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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Filmes e vídeos</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>Vídeos da entrevista para o Casal Sem Vergonha</title>
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		<comments>http://nao2nao1.com.br/videos-da-entrevista-para-o-casal-sem-vergonha/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 00:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes e vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>É sempre bom ter algum trabalho que dá vergonha, especialmente para pessoas orgulhosas. No meu caso, o embaraço vem de falar sobre relacionamentos. Quando algum leitor escreve agradecendo é ótimo, claro. O problema é aquele diálogo chato num jantar com o sogro, com seu avô, com a americana de 60 anos que faz Taketina ou mesmo com aquele amigo&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/ill-be-there-for-you-alguem-ainda-acredita-no-bon-jovi/' rel='bookmark' title='&#8220;I&#8217;ll be there for you&#8230;&#8221; Alguém ainda acredita no Bon Jovi?'>&#8220;I&#8217;ll be there for you&#8230;&#8221; Alguém ainda acredita no Bon Jovi?</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/o-casal-que-ri-de-si-mesmo-senso-de-humor-e-seriedade-nas-relacoes/' rel='bookmark' title='O casal que ri de si mesmo (1): senso de humor e seriedade nas relações'>O casal que ri de si mesmo (1): senso de humor e seriedade nas relações</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1250" title="casalsemvergonha" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/10/casalsemvergonha.jpg" alt="" width="589" height="250" /></p>
<p>É sempre bom ter algum trabalho que dá vergonha, especialmente para pessoas orgulhosas. No meu caso, o embaraço vem de falar sobre relacionamentos. Quando algum leitor escreve agradecendo é ótimo, claro. O problema é aquele diálogo chato num jantar com o sogro, com seu avô, com a americana de 60 anos que faz Taketina ou mesmo com aquele amigo mais sincero:</p>
<blockquote><p>&#8220;Escreve sobre relacionamentos? Sério? E ganha dinheiro com isso? Você? Mas você tira conselho de algum livro, é isso?&#8221;</p></blockquote>
<p>Quando descobrem que escrevo sobre sexo ou, pior, chegam a começar a leitura de algum texto específico, pronto, a vergonha é ainda maior. Como explicar para uma mulher de respeito que você faz aquilo com a filhinha dela&#8230; Vira aquela coisa que ninguém mais comenta depois de algum tempo. Por respeito, bons modos, etiqueta.</p>
<p>O fato é que eu também me vejo de fora e tenho<strong> vergonha alheia de mim mesmo</strong>, especialmente quando tem um vídeo para facilitar.</p>
<p>Recebi o convite da Jaque e do Eme, que estão com o projeto <a href="http://casalsemvergonha.wordpress.com/" target="_blank">Casal Sem Vergonha</a>, fui com minha namorada para o parque na frente da MTV, sentei num banco, passei o microfone por baixo da camiseta e comecei a falar. Em uma hora e meia de papo, confirmei: perdi a noção, o bom senso, a vergonha. Espero retomá-la em breve, claro. E meu tratamento inclui mostrar esse vídeo para vocês, ainda que muita coisa tenha sido cortada na edição – para o bem mais do que para o mal.</p>
<h1>Parte 1: sobre relacionamentos</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gW44mntxBm4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/gW44mntxBm4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=gW44mntxBm4" target="_blank"><em> Link YouTube </em></a></p>
<p>Principais temas:</p>
<ul>
<li>Amor como presença e ação, não como sentimento.</li>
<li>Crítica às noções de sinceridade e confiança.</li>
<li>Traição e sofrimento.</li>
<li>Impermanência e relações duradouras.</li>
<li>Sobre a resposta padrão para qualquer problema de relacionamento.</li>
</ul>
<h1>Parte 2: sobre sexo</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/u95jdiuaF10?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/u95jdiuaF10?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=u95jdiuaF10" target="_blank"><em>Link YouTube</em></a></p>
<p>Principais temas:</p>
<ul>
<li>Blog pra comer mulher.</li>
<li>Prazer impessoal (como um rio).</li>
<li>Níveis de orgasmo.</li>
<li>Crítica à noção de posição sexual.</li>
<li>Masculino e feminino.</li>
<li>Etiqueta para o sexo anal.</li>
</ul>
<p>O Casal Sem Vergonha tem outros vídeos no <a href="http://www.youtube.com/user/casalsemvergonha" target="_blank">YouTube</a>. E o Twitter deles é <a href="http://twitter.com/ksalsemvergonha" target="_blank">@ksalsemvergonha</a>. Agradeço pelo convite!</p>
<p><strong>P.S.:</strong> Como os textos do Não2Não1 demandam muito tempo, tenho escrito coisas mais curtas em outros sites. Coisas que me dão menos vergonha&#8230; ;-)<br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-o-samba-de-gafieira-nos-ensina-sobre-o-tal-do-homem-perfeito/" target="_blank">O que o samba de gafieira nos ensina sobre o tal do “homem perfeito”</a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/por-que-as-mulheres-estao-cada-vez-mais-se-exibindo/" target="_blank">Por que as mulheres estão cada vez mais se exibindo?</a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/brilho-nos-olhos-malicia-espiritual-e-furia-mansa/" target="_blank">Brilho nos olhos, malícia espiritual e fúria mansa</a><br />
• <a href="http://malvadas.org/2010/10/posicoes-ou-posturas-sexuais/" target="_blank">Posições ou posturas sexuais? </a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/o-boquete-que-ninguem-ve/" target="_blank">O boquete que ninguêm vê</a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/pagar-a-conta-manual-de-conduta-com-amigos-e-mulheres/" target="_blank">Pagar a conta: manual de conduta com amigos e mulheres</a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/as-8-preocupacoes-mundanas/" target="_blank">As 8 preocupações mundanas</a><br />
• <a href="http://papodehomem.com.br/um-experimento-de-percepcao-para-explodir-sua-cabeca/" target="_blank">Um experimento de percepção para explodir sua cabeça</a><br />
• <a href="http://formspring.me/gustavogitti" target="_blank">Respostas no Formspring</a>.</p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A trilha sonora inaudível dos relacionamentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 12:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a playlist por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (&#8220;11 canções para amar mais&#8221;), mas agora me interessa a trilha sonora que não ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/tudo-aquilo-que-voce-nao-queria-ouvir-sobre-relacionamentos/' rel='bookmark' title='Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos'>Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos</a></li>
<li><a href='http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-mente-ou-retiro-de-meditacao/' rel='bookmark' title='Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)'>Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1204" href="http://nao2nao1.com.br/a-trilha-sonora-inaudivel-dos-relacionamentos/trilha-sonora/"><img class="alignnone size-full wp-image-1204" title="trilha-sonora" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/08/trilha-sonora.jpg" alt="" width="589" height="250" /></a></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a <em>playlist</em> por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (<a href="http://blog.ianblack.com.br/2009/09/07/11-cancoes-para-amar-mais/" target="_blank">&#8220;11 canções para amar mais&#8221;</a>), mas agora me interessa a trilha sonora que <strong>não</strong> ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar a influência da música em uma experiência. Já adianto que meu foco está nas outras estruturas que atuam sobre nós de modo bastante similar ao som.</p>
<h1>Trailer de <em>Dumb &amp; Dumber</em> com trilha de <em>Inception</em></h1>
<p>Hans Zimmer construiu uma obra-prima para a trilha sonora de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank"><em>Inception</em></a> (aqui &#8220;A origem&#8221;), responsável por boa parte da experiência proposta por Christopher Nolan. Um bando de gênios com tempo livre logo reconheceu a qualidade da trilha e criou <em>mashups</em> de todos os tipos. Para você ter uma ideia, o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WxzYNbYHT8s" target="_blank">fim de <em>Lost</em> reeditado</a> com a música do fim de <em>Inception</em> talvez tenha ficado melhor que o original. ;-)</p>
<p>Em uma dessas brincadeiras, pegaram o áudio do trailer de <em>Inception</em> e montaram um trailer para o filme <em>Dumb &amp; Dumber</em> (&#8220;Débi &amp; Lóide&#8221;). O resultado: <strong>todas as cenas são ressignificadas</strong>. Se não conhecêssemos o original, nunca desconfiaríamos que trata-de de uma comédia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="356" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="356" src="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zLDx-BPgxxA" target="_blank">Link YouTube</a> | Mesmo conhecendo o filme e o truque, vemos as cenas mudando de textura, pra valer.<br />
</em></p>
<h1>Música, essa regente de mentes</h1>
<p>Antes de sair do âmbito do som, vamos detalhar um pouco mais o que acontece no cinema.</p>
<p>Depois dos créditos iniciais, ainda nos sentimos sentados na poltrona, sem grandes alterações. À medida que o filme avança, um mundo vai sendo criado. A missão do diretor é nos arremessar para dentro dessa realidade, até que nosso coração, nosso pulmão, nossas <strong>glândulas lacrimais</strong> estejam reagindo a cada <em>frame</em>. Sabemos de todo o truque, o que por muitas vezes não nos impede de cair no sonho proposto, de ter nossa mente conduzida.</p>
<p>Claro, apenas imagens não são suficientes para nos fisgar. É a música que direciona o olhar, que situa, que define a textura de cada imagem. Quando a trilha sonora funciona, ela não é percebida como um som específico, como música vinda de instrumentos. Nada disso. Na cena que nos envolve, a música age por trás do olho, como se carregasse no corpo. Se tal processo lhe parece óbvio, me antecipo: comece a pensar em como outras estruturas fazem a mesma coisa conosco fora do cinema, sem precisar de música alguma.</p>
<p>A mesma cena pode ser de terror, suspense, ação, comédia, drama&#8230; Para cada cena definida, temos incontáveis trilhas possíveis, ou seja, incontáveis experiências, universos de significação. Se a cena pré-existisse com algum sentido inerente e tivesse a música como complemento, isso não aconteceria. O caso é que a cena já surge com a trilha e assim construímos nossa experiência, já direcionados pela música, quase incapazes de sequer imaginar como seria a mesma cena de outro modo, sob o efeito de outra trilha sonora.</p>
<p>Para enfatizar essa percepção, basta <a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">colocar duas músicas no iPod</a> e sair para andar na Avenida Paulista. Pode ser &#8220;Gold dust&#8221;, da Tori Amos, e depois &#8220;Love generation&#8221;, do Bob Sinclair. Ou alguma da trilha de <em>Into the wild</em> seguida de outra da trilha de <em>Where the wild things are</em>. Qual das duas cenas é a verdadeira? <strong>As pessoas estão andando rápido mesmo ou é apenas a sensação da música?</strong> Elas parecem estranhas e distantes? Próximas e amigas?</p>
<p>Ou você pega um conflito e tenta extrair visões a partir de músicas, não de letras, mas da ambiência criada por cada música, dos olhares que elas proporcionam. Ouve uma e sente compaixão, redenção, compreensão do mundo do outro. Chora. Ouve outra e sente ódio, raiva, indignação. Uma música desenha um monstro. Outra revela um herói ferido.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IdeG1rSzqLk" target="_blank">Link YouTube</a> | Bobby McFerrin fazendo milagre com a ária mais bonita de Bach.</em></p>
<p>E então você enfim chega à pergunta essencial desse percurso que descrevo: <strong>&#8220;Qual música já estava tocando bem antes de eu colocar os fones?&#8221;.</strong> Ou: &#8220;Se eu conseguisse aumentar o volume da minha mente, que tipo de música eu ouviria?&#8221;.</p>
<h1>Melodias internas que não ouvimos</h1>
<p>A trilha sonora sempre existe, com ou sem música de fundo. É como se estivéssemos colorindo as cenas da vida o tempo todo com nossos instrumentos musicais invisíveis e nossa tendência a diretor, compositor, cineasta. Estamos dirigindo, filmando, posicionando câmeras, editando, roteirizando, decupando, perfumando, prestando atenção na continuidade e, claro, ajustando a trilha sonora, quadro a quadro.</p>
<p>Isso tudo fora o personagem. Além de viver, envolvemos o vivido em um mundo de sentido, em uma história que inventamos o tempo todo sem saber.</p>
<p>Mais do que uma metáfora, é precisamente esse o nosso funcionamento! A cada momento, encaramos as coisas com algum pré-roteiro, alguma predisposição melódica, uma ou outra preferência estética. <strong>As músicas, essas de som, só aumentam o volume das trilhas inaudíveis</strong>, mas elas sempre  estão presentes, caso contrário as músicas nesse post não fariam  absolutamente nada com sua mente.</p>
<h1>Cena: uma namorada e um cara tomando banho</h1>
<p><strong>A namorada sobe. </strong>Ele está no banho, atrasado. Saiu apenas para abrir a porta e logo voltou. Se esse será um filme pornô ou um drama existencial, bem, não está na cena a definição, mas na trilha sonora.</p>
<p>Ela pode passar por esse momento já imaginando como seria entrar no banho. Ou esperar pelo namorado <strong>nua na cama</strong>. Da ideia à prática é um pulo. Ela também pode viver essa mesma experiência, sem objetivamente mudar nada, como uma aflição, irritada porque ele está demorando de novo, não se aprontou antes de novo, não a valoriza mais&#8230; Esse outro filme continua com ela sentada no sofá, impaciente, <strong>emburrada</strong> quando ele sai do banheiro.</p>
<p>Se analisarmos apenas o banho desse cara, não há diferença entre as duas cenas. Não há nada no banho dele que ative uma ou outra resposta em sua namorada. É o modo com que ela olha para o banho que constrói o filme todo. A posição da câmera, o foco na edição, o ritmo da trilha que ela não ouve, mas que não cessa de movê-la. Até mesmo sua experiência de tempo (o banho vai durar minutos ou décadas?) é definida por essa trilha oculta.</p>
<p>Mais ainda, uma vez que ele fecha a porta e religa o chuveiro para terminar o banho, a experiência explode com tudo, deixando inacessíveis todas as outras possibilidades: trilhas, edições, ângulos que ela não escolheu. É por isso que, sob a perspectiva da namorada, parece que o banho é aquilo mesmo que lhe parece, do jeito que surge, com a textura ali manifesta. Se ela está irritada, tem toda razão: ele, de fato, deveria ter se arrumado antes. Se está excitada, perfeito: ele vai sair do banho louco para comê-la antes de se vestir.</p>
<p>Nossa tragédia começa no ocultamento dos filmes que deixamos de viver por causa das trilhas que continuamente tocamos, das edições instantâneas, ângulos de cada olhar, <strong>roteiros que seguramos debaixo do braço</strong>. O filme que surge parece o único possível, como se viesse pronto, lá de fora, como se não tivesse o nosso nome nos créditos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nvs7ogxkOIA" target="_blank">Link YouTube</a> | Esse cara pegou a melhor música da trilha de &#8220;The straight story&#8221; (do mestre Angelo Badalamenti) e botou em cima de cenas de seu bairro. Olha o resultado, dá até vontade de ir lá conhecer. Aliás, é assim que a gente se apaixona: colocamos pra tocar a nossa melhor música em cima de alguém, que por acaso ficou algum tempo por perto. A paixão é essa aura. Como é nossa melhor música, vemos o melhor do outro e acabamos expondo o nosso melhor. Quer dizer, até outras trilhas começarem a tocar o terror&#8230;<br />
</em></p>
<h1>Brincando de cineasta</h1>
<p>Não há nada de errado nesse processo de construção cinematográfica da vida (e me refiro à própria percepção de cada fenômeno, não a alguma espécie de romantização posterior). O problema está na cegueira, no fato de não sabermos que estamos agindo assim, não exatamente no sofrimento que alguns filmes mais duros despejam sobre nós.</p>
<p>Ora, já que a trilha sonora está aí, já que todo momento já surge condicionado, já que nunca temos acesso às infinitas possibilidades, só nos resta olhar para o modo <strong>como estamos trazendo os eventos à tona</strong>, como estamos construindo a vida que parece nos acontecer, que parece vir de fora. A cada momento, somos obrigados a pisar numa direção ou em outra sem antes saber qual terra é melhor. Pisamos e só depois dizemos: &#8220;Ah, aqui é fofo&#8221;. A cada passo, uma desconfiança, mesmo em terras boas: &#8220;E se lá for melhor?&#8221;. Ou: &#8220;E se a terra boa acabar no próximo passo?&#8221;.</p>
<p>Nossa situação atual, seja qual for, agora mesmo, não é positiva ou negativa em si mesma. Há alguma trilha sonora interna atuando sem cessar para que ela nos apareça de um certo jeito, para que a vivamos como uma experiência específica. Em vez de se preocupar em dar o próximo passo, torcendo para que ele nos leve a uma situação melhor, podemos simplesmente mudar a trilha sonora e ver no que dá, ver como isso altera a experiência toda, mais até do que se mudássemos a situação diretamente.</p>
<p>Voltando à cena do homem no banho, agora vemos a namorada sorrindo para sua própria dinâmica, ouvindo a trilha sonora que colocou, sem saber, na cena. Ela pode ficar emburrada ou pode tirar a roupa. A situação não está definida; o que vale é a<em> experiência</em> dessa situação. Na verdade, o que chamamos de situação é tão somente nossa experiência. <strong>Não há situação em si</strong>, independente de nossa edição, roteiro, fotografia, iluminação&#8230;</p>
<p>O banho do cara demora o suficiente para ela avançar um pouco mais. Agora ela simula os dois filmes em <em>fast-forward</em> e observa como ficar emburrada não é necessariamente pior do que tirar a roupa, pois talvez ela tire a roupa, ele broche e os dois briguem. Talvez ela fique emburrada, ele fique nervoso e eles acabem com as frescuras se acabando no chão, o que por sua vez não é necessariamente melhor ou pior do que brigar&#8230; ;-) Basta um outro <em>fast-forward</em> para comprovar a infinita abertura e flexibilidade dos eventos.</p>
<p>Ela continua até se dar conta de que o que importa não é seguir em uma ou em outra direção, mas seguir com olhos abertos para a liberdade sempre presente, para a insubstancialidade de cada momento, <strong>como se tudo pudesse virar lixo ou ouro</strong>, a cada segundo, como se nada nunca se definisse e se fechasse completamente.</p>
<p>Sua escolha, então, não é entre o sofá e a cama, a cara emburrada e a perna esticada, entre uma situação e outra, mas entre viver o filme como cineasta e viver o filme como um ator com amnésia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=aBALudMfBBM" target="_blank">Link YouTube</a> | Ouça lembrando da vida inteira ou de uma história amorosa. O que sai?</em></p>
<h1>Silêncio</h1>
<p>Ouvir a trilha sonora pela qual atuamos e poder transformá-la. Trocar <em>olvido</em> por ouvido. <strong>Liberdade não é só isso.</strong></p>
<p>Se o cara ficasse um pouco mais no banho, a namorada certamente questionaria até mesmo sua necessidade de mexer na trilha sonora para ter outras experiências de uma mesma cena. Ela olharia com calma para essa capacidade de mudar a trilha, de trocar de roteiro, de ajustar ângulos&#8230; e desconfiaria de uma liberdade anterior: a de criar filmes e trilhas.</p>
<p>Brincar de cineasta é excelente, claro. Mas como é possível que uma cena que hoje nos aflige (a ponto de cortar nossa fome) amanhã seja motivo de risadas soltas e despreocupadas? O que faz com que os filmes e trilhas se alterem tanto e tão rápido?</p>
<p>Mais do que culminar em uma resposta, essa pergunta direciona nosso olho para uma dimensão além de qualquer trilha sonora, algo como o que imaginamos quando ouvimos a palavra &#8220;silêncio&#8221;.</p>
<p>Repousando nesse silêncio, e não em filmes específicos e suas possíveis edições e refilmagens, entendemos que não precisamos criar um filme a partir de outro, resolvendo algo, trocando algum personagem, mudando a trilha ou a fotografia. <strong>Dá para criar um filme a partir da própria liberdade de criar filmes</strong>, do zero – o que não significa alguma espécie de fascinação pela morte ou aversão à continuidade, pois uma das coisas mais divertidas é criar, do zero, a mesmíssima realidade que existia anteontem. Não é isso o que uma garota faz quando atende o telefone com um &#8220;Oi, amor&#8230;&#8221;?</p>
<p>Pois bem, é claro que o homem de nossa cena saiu do banheiro depois de todo esse tempo. Sua paciente namorada talvez esteja na cama, talvez no sofá ou até já tenha ido embora. O importante é que ele também tenha percebido algumas coisas enquanto a água corria&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DO2a2KSwLg4" target="_blank">Link YouTube</a> | Um dos melhores temas de &#8220;Lost&#8221;, de Michael Giacchino (italiano, pra variar).</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>As melhores cantadas do cinema (3): A Verdade Nua e Crua &#124; The Ugly Truth</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 18:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes e vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores cantadas do cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Para homens]]></category>
		<category><![CDATA[conquista]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
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		<category><![CDATA[sedução]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme A Verdade Nua e Crua (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série &#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221; com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano Caos Calmo).</p>
<p>Como sempre, não há spoiler algum, já que não falo&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="size-full wp-image-516" title="the_ugly_truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/the_ugly_truth.jpg" alt="The Ugly Truth" width="588" height="250" /></p>
<p>Semana passada fui na pré-estreia do filme <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>A Verdade Nua e Crua</em></a> (em cartaz desde ontem) e resolvi aproveitar para continuar a série <a href="http://nao2nao1.com.br/category/cantadas-cinema/" target="_blank">&#8220;As melhores cantadas do cinema&#8221;</a> com uma comédia romântica bem acessível, já que a maioria sequer encontrou o filme anterior para assistir (o italiano <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-2-caos-calmo/" target="_blank"><em>Caos Calmo</em></a>).</p>
<p>Como sempre, não há <em>spoiler</em> algum, já que não falo nada da história. Leia à vontade.</p>
<h1>O filme: comédia romântica dos novos tempos</h1>
<p>Com direção de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0525659/" target="_blank">Robert Luketic</a> (conhecido por <em>Legally Blonde</em>), <a href="http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/" target="_blank"><em>The Ugly Truth</em></a> monta um casal com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001337/" target="_blank">Katherine Heigl</a> (da série <em>Grey&#8217;s Anatomy</em>) e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0124930/" target="_blank">Gerard Butler</a> (o Gerry de <em>P.S. I Love You</em>, sobre o qual já escrevi aqui em <a href="http://nao2nao1.com.br/ps-i-love-you/" target="_blank">uma carta para minha ex-namorada</a>), mais conhecido pelas mulheres como <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RiRaEWrxafI" target="_blank">&#8220;Ê lá em casa&#8230;&#8221;</a></strong>.</p>
<p>Comparado com os casais das primeiras comédias românticas (<em>When Harry Met Sally&#8230;</em> ou <em>Sleepless in Seattle</em>), Katherine Heigl é muito mais solta (pra não dizer &#8220;mulher&#8221;) do que a Meg Ryan, e Gerard Butler bem mais firme (pra não dizer &#8220;homem&#8221;) do que Billy Crystal e Tom Hanks juntos vezes 100 ao quadrado.</p>
<p>Se a mulher das comédias românticas está cada vez menos meiguinha e santa, o homem ideal definitivamente abandonou o posto de <em>nice guy</em> e encarnou o canalha, o garanhão, o cafajeste – aquele homem que você hesita em apresentar para suas amigas e para sua mãe. No lugar da pele lisinha e asséptica (veja o cara que é rejeitado no triângulo amoroso do filme), barba e um toque de assimetria.</p>
<p>Em vez de &#8220;Eu me sinto tão próxima de você&#8221;, o amor atualmente começa com <strong>&#8220;Eu tenho medo de você&#8221;</strong>.</p>
<p>As comédias românticas não só espelham a dinâmica social como contribuem para sua formação. É por isso que é interessante observar os novos filmes do tipo que estão aparecendo. Ao mesmo tempo que mostram para qual homem está apontando o desejo feminino, eles instruem o olhar das garotas na plateia: &#8220;É esse o homem que você deve procurar&#8221;.</p>
<p>E sinceramente acho que <strong>o novo canalha das telas é ainda muito sensível, indeciso e bonzinho&#8230;</strong> Alguns relatos que vejo na <a href="http://papodehomem.com.br/cabana-pdh-grupo-virtuoso-de-homens/" target="_blank">Cabana PdH</a> mostram que podemos ser bem piores, sacanas e implacáveis ao resgatar o melhor dos dois mundos. O cara chama sua mulher de longe, disfarçado de Tom Hanks (com um joguinho por SMS, por exemplo); assim que ela se aproxima, ele a pega com força e olhos de fúria. Às vezes isso vem de um moleque fraquinho de 17 anos, mas não importa: se há direcionamento, precisão e profundidade, ela sente um toque firme que a preenche e conduz.</p>
<p>O cinema será bem sucedido em sua doutrinação? Eu teria pena das mulheres: não é fácil lidar com um homem que quer te foder inteira, que não aceita mediocridade, que vai querer ver você cada vez mais mulher, mais feliz, linda, solta, mais inteligente e ousada.</p>
<p>Um homem que se diverte quando você surta, não acredita em suas decisões precipitadas e que ao mesmo tempo a estimula para direções positivas, oferecendo direcionamento e estabilidade para a relação. Um homem que não só ama você, mas faz a promessa de amar ainda mais as outras mulheres que você vai se tornar.</p>
<h1>A cantada: mandar a real</h1>
<p><img title="the ugly truth" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/theuglytruth2.jpg" alt="theuglytruth2" width="200" height="296" align="left" />Pouco antes de começar a namorar, eu tive algumas relações que poderiam facilmente ter virado um namoro, não fosse minha completa falta de tempo.</p>
<p>Durante uma ligação em que uma garota me cobrava &#8220;Por que você não quer namorar comigo?&#8221;, eu abandonei o jogo da sedução e as noites de diversão garantida que poderíamos ter juntos depois. Parei, puxei ar e detalhei precisamente os fatos: &#8220;Eu estou trabalhando com isso, com aquilo, estou construindo isso, aquilo está dando certo, estou gerando tais benefícios e não tenho tempo algum para você&#8221;.</p>
<p>Ela tinha certeza que eu estava apaixonado pois ficava 100% com ela nos momentos em que estávamos juntos. E então falei: <strong>&#8220;Não, não estou apaixonado, apenas realmente estava com você quando estava com você&#8221;.</strong></p>
<p>Ou seja, eu mandei a real. O resultado? Ela rodopiou entre pedidos carentes, frases agressivas e onomatopeias de mágoa atravessadas por uma lucidez crescente que ficou estável dias depois, quando nos encontramos novamente, sem problema algum, afinal não havia mesmo problema algum.</p>
<p>Se eu não tivesse falado a verdade, é bem provável que a relação tivesse sido interrompida naquele ponto: &#8220;Você me enganou, adeus&#8221;.</p>
<p>Falar a verdade que ninguém quer ouvir, eis o que Mike (Gerard Butler) faz o tempo todo no filme. Para um casal de apresentadores, por exemplo, ele diz que a mulher castrou seu marido (criticou, reprimiu, diminuiu) e agora reclama que ele não é mais homem no sexo. Falar a verdade interrompe nossa tentativa de enganar os outros e, principalmente, de nos enganar. Falhamos, somos descobertos e então começamos a agir a partir de onde estamos. É como um tapa que acorda nossos sentidos. Não é por acaso que o tesão imediatamente voltou ao casal atacado.</p>
<p>Em seu momento <a href="http://papodehomem.com.br/category/colunas/dr-love/" target="_blank">Dr. Love</a>, ele dá uma de especialista neodarwinista e lembra que <strong>os macacos bonobos usam o sexo para acabar com uma discussão.</strong> &#8220;Uma de minhas técnicas preferidas&#8221;, finaliza.</p>
<p>Enquanto isso, Abby (Katherine Heigl) fica horrorizada com cada ideia pervertida de Mike, que discorda de seus pensamentos certinhos. Mulheres são fascinadas por homens que não dão a mínima para o que elas pensam deles. Tal ação evidencia direcionamento e autonomia, ou seja, o cara segue com ou sem ela. E, vocês bem sabem, <a href="http://nao2nao1.com.br/os-moteis-invisiveis-de-sao-paulo-ou-como-fazer-amor-com-estranhos-parte-2/" target="_blank">liberdade dá tesão</a>. É um processo explicado pelo funcionamento do desejo feminino, que cresce à medida que tenta capturar nosso desejo – falo mais sobre isso no artigo &#8220;A dinâmica do desejo feminino&#8221;, na Cabana PdH.</p>
<p>Em um dos diálogos do filme, ela pergunta: &#8220;You&#8217;re really that confident?&#8221; (&#8220;Você é mesmo tão seguro e confiante assim?&#8221; ou &#8220;Você se acha mesmo, né?&#8221;). O que ela não diz é o seguinte: &#8220;Pergunto porque eu adoro isso!&#8221;.</p>
<p><strong>Nada irrita (e atrai) tanto uma mulher como um homem cheio de certezas</strong> que se acha o dono da verdade. Por um lado, ele pode ser orgulhoso, um completo imbecil autocentrado. Por outro, ele é o cara seguro que sabe onde está indo e diz aquilo que ela paga para ser verdade: &#8220;Vou te comer como nenhum outro homem&#8221;. Para além das possíveis patologias de orgulho e autocentramento, o que elas exigem (ou deveriam exigir) de um homem não é ser o dono da verdade, mas ser preciso (livre de hesitações),  autêntico (livre de manipulações) e com direcionamento (livre de estagnação ou confusão).</p>
<p>Falar a verdade para uma mulher implica em reconhecer a inteligência dela em compreender qualquer coisa, a liberdade dela em reagir como quiser e sua transparência em se comunicar diretamente com você, sem roupagens, sem defesas. Ao mandar a real, confiamos no outro e elevamos a relação.</p>
<p>Pergunte a um marido que trai sua esposa e morre de medo de ela descobrir: &#8220;Por que você não conta?&#8221;. Provavelmente ouvirá: &#8220;Ah, porque ela ficaria louca e acabaria com tudo&#8221;. Ou seja, <strong>ele não confia na liberdade dela em fazer diferente</strong>, não oferece a opção de agir com base na realidade. Ele a subjuga, inferioriza, tira sua autonomia.</p>
<p>Ou olhe para um homem certinho. Sendo romântico, falando o que ela quer ouvir, é bem possível que ele a agrade por um tempo. Porém, se ele estiver mentindo para si mesmo, ela eventualmente se sentirá enganada e a frustração final será bem maior do que a momentânea que ela enfrentaria ao ouvir uma fala nem tão romântica, mas verdadeira.</p>
<h1>O sexismo presente no filme</h1>
<p>Muitas das verdades do filme não são exatamente verdades. Veja as seguintes falas de Mike:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nunca fale de seus problemas. Os homens não escutam e nem se importam. Quando eles perguntam &#8216;Como você está?&#8217; é só um código para &#8216;deixa eu meter meu pau na sua bunda&#8217;.&#8221;</p>
<p>&#8220;Precisamos deixar seu cabelo mais longo. Homens gostam de algo pra agarrar além da sua bunda.&#8221;</p></blockquote>
<p>É bastante machista a imagem que vincula homem ao sexo (corpo, prazer, instinto) e mulher ao amor (alma, santidade, razão). Ao fazer isso, tiramos da mulher a liberdade de expressar seu desejo. Sinceramente, tenho certeza que <strong>a mulher gosta e aproveita mais o sexo do que o homem</strong>. Certeza.</p>
<p>Além de machismo, é pura ilusão, afinal atualmente é muito comum ouvirmos as mulheres reclamando de homens chorões que só falam de seus problemas ou de caras que não puxam seus cabelos, batem na cara e trepam de verdade.</p>
<p>Quando é pra ter prazer, ser instintiva e passional, a mulher se sai bem melhor do que o homem. É por isso que eu gostaria de ver, na próxima comédia romântica, um casal invertido: o cara certinho diante de uma mulher ousada.</p>
<p>Além disso, repare nesta e em qualquer outra comédia romântica: a mocinha espera a declaração do galã para então se declarar também. &#8220;Eu amo aquele que me ama&#8221;, ou melhor, &#8220;Para eu te desejar, basta você me desejar&#8221;, <a href="http://nao2nao1.com.br/amor-e-coisa-que-nao-se-recebe/" target="_blank">postura que já critiquei aqui.</a></p>
<h1>Assista ao trailer</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/98mV3FmJadw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Ainda que a cantada invisível seja &#8220;mandar a real&#8221;, o grande momento em que ele vira homem e a faz mulher é outro. Uma cena que cria magnetismo e muda toda relação entre eles, algo que já recomendei aos homens várias vezes no Não2Não1 (prática regular da Cabana PdH).</em></p>
<p><em>Assista ao filme e venha aqui comentar qual é.</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Validation (Kurt Kuenne &#124; 2007): o curta que eu queria ter feito</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/validation-kurt-kuenne-2007-o-curta-que-eu-queria-ter-feito/</link>
		<comments>http://nao2nao1.com.br/validation-kurt-kuenne-2007-o-curta-que-eu-queria-ter-feito/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 17:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Eu passei um bom tempo sem tolerância a romantismo. Qualquer postura feliz demais, sorridente demais, qualquer pessoa &#8220;alto astral&#8221; já ativava o radar new age aqui do menino pseudo-existencialista. Existe, porém, outro tipo de alegria que não vem dessa postura &#8220;O Segredo&#8221;, cujo mantra não é &#8220;Pense positivo&#8221; e que ignora totalmente &#8220;As 7 leis espirituais do sucesso&#8221;.</p>
<p>Essa&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><img class="alignnone size-full wp-image-502" title="validation" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/validation.jpg" alt="validation" width="588" height="250" /></p>
<p>Eu passei um bom tempo <a href="http://nao2nao1.com.br/por-uma-vida-encarnada-breve-critica-aos-relacionamentos-sem-corpo/" target="_blank">sem tolerância a romantismo</a>. Qualquer postura feliz demais, sorridente demais, qualquer pessoa &#8220;alto astral&#8221; já ativava o radar <em>new age</em> aqui do menino pseudo-existencialista. Existe, porém, outro tipo de alegria que não vem dessa postura &#8220;O Segredo&#8221;, cujo mantra não é &#8220;Pense positivo&#8221; e que ignora totalmente &#8220;As 7 leis espirituais do sucesso&#8221;.</p>
<p>Essa outra alegria vem de <a href="http://nao2nao1.com.br/nosso-belo-e-despido-coracao-chogyam-trungpa/" target="_blank">uma espécie de tristeza</a>, uma vontade de compartilhar não-sei-o-quê com o outro, uma certeza de que ele também tem esse mesmo coração. Às vezes ela pode ser romantizada, virar musical estilo Disney, mas por pura brincadeira – sua base é outra.</p>
<p>Escrevi um pouco sobre isso no <a href="http://nao2nao1.com.br/espontaneidade-primordial-diante-de-tudo-so-nos-resta-gargalhar-2/" target="_blank">texto sobre espontaneidade</a> e em outro que finalizei com o <a href="http://nao2nao1.com.br/casal-sorriso-levar-a-serio-relacionamentos/" target="_blank">vídeo das gargalhadas no metrô</a>. Sorrir – <strong>verdadeiramente sorrir, solto, aberto, olhando nos olhos do outro</strong> – foi algo que comecei a aprender apenas há uns 4 anos, curiosamente junto com a criação do Não2Não1.</p>
<p>Com o curta de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0473936/" target="_blank">Kurt Kuenne</a>, em vez de analisar o conteúdo (daria pra soltar mil comentários) como fiz com <a href="http://nao2nao1.com.br/o-amor-e-filme/" target="_blank"><em>J’Attendrai Le Suivant</em></a>, decidi apenas listar os eventos anteriores ao link do YouTube que me chegou hoje por email:</p>
<p>• Ontem rolou tarde de meditação no CEBB. Como sempre, eu esperei que ninguém fosse, assim poderia dormir um pouco mais depois do almoço, meditar quase nada e voltar logo pra casa. Chegaram duas pessoas, brotou motivação e ficamos sentados em silêncio contra a parede até às 17h.</p>
<p><img title="nha-benta" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/09/nha-benta.jpg" alt="nha-benta" width="200" height="255" align="left" />• Saí especialmente feliz, brilho nos olhos, peito <em>wide open</em>. Lembrei que tinha comprado<strong> uma caixa de Nhá Benta</strong> (com 5 de sabores diferentes) e pensei em distribuir no metrô. No caminho, encontro uma mulher nitidamente desesperada que tinha acabado de trancar o carro com a chave e a bolsa dentro. &#8220;Posso usar seu celular?&#8221;. Ela ligou para o filho ir resgatá-la e depois começou a falar sem parar comigo (&#8220;Vim só comprar uma lente, uma só lente, devia ter parado no estacionamento do Shopping&#8230;&#8221;). Tenho certeza que a Nhá Benta que ela pegou não ajudou em nada, mas eu vi o sorriso no meio daquele rosto suado e surpreso.</p>
<p>• No metrô, de novo a mesma história: &#8220;Mas por quê?&#8221;. <strong>Vender tudo bem, mas dar exige uma explicação.</strong> Ser autocentrado OK, ser generoso não. Toda generosidade esconde um interesse egoísta por trás, não é verdade? Pois respondi: &#8220;Você pega, amanhã eu escrevo no meu blog, um monte de gente lê e me acha o máximo. É isso. Ganho muito mais do que gastei com essa caixa!&#8221;. Mentira. Eu respondi: &#8220;Se eu estivesse pedindo dinheiro em troca, você não perguntaria isso, não é mesmo?&#8221;. E falei como sempre para buscar por &#8220;bombons no metrô&#8221; no Google, assim aumento as visitas por aqui, não é uma ótima estratégia?</p>
<p>• Enquanto eu mais tentava convencer as pessoas do que distribuía (afinal eram só 4 Nhá Bentas para um vagão inteiro), uma criança me seguia com os olhos sem entender nada.</p>
<p>• Uma senhora bem velhinha me ouviu falar com um casal e resolveu pegar uma: &#8220;Vou ajudar o menino&#8221;. Antes de sair do metrô, quando eu já estava sentado, ela disse: &#8220;Deus te abençoe&#8221;. ;-)</p>
<p>• Fui pro show do Brad Mehldau no SESC Santana. Na volta, uma menina pediu para andar ao meu lado até o metrô (o caminho é escuro e deserto). Enquanto ela contava sua vida, pensei em outros modos de estabelecer relações com estranhos. Dar bombons, atravessar a rua de mãos dadas, pedir uma história ou um sonho, beijar no escuro da festa&#8230; <strong>O que mais é possível de se fazer segundos depois de encontrar alguém pela primeira vez?</strong></p>
<p>• Hoje meu ex-chefe, grande amigo, me envia um link dizendo que achou o vídeo a minha cara. Com receio de ser algo no estilo &#8220;PowerPoint motivacional&#8221;, abro e me deparo com uma obra-prima, da trilha (composta pelo próprio diretor que é músico) à atuação, da fotografia ao roteiro. O estilo caricatural, exagerado, romantizado, quase surreal, próprio de uma fábula, é perfeito para evidenciar muito o que venho dizendo por aqui e tentando incorporar em minha própria vida.</p>
<p><strong>Assistam comigo</strong> (se não souber inglês, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=d84kPT5YMFA" target="_blank">aqui está a versão legendada</a>):</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="588" height="472" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Cbk980jV7Ao&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="588" height="472" src="http://www.youtube.com/v/Cbk980jV7Ao&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Cbk980jV7Ao" target="_blank"><em>Validation</em> (Kurt Kuenne | 2007)</a></p>
<p><em><strong>P.S.: </strong>Para os aprendizes de Don Juan que desejam conquistar uma ou mais mulheres, acho que o filme explicita ainda mais a abordagem que explorei no <a href="http://nao2nao1.com.br/as-melhores-cantadas-do-cinema-2-caos-calmo/" target="_blank">texto sobre o filme Caos Calmo</a>. Em vez de focar na mulher, construa relações positivas (lúdicas, profundas, transparentes) em todas as direções. Ela eventualmente vai querer participar da brincadeira, não se preocupe.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 2: </strong>E aí? Alguém mais vai fazer o lance da Nhá Benta no metrô ou nas ruas? Comente aqui se fizer.</em></p>
<p><em><strong>P.S. 3: </strong>O próximo post será sobre outro curta do cara. Aproveito para recomendar um terceiro, esse longa, que todos dizem ser genial (já estou baixando): <a href="http://dearzachary.com" target="_blank">Dear Zachary</a>.</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O casal que ri de si mesmo (2): amar é chegar atrasado depois de dormir demais</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 01:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Sorriso liberador e bodisatva no metrô


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-432" title="urso_dormindo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/05/urso_dormindo.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Na primeira parte, falamos sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/o-casal-que-ri-de-si-mesmo-senso-de-humor-e-seriedade-nas-relacoes/" target="_blank">a arte de ser ridículo e tirar sarro de nós mesmos</a>. Agora veremos como o sorriso liberador pode surgir nos mais variados momentos de um relacionamento.</em></p>
<h1>Liberação pelo sorriso</h1>
<p>Todo sofrimento supõe uma espécie de solidez. Para comprovar, liste todas as suas grandes aflições passadas: o rosto cheio de espinhas, a morte do seu pai, aquele trabalho de faculdade, o primeiro namorado que a trocou por outra, a relação à distância por ICQ, a noite na cadeia, o bebê que sua mulher perdeu&#8230; Hoje você consegue olhar para tudo com um sorriso nos olhos (ou, pelo menos, sem ser invadido por emoções que tiram a respiração, a fome e o sono). Após um tempo de desidentificação, cada cena do passado ganha traços de filme e sonho, perde solidez e poder, até que você consegue pegar a história que um dia lhe oprimiu e transformar em piada.</p>
<p>Por outro lado, experimente encarar suas aflições atuais e todo seu corpo se contrairá. O tamanho da solidez que atribuímos às nossas experiências é o tamanho exato de nossa dor. Algumas dessas paredes opacas tentamos ignorar, muitas pintamos, em outras penduramos quadros lindos ou instalamos uma tela de plasma passando seriados americanos. Entretanto, várias delas resistem e se aproximam – a ex-namorada que aparece com outro bem na sua frente dias depois do término, o emprego que você não consegue de jeito nenhum mesmo depois de ver <em>The Secret</em> pela quinta vez e, claro, a morte, implacável, dos amigos, dos parentes e a sua.</p>
<p>São experiências que não conseguimos contornar, driblar ou pintar de outra cor. São sólidas, concretas, doloridas e asfixiantes. Como não há jeito de alterar a forma, a saída talvez esteja em olhar para sua substância. Em um filme, por exemplo, não há o que fazer após a morte do herói, mas podemos <em>lembrar que é um filme</em> e assim liberarmos a aflição num piscar de olhos. Em um sonho, do mesmo modo, não precisamos inventar uma desculpa para o atraso no trabalho: basta acordar e ver que é domingo.</p>
<p>Olhamos para o passado, as várias identidades e mundos que construímos, as aventuras, os desafios, os conflitos insolúveis, os obstáculos intransponíveis. Nossas visões de mundo, nossas decisões livres de hesitação. Onde foram parar as certezas? Cadê o problema que nos afligiu tanto? <strong>Por que mesmo perdemos tanto tempo sofrendo por aquilo? </strong>Ora, se aplicarmos o mesmo olhar para nosso universo atual, ficará claro que ele não é tão sólido quanto parece, caso contrário não viraria motivo de piada daqui a alguns anos.</p>
<p>A capacidade de sorrir não é apenas um critério para medir nosso grau de liberdade diante das situações mas também um método para desenvolvê-la. Podemos atravessar as paredes que nos oprimem e simplesmente sorrindo para tudo o que surge, momento a momento, como um pai que olha os filhos brincando de videogame na sala. Quando algo nos fisga, quando ela está de TPM ou ele inicia uma briga, não focamos tanto o conteúdo quanto o brilho onírico e cinematográfico da experiência. Em vez de tentar mudar o sonho, apenas lembramos que estamos sonhando. Rimos primeiro de nós mesmos (como somos patéticos em cada novela mexicana em que nos metemos) e depois rimos da situação como um todo, convidando o outro a sorrir também.</p>
<p>O sorriso é melhor modo de <strong>agir sobre tudo o que nos acontece</strong>, sem ser um refém passivo. É uma terceira opção frente à tentativa sempre fracassada de se opor, fugir, reprimir, lutar contra cada perturbação, e o esforço sempre frustrante de mergulhar, se vincular cegamente, sendo arrastado pela vida.</p>
<h1>Amar é chegar atrasado depois de dormir demais</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-433 alignleft" style="float: left;" title="office-guy" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/05/office-guy.jpg" alt="" width="250" height="180" /></p>
<blockquote><p>&#8220;Se realmente quisermos nos comunicar, devemos desistir de saber o que fazer.&#8221; –Pema Chödrön</p></blockquote>
<p>Se você já dormiu demais e chegou bastante atrasado no trabalho, sabe do que estou falando. Não há desculpa, não há justificativa. Você está ali, aberto, com cara de sono, sem pensar direito, com um certo embaraço, <strong>pronto para levar uma bronca ou ser demitido</strong>. Você não sabe se pede desculpas ou se finge que nada aconteceu, esperando alguém perguntar para improvisar uma resposta. A pose que costumava manter foi embora. Pensa em cobrar seu colega por algo que ele ficou de entregar, mas onde está sua autoridade? Por não haver como se esconder, acaba rindo da situação.</p>
<p>Exposição total, sem proteção, livre de artimanhas, presença aberta, o amor é essa experiência de subir ao palco com uma pomba na cabeça, sem lembrar de ter nascido, envergonhado, quase rindo, desprovido de roteiro ou planejamento. Amar é dormir demais e, mesmo assim, ir ao trabalho de peito aberto sem levar nenhuma desculpa.</p>
<p>Quer atitude mais vulnerável e ridícula do que dizer &#8220;Eu te amo&#8221;, ficar de joelho e perguntar se a pessoa quer passar o resto de sua vida com você? Ou tirar a roupa e ficar lambendo e sendo lambido em posições que desafiam qualquer ilustração? Amar é se fazer presente ao ponto de trazer à tona os aspectos mais infantis (leia-se lúdicos, mágicos, criativos) e ridículos (leia-se livres, destemidos, ousados) do outro.</p>
<p><strong>Quando amarrei minha namorada na cama pela primeira vez</strong>, me enrolei todo com o laço e passei de um animal enfurecido, dono da situação, para um menino envergonhado aprendendo a amarrar o tênis. Foi tão patético que caímos na gargalhada! Por causa disso, o que poderia ter interrompido o prazer, apenas o intensificou e logo voltamos à encenação de dominação. A visão da ausência de solidez (nenhuma pose se sustenta) permite a ação lúdica. Se nada é fixo e definido, podemos brincar, encenar, dançar em meio aos mundos de significação.</p>
<p>Quando ela acessou os meses anteriores ao namoro na agenda do Google que compartilhei para nossos eventos, descobriu que eu, desatento, apenas renomeei uma agenda que eu já usava para minha noites de solteiro! Situação tão improvável que ficou engraçada o suficiente para adicionar senso de humor ao ciúme, resultando em uma conversa hilária. É impossível brigar com um sorriso no rosto. A seriedade é um esforço, pesada e fabricada, não nossa condição natural.</p>
<p>É por isso que gosto de me aproximar das pessoas que não me levam tão a sério, que riem daquilo que considero denso e profundo. Quero casar com alguém que ouça minhas tragédias com um sorriso, abrindo espaço para que eu possa gargalhar também. Alguém que ignore minhas poses e corte através de qualquer artificialidade.<!--adsensestart--></p>
<p>Assim como eu me embaracei com o laço, podemos desistir de acertar, de provar que estamos certos, de nos justificar para nós mesmos ou para os outros. Quando algo não for como o planejado, não precisamos consertar, não precisamos ser o <strong>casal &#8220;Não2Não1&#8243;</strong>. Se a situação não for leve, divertida, mágica, se for entediante e truncada, podemos degustá-la do jeito que vem, com espírito de criança brincalhona. Ficamos curiosos, cultivamos interesse pelo outro e por aquilo que cada momento nos oferece.</p>
<p>O verdadeiro artista se une com nossa situação ridícula em vez de se proteger atrás de uma suposta seriedade. Para atravessar todas as paredes, ele se deixa atravessar por toda a gama de emoções e experiências humanas. Ainda que aja como um pateta, curiosamente ninguém tira sarro até que ele mesmo sorria para então rirmos juntos – tirando sarro de nossa condição, nunca uns dos outros. Sem poses, retornamos ao solo comum impessoal de sofrimento e confusão. Nosso ponto de maior fragilidade é justamente o ponto de maior vulnerabilidade do outro. Sem armas, o outro baixa a defesa e podemos enfim tocá-lo.</p>
<h1>Um bodisatva no metrô</h1>
<p>Você entra em um vagão do metrô e todos começam a rir. Então lhe sobram duas opções: (1) se opor às gargalhadas, manter a pose séria, se elevar (achando tudo ridículo) ou se rebaixar (achando que é o motivo da piada); ou (2) abraçar a situação e rir junto, sabendo que a grande piada não tem origem nem destino.</p>
<p>Repositório de todas as histórias, cenas e vidas, contexto de todas os dramas possíveis, a grande piada não tem conteúdo, autor ou alvo. Se você ainda não está sorrindo, por favor:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="585" height="474" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jedd2FiZTqM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="585" height="474" src="http://www.youtube.com/v/jedd2FiZTqM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>* Dedicado aos casais com problemas sérios, densos e profundos. ;-) Desejo de coração que vocês possam descobrir o espaço lúdico que existe no meio de qualquer complicação.<br />
</em></p>
<p><em>** Se você se interessa por meditação, budismo e cultura de paz, dê uma olhada no blog que subi nas últimas semanas: <a href="http://bodisatva.com.br/" target="_blank">Bodisatva</a>.</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O casal que ri de si mesmo (1): senso de humor e seriedade nas relações</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 10:15:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Assim como a capacidade de rir significa liberdade, a seriedade revela nossos pontos de fixação e aprisionamento. </p>
<p>Nos comentários do último texto, surgiu uma discussão sobre minha vida pessoal (se eu vivo o que escrevo e questões do tipo). Enquanto minha namorada se divertia, vi algumas pessoas parecendo levar a sério cada afirmação que ela fazia. Algumas até&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-430" title="girafas" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/05/girafas.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Assim como a capacidade de rir significa liberdade, a seriedade </em><em>revela nossos pontos de fixação e aprisionamento. </em></p>
<p>Nos comentários do último texto, surgiu uma <strong>discussão sobre minha vida pessoal</strong> (se eu vivo o que escrevo e questões do tipo). Enquanto minha namorada se divertia, vi algumas pessoas parecendo levar a sério cada afirmação que ela fazia. Algumas até me escreveram diretamente perguntando se ela era mesmo ou se os comentários eram fake! Em vez de apenas rir, as pessoas respondiam e levavam a discussão adiante. Piada não se responde ou comenta, não é mesmo? Pois é sobre essa sede por verdade e certeza, sobre essa nossa seriedade, que quero falar agora.</p>
<p>No texto <strong><a href="http://nao2nao1.com.br/sobre-homens-que-as-fazem-rir/" target="_blank">&#8220;Sobre homens que as fazem rir&#8221;</a></strong>, relacionei senso de humor e liberdade, mostrando que quando as mulheres afirmam adorar homens bem humorados isso significa que elas gostam de homens <em>livres</em>. Ora, a plasticidade para transitar entre diversos mundos, a capacidade de rir, não é apenas atraente na fase da conquista: ela é fundamental para a saúde do relacionamento. A origem de uma piada é a mesma inteligência que desembaraça os nós do sofrimento.</p>
<h1>A arte de ser ridículo</h1>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-428" style="float: left;" title="silvia-machete" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2009/05/silvia-machete.jpg" alt="" width="250" height="375" />Recentemente assisti ao show da <a href="http://www.silviamachete.com/" target="_blank">Silvia Machete</a>. Ela fuma charuto, sobe no trapézio, gira o bambolê e solta bolhas de sabão, além de cantar, claro. Tudo sem a mínima noção do rídiculo. Ela tem formação e competência para subir ao palco e apenas exibir sua arte, impressionando a todos, mas escolhe colocar uma pomba na cabeça, se comunicar, se expor, ficar desconfortável, insegura. Ao errar a letra, ela nos acerta em cheio.</p>
<p>Durante o show, me dei conta que muitos artistas, ao contrário de Silvia, perderam a capacidade de tirar sarro de si mesmos. A vaidade constrói a pose. Seus movimentos são condicionados pelas possíveis imagens que sairão na Internet no mesmo dia. Se fica feio na foto, melhor não fazer. O autocentramento impede a comunicação autêntica com o público. <strong>O medo do ridículo os distancia da própria arte.</strong></p>
<blockquote><p>&#8220;When in doubt, make a fool of yourself. There is a microscopically thin line between being brilliantly creative and acting like the most gigantic idiot on earth.&#8221; –<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cynthia_Heimel" target="_blank">Cynthia Heimel</a></p></blockquote>
<p>Enquanto cantoras se apresentam como modelos, Silvia Machete fuma de perna aberta, <a href="http://www.teatrotuca.com.br/programacao/28_04_09_aldeotas.html" target="_blank">Gero Camilo</a> masturba um homem, <a href="http://www.destaquesp.com/index.php/Cultura/Especial/denise-stoklos.html" target="_blank">Denise Stoklos</a> faz cara de ema, <a href="http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=151102" target="_blank">Ivam Cabral</a> chupa um microfone, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DxFxIbHacAM" target="_blank">Thom Yorke</a> balança a cabeça igual a um retardado, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=X5z9UVExVaI" target="_blank">Meredith Monk</a> grita a ponto de nos irritar&#8230; Vi todos de perto, bem ridículos. Quase idiotas. Artistas.</p>
<h1>Como tirar sarro de si mesmo</h1>
<p>A tendência de posar para a foto não se restringe aos artistas. Todos nós tentamos vender a melhor imagem de nós mesmos, concedemos excessiva importância aos nossos dramas e perdemos muito tempo para realizar nossas grandes (micro) revoluções. Sempre que nos levamos muito a sério somos iguais àquele escritor de auto-ajuda que fala com orgulho de sua obra mais recente: &#8220;Nesse livro, eu resumo mais de 30 anos palestrando por todo mundo desde que me tornei PhD em ioga xamânica&#8221;. Ele é tão nojento quanto nós.<!--adsensestart--></p>
<p>Para remover essa pose que causa aversão e nos distancia dos outros, basta dissolver a seriedade. Há uma prática simples para isso: tirar sarro de si mesmo. Quando somos os primeiros a apontar nossas negatividades e obstáculos, quando rapidamente reconhecemos neuroses e confessamos abertamente aquilo que sempre evitamos admitir, nossa fragilidade se torna a ponte para o coração dos outros, afinal eles são vítimas dos mesmos problemas! <strong>Quando alguém ri de nós, gargalhamos junto. </strong>Por não mantermos pose alguma, o outro não consegue manter sua artificialidade e logo perde a pose também, abrindo-se ao contato autêntico.</p>
<p>Nossa seriedade supõe uma certeza sobre o que está acontecendo e sobre quem somos. Porém, uma breve análise mostra que não é bem assim. Tome o meu caso, por exemplo. Dizem que surgi na barriga de uma mulher que se diz minha mãe, mas sinceramente não lembro de ter nascido. Eu namoro uma garota que conheci no caminho para o banheiro da Choperia do SESC Pompeia. Hoje ela dorme comigo. Quando acordo, ligo uma máquina estranha, escrevo no que chamam de Twitter e parece que mais de 1000 pessoas lêem cada coisa que coloco lá. Nada me garante que não morrerei semana que vem ou que amanhã o Sol, essa coisa gigante dentro do que nomeamos (para tornar familiar aquilo que nos aterroriza) Via Láctea, não vai explodir ou esfriar. Além disso, os átomos não tem cor e ainda assim eu vejo maçãs vermelhas e verdes, o que não acontece com abelhas, cuja visão é tetracromática. <strong>O que é isso tudo? Você tem alguma ideia de onde está? </strong><strong>Você sabe o que está acontecendo? </strong><strong>Eu não.</strong></p>
<p>Por medo, reprimimos tal incerteza e, buscando uma segurança impossível, engessamos os eventos em grandes estruturas. A seriedade nos deixa pesados. Uma vida lúdica, ao contrário, lida com cada coisa que surge sem que aquilo tenha de fazer sentido ou ser encaixado em um quebra-cabeça maior. A espontaneidade dá origem à leveza.</p>
<p>Seres engraçados que somos. Temos certezas (ou pelo menos tentamos sustentá-las) sobre o que estamos fazendo, o que é a vida, onde queremos chegar, o que é legal e o que não é, quem é bom e quem é mau. Enquanto nos esforçamos para administrar essas grandes questões (algo parecido com controlar a chuva ou ter a absoluta certeza de que o Sol nascerá amanhã), não conseguimos manter nem mesmo as mínimas decisões, como dormir mais cedo, começar a se alimentar melhor ou fazer alguma atividade física. É sobre estas pequenas questões cotidianas, sobre nosso próximo passo no mundo, que temos controle – e é justamente dessa responsabilidade que fugimos! Mais fácil nos preocuparmos com as grandes certezas, não é mesmo?</p>
<p>Quem vive em cima do fio da navalha ignora as seguintes perguntas: &#8220;Somos <a href="http://cavehill.uwi.edu/bnccde/PH29A/putnam.html" target="_blank">cérebros flutuando em uma cuba</a>? Deus existe? <strong>Ela está me traindo?</strong> A relação tem futuro? Ele me ama? Este é o melhor caminho?&#8221;. Abdicar de tais respostas é superar a seriedade que nos faz verificar cada pedaço de informação para tomar decisões importantes. Ora, podemos viver sem certezas, sabendo que nenhuma decisão é absolutamente importante e que nenhum passo nos impede de voltar atrás. Podemos apenas seguir. Assim sugere Miranda July: <a href="http://vimeo.com/1976212" target="_blank">&#8220;There&#8217;s nothing to decide. There&#8217;s just walking forward&#8221;</a>.</p>
<p>A experiência de perder a pose, quebrar a auto-importância e abandonar a seriedade é bem descrita por Contardo Calligaris quando ele fala sobre o fim do processo terapêutico (grifos meus):</p>
<blockquote><p>&#8220;Seria a experiência de que não somos grande coisa e, em particular, não somos a única coisa que falta para que o mundo seja perfeito e para que a nossa mãe seja feliz. Isso parece (e é) uma coisa fácil de saber e mesmo de admitir, mas uma experiência efetiva dessa superfluidade de nossa existência é uma outra história. Nesse momento final, o sujeito vivenciaria, logicamente, uma espécie de desamparo depressivo, mas também uma extrema liberação. Por que liberação? Pois é, <strong>o que mais nos faz sofrer talvez seja justamente a relevância excessiva que atribuímos à nossa presença no mundo</strong>, pois essa relevância é a pedra de fundação de todas nossas obstinadas repetições, é graças a ela que insistimos em ser sempre &#8220;iguais a nós mesmos&#8221; (sendo que, no caso, essa expressão não tem um sentido positivo).&#8221; –Contardo Calligaris, em &#8220;Cartas a um Jovem Terapeuta&#8221;</p></blockquote>
<p><em><strong>Continua </strong>com os temas <a href="http://nao2nao1.com.br/casal-sorriso-levar-a-serio-relacionamentos/" target="_blank">&#8220;Liberação pelo sorriso&#8221; e &#8220;Amar é chegar atrasado depois de dormir demais&#8221;&#8230;</a><strong><br />
</strong></em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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