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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Para mulheres</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>Como parar o mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2010 16:18:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Você já quis parar o mundo? Pois saiba que o melhor momento para aprender a pausar a vida é ironicamente aquele em que mais você quer seguir vivendo.</p>
<p>Durante o sexo ou no meio de uma briga, às vezes desejamos interromper o fluxo dos fenômenos. Enfiar a cabeça no chão, nos momentos ruins, ou congelar a cena para a&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1293" title="parar-o-mundo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/12/parar-o-mundo.jpg" alt="" width="589" height="380" /></p>
<p><em>Você já quis parar o mundo? Pois saiba que o melhor momento para aprender a pausar a vida é ironicamente aquele em que mais você quer seguir vivendo.</em></p>
<p><strong>Durante o sexo ou no meio de uma briga</strong>, às vezes desejamos interromper o fluxo dos fenômenos. Enfiar a cabeça no chão, nos momentos ruins, ou congelar a cena para a eternidade, nos bons. Tentativas sempre frustradas por uma espécie de ansiedade, uma urgência de abocanhar o prazer ou de tentar resolver uma situação dolorida. Ironicamente, mesmo quando tudo o que queremos é apertar <em>pause</em>, colocamos ainda mais força no botão de <em>play</em>.</p>
<p>Em vez de &#8220;descer do trem&#8221; do sofrimento ou eternizar alguma felicidade, parar o mundo pode ser entendido com outras imagens. Acariciar um leão que deita no chão pela primeira vez. Pousar a dois centímetros das nuvens. Ficar dentro da água e, por alguns segundos, relaxar como se você nunca mais precisasse puxar ou soltar o ar. Em vez de tentar pausar, retardar ou acelerar, jogar fora o controle. Descobrir que a cobra assustadora era apenas uma mangueira. Não ser atingido pelas balas depois de enxergar sua verdadeira substância de nuvem, sonho.</p>
<blockquote><p>&#8220;O mundo é assim e assado, e tal e tal, só porque nos dizemos que é dessa maneira. Se pararmos de nos dizer que o mundo é tal e tal, o mundo deixará de ser tal e tal. Neste momento, não creio que você esteja pronto para esse golpe monumental, e, portanto, deve começar lentamente a desfazer o mundo.&#8221;<br />
–Don Juan, em <em>Portas para o Infinito</em>, de Carlos Castaneda.</p></blockquote>
<p>Castaneda conta que o índio Don Juan o ensinou a parar o diálogo interno e a ver além dos fluxos convencionais de interpretação, além da descrição do mundo, além do que tentamos nos convencer, segundo a segundo, sobre o que é a realidade. Ele chamava esse processo de &#8220;não fazer&#8221; – <strong>não fazer aquilo que estamos acostumados e sabemos fazer</strong>. Diante de uma árvore, por exemplo, não fazer pode ser focar nas sombras de suas folhas até que paremos de chamá-la de árvore, até que a árvore surja para além de nossa descrição de árvore.</p>
<p>O mundo para naturalmente quando nós paramos.</p>
<p>Claro, parar não  é fácil. Além dos tiques corporais como roer a unha ou mover o pé freneticamente (que  parecem estar naturalizados em nossa cultura), nossa mente tem mil vezes mais tiques e compulsões sutis. Se continuarmos tão distraídos, a arte de parar o mundo talvez seja esquecida. É por isso que compartilho agora algumas possibilidades.</p>
<h1>Como parar o mundo durante o sexo</h1>
<p>O andamento da noite foi acelerado. Eles saíram atrasados para o Forró in the Dark, dançaram até pingar, comeram pouco antes de fecharem o restaurante e foram para casa transar, um pouco ansiosos, distraídos, apressados. Enquanto ele metia de lado, por mais gostoso que fosse, ambos sabiam o que estavam fazendo, já haviam passado por isso incontáveis vezes, já podiam antecipar o desfecho.</p>
<p><img title="neo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/12/neo.jpg" alt="" width="300" height="204" align="left" />Sem que ela entendesse, ele parou. Agarrado, ainda dentro, como que travando qualquer outro movimento. Antes de conseguir perguntar &#8220;O que foi?&#8221;, sua mente foi catapultada para onde a mente dele já estava. Ele a pegou pelo pescoço e virou. Ficaram se olhando e se cheirando enquanto se lembravam de si mesmos, do quanto não entendiam nada do que estava acontecendo, do quanto já estavam ali, felizes, colados e relaxados, mesmo antes enquanto estavam dispersos no carro.</p>
<p>Sem que ninguém falasse, o que se ouviu foi uma mistura de &#8220;Eu estou aqui&#8221;, &#8220;Quem é mesmo você?&#8221; e <strong>&#8220;Eu te amo a ponto de não saber o que isso significa&#8221;</strong>.</p>
<p>Depois aprenderam a parar o mundo sem necessariamente parar o corpo. Para ele, a catapulta começava com os olhos. Não piscava, quase desfocava, alternando entre se fixar nos olhos e atravessá-la, como se mirasse uma paisagem a 9 quilômetros exatamente atrás de sua nuca. Para ela, a catapulta era sentir a extensão quase infinita do próprio corpo e das sensações como se habitasse o corpo de outra pessoa, como uma simulação. Ao tentar se afastar, ela acessava ainda mais diretamente a realidade.</p>
<h1>Durante uma briga</h1>
<blockquote><p>&#8220;Sempre que o diálogo interno pára, o mundo entra em colapso, e facetas extraordinárias de nossos seres emergem, como se tivessem sido mantidas numa guarda severa por nossas palavras. Você é o que é porque diz a si mesmo que é assim.&#8221; –Don Juan, em Portas para o Infinito, de Carlos Castaneda.</p></blockquote>
<p><strong>Às vezes é impossível brigar em apenas um cômodo da casa</strong>. Impossível olhar nos olhos do outro. Ela começa a se aprontar e vai freneticamente do banheiro para a lavandeira, do quarto para a sala. Ele finge ignorar a briga e fica respondendo da cozinha, enquanto bebe água sem estar com sede, e depois da sala, enquanto liga o computador sem saber por quê.</p>
<p>Não importa o que se diga, as falas dificilmente surgem além do horizonte de significação do problema, do mundo particular que reduz o foco dos olhos e sequestra pulmões. A briga acontece sempre com algum nível de alucinação, como se estivéssemos em um estado especial de REM. Ainda assim, é possível abrir a janela e repousar os olhos revirados no céu. Lembrar que estaremos todos mortos daqui a pouco. Admitir que nosso marido ou esposa não são nosso marido ou esposa; são apenas alguém que decidiu brincar um tempo conosco.</p>
<p><img title="corredor" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/12/corredor.jpg" alt="" width="300" height="400" align="left" />De um cômodo a outro, há uma espécie de bardo, limbo, entre-mundo: <strong>o corredor</strong>. Se a cozinha serve para algumas ações, se o escritório define o que podemos ali fazer, o corredor é o cômodo por excelência do não-fazer.</p>
<p>É ali que podemos descobrir que o melhor jeito de resolver uma briga é não resolver nada, mas olhar o mundo no qual a briga acontece como se déssemos <em>zoom out</em> na própria casa. Ao fazer isso descobrimos a liberdade de criar mundos, nos divertimos com as dinâmicas possíveis da relação e nos relacionamos com a liberdade do outro, com aquilo nele que pode brincar de ser esposa e marido e de se perder nos conflitos entre tais personagens.</p>
<p>Com o mundo parado, podemos até voltar para a briga, mas agora estaremos com os dois pés no chão, não mais dentro de nossas cabeças.</p>
<h1>Durante uma dança</h1>
<blockquote><p>&#8220;As possibilidades do homem são tão vastas e misteriosas que os  guerreiros, em vez de pensar sobre elas, escolhem explorá-las, sem  esperança de jamais chegar a entendê-las.&#8221; –Don Juan, em Portas para o Infinito, de Carlos Castaneda.</p></blockquote>
<p>Olhar um vídeo de um casal dançando (ou de si mesmo com alguém) não diz muita coisa sobre o que é dançar junto. Há toda uma dinâmica interna ao corpo, uma misteriosa relação com o outro e com a música. Talvez a dança de salão seja um dos raros modos de relação que se aproximem do sexo na possibilidade de movimentar a energia, a respiração, a emoção do outro. É por isso que às vezes conseguimos parar o mundo no fim do facão, no samba de gafieira, entre qualquer passo de tango ou mesmo em alguma travada do forró.</p>
<p>Se bem conduzida, se o casal congela precisamente junto com uma pausa da música (no meio ou no fim), o contraste com a agitação anterior abre os sentidos e cria a sensação de completa <strong>expansão temporal e espacial</strong>. Quando voltamos a conversar com os amigos ao redor, parece que acabamos de sair de outro universo. De fato, não estávamos dançando. Deve existir outro verbo pra isso.</p>
<h1>Durante a meditação</h1>
<p>A cada momento, não importa em qual experiência, nosso impulso mais básico é o de se mover para buscar ou sustentar prazer e felicidade, ao mesmo tempo em que evitamos dor e sofrimento. Sentado na cadeira do escritório ou no zafu da sala de meditação, <strong>tendemos a nos ajeitar sempre que algo dói</strong>. É exatamente esse o padrão que conduz nossa ação nos relacionamentos e na vida em geral: nos esforçamos para sustentar confortos e resolver desconfortos, seja atrasos do namorado ou traições da namorada, assim como mexemos a perna na meditação.</p>
<p>Num âmbito ainda mais sutil, como uma vez ouvi do Lama Padma Samten, o próprio ato de respirar manifesta nossa insatisfação constante. Puxamos o ar, mas isso não dura, não é suficiente, logo se torna insustentável. A satisfação inicial vira urgência de soltar o ar. Relaxamos brevemente até sermos obrigados a puxar o ar novamente.</p>
<p>Portanto, um dos jeitos de parar o mundo enquanto estamos sentados em silêncio é inspirar e naturalmente contemplar a urgência de expirar; soltar o ar e observar calmamente o impulso de tragá-lo de volta. Enquanto observamos toda essa dinâmica que não precisa de esforço para seguir, o espaço entre cada movimento aumenta e de repente surge um vasto oceano de imobilidade e estabilidade. Essa percepção fica ainda mais nítida quando nos demoramos um pouco mais para voltar à respiração e percebemos que estamos há um bom tempo sem piscar.</p>
<p><strong>O mundo parou.</strong> E isso chega a ser engraçado quando nos damos conta de que ele continua parado mesmo enquanto tudo se move.</p>
<h1>Promoção: My Little Secret + Não2Não1</h1>
<p><a href="http://www.mylittlesecret.com.br/?utm_source=banner%2Binstitucional&amp;utm_medium=nao2nao1&amp;utm_campaign=banner%2Binstitucional" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-1294" title="mylittle" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/12/mylittlesecret-loja.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Sempre tive uma certa aversão a sites de lojas de sexo. A grande maioria é vulgar, brega, tosca demais. Tanto que já neguei diversas propostas comerciais para o Não2Não1. Não queria banners assim aqui e não queria que tais empresas apoiassem meus textos (meu jeito de trabalhar com publieditoriais é escrever como escrevo qualquer outro texto, sem nenhuma ideia comprada).</p>
<p>Essa imagem mudou quando conheci o trabalho do pessoal do <a href="http://www.mylittlesecret.com.br/?utm_source=banner%2Binstitucional&amp;utm_medium=nao2nao1&amp;utm_campaign=banner%2Binstitucional" target="_blank">My Little Secret</a> com uma visão bem ampla de sensualidade e prazer feminino. A identidade visual, criada pela <a href="http://www.listocomunicacao.com.br/" target="_blank">Listo Comunicação</a>, ficou muito diferente do que vemos em outros sites. O banner deles já está rodando na sidebar do Não2Não1 desde sexta e agora anuncio <strong>uma promoção que eu sugeri e eles toparam</strong>.</p>
<p>Em vez de nós definirmos os prêmios, você entra no <a href="http://www.mlsecret.com.br/?utm_source=banner%2Bcategorias&amp;utm_medium=nao2nao1&amp;utm_campaign=banner%2Bcategorias" target="_blank">My Little Secret</a>, escolhe o que deseja ganhar (ou dar de presente) e coloca os links aqui nos comentários. Simples assim. Um produto para cada categoria:</p>
<ul>
<li>Fantasia de sua escolha (<a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/56849/Fantasias" target="_blank">selecione aqui</a>).</li>
<li>Lingerie de sua escolha: <a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/44436/Forum%20Lingerie" target="_blank">Forum Lingerie</a>, <a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/44437/Rosa%20Ch%C3%83%C2%A1" target="_blank">Rosa Chá</a> ou <a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/830176/Miz%20Couture" target="_blank">Miz Couture</a>.</li>
<li>Óleo de massagem de sua escolha (<a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/48006/Cosmeticos" target="_blank">selecione aqui</a>).</li>
</ul>
<p><strong>Atualização:</strong> a mulherada pediu e o pessoal da My Little Secret liberou. Se preferir, pode trocar os 3 presentes pelo <strong>vibrador</strong> de sua escolha. <a href="http://www.mlsecret.com.br/secao/44444/Massageadores" target="_blank">Tem vários modelos lá</a>. Para concorrer é só colocar o link nos comentários.</p>
<p>Para concorrer, basta comentar algo sobre o texto e deixar os links dos 3 produtos escolhidos.<strong> </strong>Na segunda, dia 20/12, sortearei dois comentários via random.org. <strong>Um leitor e uma leitora ganharão o que escolherem. </strong></p>
<p>Se gostou da My Little Secret, acompanhe no Twitter <a href="http://twitter.com/1mylittlesecret" target="_blank">@1mylittlesecret</a> e no <a href="http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/My-Little-Secret/158779520820050" target="_blank">Facebook</a>. Você pode também conhecer o blog <a href="http://blog.mylittlesecret.com.br/" target="_blank"><em>My Spicy Diary</em></a> (eles estão aos poucos oferecendo conteúdo também) e assinar a <a href="http://www.mylittlesecret.com.br/?utm_source=banner%2Binstitucional&amp;utm_medium=nao2nao1&amp;utm_campaign=banner%2Binstitucional" target="_blank">newsletter</a> deles.</p>


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		<title>A certeza de amar</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 23:33:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Ah, nada como aquele momento em que temos a certeza de amar alguém. A relação se consolida, os laços ganham segurança&#8230;</p>
<p></p>
<p>Consegui autorização para antecipar aqui a tirinha que o Fábio Rodrigues fez para a próxima edição da revista Bodisatva.</p>
<p>Para mim, Bodisatva é a melhor revista brasileira sobre budismo e meditação, no estilo das americanas Tricycle e Shambhala&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, nada como aquele momento em que temos a certeza de amar alguém. A relação se consolida, os laços ganham segurança&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1269" title="amor-web-bodisatva-fabio-rodrigues" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/11/amor-web-bodisatva-fabio-rodrigues.jpg" alt="" width="589" height="324" /></p>
<p>Consegui autorização para antecipar aqui a tirinha que o Fábio Rodrigues fez para a próxima edição da <a href="http://bodisatva.com.br" target="_blank">revista <em>Bodisatva</em></a>.</p>
<p>Para mim, <em>Bodisatva</em> é a melhor revista brasileira sobre budismo e meditação, no estilo das americanas <em>Tricycle</em> e <em>Shambhala Sun</em>, sem esoterismo nova era, focada na interface do budismo com economia, educação, saúde e ciência. Além dos textos excelentes (sempre com um longo ensinamento do Lama Padma Samten), o projeto gráfico é ótimo. Recomendo. Para receber na sua casa, <a href="http://www.virtuastore.com.br/lojas.asp?IdSeguro=424426828&amp;loja=4455&amp;link=VerProduto&amp;Produto=112720" target="_blank">faça a assinatura online</a>.</p>
<p>Aqui no <em>Não2Não1</em>, já publiquei três textos do Fabio: <a href="http://nao2nao1.com.br/minto-por-fabio-rodrigues/" target="_blank">&#8220;Minto&#8221;</a>, <a href="http://nao2nao1.com.br/increible-incrivel-inacreditavel-extraordinario-fabio-rodrigues/" target="_blank">&#8220;Increíble&#8221;</a> e <a href="http://nao2nao1.com.br/coisa-alguma/" target="_blank">&#8220;Coisa alguma&#8221;</a>.</p>


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		<title>A logística do amor</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 15:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1094" title="logistica" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/logistica.jpg" alt="" width="588" height="250" /><em><br />
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</em></p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava e ela dormia antes. Depois de um tempo, isso os destruiu. <strong>Tivesse ele tomado banho antes&#8230;</strong></p>
<p>Parece um detalhe insignificante? Não é.</p>
<h1>A cegueira do amor romântico</h1>
<p>Nossa mania de <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia/" target="_blank">basear a relação no amor romântico</a>, nos sentimentos, ofusca a importância de outros aspectos mais técnicos, frios, funcionais, como a logística, o workflow, o controle de estoque da coisa. Tendo amor e paixão, de que importam rotinas, hábitos, trabalhos, deslocamentos e os mil processos de nossas vidas? Assim pensamos, iludidos.</p>
<p>Por que você acha que os casamentos arranjados davam certo? Ora, quando a logística é bem estruturada, amor é o de menos. Com o tempo, aprendemos a cuidar, sentir tesão, transar, amar, admirar, se apaixonar. Ao ouvir isso, sentimos uma certa aversão à ideia de &#8220;aprender a sentir tesão&#8221;, não é mesmo? Somos fascinados pela paixão súbita, pela química inexplicável, pelo amor que parece vir de uma vida passada. É o <strong>espírito <em>fast food</em> nos relacionamentos</strong>: queremos tudo pronto, do nada, agora.</p>
<p>Admiro o arquétipo da relação Romeu e Julieta pelo aspecto libertário, mas sempre achei esse modelo adolescente demais, mimado demais. É uma das fundações do amor moderno e se atualiza sempre que uma relação começa com um &#8220;Eu gosto dele, ele me faz bem, eu sinto um frio no peito&#8221; e fica só nisso, sem olhar o mundo inteiro do outro. Se é para fazer amor, vamos dar, penetrar, meter no mundo inteiro um do outro. E muito desse amor se faz com coisas das quais não gostamos.</p>
<p>Nós, Romeus e Julietas, precisamos crescer e aprender a fazer o que precisa ser feito, para além de nossas teimosias, birras e manhas. Aprender a reconhecer e lidar com a logística do amor com a mesma frequência com que olhamos para nossos sentimentos.</p>
<h1>Um homem alérgico a cortinas</h1>
<p>Pensamos que sabemos a origem de nossos problemas, mas não sabemos. Com perturbações fisiológicas, o diagnóstico não é fácil, imagine com as emocionais e relacionais.</p>
<p>Somos como um homem alérgico e <strong>apaixonado por cortinas</strong>. Ele não desconfia de sua alergia, age movido por &#8220;gosto / não gosto&#8221; e sempre compra mais uma cortina, até para onde não tem janela. Como está sempre espirrando, troca todos os móveis, muda de casa, muda de cidade, rejeita amigos e namoradas, briga com a família, mas nunca abandona as cortinas. Ele vai a psicólogos, <strong>cria teorias sobre por que espirra na frente de tal e tal pessoa</strong>, lista os problemas dos outros pelos quais teria aversão, compra livros do tipo &#8220;Como interpretar seus espirros&#8221;&#8230;</p>
<p>Focamos tanto em nossa subjetividade, nas emoções, no amor romântico, na paixão, em nossos desejos e mimos, que esquecemos do mundo, dos processos, das coisas, da logística. Bastaria a esse homem jogar fora as cortinas para ser feliz em qualquer casa.</p>
<p>Se tal metáfora lhe parece muito distante e caricata, imagine uma pessoa que, por algum motivo, para de trabalhar, tem sua carência potencializada pelo tempo livre, e começa a encontrar problemas na relação, se sentir insatisfeita com a ausência do parceiro, reclamar, brigar, até terminar a relação com uma lista de coisas que o outro não faz, que o outro não é. Tivesse ela voltado a trabalhar&#8230;</p>
<h1>Nossa mente é relacional</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1093" title="james-jean" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/james-jean.jpg" alt="" width="300" height="354" align="left" />O que alimenta esse processo é nosso autocentramento e a ilusão de que existe uma mente fechada dentro de nossa cabeça, em vez de pensamentos e emoções que existem de modo impessoal flutuando como possibilidades por aí, que podem ser incorporadas ou apenas passear livres no espaço que somos. Nossa mente é relacional, ela se expande entre as pessoas, para dentro delas, entre locais e objetos.</p>
<p>Quando surge um problema, <strong>temos certeza de que ele é nosso ou do outro, que está dentro de alguma mente</strong>, não no chão, na cortina, no espaço entre pessoas e coisas. Como nos levamos a sério, vivemos emoções de modo pessoal e usamos nossos dramas para dar sentido à vida, é muito difícil admitir que a maioria dos nossos problemas mais sérios e gigantescos são frutos de detalhes (como uma cortina) e poderiam ser transformados com mudanças simples de logística.</p>
<p>Nossa mente não tem nada dentro. Ela é um olho que se posiciona aqui ou ali – aqui, vê uma perspectiva; ali enxerga outro universo. É por isso que uma cortina pode mudar nossa vida.</p>
<p><strong>Entre um mendigo jogado na rua e eu</strong>, a única diferença é de posição, não de conteúdo mental ou &#8220;personalidade&#8221;. Em menos de uma semana passando frio, sem comer, eu teria os mesmíssimos pensamentos, o mesmo mundo emocional, a mesma personalidade. Possivelmente roubaria ou mataria alguém.</p>
<p>A logística de minha vida, minha rotina, meu trabalho, minhas roupas, meu apartamento, meus deslocamentos,<strong> tudo aquilo que penso não ser eu</strong> é muito mais responsável por minhas experiências do que consigo imaginar. Assim como meu namoro, que não é o laço entre duas subjetividades, mas a interface entre céus, chãos, armários, paredes, computadores, trabalhos, camas, agendas, futuros, passados, famílias, restaurantes, sonhos, banheiros, supermercados, carros, trejeitos, vassouras, panelas, livros, manias, escovas de dente&#8230;</p>
<p><em>* Crédito da imagem acima: <a href="http://www.jamesjean.com/work/2009/Wave+II/1" target="_blank">James  Jean, &#8220;Wave II&#8221; (2009)</a>.</em></p>
<h1>Como namorar com pausas de 2 dias por semana</h1>
<p>O casal que já superou a necessidade excessiva por paixão e romantismo pode focar mais livremente nos recursos e nos fluxos que, de fato, possibilitam que a relação avance. Se ambos ainda estão preocupados com &#8220;Você gosta de mim? Você me ama? Você me deseja?&#8221;, uma conversa sobre morar em casas separadas é inviável. A ironia é que justamente essas mudanças logísticas, que podem provocar insegurança, salvam muitas relações – e, a longo prazo, só aumentam a confiança.</p>
<p>No filme <strong><em>Sex and the city 2</em></strong> (que assisti para comprovar uma ideia que publicarei no PapodeHomem), consegui encontrar uma questão interessante: o marido da personagem principal propõe uma pausa semanal no casamento, 2 dias em que eles ficam em apartamentos diferentes, sem se ligar, fazendo o que quiserem – pelo que entendi, eles tem de se manter fieis, mas não vejo problema em adaptar essa regra. ;-)</p>
<p><a rel="attachment wp-att-1092" href="http://nao2nao1.com.br/logistica-do-amor/sex-and-the-city/"><img title="sex-and-the-city" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/sex-and-the-city.jpg" alt="" width="588" height="270" /></a><br />
<em>&#8220;E aí, querida, saiu com alguém ontem? Comprovou que eu sou melhor ou  vai continuar procurando?&#8221;</em></p>
<p>Basta questionar um pouco as convenções naturalizadas, basta quebrar processos automatizados, reconhecer e mexer na logística, para se surpreender com novos fluxos do amor, novos olhares de desejo, interfaces e toques que nunca foram explorados porque não havia suporte, horário, transporte, cama pra isso.</p>
<p><strong>Casar e morar em casas separadas</strong>: &#8220;Você vem jantar e dormir aqui hoje?&#8221;. Ou dormir em quartos diferentes com duas camas de casal, sendo que às vezes uma delas fica vazia à noite toda. Não criar uma conta conjunta. Não casar, apenas morar junto. Casar e ficar solteiro, sem bloquear novas relações. Fazer regras por brincadeira e não fazer disso mais uma regra (nem dessa frase e nem desse parênteses). Ou fazer e esquecer, como dois caretas convencionais, por que não?</p>
<p>Mais do que isso, em cada detalhe, podemos olhar para as questões logísticas da relação, detectar obstruções e brincar de mover o sofá na nossa sala para ver em que parte do chão ainda não transamos. Aliás, isso de mover juntos o sofá é tão importante quanto transar no chão.</p>
<p>Enfim, possibilidades e mais possibilidades para quem não confia no amor e sabe que <strong>o horário do banho pode acabar com um relacionamento.</strong></p>
<h1>Qual sua experiência com essa logística do amor?</h1>
<p>A galera do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">BIC Comfort 3</a> continua questionando o comportamento do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">homem bem-feito</a> em relação a essas questões que levantei acima.</p>
<p>Eu tenho muita <strong>curiosidade</strong> em saber se vocês já viveram isso. Qual foi o seu &#8220;horário do banho&#8221;? Já viveu  um relacionamento que deu muito certo ou muito errado por causa de um simples detalhe logístico? Já fez alguma mudança simples que alterou todo o curso da relação? <strong>Quais &#8220;sofás&#8221; mudou de lugar?</strong></p>
<p>Deixe sua visão, conte sua história e seguimos a conversa nos comentários aqui.</p>
<p><em>* Post patrocinado. Se quiser acompanhar a ação, assine o Twitter <a href="http://twitter.com/homembemfeito" target="_blank">@homembemfeito</a> e inscreva-se no <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">site www.homembemfeito.com.br</a></em></p>


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		<title>&#8220;Dicas infalíveis de sedução&#8221; e mais 4 respostas aos leitores</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 13:45:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Todos os seus atributos pessoais e seu leque de estratégias. Nada disso interessa para seduzir alguém.</p>
<p>Depois de falar sobre a relação entre pagar a conta e sexo oral e comentar o vídeo da Fernanda Lima com o marido, continuo com nossa série sobre o &#8220;Antes&#8221;. Lembro que vocês podem deixar perguntas sobre o próximo texto no espaço ao lado.&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="kramer" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer.jpg" alt="kramer" width="300" height="250" align="left" /><em>Todos os seus atributos pessoais e seu leque de estratégias. Nada disso interessa para seduzir alguém.</em></p>
<p>Depois de falar sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">a relação entre pagar a conta e sexo oral</a> e comentar o <strong><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post2" target="_blank">vídeo da Fernanda Lima com o marido</a></strong>, continuo com nossa série sobre o <strong>&#8220;Antes&#8221;</strong>. Lembro que vocês podem deixar perguntas sobre o próximo texto no espaço ao lado. No fim deste post, <strong>comento algumas questões que já recebi</strong> sobre sedução e conto qual será o tema seguinte.</p>
<p>A ideia de escrever sobre sedução surgiu com esse comentário ao texto <a href="http://nao2nao1.com.br/como-trair-sua-mulher-com-ela-mesma/" target="_blank">&#8220;Como trair sua mulher&#8230; com ela mesma&#8221;</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Gustavo, queria ver um texto seu sobre sedução e conquista com este método filosófico e inteligente que lhe é característico, visto que os textos sobre isto por aí são todos do tipo “Dicas infalíveis”. –Mario de Souza</p></blockquote>
<p>Dentre várias coisas, abaixo vou falar sobre <strong>a relação entre o orgasmo feminino e doce de mãe</strong>. E como não é tão fácil assim conquistar um homem.</p>
<p>Escolhi o grande Cosmo Kramer como representante da arte de <strong>sedução sem estratégias</strong>. Daí as várias fotos ao longo do post.</p>
<h1>Sedução em relacionamentos longos</h1>
<p>Antes de criticar nossa esperança por &#8220;dicas infalíveis&#8221;, quero explicitar minha abordagem aqui. Em geral, quando falamos em conquista ou sedução, pensamos no universo dos solteiros e dos recém-namorados. Ou, se o discurso se destina a casais mais antigos, toda a abordagem se resume a resgatar a paixão inicial, &#8220;apimentar a relação&#8221;, voltar ao mundo de possibilidades dos recém-namorados. Pois bem, isso não me interessa já que tal abordagem ignora a realidade presente do casal. E mais: mesmo entre os solteiros, ela é ingênua e pouco eficaz, como vou explicar adiante.</p>
<p>Nossa própria definição de &#8220;sedução&#8221; é restrita e enviesada, só contemplando o que acontece no começo, não no meio. <strong>Como se daria a sedução entre duas pessoas casadas há 20 anos ou 30 anos?</strong> E como essa perspectiva poderia aprofundar a dinâmica da sedução entre solteiros?</p>
<h1>Solteiros e casados (ou namorados)</h1>
<p><img title="kramer5" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer5.jpg" alt="kramer5" width="250" height="365" align="left" />Solteiros e solteiras, olhem bem para os casados. Observem <strong>a naturalidade do homem ao tratá-la como sua</strong> e a a confiança dela em se mover pra todo lado sem precisar ser o centro das atenções do parceiro o tempo todo enquanto estão juntos. E então experimentem oferecer a mesma naturalidade e confiança logo no primeiro encontro com qualquer pessoa, afinal essa estranha seria sua mulher por uma noite, esse desconhecido será seu homem por algumas horas.</p>
<p><strong>Casados, olhem para os solteiros.</strong> Ignorem a paixão inicial, aquela coisa de não se desgrudar e se perder em deslumbramento. Notem, porém, a curiosidade de um pelo outro. E então experimentem não saber e se surpreender com o outro e consigo mesmo.</p>
<p>Reparem também na necessidade dos solteiros em conhecer, saber de tudo do parceiro e, por outro lado, no impulso de se descrever e contar todo o passado um para o outro. E se vocês invertessem esse movimento? E se começassem a <strong>se desconhecer</strong>? Eis um caminho quase impossível ao solteiro pois ele encontra prazer no sucessivo conhecer&#8230;</p>
<p>Desconhecer, não saber, não antecipar, não prever as ações do outro. Perguntar sobre o futuro, contar sonhos e vontades, abrir espaço para aquilo que o outro sempre quis ser. E quando essas mudanças ocorrerem (da primeira gravidez ao alzheimer), contemplar aquilo que segue intacto.</p>
<p>Se a sedução inicial está mais ligada ao impulso de agarrar e conquistar (o corpo, a mente, o mundo do outro), a sedução mais experiente é uma espécie de <strong>magnetismo</strong>, um mistério que faz com que ambos sigam juntos e não se afastem como amigos que passam anos distantes. Uma atração que existe desde o começo, confundida com sexo e paixão, e depois de algum tempo pode ser vivida mais diretamente como apenas uma motivação para ficar junto.</p>
<p>Ora, é essa motivação o Santo Graal de qualquer bom Don Juan. <strong>Não uma noite de sexo, mas total entrega.</strong> Não algo pontual, mas o desejo de ficar junto. O que mais queremos, desde a primeira noite, não é provocar tesão, paixão, prazer, admiração, nada disso. É criar magnetismo, a ponto do outro vir em nossa direção mesmo quando não fazemos esforço algum.</p>
<h1>Magnetismo entre o que exatamente?</h1>
<p><strong><img title="speedating" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/speedating.jpg" alt="speedating" width="300" height="200" align="left" />É aí que a coisa fica interessante.</strong> As pessoas não são atraídas por características pessoais e por coisas que fazemos para seduzir. Pelo contrário, quanto mais fizermos e quanto mais características tivermos, menor será a atração. Explico.</p>
<p>Nós pensamos que nosso maior diferencial, o que realmente temos a oferecer, são as características que nos diferenciam dos outros. Tudo aquilo que é pessoal, nossas preferências, gostos, jeitos. Acredite, se fôssemos apenas essas identidades, ninguém ficaria mais do que algumas semanas ao nosso lado. Somos chatos, previsíveis, bobos. <strong>Somos aquele nerd numa mesa de <em>speed dating</em> falando de sua vida por 10 minutos.</strong> Ninguém se interessa!</p>
<p>Nossa sorte é que, além dos aspectos mais pessoais, nós podemos ser o espaço para qualidades impessoais, podemos encarná-las, dar vida a elas quando não perdemos tempo focando em nossas coisinhas. Quando um homem dança salsa com uma mulher, nada ali é pessoal. Tudo pode ser reproduzido em outro casal porque a energia daquilo é algo sempre disponível, não é algo que eles estão inventando ali. E dançar salsa com uma mulher é uma das maiores sacanagens, jogo sujo, quando o assunto é sedução.</p>
<p>Do mesmo modo, <strong>as qualidades que atraem uma mulher são impessoais</strong>: generosidade, destemor, estabilidade, ousadia, inteligência, paciência, bom humor. E as que fazem pirar os homens também: liberdade, entrega, brilho, energia, inteligência, alegria&#8230; São qualidades impessoais disponíveis para homens e mulheres.</p>
<p>Quanto mais pessoais tentamos ser e quanto mais tentamos criar vida e construir momentos e emoções, menos deixamos que a vida aconteça e que as qualidades impessoais sejam incorporadas. Pois é entre tais qualidades maiores do que nós que se dá o magnetismo. Entre condução e entrega, bom humor e alegria, liberdade e brilho, destemor e inteligência. Não entre pessoas, não entre eu e você. Apenas duas pessoas e seus gostos similares não conseguem criar energia, magnetismo, tesão, vontade de <strong>arrancar as roupas</strong> um do outro no meio de um bar.</p>
<p>Parece um milagre, então, o fato de que as pessoas fiquem tanto tempo juntas, mas não tem nada de milagre. Ainda que possamos amar muitos, é inviável sempre começar do zero. Muitas qualidades encontram um solo muito mais fértil e contínuo num casal que avança junto do que em trinta que sempre começam.</p>
<p>Ao vivermos de modo mais impessoal, passamos a <strong>amar aquilo que o outro ainda não é</strong>. Amamos a liberdade do outro de ser e, a partir disso, nos alegramos com cada uma das identidades transitórias que nascem. Amamos o ser futuro, em antecipação. Ora, quem não quer ficar ao lado de alguém que o estimula a mudar e crescer? Eis um dos melhores jeitos de conquistar alguém: agir a favor e se alegrar com a felicidade do outro, principalmente quando ela não tem nada a ver conosco.</p>
<h1>Sem estratégias</h1>
<p><img title="kramer-pirar-na-vida" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer-pirar-na-vida.jpg" alt="kramer-pirar-na-vida" width="250" height="334" align="left" />Diante desse magnetismo impessoal, todos os métodos de sedução (PuA e afins) perdem o sentido. E, sim, minha motivação aqui é ajudar as pessoas a parar de gastar dinheiro com workshops e cursos desse tipo.</p>
<p>O <strong>método supremo de sedução</strong> se resume a não ter estratégias. Esse é o golpe mais baixo que você pode usar com uma mulher. Vá a um encontro sem estratégias, sem esperar sexo, sem tentar beijar, sem tentar alegrá-la, sem se mostrar perfeito, sem tentar nada, sem esforço.</p>
<p>O homem que faz isso sabe que ele não tem poder de criar tesão, amor, paixão, felicidade&#8230; Ele sabe que o magnetismo ocorre naturalmente, como que vindo do céu ou da terra. <strong>Basta que ele não obstrua esse fluxo</strong> com suas tentativas de conseguir algo.</p>
<p>Então ele apenas fica lá e vive, lidando com cada coisa que surge. Se surge timidez, ótimo. A timidez não é problema algum pois ele não está tentando nada. Então ele pode até confessar sua timidez, rir dela com a mulher, fazer um brinde à timidez e então abrir espaço para que outras coisas surjam no lugar da timidez. Não há oposição, luta, desconforto ou ansiedade de mudar, ingredientes que fariam a timidez crescer e imperar.</p>
<p>Ele vai sem a pretensão de fazer a diferença na vida da mulher. É por isso que às vezes as pessoas dizem: <strong>&#8220;Não dê a mínima, não ligue, não mostre que está interessado, aí sim elas ficam loucas&#8221;</strong>. Não é bem a indiferença ou a sensação de que algo mais precisa ser feito para fisgá-lo (ainda que isso exista na superfície), mas é a leveza de ter alguém ao seu lado que não precisa de você e de quem você não precisa. Isso é muito mais excitante do que imaginamos. No fundo, <strong>odiamos quando alguém precisa de nós</strong> e não suportamos quando precisamos de alguém porque sentimos que estamos sendo um incômodo. Desejamos apenas estar, sem nada puxando (de dentro ou de fora). É assim que começa uma boa relação.</p>
<p>Desistir da responsabilidade pela felicidade dos outros. E não só da felicidade. O mesmo processo se aplica ao prazer sexual&#8230;</p>
<h1>&#8220;Como dar prazer a uma mulher?&#8221;</h1>
<p><img title="kramer3" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer3.jpg" alt="kramer3" width="250" height="219" align="left" />Pergunta que recebi no widget lá de cima:</p>
<blockquote><p>&#8220;Como saber como acariciar uma mulher na cintura, seio, pescoço, orelha ou em outro lugar sem ser a vagina ou o clitóris, deixando-lhe louca?&#8221;</p></blockquote>
<p>Parece meio maluco isso, mas <strong>o grande segredo pra dar prazer a uma mulher é não se preocupar em dar prazer a ela.</strong> ;-)</p>
<p>Lembre-se de sua mãe lhe oferecendo aquele doce que ela passou a semana fazendo. Ela corta para você, lhe entrega o prato, senta do seu lado e fica olhando sem piscar enquanto você come. Um inferno, não? Agora lembre como era gostoso pegar esse mesmo doce de madrugada na geladeira. Prazer bom é aquele que surge, não o esperado, planejado, tentado. Não aquele que vem com esforço, necessidade, ansiedade e expectativa.</p>
<p>Cara, as mulheres já são loucas! Você não tem chance alguma se quiser deixá-las loucas. Você não tem esse poder, <strong>desista.</strong></p>
<p>Em relação ao toque, lembre-se de você, de braços esticados, cheio de tensão, quando tocava o peito dela meio que à distância em suas primeiras transas. Pegava na bunda como se fosse algo alienígena. Ou ela que tocava seu pau e não sabia o que fazer. Depois você começou a tocar o corpo inteiro, não apenas o peito, mas tudo, passando pelo peito, claro, não apenas a bunda, mas o corpo. Sem distância, sem medo, relaxado.</p>
<p>Se comparar, o toque é o mesmo, o que muda é nossa presença interna. Pois é isso: aprender massagem e saber <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post2" target="_blank">como usar K-Y</a> com propriedade bem antes da penetração é ótimo, mas o que faz a diferença é o que você oferece internamente com seu toque. E o melhor que você pode oferecer é um amplo espaço, uma abertura relaxada, para que o prazer se instale. Ou seja, quanto mais prazer você estiver sentindo, maior a abertura que vai oferecer para que o prazer surja nela também.</p>
<p><strong>Você não tem o poder de dar prazer pra ninguém</strong>, meu caro.</p>
<h1>&#8220;Como conquistar um homem?&#8221;</h1>
<p><img title="kramer2" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/kramer2.jpg" alt="kramer2" width="250" height="206" align="left" />Outra pergunta que recebi pelo novo widget aqui do blog:</p>
<blockquote><p>&#8220;Gostaria de saber dicas para reconquistar a cada dia mais e mais meu namorado. Em todos os aspectos e não apenas na cama.&#8221;</p></blockquote>
<p>Pois saiba que <strong>a cama é essencial</strong>, muito essencial, não pelo sexo ou pelo prazer, mas pelos reflexos na vida. Quando você ajuda seu parceiro a ser homem na cama, a expressar toda a sua potência, liberdade, criatividade, ele ganha mais confiança para fazer isso na vida. São processos inseparáveis.</p>
<p>Entrega, movimento e liberdade. Na cama e na vida. O melhor jeito de conquistar um homem não é fazer algo, mas se abrir, perder restrições e rigidez. É claro que avançar é bom, propor, ir pra cima. Mas há um processo interno que realmente nos atrai. Listo alguns dos aspectos em formas imperativas, de conselhos mesmo:</p>
<p><strong>1. </strong>Cresça na vida para além de sua relação. <strong>Não coloque sua felicidade nas mãos dele.</strong> Fazendo isso, cultivando energia autônoma, você não terá tanta insegurança, não fará tantas checagens e vai se entregar com mais confiança. E ele não precisará gastar tempo fazendo você feliz, vai crescer em sua própria vida também e oferecer mais presença quando vocês estiverem juntos. Resumo: ele a fará ainda mais feliz. ;-)</p>
<p><strong>2. </strong>Manifeste, do seu jeito, as qualidades do feminino. Descrever quais elas são seria limitá-las, mas explore movimentos, gestos, pensamentos, ideias, formas e sons. Participe de um grupo só com mulheres, integre-se de algum modo à natureza, perca-se em seus próprios rituais, flerte com a arte, brinque, solte-se, mexa os pés de outros jeitos, dance.</p>
<p><strong>3.</strong> Contemple a estabilidade que existe no meio de suas oscilações. <strong>Não descarte as oscilações</strong>, mas contemple a luminosidade incessante de seus movimentos. Fazendo isso, você poderá oscilar ainda mais, usar fúria ou molecagem, sem sofrer e se confundir tanto.</p>
<h1>&#8220;Como melhorar o sexo depois de anos de relacionamento?&#8221;</h1>
<p><img title="seinfled6" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/seinfled6.jpg" alt="seinfled6" width="250" height="238" align="left" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Namoro há quase cinco anos e o sexo entre nós perdeu muito do fogo que tínhamos no início. Entendo que isso seja normal, coisas de convivência. Eu estou certa? É assim que de fato acontece? O tempo dita o ritmo e a coisa esfria? O que fazer para esquentar sem parecer clichê?&#8221;</p></blockquote>
<p>Três ideias pra você:</p>
<p><strong>1. </strong>Sinta essa ansiedade, essa necessidade de mudar, esse desconforto com a situação presente. Veja que é só uma insatisfação, um monte de pensamentos e emoções, uma espécie de luta interna que contrai nosso corpo e trava nossa respiração. Observe que não tem <strong>nada de errado nessa situação</strong> e que nada precisa ser alterado. Se você não observar essa ansiedade e se deixar mover por essa insatisfação, pode esperar muito mais sofrimento pela frente. Se você aprender a repousar, relaxar e respirar, sem tanta urgência em mudar, terá mais nitidez para explorar outros caminhos, ou seja, mudar. ;-)</p>
<p><strong>2. </strong>Não tenha medo do clichê. Nós já somos clichês ambulantes, relaxe.</p>
<p><strong>3. Não foque no sexo.</strong> Se quer mudar o sexo, transforme tudo ao seu redor. Mude sua experiência do mundo e do próprio corpo, sua vida, sua visão, suas dinâmicas internas, seu olhar. E deixe que o sexo surja de outro modo quando ele tiver de surgir. Não force ou tente nada.</p>
<h1>Deixe seu comentário e envie perguntas para o próximo texto</h1>
<p>Como sempre, espaço aberto para conversarmos nos comentários.</p>
<p>O próximo texto será um que rascunhei há dois anos: &#8220;Uma mulher e suas áreas intocadas&#8221;. No widget abaixo (ou lá no topo do site), deixe <strong>suas dúvidas sobre fantasias sexuais, imaginário e reclamações femininas</strong>. Tentarei abordá-las no texto.</p>
<p><iframe src="http://ky.midiadigital.com.br/nao2nao1.php" name="mural" width="300" height="270" marginwidth="0" marginheight="0" Frameborder="0" align="center"></iframe></p>


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		<title>Tensão, conta afrodisíaca, meditação e outros caminhos para o sexo</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 21:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Eu gosto mesmo é de escrever sobre o antes e o depois. O durante eu deixo pra aprender e viver.</p>
<p>Quem se enrola todo no &#8220;antes&#8221;, quem não consegue ficar muito no &#8220;durante&#8221; ou quem sofre no &#8220;depois&#8221; às vezes me escreve pedindo conselhos. Minha última missão secreta foi ajudar o casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert. Deu certo,&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1" target="_blank"><img title="fernanda-lima-ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/fernanda-lima-ky.jpg" alt="fernanda-lima-ky" width="588" height="250" /></a></p>
<p>Eu gosto mesmo é de escrever sobre o antes e o depois. O durante eu deixo pra aprender e viver.</p>
<p>Quem se enrola todo no &#8220;antes&#8221;,<strong> quem não consegue ficar muito no &#8220;durante&#8221;</strong> ou quem sofre no &#8220;depois&#8221; às vezes me escreve pedindo conselhos. Minha última missão secreta foi ajudar o casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert. Deu certo, eles superaram os problemas e até gravaram uma de suas noites (<a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1" target="_blank">vocês viram no YouTube?</a>). O vídeo completo pode ser visto no site <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1" target="_blank"><strong>www.vivaoprazeradois.com.br</strong></a></p>
<p>Eu já gravei algumas noites também e não entendo como eles conseguiram ficar tanto tempo sorrindo e se empurrando&#8230; Minha calça jeans é bem menos resistente à massagem com K-Y do que essa aí do Rodrigo. ;-)</p>
<p>Parando com a brincadeira, vou compartilhar agora com vocês algumas visões sobre o &#8220;Antes&#8221;. <strong>Serão 4 textos e vocês poderão fazer perguntas no widget aí do lado.</strong> Eu explico mais no fim desse post. Além disso, no <em>PapodeHomem</em> você encontrará textos sobre o &#8220;Durante&#8221; e, no <em>Manual do Cafajeste</em>, sobre o &#8220;Depois&#8221;.</p>
<h1>Que &#8220;antes&#8221; é esse?</h1>
<p>Quando pensamos em &#8220;antes&#8221; e não associamos de imediato a preliminares (que faz parte do &#8220;durante&#8221;, certo?), surgem cenas de jantares, massagens e tudo aquilo que as revistas de comportamento nos ensinam. No entanto, <strong>o que vem antes do &#8220;antes&#8221;?</strong> Quais momentos e dinâmicas que não apenas levam diretamente ao sexo, mas que o intensificam a longo prazo?</p>
<p>Mais ainda, o &#8220;antes&#8221; é muito vinculado a solteiros, paixões, conquistas e começos. Para casais com um relacionamento longo, o &#8220;antes&#8221; vem ilustrado com pimentas ou como um resgate da paixão inicial, num discurso para quase-solteiros que ignora a riqueza e as especificidades de uma longa relação. É por isso que vou falar para esses casais – sabendo que os solteiros saberão muito bem aproveitar as ideias. ;-)</p>
<h1>O olhar que eleva</h1>
<p>Muito se fala da troca de olhares sedutores, mas ela é natural se houver uma outra troca de olhares mais constante na relação.</p>
<p>Imagine um gerente que tenha sido vítima de fofocas malignas chegando para coordenar sua equipe. Sem autoridade, <strong>diminuído</strong>, ele se sente completamente impotente, perdido, incapaz de agir. Eis uma caricatura do que acontece quase diariamente com muitos casais.</p>
<p>Lembro de uma vez ouvir um cara falando todo empolgado da faculdade que estava voltando a fazer. Sua noiva o interrompia minuto a minuto para dizer que aquilo não fazia sentido e (em tom de brincadeira) que seria brochante namorar um calouro. Tais afirmações, de pouco em pouco, terminam por minar a potência do homem e, do outro lado, a vitalidade feminina.</p>
<p>Se a mulher não admirar e não sentir a potência de seu parceiro, <strong>ela nunca vai ajoelhar</strong> e coordenar cabeça, mãos, lábios e língua para nossa diversão. Se o homem não apreciar e não estimular as qualidades de sua mulher, ele nunca vai realmente sentir vontade de pegá-la no colo e dizer, com a boca cheia, &#8220;Eu te amo&#8221;.</p>
<h1>A tensão que sustenta o sexo</h1>
<p>Na música, quando desejamos aumentar a sensação da cabeça do tempo (o &#8220;1&#8243;), em vez de colocar todos os instrumentos com força nesse ponto, jogamos a intensidade para o contratempo (o &#8220;2&#8243;). Se você atentar para o surdo do samba, ficará nítido que o &#8220;Bum&#8221; maior acontece no contratempo. É por causa desse contraste, dessa tensão entre tempo e contratempo que a música fica gostosa. A ênfase no &#8220;2&#8243; só valoriza e traz mais à tona o &#8220;1&#8243;.</p>
<p>Na dança de salão, <strong>é a tensão entre as mãos que possibilita a condução</strong>. Se a dama não faz um pouco de força contra a mão do parceiro, quando o cavalheiro tenta levá-la para um passo, apenas sua mão se desloca. Se há tensão, o corpo feminino inteiro se move ao mínimo gesto da mão masculina.</p>
<p>Quando um homem não é facilmente fisgado, quando treina a arte da imobilidade, ele propõe uma tensão diante do movimento feminino. Ele não fica no mesmo local, não avança na mesma direção que ela, então ambos se polarizam e magnetizam. É como um strip tease: se ele não aguenta a ansiedade logo nos primeiros minutos e se move, o strip tease acaba; se ele relaxa imóvel, ela começa a dançar e provocar cada vez mais.</p>
<p>Em geral, o homem que propõe pouca tensão em sua relação é justamente o homem que acumula muita tensão interna. É por isso que o orgasmo é visto como uma necessidade e é por isso que ejaculação precoce é mais comum do que imaginamos. Se conseguimos relaxar nessa tensão relacional, se nos opomos de maneira complementar (<strong>feminino e masculino como tempo e contratempo</strong>), a energia do casal aumenta junto com as possibilidades de brincadeira – na cama e na vida.</p>
<h1>A conta afrodisíaca</h1>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1" target="_blank"><img title="conta" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/conta.jpg" alt="conta" width="300" height="201" align="left" /></a>Afrodisíaco mesmo é pagar a conta. O prato é o de menos.</p>
<p>Pagar a conta (e mil outras coisas, como não ejacular) cria a <strong>sensação  de débito</strong>, não de cobrança. O processo é sutil e pode ocorrer mesmo quando <em>ela</em> paga a conta. Em vez de usarem esse jogo como manipulação, explicitem-no, falem disso entre si, brinquem com esses processos todos pois eles não perdem a força depois de revelados, só ganham mais ludicidade. Solteiros parecem fazer isso (usar a lógica bancária para contabilizar e comparar orgasmos, por exemplo) mais do que casados, infelizmente.</p>
<p>Ela insiste em pagar; ele não aceita a grana de modo algum. Ela espera um avanço dele para rolar sexo; ele diz que o jantar foi sensacional, deixa um chocolate na mão dela e se vai porque precisa trabalhar. Aí ele respira e sente a alegria de ter feito isso, algo muito melhor do  que a ansiedade de esperar algo em troca. Ele passa o dia seguinte com esse espírito e depois a encontra ainda com mais presença, energia vital, olhar penetrante.</p>
<p>Com esse movimento sem autocentramento, ele cria uma pergunta dentro dela, um <strong>&#8220;Como assim?&#8221;</strong>. E então ela começar a se movimentar, a fazer a energia circular, a imaginar, sonhar, falar, dançar ao seu redor. Como está em débito, ela age.</p>
<p>Podemos experimentar aumentar a sensação de débito ao  limite, não deixar que elas paguem. Sem receber, apenas respiramos. E  elas dançam mais e mais. Se recebemos, o <strong>desnível</strong> desaparece e a  água repousa. Se há desnível, alguém sempre corre atrás, há rio, movimento,  dança. A água nunca para. E então o pagamento vem e uma hora aceitamos. Por que será que criaram a expressão &#8220;pagar boquete&#8221;?</p>
<h1>Meditação como preliminar</h1>
<p>Não, não me refiro a Osho, sexo tântrico, DeRose, ioga a dois, nada disso. É claro que melhorar o sexo não é o objetivo da meditação, mas é um efeito inegável.</p>
<p><strong>Menos diálogos internos</strong>, mais abertura ao exterior. Menos confusão, mais direcionamento. Menos dispersão, mais energia. Mais compaixão, mais generosidade. Mais sabedoria, menos limitações, regras, crenças e visões estreitas. Junte um corpo com energia a uma mente generosa numa relação livre e me diga o resultado.</p>
<h1>Jogos e brincadeiras</h1>
<p>Depois de algum tempo, a energia do sexo fica obstruída pela forma, estrutura, logística. É como se ficássemos <strong>muito tempo tocando a mesma música</strong>: uma hora perdemos o sentido das letras e a vivacidade de cada nota. Como não conseguimos movimentar a energia diretamente (sem forma alguma), focamos na forma e não percebemos quando a energia some.</p>
<p>Um meio hábil poderosíssimo nesse caso é a brincadeira. Explorar outras formas e ver o que acontece, apenas isso. Pode ser algo simples como <strong>o jogo dos 11 minutos</strong>. Ele fica imóvel por 11 minutos enquanto ela se diverte como quiser, depois ela fica imóvel&#8230; Um celular, um gel de massagem e pronto. Eu gosto do K-Y 2 em 1 porque consigo fingir que estou massageando enquanto preparo outra coisa.</p>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1"><img class="alignnone size-full wp-image-867" title="ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ky.jpg" alt="ky" width="588" height="281" /></a><br />
<em>Você consegue ser mais ousado que <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post1" target="_blank">eles</a>, né?</em></p>
<p>Pode ser fazer um <strong>pornô caseiro</strong> (ou tirar fotos contra o espelho do banheiro). Apenas apertar &#8220;Rec&#8221; e o sexo já muda. Pode ser qualquer meio hábil que eu já sugeri aqui. Ou dizer que vai trabalhar e, se ela quiser atenção, que saiba verdadeiramente desconcentrá-lo. Pode ser qualquer coisa que insira um elemento lúdico, pois o sexo não é senão uma das brincadeiras primordiais.</p>
<h1>Deixe suas perguntas para o próximo texto&#8230;</h1>
<p>O próximo texto falará de <strong>dicas de sedução para casais</strong>. Como sempre, não esperem uma abordagem convencional e já desconfiem da palavra &#8220;dicas&#8221;.</p>
<p>Pelo widget abaixo, deixe suas perguntas sobre conquista e sedução em geral (aceito de solteiros também). Pretendo contemplar muitas das questões levantadas nesse texto.</p>
<p><iframe src="http://ky.midiadigital.com.br/nao2nao1.php" name="mural" width="300" height="270" marginwidth="0" marginheight="0" Frameborder="0" align="center"></iframe></p>
<p>Além das perguntas para o próximo, o espaço fica aberto (como sempre) nos comentários para suas visões e experiências sobre o post que vos fala. Peço apenas que não comentem com perguntas. Usem o <strong>widget acima</strong> para isso.</p>


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		<title>Entrevista sobre divórcio, separação, apatia, abandono e os arredores do fim</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 15:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Fim]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista Uma, depois saiu no UOL Comportamento e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: &#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/quando-a-separacao-e-virtuosa/' rel='bookmark' title='Quando a separação é virtuosa?'>Quando a separação é virtuosa?</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A princípio era uma entrevista curta para a revista <em>Uma</em>, depois saiu no <strong>UOL Comportamento</strong> e eu só descobri ontem, avisado por uma leitora. Parte de minhas falas estão nessa matéria: <a href="http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultnot/2010/01/27/sinais-dicas-e-historias-de-quem-se-separou-e-sobreviveu.jhtm" target="_blank">&#8220;Sinais, dicas e histórias de quem se separou e sobreviveu&#8221;</a>.</p>
<p>Abaixo deixo tudo o que disse quando entrevistado e mais um pouco que adicionei agora.</p>
<p>Sugestão de trilha sonora:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/So1wnXYDOrk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<blockquote><p>&#8220;All the world just stopped now<br />
So you say you don&#8217;t wanna stay together any more [...]<br />
All the world is danglin&#8217; danglin&#8217; danglin&#8217; for me darlin&#8217;<br />
You don&#8217;t know the power that you have with that tear in your hand&#8221;<br />
–<a href="http://www.youtube.com/watch?v=7Nuxp8Rgryk" target="_blank"><strong>Tori Amos</strong></a></p></blockquote>
<h1>Homens e mulheres encaram o divórcio de maneiras diferentes. Por quê?</h1>
<p>É dolorido para ambos, mas eu vejo uma certa desenvoltura nas mulheres pelo fato de que a energia delas rapidamente brota novamente em outra direção, geralmente ao lado de um novo homem. Talvez seja mais fácil para elas pois a postura feminina é a de ser envolvida, conquistada, conduzida. E isso pode acontecer na semana seguinte ao divórcio.</p>
<p>Ao mesmo tempo, vejo muitos homens incapazes de se relacionar com outras, passando um longo tempo <strong>apegados à ex-mulher</strong>, impotentes, sem conseguir criar novas relações duradouras. Mesmo com sexo casual, muitos permanecem infelizes até conseguirem avançar, amar e realmente penetrar outra mulher.</p>
<h1>É comum a pessoa sentir como um luto o fim de um relacionamento?</h1>
<p>Sem dúvidas. O fim de um relacionamento é uma morte assim como o começo deu nascimento a uma identidade (&#8220;o namorado&#8221; ou &#8220;a esposa&#8221;), com todo um modo de ser, uma linguagem, um olhar,<strong> um mundo inteiro</strong> que foi co-construído sob o olhar do outro. Com o fim, esse mundo desmorona. Não é por acaso que nos falta ar, emagrecemos e fica difícil encontrar energia para sair da cama. Essa energia estava vinculada a uma <a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-mascaras-rotulos-e-essencias/" target="_blank">identidade</a> que não mais existe, daí a necessidade de um renascimento, que às vezes leva tempo.</p>
<p><img src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/homem-sem-sombra.jpg" alt="&quot;Então, to achando que ela levou coisas demais quando foi embora&quot;" width="300" height="250" align="left" /></p>
<p>Nosso parceiro funciona como uma fonte de luz. Quando a relação acaba, a sensação é de perder nossa substancialidade. Viramos <strong>uma pessoa sem sombra</strong>.</p>
<p>O importante é perceber que sofremos não porque o outro não mais nos ama, nos traiu ou abandonou, mas porque nos sentimos incapazes de amar e nos relacionar com outra pessoa. Assim que essa capacidade retorna, o sofrimento se esvai.</p>
<p>A explicação para isso é simples: <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">não somos apegados a pessoas ou relações</a>, mas a experiências positivas nas quais nossa energia flui. O cara pode passar anos sofrendo pela ex-mulher, mas tudo se dissolve quando uma outra mulher vem e faz a coisa toda andar de novo. Ele não estava querendo a mulher de volta, <strong>ele queria a sua ereção de volta</strong>: o brilho no olho, a rotina do casamento, a companhia, o tesão de viver, a experiência, o mundo, o pacote completo.</p>
<p>Quando nosso parceiro vai embora e saímos correndo, nós não estamos mirando o outro, não queremos resgatar seu amor. Não é bem isso que desejamos voltar a possuir. Nós saímos correndo atrás de nossa identidade decepada, dos sonhos interrompidos, do prazer obstruído, da nossa própria sombra que o outro projetava, da nossa pele, do que surgia em nós quando o outro estava por perto. Saímos correndo atrás de nós mesmos!</p>
<h1>Quais conselhos que você daria para uma pessoa que acaba de terminar um relacionamento longo?</h1>
<p>Um dos melhores caminhos é focar em estabelecer uma vida rica de experiências positivas. Quando meu último relacionamento terminou (5 anos, 3 como casados), procurei passar um tempo sozinho e alinhar meu direcionamento na vida. Aprendi dança de salão, meditei mais regularmente, me envolvi com projetos mais amplos, comecei um site para ajudar outros em seus relacionamentos&#8230;</p>
<p>Outro lance fundamental é ativar o corpo. Correr, malhar, tocar algum instrumento musical, aprender alguma arte marcial, tai chi, ioga, esportes de qualquer tipo. A abordagem cerebral pouco adianta. É no corpo que a vida acontece.</p>
<p>A chave para superar a sensação de abandono é descobrir quais são <strong>suas habilidades</strong> e oferecê-las ao mundo, beneficiando e movimentando o máximo possível de pessoas em direções positivas.</p>
<p>Se a pessoa se envolver com outros por carência, ela continuará se sentindo carente, mesmo depois de passar 30 noites com parceiros diferentes. Se ela começar a se mover com liberdade e autonomia, se começar a oferecer experiências aos outros, uma noite é suficiente para deixá-la feliz ao ver felicidade nos olhos do outro. É esse o tipo de felicidade que nos satisfaz: a que causamos nos outros, não a que recebemos.</p>
<h1>Como saber se o casamento ou namoro está indo para o fim?</h1>
<p>Antes das brigas e desentendimentos, ou antes mesmo de acabar a criatividade do casal em viver coisas novas e avançar na relação, ocorre uma <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=apatia&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank"><strong>apatia</strong></a>. É esse o primeiro sinal: ausência de energia, disposição e brilho nos olhos, tudo aquilo que mais estava presente no começo, <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia-parte-3/" target="_blank">no estouro da paixão</a>.</p>
<p>Em geral, é um processo que ocorre com ambos, <a href="http://nao2nao1.com.br/amar-e-conhecer-a-cor-do-olhar/" target="_blank">que se olham</a> de modo opaco. Assim eles ficam mais feios um ao outro e menos generosos. Ele se dão menos crédito, não mais se elogiam ou se estimulam a crescer, não mais se contemplam à distância com admiração.</p>
<p>Conflitos vários, falta de sexo, beijos e sonhos ausentes são só consequência. Sintomas que aparecem bem depois da apatia inicial.</p>
<p>Costumamos achar que o amor morre quando paramos de receber, mas ele já está morto bem antes, quando paramos de oferecer. Tanto é que, para decidir se voltamos ou não, naquelas infindáveis conversas cheias de exigências, achamos que a relação só pode continuar se o outro fizer certas coisas, se recebermos certas coisas, então o acordo se dá assim: &#8220;Eu quero receber isso, ok? O que você precisa receber de volta?&#8221;.</p>
<p>Quando começamos a culpar o outro pelo nosso próprio sofrimento, pronto, eis o <strong>alerta vermelho</strong>. Daí para o fim é um pulo.</p>
<p>O antídoto para a apatia não é &#8220;manter o fogo&#8221;, prolongar a paixão inicial, &#8220;apimentar a relação&#8221;. Focar no próprio relacionamento, <a href="http://nao2nao1.com.br/9-dicas-para-casais-que-moram-juntos/" target="_blank">usar a criatividade</a>, explorar fantasias, viajar junto; tudo isso funciona, claro, mas não dá para manter tal frescor por muito tempo. O antídoto para apatia em um casal encontra-se na vida dele e na vida dela, não tanto no próprio casal. Está mais no &#8220;Eu&#8221; e menos no &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p>Se ele se movimenta de modo positivo, se tem brilho nos olhos, se enriquece a vida dos outros, se anda no mundo com uma visão ampla. Se ela está sempre em desenvolvimento, cada vez mais inteligente, radiante e livre, se dança pelo mundo, se também tem <a href="http://nao2nao1.com.br/?s=brilho+nos+olhos&amp;x=0&amp;y=0" target="_blank">brilho nos olhos</a> e sentido na vida. <strong>É isso o que livra o casal da apatia:</strong> a energia que eles movimentam por si só, sem o apoio do outro. É essa a energia que eles trazem para a relação, que se multiplica quando vira &#8220;Nós&#8221;.</p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Se você busca um texto sobre o Dia Internacional da Mulher, aqui está: <a href="http://papodehomem.com.br/a-mulher-e-seus-desconhecedores/" target="_blank">&#8220;A mulher e seus desconhecedores&#8221;</a>. E se você busca algo sobre budismo e ciência, aqui está <a href="http://bodisatva.com.br/instituto-mind-life-o-melhor-da-ciencia-com-o-melhor-do-budismo/" target="_blank">meu post sobre o instituto Mind &amp; Life</a>.</em></p>


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