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	<title>Não Dois, Não Um &#187; Capa</title>
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	<description>Um blog sobre relacionamentos lúcidos</description>
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		<title>A trilha sonora inaudível dos relacionamentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 12:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a playlist por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (&#8220;11 canções para amar mais&#8221;), mas agora me interessa a trilha sonora que não ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1204" href="http://nao2nao1.com.br/a-trilha-sonora-inaudivel-dos-relacionamentos/trilha-sonora/"><img class="alignnone size-full wp-image-1204" title="trilha-sonora" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/08/trilha-sonora.jpg" alt="" width="589" height="250" /></a></p>
<p>Chico Buarque, John Mayer, Aimee Mann, Marisa Monte&#8230; É longa a <em>playlist</em> por trás de nossa vida amorosa. Já sugeri algumas, aliás (<a href="http://blog.ianblack.com.br/2009/09/07/11-cancoes-para-amar-mais/" target="_blank">&#8220;11 canções para amar mais&#8221;</a>), mas agora me interessa a trilha sonora que <strong>não</strong> ouvimos.</p>
<p>O caminho para esse silêncio se faz pelo próprio som: para esclarecer o que estou chamando de &#8220;trilha sonora inaudível&#8221;, vamos analisar a influência da música em uma experiência. Já adianto que meu foco está nas outras estruturas que atuam sobre nós de modo bastante similar ao som.</p>
<h1>Trailer de <em>Dumb &amp; Dumber</em> com trilha de <em>Inception</em></h1>
<p>Hans Zimmer construiu uma obra-prima para a trilha sonora de <a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/" target="_blank"><em>Inception</em></a> (aqui &#8220;A origem&#8221;), responsável por boa parte da experiência proposta por Christopher Nolan. Um bando de gênios com tempo livre logo reconheceu a qualidade da trilha e criou <em>mashups</em> de todos os tipos. Para você ter uma ideia, o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WxzYNbYHT8s" target="_blank">fim de <em>Lost</em> reeditado</a> com a música do fim de <em>Inception</em> talvez tenha ficado melhor que o original. ;-)</p>
<p>Em uma dessas brincadeiras, pegaram o áudio do trailer de <em>Inception</em> e montaram um trailer para o filme <em>Dumb &amp; Dumber</em> (&#8220;Débi &amp; Lóide&#8221;). O resultado: <strong>todas as cenas são ressignificadas</strong>. Se não conhecêssemos o original, nunca desconfiaríamos que trata-de de uma comédia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="356" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="356" src="http://www.youtube.com/v/zLDx-BPgxxA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zLDx-BPgxxA" target="_blank">Link YouTube</a> | Mesmo conhecendo o filme e o truque, vemos as cenas mudando de textura, pra valer.<br />
</em></p>
<h1>Música, essa regente de mentes</h1>
<p>Antes de sair do âmbito do som, vamos detalhar um pouco mais o que acontece no cinema.</p>
<p>Depois dos créditos iniciais, ainda nos sentimos sentados na poltrona, sem grandes alterações. À medida que o filme avança, um mundo vai sendo criado. A missão do diretor é nos arremessar para dentro dessa realidade, até que nosso coração, nosso pulmão, nossas <strong>glândulas lacrimais</strong> estejam reagindo a cada <em>frame</em>. Sabemos de todo o truque, o que por muitas vezes não nos impede de cair no sonho proposto, de ter nossa mente conduzida.</p>
<p>Claro, apenas imagens não são suficientes para nos fisgar. É a música que direciona o olhar, que situa, que define a textura de cada imagem. Quando a trilha sonora funciona, ela não é percebida como um som específico, como música vinda de instrumentos. Nada disso. Na cena que nos envolve, a música age por trás do olho, como se carregasse no corpo. Se tal processo lhe parece óbvio, me antecipo: comece a pensar em como outras estruturas fazem a mesma coisa conosco fora do cinema, sem precisar de música alguma.</p>
<p>A mesma cena pode ser de terror, suspense, ação, comédia, drama&#8230; Para cada cena definida, temos incontáveis trilhas possíveis, ou seja, incontáveis experiências, universos de significação. Se a cena pré-existisse com algum sentido inerente e tivesse a música como complemento, isso não aconteceria. O caso é que a cena já surge com a trilha e assim construímos nossa experiência, já direcionados pela música, quase incapazes de sequer imaginar como seria a mesma cena de outro modo, sob o efeito de outra trilha sonora.</p>
<p>Para enfatizar essa percepção, basta <a href="http://nao2nao1.com.br/experimentos-para-se-sentir-vivo-1-ipod-e-energia-autonoma/" target="_blank">colocar duas músicas no iPod</a> e sair para andar na Avenida Paulista. Pode ser &#8220;Gold dust&#8221;, da Tori Amos, e depois &#8220;Love generation&#8221;, do Bob Sinclair. Ou alguma da trilha de <em>Into the wild</em> seguida de outra da trilha de <em>Where the wild things are</em>. Qual das duas cenas é a verdadeira? <strong>As pessoas estão andando rápido mesmo ou é apenas a sensação da música?</strong> Elas parecem estranhas e distantes? Próximas e amigas?</p>
<p>Ou você pega um conflito e tenta extrair visões a partir de músicas, não de letras, mas da ambiência criada por cada música, dos olhares que elas proporcionam. Ouve uma e sente compaixão, redenção, compreensão do mundo do outro. Chora. Ouve outra e sente ódio, raiva, indignação. Uma música desenha um monstro. Outra revela um herói ferido.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/IdeG1rSzqLk?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IdeG1rSzqLk" target="_blank">Link YouTube</a> | Bobby McFerrin fazendo milagre com a ária mais bonita de Bach.</em></p>
<p>E então você enfim chega à pergunta essencial desse percurso que descrevo: <strong>&#8220;Qual música já estava tocando bem antes de eu colocar os fones?&#8221;.</strong> Ou: &#8220;Se eu conseguisse aumentar o volume da minha mente, que tipo de música eu ouviria?&#8221;.</p>
<h1>Melodias internas que não ouvimos</h1>
<p>A trilha sonora sempre existe, com ou sem música de fundo. É como se estivéssemos colorindo as cenas da vida o tempo todo com nossos instrumentos musicais invisíveis e nossa tendência a diretor, compositor, cineasta. Estamos dirigindo, filmando, posicionando câmeras, editando, roteirizando, decupando, perfumando, prestando atenção na continuidade e, claro, ajustando a trilha sonora, quadro a quadro.</p>
<p>Isso tudo fora o personagem. Além de viver, envolvemos o vivido em um mundo de sentido, em uma história que inventamos o tempo todo sem saber.</p>
<p>Mais do que uma metáfora, é precisamente esse o nosso funcionamento! A cada momento, encaramos as coisas com algum pré-roteiro, alguma predisposição melódica, uma ou outra preferência estética. <strong>As músicas, essas de som, só aumentam o volume das trilhas inaudíveis</strong>, mas elas sempre  estão presentes, caso contrário as músicas nesse post não fariam  absolutamente nada com sua mente.</p>
<h1>Cena: uma namorada e um cara tomando banho</h1>
<p><strong>A namorada sobe. </strong>Ele está no banho, atrasado. Saiu apenas para abrir a porta e logo voltou. Se esse será um filme pornô ou um drama existencial, bem, não está na cena a definição, mas na trilha sonora.</p>
<p>Ela pode passar por esse momento já imaginando como seria entrar no banho. Ou esperar pelo namorado <strong>nua na cama</strong>. Da ideia à prática é um pulo. Ela também pode viver essa mesma experiência, sem objetivamente mudar nada, como uma aflição, irritada porque ele está demorando de novo, não se aprontou antes de novo, não a valoriza mais&#8230; Esse outro filme continua com ela sentada no sofá, impaciente, <strong>emburrada</strong> quando ele sai do banheiro.</p>
<p>Se analisarmos apenas o banho desse cara, não há diferença entre as duas cenas. Não há nada no banho dele que ative uma ou outra resposta em sua namorada. É o modo com que ela olha para o banho que constrói o filme todo. A posição da câmera, o foco na edição, o ritmo da trilha que ela não ouve, mas que não cessa de movê-la. Até mesmo sua experiência de tempo (o banho vai durar minutos ou décadas?) é definida por essa trilha oculta.</p>
<p>Mais ainda, uma vez que ele fecha a porta e religa o chuveiro para terminar o banho, a experiência explode com tudo, deixando inacessíveis todas as outras possibilidades: trilhas, edições, ângulos que ela não escolheu. É por isso que, sob a perspectiva da namorada, parece que o banho é aquilo mesmo que lhe parece, do jeito que surge, com a textura ali manifesta. Se ela está irritada, tem toda razão: ele, de fato, deveria ter se arrumado antes. Se está excitada, perfeito: ele vai sair do banho louco para comê-la antes de se vestir.</p>
<p>Nossa tragédia começa no ocultamento dos filmes que deixamos de viver por causa das trilhas que continuamente tocamos, das edições instantâneas, ângulos de cada olhar, <strong>roteiros que seguramos debaixo do braço</strong>. O filme que surge parece o único possível, como se viesse pronto, lá de fora, como se não tivesse o nosso nome nos créditos.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/nvs7ogxkOIA?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nvs7ogxkOIA" target="_blank">Link YouTube</a> | Esse cara pegou a melhor música da trilha de &#8220;The straight story&#8221; (do mestre Angelo Badalamenti) e botou em cima de cenas de seu bairro. Olha o resultado, dá até vontade de ir lá conhecer. Aliás, é assim que a gente se apaixona: colocamos pra tocar a nossa melhor música em cima de alguém, que por acaso ficou algum tempo por perto. A paixão é essa aura. Como é nossa melhor música, vemos o melhor do outro e acabamos expondo o nosso melhor. Quer dizer, até outras trilhas começarem a tocar o terror&#8230;<br />
</em></p>
<h1>Brincando de cineasta</h1>
<p>Não há nada de errado nesse processo de construção cinematográfica da vida (e me refiro à própria percepção de cada fenômeno, não a alguma espécie de romantização posterior). O problema está na cegueira, no fato de não sabermos que estamos agindo assim, não exatamente no sofrimento que alguns filmes mais duros despejam sobre nós.</p>
<p>Ora, já que a trilha sonora está aí, já que todo momento já surge condicionado, já que nunca temos acesso às infinitas possibilidades, só nos resta olhar para o modo <strong>como estamos trazendo os eventos à tona</strong>, como estamos construindo a vida que parece nos acontecer, que parece vir de fora. A cada momento, somos obrigados a pisar numa direção ou em outra sem antes saber qual terra é melhor. Pisamos e só depois dizemos: &#8220;Ah, aqui é fofo&#8221;. A cada passo, uma desconfiança, mesmo em terras boas: &#8220;E se lá for melhor?&#8221;. Ou: &#8220;E se a terra boa acabar no próximo passo?&#8221;.</p>
<p>Nossa situação atual, seja qual for, agora mesmo, não é positiva ou negativa em si mesma. Há alguma trilha sonora interna atuando sem cessar para que ela nos apareça de um certo jeito, para que a vivamos como uma experiência específica. Em vez de se preocupar em dar o próximo passo, torcendo para que ele nos leve a uma situação melhor, podemos simplesmente mudar a trilha sonora e ver no que dá, ver como isso altera a experiência toda, mais até do que se mudássemos a situação diretamente.</p>
<p>Voltando à cena do homem no banho, agora vemos a namorada sorrindo para sua própria dinâmica, ouvindo a trilha sonora que colocou, sem saber, na cena. Ela pode ficar emburrada ou pode tirar a roupa. A situação não está definida; o que vale é a<em> experiência</em> dessa situação. Na verdade, o que chamamos de situação é tão somente nossa experiência. <strong>Não há situação em si</strong>, independente de nossa edição, roteiro, fotografia, iluminação&#8230;</p>
<p>O banho do cara demora o suficiente para ela avançar um pouco mais. Agora ela simula os dois filmes em <em>fast-forward</em> e observa como ficar emburrada não é necessariamente pior do que tirar a roupa, pois talvez ela tire a roupa, ele broche e os dois briguem. Talvez ela fique emburrada, ele fique nervoso e eles acabem com as frescuras se acabando no chão, o que por sua vez não é necessariamente melhor ou pior do que brigar&#8230; ;-) Basta um outro <em>fast-forward</em> para comprovar a infinita abertura e flexibilidade dos eventos.</p>
<p>Ela continua até se dar conta de que o que importa não é seguir em uma ou em outra direção, mas seguir com olhos abertos para a liberdade sempre presente, para a insubstancialidade de cada momento, <strong>como se tudo pudesse virar lixo ou ouro</strong>, a cada segundo, como se nada nunca se definisse e se fechasse completamente.</p>
<p>Sua escolha, então, não é entre o sofá e a cama, a cara emburrada e a perna esticada, entre uma situação e outra, mas entre viver o filme como cineasta e viver o filme como um ator com amnésia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/aBALudMfBBM?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=aBALudMfBBM" target="_blank">Link YouTube</a> | Ouça lembrando da vida inteira ou de uma história amorosa. O que sai?</em></p>
<h1>Silêncio</h1>
<p>Ouvir a trilha sonora pela qual atuamos e poder transformá-la. Trocar <em>olvido</em> por ouvido. <strong>Liberdade não é só isso.</strong></p>
<p>Se o cara ficasse um pouco mais no banho, a namorada certamente questionaria até mesmo sua necessidade de mexer na trilha sonora para ter outras experiências de uma mesma cena. Ela olharia com calma para essa capacidade de mudar a trilha, de trocar de roteiro, de ajustar ângulos&#8230; e desconfiaria de uma liberdade anterior: a de criar filmes e trilhas.</p>
<p>Brincar de cineasta é excelente, claro. Mas como é possível que uma cena que hoje nos aflige (a ponto de cortar nossa fome) amanhã seja motivo de risadas soltas e despreocupadas? O que faz com que os filmes e trilhas se alterem tanto e tão rápido?</p>
<p>Mais do que culminar em uma resposta, essa pergunta direciona nosso olho para uma dimensão além de qualquer trilha sonora, algo como o que imaginamos quando ouvimos a palavra &#8220;silêncio&#8221;.</p>
<p>Repousando nesse silêncio, e não em filmes específicos e suas possíveis edições e refilmagens, entendemos que não precisamos criar um filme a partir de outro, resolvendo algo, trocando algum personagem, mudando a trilha ou a fotografia. <strong>Dá para criar um filme a partir da própria liberdade de criar filmes</strong>, do zero – o que não significa alguma espécie de fascinação pela morte ou aversão à continuidade, pois uma das coisas mais divertidas é criar, do zero, a mesmíssima realidade que existia anteontem. Não é isso o que uma garota faz quando atende o telefone com um &#8220;Oi, amor&#8230;&#8221;?</p>
<p>Pois bem, é claro que o homem de nossa cena saiu do banheiro depois de todo esse tempo. Sua paciente namorada talvez esteja na cama, talvez no sofá ou até já tenha ido embora. O importante é que ele também tenha percebido algumas coisas enquanto a água corria&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="589" height="466" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="589" height="466" src="http://www.youtube.com/v/DO2a2KSwLg4?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;hd=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DO2a2KSwLg4" target="_blank">Link YouTube</a> | Um dos melhores temas de &#8220;Lost&#8221;, de Michael Giacchino (italiano, pra variar).</em></p>


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		<title>A verdadeira impotência sexual masculina</title>
		<link>http://nao2nao1.com.br/a-verdadeira-impotencia-sexual-masculina/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 22:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Gitti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</p>
<p>Já conversamos sobre contas afrodisíacas, &#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução e posições sexuais internas. Agora o tema é impotência, considerando homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como&#8230;</p>


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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img title="impotencia" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/impotencia.jpg" alt="impotencia" width="300" height="250" align="left" />O que precisa ficar em pé bem antes do sexo?</em></p>
<p>Já conversamos sobre <a href="http://nao2nao1.com.br/tensao-conta-afrodisiaca-meditacao-e-outros-caminhos-para-o-sexo/" target="_blank">contas afrodisíacas</a>, <a href="http://nao2nao1.com.br/dicas-infaliveis-de-seducao-e-mais-4-respostas-aos-leitores/" target="_blank">&#8220;dicas infalíveis&#8221; de sedução</a> e <a href="http://nao2nao1.com.br/uma-mulher-e-suas-areas-intocadas/" target="_blank">posições sexuais internas</a>. Agora o tema é impotência, considerando <strong>homens que não sofrem de nenhuma disfunção fisiológica</strong> e nenhum distúrbio psiquiátrico, ou seja, eu e outros marmanjos que se encontram facilmente por aí.</p>
<p>Também não me interessam fatores apontados como causas de impotência, como o tal do estresse, pois eles se incluem como efeitos (não causas!) da impotência que vou descrever aqui. Muito menos aquela listinha de coisas brochantes dentro do manual para mulheres. Meu foco é aquilo que depende apenas da <strong>autonomia masculina</strong>, sem remédios, sem mudanças externas.</p>
<h1>Que impotência é essa?</h1>
<p>Imagine um homem em perfeitas condições que sofre de ejaculação precoce, gozando nos primeiros minutos de penetração ou boquete bem feito (não aquele que a mulher faz tomando cuidado para não pirar demais), e desenvolve o padrão de sempre partir para o sexo oral enquanto se prepara para uma &#8220;segunda&#8221;, na qual aí sim vai conseguir segurar por mais tempo – com menos potência.</p>
<p>Visualize outro que frequentemente não tem libido alguma. E outro que tem tesão, mas muitas vezes não consegue uma boa ereção. E outro que até consegue, mas não é capaz de sustentá-la de modo adequado ao ritmo espontânea da transa, gerando <strong>interrupções desconfortáveis</strong>.</p>
<p>Inclua mais um homem nessa imagem. Seu problema não é brochar, não é ejaculação precoce, não é ausência de libido ou potência. Ele faz tudo certo, mas talvez sofra desse <strong>outro tipo de impotência</strong>. De fato, a impotência sexual é  raríssima se comparada com a impotência masculina  dentro de uma relação e na vida, muito mais abundante.</p>
<h1>O que já não estava em pé antes?</h1>
<p>Cada vez mais <strong>as mulheres usam o sexo para se sentir amadas</strong>, já que às vezes é o único momento em que o homem para e olha com desejo, admira, toca sua mulher com vontade. O raro momento em que o homem fica minimamente presente e disponível, em que rola uma massagem (não é à toa que fizeram um <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y que serve para massagear e penetrar</a>), palavras sacanas, respiração profunda, conversas mais relaxadas.</p>
<p>Por outro lado, não é nada incomum o marido desenvolver aversão pela mulher em seus momentos de chatice e confusão, preferindo <strong>gozar sem preocupação</strong> diante da tela do computador a superar uma série de conflitos para chegar ao sexo. Em vez de abrir o quarto e enfrentar o monstro até que ele entregue aquela mulher sorridente e sensual de volta, ele fica horas enrolando na Internet, liga para uma garota de programa ou sai para beber e descarregar a tensão.</p>
<p>Quase ninguém fala dessa incapacidade de estar presente sem a necessidade do sexo ou dessa impotência diante dos caminhos tortuosos que culminam em uma relação profunda e intensa. Sem referências, o homem prefere a facilidade do <strong>orgasmo <em>fast food</em></strong> ao cultivo mais demorado, agrícola, orgânico da coisa.</p>
<p>Sem essa potência, o homem nunca levanta, sobe, estabiliza, endurece antes do sexo.</p>
<h1>As brochadas sutis de um homem</h1>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-974" title="indiana-jones" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/indiana-jones.jpg" alt="indiana-jones" width="588" height="244" /><br />
<em>Lembra dessa cena?</em></p>
<p>Você consegue <strong>ver a </strong><strong>vida de pernas abertas </strong>quando sua mulher lista 71 reclamações e pede a separação? Segue andando a la Indiana Jones sobre pontes que ninguém mais vê? Tem a manha de avançar sobre sua parceira com dois pés e duas mãos sem nada atrás hesitando (&#8220;Será que eu não consigo uma melhor? Será que vai dar certo?&#8221;)? Todo dia, junto com o primeiro gole de água, toma a pílula vermelha ou a pílula azul para não brochar em todas essas situações?</p>
<p>Em um sentido amplo, a impotência masculina surge de uma falta de habilidade em lidar com o feminino, com o caos, com tudo o que se move livremente. O homem brocha quando a energia que lhe impacta externamente supera sua autonomia, como uma avalanche ou um atropelamento. Ou melhor, quando ele tem a <strong>experiência de ser atropelado</strong>, a sensação de afundar, assim como seu tesão é experimentado como uma liberdade de atravessar paredes.</p>
<p>Tal impacto pode ser dolorido ou prazeroso. Podemos ser arrastados pelas falas emocionais de uma mulher, por uma confusão na empresa, excesso de bebida ou pela ansiedade em ejacular no meio de um boquete. Não importa, somos arrastados, atropelados, engolfados. Os movimentos externos e impulsos internos decidem qual será nossa experiência, qual será nossa reação. Perdemos autonomia. Caímos. Ficamos impotentes.</p>
<h1>Cura e tratamento da impotência masculina</h1>
<p>A primeira coisa para conseguir levantar o pau antes do sexo é observar como nosso sofrimento é sinônimo de passividade e como nos alegramos quando agimos, afinal nossa potência vem da capacidade de <strong>foder, penetrar, avançar sobre as coisas. </strong></p>
<p>Precisamos observar o que acontece quando sentimos tesão de existir, propósito, senso de humor, peito cheio, visão nítida. Qual a textura dessa eletricidade que nos move? De onde ela vem? Como pode ser sustentada mesmo quando as configurações externas se alternam?</p>
<p>Quando um homem chega nesse ponto, é provável que encontre um professor de meditação e que comece a aprender a <strong>estabilizar essa eletricidade de modo autônomo</strong>, algo que naturalmente melhora suas relações, sua ação na vida e, claro, na cama. Eis o caminho mais direto para utilizar essa impotência como trampolim para transformações muito maiores do que apenas superar a impotência.</p>
<p>Para quem deseja soluções paliativas, há alguns meios hábeis, que se resumem a tentar emular uma ação potente e ativar diretamente a energia em alguns momentos. O resultado é instável, claro. Ninguém disse que seria fácil. ;-)</p>
<p><img title="dahmer" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/dahmer.jpg" alt="dahmer" width="588" height="187" /><br />
<em>André Dahmer | <a href="http://malvados.com.br/" target="_blank">Malvados</a></em></p>
<h1>Sexo e vida com potência: 11 possibilidades para os homens</h1>
<p>Falar do que dá errado e não contemplar os movimentos positivos é um péssimo habito. Vamos, portanto, listar as qualidades de um homem presente. Ou melhor, em vez de imaginarmos um homem ideal, podemos lembrar que essas são  <strong>qualidades que já se manifestam esporadicamente em todos os homens, </strong>possibilidades  disponíveis a qualquer um.</p>
<p>Há, claro, muito o que uma mulher  pode fazer para não dinamitar a potência masculina e para sustentar sua  própria energia. Mas isso é assunto para outros textos.</p>
<p>Para os homens que desejam avançar, o melhor é <strong>não esperar que a  mulher ou a vida facilite</strong>. Na verdade, sua relação consigo mesmo é  inseparável de sua relação com as mulheres e com os movimentos da vida.  Aquele que mima a si mesmo, por exemplo, vai mimar sua mulher e vai  esperar mimos da vida.</p>
<p><strong>1. </strong>Ele não tenta agradar – a parceira, a sociedade ou a si mesmo. Não cede ou abaixa a cabeça para restrições e obstáculos. Ele se move para além dos mimos, tanto na cama quando na relação em geral.</p>
<blockquote><p>&#8220;True sexual and spiritual surrender is not about adapting yourself to what will appease your partner. Nor is it about surrendering to your own momentary emotional needs. True surrender is about relaxing through these secondary needs, both yours and your partner&#8217;s, and magnifying your primary desire to give and receive unbounded love.&#8221; <a href="http://www.bluetruth.org/index.php/David_Deida" target="_blank">–David Deida</a></p></blockquote>
<p><strong>2. Ele não tenta &#8220;convencer&#8221; a mulher</strong> a fazer algo diferente no sexo, seja um ménage ou apenas sexo anal. Ele apenas abre espaço e flui pela liberdade, sem pensar em termos de eu e outro. Sua condução não controla, apenas sugere, propõe, provoca. E o convite não define, não tem conteúdo. Ele apenas aumenta a energia, infla, preenche, brinca, alimenta e então vê o que acontece.</p>
<p><strong>3. </strong>Ele se delicia com o corpo feminino, desde uma observação dos gestos à distância até se aproximar de cada poro, respirando a mulher pra dentro, enchendo o corpo de ar, comendo, engolindo, sentido a energia da parceira por dentro.</p>
<p><strong>4. </strong>Ele repousa no feminino sem medo de se identificar com ele. Recebe uma massagem, se solta, relaxa o abdômen, se entrega e, principalmente, solta o ar completamente, como se caísse desistindo de se manter vivo. <strong>Essa pequena morte é vivenciada como um repouso</strong> que estabiliza sua energia e abre espaço para que o prazer sexual e o tesão de viver aumente sem criar perturbação, contração, tensão, sem precisar ser descarregado constantemente. Então ele parte pra cima dela com essa mesma energia.</p>
<p><strong>5. </strong>Ele avança sobre o feminino sem pedir licença assim como mantém um direcionamento na vida para além de seus relacionamentos. Porque nem sempre pede autorização ou concordância, ele consegue tocar sua parceira em áreas em que ela dificilmente atingiria sozinha.</p>
<p><strong>6.</strong> Ele não respeita seus próprios obstáculos. E é exatamente essa atitude, quando direcionada para fora, que penetra a rigidez feminina. Se ela sente dor na penetração, ele não fica anos respeitando e arranjando jeitos de evitar a penetração. Ele aceita, acolhe, se diverte ao mesmo tempo em que a ajuda a superar, investiga, <strong>perfura o hábito acomodado de ambos</strong>, desafia, convida a transformação mesmo que haja dor e desconforto no meio do caminho.</p>
<p><strong>7. </strong>Ele sente prazer em conduzir e mover sua mulher. Observou que essa postura abre espaço para que ela seja e aja como mulher de um modo que nem sempre consegue em sua vida cotidiana.</p>
<p><strong>8. Ele libera o feminino.</strong> Não oferece nenhuma restrição para as expressões faciais, emoções, ideias, relações, roupas, palavras, ações, faculdades, trabalhos que as mulheres ao seu redor tanto exploram.</p>
<p><strong>9. </strong>Ele não se desespera quando os movimentos externos não lhe favorecem. Ou seja, quando é pressionado, contrariado, rebaixado, ignorado, criticado, traído ou abandonado.</p>
<p><strong>10.</strong> Ele sabe que <strong>sua vida não é definida pelas situações</strong> mas por sua ação sobre o que lhe acontece. Como <a href="http://papodehomem.com.br/o-que-tanto-buscamos-em-noitadas-bebidas-mulheres-trabalhos-e-viagens/" target="_blank">essa experiência acontece por um corpo e por uma mente</a>, sua única prática é sustentar um corpo vivo e uma mente lúcida, em qualquer situação, em todas as relações. Ao abrir os olhos para como sua experiência de mundo é construída, ele deixa de ser vítima e se descobre autor, o que faz sua energia circular pois começa a agir sobre aquilo que antes agia sobre ele. Foder o que lhe fodia,<strong> brincar com o que temia</strong>.</p>
<p><strong>11. </strong>Ao mesmo tempo, ele se esforça menos em controlar as coisas, pois agora seu foco está na postura de mente e corpo, na qualidade da experiência, na estabilidade de sua energia, não importa o que surja pela frente.</p>
<h1>Oferecimento: K-Y</h1>
<p><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-975" title="ky" src="http://nao2nao1.com.br/wp-content/uploads/2010/05/ky1.jpg" alt="ky" width="588" height="250" /></a></p>
<p>É isso. Recebi quase 100 mensagens pelo widget que ficou por um mês aqui no <em>Não2Não1</em>. Espero ter tocado em algumas dessas histórias e questões sobre o &#8220;Antes&#8221;.</p>
<p>Deixo o convite a todos para conhecer a <a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">linha de produtos da K-Y</a>, marca que <strong>apoiou o <em>Não2Não1</em></strong> e o conteúdo que venho produzindo aqui há 4 anos. Confesso que sou fã do <strong><a href="http://bit.ly/ky-n2n1-post3" target="_blank">K-Y 2 em 1 &#8220;Sensual massage&#8221;</a></strong> (não uso o gel) e que não teria topado essa ação se não houvesse essa identificação com o produto.</p>
<p>Aguardo seus comentários, como sempre.</p>
<p>Abraços!</p>


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