, estupram, ignoram, xingam você. Eles apenas não sabem como amar. Conseguem amar outros, mas com você não descobriram como fazer. Sim, é mais fácil considerá-los como inimigos. Mas eles são amigos de longa data cujas histórias residem no futuro.</p>
<h1>Você quer ser interrompida</h1>
<p>Todo dia é tranquilo. Você é solteira, sua vida é estável, você ganha bem, às vezes sai com homens interessantes, às vezes chama sua irmã ou amiga para ir ao cinema. Ou você é casada e sua vida é estável, você ganha bem, às vezes deixa de sair com homens interessantes e às vezes chama sua irmã ou amiga para ir ao cinema.</p>
<p>Sua vida está no seu controle há tempo suficiente para você desejar perder o controle, voluntariamente, por pura liberdade e diversão. Você quer ser surpreendida, arrebatada, contrariada, violada, <a title="Rendição" href="http://nao2nao1.com.br/amor-relacao-abismal/" target="_blank">rendida</a>. Você acha que não existe homem algum com coragem para fazer aquilo que você quer mas não consegue imaginar. Ou para fazer aquilo que você sempre disse não querer. Ainda assim, enquanto espera pelo próximo beijo na tela, você secretamente mantém a esperança de encontrá-lo.</p>
<h1>Suas certezas são gritos perdidos no abismo</h1>
<p>Você tem um blog lilás onde escreve sobre relacionamentos. Você acorda com idéias sobre como outros podem viver suas relações de modo mais ousado, criativo e lúcido. Enquanto você escreve sobre amor, alguém liga no celular. E então você é ríspido e irônico, se fecha e faz tudo ao contrário do que escreve.</p>
<p>Seus textos são imperativos e impositivos pois você escreve para si mesmo, na ânsia de convencer a si mesmo de que sabe alguma coisa sobre mulheres, amor, sexo e tudo o que vem junto. Seu aparente altruísmo é apenas veículo para seu egoísmo.</p>
<p>Suas certezas sobre relacionamentos são como gritos perdidos no abismo. Ninguém sabe de onde vem, são meio desesperadas e quem se importa? Elas não alteram o fato de que estamos todos caindo. Muito melhor parar de gritar e tentar encontrar alguma mão para fazer um pouco de carinho antes de morrer.</p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/' rel='bookmark' title='Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso'>Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>65</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 09:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[erros]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[generosidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[prisões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/?p=36</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Cruzei ontem a Av. Paulista, a pé, do shopping Pátio Paulista ao metrô Consolação, com um pensamento recorrente: &#8220;E se alguém passasse agora do meu lado e segurasse minha mão? E se andássemos juntos por apenas uma quadra, em silêncio, compartilhando nossas solidões anônimas?&#8221;. Outros também surgiram: &#8220;E se algum louco começasse a gritar ou tirar a roupa ou beijar &#8230;</p>
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-mente-ou-retiro-de-meditacao/' rel='bookmark' title='Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)'>Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Sequência matemática numérica" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/08/sequencia_numerica1.jpg" alt="" /></p>
<p>Cruzei ontem a Av. Paulista, a pé, do shopping Pátio Paulista ao metrô Consolação, com um pensamento recorrente: &#8220;<strong>E se alguém passasse agora do meu lado e segurasse minha mão?</strong> E se andássemos juntos por apenas uma quadra, em silêncio, compartilhando nossas solidões anônimas?&#8221;. Outros também surgiram: &#8220;E se algum louco começasse a gritar ou tirar a roupa ou beijar as mulheres de salto alto ou jogar sorvete nas nossas caras?&#8221;; &#8220;E se alguém nos tirasse dessa previsibilidade solitária, desse vazio de cruzar com centenas de pessoas todo dia sem nunca conhecer suas histórias?&#8221;; &#8220;Que tal eu não voltar para casa e arriscar um jantar na casa da primeira família estranha que me acolher&#8221;.</p>
<p>Hoje acordei com vontade de beijar garotas apressadas que andam olhando para o chão segurando suas bolsas à frente para evitar roubos. Ou passar o dia vendendo milho e curau em alguma esquina (yakisoba também seria ótimo). Não deu tempo de ir no mercado, então comprei o que precisava em uma farmácia, dessas moderninhas que quase vendem morangos e champagne ao lado das camisinhas.</p>
<p>Na linha azul, entre as estações Paraíso e Sé, algumas pessoas estranharam quando um menino tirou uma caixa de bombons da mochila. Sua mão distribuía apenas chocolates <em>Serenata de Amor</em> e três tipos de <em>Surreal</em>. O moleque que dormia em pé acordou para receber o seu. A mulher mais bonita achou que era tudo para ela. A pose do executivo ignorou a oferta: o cinza do terno não combina com amarelo e rosa. Alguns riram, outros ficaram procurando por câmeras escondidas, mas a maioria aceitou. Pena que não tinha <em>Ouro Branco</em>, meu preferido.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-270 alignleft" style="float: left;" title="Caixa de bombons Garoto" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/08/bombons_garoto.gif" alt="Caixa de bombons Garoto" width="193" height="193" />Com esse simples experimento, descobri que <strong>bombons no metrô fazem pessoas acordarem e sorrirem</strong>. Solução simples e barata para a felicidade. Sem falar do meu coração que disparou como se fosse primeiro dia de aula da primeira série na escola nova sentado ao lado da menina mais linda do bairro.</p>
<p>Onde perdemos a capacidade de não seguir coerências? Por que mesmo achamos absurdo pegar um táxi sem destino apenas para conversar com o taxista? Ou andar pela cidade, sem celular, parando a cada ponto que nos atrai? Por que não é natural faltar um dia no trabalho sem precisar ligar com alguma justificativa manjada? Por que carregamos um mesmo nome a vida toda em vez de ganhar um novo a cada 5 anos, 17 dias e 22 horas? Por que pegar o metrô mais próximo se podemos andar e deixar que o céu nos percorra um pouco mais?</p>
<p>Quando seguimos uma coerência e esquecemos que podemos descontinuá-la, somos reféns de um padrão: <strong>deixamos de nos mover e passamos a ser movidos</strong>. No dia anterior, consideramos não ir naquela festa – havia outras opções, quase fomos para outro lugar. No dia seguinte, pensamos que talvez fosse uma boa ligar e continuar. Meses depois, imaginamos que seria ótimo passar mais alguns meses com ela ou ele. Anos ou décadas depois, quase nos matamos se ele ou ela não liga. O hábito nasce por liberdade e cresce à medida em que empalidece sua fonte. No começo, decidimos fumar. Meses depois, o cigarro decide por nós.</p>
<p>A coerência não só é fruto do hábito ou de uma linha de ações pré-definidas. Ela também se configura como um <strong>ringue de boxe</strong> ao nosso redor, um espaço de possíveis reações. Se alguém nos machuca, nos sentimos no direito de sentir raiva e ferir a pessoa de volta (ainda que só em pensamento). Nosso senso de justiça é o maior dos algozes. E os amigos aprovam: &#8220;Maltrate-o mesmo, é um absurdo o que ele fez com você&#8221;. O outro define nossa ação. Alguém nos coloca no ringue e automaticamente aceitamos a luta, seja no ataque ou na defesa, na culpa ou na violência, no arrependimento ou na vingança, como vencedor ou vítima.</p>
<p><a href="http://www.cebb.org.br/lamasamten/biografia" target="_blank">Lama Padma Samten</a> dá um ótimo exemplo. Tome a sequência matemática &#8220;<strong>2, 4, 6, 8, ?</strong>&#8220;. Qual o último número? A maioria responde &#8220;10&#8243;, mas nada impede que a sequência seja &#8220;2, 4, 8, 16, 18, 20, 22, 44&#8243;. Nosso condicionamento faz com que vejamos o &#8220;6&#8243; já no &#8220;4&#8243;, como consequência natural, como efeito. A lógica das reações é sempre uma estrutura de prisão. Ficamos cegos para a natureza livre do &#8220;4&#8243;. Ou seja, o &#8220;4&#8243; não veio do &#8220;2&#8243; (ou de nenhuma coerência prévia) nem tem destino definido. O &#8220;4&#8243; surgiu da espontaneidade básica e pode seguir como 4,1, como 69 ou 7900. Não há nada no &#8220;4&#8243; que o leve necessariamente para o &#8220;6&#8243;.</p>
<p><img class="alignleft" style="float: left;" title="69 sexo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/08/69.jpg" alt="meia nove" />Trocando números por pessoas ou situações, é fácil perceber que nossas ações não precisam seguir sequências. Podemos agir a partir da liberdade, em vez do passado, da não-causalidade, em vez de alguma lógica causal, da espontaneidade que não respeita quem já fomos. Livres dos ringues que nos oferecem, podemos nos mover para qualquer direção. Isso significa que você pode a qualquer momento <strong>ir direto para o 69</strong> se quiser, <em>if you know what I mean&#8230;</em></p>
<p>Quando bebês, engatinhávamos no meio de mil encruzilhadas e tínhamos a potência de nos engajar em incontáveis vidas. Hoje temos a sensação de ter percorrido um longo caminho, uma espécie de saudade da fonte das múltiplas escolhas, como se estivéssemos muito distantes das encruzilhadas iniciais. Mas o fato é que mesmo quando bebês já estávamos submetidos a condicionamentos limitantes: nascemos no século XX, no Brasil (e não em outro país), com um sexo definido, cor de pele, genes, cultura, língua etc. E mesmo dentro dessa limitação, havia infinitas possibilidades! Ora, basta um minuto de análise para concluirmos que nossa condição atual, boa ou ruim, em nada difere daquela. Os condicionamentos continuam, a liberdade também. Do nascimento à morte, nossa finitude abre-se ao infinito em cada aparente fechamento.</p>
<p>Passamos um longo tempo seguindo nosso próprio rastro, nos adequando à lógica de nossos hábitos, condenados à previsibilidade. Em vez de agirmos sob a ilusão do livre-arbítrio (&#8220;eu faço o que quero, eu faço o que gosto&#8221;), em vez de deixarmos as identidades e impulsos nos guiarem, podemos levantar um dos pés e olhar para baixo. Antes, depois, abaixo e acima de qualquer trilha, bifurcações que escondem bifurcações. Cada caminho não só começa e termina em uma bifurcação, mas é em cada ponto uma nova bifurcação. Ao contrário do que pensamos, nossa vida não é uma sequência de caminhos divididos por bifurcações, mas uma sucessão de aberturas espiraladas. Sempre estivemos no mesmo lugar. Na encruzilhada, nos reencontramos com aquele ser imprevisível que sempre fomos mas, ironicamente, sempre buscamos ser.</p>
<p>Um método eficaz de treinar esse tipo de liberdade é <strong>quebrar automatismos</strong>. É curioso que seja assim, pois isso só pode ser feito quando a liberdade já existe. Ou seja, se obtiver êxito, isso significa que a liberdade sempre esteve disponível. Passe uma semana tomando banho e escovando os dentes usando só a mão esquerda (direita para canhotos), volte do trabalho pelo caminho mais longo, entre em uma escola de dança e peça para assistir uma aula, faça o contrário do que costuma fazer (há um episódio de <em>Seinfeld</em> no qual o George faz isso e se dá muito bem).</p>
<p>Temos sempre uma tendência a limpar nosso passado, a organizar nossas memórias de modo claro, justificado e coerente em nossas mentes. O cara que foi traído só fica bem quando organiza os fatos: &#8220;Ela é uma vadia, deu pra outro. Eu sou melhor que ela&#8230; e ela não me merecia!&#8221;. Fazemos esses ajustes o tempo inteiro para nos sentimos bem e para mantermos a coerência de nossa história. Mas sabe de uma coisa? <strong>Não precisamos manter coerência alguma. </strong></p>
<p>Podemos fazer 4 anos de faculdade e sair no último, sem consideração alguma pelo esforço dos nossos &#8220;eus&#8221; que todo dia foram para a aula. Podemos abandonar uma carreira de 20 anos, logo antes de virarmos diretores ou antes da aposentadoria, para viver em uma comunidade auto-sustentável e ensinar matemática para crianças. Ou podemos abandonar a comunidade e construir uma carreira até virar diretor de uma multinacional. Ser coerentes ou não. Não fazer do não-seguir-um-padrão mais um padrão. Saber seguir padrões, ousar ficar 57 anos com a mesma mulher, uma vida na mesma empresa, levar o mesmo nome até morrer. <em>Guess what?</em> Somos livres.</p>
<p>A mesma saída vale com esses ajustes e acertos de pendências. Não precisamos esclarecer e resolver nada! Até porque existem certas coisas que nunca serão resolvidas factualmente, reconfiguradas de modo positivo. A saída é transcendental: você pode simplesmente esquecer e seguir limpo, como se nunca tivesse vivido aquilo. Você não precisa pensar em nada, resolver nada, adequar, justificar ou alinhar coisa alguma. <strong>Perdemos muito tempo dando satisfações para nós mesmos. </strong>Mais fácil dissolver tudo como se fosse um sonho, um filme que passou, e seguir como fazemos ao sair na rua depois de duas horas dentro do cinema.</p>
<p>Fez merda quando criança? Feriu muita gente ano passado? Se machucou? Tem traumas, coisas mal resolvidas com pai, mãe, ex-namorada, consigo mesmo? Foi traído e abandonado? Tratar disso é sempre bom, mas não deixe de saber liberar isso. São duas abordagens distintas: terapêutica e espiritual (por falta de um nome melhor). Uma trabalha com conteúdos, construções e configurações (ela reprograma), outra mexe com a estrutura de qualquer conteúdo, que é sempre a mesma, a base livre de todos os fenômenos – ela corta através, revelando a ausência de substancialidade.</p>
<p>Terapia é saber qual a sequência numérica que leva mais facilmente ao número desejado, ou como fazer para ir do 4 ao 10 – ou seja, como manter identidades saudáveis no mundo. Prática meditativa é olhar a liberdade de qualquer número, a possibilidade de qualquer pessoa se tornar radicalmente diferente sem mudança gradual (e sem ter um câncer para facilitar o processo), dar bombons para quem nos fez mal, sair do ringue e chamar o outro para fora também, convidá-lo para um meia nove assim, do nada. Espontaneidade além de coerências ou apenas vontade matinal de despertar sorrisos no metrô.</p>
<p><em>* Não, esse não é um post pago. Mas seria ótimo se alguém da Garoto lesse e contribuísse com algumas caixas&#8230;</em></p>
<p><em>** O Não2Não1 é um dos blogs participantes do novo canal do Yahoo! Brasil, que vai ao ar hoje: </em><em><a href="http://yahooposts.com/" target="_blank">Yahoo! Posts</a>.</em></p>
<p><strong>UPDATE:</strong> Dei uma <strong><a href="http://revistasorria.com.br/blog_sorria/2009/06/26/sobre-metro-bombons-e-sorrisos-no-rosto/" target="_blank">entrevista sobre essa ação</a></strong> para a <a href="http://jeannecallegari.wordpress.com/" target="_blank">Jeanne Callegari</a> no blog da revista <em>Sorria</em>.</p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-mente-ou-retiro-de-meditacao/' rel='bookmark' title='Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)'>Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-falar-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você NÃO queria falar sobre relacionamentos</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>106</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Viver além de si mesmo</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/viver-alem-de-si-mesmo/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/viver-alem-de-si-mesmo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Mar 2008 14:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento conosco mesmos]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[prisões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://nao2nao1.com.br/viver-alem-de-si-mesmo/</guid>
		<description><![CDATA[Acreditar no que somos ou ver nossas faces como personagens de nós mesmos?
Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/casal-sorriso-levar-a-serio-relacionamentos/' rel='bookmark' title='O casal que ri de si mesmo (2): amar é chegar atrasado depois de dormir demais'>O casal que ri de si mesmo (2): amar é chegar atrasado depois de dormir demais</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/um-fracasso/' rel='bookmark' title='Um fracasso (ensaio sobre o relacionamento conosco mesmo)'>Um fracasso (ensaio sobre o relacionamento conosco mesmo)</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-449 alignleft" style="float: left;" title="escher_portrait" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/escher_portrait.jpg" alt="" width="250" height="373" /><em>Há duas maneiras de nos relacionarmos conosco: acreditar no que somos ou ver nossas faces como personagens de nós mesmos. </em></p>
<p>Dois amigos meus (um no Rio de Janeiro, outro em Joinville) costumam dialogar por email sobre temas controversos. O assunto da vez é &#8220;Iluminação e prática espiritual&#8221;. Um deles é fanático por Osho e tem aversão pela idéia de seguir uma tradição específica dentro de uma linhagem de mestres. O outro é cético, apaixonado por lógica, diálogo, ciência, poesia, filosofia&#8230; mas com um pé no Budismo menos crente que pode existir (Trungpa Rinpoche, Dzongsar Rinpoche, Lama Samten, Stephen Batchelor, Alan Wallace). Enquanto um diz &#8220;Osho é meu mestre&#8221;, o outro retruca: &#8220;Mas quem foi o mestre do Osho? Quem aplicou nele o ISO 9000 da realização espiritual?&#8221;. Ambos não só <strong>levam suas visões a sério</strong>, como também acreditam na solidez que parece vir do oponente.</p>
<p>Esses dias troquei alguns rápidos emails com uma amiga da meditação. Ela me convidou para sair, propôs que eu continuasse com o projeto de <a href="http://www.cebbsp.org/Praticas-regulares/Cine-CEBB-SP/" target="_blank">exibição de filmes em um centro de prática budista</a> e agitou uns amigos para que eu pudesse conduzir um <a href="http://www.flickr.com/photos/gustavodrums/1593288301/" target="_blank">workshop de polirritmia</a> para alteração da consciência. Doce, linda. Para evitar contato, me afastei com respostas que alternavam entre rispidez e displicência. Eu queria manter os discursos e as histórias que vinha narrando para mim mesmo. Ela queria interromper minha <strong>auto-encenação</strong>, viu além dos jogos e fez o possível para me puxar também, para retirar uma resposta real de mim.</p>
<p>Esses dois exemplos mostram como <strong>somos reféns das visões que criamos para nós mesmos</strong>. Ao conhecer alguém novo, por exemplo, raramente deixamos espaço para novas construções. A atitude mais comum é nos precipitarmos em nos apresentar de modo fiel ao que temos sido ou tentado fingir até então: &#8220;Oi, meu nome é Gustavo, eu tenho um blog sobre relacionamentos, faço dança de salão e pratico meditação&#8221;. Quem será que acredita nessas mentiras que contamos a nós mesmos? Na <a href="http://nao2nao1.com.br/eu-estou-na-cabana-do-dr-love/" target="_blank">Cabana do Dr. Love</a>, sempre que uma pessoa entra e se apresenta listando seus defeitos e virtudes, eu pergunto: &#8220;Você realmente acredita nessa auto-descrição?&#8221;.</p>
<p>Talvez o estranho que acabamos de conhecer nos daria espaço para ser outra coisa, ou nós mesmos seríamos sua oportunidade de ser completamente novo. Talvez o tímido pudesse ser extrovertido pela primeira vez, o autoritário pudesse ceder e o canalha se apaixonar de modo derradeiro. Mas o tímido logo reafirma sua característica pelo corpo e às vezes pela própria fala (&#8220;Eu? Não, eu sou tímido&#8221;), o autoritário preocupa-se em aprender modos de controle que funcionem com a nova pessoa, e o canalha reitera seu fechamento à <strong>verdadeira canalhice da vida</strong>: <em>amar</em>.</p>
<p>Quando participamos de diversos mundos – cada um com sua linguagem, modo de ação, ambiente, desafio e objetivo específicos – e lidamos com uma ampla gama de histórias, fica mais fácil perceber como não somos nada do que parecemos ser. Entre bolsistas da academia, sou o que menos dança, o mais problemático, anti-social, preguiçoso (o que mais chega atrasado a aulas e ensaios), invejoso e, ainda assim, orgulhoso. No grupo de meditação, sou aquele cara que conduz a discussão, impassível, coluna ereta, papagaio perfeito do lama – lá, falo justamente como superar a preguiça, a inveja, o orgulho&#8230; No colégio, eu era o baterista filósofo que tinha uns projetos malucos. Na faculdade, eu não fui ninguém pois me excluí de qualquer contato intersubjetivo, sozinho quase o tempo todo. No trabalho, sou o blogueiro empreendedor que manja de Internet e filosofia. Afinal, quem sou eu?</p>
<p>Por trás de cada identidade, há uma tendência. Por trás do menino que chora, há uma base de carência. Por trás do nariz empinado, uma base de orgulho. O que, então, estaria por baixo dessa base de tendências e condicionamentos? Embora essa pergunta possa parecer filosófica, ela é o cerne de nossa insatisfação, de nossa instabilidade de energia e ânimo, pois é justamente por transitar de uma identidade a outra que seguimos batendo cabeça. Não é o transitar que nos aflige, <strong>é nossa crença em cada personagem (&#8220;eu sou isso&#8221;) que nos coloca em crise cada vez que um deles se dá mal</strong> ou morre. Quando a namorada nos abandona, sentimos a dor da morte no corpo, nos falta ar, não conseguimos sair da cama. É apenas &#8220;O Namorado&#8221;, mas não há tal percepção enquanto nos identificamos e acreditamos que somos &#8220;O Namorado&#8221;. Na verdade, vivenciamos a identidade como apenas &#8220;Eu&#8221; e por isso caímos e morremos junto com ela.</p>
<p>Ora, depois de uma crise, morremos como uma identidade, mudamos de base, somos movidos por outra tendência e logo nascemos com outra identidade. <strong>Tudo sem perceber</strong>, tudo sem lucidez alguma do processo. Um ser luminoso nos acena de longe e nos ativa. Meses depois, somos &#8220;O Namorado 2&#8243; e nos identificamos novamente, sem memória alguma de como foi justamente a identificação inicial que provocou tanta dor!</p>
<p>Ainda que nos esforcemos para perceber o processo enquanto ele ocorre (jogar luz, manter consciência), isso não tem força alguma contra a energia do aprisionamento. Ou seja, nossa identidade que se apega é sempre mais poderosa do que nosso olho interno que observa. O fingimento nos fisga justamente por nunca se mostrar como artificial, por ser o máximo de realidade e luminosidade a que temos acesso. No cinema, sabemos que é só um filme, mas nosso corpo não: as glândulas se ativam todas, nos contorcemos, choramos, gargalhamos, nos movemos. Nossa <strong>energia</strong> está no processo de <em>identificação</em>, então não podemos descartá-lo. Nossa <strong>liberdade</strong> está no processo de <em>desidentificação</em>, então não podemos esquecer de que é, sempre, tudo um filme, um sonho. Se apenas buscarmos liberdade desidentificada, ela será estéril, sem energia, sem vida, impotente perto de nossos ânimos e emoções. O resultado será hesitação antes, e culpa depois, de cada momento. Se apenas nos jogarmos aos prazeres da vida (<em>Carpe diem</em>), seremos presa fácil e eventualmente acabaremos aniquilados pela aparente concretude do mundo – ansiedade antes, frustração e insatisfação depois. Entretanto, nossa história não precisa ser assim. Somos capazes de usufruir da <em>energia da identificação</em> e, a um só tempo, agir com a <em>liberdade da desidentificação</em>.</p>
<p>Quando nos relacionamos, vemos que os outros encenam mentiras para nós na tentativa de, eles mesmos, reificarem suas próprias ilusões. Somos parte de seu processo de auto-engano, como se eles pensassem: &#8220;Se ele acreditar que eu sou assim, então eu acreditarei também&#8221;. Em geral, acreditamos nas besteiras que o outro conta a si mesmo ou buscamos um outro<a href="http://nao2nao1.com.br/analise-me-veja-algo-oculto-e-me-leve-para-a-cama/" target="_blank"> eu profundo e verdadeiro</a> (&#8220;Você não é assim, eu conheço você&#8221;). Em ambos os casos, damos solidez ao que o outro manifesta, de modo aparente ou oculto, consciente ou inconsciente.</p>
<p>Raramente, contudo, nos lembramos de que se nós mesmos somos tímidos em um grupo e extrovertidos em outro ambiente, então não somos nem tímidos nem extrovertidos. E o outro também&#8230; Ele não é nem o que manifesta e nem o que esconde, nada do que podemos apontar e definir. Ele é a<strong> liberdade de ser.</strong> Pura abertura, mobilidade e espacialidade. Sem tendências, sem bases. Quando nos demoramos em uma pessoa com esse olhar livre, é natural que ela sinta a mesma liberdade que estamos oferecendo e enxergando como já existente nela. É comum que ela se solte como nunca antes, que ela sinta desejos sem antecedentes, usufrua de sensações e ações pela primeira vez na vida.</p>
<p>Assim que pararmos de acreditar em nossas próprias crenças e decisões, assim que <strong>abdicarmos do controle e da certeza</strong>, estaremos prontos para oferecer isso aos outros com nossa simples presença. Viver além de si mesmo é convidar os outros para que saiam de seus casulos, para que andem sem bases ou tendências pelo mundo. Sendo <em>mobilidade</em>, ora somos o namorado que sofre o fim do namoro, ora somos o pai recém-nascido que pula no hospital. Ainda assim, não perdemos contato com nossa natureza que não é nem pai nem namorado, nem filha nem viúva. É essa confiança além de nós mesmos que nos tira o medo de incorporar com paixão cada personagem e mergulhar de cabeça em cada história.</p>
<p>Quando sentimos que somos alguém, quando acreditamos em alguma base, temos medo de avançar, pois é nossa vida que está jogo. Vivemos com o pé atrás, sem intensidade. Se o personagem despencar, pensamos que caíremos juntos. Se somos excluídos dos grupos nos quais somos alguém (família, trabalho, amigos), o que sobra? Tudo o que menos desejamos é desabar.</p>
<p>Quando já sabemos, logo de saída, que não somos ninguém, quando não acreditamos, não há medo de desabar, não há nada em jogo, <strong>não há seriedade alguma que possa ser abalada</strong>. Podemos assumir quantos personagens forem necessários para adentrar os mundos ao nosso redor. Podemos ser tolos, ridículos, passar vergonha, humilhação. Sem acreditar em nossas histórias, não vamos ignorar o que o outro encena para nós. Não! Nós vamos olhar tudo <em>como encenação</em>. Não vamos ignorar o que o outro nos oferece, apenas não vamos acreditar, assim como não acreditamos que filmes sejam verdadeiros e não deixamos de chorar, assim como a percepção da artificialidade dos castelos de areia não nos impede de brincar.</p>
<p>No outro, não há identidade oculta, há apenas a encenação e a liberdade que ele <em>já está desfrutando</em> para se auto-enganar. Então, nós vamos sorrir para o processo que já está ocorrendo. Sem alterar nada, vamos nos relacionar com ambos: personagem e liberdade, jogo e abertura, condicionamento e espacialidade.</p>
<p>Já podemos parar de ensaiar, afinal nunca estivemos fora do palco. Livres de nós mesmos, vamos enfim viver.</p>
<p><em>* Post dedicado a todos que meditam comigo aos domingos. Sem vocês, nenhuma dessas palavras tomaria forma em minha mente. </em></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Ainda estou aguardando <a href="http://nao2nao1.com.br/posso-pedir-sua-mao-para-mulheres/" target="_blank">fotos de mãos femininas</a>.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>Essa semana, passei de 300 posts meus na<a href="http://nao2nao1.com.br/eu-estou-na-cabana-do-dr-love/" target="_blank"></a> <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana Papo de Homem</a>, entre artigos exclusivos, sugestões de práticas, comentários e relatos. Estou mais do que surpreendido com o modo em que um projeto como esse está beneficiando algumas pessoas. </em></p>
<p><em><strong>P.S. 3: </strong>Meu outro texto sobre o relacionamento consigo mesmo chama-se <a href="http://nao2nao1.com.br/um-fracasso/" target="_blank">&#8220;Um Fracasso&#8221;</a>. </em></p>
<p>Related posts:<ol>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/casal-sorriso-levar-a-serio-relacionamentos/' rel='bookmark' title='O casal que ri de si mesmo (2): amar é chegar atrasado depois de dormir demais'>O casal que ri de si mesmo (2): amar é chegar atrasado depois de dormir demais</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/um-fracasso/' rel='bookmark' title='Um fracasso (ensaio sobre o relacionamento conosco mesmo)'>Um fracasso (ensaio sobre o relacionamento conosco mesmo)</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/sobre-coerencia-e-bombons-2-4-6-8-69/' rel='bookmark' title='Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;'>Sobre coerência e bombons no metrô: &#8220;2, 4, 6, 8&#8230; 69!&#8221;</a></li>
</ol></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://nao2nao1.com.br/viver-alem-de-si-mesmo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>33</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

<!-- Performance optimized by W3 Total Cache. Learn more: http://www.w3-edge.com/wordpress-plugins/

Page Caching using disk: enhanced (User agent is rejected)
Database Caching 4/54 queries in 0.119 seconds using disk: basic
Object Caching 1654/1688 objects using disk: basic

Served from: nao2nao1.com.br @ 2012-05-17 07:59:02 -->
