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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Perguntas</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 17 Jun 2011 05:10:16 +0000</lastBuildDate>
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		<title>&#8220;Dicas infalíveis de sedução&#8221; e mais 4 respostas aos leitores</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 13:45:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Todos os seus atributos pessoais e seu leque de estratégias. Nada disso interessa para seduzir alguém.</p>
<p>Depois de falar sobre a relação entre pagar a conta e sexo oral e comentar o vídeo da Fernanda Lima com o marido, continuo com nossa série sobre o &#8220;Antes&#8221;. Lembro que vocês podem deixar perguntas sobre o próximo texto no espaço ao lado.&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/' rel='bookmark' title='Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo'>Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/a-verdadeira-impotencia-sexual-masculina/' rel='bookmark' title='A verdadeira impotência sexual masculina'>A verdadeira impotência sexual masculina</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="kramer" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer.jpg" alt="kramer" width="300" height="250" align="left" /><em>Todos os seus atributos pessoais e seu leque de estratégias. Nada disso interessa para seduzir alguém.</em></p>
<p>Depois de falar sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">a relação entre pagar a conta e sexo oral</a> e comentar o <strong><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post2" target="_blank">vídeo da Fernanda Lima com o marido</a></strong>, continuo com nossa série sobre o <strong>&#8220;Antes&#8221;</strong>. Lembro que vocês podem deixar perguntas sobre o próximo texto no espaço ao lado. No fim deste post, <strong>comento algumas questões que já recebi</strong> sobre sedução e conto qual será o tema seguinte.</p>
<p>A ideia de escrever sobre sedução surgiu com esse comentário ao texto <a href="http://nao2nao1.com.br/como-trair-sua-mulher-com-ela-mesma/" target="_blank">&#8220;Como trair sua mulher&#8230; com ela mesma&#8221;</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Gustavo, queria ver um texto seu sobre sedução e conquista com este método filosófico e inteligente que lhe é característico, visto que os textos sobre isto por aí são todos do tipo “Dicas infalíveis”. –Mario de Souza</p></blockquote>
<p>Dentre várias coisas, abaixo vou falar sobre <strong>a relação entre o orgasmo feminino e doce de mãe</strong>. E como não é tão fácil assim conquistar um homem.</p>
<p>Escolhi o grande Cosmo Kramer como representante da arte de <strong>sedução sem estratégias</strong>. Daí as várias fotos ao longo do post.</p>
<h1>Sedução em relacionamentos longos</h1>
<p>Antes de criticar nossa esperança por &#8220;dicas infalíveis&#8221;, quero explicitar minha abordagem aqui. Em geral, quando falamos em conquista ou sedução, pensamos no universo dos solteiros e dos recém-namorados. Ou, se o discurso se destina a casais mais antigos, toda a abordagem se resume a resgatar a paixão inicial, &#8220;apimentar a relação&#8221;, voltar ao mundo de possibilidades dos recém-namorados. Pois bem, isso não me interessa já que tal abordagem ignora a realidade presente do casal. E mais: mesmo entre os solteiros, ela é ingênua e pouco eficaz, como vou explicar adiante.</p>
<p>Nossa própria definição de &#8220;sedução&#8221; é restrita e enviesada, só contemplando o que acontece no começo, não no meio. <strong>Como se daria a sedução entre duas pessoas casadas há 20 anos ou 30 anos?</strong> E como essa perspectiva poderia aprofundar a dinâmica da sedução entre solteiros?</p>
<h1>Solteiros e casados (ou namorados)</h1>
<p><img title="kramer5" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer5.jpg" alt="kramer5" width="250" height="365" align="left" />Solteiros e solteiras, olhem bem para os casados. Observem <strong>a naturalidade do homem ao tratá-la como sua</strong> e a a confiança dela em se mover pra todo lado sem precisar ser o centro das atenções do parceiro o tempo todo enquanto estão juntos. E então experimentem oferecer a mesma naturalidade e confiança logo no primeiro encontro com qualquer pessoa, afinal essa estranha seria sua mulher por uma noite, esse desconhecido será seu homem por algumas horas.</p>
<p><strong>Casados, olhem para os solteiros.</strong> Ignorem a paixão inicial, aquela coisa de não se desgrudar e se perder em deslumbramento. Notem, porém, a curiosidade de um pelo outro. E então experimentem não saber e se surpreender com o outro e consigo mesmo.</p>
<p>Reparem também na necessidade dos solteiros em conhecer, saber de tudo do parceiro e, por outro lado, no impulso de se descrever e contar todo o passado um para o outro. E se vocês invertessem esse movimento? E se começassem a <strong>se desconhecer</strong>? Eis um caminho quase impossível ao solteiro pois ele encontra prazer no sucessivo conhecer&#8230;</p>
<p>Desconhecer, não saber, não antecipar, não prever as ações do outro. Perguntar sobre o futuro, contar sonhos e vontades, abrir espaço para aquilo que o outro sempre quis ser. E quando essas mudanças ocorrerem (da primeira gravidez ao alzheimer), contemplar aquilo que segue intacto.</p>
<p>Se a sedução inicial está mais ligada ao impulso de agarrar e conquistar (o corpo, a mente, o mundo do outro), a sedução mais experiente é uma espécie de <strong>magnetismo</strong>, um mistério que faz com que ambos sigam juntos e não se afastem como amigos que passam anos distantes. Uma atração que existe desde o começo, confundida com sexo e paixão, e depois de algum tempo pode ser vivida mais diretamente como apenas uma motivação para ficar junto.</p>
<p>Ora, é essa motivação o Santo Graal de qualquer bom Don Juan. <strong>Não uma noite de sexo, mas total entrega.</strong> Não algo pontual, mas o desejo de ficar junto. O que mais queremos, desde a primeira noite, não é provocar tesão, paixão, prazer, admiração, nada disso. É criar magnetismo, a ponto do outro vir em nossa direção mesmo quando não fazemos esforço algum.</p>
<h1>Magnetismo entre o que exatamente?</h1>
<p><strong><img title="speedating" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/speedating.jpg" alt="speedating" width="300" height="200" align="left" />É aí que a coisa fica interessante.</strong> As pessoas não são atraídas por características pessoais e por coisas que fazemos para seduzir. Pelo contrário, quanto mais fizermos e quanto mais características tivermos, menor será a atração. Explico.</p>
<p>Nós pensamos que nosso maior diferencial, o que realmente temos a oferecer, são as características que nos diferenciam dos outros. Tudo aquilo que é pessoal, nossas preferências, gostos, jeitos. Acredite, se fôssemos apenas essas identidades, ninguém ficaria mais do que algumas semanas ao nosso lado. Somos chatos, previsíveis, bobos. <strong>Somos aquele nerd numa mesa de <em>speed dating</em> falando de sua vida por 10 minutos.</strong> Ninguém se interessa!</p>
<p>Nossa sorte é que, além dos aspectos mais pessoais, nós podemos ser o espaço para qualidades impessoais, podemos encarná-las, dar vida a elas quando não perdemos tempo focando em nossas coisinhas. Quando um homem dança salsa com uma mulher, nada ali é pessoal. Tudo pode ser reproduzido em outro casal porque a energia daquilo é algo sempre disponível, não é algo que eles estão inventando ali. E dançar salsa com uma mulher é uma das maiores sacanagens, jogo sujo, quando o assunto é sedução.</p>
<p>Do mesmo modo, <strong>as qualidades que atraem uma mulher são impessoais</strong>: generosidade, destemor, estabilidade, ousadia, inteligência, paciência, bom humor. E as que fazem pirar os homens também: liberdade, entrega, brilho, energia, inteligência, alegria&#8230; São qualidades impessoais disponíveis para homens e mulheres.</p>
<p>Quanto mais pessoais tentamos ser e quanto mais tentamos criar vida e construir momentos e emoções, menos deixamos que a vida aconteça e que as qualidades impessoais sejam incorporadas. Pois é entre tais qualidades maiores do que nós que se dá o magnetismo. Entre condução e entrega, bom humor e alegria, liberdade e brilho, destemor e inteligência. Não entre pessoas, não entre eu e você. Apenas duas pessoas e seus gostos similares não conseguem criar energia, magnetismo, tesão, vontade de <strong>arrancar as roupas</strong> um do outro no meio de um bar.</p>
<p>Parece um milagre, então, o fato de que as pessoas fiquem tanto tempo juntas, mas não tem nada de milagre. Ainda que possamos amar muitos, é inviável sempre começar do zero. Muitas qualidades encontram um solo muito mais fértil e contínuo num casal que avança junto do que em trinta que sempre começam.</p>
<p>Ao vivermos de modo mais impessoal, passamos a <strong>amar aquilo que o outro ainda não é</strong>. Amamos a liberdade do outro de ser e, a partir disso, nos alegramos com cada uma das identidades transitórias que nascem. Amamos o ser futuro, em antecipação. Ora, quem não quer ficar ao lado de alguém que o estimula a mudar e crescer? Eis um dos melhores jeitos de conquistar alguém: agir a favor e se alegrar com a felicidade do outro, principalmente quando ela não tem nada a ver conosco.</p>
<h1>Sem estratégias</h1>
<p><img title="kramer-pirar-na-vida" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer-pirar-na-vida.jpg" alt="kramer-pirar-na-vida" width="250" height="334" align="left" />Diante desse magnetismo impessoal, todos os métodos de sedução (PuA e afins) perdem o sentido. E, sim, minha motivação aqui é ajudar as pessoas a parar de gastar dinheiro com workshops e cursos desse tipo.</p>
<p>O <strong>método supremo de sedução</strong> se resume a não ter estratégias. Esse é o golpe mais baixo que você pode usar com uma mulher. Vá a um encontro sem estratégias, sem esperar sexo, sem tentar beijar, sem tentar alegrá-la, sem se mostrar perfeito, sem tentar nada, sem esforço.</p>
<p>O homem que faz isso sabe que ele não tem poder de criar tesão, amor, paixão, felicidade&#8230; Ele sabe que o magnetismo ocorre naturalmente, como que vindo do céu ou da terra. <strong>Basta que ele não obstrua esse fluxo</strong> com suas tentativas de conseguir algo.</p>
<p>Então ele apenas fica lá e vive, lidando com cada coisa que surge. Se surge timidez, ótimo. A timidez não é problema algum pois ele não está tentando nada. Então ele pode até confessar sua timidez, rir dela com a mulher, fazer um brinde à timidez e então abrir espaço para que outras coisas surjam no lugar da timidez. Não há oposição, luta, desconforto ou ansiedade de mudar, ingredientes que fariam a timidez crescer e imperar.</p>
<p>Ele vai sem a pretensão de fazer a diferença na vida da mulher. É por isso que às vezes as pessoas dizem: <strong>&#8220;Não dê a mínima, não ligue, não mostre que está interessado, aí sim elas ficam loucas&#8221;</strong>. Não é bem a indiferença ou a sensação de que algo mais precisa ser feito para fisgá-lo (ainda que isso exista na superfície), mas é a leveza de ter alguém ao seu lado que não precisa de você e de quem você não precisa. Isso é muito mais excitante do que imaginamos. No fundo, <strong>odiamos quando alguém precisa de nós</strong> e não suportamos quando precisamos de alguém porque sentimos que estamos sendo um incômodo. Desejamos apenas estar, sem nada puxando (de dentro ou de fora). É assim que começa uma boa relação.</p>
<p>Desistir da responsabilidade pela felicidade dos outros. E não só da felicidade. O mesmo processo se aplica ao prazer sexual&#8230;</p>
<h1>&#8220;Como dar prazer a uma mulher?&#8221;</h1>
<p><img title="kramer3" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer3.jpg" alt="kramer3" width="250" height="219" align="left" />Pergunta que recebi no widget lá de cima:</p>
<blockquote><p>&#8220;Como saber como acariciar uma mulher na cintura, seio, pescoço, orelha ou em outro lugar sem ser a vagina ou o clitóris, deixando-lhe louca?&#8221;</p></blockquote>
<p>Parece meio maluco isso, mas <strong>o grande segredo pra dar prazer a uma mulher é não se preocupar em dar prazer a ela.</strong> ;-)</p>
<p>Lembre-se de sua mãe lhe oferecendo aquele doce que ela passou a semana fazendo. Ela corta para você, lhe entrega o prato, senta do seu lado e fica olhando sem piscar enquanto você come. Um inferno, não? Agora lembre como era gostoso pegar esse mesmo doce de madrugada na geladeira. Prazer bom é aquele que surge, não o esperado, planejado, tentado. Não aquele que vem com esforço, necessidade, ansiedade e expectativa.</p>
<p>Cara, as mulheres já são loucas! Você não tem chance alguma se quiser deixá-las loucas. Você não tem esse poder, <strong>desista.</strong></p>
<p>Em relação ao toque, lembre-se de você, de braços esticados, cheio de tensão, quando tocava o peito dela meio que à distância em suas primeiras transas. Pegava na bunda como se fosse algo alienígena. Ou ela que tocava seu pau e não sabia o que fazer. Depois você começou a tocar o corpo inteiro, não apenas o peito, mas tudo, passando pelo peito, claro, não apenas a bunda, mas o corpo. Sem distância, sem medo, relaxado.</p>
<p>Se comparar, o toque é o mesmo, o que muda é nossa presença interna. Pois é isso: aprender massagem e saber <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post2" target="_blank">como usar K-Y</a> com propriedade bem antes da penetração é ótimo, mas o que faz a diferença é o que você oferece internamente com seu toque. E o melhor que você pode oferecer é um amplo espaço, uma abertura relaxada, para que o prazer se instale. Ou seja, quanto mais prazer você estiver sentindo, maior a abertura que vai oferecer para que o prazer surja nela também.</p>
<p><strong>Você não tem o poder de dar prazer pra ninguém</strong>, meu caro.</p>
<h1>&#8220;Como conquistar um homem?&#8221;</h1>
<p><img title="kramer2" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer2.jpg" alt="kramer2" width="250" height="206" align="left" />Outra pergunta que recebi pelo novo widget aqui do blog:</p>
<blockquote><p>&#8220;Gostaria de saber dicas para reconquistar a cada dia mais e mais meu namorado. Em todos os aspectos e não apenas na cama.&#8221;</p></blockquote>
<p>Pois saiba que <strong>a cama é essencial</strong>, muito essencial, não pelo sexo ou pelo prazer, mas pelos reflexos na vida. Quando você ajuda seu parceiro a ser homem na cama, a expressar toda a sua potência, liberdade, criatividade, ele ganha mais confiança para fazer isso na vida. São processos inseparáveis.</p>
<p>Entrega, movimento e liberdade. Na cama e na vida. O melhor jeito de conquistar um homem não é fazer algo, mas se abrir, perder restrições e rigidez. É claro que avançar é bom, propor, ir pra cima. Mas há um processo interno que realmente nos atrai. Listo alguns dos aspectos em formas imperativas, de conselhos mesmo:</p>
<p><strong>1. </strong>Cresça na vida para além de sua relação. <strong>Não coloque sua felicidade nas mãos dele.</strong> Fazendo isso, cultivando energia autônoma, você não terá tanta insegurança, não fará tantas checagens e vai se entregar com mais confiança. E ele não precisará gastar tempo fazendo você feliz, vai crescer em sua própria vida também e oferecer mais presença quando vocês estiverem juntos. Resumo: ele a fará ainda mais feliz. ;-)</p>
<p><strong>2. </strong>Manifeste, do seu jeito, as qualidades do feminino. Descrever quais elas são seria limitá-las, mas explore movimentos, gestos, pensamentos, ideias, formas e sons. Participe de um grupo só com mulheres, integre-se de algum modo à natureza, perca-se em seus próprios rituais, flerte com a arte, brinque, solte-se, mexa os pés de outros jeitos, dance.</p>
<p><strong>3.</strong> Contemple a estabilidade que existe no meio de suas oscilações. <strong>Não descarte as oscilações</strong>, mas contemple a luminosidade incessante de seus movimentos. Fazendo isso, você poderá oscilar ainda mais, usar fúria ou molecagem, sem sofrer e se confundir tanto.</p>
<h1>&#8220;Como melhorar o sexo depois de anos de relacionamento?&#8221;</h1>
<p><img title="seinfled6" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/seinfled6.jpg" alt="seinfled6" width="250" height="238" align="left" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Namoro há quase cinco anos e o sexo entre nós perdeu muito do fogo que tínhamos no início. Entendo que isso seja normal, coisas de convivência. Eu estou certa? É assim que de fato acontece? O tempo dita o ritmo e a coisa esfria? O que fazer para esquentar sem parecer clichê?&#8221;</p></blockquote>
<p>Três ideias pra você:</p>
<p><strong>1. </strong>Sinta essa ansiedade, essa necessidade de mudar, esse desconforto com a situação presente. Veja que é só uma insatisfação, um monte de pensamentos e emoções, uma espécie de luta interna que contrai nosso corpo e trava nossa respiração. Observe que não tem <strong>nada de errado nessa situação</strong> e que nada precisa ser alterado. Se você não observar essa ansiedade e se deixar mover por essa insatisfação, pode esperar muito mais sofrimento pela frente. Se você aprender a repousar, relaxar e respirar, sem tanta urgência em mudar, terá mais nitidez para explorar outros caminhos, ou seja, mudar. ;-)</p>
<p><strong>2. </strong>Não tenha medo do clichê. Nós já somos clichês ambulantes, relaxe.</p>
<p><strong>3. Não foque no sexo.</strong> Se quer mudar o sexo, transforme tudo ao seu redor. Mude sua experiência do mundo e do próprio corpo, sua vida, sua visão, suas dinâmicas internas, seu olhar. E deixe que o sexo surja de outro modo quando ele tiver de surgir. Não force ou tente nada.</p>
<h1>Deixe seu comentário e envie perguntas para o próximo texto</h1>
<p>Como sempre, espaço aberto para conversarmos nos comentários.</p>
<p>O próximo texto será um que rascunhei há dois anos: &#8220;Uma mulher e suas áreas intocadas&#8221;. No widget abaixo (ou lá no topo do site), deixe <strong>suas dúvidas sobre fantasias sexuais, imaginário e reclamações femininas</strong>. Tentarei abordá-las no texto.</p>
<p><iframe src="http://ky.midiadigital.com.br/nao2nao1.php" name="mural" width="300" height="270" marginwidth="0" marginheight="0" Frameborder="0" align="center"></iframe></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/entrevista-sobre-divorcio-separacao-apatia-abandono-e-outros-arredores-do-fim/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 15:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista Uma, depois saiu no UOL Comportamento e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: &#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/quando-a-separacao-e-virtuosa/' rel='bookmark' title='Quando a separação é virtuosa?'>Quando a separação é virtuosa?</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista <em>Uma</em>, depois saiu no <strong>UOL Comportamento</strong> e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: <a href="http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultnot/2010/01/27/sinais-dicas-e-historias-de-quem-se-separou-e-sobreviveu.jhtm" target="_blank">&#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;</a>.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<blockquote><p>&#8220;All the world just stopped now<br />
So you say you don&#8217;t wanna stay together any more [...]<br />
All the world is danglin&#8217; danglin&#8217; danglin&#8217; for me darlin&#8217;<br />
You don&#8217;t know the power that you have with that tear in your hand&#8221;<br />
–<a href="http://www.youtube.com/watch?v=7Nuxp8Rgryk" target="_blank"><strong>Tori Amos</strong></a></p></blockquote>
<h1>Homens e mulheres encaram o divórcio de maneiras diferentes. Por quê?</h1>
<p>É dolorido para ambos, mas eu vejo uma certa desenvoltura nas mulheres pelo fato de que a energia delas rapidamente brota novamente em outra direção, geralmente ao lado de um novo homem. Talvez seja mais fácil para elas pois a postura feminina é a de ser envolvida, conquistada, conduzida. E isso pode acontecer na semana seguinte ao divórcio.</p>
<p>Ao mesmo tempo, vejo muitos homens incapazes de se relacionar com outras, passando um longo tempo <strong>apegados à ex-mulher</strong>, impotentes, sem conseguir criar novas relações duradouras. Mesmo com sexo casual, muitos permanecem infelizes até conseguirem avançar, amar e realmente penetrar outra mulher.</p>
<h1>É comum a pessoa sentir como um luto o fim de um relacionamento?</h1>
<p>Sem dúvidas. O fim de um relacionamento é uma morte assim como o começo deu nascimento a uma identidade (&#8220;o namorado&#8221; ou &#8220;a esposa&#8221;), com todo um modo de ser, uma linguagem, um olhar,<strong> um mundo inteiro</strong> que foi co-construído sob o olhar do outro. Com o fim, esse mundo desmorona. Não é por acaso que nos falta ar, emagrecemos e fica difícil encontrar energia para sair da cama. Essa energia estava vinculada a uma <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-mascaras-rotulos-e-essencias/" target="_blank">identidade</a> que não mais existe, daí a necessidade de um renascimento, que às vezes leva tempo.</p>
<p><img src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/homem-sem-sombra.jpg" alt="&quot;Então, to achando que ela levou coisas demais quando foi embora&quot;" width="300" height="250" align="left" /></p>
<p>Nosso parceiro funciona como uma fonte de luz. Quando a relação acaba, a sensação é de perder nossa substancialidade. Viramos <strong>uma pessoa sem sombra</strong>.</p>
<p>O importante é perceber que sofremos não porque o outro não mais nos ama, nos traiu ou abandonou, mas porque nos sentimos incapazes de amar e nos relacionar com outra pessoa. Assim que essa capacidade retorna, o sofrimento se esvai.</p>
<p>A explicação para isso é simples: <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">não somos apegados a pessoas ou relações</a>, mas a experiências positivas nas quais nossa energia flui. O cara pode passar anos sofrendo pela ex-mulher, mas tudo se dissolve quando uma outra mulher vem e faz a coisa toda andar de novo. Ele não estava querendo a mulher de volta, <strong>ele queria a sua ereção de volta</strong>: o brilho no olho, a rotina do casamento, a companhia, o tesão de viver, a experiência, o mundo, o pacote completo.</p>
<p>Quando nosso parceiro vai embora e saímos correndo, nós não estamos mirando o outro, não queremos resgatar seu amor. Não é bem isso que desejamos voltar a possuir. Nós saímos correndo atrás de nossa identidade decepada, dos sonhos interrompidos, do prazer obstruído, da nossa própria sombra que o outro projetava, da nossa pele, do que surgia em nós quando o outro estava por perto. Saímos correndo atrás de nós mesmos!</p>
<h1>Quais conselhos que você daria para uma pessoa que acaba de terminar um relacionamento longo?</h1>
<p>Um dos melhores caminhos é focar em estabelecer uma vida rica de experiências positivas. Quando meu último relacionamento terminou (5 anos, 3 como casados), procurei passar um tempo sozinho e alinhar meu direcionamento na vida. Aprendi dança de salão, meditei mais regularmente, me envolvi com projetos mais amplos, comecei um site para ajudar outros em seus relacionamentos&#8230;</p>
<p>Outro lance fundamental é ativar o corpo. Correr, malhar, tocar algum instrumento musical, aprender alguma arte marcial, tai chi, ioga, esportes de qualquer tipo. A abordagem cerebral pouco adianta. É no corpo que a vida acontece.</p>
<p>A chave para superar a sensação de abandono é descobrir quais são <strong>suas habilidades</strong> e oferecê-las ao mundo, beneficiando e movimentando o máximo possível de pessoas em direções positivas.</p>
<p>Se a pessoa se envolver com outros por carência, ela continuará se sentindo carente, mesmo depois de passar 30 noites com parceiros diferentes. Se ela começar a se mover com liberdade e autonomia, se começar a oferecer experiências aos outros, uma noite é suficiente para deixá-la feliz ao ver felicidade nos olhos do outro. É esse o tipo de felicidade que nos satisfaz: a que causamos nos outros, não a que recebemos.</p>
<h1>Como saber se o casamento ou namoro está indo para o fim?</h1>
<p>Antes das brigas e desentendimentos, ou antes mesmo de acabar a criatividade do casal em viver coisas novas e avançar na relação, ocorre uma <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=apatia&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank"><strong>apatia</strong></a>. É esse o primeiro sinal: ausência de energia, disposição e brilho nos olhos, tudo aquilo que mais estava presente no começo, <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia-parte-3/" target="_blank">no estouro da paixão</a>.</p>
<p>Em geral, é um processo que ocorre com ambos, <a href="http://nao2nao1.com.br/amar-e-conhecer-a-cor-do-olhar/" target="_blank">que se olham</a> de modo opaco. Assim eles ficam mais feios um ao outro e menos generosos. Ele se dão menos crédito, não mais se elogiam ou se estimulam a crescer, não mais se contemplam à distância com admiração.</p>
<p>Conflitos vários, falta de sexo, beijos e sonhos ausentes são só consequência. Sintomas que aparecem bem depois da apatia inicial.</p>
<p>Costumamos achar que o amor morre quando paramos de receber, mas ele já está morto bem antes, quando paramos de oferecer. Tanto é que, para decidir se voltamos ou não, naquelas infindáveis conversas cheias de exigências, achamos que a relação só pode continuar se o outro fizer certas coisas, se recebermos certas coisas, então o acordo se dá assim: &#8220;Eu quero receber isso, ok? O que você precisa receber de volta?&#8221;.</p>
<p>Quando começamos a culpar o outro pelo nosso próprio sofrimento, pronto, eis o <strong>alerta vermelho</strong>. Daí para o fim é um pulo.</p>
<p>O antídoto para a apatia não é &#8220;manter o fogo&#8221;, prolongar a paixão inicial, &#8220;apimentar a relação&#8221;. Focar no próprio relacionamento, <a href="http://nao2nao1.com.br/9-dicas-para-casais-que-moram-juntos/" target="_blank">usar a criatividade</a>, explorar fantasias, viajar junto; tudo isso funciona, claro, mas não dá para manter tal frescor por muito tempo. O antídoto para apatia em um casal encontra-se na vida dele e na vida dela, não tanto no próprio casal. Está mais no &#8220;Eu&#8221; e menos no &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p>Se ele se movimenta de modo positivo, se tem brilho nos olhos, se enriquece a vida dos outros, se anda no mundo com uma visão ampla. Se ela está sempre em desenvolvimento, cada vez mais inteligente, radiante e livre, se dança pelo mundo, se também tem <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=brilho+nos+olhos&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank">brilho nos olhos</a> e sentido na vida. <strong>É isso o que livra o casal da apatia:</strong> a energia que eles movimentam por si só, sem o apoio do outro. É essa a energia que eles trazem para a relação, que se multiplica quando vira &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Se você busca um texto sobre o Dia Internacional da Mulher, aqui está: <a href="http://papodehomem.com.br/a-mulher-e-seus-desconhecedores/" target="_blank">&#8220;A mulher e seus desconhecedores&#8221;</a>. E se você busca algo sobre budismo e ciência, aqui está <a href="http://bodisatva.com.br/instituto-mind-life-o-melhor-da-ciencia-com-o-melhor-do-budismo/" target="_blank">meu post sobre o instituto Mind &amp; Life</a>.</em></p>


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		<title>Resposta padrão para qualquer problema de relacionamento amoroso</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 10:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[O melhor do Não2Não1]]></category>
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		<description><![CDATA[Um só problema, uma só saída


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-446" title="Sem foco, você sente náusea só de olhar para seus problemas. Avança seguindo as direções da sua aflição até perceber que as placas não levam a lugar algum. Era melhor ter limpado os olhos antes de ter andado tanto!" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/sem-saida.jpg" alt="Sem foco, você sente náusea só de olhar para seus problemas. Avança seguindo as direções da sua aflição até perceber que as placas não levam a lugar algum. Era melhor ter limpado os olhos antes de ter andado tanto!" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Gustavo, sei que você não se coloca como conselheiro, mas me senti à vontade para contar o que vem acontecendo comigo. Sou casada, tenho dois filhos, mas atualmente perdi totalmente o tesão pelo meu marido e sinto que ele não me deseja mais. <strong>Conheci outro homem que me olha de um jeito&#8230;</strong> Estou completamente apaixonada e excitada. Sei que basta um sinal meu para transarmos igual loucos. Estou confusa. O que faço?&#8221;</p>
<p>&#8220;Gustavo, vou ser direto: <strong>minha mulher deu pra outro cara</strong>, me contou, se arrependeu, estou confuso, sei que ela é a mulher da minha vida, mas não consigo mais confiar nela. Sinto-me obrigado a terminar, mas estou sofrendo muito.&#8221;</p>
<p>&#8220;Gitti, estava bastante feliz com um menino que conheci ano passado. A gente se dá muito bem, só que ultimamente <strong>estou cada vez mais insatisfeita</strong> pois ele não assume o namoro. Sua postura &#8220;não fode nem sai de cima&#8221;, pura indecisão imatura, nos afasta cada vez mais. Penso em não aceitar isso e terminar, ou você acha que devo esperar mais um pouco? Estou aflita!&#8221;</p></blockquote>
<p>Eis algumas citações inventadas com base nos longos emails que recebo. Não são bem invenções: apenas cortei todo o bla-bla-blá e o excesso de reticências e pontos de interrogação de 3 deles.</p>
<h1>A origem da resposta padrão</h1>
<p>Eu não acredito em manuais de auto-ajuda, respostas definitivas, verdades últimas. Não há critério absoluto para apontar qual é o melhor caminho. Se você sabe que alguém está indo de ônibus de São Paulo para Natal e tenta ser generoso oferecendo uma passagem de avião, nada impede que o avião caia e faça de sua ação um desastre nada compassivo. Se a mulher trai o marido, quem pode afirmar que isso é ruim para o casamento ao ver a relação deles melhorar?</p>
<p>Aos primeiros pedidos de conselho que recebi, respondi indicando passagens de avião e rejeitando traição. Ou seja, adentrava a situação, visualizava uma saída e sugeria um caminho que poderia ser benéfico. Como não sou psicólogo, xamã, guru, padre ou lama, deixava claro que estava respondendo como um amigo qualquer. Ainda assim, fiz o voto de não emitir opiniões pessoais correndo o risco de piorar ainda mais o problema. A cada novo email, olhava com mais cuidado e tentava visualizar um caminho cada vez mais amplo de modo que não envolvesse nenhuma preferência pessoal.</p>
<p><strong>Se não há caminho melhor que outro, o que responder para alguém que pede por algum direcionamento? </strong>Ora, a própria percepção de que não há saída – de que pode surgir dor e insatisfação em qualquer posição – é feita de uma perspectiva transcendental, de um olhar que pode ser mantido em qualquer caminho, e que revela igualmente que pode surgir felicidade e liberdade em qualquer posição!</p>
<p>As respostas progressivamente se transformaram de &#8220;Faça dança de salão&#8221; ou &#8220;Exija direcionamento e estabilidade de seu homem, não aceite sua mediocridade&#8221; para algo assim: &#8220;Você pode sofrer e ficar insatisfeito com ou sem sua namorada, assim como pode ser feliz e livre com ou sem sua namorada. O ponto não é continuar ou terminar, mas ser livre e construir relações positivas em todas as direções&#8221;.</p>
<p>Tal postura evoluiu até que há uns dois meses escrevi uma mensagem para uma mulher e no dia seguinte a encaminhei para outra e depois para um homem e depois para uma menina&#8230; Só alterava o nome e uma frase ou outra. Não sei bem se fiz isso com a motivação de não perder tempo ou se queria de fato trazer algum benefício. ;-)</p>
<p>De qualquer modo, escrevi com toda a sinceridade, como se a pessoa fosse meu filho ou uma grande amiga. Escrevi aquilo que eu mesmo gostaria de ler quando imerso em situações complicadas e doloridas.</p>
<p>A cada email idêntico que enviava, me questionava sobre a universalidade de nossa dor: quanto mais específico e particular o problema, mais ele se aproxima das aflições de nosso vizinho, de nosso colega de trabalho, de nossos pais, netos, ex-namorados, primos de segundo grau, de estranhos na rua, franceses, japoneses&#8230; Como ensinava Guimarães Rosa, o mais particular não é senão o mais universal: &#8220;O sertão é do tamanho do mundo&#8221;.</p>
<h1>Qual é o nosso verdadeiro problema?</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-447 alignleft" style="float: left;" title="Visão embaçada: nenhum caminho é a saída. Apenas o sinal STOP não está proibido. Parar é a única saída." src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/pare-sem-saida.jpg" alt="Visão embaçada: nenhum caminho é a saída. Apenas o sinal STOP não está proibido. Parar é a única saída." width="250" height="245" /><a href="http://www.cebb.org.br/lamasamten/agenda" target="_blank">Lama Padma Samten</a> conta que recebe emails gigantes ou escuta alunos falarem por quase uma hora. História detalhada, problema justificado. O discurso dá solidez e um caráter de ineditismo e singularidade ao problema. É como se disséssemos: &#8220;Lama, o senhor dá instruções que valem para todos, menos para mim&#8221;.</p>
<p>Ainda que nossa mente saiba do absurdo de tais crenças, nosso coração e nossos pulmões afirmam com toda a ingenuidade: <strong>&#8220;Isso nunca aconteceu antes com ninguém, essa história toda é inédita, eu não sei e ninguém saberia o que fazer, por isso dói tanto!&#8221;</strong>.</p>
<p>Durante uma confusão, ao enviarmos um email pedindo conselhos, o que mais desejamos é reconfigurar a situação. O homem traído deseja, antes de tudo, que possa voltar ao passado e desfazer o evento, ou, pensando mais realisticamente, que sua mulher se arrependa e corte o envolvimento com o outro, ou que ele mesmo deixe de amá-la. Queremos uma resposta para a pergunta que fizemos e assim nunca percebemos que o problema se esconde na própria pergunta!</p>
<p>A esposa insatisfeita não sabe se trai ou não o marido, a mulher aflita pergunta como voltar com o marido e a garota que se sente carente arruma um parceiro atrás do outro&#8230; Elas todas enviam emails perguntando o que fazer, buscam alterar as situações ao redor, e sequer desconfiam de seus verdadeiros problemas: insatisfação, aflição, carência. Ora, elas não estão sofrendo porque desejam trair, querem voltar ou fazem sexo sem parar&#8230; Elas estão sofrendo porque estão oprimidas pela carência, se movem por insatisfação e estão afogadas em emoções perturbadoras.</p>
<p>Achamos que nosso problema é o namorado que foi embora, a mulher que traiu, o parceiro indeciso, a falta de sexo, a comunicação confusa,  a ausência de diversão, grana ou tesão. Mas não é. Nosso problema é a insatisfação gerada por colocarmos nossa felicidade, nossa alegria, nossa energia, nossa respiração, nossa vida em cima de bases instáveis como um namorado, uma mulher, um apartamento, um emprego, uma conta bancária, uma identidade, um pensamento, uma religião&#8230;</p>
<p>Diante de um longo email ou depois de um discurso todo enrolado no qual a pessoa se esforça para explicar sua situação (<strong>&#8220;Vou dar os detalhes para o senhor entender bem por que estou sofrendo&#8221;</strong>), um mestre de meditação, que obviamente já sabe por que a pessoa está sofrendo antes mesmo de ela começar a falar, enxuga e reduz a complicação com uma simples pergunta: &#8220;Como está sua mente? O que você está sentindo? O que está sofrendo?&#8221;. A pessoa tenta explicar <em>por que </em>e <em>como </em>está sofrendo. Então o mestre pergunta novamente: &#8220;O que você está sentindo?&#8221;.</p>
<p>Ela não entende qual a relevância disso, afinal tem uma situação a resolver. Por um instante acha que o mestre não entendeu o problema, mas enfim responde: &#8220;Estou sentindo raiva&#8221; ou &#8220;Estou ansiosa&#8221; ou &#8220;Estou deprimida&#8221;. E então o mestre sorri: &#8220;Ótimo, então descobrimos o problema! Pratique meditação com a motivação de se liberar da raiva e também com o desejo de que nenhuma outra pessoa seja arrastada por isso&#8221;. Ou &#8220;Temos bastante trabalho a fazer aqui na comunidade, eu soube que você é médico, então comece amanhã a atender as pessoas que não podem pagar. Isso vai curar sua depressão&#8221;. Para a ansiedade, além da meditação, talvez ele ensine alguma arte como thangka ou sumi-ê.</p>
<p>Curiosamente, o mestre ignorou toda a situação, não falou como agir com o ex-marido, o que falar para a namorada, o que fazer, qual direção seguir. Se o aluno seguir a instrução, transformar sua mente e se liberar da aflição, o sofrimento pode não desaparecer por completo, mas ele não exigirá uma decisão. O desconforto será visto como tal em vez de agir por trás impelindo mil ações precipitadas. Restará uma situação a ser vivida como qualquer outra, seja o fim ou a reconstrução de uma relação, a mudança ou a permanência no trabalho, na cidade ou no casamento.</p>
<p>Sem um mestre desses, fazemos tudo ao contrário. Assim que surge a insatisfação, a raiva, a carência, a ansiedade ou qualquer forma de perturbação, sentimos um desconforto, uma necessidade de se mover, mudar, tomar uma decisão. <strong>Em nenhum momento desconfiamos que estamos sendo comandados pela aflição. </strong>Pelo contrário, ela vira nosso líder, mestre, guru, nossa intuição mais sábia: &#8220;Estou sofrendo muito, acho que é o momento de acabar com ela!&#8221;.</p>
<p>Nós sofremos porque vivemos sob a ilusão de que alguns caminhos são mais seguros do que outros, que uma identidade é melhor que outra, que a estabilidade pode ser encontrada em alguns pontos e não em outros, que seremos felizes com algumas pessoas e não com outras. Sem perceber, passamos a vida inteira buscando tais posições, identidades, locais e pessoas. O fim da história nós já sabemos e teimamos em ignorar: todos morrem antes de conseguir encontrar o Santo Graal.</p>
<p>Tomando essa ilusão como referencial, sempre que surge algum sofrimento, interpretamos a situação como um alerta: <strong>&#8220;O príncipe não é ele, o paraíso não é aqui, o Santo Graal deve estar em outro lugar!&#8221;</strong>. Desconforto, insatisfação, vontade de se mover, decisões calculadas, consulta com o psicólogo, longo email para o Contardo Calligaris, para o amigo sábio, para o lama ou para o moleque do blog lilás.</p>
<p>Enfim, depois de acertarmos o diagnóstico, é fácil entender a resposta padrão. Vou imaginar uma mulher, mas funciona bem com um interlocutor masculino (basta mudar pouca coisa).</p>
<p>Simples e curta, aqui vai&#8230;</p>
<h1>A resposta padrão para qualquer problema de relacionamento</h1>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-445" style="float: left;" title="O curinga é a carta que vale como qualquer uma, a resposta para qualquer pergunta, a saída para qualquer problema" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/joker-card.jpg" alt="O curinga é a carta que vale como qualquer uma, a resposta para qualquer pergunta, a saída para qualquer problema" width="250" height="380" /></p>
<p>&#8220;Oi, Nome-da-pessoa-confusa,</p>
<p>Situação linda essa, não? Olha, vou ser sincero, mas talvez não seja a resposta que você esteja esperando.</p>
<p>Pode ser que você trepe com ele insanamente, se libere e melhore sua relação com seu marido, descobrindo modos de ter prazer. Ou pode ser que você e se envolva e construa uma nova relação, dando fim ao seu casamento.</p>
<p>Ir ou ficar, ter outro homem ou não, ambos geram aflições. <strong>A saída não é ir ou ficar mas superar as aflições</strong> (ansiedade, carência, medo, raiva, inveja, orgulho etc). Como a gente não entende isso, melhor ir <strong>e</strong> ficar para se foder de todo jeito e então sacar que o caminho é outro.</p>
<p>Se você não se relacionar com outros homens, vai ficar sempre com algo intocado dentro de você e algo não vivido esperando lá fora. Mesmo se esquecer esse cara, surgirão outros. O processo será o mesmo. Same old song.</p>
<p>Se você der pra ele, vai deixar coisas que não quer deixar, vai fazer esforço em uma direção e depois vai se arrepender – assim como se arrependerá se não viver a paixão.</p>
<p>Se tentar ir por disciplina e repressão, vai se segurar o resto da vida, com um certo amargor. Por outro lado, se você se soltar totalmente, vai fazer outros sofrer e gerar constante tensão interna.</p>
<p>Essa constante insatisfação é nosso grande problema. Quando você perceber isso 100% com mente e corpo, quando entender que não temos saída alguma tentando acertar dentro desse processo cíclico, indico um site e 5 livros:</p>
<p><a href="http://www.cebb.org.br" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-448 alignleft" style="float: left;" title="CEBB" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/07/cebb.gif" alt="" width="75" height="87" /></a><a href="http://www.cebb.org.br" target="_blank"><strong>Centro de Estudos Budistas Bodisatva</strong></a><br />
Centros de meditação sob orientação do Lama Padma Samten: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador, Florianópolis, Joinville, Campinas, Niterói, Curitiba&#8230; Procure o centro mais próximo e experimente sentar em silêncio.</p>
<p><a title="Meditando a vida - Livro" href="http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=370808811&amp;loja=4455&amp;link=VerProduto&amp;Produto=110577" target="_blank"><img title="Meditando a vida" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/meditando-a-vida-padma-samten.gif" alt="Lama Padma Samten" width="75" height="110" /></a> <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1949187/alegria+de+viver:+descobrindo+o+segredo+da+felicidade,+a/?franq=254430" target="_blank"><img src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/alegriadeviver.jpg" border="0" alt="A Alegria de Viver" width="75" height="110" /></a> <a title="Fazer da Mente uma Aliada - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1062828/fazer+da+mente+uma+aliada/?franq=254430" target="_blank"><img title="Fazer da Mente uma Aliada" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/fazer-mente-aliada.jpg" alt="Sakyong Mipham Rinpoche" width="75" height="110" /></a> <a title="Quando Tudo se Desfaz - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/86033/quando+tudo+se+desfaz:+orientacao+para+tempos+dificies/?franq=254430" target="_blank"><img title="Quando Tudo se Desfaz" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/quando-tudo-se-desfaz-pema-chodron.jpg" alt="Pema Chodron" width="75" height="110" /></a> <a title="Lugares que nos assustam - Livro" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/190151/lugares+que+nos+assustam,+os/?franq=254430" target="_blank"><img title="Lugares que nos assustam" src="http://nao2nao1.com.br/img/liv/luagres-nos-assustam-pema-chodron.gif" alt="Pema Chodron" width="75" height="110" /></a></p>
<p>Desejo que você supere isso tudo direto na raiz, que é a mesma para todos nós: você, seu marido, os dois caras, eu, minha namorada&#8230;</p>
<p><strong>Sem as aflições, tanto faz com quem esteja. </strong>Solteira, casada, divorciada, com um, com dois, com três, sem ninguém, só com amigas, sozinha, não importa. Sem as aflições, não há um caminho melhor que o outro. Você será feliz e fará outros felizes em qualquer condição.</p>
<p>Enfim, o que eu desejo é que você seja feliz e possa ter a habilidade de fazer os outros felizes, seja seu marido, amante, ex-marido, ex-mulher, filho, filha, prima, primo, ficante, casinho, amigo, chefe, prostituta, avó, uma desconhecida ou o mendigo que você ignorou hoje pela manhã.</p>
<p>Um abraço,</p>
<p>Nome-da-pessoa-que-se-acha-o-conselheiro-amoroso-guru-dos-relacionamentos&#8221;</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Coloquei um link para esse texto na página de contato do site. De agora em diante, só aceito emails puxando conversa ou com qualquer outro propósito que não pedir conselho. O que eu tinha para oferecer está aí em cima. Espero que todos nós possamos cultivar estabilidade, leveza e liberdade para ajudar todos ao nosso redor a fazer o mesmo.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>Indiquei o CEBB porque é onde pratico e os 5 livros porque já li e são de pessoas que praticaram meditação e investigaram processos cognitivos e emocionais por mais de 30 anos dentro de um método estruturado. É claro que há outros centros e outros livros que focam no treinamento de uma mente livre. Enriqueça a lista nos comentários.<br />
</em></p>
<p><em><strong>P.S. 3: </strong>Se você usar o email padrão com algum conhecido, deixe um comentário mostrando se alterou muita coisa ou se ficou praticamente igual. Assim podemos destilar a resposta e torná-la mais abrangente. ;-)<br />
</em></p>


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		<title>Entre teoria e prática: por que ler ou escrever sobre relacionamentos?</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 03:30:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Perguntas]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>&#8220;Cada vez que leio mais e mais textos explicando/apontando/avaliando a respeito da relação homem/mulher, mais percebo que colocamos imensas cargas sobre algo que deveria e poderia fluir com naturalidade.</p>
<p>Joguinhos psicológicos, manuais de relacionamento, textos explicativos, enfim, será que realmente se precisa disso tudo? Será que uma mulher ou até mesmo um homem, porquê não, precisam disso tudo?</p>
<p>Eu&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-248" title="Lousa de Einstein" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/06/lousa_teoria.jpg" alt="Lousa de Einstein" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Cada vez que leio mais e mais textos explicando/apontando/avaliando a respeito da relação homem/mulher, mais percebo que colocamos imensas cargas sobre algo que deveria e poderia fluir com naturalidade.</p>
<p>Joguinhos psicológicos, manuais de relacionamento, textos explicativos, enfim, será que realmente se precisa disso tudo? Será que uma mulher ou até mesmo um homem, porquê não, precisam disso tudo?</p>
<p>Eu acho que não. Amar e ser amado é muito mais vivência do que teoria.&#8221;</p>
<p><strong>–Luana</strong> (em comentário ao post &#8220;<a href="http://nao2nao1.com.br/se-voce-deseja-que-sua-mulher-seja-uma-puta-na-cama/#comments" target="_blank">Se você deseja que sua mulher seja uma puta na cama…</a>&#8220;)</p></blockquote>
<p>Luana, concordo 100%. Tanto que uma de minhas músicas preferidas é &#8220;Why?&#8221;, do Us3 (<a href="http://letras.terra.com.br/us3/244864/" target="_blank">leia a letra</a>). Adoro a levada de bateria dela também. Muito groove.</p>
<p>Como ia dizendo, justamente por concordar com você (<em>não apesar</em> disso), eu não vejo teoria, carga ou manuais em lugar algum. Explico abaixo. Enquanto lê, <a href="http://listen.grooveshark.com/#/s/Why+/7paaj" target="_blank">dê play e ouça &#8220;Why?&#8221;</a>.</p>
<h1>Toda teoria é uma forma de prática</h1>
<p><!--adsensestart-->Por que escrever, pensar e ler não seriam outra formas de viver? Por que não fazer <strong><a href="http://nao2nao1.com.br/about" target="_blank">filosofia de ressaca</a></strong>, depois de uma puta noite dos 5 sentidos? Por que não falar, se <em>podemos</em> falar sobre o que vivemos ou desejamos viver? &#8220;Viver o momento&#8221;, a prática do <em>Carpe Diem</em>, não inclui ler, pensar e refletir?</p>
<p>A noite flui com naturalidade, o texto flui com naturalidade, a leitura, os olhos, o blog, o monitor, o livro, as palavras, seu comentário, as linhas de sua face enquanto escrevia, você, eu&#8230; tudo flui com naturalidade. Onde mesmo está a carga a que você se refere? Mesmo quando as coisas parecem travar, mesmo o desconforto, o erro, a tensão, mesmo quando tudo parece forçado, eis modos específicos de fluir com naturalidade.</p>
<p>A vida não cessa. Ainda que algo pareça inerte, <strong>não há ponto algum nas dez direções que não esteja vivo</strong> e se movendo. Ainda que tentemos fingir ou nos mascarar, estamos sempre expressando quem somos, não por trás das máscaras, mas pelo próprio fato de usá-las.</p>
<p>Onde estão os joguinhos, cadê os manuais? A didática de um texto, os tópicos, itens, conceitos numerados e frases em negritos são elementos imanentes ao universo da leitura, o desdobramento espontâneo dessa linguagem. Se tentamos transpor linguagens e aplicar o que lemos ao que vivemos, fracassaremos. Como beijar com palavras ou sentir com conceitos?</p>
<p>Se lemos um texto como se fosse um manual, se o vemos como apenas texto sem vida, isso é falha de nosso olhar, obstáculo nosso. Um beijo se beija, um texto se escreve e lê. Não procuramos uma coisa em outra.  Cada coisa é vivida como tal. E ao fazê-lo, descobrimos que tem todo um mundo por trás de cada beijo, assim como um texto <em>esconde</em> – ou, para quem sabe ler, <em>expressa</em> – muita vida.</p>
<p><strong>O amor pode se viver em qualquer linguagem.</strong> Em corpo, pode ser abraço ou tapa, pernada ou giro. Em som, &#8220;<a href="http://youtube.com/watch?v=R2oTmdZ-Q7g" target="_blank">Walking After You</a>&#8221; ou &#8220;<a href="http://youtube.com/watch?v=LGM5GkINMMI" target="_blank">Crazy</a>&#8220;. No cinema, <em>Amor à Flor da Pele</em> ou <em>2046</em>. Em palavras, às vezes vira poema, às vezes livro sobre relacionamento. A dor também pode viver em qualquer linguagem. Podemos chorar, urrar, pintar, esculpir ou escrever de dor. <a href="http://nao2nao1.com.br/closer-o-jogo-dos-7-erros-para-homens/" target="_blank">Um de meus posts mais lidos</a> brotou da dor e, contrariando minha proposta de filosofia de ressaca, foi escrito <em>durante</em> o momento, não após.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-247 alignleft" style="float: left;" title="Milagre na teoria" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/06/miracle_theory.jpg" alt="Ciência do milagre" width="250" height="257" />A especificidade de cada linguagem não impede a mútua fecundação. Assim que beijamos, surge vida dentro de nós. Vida que pode se expressar por palavras perdidas em blogs. Quando lemos um texto ou saímos de um bom filme, surgem possibilidades, potência, vontade de vida. Logo depois, surge um <em>outro </em>beijo, um beijo que se fez possível pelo texto, pelo filme.</p>
<p>As equações que se propõem a explicar os relacionamentos tem um algoritmo de milagre, uma variável imprevisível [<em>veja a imagem ao lado</em>]. Em um texto sobre o amor, é aquilo que não está na palavra que a permite e sustenta. Mais ainda, <strong>o texto amoroso nunca é explicativo</strong>. Ele é a fala do enamorado, discurso do desejo, vontade de conseguir ou prolongar o próprio amor descrito.</p>
<p><strong>Onde há palavras, há vida como palavras. </strong>Onde há os cinco sentidos, há vida como cinco sentidos. Tudo é, já, desde sempre, vivência. Até mesmo a teoria (já dizia o biólogo Humberto Maturana) surge da prática da teoria, do <em>teorizar</em>. Tudo é prática.</p>
<p>É claro que existe o que chamamos de &#8220;abismo entre teoria e prática&#8221;. Mas na verdade há uma ruptura ou falta de comunicação entre dois tipos de prática: pensar e sentir, teorizar e se mover, <strong>usar a mente e usar braços</strong>, pernas, pele. Um exemplo é o médico que fuma. Sua mente e pulmões (além da esposa) conhecem os males do cigarro, seus braços não.</p>
<p>Não há problema com esse abismo. Uma parte também pode levar a outra em direções positivas. De fato, às vezes a vida começa com uma palavra, um sonho, um &#8220;e se&#8230;&#8221; puramente mental. E então, <strong>ao escrever, terminamos por antecipar e construir aquilo que vamos viver.</strong> Isso já aconteceu comigo neste blog e por isso abri a seção &#8220;<a href="http://nao2nao1.com.br/category/amores-possiveis/" target="_blank">Amores possíveis</a>&#8221; (só com um post por enquanto), onde vou imaginar aquilo que pode ser vivido.</p>
<p>Sobre isso, certa vez pensei em um hai-kai:</p>
<blockquote><p>Palavra verdadeira<br />
aquela que fura o papel.<br />
E atrás, o real</p></blockquote>
<p>A história da filosofia comprova que a boa teoria não é a que melhor descreve a realidade – e nem deveríamos esperar isso delas! A boa teoria retira suas próprias palavras, abre um vão dentro de si, fura o papel para que possamos ver. Palavra virtuosa é aquela que se desfaz em vida. <strong>Conselho bom é aquele que esquecemos.</strong></p>
<p>Quando o crocodilo de Escher está no papel, o que é ele senão um crocodilo? Quando ele sai do papel e ganha mais uma dimensão, o que é ele senão um crocodilo? Ou seja, qual é mesmo a diferença entre amor escrito e amor vivido?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-246" title="escher_alligator" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2008/06/escher_alligator.jpg" alt="M.C. Escher" /><em><br />
Reptiles</em> (1943, litografia), <a href="http://www.mcescher.com/" target="_blank">M.C. Escher</a></p>
<h1>&#8220;You Have to Say Something&#8221;</h1>
<p>Sabe, ontem tive uma das noites mais lindas de toda a minha vida. Dancei com uma princesa que veio da França (mas pensa que é apenas uma cidadã paulistana). Brincamos, rimos a noite inteira. Sem joguinhos, sem manuais, sem explicação. <strong>Eu segui seus conselhos, Luana, </strong>fiz como mandou: dispensei cargas teóricas, flui com naturalidade. Os especialistas em sedução apontariam vários erros em mim, pois eu sequer a beijei, ainda que tenha passado a noite toda colado nela, quase dentro.</p>
<p>Fiquei ainda mais feliz porque ela raramente acessa a internet e não sabe deste blog. <strong>O olhar dela, portanto, me liberava de mim mesmo</strong>, via um Gustavo além daquele que eu estou cansado de ver. E, assim, eu <em>agia</em> como esse Gustavo recém-nascido. Ontem eu me surpreendi comigo mesmo, surgindo completamente outro aos olhos franceses. Mal sabe ela, mas ontem ela me nasceu.</p>
<p>Tem um mestre zen, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dainin_Katagiri" target="_blank">Dainin Katagiri</a>, que escreveu um livro chamado <em><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=56971&amp;franq=254430" target="_blank">Retornando ao Silêncio</a></em>. Acho que ele concordaria com você: menos palavras, mais vivência. No entanto, olhe só o título de seu outro livro: <a href="http://www.submarino.com.br/imports_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=9&amp;ProdId=876112&amp;franq=254430" target="_blank"><em>You Have to Say Something</em></a> (&#8220;Você Tem de Dizer Algo&#8221;). ;-)</p>
<p>Eu ouço muitas reclamações, eu vejo problemas por aí. Eu sinto dores. Há confusão onde poderia passar lucidez, contração onde poderia repousar o gozo, hesitação onde poderia fluir leveza. Portanto eu tenho de dizer algo. O pouco que tenho, ofereço. Por que não? <strong>Esperar pra quê?</strong> Se nunca teremos 100% de sabedoria, sempre estaremos na situação em que já estamos: temos algo. Assim, até o mais tolo tem algo a oferecer. Sempre.</p>
<p>Por fim, tenho uma pergunta a lhe fazer sobre o seguinte trecho do mestre Caeiro:</p>
<blockquote><p>Creio no mundo como num malmequer,<br />
Porque o vejo. Mas não penso nele<br />
Porque pensar é não compreender &#8230;</p>
<p>O Mundo não se fez para pensarmos nele<br />
(Pensar é estar doente dos olhos)<br />
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo&#8230;</p>
<p>Eu não tenho filosofia: tenho sentidos&#8230;<br />
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,<br />
Mas porque a amo, e amo-a por isso,<br />
Porque quem ama nunca sabe o que ama<br />
Nem sabe por que ama, nem o que é amar &#8230;<br />
Amar é a eterna inocência,<br />
E a única inocência não pensar&#8230;</p></blockquote>
<p>Por que será que ele (Caeiro ou Pessoa, você escolhe) escrevia? <strong>Se pensar é não ver, o que fazia ele escrevendo?</strong></p>
<p>Beijão e obrigado pelo comentário!</p>


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		<title>Sexo no primeiro encontro: por que não?</title>
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		<pubDate>Wed, 14 May 2008 12:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Perguntas]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Rapidinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Luciana Bugni, minha amiga de colegial, fez uma ótima matéria para o caderno Dia-a-Dia do Diário do Grande ABC. Leia na íntegra (são 3 páginas, atente para a paginação pouco visível ): &#8220;De Primeira&#8221;. Ela me pediu um depoimento e escrevi:</p>
<p>&#8220;Muitos homens julgam como fáceis ou vagabundas as mulheres que transam no primeiro encontro. Eu não sou um deles.&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Sexo no primeiro encontro, transar na primeira noite" src="http://nao2nao1.com.br/img/sexo_primeiro_encontro_2.jpg" alt="Sexo no primeiro encontro, transar na primeira noite" width="588" height="197" />Luciana Bugni, minha amiga de colegial, fez uma ótima matéria para o caderno <em>Dia-a-Dia</em> do <em>Diário do Grande ABC</em>. Leia na íntegra (são 3 páginas, atente para a paginação pouco visível ): <a href="http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&amp;pg=detalhe&amp;c=10&amp;id=793" target="_blank"><strong>&#8220;De Primeira&#8221;</strong></a>. Ela me pediu um depoimento e escrevi:</p>
<blockquote><p>&#8220;Muitos homens julgam como fáceis ou vagabundas as mulheres que transam no primeiro encontro. Eu não sou um deles. Ao contrário, penso que temos de ser bem maduros para realmente nos entregar na primeira noite – não apenas beijar, esfregar ou penetrar corpos. Gosto muito de transar na primeira noite. Não me sinto confortável em passar vários encontros apenas beijando, como se eu fosse um adolescente. Sinto que o amor pode ser bem mais explorado quando estamos completamente nus, quando suamos e nos acabamos juntos. Quando o <strong>toque é desmedido</strong> e a massagem irrestrita. Então, para que esperar pela segunda noite? Se eu sei que é bom e você sabe também, por que não agora?&#8221;</p></blockquote>
<p>Além disso, ela me cita no fim do texto:</p>
<blockquote><p>Gustavo Gitti afirma que não se trata apenas de sexo. &#8220;Podemos <strong>fazer amor</strong> logo no primeiro encontro, respirar o outro, fazer carinho. A construção da relação não fica atropelada quando o sexo acontece logo de cara. O tecer de um sonho compartilhado segue seu caminho, com ou sem sexo, com ou sem toque&#8221;.</p></blockquote>
<p>Acho que o mesmo vale para a famosa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/One-night_stand" target="_blank"><em>one-night stand</em></a>: quem disse que uma relação de apenas uma noite tem de ser só feita de sexo? Por que não uma <em>one-night stand</em> de amor, como se ambos fossem enamorados há anos? Tocar o outro <em>como se já o conhecesse, mas sem o conhecer de fato</em>, é uma das experiências mais gostosas que podemos ter.</p>
<p><strong>E vocês? O que pensam e sentem sobre isso? </strong>Como foram suas experiências com sexo logo de cara, na primeira ou segunda noite?</p>
<p><strong>P.S.:</strong> A B., do blog <em>A Vida Secreta</em>, também deixou sua <a href="http://www.avidasecreta.com/sexo-no-primeiro-encontro/" target="_blank">opinião sobre o assunto na mesma matéria</a>.</p>


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		<title>Sobre máscaras, rótulos e essências</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 04:04:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://nao2nao1.com.br/img/mascara.jpg" alt="Máscara" width="588" height="164" /></p>
<blockquote><p>&#8220;The absence of any fixed nature grants the freedom to become anything.&#8221; [a ausência de qualquer natureza fixa garante a liberdade de se tornar qualquer coisa]</p>
<p>&#8220;When I stop trying to become something, I discover that I am everything.&#8221; [quando eu paro de tentar me tornar algo, eu descubro que sou tudo]</p>
<p>–<strong><a href="http://ccbs.ntu.edu.tw/FULLTEXT/JR-ENG/loy9.htm">David Loy</a></strong></p></blockquote>
<p>Este post é uma continuação do anterior, &#8220;<a href="http://nao2nao1.com.br/viver-alem-de-si-mesmo/" target="_blank">Viver além de si mesmo</a>&#8220;. Lembro que falei bastante sobre identidades em outro texto também: &#8220;<a href="http://nao2nao1.com.br/liberdade-profundidade-e-presenca-para-homens-parte-1/" target="_blank">Liberdade, profundidade e presença (para homens) &#8211; Parte 1</a>&#8220;. O que me motivou a escrever as observações abaixo foram alguns comentários que recebi aqui e na <a href="http://nao2nao1.com.br/eu-estou-na-cabana-do-dr-love/" target="_blank">Cabana</a>. Eis alguns exemplos:</p>
<blockquote><p>&#8220;É mesmo Gu, quando conhecemos alguém novo queremos logo colocar um <strong>rótulo</strong>, nem paramos para pensar que ali diante de nós está só um momento de alguém, que além dali prá muito além está sua <strong>essência</strong> que demoraremos muito a perceber, não será assim num instantâneo contato inicial. Quanto ao outro lado, o da nossa percepção. Acho que isso vem com a maturidade, com o auto conhecimento praticado constantemente. E mesmo assim sempre estamos corrrendo o risco de cometer ‘encenações’… acho que faz parte da <strong>máscara social</strong> que levamos cada vez que saímos à rua ao encontro dos outros que também levam as suas.&#8221;</p>
<p>&#8220;Achei interessantíssima a maneira que você tratou a habilidade que temos de encenações, encarar personagens, <strong>usar máscaras</strong>…&#8221;</p>
<p>&#8220;Quem nunca assumiu um personagem, seja para impressionar uma gostosa, seja para ser aceito em algum grupo? Já me fiz de intelectual pra conquistar garotas. Já me fiz de sensível. Hoje eu vejo como fui idiota. Mas também vejo o quanto aprendi com isso. Agora eu tento não represento mais o papel que impõem a mim. <strong>Só tento ser natural</strong>.&#8221;</p>
<p>&#8220;Achei muito bom o texto, porém nunca fui de querer ser algo, sempre demonstrei <strong>quem eu era mesmo</strong>. Com meus medos, anseios, manias&#8230;&#8221;</p></blockquote>
<p>Para quem não tiver tempo de ler o post inteiro, resumo minha abordagem. Vou afirmar que a máscara existe quando uma identidade quer encenar, claro, mas que o movimento que analiso é anterior: o processo incessante de criação de identidades a partir de nossa base livre e o modo como sofremos na medida em que esquecemos da base e nos vinculamos apenas com as identidades. Sempre vamos atuar como identidades, mas podemos ser livres ou não. Esse é o ponto. É nesse sentido que digo que &#8220;não devemos acreditar em nós mesmos pois estamos sempre atuando&#8221;. As noções de máscara, rótulo e essência são completamente descartáveis. Ao fim, ofereço 4 imagens que considero liberadoras: o espaço, o céu, o espelho e a tela de cinema.</p>
<h1>O modelo &#8220;Máscara x Essência&#8221;</h1>
<p>Segundo essa perspectiva, somos alguém com certas características que mudam e com outras mais permanentes. Temos alguma &#8220;essência&#8221; que sobrevive às flutuações. Às vezes somos verdadeiros e às vezes fingimos; às vezes agimos de coração, às vezes vestimos máscaras. Ao olhar o outro, podemos ver a essência ou fixar rótulos.</p>
<p>Esse modelo condiciona todas as nossas ações e relacionamentos, da conquista à separação. Falei sobre seus equívocos e conflitos nesse post:  <a href="http://nao2nao1.com.br/analise-me-veja-algo-oculto-e-me-leve-para-a-cama/" target="_blank">&#8220;Analise-me, veja algo oculto e me leve para a cama&#8221;</a>. Um dos paradoxos de nos olharmos sob a perspectiva de máscaras e essências é assim descrito (veja comentário acima): &#8220;Tento ser natural&#8221;. Ora, se estivéssemos no caminho certo, não haveria esforço ou tentativa para ser natural, não é mesmo?</p>
<p>Basta, porém, um exame mais radical de nosso ser para percebermos que nenhuma característica pode ser apontada como permanente. Em nosso corpo ou em nossa mente, nada é verdadeiramente estável. Ou seja, <strong>não temos essência alguma</strong>, como bem descreveram os existencialistas (leia Sartre ou Albert Camus). É verdade que algumas tendências persistem mais que outras, o que apenas reflete um processo de maior condicionamento e energia de hábito, como em alguém que fuma há 30 anos. Ele é fumante? Não, pois em algum momento da vida não fumava e, a qualquer momento, é livre para interromper seu vício.</p>
<p><a href="http://www.zen-occidental.net/articles1/loy14-eng.html" target="_blank">David Loy</a>, filósofo e praticante zen, se debruçou exaustivamente sobre essa questão. Ele afirma que todos nós temos alguma intuição de nossa falta de base, nossa ausência de chão (<em>groundlessness</em>). E que isso pode ser percebido pela constante sensação de achar que há <strong>algo de errado em nós</strong>, ou por imaginarmos estar fazendo algo de errado para sentirmos tamanha insatisfação ou tanto sofrimento.</p>
<p>Sem o contraste com uma suposta essência, não há como haver máscaras, pois não há ninguém para usá-las! <em>Não há face alguma por trás.</em> É por isso que, logo que incorporamos uma máscara, ela nos assume em nossa totalidade. <em>Ela nós é. </em>Uma <strong>identidade completa</strong>, não algo que esconde algo mais profundo em nós. Ela, em si, pode ser algo profundo também, algo que podemos demorar anos para explorar, em nós ou nos outros. Podemos passar anos nessa ilusão, até finalmente &#8220;conhecermos&#8221; o outro e logo em seguida nos frustrarmos: <strong>&#8220;Fiquei mais de uma década contigo e agora descubro que você nunca foi o que eu pensava ser&#8221;</strong>. Por ser liberdade e mobilidade, o outro sempre frustrará nossa busca por segurança e certeza. É o mesmo dilema dos cientistas que atuam sob a crença de uma realidade com leis pré-existentes. Depois de muito esforço investigativo, eles chegam à física clássica e logo se frustram com o universo: &#8220;Fiquei mais de um século contigo e agora descubro que você nunca foi o que eu pensava ser&#8221;. ;-)</p>
<p>É a partir dessa percepção – além de máscaras, rótulos e essências – que surgem os textos desse blog. Se eles forem lidos<em> antes</em> dessa constatação, perdem totalmente o sentido. O modelo &#8220;Máscara <em>versus</em> Essência&#8221; não se aplica a nada que escrevo aqui. É óbvio que meu objetivo não é falar &#8220;a verdade&#8221; (pois sou cético demais para acreditar nisso), mas simplesmente deixar claro o que estou comunicando, em uma conversa mesmo. Sem tal esclarecimento, a conversa vira uma sucessão de ruídos desconexos. Minha abertura exige comunicação. Eu quero compartilhar; eis o motivo desse post complementar.</p>
<h1>O espaço, o céu, o espelho e a tela de cinema</h1>
<p><img title="Céu e espelho" src="http://nao2nao1.com.br/img/ceu_espelho.jpg" alt="Céu e espelho" width="589" height="393" /></p>
<p>Embora muitos comentários tenham se inserido no modelo acima, um dos Cabaneiros escreveu:</p>
<blockquote><p>&#8220;Esse é o lance: <strong>nós somos espaço</strong>. Definir o que somos além disso é a cagada, a semente da futura frustração. Não é uma questão de atuarmos conscientemente para impressionar alguém ou pra entrar num grupo. É inconsciente, período integral. Não somos nada e estamos atuando full time, não só para os outros, mas para nós mesmos. Por mais sinceros que sejamos e por mais que pareçamos estar sendo nós mesmos radicalmente, é bobagem. Não somos nada e por isso podemos ser tudo, sem neuroses.&#8221;</p></blockquote>
<p>O espaço, ou a espacialidade, pode ser descrito com três metáforas de fácil apreensão: <strong>o céu, o espelho e a tela de cinema</strong>. As três imagens apontam para uma natureza sem tendências, sem cores, sem sons, sem característica ou definição alguma. Ao mesmo tempo, elas mostram que essa mesma natureza é o espaço para o surgimento de todas as cores, sons, características e definições. A energia dinâmica, fonte de aprisionamento ou dança livre, é simbolizada pelas nuvens, imagens e cenas. A liberdade é representada pela abertura ilimitada do céu, pelo acolhimento do espelho que nada rejeita e pela indestrutibilidade da tela de cinema, que sobrevive e fica presente mesmo depois de incontáveis bombas.</p>
<blockquote><p>“Somos céus atravessados por nuvens de energias vindas da profundidade dos tempos. Quanto mais acreditamos que somos alguém, mais somos ninguém. Quanto mais sabemos que não somos ninguém, mais somos alguém.” –<strong>Pierre Lévy</strong>, em <a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=200313&amp;franq=254430" target="_blank">O Fogo Liberador</a></p></blockquote>
<p>Podemos passar a vida inteira em busca de identidades melhores e mais adaptadas, <strong>personagens vencedores que se dêem bem em tudo</strong> e com todos. A cada crise, anotamos os erros e rapidamente renascemos com uma esperteza adicional. A cada nascimento, nos identificamos com algo e isso nos coloca em oposição com todo o resto. Assumimos uma visão e deixamos de compreender ou nos identificar com todas as outras. Escolhemos uma vida e deixamos de viver todas as outras. E assim seguimos, de imagem em imagem, de cena em cena, nuvem a nuvem, até a morte.</p>
<p>Ou podemos nos perguntar: &#8220;<strong>Qual visão abarca e acolhe todas as outras?</strong> Qual postura acolhe todos os seres sem restrigir ou ignorar nada?&#8221;. Essa é a pergunta-chave para começarmos a perceber que essa visão não pode ser uma visão no mesmo nível que as outras, ou melhor, <em>ela não pode ser visão alguma</em>. A postura não pode ser postura alguma, não pode ser rígida ou ter algum ponto de referência. Quando esse dilema for uma bola de fogo em nossa garganta, sem que tenhamos a chance de cuspi-la ou engoli-la, estaremos preparados para ouvir sobre o espaço, para sentir nossos pés além de qualquer identidade, cor, som, visão, crença, perspectiva, filosofia, cena, personagem, mundo, vida.</p>
<p>O espaço, sim, é a resposta para as duas perguntas. O espaço é o que somos. Livres de absolutamente tudo, podemos incorporar todos os personagens, encarar todas as vidas, adentrar todas as histórias, transitar por todas as visões, ser as cores e sons do mundo, sem restrição, sem fixação. É isso o que já fazemos, sem saber, ainda que de modo muito limitado. Sofremos pois esquecemos que sempre estamos na encruzilhada, que sempre podemos mudar de rota, não apenas nos momentos de crise ou a cada década.</p>
<p>Estar livre não significa estar longe. Pelo contrário, seremos mais apaixonados pela vida. Liberdade também não significa ausência de certezas relativas. Podemos até escrever um livro de filosofia. Mas como levá-lo a sério? Escrevemos e conversamos, mas <strong>há leveza em nossos gestos</strong>. Não há solidez alguma, nenhuma seriedade adicional. Não acreditamos em nós mesmos, não de modo absoluto. Somos capazes de falar horas sobre meditação e logo depois rirmos de nós mesmos: &#8220;Liga não, eu sou louco&#8221;. Ou podemos nos dedicar a um blog sobre relacionamentos e falar de amor, mesmo sabendo que amor não existe, que tudo é uma grande brincadeira, uma pegadinha cósmica. O reconhecimento da impermanência não nos impede de dizer: &#8220;Eu te amo e te quero pra sempre!&#8221;. Nós vamos falar isso com todas as palavras, com toda a força, <em>mesmo sabendo</em> que é uma grande mentira, ou <em>justamente porque</em> é uma grande mentira! Não há nada que não seja uma grande mentira ou uma grande piada, então já podemos relaxar e começar a rir e a encenar a mais grandiosa das peças.</p>
<p>Vamos chorar e urrar por amor, minutos antes de ligar para ela e dizer: &#8220;Em breve, nós dois vamos rir muito disso, sabia?&#8221;. No meio da dor, sem saída, naquela situação sem resolução, vamos dizer: <strong>&#8220;Um beijo além de tudo&#8221;</strong>. Eu já ouvi isso, já recebi mais de um SMS com essas exatas palavras e já falei isso também. Somos capazes de amar quando tudo nos força ao fechamento. Nenhum monstro nos assustará enquanto lembrarmos que estamos sonhando.</p>
<p>Nossa vida é o filme de nós mesmos. <strong>Nossa história é o que estivemos sonhando esse tempo todo. </strong>Por mais que tudo dê errado, a tela ao fundo é nossa redenção. Ainda que tudo desabe, nosso refúgio é o céu. Mesmo se formos atacados e cairmos mortos no chão, ainda poderemos ouvir nosso parceiro no travesseiro ao lado:</p>
<p><em>&#8220;Ei, acorda, menino bonito. O dia tá lindo&#8230;&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Abre os olhos, linda, deixa eu te mostrar uma coisa&#8230;&#8221; </em></p>


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