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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Ensaios</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>A eletricidade natural de estar vivo (parte 1)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 10:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de Taketina, aconteceu algumas vezes enquanto tocava&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="peloarrepiado" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/peloarrepiado.jpg" alt="" width="589" height="250" /></p>
<p>Os pelos do braço se arrepiam. Nenhuma explicação científica diminui meu encanto por esse fenômeno. Não apenas pela beleza do colo, da nuca, do peito de uma mulher arrepiada, mas pela eletricidade que acontece sem controle, especialmente quando a causa não é frio, tesão, medo ou alguma emoção específica. (No último treinamento de <a href="http://taketina.com" target="_blank">Taketina</a>, aconteceu algumas vezes enquanto tocava berimbau e espiralava ao redor do surdo. Ou durante o dia, do nada. Aprendi como falar isso em inglês: <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goose_bumps" target="_blank">goose bumps</a></em>.)</p>
<p>O arrepio é uma das maiores evidências de que há algo vivo em nós. Quando perguntamos &#8220;Como você está?&#8221;, a pessoa pode até pensar nos fatos da vida, mas <a href="http://papodehomem.com.br/uma-mente-distraida-e-uma-mente-infeliz/" target="_blank">acontecimentos e situações não tem nada a ver com felicidade ou sofrimento</a>. O que vai definir a resposta positiva é o calor no peito, o brilho nos olhos, a respiração profunda, o sorriso silencioso, a <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">experiência de energia fluindo</a>, prazer, leveza, horizonte aberto, presença lúdica, espaço para ação, lucidez e criação de sentido. A resposta negativa virá com respiração ansiosa, confusão, contração, incapacidade de atribuir sentidos, seriedade, olhos opacos, peso, dor, fechamento, poucas opções de reação, energia interrompida, oscilante ou dispersa.</p>
<p>É por isso que nesse texto vou colocar no centro aquilo que consideramos mais periférico. Trocar efeito e causa. Inverter a visão que atribui nossa felicidade ou sofrimento a determinados acontecimentos que supostamente diminuem ou aumentam nossa experiência de bem-estar. Se nossa oscilação emocional é sempre tratada como objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia? Em vez de deixar o bem-estar no final da frase, vamos colocá-lo logo de cara como sujeito: é a eletricidade que define se surge felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência.</p>
<p>Em vez de olhar para as mil situações, cenários e configurações da vida, vamos respirar e sentir como nosso pulmão muda. É com o pulmão que sofremos e é com o pulmão que podemos ter alguma chance de encontrar liberdade e felicidade nas relações.</p>
<h1>O sequestro de nossa eletricidade</h1>
<p>A dinâmica é sabida. O bandido captura a pessoa, joga dentro de um cubículo e diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro desse quarto. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado sequestro, então vai respirar, sentir, pensar como alguém sequestrado. Tudo bem?&#8221;. Ele não diz bem isso, mas é isso o que ele diz.</p>
<p>Todos os jogos, histórias, mundos, realidades, filmes que construímos em nossa vida são sequestros sutis. Ao colocar o anel, o recém-marido diz: &#8220;Agora você vai operar sua mente, sua energia, seu corpo dentro dessa relação. Você vai continuar respirando, sentindo, pensando, tudo igual, mas agora você está participando desse jogo chamado casamento, então vai respirar, sentir, pensar como alguém casado. Tudo bem?&#8221;. A chefe, o professor, a amiga, o sócio&#8230; todos com a mesma fala.</p>
<p>Uma vez dentro de alguns mundos, incorporando algumas identidades, o brilho no olho, o sorriso aberto, a respiração profunda, o calor no peito passam a surgir sob condições. A eletricidade natural agora é a eletricidade de um personagem específico.</p>
<p>É como se transplantássemos nosso coração em um bonequinho 2D que vive na tela do videogame. Diante da possibilidade de controlá-lo e principalmente de usá-lo para controlar seu mundo, deixamos que ele nos controle. Enquanto os movimentos desses pixels nos alegram, tudo ok. O problema começa quando o mundo se desintegra, o bonequinho morre ou apenas perdemos o nível de controle esperado.</p>
<p>Nosso coração sabia bater sozinho, mas passou tempo demais sendo comandado por um coração virtual. Sabíamos respirar, mas passamos tempo demais respirando em função de nossa namorada. Tínhamos eletricidade, mas a vinculamos à identidade de marido. Agora, para ativar a energia, precisamos mover o marido. E quando a relação acaba? Ao tentar reconquistar a esposa, tudo o que ele deseja é voltar a ser marido.</p>
<h1>Sofrimentos virtuais</h1>
<p>Assim que começamos a respirar mal, comer e dormir pouco (ou demais!), assim que perdemos eletricidade e brilho no olho, sentimos uma necessidade urgente de consertar o jogo, ressuscitar o personagem, remontar o mundo. A última coisa em nossa lista de prioridades é resgatar a capacidade de respirar, voltar a sentir nossa eletricidade natural, deixar o olho brilhar sem depender de nenhuma visão especial, desentortar o corpo, liberar a mente das condições que a asfixiaram – ironicamente, como já escrevi, é essa <a href="http://nao2nao1.com.br/resposta-padrao-para-qualquer-problema-de-relacionamento-amoroso/" target="_blank">a melhor saída para qualquer sofrimento</a>.</p>
<p>Quanto mais dor, mais colocamos nosso foco no personagem, mais tentamos controlar. O casamento que começou como uma brincadeira, uma fantasia, um faz-de-conta, virou realidade sólida, séria, inescapável. A identidade que começou como encenação virou nossa essência. É assim que o sofrimento virtual de um personagem vira dor no peito, falta de ar, vontade de se matar. A confusão se torna cada vez mais real a ponto de transbordar para outros corpos e mentes ao nosso redor.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1341" title="velacopo" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2011/05/velacopo.jpg" alt="" align="left" />Tudo acontece como se tivéssemos uma vela queimando dentro de um copo em nossa mão. Sem perceber os limites do copo, com foco excessivo no fogo, sem espaço para nos mover, ficamos com o dedo muito próximo, queimando, doendo. Alucinamos: a casa inteira está pegando fogo! Saímos correndo, nos debatemos, deixamos cair o copo&#8230; e aí sim a casa inteira pega fogo.</p>
<p>Em pouco tempo a alucinação vira realidade, basta um pouco de insistência, hábito, compulsão em acreditar na concretude das coisas como elas nos aparecem. Os sofrimentos se tornam reais na exata medida em que não desconfiamos de sua virtualidade.</p>
<h1>A base das inteligências</h1>
<p>Ora, o aparente sequestro não tem nada de negativo. Na verdade, não é sequer um aprisionamento. Só podemos respirar, sentir, pensar como namorado, pai, irmão, filho, sócio, amigo, chefe, aluno e professor, durante um só dia, porque nossa mente e nosso corpo são livres para operar dentro de universos diferentes.</p>
<p>Ao contrário do que muitos dizem, a melhor definição etimológica da palavra inteligência não é &#8220;escolher entre&#8221;, mas &#8220;ler dentro&#8221;. Quando chamamos alguém de inteligente, estamos apontando para sua capacidade de entrar em um mundo, se movimentar com alguma coerência (seja respondendo a estímulos ou criando sentidos) e operar sob condições. Exatamente como faz um jogador de futebol, de <em>Super Mario</em>, de peça de teatro, de casamento, de empresa&#8230;</p>
<p>Você está em um show de rock. Depois vai para um jogo de poker. Depois transa com uma garota na bancada do escritório. A mesma mente, o mesmo corpo, operando sob diferentes condições, mundos, horizontes de sentido, lógicas, coerências, estímulos, possibilidades de ação. No show de rock, sequer surge a ideia de um <em>flush</em>. No poker, não faz sentido ficar pulando e balançando a cabeça. No sexo, o objetivo não é bem aumentar o <em>pot</em> e ganhar (ok, às vezes é).</p>
<p>Mente e corpo transitam entre diferentes mundos assim como transitam entre diferentes identidades assim como transitam entre diferentes estímulos sensoriais, emoções, pensamentos, micro fenômenos internos. Ver é operar com olhos e inteligência da visão em um mundo visual. Quando nossa mente opera com ouvido, lidamos com sons. Quando opera com conceitos, pensamos. Quando opera com ciúme, surge um horizonte de novos números no celular, emails e passados alternativos. Quando opera como <em>Super Mario</em>, aparecem canos de teletransporte, flores de fogo e a motivação de salvar uma princesa.</p>
<p>A base de todas as infinitas inteligências é pura e simplesmente a capacidade de ser inteligente. Nossa mente parece ter essa sabedoria natural de entrar, iluminar, conhecer, abrir espaço, dar sentido, se mover. Quando fazemos isso à luz de velas em um barzinho de jazz com uma morena de cabelo cacheado, dizem que estamos seduzindo. Quando nossa mente opera suada algum tempo depois, dizem que estamos transando. Quando nossa mente opera sob o domínio da raiva, dizem que estamos brigando. Em todos os momentos, estamos com a mesma mente, usufruindo de sua infinita plasticidade, de sua natureza livre, de sua habilidade cognoscente que detecta, se agarra, se identifica e age com padrões, caminhos, linguagens&#8230;</p>
<p>É por isso que brilho no olho, calor no peito e eletricidade têm sempre a mesma qualidade, não importa em quais mundos ou com quais identidades e inteligências estamos operando. Na verdade, o brilho no olho é igualzinho em todas as pessoas.</p>
<p>Ao reconhecer o mesmo tesão de estar vivo em qualquer pessoa feliz e o mesmo pulmão desesperado em qualquer pessoa aflita, começamos a nos relacionar de modo impessoal com a eletricidade natural: ela não é nossa, ela não é de ninguém, não está dentro ou fora de nós. Com essa dúvida, podemos explorar os limbos entre os vários mundos e identidades.</p>
<p>Quando paramos e cortamos boa parte dos estímulos mais comuns que nos entretêm e movem nossa energia, o que sobra? Quando ficamos sozinhos, sem relação alguma para nos definir, quem nós somos?</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>


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		<title>A trilha sonora inaudível dos relacionamentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 12:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a playlist por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (&#8220;11 canções para amar mais&#8221;), mas agora me interessa a trilha sonora que não ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar&#8230;</p>


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<li><a href='http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-mente-ou-retiro-de-meditacao/' rel='bookmark' title='Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)'>Meu corpo sobre a mente (ou Retiro de meditação)</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1204" href="http://nao2nao1.com.br/a-trilha-sonora-inaudivel-dos-relacionamentos/trilha-sonora/"><img class="alignnone size-full wp-image-1204" title="trilha-sonora" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/08/trilha-sonora.jpg" alt="" width="589" height="250" /></a></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a <em>playlist</em> por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (<a href="http://blog.ianblack.com.br/2009/09/07/11-cancoes-para-amar-mais/" target="_blank">&#8220;11 canções para amar mais&#8221;</a>), mas agora me interessa a trilha sonora que <strong>não</strong> ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar a influência da música em uma experiência. Já adianto que meu foco está nas outras estruturas que atuam sobre nós de modo bastante similar ao som.</p>
<h1>Trailer de <em>Dumb &amp; Dumber</em> com trilha de <em>Inception</em></h1>
<p>Hans Zimmer construiu uma obra-prima para a trilha sonora de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank"><em>Inception</em></a> (aqui &#8220;A origem&#8221;), responsável por boa parte da experiência proposta por Christopher Nolan. Um bando de gênios com tempo livre logo reconheceu a qualidade da trilha e criou <em>mashups</em> de todos os tipos. Para você ter uma ideia, o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WxzYNbYHT8s" target="_blank">fim de <em>Lost</em> reeditado</a> com a música do fim de <em>Inception</em> talvez tenha ficado melhor que o original. ;-)</p>
<p>Em uma dessas brincadeiras, pegaram o áudio do trailer de <em>Inception</em> e montaram um trailer para o filme <em>Dumb &amp; Dumber</em> (&#8220;Débi &amp; Lóide&#8221;). O resultado: <strong>todas as cenas são ressignificadas</strong>. Se não conhecêssemos o original, nunca desconfiaríamos que trata-de de uma comédia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="356" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="356" src="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zLDx-BPgxxA" target="_blank">Link YouTube</a> | Mesmo conhecendo o filme e o truque, vemos as cenas mudando de textura, pra valer.<br />
</em></p>
<h1>Música, essa regente de mentes</h1>
<p>Antes de sair do âmbito do som, vamos detalhar um pouco mais o que acontece no cinema.</p>
<p>Depois dos créditos iniciais, ainda nos sentimos sentados na poltrona, sem grandes alterações. À medida que o filme avança, um mundo vai sendo criado. A missão do diretor é nos arremessar para dentro dessa realidade, até que nosso coração, nosso pulmão, nossas <strong>glândulas lacrimais</strong> estejam reagindo a cada <em>frame</em>. Sabemos de todo o truque, o que por muitas vezes não nos impede de cair no sonho proposto, de ter nossa mente conduzida.</p>
<p>Claro, apenas imagens não são suficientes para nos fisgar. É a música que direciona o olhar, que situa, que define a textura de cada imagem. Quando a trilha sonora funciona, ela não é percebida como um som específico, como música vinda de instrumentos. Nada disso. Na cena que nos envolve, a música age por trás do olho, como se carregasse no corpo. Se tal processo lhe parece óbvio, me antecipo: comece a pensar em como outras estruturas fazem a mesma coisa conosco fora do cinema, sem precisar de música alguma.</p>
<p>A mesma cena pode ser de terror, suspense, ação, comédia, drama&#8230; Para cada cena definida, temos incontáveis trilhas possíveis, ou seja, incontáveis experiências, universos de significação. Se a cena pré-existisse com algum sentido inerente e tivesse a música como complemento, isso não aconteceria. O caso é que a cena já surge com a trilha e assim construímos nossa experiência, já direcionados pela música, quase incapazes de sequer imaginar como seria a mesma cena de outro modo, sob o efeito de outra trilha sonora.</p>
<p>Para enfatizar essa percepção, basta <a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">colocar duas músicas no iPod</a> e sair para andar na Avenida Paulista. Pode ser &#8220;Gold dust&#8221;, da Tori Amos, e depois &#8220;Love generation&#8221;, do Bob Sinclair. Ou alguma da trilha de <em>Into the wild</em> seguida de outra da trilha de <em>Where the wild things are</em>. Qual das duas cenas é a verdadeira? <strong>As pessoas estão andando rápido mesmo ou é apenas a sensação da música?</strong> Elas parecem estranhas e distantes? Próximas e amigas?</p>
<p>Ou você pega um conflito e tenta extrair visões a partir de músicas, não de letras, mas da ambiência criada por cada música, dos olhares que elas proporcionam. Ouve uma e sente compaixão, redenção, compreensão do mundo do outro. Chora. Ouve outra e sente ódio, raiva, indignação. Uma música desenha um monstro. Outra revela um herói ferido.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IdeG1rSzqLk" target="_blank">Link YouTube</a> | Bobby McFerrin fazendo milagre com a ária mais bonita de Bach.</em></p>
<p>E então você enfim chega à pergunta essencial desse percurso que descrevo: <strong>&#8220;Qual música já estava tocando bem antes de eu colocar os fones?&#8221;.</strong> Ou: &#8220;Se eu conseguisse aumentar o volume da minha mente, que tipo de música eu ouviria?&#8221;.</p>
<h1>Melodias internas que não ouvimos</h1>
<p>A trilha sonora sempre existe, com ou sem música de fundo. É como se estivéssemos colorindo as cenas da vida o tempo todo com nossos instrumentos musicais invisíveis e nossa tendência a diretor, compositor, cineasta. Estamos dirigindo, filmando, posicionando câmeras, editando, roteirizando, decupando, perfumando, prestando atenção na continuidade e, claro, ajustando a trilha sonora, quadro a quadro.</p>
<p>Isso tudo fora o personagem. Além de viver, envolvemos o vivido em um mundo de sentido, em uma história que inventamos o tempo todo sem saber.</p>
<p>Mais do que uma metáfora, é precisamente esse o nosso funcionamento! A cada momento, encaramos as coisas com algum pré-roteiro, alguma predisposição melódica, uma ou outra preferência estética. <strong>As músicas, essas de som, só aumentam o volume das trilhas inaudíveis</strong>, mas elas sempre  estão presentes, caso contrário as músicas nesse post não fariam  absolutamente nada com sua mente.</p>
<h1>Cena: uma namorada e um cara tomando banho</h1>
<p><strong>A namorada sobe. </strong>Ele está no banho, atrasado. Saiu apenas para abrir a porta e logo voltou. Se esse será um filme pornô ou um drama existencial, bem, não está na cena a definição, mas na trilha sonora.</p>
<p>Ela pode passar por esse momento já imaginando como seria entrar no banho. Ou esperar pelo namorado <strong>nua na cama</strong>. Da ideia à prática é um pulo. Ela também pode viver essa mesma experiência, sem objetivamente mudar nada, como uma aflição, irritada porque ele está demorando de novo, não se aprontou antes de novo, não a valoriza mais&#8230; Esse outro filme continua com ela sentada no sofá, impaciente, <strong>emburrada</strong> quando ele sai do banheiro.</p>
<p>Se analisarmos apenas o banho desse cara, não há diferença entre as duas cenas. Não há nada no banho dele que ative uma ou outra resposta em sua namorada. É o modo com que ela olha para o banho que constrói o filme todo. A posição da câmera, o foco na edição, o ritmo da trilha que ela não ouve, mas que não cessa de movê-la. Até mesmo sua experiência de tempo (o banho vai durar minutos ou décadas?) é definida por essa trilha oculta.</p>
<p>Mais ainda, uma vez que ele fecha a porta e religa o chuveiro para terminar o banho, a experiência explode com tudo, deixando inacessíveis todas as outras possibilidades: trilhas, edições, ângulos que ela não escolheu. É por isso que, sob a perspectiva da namorada, parece que o banho é aquilo mesmo que lhe parece, do jeito que surge, com a textura ali manifesta. Se ela está irritada, tem toda razão: ele, de fato, deveria ter se arrumado antes. Se está excitada, perfeito: ele vai sair do banho louco para comê-la antes de se vestir.</p>
<p>Nossa tragédia começa no ocultamento dos filmes que deixamos de viver por causa das trilhas que continuamente tocamos, das edições instantâneas, ângulos de cada olhar, <strong>roteiros que seguramos debaixo do braço</strong>. O filme que surge parece o único possível, como se viesse pronto, lá de fora, como se não tivesse o nosso nome nos créditos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nvs7ogxkOIA" target="_blank">Link YouTube</a> | Esse cara pegou a melhor música da trilha de &#8220;The straight story&#8221; (do mestre Angelo Badalamenti) e botou em cima de cenas de seu bairro. Olha o resultado, dá até vontade de ir lá conhecer. Aliás, é assim que a gente se apaixona: colocamos pra tocar a nossa melhor música em cima de alguém, que por acaso ficou algum tempo por perto. A paixão é essa aura. Como é nossa melhor música, vemos o melhor do outro e acabamos expondo o nosso melhor. Quer dizer, até outras trilhas começarem a tocar o terror&#8230;<br />
</em></p>
<h1>Brincando de cineasta</h1>
<p>Não há nada de errado nesse processo de construção cinematográfica da vida (e me refiro à própria percepção de cada fenômeno, não a alguma espécie de romantização posterior). O problema está na cegueira, no fato de não sabermos que estamos agindo assim, não exatamente no sofrimento que alguns filmes mais duros despejam sobre nós.</p>
<p>Ora, já que a trilha sonora está aí, já que todo momento já surge condicionado, já que nunca temos acesso às infinitas possibilidades, só nos resta olhar para o modo <strong>como estamos trazendo os eventos à tona</strong>, como estamos construindo a vida que parece nos acontecer, que parece vir de fora. A cada momento, somos obrigados a pisar numa direção ou em outra sem antes saber qual terra é melhor. Pisamos e só depois dizemos: &#8220;Ah, aqui é fofo&#8221;. A cada passo, uma desconfiança, mesmo em terras boas: &#8220;E se lá for melhor?&#8221;. Ou: &#8220;E se a terra boa acabar no próximo passo?&#8221;.</p>
<p>Nossa situação atual, seja qual for, agora mesmo, não é positiva ou negativa em si mesma. Há alguma trilha sonora interna atuando sem cessar para que ela nos apareça de um certo jeito, para que a vivamos como uma experiência específica. Em vez de se preocupar em dar o próximo passo, torcendo para que ele nos leve a uma situação melhor, podemos simplesmente mudar a trilha sonora e ver no que dá, ver como isso altera a experiência toda, mais até do que se mudássemos a situação diretamente.</p>
<p>Voltando à cena do homem no banho, agora vemos a namorada sorrindo para sua própria dinâmica, ouvindo a trilha sonora que colocou, sem saber, na cena. Ela pode ficar emburrada ou pode tirar a roupa. A situação não está definida; o que vale é a<em> experiência</em> dessa situação. Na verdade, o que chamamos de situação é tão somente nossa experiência. <strong>Não há situação em si</strong>, independente de nossa edição, roteiro, fotografia, iluminação&#8230;</p>
<p>O banho do cara demora o suficiente para ela avançar um pouco mais. Agora ela simula os dois filmes em <em>fast-forward</em> e observa como ficar emburrada não é necessariamente pior do que tirar a roupa, pois talvez ela tire a roupa, ele broche e os dois briguem. Talvez ela fique emburrada, ele fique nervoso e eles acabem com as frescuras se acabando no chão, o que por sua vez não é necessariamente melhor ou pior do que brigar&#8230; ;-) Basta um outro <em>fast-forward</em> para comprovar a infinita abertura e flexibilidade dos eventos.</p>
<p>Ela continua até se dar conta de que o que importa não é seguir em uma ou em outra direção, mas seguir com olhos abertos para a liberdade sempre presente, para a insubstancialidade de cada momento, <strong>como se tudo pudesse virar lixo ou ouro</strong>, a cada segundo, como se nada nunca se definisse e se fechasse completamente.</p>
<p>Sua escolha, então, não é entre o sofá e a cama, a cara emburrada e a perna esticada, entre uma situação e outra, mas entre viver o filme como cineasta e viver o filme como um ator com amnésia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=aBALudMfBBM" target="_blank">Link YouTube</a> | Ouça lembrando da vida inteira ou de uma história amorosa. O que sai?</em></p>
<h1>Silêncio</h1>
<p>Ouvir a trilha sonora pela qual atuamos e poder transformá-la. Trocar <em>olvido</em> por ouvido. <strong>Liberdade não é só isso.</strong></p>
<p>Se o cara ficasse um pouco mais no banho, a namorada certamente questionaria até mesmo sua necessidade de mexer na trilha sonora para ter outras experiências de uma mesma cena. Ela olharia com calma para essa capacidade de mudar a trilha, de trocar de roteiro, de ajustar ângulos&#8230; e desconfiaria de uma liberdade anterior: a de criar filmes e trilhas.</p>
<p>Brincar de cineasta é excelente, claro. Mas como é possível que uma cena que hoje nos aflige (a ponto de cortar nossa fome) amanhã seja motivo de risadas soltas e despreocupadas? O que faz com que os filmes e trilhas se alterem tanto e tão rápido?</p>
<p>Mais do que culminar em uma resposta, essa pergunta direciona nosso olho para uma dimensão além de qualquer trilha sonora, algo como o que imaginamos quando ouvimos a palavra &#8220;silêncio&#8221;.</p>
<p>Repousando nesse silêncio, e não em filmes específicos e suas possíveis edições e refilmagens, entendemos que não precisamos criar um filme a partir de outro, resolvendo algo, trocando algum personagem, mudando a trilha ou a fotografia. <strong>Dá para criar um filme a partir da própria liberdade de criar filmes</strong>, do zero – o que não significa alguma espécie de fascinação pela morte ou aversão à continuidade, pois uma das coisas mais divertidas é criar, do zero, a mesmíssima realidade que existia anteontem. Não é isso o que uma garota faz quando atende o telefone com um &#8220;Oi, amor&#8230;&#8221;?</p>
<p>Pois bem, é claro que o homem de nossa cena saiu do banheiro depois de todo esse tempo. Sua paciente namorada talvez esteja na cama, talvez no sofá ou até já tenha ido embora. O importante é que ele também tenha percebido algumas coisas enquanto a água corria&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DO2a2KSwLg4" target="_blank">Link YouTube</a> | Um dos melhores temas de &#8220;Lost&#8221;, de Michael Giacchino (italiano, pra variar).</em></p>


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		<title>A logística do amor</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 15:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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		<category><![CDATA[Para mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1094" title="logistica" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/logistica.jpg" alt="" width="588" height="250" /><em><br />
Os detalhes técnicos da relação são muito mais importantes do que pensamos&#8230;</em></p>
<p>Ele chegava cansado. Lavava louça enquanto preparava o jantar com ela. Comiam. Ele deitava no sofá para descansar um pouco ou ficava respondendo emails. Ela tomava banho e voltava para beijá-lo. Ele se sentia sujo e não queria nada antes de tomar banho. Ele sempre se demorava e ela dormia antes. Depois de um tempo, isso os destruiu. <strong>Tivesse ele tomado banho antes&#8230;</strong></p>
<p>Parece um detalhe insignificante? Não é.</p>
<h1>A cegueira do amor romântico</h1>
<p>Nossa mania de <a href="http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia/" target="_blank">basear a relação no amor romântico</a>, nos sentimentos, ofusca a importância de outros aspectos mais técnicos, frios, funcionais, como a logística, o workflow, o controle de estoque da coisa. Tendo amor e paixão, de que importam rotinas, hábitos, trabalhos, deslocamentos e os mil processos de nossas vidas? Assim pensamos, iludidos.</p>
<p>Por que você acha que os casamentos arranjados davam certo? Ora, quando a logística é bem estruturada, amor é o de menos. Com o tempo, aprendemos a cuidar, sentir tesão, transar, amar, admirar, se apaixonar. Ao ouvir isso, sentimos uma certa aversão à ideia de &#8220;aprender a sentir tesão&#8221;, não é mesmo? Somos fascinados pela paixão súbita, pela química inexplicável, pelo amor que parece vir de uma vida passada. É o <strong>espírito <em>fast food</em> nos relacionamentos</strong>: queremos tudo pronto, do nada, agora.</p>
<p>Admiro o arquétipo da relação Romeu e Julieta pelo aspecto libertário, mas sempre achei esse modelo adolescente demais, mimado demais. É uma das fundações do amor moderno e se atualiza sempre que uma relação começa com um &#8220;Eu gosto dele, ele me faz bem, eu sinto um frio no peito&#8221; e fica só nisso, sem olhar o mundo inteiro do outro. Se é para fazer amor, vamos dar, penetrar, meter no mundo inteiro um do outro. E muito desse amor se faz com coisas das quais não gostamos.</p>
<p>Nós, Romeus e Julietas, precisamos crescer e aprender a fazer o que precisa ser feito, para além de nossas teimosias, birras e manhas. Aprender a reconhecer e lidar com a logística do amor com a mesma frequência com que olhamos para nossos sentimentos.</p>
<h1>Um homem alérgico a cortinas</h1>
<p>Pensamos que sabemos a origem de nossos problemas, mas não sabemos. Com perturbações fisiológicas, o diagnóstico não é fácil, imagine com as emocionais e relacionais.</p>
<p>Somos como um homem alérgico e <strong>apaixonado por cortinas</strong>. Ele não desconfia de sua alergia, age movido por &#8220;gosto / não gosto&#8221; e sempre compra mais uma cortina, até para onde não tem janela. Como está sempre espirrando, troca todos os móveis, muda de casa, muda de cidade, rejeita amigos e namoradas, briga com a família, mas nunca abandona as cortinas. Ele vai a psicólogos, <strong>cria teorias sobre por que espirra na frente de tal e tal pessoa</strong>, lista os problemas dos outros pelos quais teria aversão, compra livros do tipo &#8220;Como interpretar seus espirros&#8221;&#8230;</p>
<p>Focamos tanto em nossa subjetividade, nas emoções, no amor romântico, na paixão, em nossos desejos e mimos, que esquecemos do mundo, dos processos, das coisas, da logística. Bastaria a esse homem jogar fora as cortinas para ser feliz em qualquer casa.</p>
<p>Se tal metáfora lhe parece muito distante e caricata, imagine uma pessoa que, por algum motivo, para de trabalhar, tem sua carência potencializada pelo tempo livre, e começa a encontrar problemas na relação, se sentir insatisfeita com a ausência do parceiro, reclamar, brigar, até terminar a relação com uma lista de coisas que o outro não faz, que o outro não é. Tivesse ela voltado a trabalhar&#8230;</p>
<h1>Nossa mente é relacional</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1093" title="james-jean" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/james-jean.jpg" alt="" width="300" height="354" align="left" />O que alimenta esse processo é nosso autocentramento e a ilusão de que existe uma mente fechada dentro de nossa cabeça, em vez de pensamentos e emoções que existem de modo impessoal flutuando como possibilidades por aí, que podem ser incorporadas ou apenas passear livres no espaço que somos. Nossa mente é relacional, ela se expande entre as pessoas, para dentro delas, entre locais e objetos.</p>
<p>Quando surge um problema, <strong>temos certeza de que ele é nosso ou do outro, que está dentro de alguma mente</strong>, não no chão, na cortina, no espaço entre pessoas e coisas. Como nos levamos a sério, vivemos emoções de modo pessoal e usamos nossos dramas para dar sentido à vida, é muito difícil admitir que a maioria dos nossos problemas mais sérios e gigantescos são frutos de detalhes (como uma cortina) e poderiam ser transformados com mudanças simples de logística.</p>
<p>Nossa mente não tem nada dentro. Ela é um olho que se posiciona aqui ou ali – aqui, vê uma perspectiva; ali enxerga outro universo. É por isso que uma cortina pode mudar nossa vida.</p>
<p><strong>Entre um mendigo jogado na rua e eu</strong>, a única diferença é de posição, não de conteúdo mental ou &#8220;personalidade&#8221;. Em menos de uma semana passando frio, sem comer, eu teria os mesmíssimos pensamentos, o mesmo mundo emocional, a mesma personalidade. Possivelmente roubaria ou mataria alguém.</p>
<p>A logística de minha vida, minha rotina, meu trabalho, minhas roupas, meu apartamento, meus deslocamentos,<strong> tudo aquilo que penso não ser eu</strong> é muito mais responsável por minhas experiências do que consigo imaginar. Assim como meu namoro, que não é o laço entre duas subjetividades, mas a interface entre céus, chãos, armários, paredes, computadores, trabalhos, camas, agendas, futuros, passados, famílias, restaurantes, sonhos, banheiros, supermercados, carros, trejeitos, vassouras, panelas, livros, manias, escovas de dente&#8230;</p>
<p><em>* Crédito da imagem acima: <a href="http://www.jamesjean.com/work/2009/Wave+II/1" target="_blank">James  Jean, &#8220;Wave II&#8221; (2009)</a>.</em></p>
<h1>Como namorar com pausas de 2 dias por semana</h1>
<p>O casal que já superou a necessidade excessiva por paixão e romantismo pode focar mais livremente nos recursos e nos fluxos que, de fato, possibilitam que a relação avance. Se ambos ainda estão preocupados com &#8220;Você gosta de mim? Você me ama? Você me deseja?&#8221;, uma conversa sobre morar em casas separadas é inviável. A ironia é que justamente essas mudanças logísticas, que podem provocar insegurança, salvam muitas relações – e, a longo prazo, só aumentam a confiança.</p>
<p>No filme <strong><em>Sex and the city 2</em></strong> (que assisti para comprovar uma ideia que publicarei no PapodeHomem), consegui encontrar uma questão interessante: o marido da personagem principal propõe uma pausa semanal no casamento, 2 dias em que eles ficam em apartamentos diferentes, sem se ligar, fazendo o que quiserem – pelo que entendi, eles tem de se manter fieis, mas não vejo problema em adaptar essa regra. ;-)</p>
<p><a rel="attachment wp-att-1092" href="http://nao2nao1.com.br/logistica-do-amor/sex-and-the-city/"><img title="sex-and-the-city" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/07/sex-and-the-city.jpg" alt="" width="588" height="270" /></a><br />
<em>&#8220;E aí, querida, saiu com alguém ontem? Comprovou que eu sou melhor ou  vai continuar procurando?&#8221;</em></p>
<p>Basta questionar um pouco as convenções naturalizadas, basta quebrar processos automatizados, reconhecer e mexer na logística, para se surpreender com novos fluxos do amor, novos olhares de desejo, interfaces e toques que nunca foram explorados porque não havia suporte, horário, transporte, cama pra isso.</p>
<p><strong>Casar e morar em casas separadas</strong>: &#8220;Você vem jantar e dormir aqui hoje?&#8221;. Ou dormir em quartos diferentes com duas camas de casal, sendo que às vezes uma delas fica vazia à noite toda. Não criar uma conta conjunta. Não casar, apenas morar junto. Casar e ficar solteiro, sem bloquear novas relações. Fazer regras por brincadeira e não fazer disso mais uma regra (nem dessa frase e nem desse parênteses). Ou fazer e esquecer, como dois caretas convencionais, por que não?</p>
<p>Mais do que isso, em cada detalhe, podemos olhar para as questões logísticas da relação, detectar obstruções e brincar de mover o sofá na nossa sala para ver em que parte do chão ainda não transamos. Aliás, isso de mover juntos o sofá é tão importante quanto transar no chão.</p>
<p>Enfim, possibilidades e mais possibilidades para quem não confia no amor e sabe que <strong>o horário do banho pode acabar com um relacionamento.</strong></p>
<h1>Qual sua experiência com essa logística do amor?</h1>
<p>A galera do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">BIC Comfort 3</a> continua questionando o comportamento do <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">homem bem-feito</a> em relação a essas questões que levantei acima.</p>
<p>Eu tenho muita <strong>curiosidade</strong> em saber se vocês já viveram isso. Qual foi o seu &#8220;horário do banho&#8221;? Já viveu  um relacionamento que deu muito certo ou muito errado por causa de um simples detalhe logístico? Já fez alguma mudança simples que alterou todo o curso da relação? <strong>Quais &#8220;sofás&#8221; mudou de lugar?</strong></p>
<p>Deixe sua visão, conte sua história e seguimos a conversa nos comentários aqui.</p>
<p><em>* Post patrocinado. Se quiser acompanhar a ação, assine o Twitter <a href="http://twitter.com/homembemfeito" target="_blank">@homembemfeito</a> e inscreva-se no <a href="http://www.homembemfeito.com.br/" target="_blank">site www.homembemfeito.com.br</a></em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A verdadeira impotência sexual masculina</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 22:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</p>
<p>Já conversamos sobre contas afrodisíacas, &#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução e posições sexuais internas. Agora o tema é impotência, considerando homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img title="impotencia" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/impotencia.jpg" alt="impotencia" width="300" height="250" align="left" />O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</em></p>
<p>Já conversamos sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">contas afrodisíacas</a>, <a href="http://nao2nao1.com.br/dicas-infaliveis-de-seducao-e-mais-4-respostas-aos-leitores/" target="_blank">&#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução</a> e <a href="http://nao2nao1.com.br/uma-mulher-e-suas-areas-intocadas/" target="_blank">posições sexuais internas</a>. Agora o tema é impotência, considerando <strong>homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica</strong> e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como causas de impotência, como o tal do estresse, pois eles se incluem como efeitos (não causas!) da impotência que vou descrever aqui. Muito menos aquela listinha de coisas brochantes dentro do manual para mulheres. Meu foco é aquilo que depende apenas da <strong>autonomia masculina</strong>, sem remédios, sem mudanças externas.</p>
<h1>Que impotência é essa?</h1>
<p>Imagine um homem em perfeitas condições que sofre de ejaculação precoce, gozando nos primeiros minutos de penetração ou boquete bem feito (não aquele que a mulher faz tomando cuidado para não pirar demais), e desenvolve o padrão de sempre partir para o sexo oral enquanto se prepara para uma &#8220;segunda&#8221;, na qual aí sim vai conseguir segurar por mais tempo – com menos potência.</p>
<p>Visualize outro que frequentemente não tem libido alguma. E outro que tem tesão, mas muitas vezes não consegue uma boa ereção. E outro que até consegue, mas não é capaz de sustentá-la de modo adequado ao ritmo espontânea da transa, gerando <strong>interrupções desconfortáveis</strong>.</p>
<p>Inclua mais um homem nessa imagem. Seu problema não é brochar, não é ejaculação precoce, não é ausência de libido ou potência. Ele faz tudo certo, mas talvez sofra desse <strong>outro tipo de impotência</strong>. De fato, a impotência sexual é  raríssima se comparada com a impotência masculina  dentro de uma relação e na vida, muito mais abundante.</p>
<h1>O que já não estava em pé antes?</h1>
<p>Cada vez mais <strong>as mulheres usam o sexo para se sentir amadas</strong>, já que às vezes é o único momento em que o homem para e olha com desejo, admira, toca sua mulher com vontade. O raro momento em que o homem fica minimamente presente e disponível, em que rola uma massagem (não é à toa que fizeram um <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y que serve para massagear e penetrar</a>), palavras sacanas, respiração profunda, conversas mais relaxadas.</p>
<p>Por outro lado, não é nada incomum o marido desenvolver aversão pela mulher em seus momentos de chatice e confusão, preferindo <strong>gozar sem preocupação</strong> diante da tela do computador a superar uma série de conflitos para chegar ao sexo. Em vez de abrir o quarto e enfrentar o monstro até que ele entregue aquela mulher sorridente e sensual de volta, ele fica horas enrolando na Internet, liga para uma garota de programa ou sai para beber e descarregar a tensão.</p>
<p>Quase ninguém fala dessa incapacidade de estar presente sem a necessidade do sexo ou dessa impotência diante dos caminhos tortuosos que culminam em uma relação profunda e intensa. Sem referências, o homem prefere a facilidade do <strong>orgasmo <em>fast food</em></strong> ao cultivo mais demorado, agrícola, orgânico da coisa.</p>
<p>Sem essa potência, o homem nunca levanta, sobe, estabiliza, endurece antes do sexo.</p>
<h1>As brochadas sutis de um homem</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-974" title="indiana-jones" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/indiana-jones.jpg" alt="indiana-jones" width="588" height="244" /><br />
<em>Lembra dessa cena?</em></p>
<p>Você consegue <strong>ver a </strong><strong>vida de pernas abertas </strong>quando sua mulher lista 71 reclamações e pede a separação? Segue andando a la Indiana Jones sobre pontes que ninguém mais vê? Tem a manha de avançar sobre sua parceira com dois pés e duas mãos sem nada atrás hesitando (&#8220;Será que eu não consigo uma melhor? Será que vai dar certo?&#8221;)? Todo dia, junto com o primeiro gole de água, toma a pílula vermelha ou a pílula azul para não brochar em todas essas situações?</p>
<p>Em um sentido amplo, a impotência masculina surge de uma falta de habilidade em lidar com o feminino, com o caos, com tudo o que se move livremente. O homem brocha quando a energia que lhe impacta externamente supera sua autonomia, como uma avalanche ou um atropelamento. Ou melhor, quando ele tem a <strong>experiência de ser atropelado</strong>, a sensação de afundar, assim como seu tesão é experimentado como uma liberdade de atravessar paredes.</p>
<p>Tal impacto pode ser dolorido ou prazeroso. Podemos ser arrastados pelas falas emocionais de uma mulher, por uma confusão na empresa, excesso de bebida ou pela ansiedade em ejacular no meio de um boquete. Não importa, somos arrastados, atropelados, engolfados. Os movimentos externos e impulsos internos decidem qual será nossa experiência, qual será nossa reação. Perdemos autonomia. Caímos. Ficamos impotentes.</p>
<h1>Cura e tratamento da impotência masculina</h1>
<p>A primeira coisa para conseguir levantar o pau antes do sexo é observar como nosso sofrimento é sinônimo de passividade e como nos alegramos quando agimos, afinal nossa potência vem da capacidade de <strong>foder, penetrar, avançar sobre as coisas. </strong></p>
<p>Precisamos observar o que acontece quando sentimos tesão de existir, propósito, senso de humor, peito cheio, visão nítida. Qual a textura dessa eletricidade que nos move? De onde ela vem? Como pode ser sustentada mesmo quando as configurações externas se alternam?</p>
<p>Quando um homem chega nesse ponto, é provável que encontre um professor de meditação e que comece a aprender a <strong>estabilizar essa eletricidade de modo autônomo</strong>, algo que naturalmente melhora suas relações, sua ação na vida e, claro, na cama. Eis o caminho mais direto para utilizar essa impotência como trampolim para transformações muito maiores do que apenas superar a impotência.</p>
<p>Para quem deseja soluções paliativas, há alguns meios hábeis, que se resumem a tentar emular uma ação potente e ativar diretamente a energia em alguns momentos. O resultado é instável, claro. Ninguém disse que seria fácil. ;-)</p>
<p><img title="dahmer" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/dahmer.jpg" alt="dahmer" width="588" height="187" /><br />
<em>André Dahmer | <a href="http://malvados.com.br/" target="_blank">Malvados</a></em></p>
<h1>Sexo e vida com potência: 11 possibilidades para os homens</h1>
<p>Falar do que dá errado e não contemplar os movimentos positivos é um péssimo habito. Vamos, portanto, listar as qualidades de um homem presente. Ou melhor, em vez de imaginarmos um homem ideal, podemos lembrar que essas são  <strong>qualidades que já se manifestam esporadicamente em todos os homens, </strong>possibilidades  disponíveis a qualquer um.</p>
<p>Há, claro, muito o que uma mulher  pode fazer para não dinamitar a potência masculina e para sustentar sua  própria energia. Mas isso é assunto para outros textos.</p>
<p>Para os homens que desejam avançar, o melhor é <strong>não esperar que a  mulher ou a vida facilite</strong>. Na verdade, sua relação consigo mesmo é  inseparável de sua relação com as mulheres e com os movimentos da vida.  Aquele que mima a si mesmo, por exemplo, vai mimar sua mulher e vai  esperar mimos da vida.</p>
<p><strong>1. </strong>Ele não tenta agradar – a parceira, a sociedade ou a si mesmo. Não cede ou abaixa a cabeça para restrições e obstáculos. Ele se move para além dos mimos, tanto na cama quando na relação em geral.</p>
<blockquote><p>&#8220;True sexual and spiritual surrender is not about adapting yourself to what will appease your partner. Nor is it about surrendering to your own momentary emotional needs. True surrender is about relaxing through these secondary needs, both yours and your partner&#8217;s, and magnifying your primary desire to give and receive unbounded love.&#8221; <a href="http://www.bluetruth.org/index.php/David_Deida" target="_blank">–David Deida</a></p></blockquote>
<p><strong>2. Ele não tenta &#8220;convencer&#8221; a mulher</strong> a fazer algo diferente no sexo, seja um ménage ou apenas sexo anal. Ele apenas abre espaço e flui pela liberdade, sem pensar em termos de eu e outro. Sua condução não controla, apenas sugere, propõe, provoca. E o convite não define, não tem conteúdo. Ele apenas aumenta a energia, infla, preenche, brinca, alimenta e então vê o que acontece.</p>
<p><strong>3. </strong>Ele se delicia com o corpo feminino, desde uma observação dos gestos à distância até se aproximar de cada poro, respirando a mulher pra dentro, enchendo o corpo de ar, comendo, engolindo, sentido a energia da parceira por dentro.</p>
<p><strong>4. </strong>Ele repousa no feminino sem medo de se identificar com ele. Recebe uma massagem, se solta, relaxa o abdômen, se entrega e, principalmente, solta o ar completamente, como se caísse desistindo de se manter vivo. <strong>Essa pequena morte é vivenciada como um repouso</strong> que estabiliza sua energia e abre espaço para que o prazer sexual e o tesão de viver aumente sem criar perturbação, contração, tensão, sem precisar ser descarregado constantemente. Então ele parte pra cima dela com essa mesma energia.</p>
<p><strong>5. </strong>Ele avança sobre o feminino sem pedir licença assim como mantém um direcionamento na vida para além de seus relacionamentos. Porque nem sempre pede autorização ou concordância, ele consegue tocar sua parceira em áreas em que ela dificilmente atingiria sozinha.</p>
<p><strong>6.</strong> Ele não respeita seus próprios obstáculos. E é exatamente essa atitude, quando direcionada para fora, que penetra a rigidez feminina. Se ela sente dor na penetração, ele não fica anos respeitando e arranjando jeitos de evitar a penetração. Ele aceita, acolhe, se diverte ao mesmo tempo em que a ajuda a superar, investiga, <strong>perfura o hábito acomodado de ambos</strong>, desafia, convida a transformação mesmo que haja dor e desconforto no meio do caminho.</p>
<p><strong>7. </strong>Ele sente prazer em conduzir e mover sua mulher. Observou que essa postura abre espaço para que ela seja e aja como mulher de um modo que nem sempre consegue em sua vida cotidiana.</p>
<p><strong>8. Ele libera o feminino.</strong> Não oferece nenhuma restrição para as expressões faciais, emoções, ideias, relações, roupas, palavras, ações, faculdades, trabalhos que as mulheres ao seu redor tanto exploram.</p>
<p><strong>9. </strong>Ele não se desespera quando os movimentos externos não lhe favorecem. Ou seja, quando é pressionado, contrariado, rebaixado, ignorado, criticado, traído ou abandonado.</p>
<p><strong>10.</strong> Ele sabe que <strong>sua vida não é definida pelas situações</strong> mas por sua ação sobre o que lhe acontece. Como <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">essa experiência acontece por um corpo e por uma mente</a>, sua única prática é sustentar um corpo vivo e uma mente lúcida, em qualquer situação, em todas as relações. Ao abrir os olhos para como sua experiência de mundo é construída, ele deixa de ser vítima e se descobre autor, o que faz sua energia circular pois começa a agir sobre aquilo que antes agia sobre ele. Foder o que lhe fodia,<strong> brincar com o que temia</strong>.</p>
<p><strong>11. </strong>Ao mesmo tempo, ele se esforça menos em controlar as coisas, pois agora seu foco está na postura de mente e corpo, na qualidade da experiência, na estabilidade de sua energia, não importa o que surja pela frente.</p>
<h1>Oferecimento: K-Y</h1>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-975" title="ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ky1.jpg" alt="ky" width="588" height="250" /></a></p>
<p>É isso. Recebi quase 100 mensagens pelo widget que ficou por um mês aqui no <em>Não2Não1</em>. Espero ter tocado em algumas dessas histórias e questões sobre o &#8220;Antes&#8221;.</p>
<p>Deixo o convite a todos para conhecer a <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">linha de produtos da K-Y</a>, marca que <strong>apoiou o <em>Não2Não1</em></strong> e o conteúdo que venho produzindo aqui há 4 anos. Confesso que sou fã do <strong><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y 2 em 1 &#8220;Sensual massage&#8221;</a></strong> (não uso o gel) e que não teria topado essa ação se não houvesse essa identificação com o produto.</p>
<p>Aguardo seus comentários, como sempre.</p>
<p>Abraços!</p>


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		<title>Uma mulher e suas áreas intocadas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 20:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você se esquece disso e cumprimenta apenas a mulher. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você conversa apenas com a mulher e a convida para jantar. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas, mas você leva apenas a mulher para a cama.</p>
<p>Depois de falar do &#8220;antes do antes&#8221;&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. <strong>Você se esquece disso e cumprimenta apenas a mulher.</strong> Ela é uma mulher e suas áreas intocadas. Você conversa apenas com a mulher e a convida para jantar. Ela é uma mulher e suas áreas intocadas, mas você leva apenas a mulher para a cama.</em></p>
<p>Depois de falar do <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">&#8220;antes do antes&#8221;</a> e da <a href="http://nao2nao1.com.br/dicas-infaliveis-de-seducao-e-mais-4-respostas-aos-leitores/" target="_blank">sedução impessoal sem estratégias</a>, vamos agora explorar <strong>como nossa imaginação pode moldar nossos corpos</strong> e como nosso prazer é limitado ao nosso mundo de significações. Ainda que o discurso sobre as cavernas do feminino seja mais direcionado aos homens, penso que o mesmo vale para as mulheres em relação aos subterrâneos masculinos.</p>
<p>Dê play antes de seguir lendo:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/__sNWPCeSPQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/__sNWPCeSPQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=tbSnCh8Ny1k" target="_blank">&#8220;Secret Garden&#8221;</a> (Bruce Springsteen)</em></p>
<blockquote><p>&#8220;She&#8217;ll let you in her house<br />
If you come knockin&#8217; late at night<br />
She&#8217;ll let you in her mouth<br />
If the words you say are right<br />
If you pay the price<br />
She&#8217;ll let you deep inside<br />
But there&#8217;s a secret garden she hides&#8221;</p></blockquote>
<h1>A inevitabilidade do problema</h1>
<p>Após o casamento, você percebe que <strong>algo nela nunca sequer namorou com você</strong>&#8230; Ou outro homem percebe antes e começa a olhar e se relacionar justamente com essas áreas intocadas, de onde nasce uma outra mulher: aquela que vai pedir divórcio.</p>
<p>Tal movimento é inevitável. Não há como controlar o outro e se assegurar de que você o está contemplando inteiramente. Sempre sobra algo. No entanto, seria melhor se não fôssemos tão vítimas, se pudéssemos chegar até pelo menos algumas áreas intocadas, não por medo de que outro chegue primeiro, mas para melhorar a qualidade da relação.</p>
<p>Na verdade, a profundidade de uma relação aumenta apenas pelo processo de não congelar e de sempre avançar mais um pouco para dentro um do outro, não exatamente pelo sucesso desse movimento ou pela &#8220;cobertura&#8221; atingida.</p>
<h1>O primeiro ponto cego dos relacionamentos</h1>
<p>Nossa cegueira é como uma prisão com horizontes tão amplos que sequer desconfiamos de seus limites. Não vemos algo justamente porque <strong>temos a experiência de ver tudo</strong>. Como diria Francisco Varela, nossa realidade sensorial nos parece 100% completa, sem nada faltando. Se outro ser (nosso amigo, um africano ou uma abelha) vê outra coisa, então é sinal claro de que ele está errado, alucinando.</p>
<p>O que vemos quando olhamos para nossa esposa ou para nosso namorado? Simples: o outro nos parece 100% como a identidade que foi construída pela relação. Um pai vê um filho no menino que estuda na sala com o amigo que vê o amigo que minutos antes era visto como aluno pela professora. Eis a primeira cegueira de uma relação: <strong>não olhamos para a mulher, mas para o que construímos na relação com ela.</strong> Se uma relação surge como um namoro, ela passa a ser nossa namorada, não apenas como uma imagem mental, mas como um corpo diante de nós vivendo em um mundo específico que vai sendo pintado pelo casal.</p>
<p>A cegueira é também uma proteção, afinal lembrar que nossa namorada é uma mulher implica em admitir a possibilidade de que ela seja desejada e sinta desejo por outros, de que ela se transforme em namorada de outro. Ou em admitir que ela não lembra muito de nós enquanto está agindo como filha. Lembrar que nossa relação com ela não abraça 100% do seu ser (e nem deveria).</p>
<h1>O segundo ponto cego dos relacionamentos</h1>
<blockquote><p>&#8220;Murilo achava que me conhecia bem demais, ficou confiante: nunca olhou dentro da carapaça. Viu a carapaça e achou que aquilo é que era, que já estava tão fundo dentro de mim quanto alguém poderia estar. Mas o fundo é sempre mais embaixo, nem eu sei onde, e lá o Murilo nunca se aventurou. Casou com a rocha, se satisfez com a rocha e uma rocha era o que esperava que eu fosse.&#8221; –Alex Castro, em <a href="http://alexcastro.com.br/blog/category/livros/mulher/" target="_blank"><em>Mulher de um homem só</em></a></p></blockquote>
<p>Além de confundirmos nossa mulher com a identidade que foi construída em sua relação conosco, há um outro ponto cego no interior mesmo dessa relação. No primeiro caso, não vemos as outras mulheres por trás de nossa namorada; no segundo, não vemos nem mesmo nossa mulher por completo. Ela chora debaixo do chuveiro, volta para a cama e não desconfiamos de nada. Ela coloca uma calcinha especial e estamos cansados demais para notar e tirá-la com gosto. Ela é sutilmente inferiorizada por sua família e você interpreta tudo como brincadeira&#8230;</p>
<p>Não é por acaso que talvez <strong>a maior reclamação feminina</strong> seja relacionada à solidão e à ausência do olhar desejante masculino. Ouçam o pedido da Vanessa da Mata representando todas as mulheres: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=RaOVR5RkJkM" target="_blank">&#8220;Não me deixe só&#8221;</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fICEI4B3Q8A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/fICEI4B3Q8A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ora, é por isso que algumas relações são tão transformadoras. Quando uma mulher realmente se sente viva, olhada, cuidada, preenchida dentro de uma relação, todas as outras identidades conseguem sentir esse calor. Se reduzimos os dois pontos cegos, atingimos uma base anterior à própria identidade de namorada que surge à nossa frente. Não só a namorada, mas a mulher inteira fica feliz.</p>
<p>Ao mesmo tempo, nós descobrimos como agir com esse ser mais amplo que a identidade do marido, mesmo quando estamos dentro de uma relação. Se fizermos isso com certa frequência, será mais fácil lidar com o fim dessa relação, com a morte do marido. Enquanto o marido estava em cena, outra coisa estava agindo. <strong>E essa outra coisa segue.</strong></p>
<p>Os dois pontos cegos são inseparáveis. Sua superação, claro, não se dá de modo definitivo: ao tentarmos nos aproximar da totalidade do outro, percebemos que ela é inatingível, sempre expansível, como um horizonte. Não há fundo, não há essência. Nada além de um vasto espaço livre do qual o outro nasce diariamente.</p>
<h1>Fantasias sexuais femininas</h1>
<blockquote><p>&#8220;Eu tenho 22 anos e sou muito tímida, mas <strong>minha imaginação não tem nada de tímida</strong>.&#8221;</p></blockquote>
<p>A fala acima é de Heather, uma das entrevistadas por Nancy Friday no clássico <em>My Secret Garden</em>. Ao ver em detalhe uma série quase infinita de fantasias sexuais femininas, desconfio que talvez o melhor caminho não seja ir diretamente às fantasias, mas ao que as torna possíveis, ou seja, à estranha dinâmica do prazer.</p>
<p><strong><a href="http://www.jamesjean.com/work/2008/Maze/1" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-947" title="maze-james-jean" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/maze-james-jean.jpg" alt="maze-james-jean" width="300" height="427" align="left" /></a>Pensamos que o prazer vem do sexo, não é mesmo? Mas não vem.</strong> Você pode perceber isso quando brocha e nenhum estímulo funciona ou quando a relação está ruim e nenhuma massagem com K-Y nos anima. Ora, nunca fomos animados pelo toque, mas por algo que se evidencia pelo toque, como se o toque fosse a expressão de algo e não valesse nada sozinho.</p>
<p>Fantasiar (encenando ou apenas imaginando) com estupro, animais, orgias, cenas específicas&#8230; O excitante não é exatamente o conteúdo das fantasias, mas a posição interna que nosso corpo assume. Aliás, pode anotar: <strong>se quiser aprender novas posições sexuais, prefira as internas.</strong></p>
<p>Em algumas fantasias, as mulheres são dominadas. Em outras, são conduzidas como meninas aprendizes. Ou fazem algo proibido, errado, sujo, degradante. São agressivas, comandam, batem. Invadidas de surpresa. Ou percorridas com curiosidade, como se fossem um labirinto. Isso para ficar nas fantasias mais simples.</p>
<p>Você pensa que ela está submissa enquanto chupa, mas para ela a sensação talvez seja de poder e dominação. Você pensa que a melhor noite para ela foi aquela em que você ficou como um animal por horas, mas ela se masturba até hoje lembrando de quando você a comeu por trás na escada do shopping, com o cinto da calça batendo sem querer na bunda dela, rápido, sem preliminares, gozando sem avisar.</p>
<p>Ela morre de ciúmes das outras, certo? Mas talvez uma das coisas que mais a excitem seja a imagem de você comendo outra mulher. <strong>Ainda que isso nunca seja realizado, é a fantasia que a faz gozar.</strong> Pois é, muitas mulheres gozam apenas em imaginar a possibilidade de algo, enquanto a maioria dos homens precisa da concretização. ;-)</p>
<p>O sexo, a fantasia (vivida ou imaginada) e o toque apenas nos excitam porque eles nos permitem vivenciar e expressar uma postura que dificilmente assumimos com intensidade na vida cotidiana ou mesmo nos outros momentos de uma relação. Para os homens, em geral, essa postura é a de mandar, conduzir, olhar, penetrar, atravessar, cortar, avançar, invadir. E para as mulheres tende a ser a de se entregar, se render, se deixar levar, se soltar, se movimentar, receber, dar, abrir – ser olhada, desejada, carregada, tomada, abusada, preenchida.</p>
<p>Mais do que com homens, o feminino se excita com presença, olhar, segurança, imobilidade. Mais do que mulheres, o masculino adora formas, curvas, movimentos. Ele quer mais olhar do que ser olhado. Ela quer (ser) pegada, não tanto pegar.</p>
<p>Para que essa dinâmica seja explorada, não basta transarmos sempre no mesmo contexto de casal. Ou melhor, é interessante que esse contexto não seja restrito, caso contrário vamos reprimir nossas fantasias e nossas possibilidades de prazer. Se a mulher não goza sempre com o namoradinho, por que você se contentaria em ser apenas o namorado durante o sexo?</p>
<h1>Em defesa dos contos de fadas</h1>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7f4TItnxVOw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/7f4TItnxVOw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gBOm1-tR5F4&amp;feature=related" target="_blank">&#8220;You and me&#8221;</a> (Dave Matthews Band)</em></p>
<p>Quero fazer sua mala, algo pequeno. Pegar o que precisa e desaparecer com você, sem rastros. Lua e estrelas vão seguir o carro. Ao chegar no oceano, <strong>vamos pegar um barco para o fim do mundo</strong>. E quando nossos filhos crescerem o suficiente, vamos ensiná-los a voar.</p>
<p>Assim começa a música &#8220;You and Me&#8221; (Dave Matthews Band). E assim deveria começar uma relação. Não exatamente como humanos que andam em ruas de concreto e ficam 8 horas diárias olhando para pixels oscilantes numa tela, mas como <a href="http://nao2nao1.com.br/o-amor-e-filme/" target="_blank">personagens dos filmes que escolhermos para nós.</a></p>
<p>Sem imaginação, sem vivermos um pouco como <strong>extraterrestres</strong>, tirando a solidez de fatos e certezas, terminamos presos a um mundo opaco, cinza, sem brilho. De vez em quando, vemos uma figura de Escher, filmes como <em>Wall-E</em>, <em>Up</em> ou <em>Where the wild things are</em>, ou um mestre budista maluco. De vez em quando, sorrimos: &#8220;É, talvez o mundo seja mesmo mágico&#8230;&#8221;. Mas não dura. Não passa da rotina do dia seguinte.</p>
<p>Assim como vimos em <em>Pleasantville</em> ou em <em>Dream for an Insomniac</em>, num mundo cinza não há paixão nem sexo. Tal opacidade restringe nossas conexões de corpo e mente (algo que Espinosa relacionava com felicidade), além de diminuir nosso espaço interno, onde sustentamos vivacidade e também o prazer sexual.</p>
<p>Quanto maior sua <strong>matriz de significações</strong>, mais mundos você poderá construir e dissolver no minuto seguinte. Se há um segredo para tocar sua mulher de todas as formas, é construir histórias nas quais outras mulheres possíveis encarnem e sejam levadas pela mão para o fim do mundo.</p>
<p>Se viver o amor como um conto de fada é clichê, é piegas, é romantismo excessivo, mais clichê é eliminar os contos de fadas. Quem realmente se livrou da crença no Papai Noel não vê problema em se vestir de um (convenhamos, há coisas que só um Papai Noel faz). Do mesmo modo, podemos abandonar nossa esperança em um único conto de fada – sim, ela ainda existe, pode admitir – e viver vários.</p>
<p><strong>Presenteie sua mulher com bons livros infantis</strong>, crie mundos nas quais as fantasias femininas possam aflorar, viva <a href="http://nao2nao1.com.br/macrorelacionamento-o-mito/" target="_blank">mitos</a> e histórias inventadas a la <em>Big Fish</em>, <a href="http://nao2nao1.com.br/para-entender-as-mulheres/" target="_blank">leia Manoel de Barros</a> e amplie sua matriz de significações até que um email não seja mais um email, uma cama não seja mais uma cama, uma calcinha não seja mais uma calcinha, <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">um K-Y não seja mais um K-Y&#8230;</a></p>
<p>Sua mulher pode ser menininha ou velha, um papo durante uma massagem pode ser uma incursão no escuro do futuro, uma caminhada à noite pela Av. Paulista pode virar 20 anos de relacionamento (<a href="http://nao2nao1.com.br/me-you-and-everyone-we-know/" target="_blank">né, Miranda July?</a>) e ensinar os filhos a voar não é algo tão improvável assim.</p>
<h1>Deixe sua pergunta para o próximo texto</h1>
<p>No último texto dessa série sobre o “Antes” no sexo, vou falar sobre <strong>a verdadeira impotência sexual masculina</strong>. Enviem questões ou perguntas pelo widget abaixo, lembrando que eu não sou o Jairo Bouer e não vou falar exatamente de sexo.</p>
<p><iframe src="http://ky.midiadigital.com.br/nao2nao1.php" name="mural" width="300" height="270" marginwidth="0" marginheight="0" Frameborder="0" align="center"></iframe></p>
<p>Além disso, estou curioso para saber <strong>seus comentários</strong> em relação às fantasias sexuais e aos outros pontos que abordei acima.</p>
<p><em>*Dedicado a todos os desconhecidos cujas parceiras já me escreveram reclamando e listando suas áreas intocadas.<br />
</em></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;I&#8217;ll be there for you&#8230;&#8221; Alguém ainda acredita no Bon Jovi?</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 09:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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Para quem não quer ler ao som de Bon Jovi, deixo outras opções com &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;, tem pra todos os gostos: Elvis Presley, Megadeth, Jackson 5, Mariah Carey ou Stunt.</p>
<p>A abundância de letras com essa expressão (&#8220;Eu estarei lá&#8221;) revela nossa necessidade de acreditar em uma mentira. Cantamos repetidamente em várias melodias para esquecer de que o&#8230;</p>


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			<content:encoded><![CDATA[<p><!--noadsense--><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mh8MIp2FOhc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/mh8MIp2FOhc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Para quem não quer ler ao som de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mh8MIp2FOhc" target="_blank">Bon Jovi</a>, deixo outras opções com &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;, tem pra todos os gostos: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=LJW7O8aYt5g" target="_blank">Elvis Presley</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-hGHAbb3kUc" target="_blank">Megadeth</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q6bARIaMhCM" target="_blank">Jackson 5</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=52d20PK_Kyk" target="_blank">Mariah Carey</a> ou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CuWx8rZojPQ" target="_blank">Stunt</a>.</em></p>
<p>A abundância de letras com essa expressão (&#8220;Eu estarei lá&#8221;) revela nossa necessidade de <strong>acreditar em uma mentira</strong>. Cantamos repetidamente em várias melodias para esquecer de que o outro não estará lá para nós.</p>
<h1>A lógica ilusória do &#8220;Você me deve uma&#8221;</h1>
<p>Temos várias dinâmicas internas que nos passam despercebidas, mas são a própria lógica pela qual operamos, base para muitos pensamentos e ações. Uma delas se encontra em amigos e parceiros de negócio. Sempre que alguém faz um favor, sua generosidade despretensiosa é trocada por um favor futuro. Deixamos de ser generosos para ser espertos. Podemos não cobrá-lo de imediato, mas a relação se estabelece dentro de uma estrutura viciada, a ponto do outro se adiantar: <strong>&#8220;Valeu mesmo, cara, fico te devendo essa&#8221;</strong>.</p>
<p>Ironicamente, tal cobrança muitas vezes é muito mais lúdica do que real. Por ser verbalizada, ela acaba sendo espontaneamente transgredida. A cerveja que pagamos é rapidamente esquecida, o favor entre empresas fica como cortesia, a amizade ou a parceria se aprofunda com base na própria generosidade, que a princípio parecia descartada.</p>
<p>Em um casal, muitas vezes esse filme tem outro desfecho. O altruísmo interesseiro que declaramos sem vergonha a outras pessoas é mascarado por uma suposta generosidade desinteressada. Ajudamos o outro, estamos lá durante as mortes na família, investimos tempo, ouvimos, abraçamos, vamos de um lugar a outro, oferecemos, oferecemos, oferecemos. Temos vergonha de admitir, mas ao fazer tudo isso esperamos, sim, algo em troca. Até mesmo o sacralizado amor materno sofre desse mal.</p>
<p>Seria melhor dizermos logo de cara – ludicamente – &#8220;Você me deve uma&#8221; do que nos fingirmos de sábios e acabarmos como bebês carentes cobrando o outro por tudo aquilo que <strong>nós oferecemos tão bem e ele não</strong>.</p>
<p>Sempre que construímos algo sem perceber, ou seja, sempre que <a href="http://nao2nao1.com.br/lost-fim-da-4a-temporada-ou-como-acabar-com-qualquer-briga-de-casal/" target="_blank">entramos num filme sem perceber que é um filme</a>, nos tornamos vítimas fáceis do sofrimento. Cobrar sem saber que está cobrando é como sair de casa e deixar dentro um macaco histérico: ele vai bagunçar tudo. É por isso que construir <strong>ludicamente</strong> é melhor, mesmo quando parece algo menos amoroso ou sábio. A gente cobra e vê que está cobrando. Levamos o macaco nos ombros e brincamos com ele.</p>
<p>Jogar limpo, sem vergonha de nosso espírito interesseiro, é o melhor caminho para explicitar a verdade e deixá-la brilhando na porta da geladeira, como um lembrete diário. Experimente afirmar em voz alta: &#8220;Ei, você me deve muita coisa!&#8221;. A frase já sai ridícula, patética, forçada, sem sentido algum. E é essa piada que nos comanda silenciosamente por dentro.</p>
<p>Evitamos falar para não ouvir, evitamos cobrar para não perceber o óbvio: por mais que você tenha feito de tudo para seu parceiro, <strong>ele nunca deve nada para você</strong>.</p>
<h1>O outro não vai estar lá para você</h1>
<blockquote><p>&#8220;Whenever you need me, I&#8217;ll be there<br />
I&#8217;ll be there to protect you, with an unselfish love that respects you<br />
Just call my name and I&#8217;ll be there&#8221;</p></blockquote>
<p>Piada ou não, o fato é que nós não resistimos e eventualmente abrimos a boca, esquecemos da pose generosa e, pronto, despejamos nossas expectativas, cobranças e interesses em cima do outro. É como se tivéssemos <strong>uma planilha de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Retorno_sobre_investimento" target="_blank">ROI</a></strong>. Secreta, pra piorar. O outro sequer sabe do que está sendo cobrado!</p>
<p>É bonito de se ver. A gente pode espernear, exigir, cobrar, mas nosso parceiro é livre, anda com os próprios pés, tem uma vida própria. Perceber essa autonomia e liberdade é justamente o que nos enche de tesão ao nos sentirmos desejados pelo outro (que <a href="http://nao2nao1.com.br/dinheiro-beleza-inteligencia-o-que-faz-um-homem-atraente-para-as-mulheres/" target="_blank">poderia estar com outra pessoa</a>, mas nos escolheu) e também o que nos deprime quando a coisa se inverte, quando seu desejo aponta em outra direção.</p>
<p>&#8220;Vamos viajar esse fim de semana?&#8221; ou &#8220;Pensei em deixar nossos filhos com meu irmão e ficarmos com a casa só para nós&#8221;, ela diz. E ele: &#8220;Não rola, preciso resolver umas coisas&#8221;. Ela pode pensar que ele não mais a deseja, mas o fato é que ele está em outro lugar. Nada demais, ou melhor, o suficiente para um grande incêndio.</p>
<p>Aquela semana que ela mais precisa dele é exatamente a semana em que ele não está focando nela.</p>
<p>Ele olha para sua planilha de grandes feitos e pensa:<strong> &#8220;Já passei dias no hospital com o tio dela</strong>, paguei as últimas quatro viagens inteiras, fui o último a dar presente, ajudei nisso, fiz aquilo, bom, tenho créditos para alguns meses ainda&#8221;. E então se dedica mais para seus projetos, esperando alguns meses de compreensão de sua mulher.</p>
<p>Ela olha para sua planilha de ROI e conclui: &#8220;Eu fiz muito mais do que ele, eu me dedico muito mais, só Deus sabe o quanto de amor e carinho já investi nessa relação&#8230; E agora ele fica distante assim? E ainda quer que eu entenda? Entenda como, me diz?&#8221;.</p>
<p>São diversas cenas possíveis. A mulher fica grávida, o sexo diminui e o marido acaba transando com outra. O cara passa por um período de confusão, <strong>perde energia e libido</strong>, então a mulher reclama para um amigo que termina jogando-a contra parede e fazendo tudo o que o marido está incapaz de fazer. A namorada se deprime, o cara não aguenta mais e fica agressivo no momento em que ela mais precisa de cuidado. Exemplos e mais exemplos diários de homens e mulheres que <em>não estão lá</em>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Q6bARIaMhCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/Q6bARIaMhCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<h1>O desafio de andar junto</h1>
<p>No começo, tudo o que desejamos é andar <strong>em direção ao outro</strong>. Em suas primeiras noitadas, o casal mal consegue andar na rua. Demoram vários minutos para percorrer o mesmo trecho que anos depois vão cruzar em segundos. Ficam se abraçando, com vontade mesmo de ir um contra o outro. No dia seguinte, não importa por onde o outro andou, mas o quanto ele quer vir em nossa direção e o quanto queremos ir até lá.</p>
<p>A paixão funciona como <strong>uma noite de sexo que dura meses</strong> (às vezes anos)&#8230; até que chega a manhã seguinte.</p>
<p>Ela sai mais cedo porque tem uma reunião decisiva. Ele sai um pouco depois para mais um dia de trabalho. Ela está indecisa em relação ao tema do mestrado. Ele se preparando para uma viagem que vai mudar sua vida. Passa o dia e tudo o que fizeram foi andar, não mais em direção ao outro, mas com seus próprios direcionamentos. No lugar de uma lua romântica em comum, dois horizontes distintos.</p>
<p>O casal, então, descobre esse prazer maior de seguir junto, de avançar como um casal. Eles aprendem a andar de mãos dadas mesmo à distância. Compartilham mapas, mundos, signos, brincadeiras, olhares, pedrinhas no chão. Tudo aquilo que servirá como <strong>bússola</strong> para não se perderem um do outro na manhã seguinte.</p>
<p>E até que isso dá certo, às vezes por um longo tempo. Quanto mais mapas e mundos, olhares e pedrinhas, melhor. Nada impede, contudo, as névoas e neblinas vindas sei lá de onde. E nem todas as manhãs são precedidas por uma noite de aparelhos GPS piscando no mesmo local, de entrelaçamento, de <strong>pé com pé</strong>. E tem também o nosso andar caótico pra complicar. Não temos um só horizonte, temos dezoito.</p>
<p>Outra cena bonita de se ver. Quando percebemos o outro se distanciando <strong>2 centímetros</strong>, às vezes agimos como pedintes, às vezes gritamos ou baixamos a energia, nos distanciando ainda mais. Só que o outro não achou que estava longe, mas agora vê nosso distanciamento (ou nossa cobrança ou nossos berros) e reage da mesma forma, se afastando. E então comprovamos: ele realmente não quer mais nada conosco!</p>
<p><strong>É assim que um namoro acaba mesmo quando os dois querem continuar.</strong> Eles estão no mesmo lugar, mas se veem à distância. Ou acham que estão no mesmo lugar e quase morrem quando pegam o GPS e passam dias dando <em>zoom out </em>até aparecerem os dois pontinhos&#8230; Tão logo conseguem se aproximar, se agarram e fazem juras de nunca mais se afastarem.</p>
<p>Mas a manhã seguinte sempre chega. E os dezoito horizontes, o andar cambiante, a bússola desregulada. E a névoa e a neblina. Cheguei a mencionar o ex-namorado?</p>
<h1>Como fazer o impossível</h1>
<p><img title="wall-e" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/03/wall-e.jpg" alt="wall-e" width="588" height="245" /><br />
<em>Cena de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0910970/" target="_blank">Wall-E</a>, que já recomendei aqui</em></p>
<p>Andar junto é como andar vendado no meio do deserto. Ou nadar de olhos fechados. Nunca sabemos se o outro está mesmo ao nosso lado.</p>
<p>Por medo de ver, neste exato momento, que o outro não está tão perto assim, fechamos bem os olhos e confiamos em nossos instrumentos de medição, como o sonar de um submarino. A incerteza da distância é mais confortável do que a visão da localização exata. É de olhos fechados que ouvimos e dizemos: &#8220;I&#8217;ll be there&#8221;. O outro nunca esteve aqui, nós nunca estivemos lá, por isso sempre conjugamos o verbo no futuro. <strong>Nossa presença é promessa.</strong></p>
<p>Um pouco de coragem e abrimos os olhos. Enxergamos, sem tanto desespero, que às vezes o outro se distancia muito. E que, na verdade, às vezes somos nós que nos afastamos. Ora, afinal quem define qual é o percurso do casal? Como pode apenas um se afastar?</p>
<p>De olhos abertos, o outro não parece capaz de nos salvar. Vemos seu andar meio torto. E suas fraquezas. Nós também não parecemos capazes de realmente estar lá pelo outro. Mal estamos lá por nós mesmos!</p>
<p>De olhos abertos, vemos que todos são como nós. <strong>Não há ninguém preparado para nos <a href="http://nao2nao1.com.br/a-arte-de-pisar-em-nuvens/" target="_blank">segurar</a>.</strong> Ninguém para nos proteger e cuidar verdadeiramente. O fim dessa ilusão nos abre para a <a href="http://nao2nao1.com.br/coisa-alguma/" target="_blank">experiência da solidão</a>, cuja tristeza tem a mesma medida da alegria em compartilhar a mesma solidão com os outros. O amor aumenta junto com a solidão. Cada um se sente <a href="http://nao2nao1.com.br/por-uma-vida-encarnada-breve-critica-aos-relacionamentos-sem-corpo/" target="_blank">mais presente</a>, menos lá, mais aqui, e portanto mais irremediavelmente separado um do outro. Nascemos e morremos assim. Não daria para amar diferente.</p>
<p>Reconhecer a liberdade do outro (e a nossa) de ir embora a qualquer momento, amplificar e se comunicar com sua solidão, saber que nunca conseguiremos realmente estar lá; <strong><em>isso</em> é estar lá.</strong></p>
<blockquote><p>&#8220;I don’t think anybody can fall in love unless they feel lonely. So I think in love it is the desolateness that inspires the warmth. The more you feel a sense of desolation, the more warmth you feel at the same time. You can’t feel the warmth of the house unless it’s cold outside. The colder it is outside, the cozier it is at home.</p>
<p>When you experience the true sense of aloneness, you discover that the entire cosmos, the universe, is absolutely empty. It doesn’t help you or keep you company. Such utter loneliness becomes companionship.&#8221; –<a href="http://www.chronicleproject.com/stories_68.html" target="_blank">Chogyam Trungpa</a></p></blockquote>


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