Amor: relação abismal

por Gustavo Gitti 2 junho 2006 39 comentários
  

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O abismo dele, sua profundidade, é o espaço de queda para a entrega dela, para a sua dança, seus rodopios, confusões, desejos, ânsias, medos. O abismo dela, seu útero, é o espaço que será penetrado pela profundidade dele. O abismo dela se abre, se entrega e mergulha no abismo dele. O abismo dele invade, inflama e penetra o abismo dela.

A mulher precisa ansiar por profundidade e assim aumentar seu abismo interior. Isso atrairá os melhores homens, aqueles com profundidade suficiente para preenchê-las, aqueles com um abismo infinito o suficiente para que elas se precipitem, se joguem, se entreguem.

Por um lado, a profundidade masculina funciona de forma ativa, invadindo-a, dominando-a, acolhendo-a, como se tivesse passagem livre pelo corpo e pela alma feminina, em uma massagem incessante, interna e externa. Por outro lado, a profundidade masculina é passiva, sendo o abismo no qual a mulher se jogará, sendo o espaço e a liberdade para o mergulho feminino, para sua entrega derradeira.

O homem tem de treinar um livre transitar em meio à confusão feminina, em meio às suas energias de movimento frenético. Uma lucidez dentro dos ciclos malucos das mulheres. Sem isso, uma mulher não conseguirá se soltar. Essa prática pode ser feita com qualquer manifestação feminina (música, natureza, problemas cotidianos, momentos de prazer sensorial, situações aflitivas, cinema) e não apenas diretamente com mulheres. Não é por acaso que os músicos em geral adquirem habilidades especiais de sedução e conquista.

É como se ele dissesse:

“Eu gosto de penetrar o abismo numa mulher. Você precisa de um bom tempo sozinha para deixar esse abismo crescer. Você precisa me querer dentro de seu corpo. Você precisa me chamar, ansiar pela minha presença. Seu corpo tem de rodopiar e querer mergulhar para que você possa me atrair.

Você deve se tornar a dançarina enfeitiçada que entrega todas as suas energias e todas as suas confusões para o olhar e para os braços da minha sabedoria imóvel. Você deseja expressar sua beleza, seu brilho, sua luz? Dance para mim para que eu possa dançar com você.

Você tem de ter sede por profundidade antes que eu possa te oferecer a minha. Isso não acontece hoje: eu te penetro e me choco contra uma parede de bloqueios ao livre fluxo da energia de fogo do amor. Seu abismo tem limite. Sua entrega é pouca para minha profundidade.

Meu quarto está todo preparado: velas, incenso, música e um homem que só quer dar prazer. Você consegue se deitar com 100% de seu corpo em minha cama?”

David Deida diz: “Unsurrendered women attract unpresent men”. Tradução livre: “mulheres não entregues atraem homens não presentes”. Homens não presentes são homens pouco profundos, seres sem abismo. Mulheres não entregues, igualmente, são mulheres sem um vasto abismo interior. Em um casal, a intensidade da ânsia feminina pela entrega é proporcional à profundidade da presença masculina.

Quanto mais presente e lúcido for um homem, maior será sua atração pelas energias femininas de movimento, dança, música, brilho e encantamento. Um homem profundo exige uma mulher entregue. Somente ela se deixará conduzir para locais impossíveis, somente em total entrega o homem penetrará seus pontos intocados.

O maior tesão do homem-abismo é penetrar sua mulher por inteiro e fazê-la confiar mais nele do que em si mesma, iniciando-a no mistério do amor, na energia de êxtase da liberdade. O maior tesão da mulher-abismo é se entregar perdida e completamente, expressando toda a sua beleza e brilho em uma dança cuja condução cabe exclusivamente ao seu homem e cujos movimentos cabem exclusivamente a ela.

É como se ela dissesse:

“Eu me debato, surto, me confundo, sorrio e choro no mesmo minuto, irrito, implico, cobro e reclamo, mas quero que você simplesmente fique aqui, quero sua presença impassível, seu olhar transcendente que entende o além-de-mim.

Quero que você me abrace e beije com força, cortando minhas neuroses pela base. Cada briga que provoco é apenas um teste para ver se você consegue adentrar qualquer canto de mim com seu amor liberador, se sua consciência consegue lidar com todas as minhas energias de manifestação.

Quero que você me abra por inteiro e finalmente me livre dessa contração, dessa ânsia por sempre sair fugindo do momento presente. Você consegue me preencher totalmente? Consegue me inundar de seu amor, percorrendo e encharcando cada uma das partes de minha alma-corpo? Consegue me fazer transbordar de mim mesmo? Fazer meu corpo implodir?

Meu quarto está todo preparado: estou nua. Você consegue invadir 100% de minha mente e abraçar 100% de meu corpo? Consegue ser profundo o suficiente para que eu possa confiar e me entregar a você?”

Rendição. Uma mulher autêntica deseja apenas isso, ser totalmente rendida. Ela pode parecer querer comandar ou não saber o que deseja. Ela pode irritar seu homem, provocá-lo ou evitá-lo. Mas ela só quer sua potência, sua liberdade, sua profundidade. Ela quer ser interrompida em sua confusão. Quer ser rendida, de corpo e alma.

Por mais que uma mulher seja independente, autônoma e inteligente, o que ela mais deseja é ser sua, possuída pelo amor e pela consciência de um homem. Quando um homem-abismo diz “você é minha”, não há relação alguma de posse, mas um acolhimento infinito e incondicional. Dizer isso para uma mulher é algo tão corajoso e raro quanto abraçar o mundo inteiro, tornar-se o universo, tornar-se pura liberdade. É fazer amor com todas as energias femininas de criação que constituem todos os fenômenos, todos os seres.

Em um certo sentido, penetrar uma mulher é penetrar o mundo. Não há diferença entre os contornos de uma mulher e vales, montanhas, sóis e estrelas. Acariciar verdadeiramente uma mulher é ficar íntimo de todos os fenômenos e seres. Ao sentir-se confortável com as reclamações e surtos de uma mulher, o homem aprende a sentir-se “em casa” e aberto a qualquer situação possível no mundo. Ao liberar sua mulher, o homem libera o mundo. Do mesmo modo, ao se entregar para seu homem, a mulher se entrega à vida em toda a sua potência, se abre ao universo, é possuída pelo infinito — e não há nada mais belo do que uma mulher que exibe isso em seu olhar.

Em uma relação iluminada, eles se abismam um ao outro. A mulher se entrega ao homem e, de dentro dele, dança o universo com sua energia de luminosidade, brilho, charme, carne, prazer. O homem a possui e, dentro dela, fornece o espaço e a liberdade para que nasça mais um universo. É tão simples quanto dança de salão: o homem conduz e a mulher rodopia, encanta, fascina.

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39 comentários »

  • anais

    Gustavo…
    texto excelente. Ah se todos os homens ou pelo menos alguns pudessem aprender isto. (rs)

    Ah, o nick é pela escritora sim!

    beijo
    ;)

  • Patrícia

    Olá,

    Cai no seu blog sem nenhuma pretensão e ele se mostrou uma surpresa deliciosa. Texto lindo concordo com quase tudo, mas infelizmente posso falar “de cadeira” : mulheres-entregues nem sempre geram nos parceiros o desejo de serem homens-abismo. Quase sempre geram medo e fuga.
    Um grande abraço e parabéns pelo domínio das palavras.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Olá, Patrícia! Concordo: medo e fuga. Infelizmente é isso em muitos casos. Por isso é importante a mulher se entregar na medida do abismo do outro, e portanto procurar se envolver com homens mais “maduros”. ;-)

  • TATIANA ROJAS

    SIMPLESMENTE LINDO!

  • Renata

    Lindo e tem tudo a ver com a questão da maturidade. Essa entrega só dá pra ser conduzida e vivida por seres maduros.

  • Fernando

    Gustavo,
    conheci seus escritos atraves do papo de homem e bem, ja me tornei adepto de seus conselhos falando de seu blog a varios amigos. Porem gostaria que você me ajudasse melhor a entender de maneira prática e clara (para que dominando possa melhor praticar) termos como: profundidade, liberdade e presença. Sinto telos compreendidos em parte, mas somente em parte. Aguardo respostas… obrigado.

  • Gustavo Gitti (autor)

    Fala Fernando! Tudo certo? Cara, fiquei muito feliz com seu comentário. Você acertou em cheio na pergunta, pois toda a abordagem do blog para homens se resume nisso mesmo: profundidade, liberdade e presença.

    Pode deixar que estou preparando um post sobre isso, ainda que eu também só compreenda isso em parte, mas a gente vai se ajudando, não é mesmo?

    Abração!

  • Fernando

    Valeu gustavo,

    Estarei aguardando ansioso por estes posts, afinal como você disse: neles estão a essência.

    Acho que tenho muito para aprender contigo meu camarada, más no que depender de mim, nós vamos esmiuçar estes temas até retirar deles a ultima gota de seiva e vida que eles podem nos conceder.

    abraços !!!

  • Melhores Posts « [muneo::programação e recreio]

    [...] Blog do Gustavo Gitti (Não Dois, Não Um)Amor: relação abismalhttp://nao2nao1.com.br/ensaios/amor-relacao-abismal/ [...]

  • Fernando

    Ola gustavo, tudo bem?
    Bem, sei que a pergunta é meio impropria, mas como faço para conseguir ebooks traduzidos do david deida. Baxei quatro livros dele no emule mas o ingles acertadamente não é meu forte.
    Desde já abraços e obrigado

  • Gustavo Gitti (autor)

    Fernando, acabei de escrever sobre seu comentário. Pelo visto, eles vão render 3 posts! O texto ficou muito longo para um só.

    Está logo na home, mas o link direto é: http://nao2nao1.com.br/ensaios/liberdade-profundidade-e-presenca-para-homens-parte-1/

    Abraço e obrigado!

  • Lu

    Simplesmente maravilhoso!

  • Alessandro

    mto bom! excelente!

  • Beth

    A dança é o exemplo perfeito de entrosamento entre o homem e a mulher. Na dança, eles se permitem. Pena que na vida real nem todos sejam exímios dançarinos.
    Um pena!!!

    Excelente post

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Beth, é isso mesmo! E olha… Treinar dança pra valer (de salão, contemporânea, qualquer uma) ajuda tb!

    Muito boa a citação da Clarice do seu blog. To lendo outros posts.

    Abração!

  • Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos | Não Dois, Não Um: Um blog sobre relacionamentos lúcidos

    [...] por pura liberdade e diversão. Você quer ser surpreendida, arrebatada, contrariada, violada, rendida. Você acha que não existe homem algum com coragem para fazer aquilo que você quer mas não [...]

  • Leitor

    Gustavo,

    Faz um tempo que venho lendo teu blog (por mais que ache que isso seja muito mais do que isso).

    Por esses “acasos” da vida, estava questionando o período que venho experimentando com minha namorada.

    Sem saber o que fazer ou como fazer.

    Li esta pérola e tive a certeza: foi escrito pensando em mim.

    Tudo (exatamente, tudo) o que disseste é o que acontece conosco.

    Não sou muito bom em analisar as situações, e compreender o que acontece (tenho que desenvolver mais esse lado, e acho que teus posts sobre liberdade, profundidade e presença irão ajudar).

    O que me surpreende é que o sentimento que tenho pela minha mulher é exatamente o que disseste, e o que ela demonstra por mim e parece esperar é exatamente a mesma coisa. Ou seja, fechamos de uma maneira linda.

    Obrigado por deixar as coisas claras, com uma simplicidade fantástica.

    Abraço!

  • Samuel Carnero

    Perfeito texto, Gustavo! Minha atual relação é assim. Ela fala, disfala, testa, joga, irrita, distrata. Palavras, teorias, palavras, palavras, fala do ex, fala de nossas diferenças e objetivos de vida. Fala, fala. Daí quando me vê, seus olhos dizem o contrário, seu abraço diz o contrário, seus beijos idem. Daí ela se rende e tudo o que está escrito aí em cima acontece entre a gente. “É como se ela dissesse: Quero que você me abrace e beije com força, cortando minhas neuroses pela base. Cada briga que provoco é apenas um teste para ver se você consegue adentrar qualquer canto de mim com seu amor liberador, se sua consciência consegue lidar com todas as minhas energias de manifestação”

    Perfeito!

  • Laura

    Sou leitora assídua do Não2Não1 há quase um ano e sempre que possível coloco trechos das postagens do Gitti(com os direitos autorais preservados claro rsrsrsrs),pois adoro a forma como ele escreve a respeito do univers feminino.Esse blog não é mais um besteirol na web,eu recomendo.Parabéns!

  • Helga Maria

    Oi Gitti,

    Hoje vou comentar. :)

    É o que estou sentindo por alguém.

    Reconheço também muitas de minhas reflexões sobre o assunto organizadas por você neste texto.

    Enquanto lia algumas partes imaginei você curtindo sua namorada e pensando ‘ele é lúcido, está ali quando está com ela. Sorte dele, sorte dela. É um cara normal, mas que está atento pra esse tipo de coisa’.

    Muito bom isso. :)

    P.S.: Ué, Gitti, não entendi: o post é de 2007 mesmo? Que datas são essas dos comentários?

  • Gustavo Gitti (autor)

    Sim, Helga, é de 2006, na verdade. Foi meu segundo texto para cá. ;-)

    Mas ontem atualizei o WordPress, mexi em algumas coisas para preparar minha retomada (estou saindo do meu trabalho para ficar em casa e tocar vários projetos, entre eles o Não2Não1), e acabei jogando dois posts bem antigos para a home.

    Às vezes faço isso.

    Abração!

  • Ângela

    Delicioso esse texto!!!

  • Bucker

    é como Chico já dizia: “Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa”.
    belo texto. parabéns.

    “O meu amor tem um jeito manso que é só seu
    E que me deixa louca quando me beija a boca
    A minha pele toda fica arrepiada
    E me beija com calma e fundo
    Até minh’alma se sentir beijada
    O meu amor tem um jeito manso que é só seu
    Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
    Com tantos segredos lindos e indecentes
    Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
    E me crava os dentes
    Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
    Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
    O meu amor tem um jeito manso que é só seu
    Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
    E quase me machuca com a barba mal feita
    E de pousar as coxas entre as minhas coxas
    Quando ele se deita
    O meu amor tem um jeito manso que é só seu
    De me fazer rodeios, de me beijar os seios
    Me beijar o ventre e me deixar em brasa
    Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
    Fosse a sua casa
    Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
    Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz”

  • Bruno

    Realmente Gustavo, tu traduz o que muita vezes eu tenho dificuldades em compreender na minha relação com minha namorada!

    Parabéns, de novo!

    Abraço.

  • lilian fraga

    Gustavo, buscando conhecer um pouco mais a mente masculina encontrei seu texto. É o máximo, adorei só que, discordo quando você diz que a entrega de uma mulher é o que gera o potencial de entrega num homem. De experiência própria, se você se entrega e é ( linda, inteligente e madura) eles fogem… Se vc nao se entrega, é porque é bonita, inteligente e madura, muita areia pro caminhao. Estou vivendo este momento, vou ficar na minha vou deixar a agua rolar mas, tentei me entregar a um homem e ele aparentemente, fugiu. E como lidar com isso?!? Bom, também deixa eu esclarecer uma coisa. Esse meu pseudo namorado foi fruto de um resultado de um reality show no sbt que terminou ha 10 dias. So falta esposa. Falta gente meio normal no mundo… beijos e obrigada pelos textos!

  • James

    Gustavo, conheci seu blog atraves do papo de homem, e cara, vc sintetiza tudo (ou quase)o que o homem moderno precisa ouvir.
    Queria muito que vc pudesse desenvolver algo mais sobre a espacialidade, presença e liberdade do homem.
    Valeu.

  • Roberta

    Gustavo, me identifiquei com seu texto à medida que fui lendo e degustando os comentários!
    Creio que esse texto no abre os ‘portões da prática de se relacionar’ – com o perdão do trocadilho em relação aos Portões da Prática Budista – as mulheres, informando-se mais a respeito dos conceitos de liberdade, profundidade e presença masculinos, podem ajudar muito seus parceiros a fim de que eles descubram essas qualidades, que estão lá, talvez escondidas por ‘n’ fatores, enfim. Mas elas também precisam ajudar seus pares nessa descoberta, que tal umas dicas pra que isso aconteça?

    bjks

  • Bia

    Cara, torça por mim, desejo muito encontrar um cara com a sua sabedoria, com a sua profundidade…

    Ore muito p/ a que Shakti (especialmente a que habia em mim)desperte Shiva nos homen…

    Como antropologa nunca acreditei que o mundo estivesse desencantado (Weber), mas homens e mulheres realmente precisam reencontar suas divindades, suas potencialidades …

    Como mulher estou orgulhosa de você! Está fazendo um bom trabalho!
    Espero que ainda possamos ter orgulho de muitos homens e mulheres…

    Bacci

  • Gustavo Gitti (autor)

    Oi Roberta,

    Leitora de Chagdud Tulku Rinpoche? Muito bom. Meu professor, Lama Padma Samten, foi aluno dele.

    Invertendo a pergunta, quais dicas você daria para que as mulheres estimulem esse processo em seus parceiros?

    Beijo.

  • Roberta

    Faz pouco que conheço seu blog e também há pouco conheci o Papo de Homem. Foi uma indicação – feliz indicação – de alguém que já lê você há algum tempo. Fato, venho literalmente devorando teus textos! Você transforma as idéias em palavras de um jeito agradável e envolvente de ser ler, impossível ficar só no primeiro!
    Sobre o Rinpoche! A minha família toda é budista, e já assisti alguns ensinamentos com o Lama Padma Samten. Tenho muita afinidade com a Lama Sherab, mas ainda não um professor do Dharma, enfim.
    Fiquei pensando muito sobre a questão das dicas! Preferia conhecer o olhar masculino a respeito. Se eu soubesse o caminho, tratava de percorre-lo e contar se é seguro depois! (risos). De qualquer sorte, ao ler muitos posts, tive aquela sensação de que muitas fichas haviam caído!! E percebo que não são apenas os homens que precisam tomar consciência [ou gosto] do papel que eles tem numa relação. As mulheres as vezes se bloqueiam no ato da entrega. Por medo, talvez. Por outro lado, uma mulher que está pronta pra entregar-se sem reservas, ela pode assustar os mais desavisados. São tantas coisas das quais se libertar! Pudores inúteis, medos pequenos, falta de foco ou de objetivo em relação àquela pessoa. Sair da zona de inércia [para a dança?].
    Hummm, pensando bem, talvez essas respostas estejam nos outros posts! Continuarei lendo…
    =D
    bjks.

  • Márcia

    Leio e uma onda de comoção, excitação, palpitação, lágrimas assolam o meu ser, num momento de reconhecimento fugidio em meio à tarde. Saber que é exatamente assim o verdadeiro sabor de tocar e ser tocada, de ser abismo do outro em sua profundidade, de atirar-se sem medo no abismo do outro, sem medo de suicídio.
    Coisa mais bonita essa…
    obrigada,
    Márcia – MS

  • Bianca

    Gitti, qdo vc for ex comprometido, passa lá em casa…
    hahahahaha

  • Rita

    Rapaz, tou na duvida, voce se acha um bom escritor mesmo ou sabe que apenas sabe jogar com frases de efeito e ir pra lugar nenhum? Tudo nesse site me mostra que voce tem síndrome de Don Juan, e usa isso aqui pra alimentar o seu grande ego que quer um monte de coisas ordinárias, como provar que é bom e afirmar que quer uma mulher entregue e sumbissa.
    E “ciclos malucos das mulheres”? Acho que voce tem que estudar o assunto, primeiro porque nao tem nada “maluco” em nossos ciclos, é apenas uma dualidade, que vocês, homens que só sabem falar bonito e tentam ganhar a vida no lero-lero, não tem. Segundo porque voce pode parecer machista, chamando um comportamento feminino de “maluco” (nenhuma mulher gosta de ser taxada de maluca), e isso é o oposto do que voce quer, né? Não sinto que voce quer ser menos machista. Sinto que voce apenas quer parecer menos machista.

    Outra duvida.. sua namoradinha não implica com esse blogue nao? porque ele parece uma armadilha pra mulheres baba-ovo. Alias, voce precisa de uma mulher madura te dando umas ideias, se quer deixar isso aqui menos raso.

    Espero ter sido construtiva. Afinal tem tanto leitor-de-paulo-coelho aqui te elogiando que se ficar só nessa vai te deixar acomodado pra alcançar um patamar acima, né?

  • Alessandra

    Achei lindo, muito poético, cheio de imagens belas.
    Fiquei pensando… De quem é a iniciativa desse ballet…quem dá o primeiro passo?
    O homem ao se sentir atraído é que procura esse epicentro de ebulição feminina? E a traz pra si?
    Ou a mulher ao se sentir desejada é que se inflama dessa ânsia vertiginosa, e se lança ?

    Para o nascimento do amor não há regras, só há possibilidades e surpresas.

    Beijão

  • Camila

    Que texto ridículo! Apenas um machista que acha que mulher tem que ser submissa e se entregar completamente ao homem senão não é mulher de verdade e nunca será feliz!
    Como se o homem fosse tudo que uma mulher precisa, e ainda diz que o inverso não é verdadeiro.
    Pois sabe que além de machismo isso é homofobismo, pois existem mulheres que são lésbicas, ou elas deixam de ser mulher por gostar de mulher? E existem homens que são gays e não buscam “penetrar abismo feminino” nenhum!
    E quem foi que te disse que assim são todas as mulheres e todos os homens? De onde você tirou essas “verdades” universais, cara-pálida? Quem te disse que a entrega tem que ser feita pela mulher e não pelo homem? Quem te disse que apenas homem pode penetrar abismos e que homens não possuem abismos?
    Você lê o que escreve? E ainda tem gente que acha que isso é sabedoria… pobres seres!

  • Gustavo Gitti (autor)

    Ah, sim, você tem razão. E até hoje caio nesse drama na linguagem.

    Quando falo em homem acima, eu falo em MASCULINO, não no sentido “de homem”, mas no sentido de qualidades masculinas, sejam elas presentes em uma mulher (lésbica ou não) ou em um homem (gay ou não). O mesmo para as qualidades femininas.

    Ou seja, um homem pode manifestar qualidades femininas e uma mulher manifestar qualidades masculinas (e ela não precisa ser lésbica pra isso). Essa dinâmica entre abismos, entre masculino e feminino, ocorre em todas as relações e também muda dentro de apenas uma relação, seja ela hetero ou não.

    Mas nunca consegui escrever sem cair nesse problema, você apontou bem.

  • Patricia

    Esse texto é incrível… De tempos em tempos passo aqui para devorá-lo! Beijos.

  • Victoria

    Olá

    Recentemente descobri o site
    Gostei de descobrir esses textos, estou lendo um a um….
    Mas não posso deixar passar algo que pra mim soa como ruídos desafinados em músicas bem escritas, por exemplo:

    “(…)Isso atrairá os melhores homens, aqueles com profundidade suficiente para preenchê-las,(…)”

    “Preenchê-las” é um termo que sugere mulheres vazias a espera de um homem que as preencha, com semem, filhos, amor-paixão, dsts tbm, eletrodomesticos, necessidades masculinas…ou o que quer que seja…

    “Ela quer ser interrompida em sua confusão. Quer ser rendida, de corpo e alma.”

    Esse tipo de discurso já está mais do que ultrapassado, ou pelo menos deveria estar, o grande problema é que ainda vivemos e concordamos dentro das nossas cabeças com diversos valores que já não mais sustentam.

    Não existem tantas caracteristicas que definam exatamente homens e mulheres, somos muito influenciados pela cultura
    E esses conceitos de masculino, feminino, são um tanto cansativos e não duram uma volta pela vida real nas principais quebradas do mundo.

    E justo por por vc ser um formador de opniao, com um espaço interessante na blogosfera, ainda mais tratando desses assuntos, homemulher, seria excitante ver alguem indo além do que já conhecemos e ouvimos por aí, e mostrando a diversas pessoas ansiosas e sedentas que “ninguém sabe nada”, não existe uma cartilha pronta e essa é a maior graça da vida… portanto, vamos viver, amar, conhecer com mais humildade, ter mais tato, usar mais os instintos e ter menos medo de ser aquele que se entregará, de corpo e alma a relação..

    afinal, existe uma infinidade de possibilidades, de corpos e de amores, querer encaixar a vida, os relacionamentos em conceitos é deixar a essencia escapar por entre os dedos…

    De qqr forma é legal acompanhar o que vc escreve

    até mais

  • Gustavo Gitti (autor)

    Eu concordo TOTALMENTE contigo, Victoria.

    Tanto é que procuro não cair nessa linguagem nos textos mais recentes (esse é de 2006, o terceiro que soltei no blog). Ou, pelo menos, quando caio, o contexto é mais evidenciado. Ou assim me auto-engano…

    Se achar esses problemas em outros textos, me avise.

    No PapodeHomem vou iniciar essa semana uma série sobre machismo, tratando desses problemas que apontou.

    Beijo e obrigado.

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